Negócios

Santa Catarina tem 490 mil empresas comandadas por mulheres

Santa Catarina tem quase meio milhão de empresas comandadas por mulheres, conforme dados do Observatório do Sebrae/SC. Ao todo, são 490.925 CNPJs liderados por elas, que representam cerca de 35% do total de negócios no estado. O estudo mostra que as empreendedoras estão ampliando a participação, além de registrar índices de formalização e escolaridade acima da média dos homens.

Entre 2020 e 2025, o número de Microempreendedoras Individuais (MEIs) apresentou crescimento acumulado de 283% (cerca de 31% ao ano) em Santa Catarina. O MEI é, portanto, a principal porta de entrada para as mulheres no mundo dos negócios. Atualmente, os MEIs representam 61,2% dos empreendimentos femininos no estado, somando mais de 300 mil CNPJs.

Para o governador Jorginho Mello, o aumento na participação feminina reflete a força da mulher catarinense. “O empreendedorismo feminino move Santa Catarina. Quando uma mulher empreende, ela não realiza apenas um sonho próprio, mas transforma sua comunidade, gera empregos e inspira outras. O Governo do Estado apoia essas mulheres, por isso fez iniciativas como o Pronampe Mulher, o Mulheres+Tec e Mulheres+Pesquisa”, destaca.

Mulheres empreendem mais nos serviços e comércio

O empreendedorismo feminino em SC tem forte concentração no setor de serviços, que responde por 61% dos negócios, seguido pelo comércio (22,4%), indústria (13,4%), construção (2,9%) e agro (0,3%). Entre as atividades mais comuns, destacam-se, por exemplo, lojas, salões de beleza, promoção de vendas, apoio administrativo, serviços domésticos, confecção de roupas e lanchonetes.

“A ascensão da mulher à frente dos negócios demonstra sua garra e competência. Elas estão inovando, investindo e transformando sonhos em realidade. Nosso papel é oferecer condições para que as catarinenses tenham cada vez mais oportunidades de empreender, conquistando sua autonomia financeira e gerando trabalho e renda para nosso estado”, afirma o secretário de Estado de Indústria, Comércio e Serviços, Silvio Dreveck.

Uma das empresárias catarinenses é Leslie Araújo, que comanda a Pão da Leli, em Florianópolis. “Eu tinha uma hamburgueria no sul da Ilha, mas o sonho sempre foi ter um café. A ideia é servir aquilo que eu fazia em casa, para minhas visitas”, conta. A empresa começou na garagem de casa, onde produzia as panificações por conta própria. O negócio cresceu, ganhou um local próprio e mais amplo, além de um sócio. “Hoje são oito empregados, entre atendentes e produção”, relata.

O estabelecimento, próximo à UFSC, serve esfirras, pães, pastéis, tortinhas, brownies, bolos, cookies, broas, entre outras delícias que combinam com um café. Tudo é produzido ali mesmo e vai fresquinho para a vitrine. “Hoje algumas pessoas me pedem dicas de negócios. É muito bom poder inspirar outras pessoas”, afirma Leli.

Regionalização e escolaridade

Conforme o estudo do Sebrae/SC, a Grande Florianópolis lidera em participação feminina nos pequenos negócios, com 39,1%, seguida pela Foz do Itajaí (38,7%), sul (38%) e Vale do Itajaí (36%). Entre os municípios, Florianópolis concentra o maior número de empreendedoras: 52,9 mil. Na sequência aparecem Joinville (42,1 mil), Blumenau (25 mil), Itajaí (21 mil) e São José (20 mil).

Um dos dados mais expressivos da pesquisa diz respeito à formação das empreendedoras: 42,5% das mulheres que lideram negócios em SC possuem ensino superior ou mais – um percentual significativamente superior ao dos homens empreendedores, que é de 26,9%. Elas também são mais formalizadas, com 52,1% dos negócios com CNPJ frente a 50,6% dos homens.

FONTE: Agência de Notícias SECOM
IMAGEM: SecomGOVSC

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Negócios

GWM anuncia nova fábrica de veículos no Espírito Santo com capacidade de 200 mil carros

A GWM confirmou a construção da sua segunda fábrica de veículos no Brasil, desta vez em Aracruz, no Espírito Santo. O complexo será instalado em uma área de 1,7 milhão de metros quadrados no Parque Industrial da cidade e terá capacidade produtiva anual de até 200 mil carros, superando a unidade de Iracemápolis (SP), que não possui estamparia.

O projeto prevê um ciclo completo de produção, incluindo estamparia, soldagem, pintura e montagem final, consolidando o empreendimento como o mais moderno da montadora no país.

Investimento bilionário e geração de empregos

A nova fábrica integra o pacote de investimentos de R$ 10 bilhões da GWM no Brasil, anunciado em 2022 e válido até 2032. Durante a construção, a expectativa é criar de 1.500 a 3.500 empregos. Após a operação plena, o complexo poderá gerar até 10 mil postos de trabalho diretos e indiretos, impulsionando a chegada de fornecedores à região.

Expansão acelerada após a fábrica paulista

A decisão de instalar uma unidade no Espírito Santo reforça a estratégia de crescimento da GWM no mercado brasileiro. Em agosto de 2025, a montadora inaugurou sua primeira fábrica nacional em Iracemápolis, interior de São Paulo, adquirida da Mercedes-Benz em 2021, com capacidade inicial de 30 mil carros em 2026. Atualmente, a unidade paulista produz os SUVs Haval H6 e H9 e a picape média Poer.

