Internacional

Irã negocia corredor temporário no Estreito de Ormuz, mas mantém passagem fechada até o fim da guerra

Irã e Omã avançam nas negociações para criar um corredor temporário de navegação no Estreito de Ormuz, incluindo uma operação conjunta para retirada de minas. Apesar das tratativas, Teerã afirmou nesta quarta-feira (26) que a passagem estratégica para o comércio mundial de petróleo continuará fechada enquanto os Estados Unidos não encerrarem a guerra.

Irã e Omã discutem nova rota de navegação

Os dois países buscam estabelecer regras para o tráfego marítimo em Ormuz, área que permanece amplamente bloqueada pelo Irã e se tornou um dos principais focos do conflito no Oriente Médio.

Em reunião realizada na terça-feira, em Mascate, os ministros das Relações Exteriores de Irã e Omã discutiram a criação do chamado “corredor temporário”, além de medidas para remover minas e garantir condições de segurança para a navegação.

O chanceler omani, Badr al Busaidi, afirmou na rede social X que espera anunciar em breve a nova rota e os procedimentos necessários para a retomada de uma navegação segura.

As negociações também devem tratar de uma solução permanente, incluindo a futura administração do estreito e a criação de mecanismos para oferecer serviços de navegação e segurança.

O ministro iraniano das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, disse que as conversas com representantes de Omã e do Paquistão reforçaram a busca por soluções regionais. Segundo ele, a proposta de um novo corredor, a retirada conjunta de minas e a definição sobre a gestão futura de Ormuz fazem parte desse esforço.

Teerã condiciona reabertura de Ormuz ao fim da guerra

Apesar do avanço diplomático, o governo iraniano deixou claro que a abertura completa do Estreito de Ormuz depende do encerramento do conflito.

O vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, Kazem Gharibabadi, afirmou que os Estados Unidos precisam cumprir os compromissos que, segundo Teerã, foram violados antes de qualquer iniciativa para reabrir a passagem.

O governo iraniano condiciona a reabertura ao fim da guerra em todas as frentes, à suspensão do bloqueio e a uma solução para a situação no Iêmen, onde atuam os rebeldes houthis, aliados do Irã.

Gharibabadi também declarou que a resposta de Teerã às novas sanções dos Estados Unidos será direcionada contra interesses econômicos americanos.

Trump afirma que minas foram retiradas

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou em sua plataforma Truth Social que a Marinha americana informou ter retirado ou destruído todas as minas existentes nas águas internacionais do Estreito de Ormuz.

Trump também advertiu que qualquer embarcação que instale novas minas na região será destruída.

Na segunda-feira, o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, declarou que Washington pretende cortar os recursos econômicos do Irã por meio de novas medidas de pressão.

As sanções mais recentes são chamadas de sanções secundárias e não atingem diretamente apenas o governo iraniano. Elas também pressionam parceiros comerciais de Teerã em áreas como ouro, tecnologia, ativos digitais, aviação e transporte marítimo.

Petróleo recua apesar da tensão em Ormuz

O cenário de incerteza também afeta o mercado de energia. No Irã, décadas de sanções internacionais e os impactos do conflito provocaram longas filas em postos de gasolina de Teerã na terça-feira.

Mesmo diante de informações desencontradas sobre a situação do estreito, o preço do petróleo caiu cerca de 2% nos mercados internacionais nesta quarta-feira. O petróleo Brent, principal referência global, chegou a ser negociado abaixo de US$ 90 por barril.

A reação dos mercados sinaliza uma expectativa de possível redução das restrições à circulação marítima em Ormuz.

Estreito de Ormuz é peça-chave para o mercado global

A guerra teve início em 28 de fevereiro, após ataques de Israel e dos Estados Unidos contra o Irã. Em resposta, Teerã lançou ataques contra países aliados de Washington na região e bloqueou o Estreito de Ormuz.

Os Estados Unidos, por sua vez, mantêm um bloqueio aos portos iranianos.

Antes do conflito, cerca de 20% do petróleo e do gás exportados mundialmente passavam pelo estreito. Atualmente, o fluxo na região está reduzido a níveis mínimos, transformando Ormuz em um dos principais pontos de pressão sobre o mercado internacional de petróleo.

O conflito provocou forte valorização da commodity e aumentou a pressão política sobre Donald Trump nos Estados Unidos, especialmente com a aproximação das eleições de meio de mandato, previstas para novembro.

FONTE: Carta Capital
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Carta Capital

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Internacional

Café arábica recua em Nova York após forte alta e realização de lucros

Os preços do café arábica encerraram a sessão desta terça-feira (25) em queda na Bolsa de Nova York. Após a forte disparada registrada no pregão anterior, o mercado passou por um movimento de realização de lucros, com investidores reduzindo parte das posições compradas.

Na segunda-feira (24), as cotações haviam avançado quase 2 mil pontos, impulsionadas pelas preocupações com a oferta global de café e pelos baixos níveis dos estoques. Nesta terça, os contratos mais negociados recuaram entre 560 e 635 pontos.

O vencimento setembro terminou a 371,40 centavos de dólar por libra-peso, enquanto março fechou em 321,25 centavos. Em Londres, os futuros do café robusta também encerraram o dia no campo negativo, com perdas entre US$ 94 e US$ 137 por tonelada.

Café em Nova York recua mais de 2%

A sessão foi marcada por forte volatilidade e predominância de um movimento de ajuste técnico. Os principais contratos chegaram a registrar perdas superiores a 2%.

