Internacional

Indústria láctea da Argentina passa por onda de fusões e aquisições que transforma o setor

A indústria láctea da Argentina vive um dos períodos mais intensos de reestruturação das últimas décadas. Impulsionado por fusões, aquisições e liquidação de ativos, o setor passa por um processo de consolidação que promete alterar o cenário competitivo, fortalecer grandes grupos empresariais e redefinir o mercado de marcas tradicionais no país e no exterior.

O movimento ocorre em um momento de crescimento da produção de leite e de expansão das exportações, fatores que têm aumentado o interesse de investidores nacionais e internacionais.

Produção de leite cresce, mas mercado fica mais concentrado

Dados da Bolsa de Comércio de Rosário (BCR) mostram que a produção leiteira argentina alcançou o maior nível dos últimos dez anos no primeiro quadrimestre de 2026. Entre janeiro e abril, foram produzidos cerca de 3,5 milhões de litros, volume 9,3% superior à média da última década.

A produtividade das propriedades rurais também avançou. A produção média diária por fazenda chegou a 3.287 litros, resultado 27% acima da média registrada nos cinco anos anteriores.

Apesar da expansão, o setor vem passando por um processo acelerado de concentração. Atualmente, fazendas que produzem mais de 10 mil litros por dia respondem por aproximadamente 30% da produção nacional, participação muito superior aos cerca de 5% observados em 2010.

Arcor e Danone assumem controle total da La Serenísima

Uma das principais movimentações do ano ocorreu em março, quando Arcor e Danone concluíram a aquisição da totalidade das ações da Mastellone Hermanos, empresa responsável pela tradicional marca La Serenísima.

A operação, realizada por meio da Bagley Argentina, garantiu às duas empresas o controle integral da líder do mercado argentino, ao incorporar a participação que ainda permanecia com a família fundadora e o fundo Dallpoint Investments.

Com a mudança societária, Arcor e Danone passam a concentrar integralmente a estratégia e a gestão da companhia.

Venda da Saputo muda liderança do setor

Outra negociação de grande impacto envolveu a canadense Saputo, que decidiu vender 80% de sua operação de laticínios na Argentina para o grupo peruano Gloria Foods.

Avaliada em aproximadamente US$ 630 milhões, a transação está entre as maiores da indústria alimentícia argentina nos últimos anos.

Mesmo deixando o controle da operação, a Saputo permanecerá com 20% da empresa, mantendo parte das atividades de exportação e da produção de determinadas marcas.

Já o grupo Gloria amplia significativamente sua presença no mercado argentino. Somando sua operação local, realizada por meio da Corlasa, aos ativos adquiridos, a empresa passa a ocupar a liderança do setor em volume de processamento de leite.

A estratégia prevê fortalecer a marca La Paulina, posicionando-a como principal plataforma de crescimento para disputar mercado com concorrentes como Mastellone e Adecoagro.

Exportações impulsionam interesse dos investidores

O bom momento das exportações de lácteos tem sido um dos principais fatores por trás da consolidação do setor.

Nos quatro primeiros meses do ano, a Argentina exportou cerca de 130 mil toneladas de produtos lácteos, maior volume desde 2012. As vendas externas somaram aproximadamente US$ 455 milhões.

O Brasil permanece como principal destino dos embarques argentinos, seguido por mercados como Argélia, Chile e China, consolidando o comércio internacional como um dos pilares da rentabilidade da indústria.

Falência da SanCor abre disputa por ativos históricos

Enquanto algumas empresas ampliam seus investimentos, outras enfrentam dificuldades financeiras.

A tradicional cooperativa SanCor, que acumula um passivo estimado em US$ 120 milhões, entrou oficialmente em processo de liquidação judicial.

A Justiça autorizou a venda dos ativos da empresa em sete lotes, avaliados em aproximadamente US$ 52,1 milhões.

Entre os interessados estão grupos como Savencia (controladora da Milkaut), Adecoagro, Elcor, La Tarantela, Punta del Agua e o empresário Gustavo Scaglione.

O principal ativo é o lote que reúne as marcas e os direitos intangíveis da SanCor, considerado estratégico pelo reconhecimento da marca junto aos consumidores.

San Ignacio também negocia venda

O movimento de consolidação pode ganhar um novo capítulo com a possível venda da Establecimientos San Ignacio, tradicional fabricante argentina fundada em 1939 e reconhecida como uma das principais exportadoras de doce de leite do país.