O complexo em Aracruz, no entanto, terá volume e integração fabril superiores, tornando-se peça-chave para a expansão da marca no país. A escolha do local levou em conta fatores logísticos e tributários, iniciados ainda em 2023, e oferece vantagens estratégicas para importação de peças e futura exportação para a América Latina.

Antes do início da construção, serão realizados levantamentos topográficos, sondagens, licenciamento ambiental e preparação do terreno.

Foco em picapes e SUVs diesel

O aumento da capacidade de produção permitirá à GWM atender à demanda pelos recentes lançamentos no Brasil, incluindo os SUVs Haval H6 e H9 e a picape média Poer P30. Esses veículos são equipados com motor 2.4 turbodiesel de 184 cv e 48,9 kgfm de torque, destinados ao uso off-road e para cargas mais pesadas.

Com a nova fábrica, a GWM espera reduzir a dependência de importações e fortalecer a base de componentes nacionais, consolidando sua posição entre os principais fabricantes do Mercosul.

FONTE: Quatro Rodas
TEXTO: Redação
IMAGEM:  Fernando Pires/Quatro Rodas

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Negócios

Portobello Shop investe em loja conceito e mira expansão nos EUA

A Portobello, referência em revestimentos cerâmicos, se aproxima dos 50 anos de atuação com planos ambiciosos de expansão do seu varejo. A Portobello Shop, reformulada em 2020, rapidamente se consolidou como uma nova fonte de receita para o grupo, com potencial de ultrapassar a frente industrial em faturamento em menos de cinco anos.

A estratégia se concretizou antes do esperado: em 2024, o varejo de cerâmica já representava 37% do faturamento do grupo, um aumento significativo frente aos 17% de 2020, superando a produção industrial.

“Multiplicamos por quatro a receita e por vinte o resultado da Portobello Shop nos últimos cinco anos, gerando escala e eficiência ao mesmo tempo”, destacou o CEO da Portobello Shop, Romael Soso, em entrevista à Bloomberg Línea, comentando os números do terceiro trimestre de 2025.

Inovação no atendimento e logística

O crescimento acelerado do varejo de alto padrão se deu por identificar uma lacuna no mercado, conhecido pelo mau atendimento ao consumidor, segundo Soso. A Portobello Shop implementou cinco centros de distribuição para entregar produtos diretamente na residência do cliente, uma estratégia inédita para cerâmicas, que exigem cuidado especial devido à fragilidade do material.

Além disso, o CEO vinculou parte da remuneração da equipe de vendas ao índice NPS, que mede a satisfação do cliente. O indicador passou de 50 para 90 nos últimos cinco anos. “Nosso diferencial está em colocar o cliente no centro da estratégia, oferecendo um serviço que vai além do produto”, disse Soso.

Loja conceito nos Jardins e foco em design

Hoje, a Portobello possui 135 franquias e 30 lojas próprias. O destaque de 2026 é a abertura de uma flagship de 2.000 m² na região dos Jardins, em São Paulo (SP), com ambiente projetado para expor os produtos “como em uma galeria de arte” e tecnologia que permite visualizar os revestimentos sob diferentes condições de luz.

“A flagship é o maior investimento da história da empresa em termos de marca e vai transformar a experiência de compra”, afirmou Soso. O objetivo é atrair clientes de alta renda interessados em design e inovação.

Expansão internacional nos EUA

A médio prazo, a Portobello Shop planeja ampliar sua presença nos Estados Unidos. A marca já possui uma fábrica no Texas e abriu recentemente um escritório técnico em Miami, onde deve inaugurar sua segunda loja conceito em até cinco anos.

“Nosso modelo de inovação e experiência em loja oferece algo único ao mercado americano, que ainda não possui varejo de cerâmica com esta proposta de valor”, explicou Soso. O foco será clientes que constroem residências entre US$ 1 milhão e US$ 3 milhões.

Cerâmica como alternativa de luxo

A evolução tecnológica transformou a cerâmica em um produto premium, capaz de reproduzir texturas e relevos de madeira e mármore travertino com alta fidelidade. “Não há diferença perceptível visualmente, e a cerâmica oferece vantagens funcionais, como resistência a manchas, ao contrário do mármore”, afirmou o CEO.

No Brasil, a maior parte do público da Portobello Shop é da classe A, com 85% das vendas envolvendo arquitetos na elaboração de projetos residenciais.

Expansão de categorias complementares

Soso vê potencial de crescimento de 5% a 10% para a vertical de vendas nos próximos cinco anos, principalmente com produtos complementares como louças, metais, argamassas e rejuntes, que passaram de 2% para 17% da receita desde 2020.

Além disso, a Portobello Shop realiza projetos B2B para obras comerciais, que cresceram 30% em 2025, oferecendo preços competitivos e serviço simplificado. Apesar das ramificações, a empresa mantém o foco na cerâmica, sem planos de se tornar uma “one stop shop”.

As ações da Portobello (PTBL3) registram alta de 0,31% em 2026 e queda de 9,30% nos últimos 12 meses.