Apesar da correção, os fundamentos do mercado de café continuam dando sustentação aos preços. Entre os principais fatores estão a disponibilidade limitada do produto e os estoques certificados de café, que permanecem em níveis historicamente baixos.

O recuo desta terça-feira já era esperado por parte dos operadores, especialmente depois de três semanas seguidas de valorização e do forte avanço registrado na sessão anterior.

Com os preços acumulando ganhos expressivos, fundos e investidores aproveitaram o momento para embolsar parte dos lucros. A avaliação predominante é de que a queda representa uma correção técnica, e não necessariamente uma mudança nos fundamentos que sustentam as cotações.

Futuros acumulam alta de 40% desde junho

A volatilidade deve continuar sendo um dos principais elementos do mercado nas próximas sessões. Segundo Heberson Sastre, gerente da mesa de operações da Minasul, os contratos futuros de arábica acumulam valorização de aproximadamente 40% desde o fim de junho.

O desempenho recente reflete, entre outros fatores, as preocupações com a oferta de café brasileiro e com as condições climáticas nas principais regiões produtoras.

Eduardo Carvalhaes, diretor do Escritório Carvalhaes, destaca que o clima no Brasil continua imprevisível. Períodos de estiagem, chuvas irregulares, ocorrência de geadas e até episódios de granizo têm sido observados em importantes áreas produtoras.

Esse cenário diminui as expectativas de uma safra recorde de café no Brasil em 2026 e mantém os compradores internacionais atentos à capacidade de reposição dos estoques.

Estoques baixos mantêm suporte ao mercado

Além das condições climáticas, os estoques globais de café seguem entre os principais pontos de atenção. Os volumes armazenados permanecem historicamente baixos tanto em países produtores quanto consumidores, criando um suporte estrutural para as cotações.

O mercado também monitora os possíveis efeitos do El Niño sobre as áreas produtoras, fator que pode ampliar as incertezas relacionadas ao clima e contribuir para novas oscilações nos preços.

Outro tema acompanhado pelos agentes é a reorganização do comércio internacional, especialmente diante das discussões sobre possíveis tarifas dos Estados Unidos sobre o café brasileiro. A questão ainda acrescenta incerteza ao cenário para exportadores e compradores.

Mercado físico acompanha queda das bolsas

No Brasil, o mercado físico de café segue operando com cautela. A queda em Nova York tende a limitar novas altas nas negociações domésticas, enquanto a trajetória do dólar em relação ao real continua sendo decisiva para a formação dos preços internos.

Os operadores também acompanham o avanço da colheita brasileira, a evolução dos estoques certificados da ICE e as condições climáticas nas regiões produtoras.

Depois da forte valorização recente, muitos produtores passaram a trabalhar com metas de venda na faixa de R$ 2.000 a R$ 2.100 por saca.

Produtores mantêm postura cautelosa

Para Heberson Sastre, os produtores estão participando do mercado de forma gradual diante das incertezas climáticas e da perspectiva para a oferta de cafés de maior qualidade.

O executivo afirma que as chuvas recentes reduziram a disponibilidade de cafés finos, justamente em um momento de forte procura internacional pelo produto brasileiro.

A avaliação é de que o mercado futuro de Nova York continua funcionando como referência para as negociações físicas, que se ajustam de acordo com uma série de fatores, incluindo câmbio, oferta e clima.

Nesta terça-feira, a combinação entre a queda dos contratos em Nova York e a desvalorização do dólar frente ao real contribuiu para uma perda adicional de força nas cotações do café no mercado brasileiro.

FONTE: Notícias Agrícolas
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Notícias Agrícolas

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Internacional

Irã descobre 7,5 trilhões de pés cúbicos de gás natural em Fars

O Irã anunciou a descoberta de mais de 7,5 trilhões de pés cúbicos de gás natural na província de Fars, no sul do país. A informação foi divulgada no domingo (23) pelo ministro do Petróleo iraniano, Mohsen Paknejad.

Do total identificado, aproximadamente 5,7 trilhões de pés cúbicos são considerados recuperáveis, segundo o governo. O volume representa uma importante expansão das reservas de gás natural do Irã.

Descoberta equivale a anos de produção

Para dimensionar o tamanho da nova reserva, Paknejad comparou o volume recuperável à produção de uma das fases de South Pars, considerado o maior campo de gás natural do mundo.

De acordo com o ministro, os 5,7 trilhões de pés cúbicos recuperáveis correspondem a cerca de 15 anos de produção de uma das fases de South Pars.

A descoberta na província de Fars pode, portanto, ampliar a capacidade do país de atender à demanda interna e fortalecer sua posição entre os principais produtores globais de gás.

Gás doce pode reduzir custos de exploração

Outro fator destacado pelo ministro é a qualidade do recurso encontrado. O gás natural descoberto no Irã é classificado como gás doce, característica que tende a diminuir os custos relacionados ao desenvolvimento e à operação do campo.

A área também apresenta condensado de gás, um hidrocarboneto associado à produção de gás natural. Segundo Paknejad, esse recurso adicional pode representar a geração de bilhões de dólares em novas riquezas para a economia iraniana.

Irã quer acelerar desenvolvimento do campo

O governo iraniano pretende avançar rapidamente com os estudos, o planejamento e o desenvolvimento da nova área de produção.

A expectativa é colocar o campo em operação o quanto antes, permitindo que o gás natural seja direcionado principalmente para a indústria e para outros setores com alto consumo de energia.

