Internacional

EUA retomam sanções ao petróleo iraniano após ataques a navios no Estreito de Ormuz

Os Estados Unidos voltaram a impor restrições às transações envolvendo o petróleo iraniano, elevando a tensão entre Washington e Teerã poucas semanas após a assinatura de um acordo que previa o fim das hostilidades e a flexibilização das sanções econômicas.

A decisão ocorre em meio a novos incidentes no Estreito de Ormuz, uma das principais rotas marítimas para o transporte mundial de petróleo, onde embarcações comerciais foram alvo de ataques nos últimos dias.

Ataques a navios aumentam tensão na região

Segundo a agência britânica de segurança marítima UKMTO, três embarcações foram atingidas em um intervalo de 24 horas durante a travessia pelo Estreito de Ormuz.

O Qatar e a Arábia Saudita atribuíram dois dos ataques ao Irã. Entre os navios atingidos estão o petroleiro saudita Wedyan e o navio transportador de gás natural liquefeito Al-Rakayyat, de bandeira catariana.

A Arábia Saudita classificou os episódios como uma ameaça à segurança da navegação internacional e ao abastecimento global de energia.

Além desses casos, a UKMTO informou que um petroleiro foi atingido por um projétil de origem desconhecida e outro navio sofreu um ataque com drone. Não houve registro de vítimas nem de danos ambientais relacionados a esses incidentes.

Tesouro dos EUA revoga flexibilização das sanções

Em resposta ao aumento das tensões, o Departamento do Tesouro dos Estados Unidos anunciou a proibição de novas transações envolvendo hidrocarbonetos provenientes do Irã a partir de terça-feira.

A medida representa a retomada das sanções que haviam sido suspensas após o protocolo firmado em 17 de junho entre os dois países.

O entendimento previa o encerramento do conflito iniciado em 28 de fevereiro, a reabertura do Estreito de Ormuz para a navegação internacional e a suspensão das restrições norte-americanas sobre as exportações de petróleo iraniano.

Acordo de cessar-fogo enfrenta novos desafios

Mesmo após a assinatura do protocolo, episódios de instabilidade continuaram sendo registrados na região.

No fim de junho, os Estados Unidos acusaram o Irã de atacar duas embarcações comerciais. Na sequência, realizaram bombardeios contra alvos iranianos, antes de ambas as partes concordarem novamente com a interrupção das hostilidades.

Apesar do cessar-fogo, Teerã mantém a posição de que a navegação no Estreito de Ormuz não retornará às condições anteriores ao conflito. O governo iraniano também advertiu que poderá reagir contra embarcações que desrespeitem as rotas autorizadas ao longo de seu litoral.

Cerimônias em homenagem a Ali Khamenei ocorrem em meio à crise

O aumento das tensões coincide com as cerimônias fúnebres realizadas pelo governo iraniano em homenagem ao líder Ali Khamenei, morto no primeiro dia dos ataques atribuídos à ofensiva conjunta de Israel e Estados Unidos.

As homenagens, iniciadas no último sábado, têm duração prevista de seis dias. O corpo foi levado ao Iraque para procissões religiosas nas cidades sagradas de Najaf e Kerbala, importantes centros de peregrinação para os muçulmanos xiitas.

Enquanto isso, a comunidade internacional acompanha a evolução da crise, diante dos riscos para a estabilidade regional e para o mercado global de petróleo.

FONTE: RTP Notícias
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reuters

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Internacional

Irã acusa EUA de violar acordo após retomada de sanções sobre petróleo

O governo do Irã afirmou que os Estados Unidos descumpriram um acordo firmado entre os dois países ao restabelecer sanções relacionadas às exportações de petróleo iraniano. Segundo o Ministério das Relações Exteriores iraniano, a medida contraria o memorando firmado em Islamabad, criado para viabilizar o encerramento das hostilidades entre as partes.

Em nota oficial, Teerã declarou que Washington será responsabilizado pelas consequências da decisão e ressaltou que adotará todas as ações consideradas necessárias para proteger seus interesses e sua segurança nacional.

