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China promete lutar ‘até o fim’ contra tarifas anunciadas por Trump nos EUA

Governo chinês afirmou, nesta terça-feira (8), que vai retaliar medida inaceitável do americano

A tensão entre China e Estados Unidos voltou a escalar nesta terça-feira (8), após o governo chinês prometer que lutará contra as tarifas americanas “até o fim”. A reação veio após o presidente Donald Trump ameaçar novas taxas sobre produtos chineses, intensificando o embate comercial entre as duas maiores economias do mundo.

Mesmo com o impacto negativo nas Bolsas na segunda-feira (7), Trump não demonstrou intenção de rever sua política comercial agressiva. A queda global nos mercados refletiu o receio de uma possível recessão mundial provocada pela disputa tarifária.

Na semana passada, a China respondeu às tarifas impostas pelo Estado Unidos anunciando uma taxa de 34% sobre produtos americanos, com início marcado para a próxima quinta-feira (9). Pouco depois, Trump rebateu a medida ameaçando elevar as tarifas a um total de 104%.

“Tenho um grande respeito pela China, mas não podem fazer isso”, disse Trump na Casa Branca.

A postura americana foi criticada pelo porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Lin Jian, que condenou as “pressões, ameaças e chantagens” dos Estados Unidos. Já o Ministério do Comércio chinês classificou a atitude como “um erro após o outro” e afirmou que as ameaças americanas “expõem, mais uma vez, a natureza chantagista dos Estados Unidos”.

“Os Estados Unidos insistem em seguir seu próprio caminho, a China lutará até o fim”, declarou o ministério. A nota acrescenta que o país asiático tomará “contramedidas” para proteger seus “direitos e interesses”, embora mantenha o apelo por “diálogo”.

Oscilações nos mercados

As Bolsas registraram uma recuperação nesta terça-feira (8), após uma segunda-feira de quedas nos mercados da Ásia, Europa e Estados Unidos.

Tóquio fechou em alta de mais de 6%, após ter caído 8%. Na Europa, os principais índices também abriram com valorização.

Especialistas apontam que a guerra comercial pode trazer efeitos negativos como inflação, aumento do desemprego e desaceleração do crescimento econômico global.

Trump argumenta que os Estados Unidos foram “saqueados” economicamente por outras nações ao longo dos anos. Por isso, na semana passada, anunciou uma tarifa geral de 10% sobre todos os produtos importados, além de taxas específicas para determinados países: 20% para membros da União Europeia e 46% para o Vietnã, que entra em vigor a partir de quarta-feira (9).

Diante da medida, os 27 países da União Européia tentaram articular uma resposta conjunta e propuseram uma isenção total e recíproca de tarifas para produtos industriais, incluindo automóveis.

“Não, não é suficiente”, rebateu Trump, criticando os europeus por não comprarem produtos industriais americanos em volume satisfatório.

O secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, declarou que as tarifas anunciadas em 2 de abril visam fortalecer a posição dos EUA nas negociações. Segundo ele, quase 70 países já entraram em contato com Washington, e o presidente Trump estará pronto para negociar quando houver garantias sobre a abertura dos mercados estrangeiros aos produtos americanos.

FONTE: Rádio Itatiaia
China promete lutar ‘até o fim’ contra tarifas anunciadas por Trump nos EUA – Rádio Itatiaia

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Exportações de Carne de Frango do Brasil Sobem 13,7% no 1º Trimestre

As exportações brasileiras de carne de frango somaram 1,387 milhão de toneladas no primeiro trimestre, aumento de 13,7% ante o mesmo período de 2024, informou nesta segunda-feira (7) a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA).

Em receita, o crescimento é ainda “mais expressivo”, com alta de 20,8%, para US$ 2,5 bilhões (R$ 12,5 bilhões), acrescentou a ABPA em nota.

“Diversos dos mercados de mais alto valor agregado apresentaram altas expressivas, o que se refletiu, também, em uma receita em nível de crescimento mais elevado em relação aos volumes”, afirmou Ricardo Santin, presidente da ABPA.

Em comunicado, ele acrescentou a média das exportações de carne de frango se manteve acima das 460 mil toneladas mensais neste primeiro trimestre, algo inédito no setor. Isso “aponta para uma provável superação das projeções iniciais da ABPA para este ano”, comentou.

Em março, as exportações do Brasil, maior exportador global, totalizaram 476 mil toneladas em março, avanço de 13,8% ante o mesmo mês de 2024. A receita gerada alcançou US$ 889,9 milhões (R$ 4,4 milhões), valor 18,5% maior.

Entre os principais destinos de exportação em março, a China manteve a liderança, com 46,4 mil toneladas embarcadas — volume 19,3% superior ao registrado no mesmo mês de 2024. Na sequência aparecem: Arábia Saudita, com 40,5 mil toneladas (+15,7%); Emirados Árabes Unidos, com 32,2 mil toneladas (-21%); Japão, com 29,8 mil toneladas (-5,5%).

Filipinas, com 25,1 mil toneladas (+43,6%), União Europeia, com 23 mil toneladas (+29,9%), México, com 20,4 mil toneladas (+52,4%) e Coreia do Sul, com 14,9 mil toneladas (+18,4%), são os outros destaques positivos, segundo a ABPA.

FONTE: FORBES
Exportações de Carne de Frango do Brasil Sobem 13,7% no 1º Trimestre

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Mercados dos EUA afundam-se ainda mais após Europa oferecer abertura a tarifas “zero por zero”

A queda do mercado bolsista norte-americano agravou-se esta segunda-feira, com os compradores relutantes em intervir, apesar das especulações sobre possíveis acordos comerciais e dos sinais de que a Europa poderá estar pronta a aliviar as tensões, adotando um tom menos conflituoso.