A descoberta ocorre em um momento em que o Irã busca ampliar sua capacidade energética e aproveitar novas reservas para atender às necessidades do mercado doméstico.

FONTE: Brasil 247
TEXTO: Redação
IMAGEM: REUTERS/Dado Ruvic/Ilustração/Foto de arquivo

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Internacional

Irã ameaça 45 petroleiros com multas e confisco em nova escalada no Estreito de Ormuz

O Irã incluiu 45 navios-tanque em uma lista de embarcações que, segundo o governo, violaram regras para atravessar o Estreito de Ormuz. Teerã também advertiu que poderá adotar medidas contra navios que realizarem operações de transferência de cargas com essas embarcações, ampliando a tensão em torno de uma das principais rotas marítimas de energia do mundo.

Embarcações podem sofrer multas e ter cargas confiscadas

De acordo com uma publicação feita no domingo, 23, pela Autoridade do Estreito do Golfo Pérsico, órgão criado recentemente pelo Irã para administrar a passagem marítima, os navios incluídos na relação estão sujeitos a multas, retenção e confisco de cargas.

A advertência ocorre poucos dias depois de os Estados Unidos ameaçarem o Irã com as “sanções mais duras da história”. Em resposta, autoridades iranianas afirmaram que qualquer nova ameaça americana provocaria uma reação “devastadora”.

A lista reúne diferentes tipos de embarcações, entre elas grandes petroleiros de petróleo bruto, navios para transporte de gás natural liquefeito (GNL), gás liquefeito de petróleo (GLP) e embarcações destinadas ao transporte de produtos refinados.

Empresas de Emirados, Arábia Saudita e Coreia do Sul aparecem na lista

Entre os navios citados estão embarcações ligadas à ADNOC Logistics and Shipping, dos Emirados Árabes Unidos, à subsidiária Navig8 Tankers e à companhia marítima estatal saudita Bahri.

Também aparecem na relação navios pertencentes à Klaveness Ship Management, Stolt Tankers e à sul-coreana Sinokor. As empresas não responderam imediatamente aos pedidos de comentário da Reuters.

A autoridade iraniana afirmou ainda que qualquer embarcação envolvida em transferências de carga entre navios, conhecidas como operações ship-to-ship, com um dos navios listados poderá ser incluída posteriormente na relação de embarcações consideradas não conformes.

Irã exige autorização para passagem pelo Estreito de Ormuz

A publicação não detalhou quais regras teriam sido descumpridas. No entanto, o governo iraniano já declarou anteriormente que os proprietários de navios precisam obter autorização para atravessar o Estreito de Ormuz e pagar por serviços de segurança e outras atividades relacionadas à navegação na região.

A Autoridade do Estreito do Golfo Pérsico orientou proprietários de cargas a consultar a lista atualizada de embarcações consideradas em situação irregular em viagens relacionadas ao Golfo.

Empresas que desejarem retirar seus navios da relação deverão apresentar um pedido às autoridades marítimas iranianas, acompanhado de explicações sobre a situação, segundo a publicação.

Tráfego de petróleo e gás enfrenta impacto da guerra

Antes de o conflito entre Irã e Estados Unidos afetar o transporte marítimo, a região do Golfo respondia por aproximadamente 20% da oferta diária mundial de petróleo bruto e gás natural liquefeito.

Com a redução do tráfego de petroleiros, operações coordenadas pelos Estados Unidos passaram a permitir que algumas embarcações atravessem discretamente o Estreito de Ormuz para abastecer superpetroleiros posicionados do lado de fora da passagem.

O secretário de Energia dos EUA, Chris Wright, afirmou na sexta-feira, 21, que a média de sete dias das exportações de petróleo pelo estreito havia superado 8 milhões de barris por dia. Segundo ele, a atuação da Marinha americana tem contribuído para manter o fluxo de petróleo pela região.

A nova lista de embarcações aumenta a pressão sobre armadores e operadores em um momento de forte tensão geopolítica, elevando os riscos para o transporte marítimo, o comércio de energia e a circulação de petroleiros no Golfo Pérsico.

FONTE: Reuters
TEXTO: Redação
IMAGEM: REUTERS/Hamad I Mohammed 

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Internacional

Tufão Narra provoca enchentes e deslizamentos na China e no Vietnã

O tufão Narra provocou enchentes e deslizamentos de terra no norte do Vietnã e na região de Guangxi, no sul da China. As fortes chuvas associadas ao fenômeno também causaram danos à infraestrutura e destruíram áreas de plantações.

Na China, o avanço das águas obrigou as autoridades a retirar cerca de 54 mil pessoas de áreas de risco. Segundo a emissora estatal CCTV, desse total, 8.087 foram encaminhadas para abrigos de emergência.

Chuvas intensas deixam mortos e milhares de desalojados no Vietnã

No norte do Vietnã, os dias de chuva provocados pelo Narra deixaram uma pessoa morta e afetaram mais de 4,3 mil famílias.

O tufão permaneceu sobre o Golfo de Beibu, também conhecido como Golfo de Tonkin. Apesar da permanência sobre a região, os serviços meteorológicos informaram que o sistema não deveria tocar o solo, mas continuaria provocando chuvas intensas no norte do país.

As províncias montanhosas de Lang Son e Cao Bang registraram entre 236 e 300 milímetros de chuva nas 24 horas anteriores à manhã de segunda-feira. O volume elevado provocou alagamentos e deslizamentos.

Ha Long Bay também é afetada pelas enchentes

A província de Quang Ninh, onde está localizada a Baía de Ha Long, reconhecida como Patrimônio Mundial pela Unesco, também sofreu com as inundações.

