Internacional

Air Tanzania suspende voos para Moscou após alerta de segurança de Zelensky

A Air Tanzania anunciou a suspensão temporária dos voos entre Dar es Salaam, capital da Tanzânia, e Moscou, na Rússia. A medida começa nesta sexta-feira (4) e ocorre poucos dias depois de o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, alertar que o espaço aéreo russo apresenta riscos para a aviação civil.

A companhia informou, em publicação no Facebook, que a decisão foi tomada após uma “avaliação de risco de rotina do ambiente operacional ao longo da rota”.

A Air Tanzania é a primeira empresa aérea a anunciar publicamente a suspensão de uma rota para a Rússia após os recentes alertas feitos por Zelensky.

Zelensky alerta para avanço de drones ucranianos na Rússia

Durante os comentários desta semana, Zelensky afirmou que as ações militares da Ucrânia têm como alvo instalações militares russas e que não representam uma ameaça deliberada às aeronaves civis.

O presidente ucraniano, porém, destacou que o aumento da presença de drones ucranianos no espaço aéreo da Rússia deveria ser considerado pelas companhias e autoridades responsáveis pela segurança da aviação.

Em uma carta enviada ao presidente da Organização da Aviação Civil Internacional (OACI), Juan Carlos Salazar, o ministro da Infraestrutura da Ucrânia, Mykola Kalashnyk, defendeu medidas para reduzir o risco de acidentes envolvendo aeronaves civis.

Segundo a correspondência, Kiev pediu que a OACI estimule governos e companhias aéreas a adotar medidas de proteção à aviação civil, incluindo a possibilidade de uma proibição completa de voos civis sobre o território russo por parte dos países membros da organização.

Companhias ocidentais já evitam o espaço aéreo russo

Desde o início da invasão russa em larga escala da Ucrânia, em 2022, empresas aéreas dos Estados Unidos e da Europa deixaram de utilizar o espaço aéreo da Rússia.

A região, contudo, continua sendo usada por companhias de países como China, Turquia, Emirados Árabes Unidos e outras nações do Golfo.

A OACI reúne 193 países e não possui autoridade para impor diretamente regras às nações integrantes. Ainda assim, suas decisões e recomendações exercem influência sobre as políticas adotadas pelas autoridades nacionais de aviação.

Com sede em Montreal, no Canadá, a agência das Nações Unidas estabelece, por meio de consenso, padrões internacionais relacionados à segurança e à operação da aviação.

OACI alerta para risco crescente em zonas de conflito

Na quarta-feira (2), a OACI divulgou um comunicado alertando para o aumento do risco de armas atingirem aeronaves comerciais. A organização pediu que os países adotem compromissos mais firmes para proteger a aviação civil em regiões afetadas por conflitos.

A entidade afirmou que acompanha uma elevação nos riscos de aeronaves civis serem atingidas diretamente ou sofrerem os efeitos de confrontos armados.

De acordo com a organização, as companhias aéreas conseguem alterar rotas e manter operações mesmo durante conflitos, mas essa capacidade não elimina o risco estrutural representado por áreas de guerra.

Drones e mísseis já provocaram interrupções em aeroportos russos

A consultoria especializada em riscos para a aviação Osprey Flight Solutions avaliou que ataques ucranianos com drones e mísseis já demonstraram capacidade de atingir diferentes áreas do território russo.

Segundo a empresa, essas ofensivas têm provocado fechamentos de aeroportos e cancelamentos de voos.

A consultoria também afirmou que os recentes comentários de Zelensky tornam público um tipo de ação que, segundo sua avaliação, a Ucrânia já vem realizando há meses contra o funcionamento do espaço aéreo russo.

Rússia acusa Ucrânia de terrorismo de Estado

O presidente russo, Vladimir Putin, classificou as declarações de Zelensky como uma forma de “terrorismo de Estado”.

O governo de Moscou, por sua vez, afirmou que pretende adotar medidas para evitar interrupções na aviação civil russa.