Relatos não confirmados de que o conselheiro económico da Casa Branca, Kevin Hassett, tinha sugerido uma possível pausa de 90 dias nas novas tarifas ofereceram uma breve centelha de esperança, mas esse otimismo rapidamente se desvaneceu.

Às 15:30, hora de Lisboa, o S&P 500 tinha caído 1,3% para 5.010 pontos, o nível mais baixo desde o início de 2024, aumentando as perdas acumuladas do índice para quase 12% desde o anúncio das tarifas da semana passada – uma das suas quedas mais acentuadas na história do pós-guerra, rivalizando com a “segunda-feira negra” de outubro de 1987 e a crise financeira global de 2008.

Desde o seu pico em fevereiro, o índice de referência caiu 20%, marcando o início de um mercado técnico em baixa.

As perdas continuaram a ser generalizadas entre os índices dos EUA, com o Dow Jones a cair 2% e o Nasdaq 100, de alta tecnologia, a cair 1%.

As ações tecnológicas de grande capitalização permaneceram sob pressão. A Tesla caiu 5.5% no próprio dia e o seu valor caiu para metade desde os máximos de 2024. A Apple perdeu 3.5%, elevando o seu declínio total para 30% em relação aos níveis máximos.

Em contrapartida, os investidores procuraram refúgio em nomes defensivos e contra-cíclicos. A Dollar Tree ganhou 7%, enquanto a Brown-Forman Corp subiu 4,7% e a GE Vernova subiu 4,4%, à medida que os investidores se deslocavam para setores considerados mais resistentes durante as recessões económicas.

Trump defende tarifas em contexto de reações adversas

Na semana passada, Donald Trump anunciou uma nova vaga de tarifas aduaneiras abrangentes que visam uma vasta gama de produtos provenientes da China, da União Europeia e de outros grandes parceiros comerciais.

Na segunda-feira, Trump publicou uma mensagem na plataforma Truth Social, dizendo: “Países de todo o mundo têm vindo a falar connosco. Estão a ser definidos parâmetros duros, mas justos. Falei com o primeiro-ministro japonês esta manhã… A única forma de curar este problema é com TARIFAS, que estão agora a trazer dezenas de milhares de milhões de dólares para os EUA.”

Trump defendeu ainda a estratégia tarifária. “Os Estados Unidos têm a oportunidade de fazer algo que deveria ter sido feito DÉCADAS ATRÁS”, escreveu, enquanto criticava os desequilíbrios comerciais com a China, a UE e o Japão.

“Não sejam fracos! Não sejam estúpidos! Não sejam ‘PANICANOS'”, declarou Trump, cunhando um novo termo para aqueles que se opõem às suas políticas comerciais. Afirmou ainda que as tarifas já estavam a gerar “dezenas de milhares de milhões de dólares” para os EUA e chamou-lhes “uma coisa bonita de se ver”.

Os principais bancos de investimento mundiais reviram rapidamente as suas previsões económicas à luz dos acontecimentos.

O Goldman Sachs elevou para 45% a probabilidade de recessão nos EUA, citando os riscos de perturbação do comércio e o enfraquecimento da confiança das empresas. O JP Morgan foi mais longe, atribuindo uma probabilidade de 60% de recessão nos próximos doze meses.

Europa abre-se à redução das barreiras comerciais

O choque no mercado segue-se à declaração abrupta de Trump relativa à aplicação de tarifas abrangentes sobre bens estrangeiros – uma medida protecionista que atraiu o escrutínio global. Enquanto a administração permanece firme, sinais de um tom mais conciliatório surgiram da Europa.

O vice-presidente e responsável pela pasta do comércio da Comissão Europeia, Maroš Šefčovič, manifestou disponibilidade para negociar.

“Estamos prontos para discutir tarifas ‘zero por zero’, não apenas para os automóveis, mas também para outros produtos industriais”, destacou, acrescentando que 380 mil milhões de euros em exportações da UE para os EUA, equivalente a cerca de 70% do total das exportações do bloco, estão agora sujeitos a tarifas.

No entanto, criticou a falta de progressos nas conversações com Washington, afirmando que: “Apesar dos esforços da UE, não assistimos a um compromisso que conduza a uma solução mutuamente aceitável”. O comissário também não aceitou as críticas ao regime europeu do imposto sobre o valor acrescentado (IVA), sublinhando a sua importância fiscal para os Estados-membros. “O IVA é uma importante fonte de rendimento dos Estados-membros da UE e não vamos alterar o nosso sistema de IVA.”

“Os mercados estão a reagir à mais importante mudança de paradigma desde a 2.ª Guerra Mundial”, disse Šefčovič.

As ações europeias recuperaram apenas ligeiramente com estas notícias. O Euro STOXX 50 ficou 3,4% abaixo, superando quedas mais pesadas durante a sessão.

FONTE: Euronews
Mercados dos EUA afundam-se ainda mais após Europa oferecer abertura a tarifas “zero por zero” | Euronews

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Dólar fecha em alta após Trump ameaçar China com tarifa adicional de 50%

O dólar à vista voltou a fechar em forte alta diante do real nesta segunda-feira, seguindo a tendência de outras moedas emergentes, em meio à escalada das preocupações com a guerra comercial de Donald Trump.