Segundo informações do mercado, a empresa mantém negociações avançadas com o grupo mexicano Mexicana de Industrias y Marcas (MIYM), que busca ampliar sua atuação internacional após adquirir outras empresas do segmento neste ano.

Caso a operação seja concluída, o grupo mexicano fortalecerá sua presença no mercado de derivados lácteos, especialmente nos segmentos de doce de leite e queijo azul.

Consolidação deve redesenhar a indústria argentina

As recentes operações evidenciam uma transformação estrutural no setor lácteo argentino. Enquanto empresas com dificuldades financeiras deixam espaço para novos investidores, grupos de maior porte ampliam sua escala de produção e exportação.

O cenário combina recordes de produtividade, crescimento das vendas externas e valorização de marcas tradicionais, tornando a indústria láctea da Argentina um dos mercados mais movimentados da economia do país em 2026.

FONTE: Milkpoint
TEXTO: Redação
IMAGEM: Globo Rural

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Internacional

Argentina digitaliza decisões antecipadas de origem para agilizar importações

A Argentina passou a adotar um processo totalmente digital para o registro das decisões antecipadas de origem, medida que promete tornar mais ágeis os procedimentos de importação e reduzir a burocracia no comércio exterior.

A mudança foi oficializada por meio da Resolução Geral (ARCA) 5859/2026, publicada no Diário Oficial em 5 de junho de 2026 e em vigor desde 22 de junho. A norma incorpora as decisões emitidas pelo Ministério da Indústria, Comércio e Pequenas e Médias Empresas ao sistema da Janela Única de Comércio Exterior da Argentina (VUCEA).

Validação passa a ser automática nas operações de importação

Embora as decisões antecipadas de origem já estivessem previstas no Código Aduaneiro e tivessem sido regulamentadas recentemente pela Resolução (SICyPyME) 26/2026, a principal novidade é a integração eletrônica ao sistema de comércio exterior.

Com isso, a validação das decisões ocorrerá automaticamente no momento do registro da importação definitiva, eliminando a necessidade de apresentação de documentos físicos. A identificação eletrônica da autorização será suficiente para a conclusão do procedimento.

Norma define regras operacionais e plano de contingência

Além de disciplinar a comunicação das decisões antecipadas no ambiente digital, a Resolução Geral 5859/2026 também estabelece os procedimentos que deverão ser adotados caso ocorram falhas no sistema eletrônico.

A iniciativa faz parte das medidas de modernização dos processos aduaneiros argentinos, com foco na digitalização dos serviços, na simplificação das operações e no fortalecimento da eficiência do comércio exterior.

FONTE: Marval
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Metro 1

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Internacional

União Europeia elimina tarifas sobre produtos industriais dos EUA e reforça acordo comercial

A União Europeia começou a eliminar, nesta quarta-feira (1º), as tarifas de importação incidentes sobre produtos industriais dos Estados Unidos, colocando em vigor uma das principais medidas previstas no acordo comercial firmado entre as duas economias.

O anúncio foi feito pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, que destacou os impactos positivos da iniciativa para o comércio entre os dois lados do Atlântico. Segundo ela, a decisão amplia a previsibilidade para o mercado, aumenta as opções disponíveis aos consumidores e contribui para preços mais competitivos.

Em publicação nas redes sociais, Von der Leyen afirmou que a parceria entre Europa e Estados Unidos segue sendo uma das mais importantes do mundo e ressaltou o compromisso de fortalecer essa cooperação.

Medida faz parte de acordo comercial firmado em 2025

A retirada das tarifas integra o acordo comercial firmado em 2025 entre a União Europeia e o governo dos Estados Unidos, liderado pelo presidente Donald Trump. O entendimento foi fechado durante encontro realizado em Turnberry, na Escócia.

Pelo acordo, o bloco europeu se comprometeu a zerar as tarifas sobre produtos industriais norte-americanos e ampliar o acesso de produtos agrícolas dos EUA ao mercado europeu por meio de condições preferenciais.

Em contrapartida, o governo norte-americano manteve a cobrança de 15% de tarifa sobre a maior parte dos produtos exportados pela União Europeia. O objetivo declarado pelas duas partes é reduzir as tensões comerciais entre os maiores parceiros econômicos do planeta.