FONTE: Bloomberg Línea
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Bloomberg Línea

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Comércio Internacional, Especialista, Exportação, Geopolítica, Importação, Internacional, Mercado Internacional, Negócios, Notícias, Transporte

Choque no Oriente Médio: O fim de uma era e o impacto direto no Brasil

Escalada no Oriente Médio: Morte de Khamenei e Ofensiva de EUA e Israel contra o Irã

Uma operação militar sem precedentes redesenhou o cenário geopolítico global neste fim de semana. Em uma ação coordenada iniciada na manhã de sábado (28), os Estados Unidos e Israel lançaram ataques massivos contra o Irã, resultando na confirmação da morte do Líder Supremo, Aiatolá Ali Khamenei, conforme anunciado pela mídia estatal iraniana no domingo (1º).

O Ataque e o Objetivo Estratégico

Diferente de ofensivas anteriores, os bombardeios começaram à luz do dia, visando instalações de alta cúpula em Teerã e outras quatro cidades. O presidente dos EUA, Donald Trump, classificou a operação como uma “fúria épica”, afirmando que o objetivo principal é a destruição total do programa nuclear iraniano.

“Garantiremos que o Irã não obtenha uma arma nuclear. Este regime aprenderá que ninguém deve desafiar o poder das forças armadas dos Estados Unidos”, declarou Trump em vídeo.

Donald Trump – Presidente dos EUA

Impactos Imediatos sobre o ataque:

  • Alvos: Mísseis atingiram o palácio presidencial e residências oficiais. Enquanto a morte de Khamenei marca o fim de um domínio religioso de quase 40 anos.
  • Resposta do Irã: O regime lançou uma onda de ataques em todo o Oriente Médio, atingindo áreas próximas a bases americanas em países como Emirados Árabes Unidos EAU, Catar, Kuwait, Bahrein, Jordânia e Iraque.
  • Duração: Fontes militares indicam que a ofensiva pode durar vários dias, focando no desmantelamento da infraestrutura militar e logística do país.

Análise Geopolítica: Riscos Globais

A queda da liderança iraniana gera uma ruptura no equilíbrio de poder regional. Dois pontos críticos preocupam a comunidade internacional, o anúncio do fechamento do Estreito de Ormuz ameaça o fluxo de 20% do petróleo e gás mundial, o que pode disparar os preços das commodities e o mundo aguarda os posicionamentos de Rússia e China diante da intervenção direta dos EUA e de Israel.

Este evento marca, possivelmente, o colapso do eixo teocrático iraniano, mas abre caminho para uma sucessão incerta sob fogo cruzado.


Como essa instabilidade afetará o comércio mundial e a economia no Brasil?

O aumento do combustível e a volatilidade dos mercados são preocupações reais para o nosso país. O Brasil mantém uma relação comercial estratégica com o Irã, movimentando cerca de US$ 3 bilhões anuais. A desestabilização da região gera efeitos imediatos. O Irã é o 5º principal destino das exportações brasileiras no Oriente Médio. Com o país sob ataque e em luto oficial, os contratos de curto prazo podem ser suspensos ou cancelados por falta de logística e pagamentos.
O Brasil importa uréia e outros fertilizantes nitrogenados do Irã. Uma interrupção prolongada pode encarecer os custos de produção da safra brasileira de 2026/27. O fechamento do Estreito de Ormuz é o fator mais crítico. Por ali passam 20% do petróleo mundial. Se o bloqueio persistir, o preço do barril pode ultrapassar os US$ 100, forçando a Petrobras a reajustar a gasolina e o diesel, o que gera inflação em toda a cadeia de consumo no Brasil.

Para o agronegócio brasileiro é fundamental se proteger e, estrategicamente, redirecionar sua produção em um cenário de guerra prolongada e sanções severas ao Irã. Pois se esse mercado fechar, o impacto no PIB agropecuário será imediato.

Quantificação do volume de milho e soja que deixaria de embarcar para os portos iranianos (estimativa baseada nos contratos atuais). O impacto do aumento do petróleo no custo do frete interno e como isso afeta a competitividade do produtor brasileiro.

Com base nos dados de fechamento de 2025 e nos acontecimentos deste fim de semana (28/02 e 01/03/2026), segue abaixo um detalhamento do impacto por estado e as diretrizes para a diplomacia comercial brasileira.

Impacto do Agronegócio

O Irã é o 5º maior destino das exportações brasileiras no Oriente Médio, com um fluxo de US$ 2,9 bilhões em 2025. O impacto da guerra e da morte de Khamenei não será uniforme no Brasil, concentrando-se nos grandes produtores de grãos. Cerca de 22% de todo o milho exportado pelo Brasil em 2025 foi para o Irã. Se as sanções de Trump (tarifa de 25% para quem negociar com Teerã) forem aplicadas, o custo de oportunidade para o exportador brasileiro se tornará insustentável.

Posicionamento Diplomático Estratégico

O Itamaraty já condenou oficialmente a ofensiva e defende uma “solução negociada”. Para não perder outros mercados vitais no Oriente Médio (como Arábia Saudita e EAU), o Brasil pode adotar algumas estratégias, como, ser a Garantia de Segurança Alimentar. O Brasil poderá se posicionar como o “celeiro do mundo”, argumentando que sanções sobre alimentos ferem direitos humanos básicos. Isso ajuda a manter mercados em países árabes que temem a instabilidade.

O “Gargalo” dos Fertilizantes

Este é o ponto mais sensível. Em 2025, 79% do que compramos do Irã foi ureia (fertilizante).