O presidente americano fez nova ameaça à China, de impor mais 50% em tarifas, caso o país não volte atrás na retaliação contra os produtos americanos anunciada na sexta-feira.

O dólar chegou a registrar uma queda pontual pela manhã em meio ao boato de que os EUA fariam uma pausa nas tarifas para abrir espaço para negociações com outros países, mas o rumor foi logo desmentido pela Casa Branca.

O dólar à vista fechou em alta de 1,30%, a R$ 5,9106, após oscilar entre R$ 5,8169 e R$ 5,9324. Às 17h05, o dólar futuro para maio subia 0,85%, a R$ 5,9335.

Lá fora, o índice DXY tinha alta de 0,42%, aos 103,454 pontos. O euro caía 0,34%, para US$ 1,0917. E a libra recuava 1,37%, a US$ 1,2719.

Data Compra Venda Variação Variação
01/04/2025 5,6827 5,6833 -0,39% -0,0224
02/4/2025 5,698  5,6986 0,27% 0,0153
03/4/2025 5,6279 5,6285 -1,23% -0,0701
04/4/2025 5,8349 5,8355 3,68% 0,207%
07/4/2025 5,91 5,9106 1,29% 0,0751

Fonte: ADVFN News
Dólar fecha em alta após Trump ameaçar China com tarifa adicional de 50% | ADVFN News

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Como fica o Brasil com as bolsas derretendo no mundo?

Escalada tarifária iniciada por Donald Trump provoca queda nos mercados, alta do dólar e incertezas sobre os rumos da economia global

Os mercados estão instáveis frente à guerra comercial iniciada pelo presidente norte-americano, Donald Trump, na última semana, e as respostas de outros países, sobretudo a China, que já anunciou taxas recíprocas de 34%.

O Vix, popularmente conhecido como o “índice do medo” de Wall Street, ultrapassou 60 na manhã de segunda-feira, número mais alto desde agosto passado. Bolsas em todo o mundo abriram essa segunda-feira (7) estendendo o clima negativo visto ao fim da semana passada. Na Ásia, a bolsa de Tóquio chegou a acionar o circuit breaker, interrompendo momentaneamente as operações. O mesmo cenário de perda é visto na Europa e nos mercados dos Estados Unidos.

O Brasil também não passou ileso, com dólar voltando a ser negociado acima de R$ 5,90. A falta de clareza foi tema da fala do presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, em evento da autarquia nesta manhã em São Paulo. “Hoje, o tema de incerteza e volatilidade está mais espalhado no mundo”, disse. A incerteza quanto aos próximos passos de Trump e das reações dos países causa a volatilidade dos ativos, explica o estrategista-chefe da RB Investimentos, Gustavo Spinola. Com a economia globalmente interligada, o Brasil também é afetado.

“O Brasil vai ter algum efeito direto das exportações para os EUA. Porém, o maior efeito mesmo vai ser esse indireto, pois a gente não consegue escapar diante disso, principalmente com as empresas que operam nos Estados Unidos e também com as empresas que operam com os preços internacionais e com commodities”, afirma Spinola.

Entre as incertezas, o economista cita possíveis cortes dos juros nos EUA e possíveis efeitos na inflação. “Então, por isso, essa volatilidade tão grande, essa dúvida sobre o que será definitivo ou não. Isso diminui a intenção de comprar renda variável no mundo”, acrescenta. Na avaliação do estrategista-chefe e head de Research da XP, Fernando Ferreira, as incertezas do mercado mexem com as decisões das empresas de investir e gerar lucro e dos consumidores de irem às compras. Esse cenário pode colocar a economia global em recessão.

“Os mercados já estão reagindo fortemente a esse risco. Mais de US$ 10 trilhões evaporaram das Bolsas globais apenas nos últimos 3 dias”, disse em análise publicada na segunda. Segundo levantamento feito por Ferreira, dados históricos mostram que, durante recessões econômicas, o S&P 500 tende a cair entre 20% e 30% desde o pico, com algumas exceções que tiveram quedas maiores (entre -40% e -50% em 1973, 2000 e 2008). Ou seja, de acordo com a reação do mercado, uma recessão já estaria começando a ser precificada. Fernando Ferreira afirma que os investidores esperavam que o presidente Trump trouxesse medidas de redução de gastos e de impostos corporativos aos EUA e que as tarifas ficassem somente no campo da tática de negociação típica do republicano. 

“Não foi o que observamos até agora, pois o governo Trump optou por focar suas energias nas políticas de tarifas, que não são apenas retórica, enquanto as outras pautas parecem ter ficado para depois”, diz. Na manhã desta segunda, o presidente dos EUA afirmou que manterá a sua posição frente às tarifas impostas aos países estrangeiros. “Fomos tratados tão mal por outros países porque tivemos uma liderança estúpida que permitiu que isso acontecesse”, comentou Trump, que descartou um acordo com a China, a menos que o déficit comercial dos EUA com o país asiático diminua.

FONTE: CNN Brasil
Como fica o Brasil com as bolsas derretendo no mundo? | CNN Brasil

 

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Navio gigante da BYD cheio de carros evita alta de imposto e irrita Anfavea

Acusada de concorrência desleal pela Anfavea, a associação das montadoras instaladas no Brasil, por comercializar carros com preços agressivos com supostos subsídios do governo chinês, a BYD tem uma ‘carta na manga’ que igualmente tem gerado ira na concorrência local.