Parlamento Europeu aprovou implementação do acordo

Antes da entrada em vigor da medida, o Parlamento Europeu aprovou, em 16 de junho, a redução das tarifas sobre produtos norte-americanos. A votação representou uma etapa essencial para que o bloco cumprisse os compromissos assumidos no acordo bilateral.

A aprovação ocorreu em meio à pressão do governo dos Estados Unidos. Donald Trump havia sinalizado que poderia elevar significativamente as tarifas sobre produtos europeus caso a União Europeia não implementasse as medidas previstas até 4 de julho.

Principais pontos do acordo

  • A União Europeia elimina as tarifas sobre produtos industriais dos Estados Unidos;
  • Produtos agrícolas americanos passam a contar com acesso preferencial ao mercado europeu;
  • Os Estados Unidos mantêm tarifa de 15% sobre a maior parte dos produtos europeus;
  • A legislação europeia busca evitar uma nova disputa tarifária entre Bruxelas e Washington.

FONTE: Poder 360
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Poder 360

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Internacional

EUA e Irã avançam em negociações técnicas por acordo de paz e retomada do fluxo no Estreito de Hormuz

Os Estados Unidos e o Irã realizaram nesta quarta-feira (em Doha) conversas técnicas indiretas com o objetivo de avançar em um acordo que garanta a retomada do fluxo marítimo no Estreito de Hormuz e consolide um cessar-fogo duradouro. As informações são de uma fonte com conhecimento direto das negociações e de um representante iraniano.

As tratativas se baseiam em um acordo provisório de 14 pontos firmado no mês passado, que previa o fim do conflito iniciado em fevereiro após ataques conjuntos dos EUA e de Israel contra o Irã, além da reabertura da rota marítima estratégica e a abertura de um período de 60 dias para um acordo de paz definitivo.

Estreito de Hormuz é foco central das negociações

O ponto central das discussões é a segurança e a gestão do Estreito de Hormuz, rota por onde passa cerca de um quinto do comércio global de petróleo e gás natural liquefeito.

Segundo fontes iranianas, Teerã busca o reconhecimento internacional de sua autoridade sobre o estreito, incluindo a possibilidade de cobrança de tarifas sobre embarcações que entram ou saem do Golfo — posição que, segundo autoridades locais, pode ser defendida inclusive por meio de força militar.

Apesar da reabertura parcial da passagem, autoridades e analistas apontam que o tráfego ainda ocorre de forma irregular e instável.

“Hormuz continua reabrindo, mas de forma fragmentada e pouco previsível”, avaliou Vandana Hari, fundadora da consultoria Vanda Insights.

Tensões persistem apesar do cessar-fogo

Mesmo com o acordo intermediário, EUA e Irã têm divergido publicamente sobre a interpretação do pacto, o que levou a novos episódios de ataques militares de retaliação na última semana.

As negociações mais complexas, como o programa nuclear iraniano, ainda não avançaram de forma significativa, segundo fontes ligadas ao diálogo.

O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou nesta quarta-feira que o processo de “desnuclearização do Irã” está evoluindo, mas não apresentou detalhes. Ele disse ainda que as reuniões em Doha foram produtivas, embora não haja confirmação de que o tema nuclear tenha sido efetivamente discutido.

Negociações indiretas e participação de mediadores

As conversas, mediadas por Catar e Paquistão, começaram na noite de terça-feira e continuaram ao longo de quarta-feira, segundo um representante iraniano.

O formato envolve reuniões separadas entre negociadores-chefes e equipes técnicas. De acordo com uma fonte próxima ao processo, o enviado americano Steve Witkoff e Jared Kushner participaram de encontros preliminares com autoridades do Catar, mas não integram diretamente as rodadas de negociação.

Posteriormente, ambos se reuniram com o emir do Catar para discutir não apenas o diálogo entre EUA e Irã, mas também a situação no Líbano, onde um conflito paralelo envolvendo Israel e o grupo Hezbollah se intensificou desde março.

Pauta inclui ativos congelados e controle marítimo

A delegação iraniana, liderada pelo vice-ministro das Relações Exteriores Kazem Gharibabadi, inclui representantes de áreas como diplomacia, banco central e agricultura. O grupo se reuniu com o primeiro-ministro do Catar e com mediadores internacionais.

Teerã afirma que suas prioridades incluem o controle do Estreito de Hormuz e a liberação de cerca de US$ 6 bilhões em ativos iranianos congelados no exterior. Já a posição norte-americana enfatiza a garantia de livre navegação na região.