Partes da região ficaram alagadas, afetando atividades como turismo, pesca e transporte.

As condições climáticas ainda interromperam atividades escolares e de trabalho. Segundo as autoridades, os temporais derrubaram conexões de energia que atendiam aproximadamente 55 mil famílias.

As chuvas também destruíram mais de 10 mil hectares de arroz e outras plantações, ampliando os prejuízos provocados pelo tufão.

Enchentes avançam no sul da China

Na China, o impacto do tufão Narra também foi significativo. As águas de pelo menos 15 rios ultrapassaram os níveis considerados de alerta em estações de monitoramento.

Imagens divulgadas pela CCTV mostraram áreas de Chongzuo tomadas pela água. As enchentes cobriram estradas e atingiram conjuntos de construções de poucos andares.

Equipes de resgate foram mobilizadas para retirar moradores de áreas alagadas. Alguns socorristas atravessaram trechos com água na altura dos joelhos, enquanto outros utilizaram barcos para alcançar pessoas isoladas.

Previsão indica mais chuva na região

A previsão meteorológica aponta para a continuidade das chuvas torrenciais em Guangxi, Guangdong, Hainan e Fujian.

Segundo a CCTV, os temporais devem persistir até quarta-feira, mantendo o risco de novos alagamentos e deslizamentos em áreas afetadas.

FONTE: Reuters

TEXTO: Redação

IMAGEM: cnsphoto via Reuters

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Internacional

Dívida dos EUA ultrapassa US$ 40 trilhões e aumenta pressão sobre os juros

A dívida pública dos Estados Unidos superou pela primeira vez a marca de US$ 40 trilhões, ampliando as preocupações sobre o custo de financiamento do governo e os efeitos do endividamento sobre a economia americana.

O novo recorde foi registrado na quarta-feira (19) e ocorre em meio ao aumento dos gastos públicos, às despesas militares, aos cortes de impostos e à necessidade de devolver valores relacionados às tarifas de importação adotadas pelo governo de Donald Trump.

Endividamento avança em ritmo acelerado

Segundo informações atribuídas ao The New York Times, os Estados Unidos devem captar mais de US$ 1,98 trilhão em 2026 para cumprir seus compromissos financeiros.

Entre os principais fatores de pressão sobre as contas estão os gastos com previdência social, medicamentos, despesas militares e juros da dívida pública.

O crescimento do endividamento também tem sido rápido. A dívida havia chegado a US$ 38,8 trilhões em março de 2026, depois de atingir US$ 37,8 trilhões em outubro de 2025, conforme dados da Associated Press.

Os juros da dívida americana já representam uma parcela expressiva do déficit federal. Quanto maior o estoque de títulos emitidos pelo governo e o custo para refinanciá-los, maior tende a ser a pressão sobre o orçamento.

Guerra e devolução de tarifas pressionam o orçamento

O secretário do Tesouro, Scott Bessent, reconheceu que a trajetória do déficit fiscal neste ano segue em direção desfavorável. Entre os fatores citados estão os custos militares relacionados à guerra no Irã e a devolução de receitas provenientes de tarifas.

A Suprema Corte dos Estados Unidos também determinou a anulação de determinados impostos sobre importações, o que levou o governo a devolver cerca de US$ 160 bilhões às empresas.

A decisão reduziu parte da arrecadação que a administração Trump esperava utilizar para melhorar as contas públicas.

Promessas de cortes não impediram avanço da dívida

A expansão da dívida ocorre apesar das promessas de redução dos gastos públicos feitas por Trump.

Desde 2016, quando lançou sua primeira campanha presidencial, a dívida bruta dos EUA praticamente dobrou.

Outro ponto de atenção envolve o antigo Departamento de Eficiência Governamental, liderado por Elon Musk, que havia anunciado a intenção de promover cortes de aproximadamente US$ 1 trilhão.

Segundo o New York Times, o órgão afirma ter obtido pouco mais de US$ 190 bilhões em economias. O Escritório de Responsabilidade Governamental, entretanto, questionou a transparência e a confiabilidade dessas estimativas.

Títulos do Tesouro ficam mais caros

O aumento do endividamento também repercute no mercado financeiro. Investidores passaram a exigir rendimentos maiores dos títulos do Tesouro americano, elevando o custo de financiamento do governo.

O rendimento dos títulos de 30 anos chegou ao maior nível em quase duas décadas.

A elevação dos juros pode atingir outras áreas da economia. Segundo especialistas citados na reportagem, o movimento tende a encarecer financiamentos imobiliários e de veículos, além de reduzir o espaço para investimentos das empresas.

O aumento do custo financeiro também pode exercer pressão sobre salários e preços de produtos e serviços.

Governo aposta em crescimento econômico

A Casa Branca afirma que pretende combater desperdícios, fraudes e gastos considerados abusivos no orçamento federal.

Segundo o porta-voz Kush Desai, a estratégia também inclui estimular o crescimento econômico. A expectativa do governo é que uma expansão maior da economia ajude a melhorar a relação entre dívida pública e PIB.

Economistas, porém, alertam para o risco de uma trajetória em que o crescimento dos juros e da dívida se retroalimente.

Marc Goldwein, do Comitê para um Orçamento Federal Responsável, classificou o início desse processo como um dos principais riscos para as finanças americanas.

Fed avalia redução da carteira de títulos

O Federal Reserve (Fed) também está no centro das discussões sobre o tamanho do balanço do governo americano.