EUA revogam licença para venda de petróleo iraniano

A decisão norte-americana foi confirmada por uma autoridade dos Estados Unidos, que informou a revogação da licença geral que autorizava temporariamente a comercialização de petróleo do Irã.

De acordo com o representante, a medida foi motivada pelos recentes episódios registrados no Estreito de Ormuz, classificados por Washington como “totalmente inaceitáveis”. O governo americano também alertou que as ações terão consequências, embora as negociações diplomáticas para um acordo definitivo entre os dois países permaneçam em andamento.

Suspensão das sanções havia sido anunciada em junho

Em junho deste ano, Estados Unidos e Irã chegaram a um entendimento que previa a suspensão temporária das sanções sobre as exportações de petróleo iraniano.

A autorização, válida entre 21 de junho e 21 de agosto, permitia que o país comercializasse e entregasse petróleo para praticamente todos os mercados internacionais, incluindo compradores norte-americanos, sem sofrer penalidades durante esse período.

Com a revogação antecipada da licença, o cenário volta a gerar incertezas para o mercado internacional de energia.

Ataques a petroleiros elevaram tensão na região

A retomada das sanções ocorreu após relatos de ataques contra embarcações comerciais no Estreito de Ormuz, uma das principais rotas marítimas para o transporte mundial de petróleo.

Segundo relatório divulgado pela agência UKMTO (Operações de Comércio Marítimo do Reino Unido), vinculada à Marinha britânica, três petroleiros informaram ter sido atingidos por projéteis de origem ainda desconhecida nos últimos dias.

Até o momento, o governo iraniano não comentou oficialmente os incidentes, e nenhuma organização assumiu a responsabilidade pelos ataques.

Mercado reage com alta no preço do petróleo

Após o anúncio da revogação da licença pelos Estados Unidos, os preços internacionais do petróleo registraram alta superior a 3%, refletindo as preocupações dos investidores com uma possível escalada das tensões no Oriente Médio e impactos sobre o abastecimento global.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: REUTERS/Dado Ruvic/Ilustração

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Internacional

China amplia carga aérea internacional com 92 novas rotas no primeiro semestre

A China reforçou sua presença no mercado global de carga aérea ao inaugurar 92 novas rotas internacionais durante o primeiro semestre deste ano. A expansão acrescentou mais de 210 voos semanais de ida e volta à malha logística do país, segundo dados divulgados pela Federação Chinesa de Logística e Compras.

O avanço faz parte da estratégia chinesa de fortalecer sua infraestrutura de transporte de cargas e atender ao crescimento da demanda do comércio internacional.

Europa e Ásia concentram maior número de novas operações

Das novas rotas implantadas, 41 ligam a China a países da Ásia, enquanto outras 38 têm como destino a Europa. A expansão também contemplou 11 ligações com a América do Norte, além da abertura de uma rota para a América do Sul e outra para a África.

A ampliação da malha aérea fortalece a conectividade entre os principais mercados consumidores e amplia a capacidade de movimentação de mercadorias em escala global.

Comércio eletrônico impulsiona transporte de cargas

Entre os principais produtos transportados nas novas rotas estão mercadorias relacionadas ao comércio eletrônico transfronteiriço, além de manufaturados de alto padrão, produtos de elevado valor agregado, componentes eletrônicos e autopeças.

O crescimento desse perfil de carga acompanha a expansão das exportações chinesas e a necessidade de entregas mais rápidas para diferentes mercados internacionais.

Rede internacional segue em expansão

De acordo com a Federação Chinesa de Logística e Compras, a estrutura da rede internacional de carga aérea da China continua em ritmo acelerado de crescimento ao longo de 2026.

As companhias especializadas em transporte aéreo de cargas têm intensificado as operações nos principais corredores entre a Ásia e a Europa e ampliado, gradualmente, os serviços em rotas transoceânicas e de longa distância, fortalecendo a posição do país na logística global.