A preocupação com a segurança das rotas aéreas sobre a região ganhou força após um acidente envolvendo a Azerbaijan Airlines.

Acidente com avião da Azerbaijan Airlines aumentou preocupação

Em 2024, 38 pessoas morreram depois que uma aeronave da Azerbaijan Airlines, que seguia para Grozny, na Rússia, precisou fazer um pouso forçado no Cazaquistão após sair de sua rota.

Posteriormente, Putin afirmou que dois mísseis russos haviam explodido nas proximidades do avião depois que drones ucranianos entraram no espaço aéreo russo.

O episódio reforçou as preocupações internacionais sobre os riscos enfrentados por aeronaves civis que operam próximas a áreas de conflito.

Ucrânia mantém espaço aéreo fechado para voos civis

A Ucrânia mantém seu espaço aéreo fechado à aviação civil desde fevereiro de 2022, quando a Rússia iniciou a invasão em larga escala do país.

A decisão foi tomada diante dos ataques com mísseis e da ausência de condições consideradas seguras para o tráfego comercial.

Desde então, os aeroportos ucranianos permanecem fechados para voos comerciais. A SkyUp, apontada como a única companhia aérea ucraniana ainda em operação, passou a atuar a partir da vizinha Moldávia.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM:  Pool/Getty Images

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Internacional

Estreito de Ormuz fechado: produtores de petróleo buscam oleodutos alternativos para manter exportações

O prolongamento do fechamento do Estreito de Ormuz está levando grandes produtores de petróleo e gás do Oriente Médio a acelerar a busca por rotas alternativas de exportação. Iraque, Kuwait e Qatar estão entre os países mais expostos à interrupção do tráfego na passagem estratégica, enquanto Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos trabalham para ampliar a capacidade de seus oleodutos de desvio.

O Japão, que depende fortemente do petróleo produzido na região, também pretende apoiar iniciativas para reduzir os efeitos do bloqueio sobre o comércio internacional de energia.

Iraque avalia novas rotas para exportar petróleo

O Iraque aparece entre os países com maior potencial para ampliar suas alternativas de escoamento. Em julho, o Departamento de Estado dos Estados Unidos anunciou um plano para recuperar um oleoduto que conecta a região central iraquiana ao porto de Baniyas, na Síria.

Caso seja reativada, a infraestrutura permitiria transportar petróleo iraquiano até o Mediterrâneo sem utilizar o Estreito de Ormuz. A Chevron, uma das maiores empresas petrolíferas dos Estados Unidos, estaria envolvida em um estudo de viabilidade do projeto.

Com produção superior a 4 milhões de barris por dia, o Iraque é o segundo maior produtor da Opep, atrás apenas da Arábia Saudita. Grande parte do petróleo produzido nos enormes campos do sul do país precisa atravessar o Estreito de Ormuz para chegar aos mercados internacionais.

A história do oleoduto entre Iraque e Síria, porém, é marcada por conflitos. Construído nos anos 1950, o sistema deixou de funcionar em 1982, depois da deterioração das relações entre os dois países. Embora tenha sido parcialmente recuperado posteriormente, voltou a ser interrompido em 2003, durante a Guerra do Iraque.

Desde então, guerras, instabilidade política e a guerra civil síria mantiveram a estrutura inativa por mais de duas décadas.

Síria deixa lista de Estados patrocinadores do terrorismo

Um possível fator de mudança no cenário ocorreu em 24 de agosto, quando os Estados Unidos retiraram a Síria da lista de Estados patrocinadores do terrorismo.

A classificação permanecia em vigor havia quase 50 anos e representava um dos obstáculos políticos para projetos de infraestrutura envolvendo o território sírio.

Além da rota para o Mediterrâneo, o Iraque analisa outras possibilidades. Entre elas está a ampliação do uso do oleoduto que leva petróleo dos campos do norte até Ceyhan, na Turquia.