A autoridade monetária avalia a redução de sua carteira de títulos públicos e outros ativos, que chegou a aproximadamente US$ 6,8 trilhões após as medidas adotadas durante diferentes crises econômicas.

A redução dos ativos pode alterar as condições de liquidez do mercado e ocorre em um momento de crescente preocupação com a sustentabilidade fiscal americana.

Dívida cresceu durante diferentes governos

O avanço da dívida dos Estados Unidos não é resultado de uma única administração. O país mantém há anos um cenário em que as despesas federais superam a arrecadação de impostos.

Durante a pandemia de Covid-19, tanto os governos Trump quanto Joe Biden ampliaram significativamente os empréstimos para sustentar a economia e financiar medidas de recuperação.

Em 2025, Trump também sancionou uma legislação republicana que combinou redução de impostos e aumento de gastos, aumentando as preocupações entre defensores do equilíbrio fiscal.

Teto da dívida volta ao radar

Os Estados Unidos possuem um teto legal para a dívida pública, cujo limite pode ser elevado, suspenso ou alterado pelo Congresso.

Estimativa do Bipartisan Policy Center aponta que o país pode alcançar o limite de aproximadamente US$ 40,9 trilhões entre março e agosto de 2027. Nesse momento, os parlamentares terão novamente de decidir sobre o teto da dívida.

A situação fiscal americana também chama atenção internacionalmente. Uma análise recente da OCDE apontou que os Estados Unidos apresentam uma das posições fiscais mais pressionadas entre as economias desenvolvidas.

Com a dívida acima de US$ 40 trilhões, o desafio para Washington passa a ser administrar o aumento dos juros, déficits e gastos públicos sem comprometer ainda mais o espaço disponível para políticas econômicas futuras.

FONTE: UOL
TEXTO: Redação
IMAGEM: Rick Wilking/Reuters

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Internacional

Chuvas recordes no Japão deixam milhares retidos no aeroporto de Narita e causam oito mortes

Chuvas extremas no Japão provocaram inundações, interrupções no transporte e cortes de energia na região de Chiba, próxima a Tóquio, nesta sexta-feira. O temporal deixou milhares de passageiros retidos no aeroporto de Narita, enquanto oito pessoas morreram em decorrência dos impactos.

Em algumas áreas de Chiba, foram registrados mais de 360 milímetros de chuva em apenas 24 horas, superando o recorde anterior para o período. A intensidade do fenômeno também afetou rodovias, ferrovias e o fornecimento de serviços básicos.

O episódio ocorreu durante uma das semanas de maior movimento do calendário de viagens do Japão.

Chiba registra volume de chuva histórico

Os serviços meteorológicos japoneses registraram 367 milímetros de chuva em 24 horas em Chiba. O volume ultrapassou a marca anterior de 309 milímetros, registrada em outubro de 2013.

As fortes precipitações provocaram alagamentos em estradas e linhas ferroviárias, além de inundações em diferentes pontos da região.

O governador de Chiba, Toshihito Kumagai, classificou a situação como excepcional.

“Foi uma situação extremamente incomum”, afirmou o governador, destacando que, apesar de já ter enfrentado diversos desastres, nunca havia presenciado um episódio semelhante.

Oito pessoas morreram durante as inundações

Segundo a emissora pública NHK, citando autoridades e a polícia de Chiba, oito pessoas morreram em consequência das chuvas.

Entre as vítimas está uma pessoa que ficou presa dentro de um veículo submerso.

Diante da dimensão dos impactos, integrantes das Forças de Autodefesa do Japão foram enviados para auxiliar nas operações de resgate e atendimento às áreas afetadas.

Milhares de passageiros ficam presos no aeroporto de Narita

O aeroporto de Narita, um dos principais terminais internacionais do Japão, também foi afetado pelas interrupções no transporte.

Cerca de 7 mil passageiros ficaram retidos no aeroporto após os problemas registrados na quinta-feira. Muitos passaram a noite no terminal devido à dificuldade para encontrar transporte ou hospedagem.

Funcionários do aeroporto distribuíram sacos de dormir, água e alimentos para centenas de pessoas.

O morador de Chiba Minoru Yamasaki, de 48 anos, relatou que chegou a esperar quatro horas por um táxi. Depois de conseguir uma reserva em um hotel, descobriu que o estabelecimento não poderia recebê-lo e decidiu retornar ao aeroporto.

Apesar dos transtornos, a administração informou que a expectativa era de que a maioria dos voos operasse normalmente na sexta-feira.

Falta de energia atinge milhares de residências

As chuvas também comprometeram a infraestrutura elétrica da região.

Segundo a Tokyo Electric Power, mais de 20 mil residências estavam sem energia nas primeiras horas de sexta-feira depois que a água atingiu uma subestação.

O fornecimento de gás também foi temporariamente interrompido para aproximadamente 13 mil consumidores.

Em Chiba, uma das áreas mais atingidas, centenas de moradores passaram a noite em centros de evacuação improvisados instalados em prédios públicos.

Rodovias e ferrovias sofrem interrupções

O sistema de transporte regional também foi fortemente afetado.

Algumas das principais rodovias de Chiba foram fechadas, obrigando motoristas a buscar caminhos alternativos. O desvio provocou congestionamentos, segundo a operadora NEXCO East.

Diversos serviços ferroviários também foram suspensos durante a sexta-feira. Algumas linhas entre Narita e Tóquio voltaram a operar, ajudando a reduzir a concentração de passageiros no principal corredor de acesso ao aeroporto internacional.