O governo brasileiro poderá ampliar contratos com Catar e Nigéria para substituir o fornecimento iraniano, evitando que o custo do plantio da próxima safra exploda em 2026.

O Estreito de Ormuz é o gargalo por onde passam 21 milhões de barris de petróleo por dia. Com o anúncio do fechamento pelo regime iraniano em retaliação à morte de Khamenei, o mercado projeta um cenário de escassez global.

Projeção de alta no Preço do Petróleo

Levando em conta o repasse da Petrobras e a desvalorização do Real frente ao Dólar (que tende a subir com a aversão ao risco). O Diesel é o principal insumo do transporte rodoviário. Um aumento de 30% no combustível eleva o custo do frete de grãos em cerca de 15% a 20%, reduzindo a margem de lucro do produtor. O aumento dos combustíveis tem efeito cascata. Estimamos um impacto de +1,5 a 2,0 pontos percentuais na inflação brasileira nos próximos 60 dias apenas pelo canal de energia. O governo brasileiro enfrentará uma pressão política imensa para segurar os preços através da Petrobras ou por meio de novos subsídios fiscais, o que pode pressionar as contas públicas.

Este é o “efeito dominó” que mais assusta o mercado financeiro brasileiro neste domingo, 1º de março de 2026. Em momentos de guerra e incerteza sobre a sucessão de uma potência regional como o Irã, os investidores ativam o modo de “fuga para a qualidade” (flight to quality), retirando dinheiro de países emergentes (como o Brasil) para comprar títulos do Tesouro dos EUA e ouro.

Por que o Dólar sobe tanto neste caso?

Existem três vetores principais empurrando o Real para baixo, o Brasil é visto como um mercado de “risco”. Quando o mundo treme, os fundos de investimento vendem ativos brasileiros para garantir liquidez em moeda forte. Déficit de Balança Comercial, embora o preço do petróleo suba (o que teoricamente ajudaria a Petrobras), o custo de importação de insumos químicos e tecnologia dispara, pressionando o fluxo cambial. E um último ponto relevante, se o FED (Banco Central dos EUA) sinalizar que manterá juros altos para conter a inflação causada pelo petróleo, o Brasil perde atratividade para o carry trade (investidores que buscam juros altos aqui).

A Queda de Teerã e a Nova Ordem Global

A manhã de 1º de março de 2026 entra para a história como o marco de uma das maiores mudanças geopolíticas do século XXI. A confirmação da morte do Líder Supremo Ali Khamenei, em uma operação conjunta entre EUA e Israel, encerra quase quatro décadas de regime teocrático e lança o mundo em uma zona de incerteza profunda.

O que estamos presenciando não é apenas um evento militar, mas uma reconfiguração econômica mundial. Para o Brasil, o desafio é duplo: diplomaticamente, precisa equilibrar sua posição no BRICS sem sofrer sanções do governo Trump; economicamente, o país deve agir rápido para substituir o fornecimento de fertilizantes e mitigar o impacto do combustível no transporte de carga.

O cenário exige cautela máxima de investidores e produtores. A volatilidade será a regra nas próximas semanas, e a estabilidade global dependerá da rapidez com que as rotas comerciais forem reabertas e de como as potências (Rússia e China) reagirão à nova realidade iraniana.

Estamos diante de uma nova ordem global. A capacidade do Brasil de diversificar mercados e garantir insumos fertilizantes determinará o impacto no PIB agropecuário de 2026.

A cautela é a palavra de ordem.


Texto: RêConectaNews – Renata Palmeira

Pesquisa: https://www.cnnbrasil.com.br/internacional/opcoes-de-trump-para-o-ira-sao-limitadas-apesar-do-reforco-militar/
https://g1.globo.com/mundo/noticia/2026/03/01/israel-faz-novos-ataques-contra-teera-sirenes-ataque-aereo-tel-aviv-jerusalem.ghtml
https://g1.globo.com/mundo/noticia/2026/03/01/trump-ataque-sem-precedentes-retaliacao-ira.ghtml
https://g1.globo.com/mundo/noticia/2026/02/28/midia-estatal-iraniana-confirma-morte-lider-supremo-ali-khamenei.ghtml

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Negócios

Licitação da Hidrovía tem três empresas interessadas na concessão por 25 anos

O governo argentino confirmou a participação de três companhias na licitação da Hidrovía, processo que definirá a concessão das obras de dragagem e balizamento da Vía Navegable Troncal, considerada o principal corredor fluvial da região.

As empresas habilitadas para disputar a administração da hidrovia pelos próximos 25 anos são a belga Jan De Nul, a também belga DEME (Dredging, Environmental & Marine Engineering) e a brasileira DTA Engenharia. Todas possuem capital privado e atuação internacional no setor de infraestrutura portuária.

Ausência de empresas dos Estados Unidos

Apesar da expectativa inicial, não houve participação de empresas norte-americanas na disputa. O possível interesse de dragadoras dos Estados Unidos chegou a ser mencionado nos bastidores, mas não se concretizou na fase de apresentação de propostas.

A definição dos concorrentes encerra uma etapa estratégica do processo de concessão da Hidrovía Paraná-Paraguai, rota fundamental para o escoamento da produção agrícola e industrial argentina.