FONTE: Portal Portuario
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Portal Portuario

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Internacional

Corredor bioceânico deve ser prioridade para Brasil, Argentina e Paraguai, defende presidente do Chile

O presidente do Chile, José Antonio Kast, pediu que Brasil, Argentina e Paraguai acelerem as obras do corredor bioceânico, projeto considerado estratégico para ampliar a integração regional e fortalecer as conexões entre os oceanos Atlântico e Pacífico por meio de uma ampla malha rodoviária.

Durante participação no Congresso paraguaio, nesta quarta-feira (1º), Kast destacou a importância de que todos os países envolvidos cumpram os prazos previstos para as obras de infraestrutura.

“Esperamos que todas as intervenções necessárias sejam concluídas dentro do cronograma, para que nenhuma etapa fique pendente”, afirmou.

Corredor bioceânico é visto como motor da integração regional

Segundo o presidente chileno, a conclusão do Corredor Rodoviário Bioceânico depende do comprometimento conjunto dos governos participantes. Para ele, o empreendimento representa uma oportunidade de ampliar a integração regional, fortalecer as relações entre os países e impulsionar o comércio internacional.

A declaração ocorreu durante sua primeira visita oficial ao Paraguai desde que assumiu a presidência, em março deste ano. Antes do discurso no Parlamento, Kast participou de um encontro com o presidente paraguaio, Santiago Peña.

O projeto prevê uma rota de aproximadamente 2.400 quilômetros, ligando o Centro-Oeste brasileiro ao norte do Chile. O trajeto passará pelo Chaco paraguaio, pelas províncias argentinas de Salta e Jujuy e chegará aos portos chilenos de Antofagasta, Mejillones e Iquique, ampliando o acesso aos mercados do Pacífico.

Paraguai aposta em acesso aos mercados asiáticos

Após a sessão no Congresso, Kast seguiu para o Palácio de López, em Assunção, onde participou de uma entrevista coletiva ao lado de Santiago Peña.

Na ocasião, o presidente paraguaio ressaltou que o corredor bioceânico terá papel fundamental para ampliar a presença do país no comércio exterior, permitindo acesso mais competitivo aos mercados asiáticos por meio dos portos chilenos.

Kast desembarcou no Paraguai na última segunda-feira para participar da 18ª Cúpula de Chefes de Estado e de Governo do Mercosul, bloco no qual o Chile atua como membro associado. Após encerrar a agenda oficial no país, o presidente seguirá viagem para o Uruguai.

Presidente chileno defende união contra o crime organizado

Além da pauta de infraestrutura, José Antonio Kast reforçou a necessidade de uma atuação conjunta dos países sul-americanos no enfrentamento ao crime organizado transnacional.

Em discurso aos parlamentares paraguaios, o presidente afirmou que organizações criminosas atuam sem respeitar fronteiras e defendeu políticas coordenadas para combater ameaças como o narcotráfico, as máfias e outras redes criminosas.

Segundo Kast, a neutralidade diante desse cenário não é uma alternativa eficaz e a cooperação entre os países da região será decisiva para enfrentar o avanço dessas organizações e proteger a população.

FONTE: Gazeta do Povo
TEXTO: Redação
IMAGEM: EFE /Adriana Thomasa

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Internacional

Peru regulamenta Fundo Social de Chancay para acelerar desenvolvimento em área de influência do porto

O governo do Peru deu um novo passo para fortalecer o desenvolvimento regional ao aprovar o regulamento da lei que institui o Fundo Social para o Desenvolvimento de Chancay. A medida, anunciada pelo Ministério da Economia e Finanças (MEF), tem como principal objetivo reduzir desigualdades e ampliar investimentos nas áreas impactadas pelo Porto de Chancay.

Regulamento define prioridades para investimentos

De acordo com o MEF, a Carteira de Investimentos Estratégicos Territoriais (CIET) reunirá projetos com orçamento inferior a 200 milhões de soles. As iniciativas deverão estar localizadas nas áreas de influência do corredor logístico ligado ao Hub Portuário de Chancay e ficarão sob responsabilidade da Autoridade Nacional de Infraestrutura (ANIN).

A proposta busca direcionar recursos para obras e ações consideradas estratégicas para o desenvolvimento econômico e social da região.