Pela segunda vez, em fevereiro passado, a fabricante asiática trouxe ao país um lote com cerca de 5,5 mil veículos elétricos e híbridos a bordo do BYD Explorer 01, um navio especializado no transporte de automóveis que consegue levar 7.117 carros de uma só vez, da China para o resto do mundo.

Em abril de 2024, a gigantesca embarcação fez seu primeiro desembarque no Brasil, para onde trouxe na ocasião outros 5,5 mil carros da BYD.

Graças ao navio gigante, a montadora conseguiu, nas duas oportunidades, montar estoque e nacionalizar automóveis antes de um aumento no imposto de importação – evitando, assim, o repasse do custo ao consumidor final e obtendo grande vantagem competitiva antes de iniciar a produção local de veículos em Camaçari (BA), com previsão para começar ainda em 2025.

Em julho deste ano, a alíquota de importação de veículos elétricos subirá dos atuais 18% para 25%; a de híbridos plenos, cuja bateria é recarregada pelo motor a combustão e pelo próprio movimento do automóvel, saltará de 25% para 30%; no caso dos híbridos plug-in, que podem ser recarregados na rede elétrica, o percentual irá de 20% para 28%.

O governo federal iniciou o aumento gradual da alíquota desses veículos em janeiro de 2024, a fim, justamente, de estimular a respectiva produção e montagem em solo brasileiro. A próxima e última elevação nos percentuais está prevista para julho de 2026, quando as alíquotas para todos os veículos eletrificados trazidos de fora do Brasil saltará para 35%.

Anfavea quer antecipação da alíquota ‘cheia’

No caso do Imposto de Importação, vale a alíquota do momento em que o carro entra no Brasil
No caso do Imposto de Importação, vale a alíquota do momento em que o carro entra no Brasil Imagem: Divulgação

A Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores) recentemente solicitou ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a antecipação da alíquota de 35% para todos os elétricos e híbridos importados

Segundo o órgão, a BYD estaria mantendo um estoque de 40 mil veículos no país.

“[Trata-se de] um desequilíbrio no comércio exterior que pode afetar ainda mais a produção, os investimentos e os empregos na cadeia automotiva brasileira”, disse a Anfavea em um comunicado.

A tática da BYD de formar estoque antes de cada aumento no tributo é possível porque o imposto de importação é calculado no momento em que o carro entra no país, independentemente de ele ser vendido depois.

“O imposto sobre a importação de produtos estrangeiros é de competência da União. O fato gerador desse imposto é a entrada dos produtos no território nacional”, explica a Receita Federal, com base no Código Tributário Nacional.

Sem ilegalidade a ser apontada, o que a Anfavea pede é a imposição imediata das tarifas marcadas para 2026, com o Brasil passando a cobrar logo os 35% de imposto. Como nos Estados Unidos, o Presidente da República tem poder de fazer isso sem depender do Congresso.

“Nenhum país do mundo, com indústria automotiva instalada, tem uma barreira tão baixa para as importações, o que torna o nosso importante mercado um alvo fácil, especialmente para modelos que estão sendo barrados por grandes alíquotas na América do Norte e na Europa. Elas são de 100% nos EUA e Canadá, e podem chegar a 48% na Europa”, diz a Anfavea.

O que dizem os especialistas

Em cerca de um ano, chinesa duplicou o estoque e quintuplicou o espaço de armazenamento de peças no Brasil
Em cerca de um ano, chinesa duplicou o estoque e quintuplicou o espaço de armazenamento de peças no Brasil Imagem: Divulgação

Dois especialistas na indústria automotiva consultadas pelo UOL Carros não veem ilegalidade na estratégia adotada pela BYD para driblar a alta na carga tributária.

Segundo essas fontes, a montadora chinesa com sede em Shenzhen, que hoje lidera as vendas de carros elétricos e híbridos no Brasil, está apenas jogando as regras do jogo.

“Dentro das condições atuais, não pode haver críticas ou objeções, pois a BYD está trabalhando dentro das regras estabelecidas pelo governo federal para todas as montadoras”, avalia o consultor automotivo Cassio Pagliarini, sócio da consultoria Bright Consulting.

Ele acrescenta que, se fosse gestor da BYD no Brasil, “faria a mesma coisa”.

 

“Usaria plenamente as cotas de importação disponíveis e traria veículos com imposto mais baixo, nacionalizando-os antes da entrada em vigor do aumento do imposto de importação. Assim, a montadora fica em vantagem na hora da comercialização ao consumidor final, ante montadoras que trouxerem ao Brasil veículos depois de cada alta da alíquota do tributo”.

O colega Ricardo Bacellar, consultor automotivo e apresentador do programa Papo de Garagem no YouTube, segue a mesma linha de análise.

“Essa estratégia de aumentar a produção e o envio de produtos para venda ao consumidor final, a fim de comercializar o que for possível antes de um aumento já previsto de impostos e outros custos, não é nova. Existe há muito tempo na indústria em geral, não somente a automotiva, ao redor do mundo inteiro. Não é nada diferente da vinda de veículos no navio da BYD, só chama a atenção pelo fato de ser uma indústria chinesa e também pela escala, pela enorme quantidade de veículos envolvidos, opina.

Esse tipo de embarcação, chamada de navio RoRo, é literalmente um estacionamento que flutua e tem rampas largas para o desembarque até de caminhões
Esse tipo de embarcação, chamada de navio RoRo, é literalmente um estacionamento que flutua e tem rampas largas para o desembarque até de caminhões Imagem: Divulgação

Bacellar destaca que a disputa da BYD com concorrentes locais vai muito além da questão do navio e passa por uma evolução profunda e relevante da indústria chinesa como um todo, rumo à globalização, ao longo dos últimos anos.