Investimento estimado em US$ 10 bilhões

De acordo com o ministro da Economia, Luis Caputo, as empresas participantes assumiram o compromisso de investir cerca de US$ 10 bilhões ao longo dos 25 anos de contrato.

O ministro afirmou que o processo foi estruturado para garantir ampla participação e transparência. Segundo ele, a licitação contou com apoio de entidades representativas do setor produtivo, como a Sociedade Rural, a Bolsa de Comércio de Rosário, a União Industrial Argentina, a Câmara de Portos Privados, além de agroexportadores e governos provinciais.

Caputo também destacou que o processo recebeu auditoria das Nações Unidas, assegurando conformidade com padrões internacionais.

Participação considerada expressiva

O diretor executivo da Agencia Nacional de Puertos y Navegación, Iñaki Arreseygor, avaliou positivamente o número de interessados. Segundo ele, a expectativa mínima era contar com dois concorrentes, e a confirmação de três empresas fortalece a competitividade da disputa.

A concessão da Hidrovía é considerada estratégica para a logística e o comércio exterior argentino, já que a via concentra grande parte das exportações do país.

A próxima etapa do processo envolve a análise técnica e econômica das propostas apresentadas.

FONTE: Ser Industria
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Ser Industria

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Comércio Exterior, Negócios

RegulaMais fortalece empresas com consultoria regulatória estratégica e expertise técnica especializada

A RegulaMais Consultoria vem consolidando sua atuação como referência em consultoria regulatória, regularização de empresas e assessoria em comércio exterior, oferecendo soluções completas para organizações que precisam operar em conformidade com a legislação brasileira e internacional.

A empresa nasceu da forte afinidade de sua fundadora, Daiane Costa, farmacêutica e especialista nas áreas de atuação da consultoria. Com profundo conhecimento técnico e experiência prática em processos regulatórios, Daiane estruturou a RegulaMais com o propósito de transformar burocracia em estratégia, ajudando empresas a atuarem com segurança, agilidade e competitividade.

Consultoria regulatória e compliance empresarial

A RegulaMais atua no suporte a empresas que precisam atender exigências de órgãos reguladores, como MAPA, Exército, ANVISA e Vigilâncias Sanitárias Estaduais e Municipais.

O foco está na regularização empresarial eficiente, garantindo que produtos e operações estejam em total conformidade com as normas vigentes, reduzindo riscos de autuações, multas e entraves operacionais.

Regularização de produtos e suporte técnico especializado

Entre os principais serviços está a regularização de produtos sujeitos a controle sanitário, com assessoria completa o trabalho envolve desde a análise de viabilidade regulatória até a organização de documentação técnica, protocolos, registros, notificações e acompanhamento de processos.

A expertise técnica da fundadora agrega segurança aos processos, especialmente para empresas que atuam em setores altamente regulados.

A consultoria também presta apoio estratégico na organização documental e adequação de processos internos, fortalecendo a governança e o compliance regulatório.

Assessoria em importação e exportação

Outro diferencial da RegulaMais é a atuação em consultoria para importação e exportação, orientando empresas quanto às exigências regulatórias e sanitárias aplicáveis ao comércio exterior. O suporte envolve análise documental, enquadramento regulatório e acompanhamento técnico para facilitar a entrada de produtos no mercado nacional e internacional.

Em um cenário de normas cada vez mais rigorosas e fiscalizações intensificadas, contar com uma consultoria especializada deixou de ser opcional e passou a ser estratégico. A RegulaMais reforça seu posicionamento como parceira de empresas que desejam crescer com segurança jurídica, eficiência operacional e vantagem competitiva.

Com base técnica sólida, atendimento personalizado e visão estratégica, a empresa contribui para que seus clientes não apenas cumpram exigências legais, mas utilizem o compliance regulatório como ferramenta de expansão e fortalecimento de marca no mercado.

SAIBA MAIS: https://regulamaisconsultoria.com.br/

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Negócios

Rivalidade entre Amazon, Shopee e Mercado Livre entra em nova fase no Brasil

A disputa entre Amazon, Shopee e Mercado Livre no Brasil ganhou um novo capítulo, marcado por mudanças nas regras de cobrança aos vendedores. Enquanto Mercado Livre e Shopee anunciaram aumento de taxas e alterações em programas logísticos e de frete grátis a partir de março, a Amazon adotou estratégia oposta, oferecendo isenção de tarifas e campanhas promocionais para atrair lojistas.

As decisões podem impactar indiretamente os preços ao consumidor, já que os valores finais são definidos pelos próprios vendedores — muitos deles com margens apertadas para absorver custos adicionais.

Mercado Livre altera modelo de frete e amplia cobrança variável

O Mercado Livre implementou mudanças no cálculo de frete para vendedores que utilizam o serviço de logística própria, no modelo fulfillment — considerado estratégico pela companhia. A partir de 2 de março, o valor deixou de ser fixo e passou a considerar simultaneamente peso, dimensões e preço do produto em entregas de até R$ 79.

Antes, o frete seguia três faixas fixas por unidade:

  • R$ 6,25 (até R$ 29)
  • R$ 6,50 (de R$ 29,01 a R$ 50)
  • R$ 6,75 (de R$ 50,01 a R$ 79)

Agora, há três faixas de preço combinadas a 29 categorias de peso, o que, segundo vendedores, elevou os custos e tornou a gestão logística mais complexa.