Diplomacia se intensifica também no Líbano

O conflito mais amplo envolvendo o Oriente Médio resultou em ataques iranianos a países do Golfo que abrigam bases militares dos EUA e deixou milhares de mortos, principalmente no Irã e no Líbano. A crise também pressionou os preços globais de energia.

Paralelamente às negociações com o Irã, Washington conduz um processo diplomático separado entre Israel e o governo libanês, que já resultou em um esboço de acordo de segurança — rejeitado pelo Hezbollah.

Analistas alertam que o arranjo pode consolidar a presença israelense no sul do Líbano, ampliando tensões regionais.

Impacto no petróleo e cenário econômico

Os mercados reagiram com queda nos preços do petróleo nesta quarta-feira. O barril do West Texas Intermediate (WTI) atingiu o menor nível desde 27 de fevereiro, sendo negociado abaixo de US$ 69 — patamar anterior ao início do conflito.

A guerra também gerou pressão política interna sobre o governo dos EUA, que enfrenta cobranças para reduzir os impactos econômicos antes das eleições de meio de mandato. No Irã, o governo sobreviveu ao conflito, mas enfrenta crescente insatisfação interna devido à deterioração econômica.

FONTE: Reuters
TEXTO: Redação
IMAGEM:  Amirhosein Khorgooi/ISNA/via WANA (West Asia News Agency)via REUTERS

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Internacional

Crise energética na Europa: estoques de gás preocupam antes do inverno

A Europa pode enfrentar um inverno desafiador no abastecimento de gás natural. Mesmo com a redução das tensões envolvendo Estados Unidos e Irã e a retomada da navegação pelo Estreito de Ormuz, especialistas alertam que os níveis de armazenamento de combustível no continente permanecem abaixo do esperado, elevando o risco de pressão sobre os preços nos próximos meses.

Um estudo da consultoria Wood Mackenzie, divulgado pelo jornal britânico Financial Times, projeta que os reservatórios da União Europeia (UE) deverão encerrar a temporada de reabastecimento, que ocorre entre abril e outubro, com apenas 76% da capacidade ocupada.

Reservatórios de gás devem atingir menor nível em 15 anos

Caso a projeção se confirme, os estoques de gás natural da Europa entrarão no inverno do Hemisfério Norte nos níveis mais baixos registrados em pelo menos 15 anos. O cenário pode resultar em aumento dos custos de energia para consumidores e empresas durante o período de maior demanda.

Após um inverno rigoroso, que reduziu os estoques para cerca de 28% da capacidade, os países europeus tentam recompor as reservas, mas enfrentam dificuldades para alcançar os volumes considerados ideais.

Dados da Gas Infrastructure Europe (GIE) indicam que os reservatórios operam atualmente com ocupação média de 48,29%. Tradicionalmente, junho representa o mês de maior ritmo de armazenamento, porém o desempenho ficou abaixo do esperado neste ano.

Calor e demanda por energia dificultam recomposição dos estoques

Outro fator que preocupa o setor energético é a previsão de temperaturas acima da média durante julho e agosto. O aumento do uso de sistemas de refrigeração deve elevar o consumo de eletricidade e reduzir a quantidade de gás natural destinada ao armazenamento.

Embora os preços do combustível tenham disparado durante o período de maior tensão no Oriente Médio, as cotações voltaram a se estabilizar nas últimas semanas.

Atualmente, o gás é negociado em torno de 40 euros por megawatt-hora (MWh), valor próximo ao registrado antes da escalada do conflito e muito inferior ao pico de 342 euros/MWh alcançado após o início da guerra entre Rússia e Ucrânia, em 2022.

Oferta de GNL segue como fator decisivo para o mercado europeu

Especialistas avaliam que o cenário pode mudar caso haja aumento da oferta global de Gás Natural Liquefeito (GNL). Após a redução das tensões no Golfo, navios transportadores voltaram a operar normalmente na região, o que pode ampliar o fornecimento internacional.

Segundo Tom Marzec-Manser, diretor de gás e GNL para a Europa da Wood Mackenzie, a maior disponibilidade de cargas pode pressionar os preços para baixo no curto prazo. No entanto, ele avalia que a chegada do inverno tende a elevar novamente as cotações, principalmente se houver temperaturas abaixo da média.