A combinação de estradas bloqueadas, interrupções ferroviárias e dificuldades para conseguir táxis agravou os problemas de mobilidade justamente durante um dos períodos de maior fluxo de viajantes no país.

Chuvas superam recorde de 2013

O volume registrado em Chiba representa um novo recorde para um período de 24 horas.

Os 367 milímetros de chuva medidos na região superaram em 58 milímetros o recorde anterior, de 309 milímetros, registrado em 2013.

As autoridades continuam monitorando as condições meteorológicas e os impactos sobre a infraestrutura enquanto equipes trabalham no atendimento às áreas atingidas.

FONTE: Reuters
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/NewsCord

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Internacional

Índia planeja primeiro cargueiro pela Rota Marítima do Norte em 2027

A Índia pretende realizar, em 2027, a primeira operação de um navio cargueiro pela Rota Marítima do Norte (NSR), corredor que percorre a costa ártica da Rússia. A iniciativa faz parte da estratégia de Nova Déli para diversificar suas opções de transporte, reduzir distâncias comerciais e diminuir a exposição ao Canal de Suez.

A informação foi divulgada nesta quinta-feira (13) pela RT, com base em declarações de S. Venkatesapathy, secretário adjunto do Ministério da Marinha Mercante da Índia, durante o Fórum das Regiões Árticas, em Arkhangelsk, na Rússia.

Índia mira novas rotas comerciais pelo Ártico

Segundo Venkatesapathy, a expectativa é que o primeiro navio-piloto indiano percorra a Rota Marítima do Norte em 2027. O projeto ocorre em meio ao avanço das relações comerciais entre Índia e Rússia, que estabeleceram a meta de alcançar US$ 100 bilhões em comércio bilateral até 2030.

O petróleo russo já representa mais da metade das importações indianas, aumentando a relevância de alternativas logísticas que possam tornar o transporte de mercadorias mais eficiente e seguro.

Com aproximadamente 5.600 quilômetros, a Rota Marítima do Norte acompanha o litoral ártico russo e é considerada o trajeto marítimo mais curto entre o Leste Asiático e a Europa.

A operação, porém, depende das condições do gelo marinho e de infraestrutura especializada, incluindo navios quebra-gelos, o que limita a navegação a determinados períodos do ano.

Corredor Chennai-Vladivostok registra alta de 70%

O interesse da Índia pelo Ártico também está relacionado ao desempenho de outras rotas entre os dois países.

De acordo com Venkatesapathy, o corredor Chennai-Vladivostok, também chamado de Corredor Marítimo Oriental, apresentou crescimento de 70% na movimentação de cargas. Para o governo indiano, o resultado demonstra potencial para ampliar a utilização de outros corredores logísticos entre Índia, Rússia e Europa.

“Estamos vendo enormes possibilidades” tanto para o corredor marítimo oriental quanto para a Rota Marítima do Norte, afirmou o representante. Ele também informou que dois memorandos de entendimento foram assinados no ano passado com o objetivo de desenvolver essas conexões.

Rússia aponta aumento do interesse internacional

O presidente russo, Vladimir Putin, afirmou na quarta-feira (12) que a Índia vem demonstrando interesse ativo na Rota Marítima do Norte. Segundo ele, Moscou percebe uma procura crescente de diferentes países pelo corredor, incluindo Índia e China.

Para Nova Déli, uma das principais vantagens está na possibilidade de reduzir em até 40% a distância de determinados trajetos e economizar aproximadamente duas semanas de viagem até alguns portos europeus, em comparação com a rota tradicional pelo Canal de Suez.

O cenário ganha relevância diante dos riscos à navegação comercial associados ao conflito no Oriente Médio, que aumentaram a preocupação com a utilização da rota pelo Egito.

Índia também avalia corredor transártico

Além da NSR, Venkatesapathy destacou o interesse indiano no Corredor de Transporte Transártico, uma alternativa multimodal que combina diferentes meios de transporte.

A avaliação de Nova Déli considera fatores como menor distância, segurança logística e potencial de viabilidade comercial. A estratégia amplia o leque de opções para o transporte de mercadorias entre a Ásia, a Rússia e os mercados europeus.

Rússia amplia infraestrutura da Rota Marítima do Norte

Moscou vem investindo na infraestrutura necessária para aumentar o tráfego comercial pelo Ártico. Em 2023, a Rússia assinou um acordo com a empresa de Dubai DP World para desenvolver o transporte de contêineres pela região ártica.

A Rosatom, conglomerado estatal russo responsável pela coordenação da rota e pela operação de uma frota de quebra-gelos nucleares, ocupa posição central na expansão do corredor.

A movimentação de cargas também vem crescendo com a participação de empresas chinesas. No ano passado, foram realizadas 23 viagens de contêineres pela rota, enquanto cerca de 30 estão previstas para este ano.

Nos últimos dois anos, o volume total de cargas transportadas pela Rota Marítima do Norte ultrapassou 37 milhões de toneladas.

China amplia operações e Coreia do Sul acompanha desenvolvimento

Durante o Fórum das Regiões Árticas, Azamat Khochuev, diretor do Departamento para o Desenvolvimento da Rota Marítima do Norte e do Ártico da Rosatom, afirmou à RT que o transporte de cargas entre Rússia e China pelo corredor já superou cinco milhões de toneladas neste ano.

A chinesa Sea Legend Shipping também deve iniciar, em agosto, seu primeiro serviço regular de transporte para a Europa pela rota. Segundo Sergey Likhachev, CEO da Rosatom, a operação utilizará sete navios entre agosto e outubro.