Um produto de 1 kg vendido por R$ 50, por exemplo, passou de R$ 6,50 para R$ 8 de frete — aumento de 23%. Para itens entre 9 kg e 11 kg, a cobrança saltou de R$ 6,75 para R$ 10,95, alta de 62%.

Produtos acima de R$ 79 também tiveram ajustes, mas com elevações mais moderadas, entre 3% e 5%.

Além disso, houve reajuste nas tarifas para vendedores que operam no modelo “flex” (entrega própria) ou retirada em loja, com aumentos que variam entre 2% e 15%.

Em comunicado, o Mercado Livre afirmou que as mudanças refletem a “evolução estrutural das operações”, citando investimentos contínuos em infraestrutura, tecnologia e capacidade logística. A empresa destacou ainda que os vendedores mantêm autonomia para definir preços.

Shopee torna frete grátis obrigatório e eleva taxa fixa

Pouco depois do anúncio do Mercado Livre, a Shopee informou aos lojistas que passaria a exigir adesão obrigatória ao seu programa de frete grátis, eliminando a possibilidade de saída voluntária.

Para vendas até R$ 79,99, as regras permanecem: comissão de 20% mais taxa fixa de R$ 4. Porém, entre R$ 80 e R$ 99,99, os vendedores deixam de optar pelo modelo anterior e passam a pagar 14% de comissão mais R$ 16 fixos — quadruplicando a parcela fixa.

Entre R$ 100 e R$ 199,99, a cobrança será de 14% mais R$ 20.

A empresa também anunciou desconto de 5% a 8% para consumidores que utilizarem Pix, mas a medida beneficia diretamente o comprador, não o vendedor.

Outra mudança atinge microempreendedores: quem operar com CPF e ultrapassar 450 pedidos em 90 dias terá cobrança adicional de R$ 3 por item.

A controladora da Shopee, Sea Limited, vem sinalizando em relatórios financeiros que busca melhorar a rentabilidade no Brasil. A empresa afirma que as alterações visam ampliar visibilidade e conversão de vendas para lojistas.

Amazon aposta em isenção de taxas e publicidade

Na contramão das rivais, a Amazon lançou campanha promocional no mesmo dia em que a Shopee comunicou seus reajustes.

Em fevereiro, a empresa isentou taxas de envio para produtos acima de R$ 100 no programa Fulfillment by Amazon (FBA). Após março, a isenção será mantida até julho para vendedores que investirem 3,5% das vendas em anúncios na plataforma Amazon Ads.

Segundo a companhia, a iniciativa busca ampliar a base de lojistas e acelerar o crescimento no país. A estratégia ocorre meses após a operação brasileira passar a responder a uma nova estrutura internacional de gestão.

Pressão por rentabilidade redefine estratégia

Após anos priorizando expansão acelerada, plataformas estrangeiras passaram a focar margens e rentabilidade. Analistas apontam que o cenário exige compartilhamento maior de custos com vendedores, especialmente diante de investimentos em frete grátis, logística e marketing.

Embora custos como diesel tenham recuado cerca de 12% nas refinarias brasileiras em 2025, segundo a Petrobras, e o real tenha se valorizado frente ao dólar, fornecedores ainda reajustaram preços no período.

No fim de 2025, Mercado Livre e Amazon já haviam protagonizado forte disputa por vendas durante a Black Friday, com investimentos elevados em cupons e promoções. Agora, a rivalidade entra em uma fase mais estratégica, centrada na estrutura de taxas, incentivos e rentabilidade de longo prazo.

FONTE: Valor International
TEXTO: Redação
IMAGEM:  Vinicius Stasolla

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Negócios

Hapag-Lloyd anuncia compra da ZIM por US$ 4,2 bilhões e paga prêmio de 58% por ação

A gigante alemã do transporte marítimo Hapag-Lloyd confirmou a aquisição da companhia israelense ZIM Integrated Shipping Services Ltd. em uma transação avaliada em aproximadamente US$ 4,2 bilhões. O acordo prevê o pagamento de US$ 35 por ação em dinheiro, consolidando um dos maiores movimentos recentes no setor de transporte marítimo de contêineres.

Atualmente listada na Bolsa de Nova York sob o código ZIM, a empresa vinha sendo negociada a US$ 22,20 por papel, com um índice P/L de 2,64, considerado baixo frente ao preço ofertado.

Prêmio expressivo aos acionistas

O valor acordado representa um prêmio de 58% sobre o fechamento das ações em 13 de fevereiro de 2026. Em relação ao preço de US$ 15,50 registrado em 8 de agosto de 2025 — antes das especulações de mercado — o prêmio chega a 126%.

Dados do InvestingPro indicam que a companhia apresentava sinais de subavaliação, com base em estimativas de Valor Justo. Nos últimos seis meses, os papéis acumularam alta de 38,82%, demonstrando forte desempenho no mercado.

Criação da “Nova ZIM” e operação estratégica

Como parte do acordo, o fundo israelense FIMI estruturará uma nova operadora chamada “Nova ZIM”. A empresa será responsável por operar 16 navios ligando Israel aos principais portos da União Europeia, Estados Unidos, Mar Mediterrâneo e Mar Negro.

A nova estrutura assumirá as responsabilidades relacionadas à chamada “Ação Especial do Estado”, garantindo a continuidade de serviços marítimos estratégicos para Israel, com suporte comercial da Hapag-Lloyd.