“Não podemos fechar os olhos para a eficiência conquistada pela indústria automotiva chinesa ao longo da última década não apenas referente à produção de veículos, como também na cadeia produtiva, principalmente no que se refere às baterias que equipam elétricos e híbridos. Empresas chinesas hoje são os principais fornecedores mundiais desse produto, inclusive para a maior parte das montadoras ocidentais”, pontua.

 

Ricardo Bacellar conclui, destacando que tal eficiência também envolve a parte logística, o que inclui a acelerada modernização e construção de portos na China e a aquisição de frota própria de navios para o transporte de veículos prontos para outros mercados.

“Isso é estratégico para reduzir custos e prazos de entrega no transporte. O que as montadoras provenientes da China ainda precisam provar é se irão manter essa competitividade quando começar a produção local, devido ao custo elevado da operação no Brasil, por conta de fatores como a alta carga tributária na cadeia produtiva, e também no atendimento pós-venda, como disponibilidade e custo de peças de reposição para os veículos que estão vendendo”.

E a fábrica no Brasil?

A Anfavea, dentre outras críticas, cita “atrasos sucessivos” para inauguração da fábrica da BYD nas antigas instalações da Ford em Camaçari – o planejamento inicial era de que a unidade já entrasse em 2024, mas problemas com o Ministério Público do Trabalho da Bahia adiaram o processo.

“Os chineses sabem que precisam cumprir sua parte no acordo e inaugurar essas fábricas”, diz, sob anonimato, um assessor de relações internacionais ligado à indústria automotiva, referindo-se também à GWM, que operará em Iracemápolis (SP) e também adiou a estreia da respectiva linha – cuja inauguração está marcada para o segundo semestre de 2025.

Segundo o analista, em um cenário de consolidação de tarifas protecionistas, o Brasil pode até utilizar a BYD como trunfo para inverter o jogo, tornando-se exportador.

A BYD concorda: “A produção deve começar em 2025. O Brasil tem a oportunidade de ser exemplo e se consolidar como um polo estratégico para a produção e comercialização de veículos eletrificados”, diz a marca, por meio de comunicado.

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Balança comercial: Brasil tem superávit de US$ 8,15 bi em março com exportações saltando 5%

A balança comercial brasileira fechou o mês de março no campo positivo, com superávit de US$ 8,155 bilhões, crescimento de 13,8% ante mesmo mês do ano anterior.

Trata-se do melhor saldo para um mês de março já registrado na série histórica. Os dados foram divulgados pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) nesta sexta-feira, 4.

O resultado da balança comercial é saldo de US$ 29,2 bilhões em exportações e US$ 21 bilhões em importações.

Em termos de volume, tanto exportações quanto importações tiveram crescimento na base anual, de 5% e 4,2%, respectivamente. Olhando para preço, as exportações tiveram aumento de 0,4%, ao passo que as importações apresentaram recuo de 1,5%.

O time de pesquisa macroeconômica do Itaú Unibanco, chefiado pelo economista Mario Mesquita, comenta que o resultado superou as projeções da casa e da mediana das expectativas de mercado, já que ambas em miravam US$ 7 bilhões de superávit.

“O resultado mais forte do que o esperado, com exportações maiores e importações menores do que o projetado por nós. As exportações aceleraram com o avanço da safra de soja e aumento das exportações de carne. Já as importações desaceleraram após dois meses de leitura mais pressionada. Esperamos que a balança comercial siga melhorando com a safra recorde e desaceleração da atividade econômica à frente.”

Em se tratando dos setores, a agropecuária teve a maior alta no valor, com variação de 16% na base anual, para US$ 8,2 bilhões:

  • Agropecuária: US$ 8,2 bilhões (+16% em valor e +10,8% em volume)
  • Indústria Extrativa: US$ 5,5 bilhões (-15,3% em valor e -10,6% em volume)
  • Indústria de transformação: US$ 15,3 bilhões (+10,1% em valor e +9% em volume)

Olhando para os produtos, foram US$ 5,73 bilhões exportados em soja, ante US$ 5,35 bilhões em igual etapa do ano anterior. O produto representou 19,6% das exportações em março deste ano.

No caso do café foram US$ 1,42 bilhão, alta de 92% na base anual e representando 4,9% das exportações.

Óleos brutos tiveram queda de 20%, para US$ 2,8 bilhões e representaram 10% das exportações em março de 2025. Minério de ferro, por sua vez, teve queda de 16,5% para US$ 2 bilhões neste ano, representando uma fatia de 7% das exportações da balança comercial brasileira.

Projeções para 2025

O MDIC estima um superávit comercial de US$ 70,2 bilhões para este ano. Com essa cifra, o superávit apresentaria um recuo ante o resultado do ano anterior, que foi de um superávit de US$ 74,2 bilhões.

A estimativa para as exportações é de US$ 353,1 bilhões, ante US$ 337 bilhões registrados no ano anterior.

Por fim, a projeção para as importações é de US$ 282,9 bilhões, ao passo que em 2024 foram US$ 262,9 bilhões.

Brasil x EUA

Sobre um eventual impacto da política de tarifas dos EUA, especialistas da pasta destacaram que ‘não comentam’ o tema, pois os dados dessa divulgação ainda não contemplam os efeitos das novas diretrizes do governo Trump.

O diretor do Departamento de Estatísticas e Estudos de Comércio Exterior, Herlon Brandão, comenta que sequer as tarifas no aço, implementadas há algumas semanas, tiveram impacto nos dados referentes a março.