Também está em avaliação uma rota independente com destino a Aqaba, na Jordânia, o que aumentaria as opções de exportação iraquianas.

Kuwait tem menos alternativas para escoar petróleo

A situação é mais delicada para o Kuwait. Diferentemente da Arábia Saudita e dos Emirados Árabes Unidos, o país não dispõe atualmente de um sistema de oleodutos capaz de desviar suas exportações para fora do Estreito de Ormuz.

O ministro do Petróleo kuwaitiano, Tariq Sulaiman Al-Roumi, afirmou recentemente que, enquanto a passagem permanecer fechada, as exportações de petróleo do país poderão chegar a zero.

Diante desse cenário, o Kuwait busca acordos com os países vizinhos. Uma das possibilidades estudadas é a conexão com o oleoduto saudita que atravessa o território do Golfo Pérsico até o Mar Vermelho.

Outra alternativa seria utilizar o sistema de oleodutos dos Emirados Árabes Unidos, que permite transportar petróleo para pontos de embarque localizados além do Estreito de Ormuz.

Qatar enfrenta risco ainda maior no mercado de gás

O Qatar está diante de um problema particularmente grave porque sua economia energética depende muito mais do gás natural do que do petróleo.

O país abriga o maior complexo de produção de gás natural liquefeito (GNL) do mundo, mas praticamente toda a sua exportação passa pelo Estreito de Ormuz.

Desde o início do conflito militar entre Estados Unidos e Irã, em fevereiro, os embarques de gás do Qatar praticamente pararam. A situação elevou o temor de uma interrupção prolongada no fornecimento global de energia.

Para cumprir contratos com compradores do Japão e da Coreia do Sul, a estatal QatarEnergy recorreu ao mercado à vista e comprou dos Estados Unidos uma quantidade de GNL equivalente à carga de 33 navios-tanque, segundo a Reuters.

Sem uma alternativa operacional para exportar o produto, Doha passou a considerar a retomada da navegação segura pelo Estreito de Ormuz como prioridade.

O Qatar também ganhou protagonismo nas tentativas de mediação entre Washington e Teerã, buscando contribuir para uma solução diplomática que permita a normalização do tráfego.

Arábia Saudita e Emirados ampliam oleodutos

Enquanto países como Iraque, Kuwait e Qatar procuram novas opções, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos já possuem infraestruturas capazes de reduzir sua dependência do Estreito de Ormuz.

Os Emirados começaram a ampliar o oleoduto que transporta petróleo de uma área próxima a Abu Dhabi até Fujairah, no Golfo de Omã. O porto está localizado fora do estreito e permite o embarque do petróleo diretamente para o mercado internacional.

A Arábia Saudita, por sua vez, planeja aumentar a capacidade do oleoduto Leste-Oeste, responsável por conectar áreas produtoras no Golfo Pérsico ao Mar Vermelho.

Japão vê rotas alternativas como questão estratégica

Para o Japão, a ampliação dessas alternativas é especialmente relevante. O país compra mais de 80% do petróleo bruto consumido internamente da Arábia Saudita e dos Emirados Árabes Unidos.

Iraque, Kuwait e Qatar, juntos, enviam aproximadamente 5 milhões de barris de petróleo por dia pelo Estreito de Ormuz. O volume corresponde a cerca de um quarto de todo o petróleo bruto transportado pela rota.

No caso do Qatar, o impacto é ainda maior no mercado de gás: o país responde por aproximadamente 20% da demanda mundial por GNL.

Quanto mais tempo durar a interrupção da navegação, maior tende a ser o impacto sobre os preços, o abastecimento e a economia global.

Japão pode ampliar cooperação com produtores do Golfo

Além da dependência energética, Japão e os três países mantêm relações econômicas construídas ao longo de décadas.

Empresas japonesas participaram de diversos projetos de infraestrutura, energia e indústria no Iraque, Kuwait e Qatar, muitos dos quais permanecem em funcionamento.