A Coreia do Sul, por sua vez, considera o desenvolvimento do transporte de cargas pela Rota Marítima do Norte uma prioridade estratégica nacional, reforçando a crescente importância comercial do corredor ártico.

FONTE: Brasil 247
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/RT

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Estreito de Ormuz: Irã e EUA fazem alegações opostas sobre controle da via estratégica

O Estreito de Ormuz, uma das principais rotas marítimas para o transporte global de energia, voltou ao centro da tensão entre Irã e Estados Unidos. Nesta quinta-feira, Hossein Taeb, recém-nomeado comandante da força paramilitar Basij, afirmou que a passagem está sob “controle e gestão” da República Islâmica.

A declaração ocorreu um dia depois de o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmar que Washington possui “controle total” sobre o estratégico Estreito de Ormuz.

Irã afirma manter controle do Estreito de Ormuz

Segundo a agência semioficial iraniana Fars, Taeb declarou que os Estados Unidos tentaram enfraquecer a influência do Irã na região ao iniciar uma nova guerra em torno do estreito, mas não teriam alcançado esse objetivo.

“Hoje, vocês veem que o Estreito de Ormuz está sob a gestão e o controle da República Islâmica”, afirmou Taeb, acrescentando que o Irã continua sua atuação com segurança.

A disputa ocorre em meio a um cenário de forte tensão militar no Golfo Pérsico, com impactos diretos sobre a navegação internacional e o mercado global de energia.

Conflito afetou transporte de petróleo e gás

A guerra começou em 28 de fevereiro, após ataques realizados por Estados Unidos e Israel contra o Irã. Na sequência, Teerã praticamente interrompeu o tráfego pelo estreito, por onde anteriormente passava cerca de um quinto do petróleo mundial e do gás natural liquefeito (GNL) transportado por via marítima.

Posteriormente, os Estados Unidos estabeleceram um bloqueio naval contra embarcações iranianas e seus portos. Washington, porém, afirmou que manteria a proteção à liberdade de navegação para navios que transitassem entre portos não iranianos.

Acordo de cessar-fogo não foi mantido

Em junho, Irã e Estados Unidos chegaram a um acordo provisório que previa um cessar-fogo permanente e a retomada rápida da liberdade de navegação no Golfo.

O entendimento, no entanto, perdeu força poucas semanas depois. O Irã retomou ataques limitados contra embarcações que, segundo Teerã, descumpriam as condições estabelecidas no acordo.

Em resposta, os Estados Unidos voltaram a realizar ataques contra províncias do sul iraniano. De acordo com Washington, as operações tinham como objetivo reduzir a capacidade de Teerã de atacar embarcações no Golfo Pérsico.

Teerã condiciona reabertura do estreito

Também nesta quinta-feira, o oficial militar e político iraniano Rasoul Sanaei-Rad afirmou que o país não pretende reabrir o Estreito de Ormuz enquanto a outra parte não cumprir suas obrigações previstas no acordo provisório.

Segundo a Fars, Sanaei-Rad ressaltou ainda que a reabertura da estratégica rota marítima não poderia ser determinada unilateralmente pelos Estados Unidos.

O dirigente também elevou o tom ao falar sobre um eventual novo conflito. Ele afirmou que o Irã adotaria uma postura ainda mais firme e ofensiva caso uma nova guerra ocorresse.

A disputa em torno do Estreito de Ormuz mantém em alerta os mercados e amplia as preocupações sobre a segurança das rotas de energia, a liberdade de navegação e o abastecimento internacional de petróleo e gás.

FONTE: Reuters
TEXTO: Redação
IMAGEM: REUTERS/Stringer

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Internacional

Polônia e países bálticos reforçam segurança de infraestrutura diante de temor de ataque russo

Polônia e países bálticos ampliaram a proteção de infraestruturas críticas, como usinas de energia, barragens, terminais de gás e conexões elétricas, diante do receio de que a Rússia possa promover um ataque de falsa bandeira usando drones de origem ucraniana.

A preocupação cresce entre os vizinhos do norte da Rússia que integram a OTAN. Lituânia, Letônia e Estônia, além da Polônia, vêm alertando para o risco de sabotagem e operações híbridas destinadas a testar a capacidade de resposta da aliança militar.

Na semana passada, a Lituânia afirmou que Moscou poderia estar avaliando a realização de uma ação desse tipo. Os governos de Polônia, Letônia e Estônia também vêm alertando para possíveis operações de sabotagem em um momento de incertezas sobre o compromisso dos Estados Unidos com a OTAN.

O Kremlin rejeita as acusações. O porta-voz Dmitry Peskov classificou como “histórias para assustar” os alertas sobre possíveis ataques clandestinos russos, afirmando que essas alegações seriam utilizadas para justificar a militarização contra Moscou.

Mesmo assim, os quatro países decidiram reforçar a proteção de suas instalações estratégicas.

Lituânia coloca forças militares em pontos estratégicos

A Lituânia mobilizou militares para auxiliar a polícia na proteção de instalações consideradas essenciais para sua segurança energética.

Entre os locais protegidos estão o terminal de gás natural liquefeito (GNL), o terminal de derivados de petróleo, uma importante conexão elétrica com a Polônia e a usina hidrelétrica reversível de Kruonis.

O ministro da Defesa da Lituânia, Robertas Kaunas, afirmou que o país está acompanhando as informações disponíveis e reforçando a cooperação com os serviços de inteligência.