“Temos o que chamamos de embarque antecipado: as empresas embarcam os bens e depois declaram. Operações de commodities estão atrasadas em relação ao calendário. Aço semimanufaturado, o aço bruto que é o mais exportado para os EUA, foi US$ 372 milhões, ou seja, teve inclusive um crescimento de 23,9%.”

Todavia, o crescimento pode ter tido impacto pelos anúncios de Trump.

Indagado sobre esse impacto, Brandão comenta: “Não posso fazer essa afirmação, mas é um comportamento comum no comércio internacional quando se anuncia alguma medida. Vemos isso quando o Brasil vai aplicar um antidumping, uma medida de sobretaxar algum setor, vemos um grande aumento [de importações] antes de entrar em vigor”.

Nos dados da balança referentes a março, as principais quedas de exportação para os EUA foram óleos brutos de petróleo, com queda de 90%, instalações e equipamentos de engenharia (-62%) e aeronaves e outros equipamentos (-21,7%).

De importações, foram motores e máquinas, um crescimento de 42%, óleos brutos de petróleo, crescimento de 78%, maquina de processamento automático e dados, 94% de crescimento.

Balança comercial reverteu déficit

Com o resultado, foi revertido o déficit de fevereiro, quando foi registrado saldo negativo de US$ 324 milhões, calculado a partir de US$ 22,929 bilhões em exportações e US$ 23,253 bilhões em importações.

Foi o primeiro déficit registrado pela balança comercial desde janeiro de 2022, quando foi registrado saldo negativo de US$ 59 milhões. O resultado em questão foi impactado por uma queda de 1,8% no valor exportado em relação ao mesmo mês do ano anterior.

FONTE: Isto é Dinheiro
Balança comercial: Brasil tem superávit de US$ 8,15 bi em março com exportações saltando 5% – ISTOÉ DINHEIRO

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Brasil foi beneficiado ou prejudicado por tarifas de Trump? Saiba quais setores são mais atingidos

O presidente americano, Donald Trump, pode ter inaugurado uma nova era do comércio mundial com o anúncio do tarifaço, na quarta-feira, 2, segundo muitos analistas.

Os efeitos prometem ser disseminados, duradouros e abrangentes — tanto em produtos quanto em origens. Também podem redirecionar as vendas transnacionais e trazer para o Brasil exportações que seriam feitas para os Estados Unidos.

Por conta de tudo isso, as previsões de ganhos e perdas para o Brasil ainda trazem muitas incertezas, mas as contas já estão sendo feitas. O cenário desenhado não é visto pelos analistas como benéfico ao Brasil, mesmo que o anúncio da quarta-feira tenha sido recebido com certo alívio, com uma alíquota para o País mais favorável relativamente aos concorrentes comerciais.

“Começamos a vivenciar uma das maiores fricções, se não for a maior, do comércio global desde o acordo de tarifas de 1947. Todas as relações de comércio estão sendo reavaliadas a partir daqui”, afirma o economista-chefe do Bradesco, Fernando Honorato. “Muitos dos investimentos atuais foram feitos sob as regras anteriores, e considerando uma previsibilidade tarifária. O anúncio fomenta a incerteza. Vai haver um período de adaptação e produzir uma desaceleração da economia global, com fluxos de capitais mais retraídos.”

Do ponto de vista da balança comercial, os maiores impactos, se não forem estabelecidas exceções para esses produtos e para o Brasil, estarão nos setores que vendem mais para os EUA, casos do petróleo, café, papel e celulose, aço e ferro e aeronaves. Mas, dentro desse grupo, há expectativas diferentes e que podem mudar.

O presidente Donald Trump anunciou novas tarifas, na quarta-feira, 2, em Washington Foto: Mark Schiefelbein/AP

Por exemplo, entre as commodities agrícolas brasileiras mais vendidas para os EUA, estão o café e o suco de laranja. “Mas o café não tem produção local nos EUA, já o suco de laranja enfrenta competição local, que vai ser beneficiada por não pagar a tarifa”, diz o advogado especialista em comércio internacional Rodrigo Pupo, do escritório MPA Trade Law.

É um caso similar ao da indústria de aeronaves brasileira, mais especificamente, da Embraer. Com atuação na produção de jatos médios e executivos, ela tem como concorrentes diretos a canadense Bombardier e empresas chinesas, dois dos países mais afetados pela ofensiva de Trump. A americana Boeing não atua no mesmo nicho que a brasileira.

Outro efeito que deve advir da nova configuração depende da reação dos países mais afetados pela nova configuração comercial. A União Europeia, a China e nações do Sudeste Asiático estão entre as mais taxadas. Elas podem redirecionar parte da produção que iria para os EUA para países da América Latina, em especial, para um grande mercado como o Brasil.

“O Brasil é um forte candidato para receber essas exportações, porque tem um mercado consumidor relevante”, diz Renê Medrado, sócio e especialista em comércio internacional e direito aduaneiro do escritório Pinheiro Neto Advogados.

Ameaça à indústria, oportunidade ao agro

Há o risco de uma enxurrada de produtos baratos sendo trazidos para o País, que pode ameaçar setores industriais, como já aconteceu quando a China passou a vender fortemente pneus, painéis solares e aço no Brasil a preços muito inferiores ao da produção local. Esses impactos podem começar a ser medidos nos próximos dias.