Nesse contexto, apoiar a criação ou expansão de rotas de exportação pode representar para Tóquio não apenas uma medida de segurança energética, mas também uma oportunidade para fortalecer sua presença econômica no Oriente Médio.

Rotas alternativas também estão expostas a ataques

Apesar das vantagens, os oleodutos alternativos não eliminam os riscos geopolíticos da região.

Em abril, por exemplo, o oleoduto Leste-Oeste da Arábia Saudita foi atingido por drones iranianos. O ataque danificou instalações de bombeamento responsáveis por manter a pressão necessária para o transporte do petróleo.

O terminal de Fujairah, nos Emirados Árabes Unidos, também já foi alvo recorrente de ataques.

Os episódios mostram que simplesmente deslocar as rotas de exportação para fora do Estreito de Ormuz não garante segurança absoluta.

Ainda assim, a expansão dessas estruturas pode ajudar a preservar parte do fluxo de petróleo e gás e reduzir a pressão sobre os mercados globais de energia.

Para o Japão, que depende da região para mais de 90% de suas importações de petróleo bruto, apoiar investimentos em alternativas ao Estreito de Ormuz pode ser uma estratégia importante para reforçar sua segurança energética.

FONTE: Valor Econômico
TEXTO: Redação
IMAGEM: Bloomberg

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Internacional

Índia apreende alimentos com datas de validade e rótulos nutricionais falsificados

Autoridades da Índia desarticularam em Mumbai uma operação clandestina que alterava datas de fabricação e validade e modificava informações nutricionais de alimentos produzidos originalmente por grandes multinacionais. Os produtos de empresas como PepsiCo, Nestlé, Coca-Cola e Unilever seriam posteriormente enviados para outros países.

A operação ocorreu em um galpão localizado na região industrial de Navi Mumbai, a cerca de 25 quilômetros do aeroporto internacional da cidade. Durante seis dias de investigação, fiscais de alimentos apreenderam mercadorias avaliadas em aproximadamente US$ 80 mil.

A inspeção também identificou produtos químicos utilizados para remover informações originais das embalagens, além de equipamentos empregados para imprimir e aplicar novos rótulos.

Produtos de grandes marcas estavam no galpão

Entre os itens encontrados estavam produtos como batatas Lay’s, salgadinhos Kurkure, macarrão Maggi, sopa Knorr, maionese Hellmann’s e latas de Thums Up e Limca.

De acordo com as autoridades, grande parte dos alimentos estava vencida ou próxima do vencimento. A suspeita é de que as informações das embalagens fossem modificadas para permitir a comercialização dos produtos em mercados estrangeiros.

O caso foi descoberto durante uma ação de fiscalização do estado de Maharashtra, cuja capital é Mumbai. A operação faz parte de uma ofensiva mais ampla de segurança alimentar conduzida pela administração estadual.

Datas originais eram apagadas e substituídas

No interior do depósito, fiscais encontraram produtos químicos que, segundo as autoridades, eram usados para apagar as datas impressas originalmente nas embalagens.

Depois, trabalhadores inseriam novas informações por meio de um computador e utilizavam máquinas para imprimir os dados falsificados e aplicá-los nos produtos.

Segundo documentos policiais, as datas originais de fabricação e validade eram raspadas ou removidas antes de receberem novas informações.

O estabelecimento era administrado pela empresa privada Sadhana Enterprises. De acordo com informações divulgadas pelo governo estadual e registradas em documento policial, o proprietário afirmou que o serviço era realizado para 19 exportadores pouco conhecidos.

Produtos seriam destinados ao mercado externo

As autoridades informaram que toda a mercadoria localizada no depósito estava destinada à exportação, embora não tenham identificado quais países receberiam os produtos.

Entre os materiais encontrados havia rótulos em inglês e francês, indicando que parte dos alimentos poderia ser preparada para mercados internacionais com diferentes exigências de rotulagem.