Redução da oferta amplia preocupação com abastecimento

A atual situação é resultado de diversos fatores que reduziram a disponibilidade de gás natural no mercado europeu.

Entre eles estão as dificuldades recentes nas rotas de transporte de GNL pelo Estreito de Ormuz, a redução da produção no Catar e nos Emirados Árabes Unidos e o encerramento do trânsito de gás russo pelo território da Ucrânia.

Com isso, a União Europeia passou a depender ainda mais das importações de GNL para garantir o abastecimento interno e também atender à demanda ucraniana.

No ano passado, o bloco importou 109 milhões de toneladas de GNL, volume equivalente a aproximadamente 142 bilhões de metros cúbicos, crescimento de 28% em relação ao ano anterior.

Apesar desse avanço, as compras externas perderam ritmo. Em junho, as importações caíram cerca de 17% na comparação anual, totalizando 7,8 milhões de toneladas, o menor volume registrado nos últimos dez meses.

Embargo ao gás russo também pressiona o mercado

Outro elemento que contribui para a incerteza é a estratégia da União Europeia de eliminar gradualmente a dependência de produtos energéticos russos.

Atualmente, a Rússia ainda responde por aproximadamente 14% das importações europeias de GNL. Pelo cronograma aprovado pelo Conselho Europeu, a compra desse combustível será totalmente proibida a partir de 1º de janeiro de 2027.

Já a importação de gás natural russo por gasodutos deverá ser encerrada até setembro de 2027, exigindo que os países do bloco ampliem a diversificação de fornecedores.

Mesmo mantendo capacidade de armazenamento de cerca de 109 bilhões de metros cúbicos e ocupando a posição de maior importadora mundial de GNL, a Europa ainda enfrenta desafios para garantir estoques suficientes antes da chegada do inverno.

FONTE: NeoFeed
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/NeoFeed

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Internacional

Trump ameaça impor tarifa de 100% a países europeus que adotarem imposto sobre serviços digitais

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que poderá aplicar uma tarifa de 100% sobre produtos importados de países europeus que decidirem instituir ou ampliar impostos sobre serviços digitais cobrados de empresas norte-americanas de tecnologia.

A declaração foi publicada nas redes sociais e ocorre em meio às discussões de diversos países da Europa sobre a adoção desse tipo de tributação, voltada principalmente às grandes plataformas digitais.

Segundo Trump, qualquer país que avance com a medida será alvo imediato de uma tarifa adicional sobre todos os bens exportados para os Estados Unidos.

Tarifas poderão prevalecer sobre acordos comerciais

Na publicação, o presidente afirmou que a sobretaxa seria aplicada independentemente da existência de acordos comerciais firmados entre os Estados Unidos e os países envolvidos.

De acordo com Trump, a nova tarifa entraria em vigor imediatamente caso os governos decidam implementar os chamados impostos sobre serviços digitais, que, na visão da Casa Branca, atingem de forma desproporcional empresas norte-americanas.

Tributação mira gigantes da tecnologia

Os impostos digitais têm sido adotados por diversos países como forma de ampliar a arrecadação sobre grandes empresas de tecnologia que operam globalmente.

Entre as companhias frequentemente afetadas por esse modelo de tributação estão Apple, Amazon e Meta, que concentram parte significativa das receitas obtidas com publicidade, comércio eletrônico e serviços digitais em diferentes mercados.

Governos favoráveis à medida argumentam que ela busca adequar a tributação das chamadas Big Techs às receitas geradas em seus territórios.

Ameaça pode dificultar negociações entre EUA e União Europeia

A nova manifestação de Trump ocorre em um momento delicado das negociações comerciais entre os Estados Unidos e a União Europeia.

Dias antes, os países do bloco europeu haviam aprovado um acordo para reduzir tarifas sobre produtos industriais norte-americanos e parte dos produtos agrícolas. Em contrapartida, os Estados Unidos limitariam a maior parte das tarifas aplicadas aos produtos europeus a 15%.

A nova ameaça pode aumentar a tensão nas conversas e comprometer o avanço das negociações comerciais entre as duas economias.

Comissão Europeia defende autonomia regulatória

Em resposta, a Comissão Europeia reafirmou que os países do bloco possuem o direito soberano de definir suas próprias políticas econômicas e regulatórias.

O órgão também alertou que eventuais medidas unilaterais contra legislações consideradas legítimas poderão receber uma resposta rápida por parte da União Europeia.