Projetos sociais terão foco na redução de desigualdades

O regulamento também estabelece que os projetos sociais contemplam intervenções temporárias, de caráter setorial ou multissetorial, voltadas à redução ou eliminação de desigualdades sociais.

Essas ações, no entanto, não serão classificadas como investimentos dentro do Sistema Nacional de Programação Multianual e Gestão de Investimentos, mantendo um tratamento específico previsto pela legislação.

Como será financiado o Fundo Social de Chancay

Segundo as regras aprovadas, o Fundo Social para o Desenvolvimento de Chancay será constituído na conta única do Tesouro Público peruano.

Os recursos serão provenientes de 20% da arrecadação aduaneira marítima obtida nos terminais portuários localizados na jurisdição da província de Huaral, garantindo uma fonte permanente de financiamento para as iniciativas previstas.

Conselho administrará os recursos

A gestão do fundo ficará sob responsabilidade de um Conselho de Administração, encarregado de definir a aplicação dos recursos.

O colegiado será composto pelo prefeito ou representante da Prefeitura Distrital de Chancay, um representante da Prefeitura Provincial de Huaral e um prefeito escolhido entre os municípios distritais da província de Huaral.

FONTE: Portal Portuario
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Portal Portuario

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Internacional

Acordo UE-Mercosul ainda enfrenta desafios, admite ministro da Alemanha

O ministro das Relações Exteriores da Alemanha, Johann Wadephul, reconheceu que o acordo UE-Mercosul ainda enfrenta obstáculos antes de sua implementação completa. Apesar disso, ele afirmou que as pendências podem ser solucionadas ao longo do processo de consolidação do tratado.

Durante entrevista coletiva realizada em Buenos Aires, ao lado do ministro das Relações Exteriores da Argentina, Pablo Quirno, Wadephul destacou que a entrada em vigor definitiva do acordo ainda exigirá tempo. Segundo ele, embora existam questões pendentes, os avanços conquistados até agora são suficientes para permitir que os países envolvidos encontrem soluções para os desafios restantes.

Avanços após a cúpula do Mercosul

A declaração foi feita um dia após a 68ª Cúpula do Mercosul, realizada em Assunção, que reuniu representantes de Brasil, Argentina, Paraguai, Uruguai e países associados. O encontro teve como foco o fortalecimento da integração regional, a ampliação do comércio entre os integrantes do bloco e o avanço de pautas sociais e de desenvolvimento econômico.

O acordo comercial entre Mercosul e União Europeia é considerado um dos maiores tratados de livre comércio do mundo, criando acesso a um mercado com mais de 700 milhões de consumidores e ampliando as oportunidades para exportadores brasileiros.

Resistência de países europeus continua

Apesar do avanço nas negociações, o tratado ainda enfrenta resistência em alguns países da Europa. Parte dos críticos teme que produtos sul-americanos, com custos mais competitivos, prejudiquem agricultores e setores produtivos europeus.

Entre os principais opositores está a Polônia. Em abril, o vice-primeiro-ministro Wladyslaw Kosiniak-Kamysz anunciou que o país pretende recorrer ao tribunal superior da União Europeia para contestar o acordo. A França também mantém posição crítica, alegando possíveis impactos negativos para os produtores rurais do continente.

Enquanto avalia os próximos passos relacionados ao tratado de livre comércio, o Parlamento Europeu aprovou, em junho, o acordo comercial firmado entre a União Europeia e os Estados Unidos. O pacto prevê redução de tarifas para diversos produtos industriais e agrícolas norte-americanos, após negociações conduzidas no ano passado com o governo de Donald Trump.

Implementação provisória prevê redução de tarifas

O acordo UE-Mercosul começou a ser aplicado de forma provisória em 1º de maio, encerrando um processo de negociações que durou cerca de 25 anos. Nesta etapa inicial, as medidas são implementadas gradualmente, principalmente no que diz respeito à redução de tarifas de importação e exportação.

De acordo com estimativas da Confederação Nacional da Indústria (CNI), mais de 80% das exportações brasileiras destinadas ao mercado europeu já passam a contar com tarifa zero. Entre os produtos beneficiados estão café solúvel, frutas frescas, óleos vegetais e diversos itens agroindustriais.