Um exemplo foi uma embalagem de Kurkure com informações nutricionais nos dois idiomas.

Rótulos nutricionais também eram alterados

Além das datas, a investigação identificou modificações nos rótulos nutricionais e listas de ingredientes.

Em algumas embalagens de macarrão Maggi, por exemplo, foram encontrados rótulos falsificados colados sobre as informações originais. Uma das versões apresentava o produto como de origem indiana e estava preparada para exportação.

Em outro caso, um rótulo de Kurkure em inglês e francês apresentava alterações na composição declarada. A quantidade de cereais indicada nos ingredientes havia sido reduzida em 10%, enquanto valores de calorias e tamanho das porções também foram modificados.

Segundo as autoridades, as mudanças aparentavam ter como objetivo adequar os produtos às regras de rotulagem e exigências sanitárias de outros países.

Investigação não aponta envolvimento das multinacionais

O processo policial não acusa PepsiCo, Nestlé, Coca-Cola ou Unilever de participação na fraude. As empresas foram procuradas para comentar o caso, mas não haviam respondido às solicitações de informações até a publicação da reportagem.

O responsável pela administração estadual de alimentos de Maharashtra, Tukaram Mundhe, defendeu maior responsabilidade de todos os participantes da cadeia de fornecimento.

Para ele, fabricantes e demais empresas envolvidas precisam garantir que embalagens, marcas e comercialização estejam de acordo com as normas aplicáveis.

Também não havia confirmação, até então, sobre eventuais prisões relacionadas ao caso.

Fiscalização de alimentos é ampliada na Índia

A Índia enfrenta desafios históricos na aplicação das normas de segurança alimentar. As ações de fiscalização frequentemente se concentram em casos de adulteração, especialmente envolvendo produtos lácteos.

Em Maharashtra, a fiscalização ganhou maior intensidade sob a atual administração da Food and Drug Administration. O trabalho inclui inspeções sem aviso prévio em estabelecimentos comerciais e de alimentação.

De acordo com Mundhe, os investigadores chegaram a encontrar embalagens com uma suposta data de fabricação futura — 2 de outubro de 2026 — entre os materiais armazenados no galpão.

O caso chama atenção para os riscos de alterações clandestinas em produtos destinados ao comércio internacional e para a necessidade de maior controle sobre a cadeia de exportação de alimentos.

FONTE: Reuters
TEXTO: Redação
IMAGEM: REUTERS/Francis Mascarenhas

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Internacional

Missão à China e Singapura amplia interesse asiático em projetos de infraestrutura do Brasil

A missão internacional do ministro de Portos e Aeroportos, Tomé Franca, terminou nesta sexta-feira (28), em Singapura, com avaliação positiva sobre o interesse de empresas e investidores asiáticos na infraestrutura brasileira.

Iniciada na China, a agenda passou por Pequim e Xangai antes de chegar a Singapura. Durante a viagem, o ministro apresentou a carteira de projetos do Ministério de Portos e Aeroportos (MPor) e discutiu possibilidades de investimentos nos setores portuário, aeroportuário e hidroviário, incluindo empreendimentos previstos para 2026 e 2027.

Ambiente brasileiro atrai investidores asiáticos

Na avaliação de Tomé Franca, o interesse demonstrado pelas empresas está relacionado à segurança institucional e regulatória oferecida pelo Brasil, além da qualidade dos projetos apresentados pelo governo.

Segundo o ministro, a estruturação de empreendimentos capazes de atender às necessidades de infraestrutura do País é um dos fatores que contribuem para tornar o mercado brasileiro mais atrativo aos investidores internacionais.

Franca também destacou que a expansão dos investimentos precisa estar apoiada em um planejamento de longo prazo. Nesse contexto, o Plano Nacional de Logística (PNL) 2050 estabelece diretrizes para o desenvolvimento da infraestrutura de transportes nas próximas décadas.