Segundo ele, a movimentação tem também o objetivo de deixar claro que o país está preparado para reagir caso seja necessário.

Letônia amplia vigilância sobre barragens e armazenamento de gás

Na Letônia, as autoridades elevaram o nível de segurança em instalações de infraestrutura energética, incluindo uma barragem no rio Daugava, próxima à capital Riga, e a unidade subterrânea de armazenamento de gás de Incukalns.

O primeiro-ministro letão, Andris Kulbergs, afirmou que a possibilidade de uma ameaça híbrida é hoje maior do que no passado.

A preocupação aumentou depois que Moscou acusou os países bálticos de planejarem permitir que drones ucranianos fossem lançados contra território russo a partir de seus territórios. Os governos da região negaram as acusações e protestaram contra as declarações russas.

Inteligência avalia possibilidade de ataque de falsa bandeira

Segundo um integrante de um serviço de inteligência báltico ouvido pela Reuters, avaliações indicam que órgãos de inteligência militar e doméstica russos estariam estudando uma possível operação contra infraestruturas na Rússia, nos países bálticos ou na Polônia.

A hipótese levantada é de utilização de drones de fabricação ucraniana para criar a aparência de que Kiev estaria por trás de uma ação contra instalações estratégicas.

O principal temor, segundo essa avaliação, não está necessariamente nos danos materiais imediatos, mas no impacto político que uma operação desse tipo poderia provocar dentro da OTAN.

Uma eventual atribuição do ataque à Ucrânia poderia desencadear debates entre os países europeus e os Estados Unidos sobre a resposta adequada e até sobre a necessidade de uma reação coletiva.

Outra fonte regional, porém, ponderou que as advertências dos serviços de inteligência aliados não significam que um ataque seja iminente. Segundo essa avaliação, as ações poderiam ocorrer em qualquer momento — ou nunca acontecer.

Polônia monitora rotas de gás e instalações de energia

A Polônia também elevou a atenção sobre sua infraestrutura energética.

A Orlen, principal empresa polonesa dos setores de petróleo e gás, avalia alternativas para a importação de gás caso as rotas atualmente utilizadas sejam comprometidas.

A companhia recebe cerca de 80% do gás importado pelo país por meio do terminal de gás natural liquefeito de Swinoujscie, no litoral do Mar Báltico, e de um gasoduto submarino conectado à Noruega, cuja chegada ao território polonês ocorre nas proximidades.

A Gaz-System, responsável pela infraestrutura, informou que opera com nível elevado de vigilância e acompanha a evolução do cenário geopolítico.

Documentos falsificados aumentam preocupação com usina nuclear

Outro episódio chamou a atenção das autoridades polonesas. A empresa estatal responsável pelo desenvolvimento da primeira usina nuclear da Polônia, a Polskie Elektrownie Jadrowe, identificou documentos falsificados que poderiam confundir parceiros e outras partes envolvidas no projeto.

Segundo a companhia, os materiais aparentemente teriam origem em algum ponto a leste da Polônia.

O caso está sendo investigado em conjunto com os serviços de segurança e as forças de aplicação da lei. A empresa também aumentou o monitoramento do futuro local de construção diante da possibilidade de sabotagem ou outras ameaças.

Conexão elétrica com a Ucrânia também recebe proteção

O operador da rede elétrica polonesa e uma unidade das Forças Armadas começaram, em julho, a reforçar a segurança de uma conexão de energia com a Ucrânia.

A ligação tem papel importante para ajudar a estabilizar o sistema elétrico ucraniano, que vem sendo alvo de ataques russos desde o início da guerra.

O operador da rede informou que considera o local uma área que exige vigilância reforçada e que está utilizando os recursos disponíveis para protegê-lo. A expectativa é que os militares também possam ampliar a atuação na proteção de outras infraestruturas críticas no leste da Polônia.

Drones misteriosos elevam alerta em outros países europeus

A preocupação com drones e ameaças híbridas não se limita ao leste europeu.

Na Alemanha, autoridades encontraram na semana passada um drone equipado com explosivos no aeroporto de Leipzig/Halle. O ministro do Interior alemão, Alexander Dobrindt, classificou o episódio como um possível ataque híbrido, mas não apontou oficialmente um responsável.

Moscou rejeitou as acusações feitas por políticos e veículos de comunicação alemães que associaram o episódio à Rússia.

Para Wojciech Kononczuk, diretor do Centro de Estudos Orientais (OSW), financiado pelo governo polonês, a sequência de acusações russas contra os países bálticos pode estar criando uma narrativa que eventualmente seria utilizada para justificar uma ação contra a região.

Rússia busca pressionar Europa, avalia especialista

Na avaliação de Kononczuk, a situação ocorre em um contexto no qual as forças russas continuam concentradas na guerra da Ucrânia, enquanto ataques ucranianos contra instalações de energia e outras estruturas dentro da Rússia provocam impactos econômicos.

Nesse cenário, uma eventual operação de desestabilização contra países europeus poderia ser usada por Moscou para tentar recuperar a iniciativa estratégica.

A mensagem, segundo o especialista, seria de que a Europa poderia enfrentar novas ações de desestabilização caso não aceite as exigências russas.

A estratégia, porém, envolveria riscos elevados, especialmente porque dependeria da percepção de que os países europeus e seus aliados teriam pouca disposição para responder de forma coordenada.

FONTE: Reuters
TEXTO: Redação
IMAGEM:  REUTERS/Ints Kalnins

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