Além disso, a Comissão reiterou seu apoio à construção de um modelo internacional para a tributação da economia digital, alinhado às discussões conduzidas pelos ministros das Finanças do G7.

Outros países também enfrentaram pressão dos EUA

A estratégia de utilizar tarifas como instrumento de pressão já foi adotada anteriormente pelo governo Trump em negociações envolvendo tributação digital.

O Canadá, por exemplo, revisou sua proposta de imposto sobre serviços digitais após ameaças tarifárias dos Estados Unidos. Mais recentemente, o país também sinalizou a possibilidade de rever regras que obrigariam plataformas de streaming a destinar parte de sua receita ao financiamento de conteúdos locais.

O Reino Unido também tem defendido a manutenção de sua política de tributação sobre empresas digitais, mesmo diante das críticas do governo norte-americano.

FONTE: Politico
TEXTO: Redação
IMAGEM: Andrew Harnik/Getty Images

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Internacional

Cúpula do Mercosul reúne líderes no Paraguai com foco em acordo com a União Europeia

O Paraguai sedia a 68ª Cúpula do Mercosul em um momento de mudanças no cenário político da América do Sul e de expectativa por novos avanços na agenda comercial do bloco. A principal pauta do encontro é a implementação do acordo entre Mercosul e União Europeia (UE), além da possibilidade de abertura de novas negociações internacionais.

A programação acontece em Assunção. Nesta segunda-feira (29), os ministros das Relações Exteriores dos países-membros participaram de reuniões preparatórias. Já na terça-feira (30), será realizada a reunião dos chefes de Estado, ocasião em que o Paraguai transferirá a presidência rotativa do bloco ao Uruguai.

Presidentes confirmam participação no encontro

Estão confirmadas as presenças dos presidentes Luiz Inácio Lula da Silva (Brasil), Javier Milei (Argentina), Yamandú Orsi (Uruguai), Rodrigo Paz (Bolívia), José Antonio Kast (Chile), Daniel Noboa (Equador) e Santiago Peña (Paraguai).

Lula deve permanecer poucas horas no país. Após participar da cúpula, retorna ao Brasil para acompanhar, no Palácio do Planalto, o lançamento do Plano Safra, previsto para o fim da tarde desta terça-feira.

Fortalecimento da direita muda cenário regional

A reunião acontece em um contexto de fortalecimento de governos conservadores na América Latina. Esse movimento tem reduzido o protagonismo de organismos de integração regional, como a Unasul e a Celac, enquanto o Mercosul permanece como principal espaço de articulação econômica entre os países sul-americanos.

O cenário político ganhou novos contornos com o avanço de lideranças de direita na região, ampliando o bloco de governos com perfil mais conservador e influenciando o ambiente das negociações diplomáticas.

Acordo Mercosul-UE continua no centro das discussões

O principal tema da cúpula continua sendo o acordo Mercosul-União Europeia, considerado estratégico para ampliar o comércio entre os dois mercados.

Embora o tratado esteja em vigor de forma provisória desde maio, sua implementação definitiva ainda depende da aprovação do Tribunal de Justiça e do Parlamento europeu. O processo enfrenta resistência de setores políticos e econômicos em alguns países da Europa.

A expectativa é de que as conversas em Assunção contribuam para acelerar esse processo e reforcem o compromisso dos integrantes do bloco com a ampliação das relações comerciais internacionais.

Japão pode iniciar negociações com o Mercosul

Outro tema aguardado durante a cúpula é o anúncio oficial da abertura das negociações para um futuro acordo comercial entre Mercosul e Japão.

A possibilidade ganhou força neste mês após o encontro entre o presidente Lula e a primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, realizado paralelamente à reunião do G7, em Évian-les-Bains, na França.

Caso seja confirmada, a negociação representará mais um passo na estratégia do Mercosul de diversificar mercados e ampliar sua presença no comércio global.

Agenda bilateral ainda depende de confirmação

Em razão da rápida passagem de Lula por Assunção, a Presidência da República ainda não confirmou reuniões bilaterais durante o evento.

Mesmo assim, há expectativa de um encontro entre o presidente brasileiro e o presidente chileno, José Antonio Kast, que demonstrou interesse em conversar com Lula durante a cúpula.