Por outro lado, commodities agrícolas têm potencial para fazer o caminho inverso. Com a possível resposta da China de restringir a importação de produtos agrícolas americanos, em retaliação, o Brasil pode ocupar mais espaços nas vendas para o mercado asiático. “A pauta brasileira concorre com o produto americano, como em soja e proteína animal. Inclusive, o Brasil pode abrir exportações para o Japão, que pode passar a comprar o produto brasileiro até como forma de proteção para o fornecimento americano”, afirma Pupo.

A política comercial externa brasileira, muito menos agressiva do que a do governo Trump, será pressionada a abrir espaço para a formação de alianças estratégicas de longo prazo. “O Brasil tem buscado construir relações mais sólidas com a União Europeia, com a China e, mais recentemente, com o Japão”, afirma Carlos Fadigas, fundador da consultoria CF Partners e com larga vivência no setor industrial.

O consultor afirma que o País poderá obter vantagens e desvantagens, considerando o impacto grande nos fluxos de comércio global e a complexidade do tema. “Ainda assim, o país tende a colher mais benefícios do que prejuízos, considerando o cenário de forma agregada”, afirma o consultor.

Ele diz que, em primeiro lugar, o Brasil manterá acesso à maior economia do mundo com tarifas, em média, menores do que as aplicadas a outros países — especialmente quando comparadas às impostas à China.

Setorialmente, Fadigas avalia que exportadores brasileiros com foco na China — que vão desde o minério de ferro até o frango, passando pela soja — tendem a se beneficiar de um aumento no fluxo de comércio com a Ásia. “Desde o início do governo Trump, a China vem intensificando sua aproximação com a América Latina, especialmente com o Brasil”.

Impacto na inflação

Como as redes de comércios e os seus efeitos são bastante complexos, mesmo notícias negativas, como uma possível enxurrada de produtos chineses no Brasil, pode trazer um benefício de curto prazo macroeconômico. “Depois da questão fiscal, o tema que mais assola o País e prejudica a popularidade do governo é a inflação, que obriga a juros mais altos. Pode ser conveniente ao Brasil permitir a importação de produtos baratos. Acho que a resposta inicial do País vai ser quieta no começo”, diz Honorato, do Bradesco.

Num segundo momento, a expectativa é de que essa superoferta global acabe se ajustando, defende o economista. “As empresas não vão ficar olhando uma queda global da demanda, e então vão cortar a produção. Deve ocorrer um equilíbrio para uma demanda global menor, com um choque de oferta clássico”, afirma Honorato.

Por exemplo, no setor de vestuário, que deve ser um dos mais afetados no mundo, e que tem forte produção em Bangladesh e Vietnã, é relativamente simples fazer uma mudança para os EUA ou baixar o volume de fabricação. Já, em outros, o reequilíbrio de oferta é mais complicado, como na siderurgia, que exige ciclos de investimentos longos, de vários anos.

Quanto ao risco da chegada de produtos de menor custo vindos da Ásia, o Brasil pode ter formas de se defender dessa ameaça. “Isso pode afetar a competitividade dos produtores nacionais. Porém, o Brasil dispõe de mecanismos para mitigar esses impactos, como a aplicação de medidas antidumping e o uso seletivo e criterioso de tarifas, capazes de proteger os setores mais vulneráveis da economia nacional”, diz Fadigas.

O cálculo de benefício líquido para o Brasil, observa Medrado, do escritório Pinheiro Neto, tem de ser feito setor a setor e vai exigir muita estatística e muita observação empírica a respeito do desenvolvimento desses mercados. “Essa é uma análise bem econômica, porque precisa comparar os fluxos comerciais por produto, com os outros países que concorrem com tal produto”.

Por exemplo, se existe um determinado tipo de aço exportado do Brasil aos EUA, e as exportações que concorrem com o Brasil são da China, EUA e Vietnã, o Brasil vai se beneficiar. Agora, se a Argentina for também uma exportadora, como o país ficou com o mesmo patamar do Brasil, haveria uma divisão de ganho entre os dois países. Isso terá que ser feito de produto a produto. É um exame bem detalhado, com base em estatística de comércio.

FONTE: Estadão e MSN
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Ex-funcionário do CAF critica alívio do Brasil sobre tarifa dos EUA

Jorge Arbache, ex-vice-presidente para o setor privado do Banco de Desenvolvimento da América Latina, diz que a taxa de 10% ainda aprofunda o desequilíbrio comercial com os EUA.

Embora o Brasil tenha sido um dos menos afetados pelas tarifas impostas pelo presidente Donald Trump aos parceiros comerciais, a taxa de 10% sobre as exportações brasileiras para os EUA deve aprofundar o desequilíbrio em uma relação em que os EUA já têm mais vantagens, segundo Jorge Arbache, professor de economia da Universidade de Brasília (UnB).

“Os EUA têm um superávit comercial de longa data em bens com o Brasil. O excedente em serviços é enorme. Quando se trata de repatriação de lucros, o superávit é ainda maior. As empresas de tecnologia pagam poucos impostos aqui, e os serviços que prestam não são devidamente registrados como importações de serviços – eles são amplamente subestimados. Com base na metodologia utilizada e nos déficits do Brasil, estaríamos justificados em aumentar as tarifas. Então, o Brasil sai pior. Não entendo por que o Brasil está comemorando ‘apenas’ uma tarifa de 10%”, disse Arbache, que já atuou como vice-presidente para o setor privado do Banco de Desenvolvimento da América Latina (CAF).