Outros produtos, como aves e açúcar, passam a operar dentro de sistemas de cotas com tarifas reduzidas. Já a carne bovina enfrenta incertezas após a União Europeia impor restrições às importações de cortes brasileiros por motivos sanitários.

No sentido inverso, produtos europeus como vinhos, queijos, azeites, chocolates, máquinas industriais, produtos químicos e automóveis terão redução gradual das tarifas para ingresso no mercado brasileiro, conforme os prazos estabelecidos no tratado.

Aprovação definitiva ainda depende de novas etapas

Mesmo com a aplicação provisória em andamento, o acordo de livre comércio ainda precisa cumprir etapas políticas e jurídicas em alguns países da União Europeia. Além da análise de pontos específicos pelo Parlamento Europeu, questionamentos apresentados por grupos contrários ao tratado continuam sendo avaliados pelas instâncias competentes.

FONTE: Veja
TEXTO: Redação
IMAGEM: Boris Roessler/picture alliance/Getty Images

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Internacional

USMCA: governo Trump muda estratégia e prevê negociações anuais do acordo comercial

O governo do presidente Donald Trump decidiu alterar a forma de revisão do USMCA, acordo comercial que reúne Estados Unidos, México e Canadá. Em vez de seguir o modelo de renovação automática previsto no tratado, a Casa Branca pretende adotar negociações anuais, aumentando a pressão sobre seus principais parceiros comerciais.

O anúncio foi feito pelo representante de Comércio dos Estados Unidos, Jamieson Greer, e indica uma mudança na política comercial americana. Embora o acordo permaneça em vigor, a nova estratégia amplia a incerteza para empresas que dependem das cadeias produtivas integradas da América do Norte.

Nova política amplia poder de negociação dos Estados Unidos

O USMCA entrou em vigor em 2020 para substituir o antigo Tratado Norte-Americano de Livre Comércio (Nafta), após uma renegociação conduzida por Donald Trump durante seu primeiro mandato.

Na ocasião, o presidente classificou o tratado como um dos mais importantes já firmados pelos Estados Unidos. Agora, a administração americana pretende utilizar as revisões periódicas como instrumento permanente para renegociar regras comerciais e buscar novas concessões de México e Canadá.

Na prática, temas como tarifas, regras de origem, cadeias de suprimentos e exigências de conteúdo regional poderão ser discutidos todos os anos, afetando setores estratégicos como a indústria automobilística, agricultura e energia.

Empresas podem adiar investimentos

A mudança reduz a previsibilidade para empresas que organizaram sua produção de forma integrada entre os três países.

Especialistas avaliam que a possibilidade de alterações frequentes nas regras comerciais pode levar companhias a postergar investimentos até que haja maior clareza sobre tarifas, exigências regulatórias e acesso aos mercados.

A estabilidade proporcionada pelo tratado vinha sendo considerada um dos principais fatores para estimular novos projetos industriais na região.

Bloco comercial movimenta mais de US$ 1,6 trilhão

O impacto da decisão alcança um dos maiores blocos econômicos do mundo.

Juntos, Estados Unidos, México e Canadá respondem por cerca de um terço do Produto Interno Bruto (PIB) global. Em 2024, o comércio entre os três países superou US$ 1,6 trilhão, crescimento significativo em relação aos aproximadamente US$ 1 trilhão registrados em 2020.

A integração econômica consolidou cadeias produtivas compartilhadas, nas quais um mesmo produto é fabricado em diferentes etapas nos três países. Um veículo produzido nos Estados Unidos, por exemplo, pode utilizar motores fabricados no México e componentes eletrônicos desenvolvidos no Canadá.

Casa Branca endurece postura com parceiros comerciais

A adoção de negociações anuais reforça uma característica recorrente da política comercial de Donald Trump: utilizar possíveis mudanças tarifárias como ferramenta de negociação.

Segundo o governo americano, o atual formato do USMCA limita a capacidade dos Estados Unidos de aplicar tarifas e não foi suficiente para reduzir os déficits comerciais com seus vizinhos.