FONTE: Folhapress
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/DANIEL DUARTE/AFP/JC

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Internacional

China impõe sanções a 10 empresas dos EUA em resposta a restrições americanas

A China anunciou a aplicação de sanções econômicas contra 10 empresas dos Estados Unidos, entre elas companhias dos setores de defesa, tecnologia e minerais estratégicos, como L3Harris, MP Materials e USA Rare Earths. A decisão foi divulgada nesta segunda-feira (22) e representa uma reação às recentes medidas adotadas por Washington contra empresas chinesas.

Segundo o Ministério do Comércio da China, a iniciativa responde à ampliação da chamada lista de “empresas militares chinesas” elaborada pelo governo norte-americano, classificada por Pequim como uma prática considerada prejudicial aos interesses do país.

Exportação de itens de dupla utilização está proibida

Em comunicado oficial, o governo chinês informou que as novas restrições foram adotadas com base na Lei de Controle de Exportações e no regulamento que disciplina a comercialização de itens de dupla utilização — produtos e tecnologias que podem ter aplicação tanto civil quanto militar.

Com a entrada em vigor das sanções, exportadores chineses ficam proibidos de fornecer esse tipo de material às empresas incluídas na lista. Além disso, qualquer organização ou pessoa, independentemente do país de origem, está impedida de transferir produtos de origem chinesa classificados nessa categoria para as companhias sancionadas.

O ministério determinou ainda a interrupção imediata de todas as operações de exportação que estejam em andamento envolvendo essas empresas.

Empresas ligadas ao setor de minerais e defesa estão entre as afetadas

Além da USA Rare Earth, que anunciou em abril a aquisição da brasileira Serra Verde, a lista de empresas atingidas inclui Aveox, Teal Drones, Red Cat, Imsar, Jaia Robotics, Ball Aerospace & Technologies, Oshkosh Defense, L3Harris Maritime Services e MP Materials.

As companhias atuam em segmentos considerados estratégicos, como defesa, tecnologia militar, mineração de terras raras e desenvolvimento de equipamentos de alta tecnologia.

Mercado reage às sanções chinesas

A decisão repercutiu nos mercados financeiros dos Estados Unidos. Entre as empresas listadas na Bolsa de Nova York (NYSE), as ações da Red Cat encerraram o pregão com queda de 7%, enquanto os papéis da Imsar recuaram 7,5%.

A USA Rare Earth perdeu 2,11% de seu valor de mercado, a L3Harris registrou baixa de 3,05% e a MP Materials fechou em queda de 0,97%.

Na contramão, a Oshkosh Corporation, fabricante de caminhões especiais utilizados em aeroportos, operações industriais, combate a incêndios e aplicações militares, apresentou valorização de 1,98% no mesmo período.

As novas restrições ampliam as tensões comerciais entre China e Estados Unidos, especialmente em setores ligados à segurança nacional, tecnologia e fornecimento de matérias-primas estratégicas.

FONTE: Infomoney
TEXTO: Redação
IMAGEM: Pixabay

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Internacional

Estreito de Ormuz: ONU suspende operação de evacuação de navios após ataque no Golfo de Omã

A Organização Marítima Internacional (IMO), agência especializada da ONU para o setor marítimo, suspendeu temporariamente a operação de evacuação de navios que cruzam o Estreito de Ormuz. A decisão foi anunciada nesta quinta-feira (25), após o ataque a uma embarcação no Golfo de Omã, aumentando as preocupações com a segurança da navegação na região.

Segundo o secretário-geral da IMO, Arsenio Dominguez, o navio atingido não integrava o esquema de evacuação organizado pela agência. Mesmo assim, a ocorrência levou à revisão das condições de segurança antes da continuidade da operação.

Segurança das rotas será reavaliada

Em comunicado, Dominguez informou que a suspensão tem como objetivo confirmar se permanecem válidas as garantias de proteção para as embarcações incluídas no plano de retirada, além dos demais navios que operam na área.

A iniciativa foi lançada na última terça-feira e previa a saída voluntária de centenas de navios e milhares de tripulantes do Golfo por meio de duas rotas alternativas: uma passando por águas iranianas e outra por águas de Omã, esta última sob supervisão dos Estados Unidos.

Ataque reacende preocupação com o fluxo marítimo

A medida ocorre após um suposto ataque ao cargueiro Ever Lovely, de bandeira de Singapura, que navegava pela rota próxima ao litoral de Omã. O episódio voltou a colocar em dúvida a segurança do Estreito de Ormuz, uma das principais rotas estratégicas para o transporte global de petróleo.