Após a conclusão da fusão, a companhia combinada deverá operar mais de 400 navios, com capacidade superior a 3 milhões de TEU e movimentação anual projetada acima de 18 milhões de TEU até 2027.

Dividendos e saúde financeira da ZIM

O presidente e CEO da ZIM, Eli Glickman, destacou a transformação estratégica promovida nos últimos anos, ressaltando que, desde o IPO realizado em janeiro de 2021, a empresa distribuiu US$ 5,7 bilhões em dividendos aos acionistas.

Atualmente, a ZIM mantém um dividend yield de 5,59%. Apesar da expectativa de retração nas vendas no ano corrente, a companhia possui classificação geral de saúde financeira considerada “ótima”, com pontuação 3,39, segundo o InvestingPro.

Aprovação e próximos passos

A operação foi aprovada por unanimidade pelo Conselho de Administração da ZIM e ainda depende de aval dos acionistas e de autorizações regulatórias, incluindo aprovação do Estado de Israel relacionada à Ação Especial.

Até a conclusão do processo, prevista para o fim de 2026, as empresas continuarão atuando de forma independente.

Os bancos Evercore e Barclays assessoram financeiramente a ZIM, enquanto Meitar Law Offices e Skadden, Arps, Slate, Meagher & Flom LLP prestam consultoria jurídica.

FONTE: Investing
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reuters

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Negócios

Maersk reestrutura rede marítima, corta custos e sustenta crescimento mesmo com queda nas tarifas

A Maersk, uma das maiores empresas globais de transporte marítimo e logística integrada, fechou 2025 com receita de US$ 54 bilhões, mantendo trajetória de crescimento apesar da pressão sobre as tarifas de frete. O EBITDA somou US$ 9,5 bilhões, enquanto o EBIT alcançou US$ 3,5 bilhões, segundo balanço divulgado na quinta-feira (5).

De acordo com a companhia, o resultado foi impulsionado pelo aumento dos volumes transportados, ajustes na rede marítima e uma política rigorosa de controle de custos, em um cenário internacional marcado por volatilidade e excesso de capacidade no setor.

Corte de custos e ajuste da estrutura corporativa

Como parte da estratégia de disciplina financeira, a Maersk anunciou a redução de US$ 180 milhões em custos corporativos. A medida inclui o encerramento de cerca de 1.000 cargos administrativos, o equivalente a aproximadamente 15% das posições corporativas globais.

A empresa afirma que a iniciativa visa tornar a operação mais enxuta e preparada para ciclos de mercado mais desafiadores.

Terminais registram melhor desempenho histórico

O segmento de Terminais apresentou o melhor resultado de sua série histórica, com crescimento de 20% na receita. O desempenho foi impulsionado pelo aumento dos volumes operados, reajustes tarifários e maior receita com armazenagem.

No quarto trimestre, os volumes avançaram 8,4%, com destaque para as operações nas Américas e na Europa, reforçando a relevância desses mercados para o grupo.

Divisão Ocean cresce em volume, mas sofre com tarifas

Na divisão Ocean, responsável pelo transporte marítimo de contêineres, os volumes cresceram 4,9% em 2025, acompanhando o ritmo do mercado global. A rentabilidade, porém, foi impactada pela queda das tarifas de frete, consequência direta da elevada oferta de navios no mercado internacional.

Mesmo diante desse cenário, a Maersk destacou ganhos operacionais com a nova rede Leste-Oeste, que atingiu mais de 90% de pontualidade, contribuindo para maior confiabilidade do serviço e redução de custos.

Logística avança em eficiência e passa por reorganização

O segmento de Logística & Serviços apresentou evolução gradual nas margens e na eficiência operacional, especialmente nas áreas de armazenagem e e-fulfillment. A companhia reconhece, no entanto, que o negócio ainda não atingiu todo o seu potencial.

Em 2025, a divisão passou por uma reorganização e foi estruturada em três frentes: Landside, com gestão local; Forwarding, sob gestão global; e Solutions, também com comando global.

Perspectivas para 2026 e foco no longo prazo

Para 2026, a Maersk projeta crescimento do mercado global de contêineres entre 2% e 4%, com a expectativa de acompanhar o desempenho do setor. A empresa também anunciou a revisão da vida útil contábil de seus navios, ampliando o período de 20 para 25 anos.

A mudança deve gerar uma redução de custos estimada em US$ 700 milhões, reforçando a estratégia de eficiência financeira e sustentabilidade dos resultados no médio e longo prazo.

FONTE: Jornal Portuário
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/JP

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Negócios

Mercado halal intensifica disputa entre JBS e MBRF no Oriente Médio

A concorrência histórica entre JBS e MBRF, controladas pelas famílias Batista e Molina, ganhou um novo e estratégico palco: o mercado halal do Oriente Médio. A região, impulsionada pelo crescimento acelerado da população muçulmana, tornou-se uma das principais fronteiras globais de expansão para a indústria de carnes, atraindo investimentos crescentes das gigantes brasileiras do setor.

Consumo muçulmano impulsiona demanda por carnes halal

Embora JBS e Sadia atuem no Oriente Médio há décadas, o peso econômico da região mudou de patamar. A população muçulmana cresce em ritmo duas vezes superior à média global, o que tende a ampliar de forma consistente a demanda por alimentos halal, produzidos de acordo com as regras do Islã, do abate ao processamento.