Enquanto mantém diálogo com o governo mexicano, Washington passou a adotar uma postura mais rígida em relação ao Canadá. Trump tem criticado a estratégia do primeiro-ministro Mark Carney de ampliar relações comerciais com outros mercados e reduzir a dependência da economia americana.

Neste ano, o presidente norte-americano chegou a ameaçar impor tarifas de até 100% sobre produtos canadenses caso Ottawa aprofundasse sua cooperação econômica com a China.

China ganha protagonismo nas negociações

Embora o tratado envolva apenas os três países norte-americanos, a China tornou-se um dos principais fatores que influenciam as discussões.

O crescimento dos investimentos chineses na região e a expansão de montadoras do país aumentaram as preocupações de Washington com o chamado transshipment, prática em que componentes produzidos na China entram nos Estados Unidos por meio de terceiros países para contornar restrições comerciais.

Diante desse cenário, o governo americano pretende endurecer as regras de origem dos veículos e ampliar a exigência de componentes fabricados na própria América do Norte.

Além disso, a Casa Branca busca maior alinhamento de México e Canadá em relação aos investimentos chineses considerados estratégicos para a segurança nacional.

Setor privado demonstra preocupação

Representantes da iniciativa privada receberam a mudança com cautela.

Entidades empresariais como a Câmara de Comércio dos Estados Unidos e a Business Roundtable defendem a preservação do acordo e alertam que alterações frequentes nas regras podem reduzir a confiança dos investidores.

A preocupação é que empresas deixem de anunciar novos projetos enquanto aguardam definições sobre o futuro das relações comerciais entre os três países.

Em maio, associações ligadas à indústria automobilística solicitaram ao governo americano a manutenção do tratado. No mês seguinte, dezenas de representantes do setor estiveram no Capitólio defendendo uma revisão rápida e previsível do acordo.

O que muda para o futuro do USMCA

Apesar da nova estratégia anunciada pela Casa Branca, o USMCA continua em vigor.

Pelas regras atuais, Estados Unidos, México e Canadá têm até 2036 para alcançar um entendimento durante o processo de revisão previsto pelo tratado. Caso não haja consenso até esse prazo, o acordo poderá perder sua validade.

Com a decisão do governo Trump, no entanto, o cenário passa a ser de negociações contínuas. A estratégia sinaliza que Washington pretende utilizar o acesso ao mercado americano como instrumento permanente de negociação, tanto nas relações com seus vizinhos quanto na disputa econômica global envolvendo a China.

FONTE: Veja
TEXTO: Redação
IMAGEM: KENT NISHIMURA/AFP

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Internacional

Indústria láctea da Argentina passa por onda de fusões e aquisições que transforma o setor

A indústria láctea da Argentina vive um dos períodos mais intensos de reestruturação das últimas décadas. Impulsionado por fusões, aquisições e liquidação de ativos, o setor passa por um processo de consolidação que promete alterar o cenário competitivo, fortalecer grandes grupos empresariais e redefinir o mercado de marcas tradicionais no país e no exterior.

O movimento ocorre em um momento de crescimento da produção de leite e de expansão das exportações, fatores que têm aumentado o interesse de investidores nacionais e internacionais.

Produção de leite cresce, mas mercado fica mais concentrado

Dados da Bolsa de Comércio de Rosário (BCR) mostram que a produção leiteira argentina alcançou o maior nível dos últimos dez anos no primeiro quadrimestre de 2026. Entre janeiro e abril, foram produzidos cerca de 3,5 milhões de litros, volume 9,3% superior à média da última década.

A produtividade das propriedades rurais também avançou. A produção média diária por fazenda chegou a 3.287 litros, resultado 27% acima da média registrada nos cinco anos anteriores.

Apesar da expansão, o setor vem passando por um processo acelerado de concentração. Atualmente, fazendas que produzem mais de 10 mil litros por dia respondem por aproximadamente 30% da produção nacional, participação muito superior aos cerca de 5% observados em 2010.