A proposta é utilizar o planejamento para orientar projetos e promover maior integração entre os diferentes modais de transporte, aumentando a eficiência da logística nacional.

Empresas chinesas avaliam projetos brasileiros

Durante a passagem pela China, representantes do governo brasileiro participaram de reuniões com grandes empresas e instituições financeiras asiáticas.

Entre os grupos que estiveram na agenda estão a CSCEC, CCCC, China Merchants Port Holdings, COFCO, Hutchison Ports, Shanghai Dredging Company e COSCO Shipping. O ministro também se reuniu com representantes do Novo Banco de Desenvolvimento (NDB), instituição financeira ligada ao Brics.

A carteira apresentada pelo MPor reúne projetos de concessões portuárias e hidroviárias, além de iniciativas destinadas à expansão da infraestrutura aeroportuária.

No setor hidroviário, estão previstos seis projetos envolvendo as hidrovias dos rios Madeira, Tapajós, Tocantins e Paraguai, além da Hidrovia Verde e do sistema Lagoa Mirim.

A lista também contempla concessões dos canais de acesso aos portos de Rio Grande, Santos e Itajaí.

PSA International mantém presença no Brasil

Em Singapura, Tomé Franca se reuniu com executivos da PSA International, uma das maiores operadoras portuárias e empresas de logística do mundo.

A companhia movimentou mais de 105 milhões de TEUs em 2025 e possui operações no Brasil por meio da Exologística Brasil, em Itajaí, Santa Catarina.

O encontro serviu para ampliar o diálogo com uma empresa que já atua no País e discutir novas possibilidades relacionadas ao desenvolvimento da logística portuária.

Porto de Tuas mostra operação portuária automatizada

Ainda em Singapura, o ministro visitou o Porto de Tuas, administrado pela PSA International. Durante a visita técnica, conheceu uma operação portuária com alto nível de automação.

O projeto tem conclusão prevista para 2040 e deverá alcançar capacidade de movimentação de até 65 milhões de TEUs por ano.

A estrutura incorpora tecnologias de automação, digitalização e sustentabilidade. O terminal também está sendo preparado para receber os maiores navios porta-contêineres do mundo e enfrentar impactos relacionados à elevação do nível do mar.

Entre as soluções previstas está o reaproveitamento de materiais provenientes de atividades de dragagem e escavação.

Brasil e Singapura firmam acordo para corredor verde e digital

A agenda em Singapura também resultou na assinatura de um Memorando de Entendimento entre o MPor, a Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) e o Ministério dos Transportes de Singapura.

O acordo estabelece uma estrutura de cooperação para a criação de um Corredor Verde e Digital de Navegação entre os dois países.

A iniciativa prevê ações voltadas à descarbonização e digitalização do transporte marítimo, incluindo estudos sobre combustíveis com baixa ou nenhuma emissão de gases de efeito estufa.

Também estão previstas atividades de pesquisa e desenvolvimento, avaliação de instrumentos financeiros e intercâmbio de informações entre as instituições envolvidas.

Governo avalia missão como positiva

No balanço da viagem, Tomé Franca afirmou que a missão permitiu estreitar o relacionamento com empresas asiáticas que já possuem negócios no Brasil e, ao mesmo tempo, apresentar a novos investidores as oportunidades disponíveis na carteira do MPor.

A avaliação do ministro é de que a agenda abriu espaço para novas parcerias e reforçou o potencial brasileiro para atrair capital estrangeiro destinado à modernização da infraestrutura de transportes.

Para o governo, a aproximação com investidores asiáticos pode contribuir para ampliar a capacidade logística do Brasil e acelerar projetos considerados estratégicos para os próximos anos.

FONTE: Ministério de Portos e Aeroportos
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/MPor

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Internacional

China amplia presença militar ao redor de Taiwan e ilha reforça defesa com drones

A China intensificou a pressão sobre Taiwan ao ampliar de forma significativa a presença de embarcações governamentais nas águas próximas à ilha. Em julho, um número recorde de navios da Guarda Costeira chinesa, barcos de pesquisa científica e outras embarcações oficiais foi identificado na região.