O significativo déficit comercial do Brasil com os EUA foi citado por autoridades brasileiras em conversas com Washington. Na noite de quarta-feira (2), poucas horas após o anúncio tarifário de Trump, o Ministério da Indústria, Comércio e Serviços e o Itamaraty emitiram uma declaração conjunta destacando que, somente em 2023, os EUA registraram um superávit de US$ 7 bilhões no comércio de mercadorias com o Brasil, com base em dados do governo dos EUA. Incluindo bens e serviços, o superávit totalizou US$ 28,6 bilhões. “Este é o terceiro maior superávit comercial que os EUA têm em todo o mundo”, disse o comunicado.

“Em termos relativos, estamos em pior situação. Já tínhamos um déficit comercial com eles, e agora teremos isso mais uma tarifa extra. Então, você pode dizer que saímos bem? Claro que não. Mas em comparação com os outros, sim, nos saímos melhor”, disse Arbache ao Valor.

Ele também apontou para a subestimação das importações de serviços devido a acordos que efetivamente protegem as empresas de tecnologia da tributação no Brasil. O governo estuda maneiras de tributar as grandes empresas de tecnologia desde o ano passado, mas a questão ainda não avançou no Congresso. Em março, o ministro das Comunicações, Juscelino Filho, disse que o tema seria uma “agenda prioritária” este ano.

Arbache argumentou que o Brasil não tem influência para pressionar unilateralmente por uma revisão das regras internacionais que protegem a propriedade intelectual e beneficiam setores como o de tecnologia. No entanto, ele acredita que outros atores, como a China e a União Europeia, poderiam agir para mudar essas estruturas.

“Não acho que o Brasil tenha poder de barganha para enfrentar isso sozinho. Mas é possível que o TRIPS – o acordo que deu aos EUA tantas vantagens – possa ser revisado pela Europa, China e outros. Nesse contexto, o Brasil poderia reavaliar sua posição. Mas confrontar os EUA unilateralmente seria arriscado e possivelmente imprudente”, disse ele.

Parceiros asiáticos

Olhando para o futuro, Arbache espera novos desenvolvimentos na Ásia, o principal alvo da política tarifária do presidente Trump. Países como China (34%), Indonésia (32%) e Vietnã (46%) estavam entre os mais atingidos.

“Com essas penalidades na Ásia, o comércio intra e inter-regional – que já estava se expandindo – acelerará rapidamente. A mudança do centro de gravidade econômico do Atlântico para a Ásia provavelmente ganhará um grande impulso, o que poderia corroer ainda mais a economia dos EUA no médio e longo prazo”, disse ele.

Jorge Arbache — Foto: Vanessa Carvalho/Valor
Jorge Arbache — Photo: Vanessa Carvalho/Valor

Arbache acredita que essa mudança pode abrir oportunidades para o Brasil aprofundar sua integração nas cadeias de suprimentos globais, especialmente devido à crescente demanda por energia limpa. “Esses países [asiáticos] precisam se descarbonizar. E o Brasil, por exemplo, é altamente competitivo na produção de combustíveis de baixo carbono e aço verde – coisas em que eles estão interessados”, disse ele.

Ele expressou ceticismo sobre a estratégia de reindustrialização prometida por Trump como parte das medidas tarifárias. “Essa ideia de trazer a política industrial de volta aos EUA não se sustenta, devido ao alto custo da produção doméstica e às longas cadeias de valor globalmente dispersas. Você teria que realocar tudo de volta para os EUA – isso não vai acontecer.

“Há também a questão da saída dos imigrantes, que costumavam ajudar a conter a pressão salarial. Isso aumentará os salários dos EUA. Qualquer um que pense sistemicamente olha para essas medidas e simplesmente não entende”, disse ele.

Olhando para o futuro, Arbache espera mais negociações em torno de tarifas, mas com uma mudança no manual do comércio global. “O jogo mudou. Não adianta aplicar o pensamento antigo a um novo mundo. Esse mundo não existe mais. O conceito teórico de comércio que ensinamos é diferente agora. Entramos na era dos acordos regionais e bilaterais.”

FONTE: Valor Internacional
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Camboja anuncia redução imediata de tarifas sobre exportações dos EUA

Ministro do Comércio, Cham Nimul, disse que o Camboja está solicitando que os EUA abram negociações com o país do Sudeste Asiático e estendam o prazo para implementação das tarifas de Trump

Depois que o presidente Donald Trump anunciou uma tarifa “recíproca” de 49% sobre todas as importações cambojanas no início desta semana, o Camboja disse que reduzirá as tarifas que havia em vigor sobre produtos dos EUA.

“O Camboja está comprometido em promover as importações de produtos dos EUA com uma redução imediata de 19 categorias de produtos de nossa taxa máxima de tarifa consolidada de 35% para uma taxa de tarifa aplicada de 5%”, disse o Ministro do Comércio, Cham Nimul, em uma carta endereçada ao Representante Comercial dos EUA, Jamieson Greer.

Os produtos incluem motocicletas, carros e diversos produtos agrícolas.

Nimul disse que o Camboja agora está solicitando que os EUA abram negociações com o país do Sudeste Asiático e estendam o prazo para implementação das tarifas de Trump.

Não está claro se a mudança levará a quaisquer mudanças no fim da administração Trump.

O presidente e vários de seus principais arquitetos de política comercial alegaram que barreiras comerciais não tarifárias, como manipulação de moeda e regimes fiscais que eles consideram injustos, são muito piores do que tarifas.

Mais cedo nesta manhã, Trump postou no Truth Social que suas políticas “nunca mudarão”, embora ele também tenha aberto a porta para alguma negociação.

FONTE: CNN Brasil
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