Arcor e Danone assumem controle total da La Serenísima

Uma das principais movimentações do ano ocorreu em março, quando Arcor e Danone concluíram a aquisição da totalidade das ações da Mastellone Hermanos, empresa responsável pela tradicional marca La Serenísima.

A operação, realizada por meio da Bagley Argentina, garantiu às duas empresas o controle integral da líder do mercado argentino, ao incorporar a participação que ainda permanecia com a família fundadora e o fundo Dallpoint Investments.

Com a mudança societária, Arcor e Danone passam a concentrar integralmente a estratégia e a gestão da companhia.

Venda da Saputo muda liderança do setor

Outra negociação de grande impacto envolveu a canadense Saputo, que decidiu vender 80% de sua operação de laticínios na Argentina para o grupo peruano Gloria Foods.

Avaliada em aproximadamente US$ 630 milhões, a transação está entre as maiores da indústria alimentícia argentina nos últimos anos.

Mesmo deixando o controle da operação, a Saputo permanecerá com 20% da empresa, mantendo parte das atividades de exportação e da produção de determinadas marcas.

Já o grupo Gloria amplia significativamente sua presença no mercado argentino. Somando sua operação local, realizada por meio da Corlasa, aos ativos adquiridos, a empresa passa a ocupar a liderança do setor em volume de processamento de leite.

A estratégia prevê fortalecer a marca La Paulina, posicionando-a como principal plataforma de crescimento para disputar mercado com concorrentes como Mastellone e Adecoagro.

Exportações impulsionam interesse dos investidores

O bom momento das exportações de lácteos tem sido um dos principais fatores por trás da consolidação do setor.

Nos quatro primeiros meses do ano, a Argentina exportou cerca de 130 mil toneladas de produtos lácteos, maior volume desde 2012. As vendas externas somaram aproximadamente US$ 455 milhões.

O Brasil permanece como principal destino dos embarques argentinos, seguido por mercados como Argélia, Chile e China, consolidando o comércio internacional como um dos pilares da rentabilidade da indústria.

Falência da SanCor abre disputa por ativos históricos

Enquanto algumas empresas ampliam seus investimentos, outras enfrentam dificuldades financeiras.

A tradicional cooperativa SanCor, que acumula um passivo estimado em US$ 120 milhões, entrou oficialmente em processo de liquidação judicial.

A Justiça autorizou a venda dos ativos da empresa em sete lotes, avaliados em aproximadamente US$ 52,1 milhões.

Entre os interessados estão grupos como Savencia (controladora da Milkaut), Adecoagro, Elcor, La Tarantela, Punta del Agua e o empresário Gustavo Scaglione.

O principal ativo é o lote que reúne as marcas e os direitos intangíveis da SanCor, considerado estratégico pelo reconhecimento da marca junto aos consumidores.

San Ignacio também negocia venda

O movimento de consolidação pode ganhar um novo capítulo com a possível venda da Establecimientos San Ignacio, tradicional fabricante argentina fundada em 1939 e reconhecida como uma das principais exportadoras de doce de leite do país.

Segundo informações do mercado, a empresa mantém negociações avançadas com o grupo mexicano Mexicana de Industrias y Marcas (MIYM), que busca ampliar sua atuação internacional após adquirir outras empresas do segmento neste ano.

Caso a operação seja concluída, o grupo mexicano fortalecerá sua presença no mercado de derivados lácteos, especialmente nos segmentos de doce de leite e queijo azul.

Consolidação deve redesenhar a indústria argentina

As recentes operações evidenciam uma transformação estrutural no setor lácteo argentino. Enquanto empresas com dificuldades financeiras deixam espaço para novos investidores, grupos de maior porte ampliam sua escala de produção e exportação.

O cenário combina recordes de produtividade, crescimento das vendas externas e valorização de marcas tradicionais, tornando a indústria láctea da Argentina um dos mercados mais movimentados da economia do país em 2026.

FONTE: Milkpoint
TEXTO: Redação
IMAGEM: Globo Rural

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Internacional

Argentina digitaliza decisões antecipadas de origem para agilizar importações

A Argentina passou a adotar um processo totalmente digital para o registro das decisões antecipadas de origem, medida que promete tornar mais ágeis os procedimentos de importação e reduzir a burocracia no comércio exterior.