O mercado global de alimentos halal já movimenta mais de US$ 2 trilhões por ano, com a proteína animal como principal segmento. Estimativas da Nielsen indicam que o consumo de carnes halal deve superar US$ 1,5 trilhão até 2027. Atualmente, mais de 1,9 bilhão de pessoas seguem a dieta islâmica tradicional.

Investimentos bilionários sinalizam mudança de estratégia

Dois movimentos recentes evidenciam a relevância crescente do Oriente Médio nas estratégias das companhias brasileiras. A MBRF prepara a abertura de capital da Sadia Halal, sua operação regional, prevista para 2027. Já a JBS vem investindo cerca de R$ 500 milhões em fábricas próprias e na expansão da marca Seara na Arábia Saudita e países vizinhos, com plano de dobrar a produção de frango no país até o fim deste ano.

Relatório do Bank of America aponta que o mercado formado por Oriente Médio e Norte da África (Mena) já importa volumes mensais de carne de frango semelhantes aos de toda a Ásia, excluindo o próprio Oriente Médio, somando cerca de 127 mil toneladas por mês.

Frango lidera consumo e comércio halal

Segundo o banco, a dimensão e o ritmo de crescimento do mercado Mena explicam o interesse crescente dos grandes produtores globais de proteína. A disputa se concentra principalmente em frango e alimentos processados, que dominam o consumo cotidiano e o comércio internacional halal, embora a carne bovina também faça parte da dieta local.

Arábia Saudita é o principal mercado da região

Dentro desse cenário, a Arábia Saudita desponta como o mercado mais estratégico. Com consumo elevado per capita, demografia favorável e uma política clara de segurança alimentar, o país se tornou prioridade para JBS e MBRF.

Durante a inauguração de uma nova área produtiva da JBS, o vice-ministro da Agricultura saudita, Suleiman Al-Khatib, afirmou que o consumo anual de frango no país varia entre 45 e 50 quilos por habitante, um dos mais altos do mundo. Segundo ele, investimentos estrangeiros são fundamentais para garantir o abastecimento futuro.

Documentos oficiais do governo saudita reforçam essa diretriz. A estratégia industrial do país classifica o setor de alimentos como prioritário e prevê a atração de US$ 20 bilhões em investimentos até 2035. O mercado doméstico de alimentos já supera US$ 50 bilhões por ano.

Estratégias distintas para ganhar espaço

Apesar do objetivo comum de ampliar presença no mercado halal, as estratégias das duas empresas partem de pontos diferentes. A JBS adotou uma postura mais agressiva a partir de 2021, quando anunciou um plano de investimentos de US$ 85 milhões na região. O grupo adquiriu fábricas em Dubai e Dammam e, posteriormente, iniciou a construção de uma planta em Jeddah, seu primeiro projeto greenfield no Oriente Médio.

Antes focada no fornecimento para o food service, a companhia passou a mirar diretamente o consumidor final, intensificando a divulgação da marca Seara, ampliando o portfólio com produtos adaptados ao paladar local e investindo em marketing e patrocínios culturais.

A fábrica de Jeddah, inaugurada em 2025, já opera próxima da capacidade máxima e foi projetada para dobrar de tamanho, atendendo não apenas o mercado saudita, mas também países do Golfo, como Emirados Árabes, Omã e Kuwait. Em janeiro, a JBS anunciou oficialmente a duplicação da capacidade produtiva da unidade.

JBS ainda constrói presença regional

Apesar dos investimentos, o Oriente Médio ainda representa uma fatia reduzida do faturamento global da JBS. Entre janeiro e setembro de 2025, a empresa registrou US$ 361 milhões em receitas nas chamadas “regiões menores”, que incluem Oriente Médio e África, o equivalente a apenas 0,6% das vendas totais no período.

Os números indicam que a companhia ainda está estruturando sua presença em um mercado considerado estratégico para o futuro.

Sadia tem relação histórica com o consumidor árabe

No caso da MBRF, a presença no Oriente Médio é marcada por décadas de relacionamento. A Sadia chegou à região nos anos 1970 e construiu uma conexão tão forte que, por muito tempo, foi percebida por parte dos consumidores como uma marca local.

Essa trajetória explica por que a operação halal se tornou a principal aposta internacional do grupo. Em 2025, a empresa estruturou a Sadia Halal, reunindo fábricas e centros de distribuição na Arábia Saudita, Emirados Árabes, Kuwait, Omã e Qatar. A nova companhia tem valor estimado em US$ 2 bilhões e planeja abrir capital na bolsa de Riade em 2027.

Joint venture reforça alinhamento com Visão 2030

A Sadia Halal será uma joint venture entre a MBRF e a Halal Products Development Company (HPDC), ligada ao fundo soberano saudita PIF, que poderá elevar sua participação para até 40%. A presença do PIF transforma a operação em um ativo estratégico para o governo saudita, alinhado à Visão 2030, plano que busca diversificar a economia e reduzir a dependência do petróleo.

Diferentemente da JBS, o Oriente Médio já tem peso relevante para a MBRF. As operações que darão origem à Sadia Halal geraram US$ 2,1 bilhões em receita líquida nos últimos 12 meses, o equivalente a 7,3% da receita consolidada do grupo.

FONTE: Invest News
TEXTO: Redação
IMAGEM: Ilustração João Brito

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