O incidente acontece em um momento de intenso movimento na região, com o fluxo de petróleo atingindo o maior nível desde o início do conflito registrado em 28 de fevereiro.

Irã e Estados Unidos divergem sobre controle da passagem

Também nesta quinta-feira, a Guarda Revolucionária do Irã reiterou que as embarcações devem coordenar sua passagem pelo estreito com as autoridades iranianas.

Do lado norte-americano, o secretário de Estado, Marco Rubio, afirmou que o Irã não deve impedir a livre navegação na região. Segundo ele, nenhum país tem o direito de cobrar pelo uso de hidrovias internacionais ou impor tarifas como condição para a passagem de navios.

Teerã avalia cobrança por navegação, segundo imprensa

De acordo com informações divulgadas pela imprensa dos Estados Unidos, com base em fontes ligadas ao governo iraniano, Teerã estuda implementar um sistema de taxas de segurança e administração para navios que utilizam o Estreito de Ormuz. A expectativa seria arrecadar até US$ 40 bilhões por ano, em um modelo semelhante ao adotado pela Turquia no estreito de Dardanelos.

Marco Rubio alertou que qualquer tentativa de bloquear ou restringir a circulação de embarcações poderá ampliar as tensões na região e gerar novos impactos sobre o comércio marítimo internacional.

FONTE: Valor Econômico
TEXTO: Redação
IMAGEM: REUTERS/Mohammed Aty/Foto de Arquivo

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Internacional

Tarifas dos EUA sobre ferro-gusa podem levar à paralisação de mais da metade das usinas brasileiras

A possível elevação das tarifas dos EUA sobre o ferro-gusa brasileiro preocupa a indústria nacional e pode provocar impactos expressivos na cadeia siderúrgica. O governo norte-americano propôs uma tarifa de 25%, acrescida de uma taxa adicional de 12,5%, o que elevaria a cobrança total para até 37,5%.

A proposta será debatida em audiências públicas marcadas para o dia 6 de julho, enquanto a decisão definitiva está prevista para ser anunciada em 15 de julho.

SINDIFER-MG participará das discussões nos Estados Unidos

Diante do cenário, o SINDIFER-MG acompanhará presencialmente o processo de avaliação das novas medidas. A entidade pretende participar das audiências nos Estados Unidos para defender os interesses da indústria brasileira e monitorar os possíveis desdobramentos das mudanças tarifárias.

Ferro-gusa é estratégico para a cadeia do aço

Segundo a FIEMG, o ferro-gusa é um insumo essencial para a fabricação de aço e ferro fundido, desempenhando papel fundamental em toda a cadeia da metalurgia. O Brasil figura entre os principais exportadores mundiais do produto, tendo os Estados Unidos como seu maior comprador, o que reforça a importância do mercado norte-americano para o setor.

Estudo aponta risco de paralisação de 55% das usinas

Levantamento realizado pelo SINDIFER-MG indica que, caso as novas tarifas sejam aprovadas, cerca de 55% das usinas brasileiras poderão interromper suas operações. A medida pode comprometer a competitividade da indústria, reduzir a atividade econômica e afetar diretamente o Produto Interno Bruto (PIB).

Minas Gerais concentra a maior parte da produção nacional de ferro-gusa, com 48 usinas e 63 fornos em operação. A capacidade instalada no estado alcança aproximadamente 420 mil toneladas por mês, o equivalente a cerca de 70% da produção brasileira.

Exportações para os EUA concentram grande parte da produção

Em 2025, o Brasil produziu cerca de 5,4 milhões de toneladas de ferro-gusa, sendo quase 70% desse volume originado em Minas Gerais. Aproximadamente 75% da produção nacional foi destinada ao mercado externo, e mais de 80% das exportações tiveram como destino os Estados Unidos.

Para o presidente do SINDIFER-MG, Fausto Varela, a adoção das novas tarifas poderá gerar efeitos em toda a economia brasileira, especialmente em Minas Gerais, com reflexos sobre empregos, investimentos e entrada de divisas.

Impactos podem atingir emprego, investimentos e competitividade

Caso a proposta seja confirmada, o setor prevê uma série de consequências, incluindo a paralisação de usinas, redução de postos de trabalho, queda na atividade econômica e perda de competitividade da indústria brasileira no mercado internacional.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/US Embassy

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