A mudança foi oficializada por meio da Resolução Geral (ARCA) 5859/2026, publicada no Diário Oficial em 5 de junho de 2026 e em vigor desde 22 de junho. A norma incorpora as decisões emitidas pelo Ministério da Indústria, Comércio e Pequenas e Médias Empresas ao sistema da Janela Única de Comércio Exterior da Argentina (VUCEA).

Validação passa a ser automática nas operações de importação

Embora as decisões antecipadas de origem já estivessem previstas no Código Aduaneiro e tivessem sido regulamentadas recentemente pela Resolução (SICyPyME) 26/2026, a principal novidade é a integração eletrônica ao sistema de comércio exterior.

Com isso, a validação das decisões ocorrerá automaticamente no momento do registro da importação definitiva, eliminando a necessidade de apresentação de documentos físicos. A identificação eletrônica da autorização será suficiente para a conclusão do procedimento.

Norma define regras operacionais e plano de contingência

Além de disciplinar a comunicação das decisões antecipadas no ambiente digital, a Resolução Geral 5859/2026 também estabelece os procedimentos que deverão ser adotados caso ocorram falhas no sistema eletrônico.

A iniciativa faz parte das medidas de modernização dos processos aduaneiros argentinos, com foco na digitalização dos serviços, na simplificação das operações e no fortalecimento da eficiência do comércio exterior.

FONTE: Marval
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Metro 1

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Internacional

União Europeia elimina tarifas sobre produtos industriais dos EUA e reforça acordo comercial

A União Europeia começou a eliminar, nesta quarta-feira (1º), as tarifas de importação incidentes sobre produtos industriais dos Estados Unidos, colocando em vigor uma das principais medidas previstas no acordo comercial firmado entre as duas economias.

O anúncio foi feito pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, que destacou os impactos positivos da iniciativa para o comércio entre os dois lados do Atlântico. Segundo ela, a decisão amplia a previsibilidade para o mercado, aumenta as opções disponíveis aos consumidores e contribui para preços mais competitivos.

Em publicação nas redes sociais, Von der Leyen afirmou que a parceria entre Europa e Estados Unidos segue sendo uma das mais importantes do mundo e ressaltou o compromisso de fortalecer essa cooperação.

Medida faz parte de acordo comercial firmado em 2025

A retirada das tarifas integra o acordo comercial firmado em 2025 entre a União Europeia e o governo dos Estados Unidos, liderado pelo presidente Donald Trump. O entendimento foi fechado durante encontro realizado em Turnberry, na Escócia.

Pelo acordo, o bloco europeu se comprometeu a zerar as tarifas sobre produtos industriais norte-americanos e ampliar o acesso de produtos agrícolas dos EUA ao mercado europeu por meio de condições preferenciais.

Em contrapartida, o governo norte-americano manteve a cobrança de 15% de tarifa sobre a maior parte dos produtos exportados pela União Europeia. O objetivo declarado pelas duas partes é reduzir as tensões comerciais entre os maiores parceiros econômicos do planeta.

Parlamento Europeu aprovou implementação do acordo

Antes da entrada em vigor da medida, o Parlamento Europeu aprovou, em 16 de junho, a redução das tarifas sobre produtos norte-americanos. A votação representou uma etapa essencial para que o bloco cumprisse os compromissos assumidos no acordo bilateral.

A aprovação ocorreu em meio à pressão do governo dos Estados Unidos. Donald Trump havia sinalizado que poderia elevar significativamente as tarifas sobre produtos europeus caso a União Europeia não implementasse as medidas previstas até 4 de julho.

Principais pontos do acordo

  • A União Europeia elimina as tarifas sobre produtos industriais dos Estados Unidos;
  • Produtos agrícolas americanos passam a contar com acesso preferencial ao mercado europeu;
  • Os Estados Unidos mantêm tarifa de 15% sobre a maior parte dos produtos europeus;
  • A legislação europeia busca evitar uma nova disputa tarifária entre Bruxelas e Washington.

FONTE: Poder 360
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Poder 360

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