Dados oficiais compartilhados com a agência AFP apontam que 244 embarcações chinesas foram detectadas ao redor de Taiwan durante o mês. A média equivale a cerca de oito navios por dia.

Presença chinesa cresce rapidamente

O volume registrado em julho representa uma forte alta em comparação com os meses anteriores. Em junho, foram identificadas 55 embarcações, enquanto maio teve 30 registros.

A movimentação continuou em agosto. Apenas nos primeiros 21 dias do mês, 152 navios chineses foram detectados nas proximidades de Taiwan. Desde maio, o número acumulado chegou a 1.247 embarcações ao redor da ilha e de seus territórios periféricos.

Entre os navios identificados em julho, aproximadamente 60% pertenciam à Guarda Costeira da China. As demais embarcações eram, em sua maioria, navios de pesquisa ou outros meios vinculados ao governo chinês.

Um alto funcionário da Guarda Costeira de Taiwan, que falou à AFP sob condição de anonimato, afirmou que o aumento da atividade chinesa demonstra o agravamento do cenário.

Navios de pesquisa geram preocupação militar

A intensificação da presença chinesa também levanta preocupações sobre possíveis preparativos para operações militares. Além de um eventual bloqueio naval, que poderia comprometer a entrada de petróleo, alimentos e outros produtos essenciais nos portos taiwaneses, a atuação de navios oceanográficos chama atenção das autoridades.

A Guarda Costeira de Taiwan estima que a China possua mais de 120 navios de pesquisa oceanográfica. Cerca de 41 deles estariam sendo monitorados em áreas próximas à ilha.

Os dados coletados por essas embarcações, como informações sobre o fundo do mar, correntes marítimas e condições oceânicas, podem ter utilidade estratégica em futuras operações navais, especialmente em ações envolvendo submarinos.

Tensão entre China e Taiwan permanece

Pequim considera Taiwan parte de seu território e não descarta o uso da força para assumir o controle da ilha. A relação entre os dois lados é marcada por décadas de tensão, que se intensificou a partir de 2016, quando o Partido Progressista Democrático (DPP) chegou ao poder em Taiwan.

O aumento das atividades marítimas chinesas ocorre, portanto, em um contexto de crescente preocupação com a possibilidade de uma crise militar no Estreito de Taiwan.

Taiwan aprova investimento bilionário em drones

Como parte da resposta à pressão chinesa, o Parlamento de Taiwan aprovou na quinta-feira, 27, um orçamento de US$ 7,5 bilhões, equivalente a aproximadamente R$ 38 bilhões, destinado à aquisição de drones produzidos localmente.

A medida teve o respaldo dos principais partidos de oposição, o Kuomintang (KMT) e o Partido Popular Taiwanês (TPP).

Nos últimos anos, Taiwan vem ampliando os gastos com defesa nacional e fortalecendo sua indústria militar. A estratégia busca aumentar a capacidade doméstica de fabricação de armas, equipamentos e munições diante da possibilidade de um conflito.

Indústria de defesa também passa por mudanças

No fim de julho, o Ministério da Defesa de Taiwan informou que o país pretende testar medidas para transferir linhas de produção de armamentos e adaptar fábricas civis para atividades militares.

A iniciativa tem como objetivo garantir a continuidade da produção mesmo em um cenário de ataques chineses contra instalações industriais e centros de fabricação de equipamentos de defesa.

O movimento mostra que, além de reforçar sua capacidade militar, Taiwan busca aumentar a resiliência de sua indústria de defesa diante de uma eventual escalada das tensões com Pequim.

FONTE: Veja
TEXTO: Redação
IMAGEM: TED ALJIBE/AFP/Getty Images

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Internacional

Empresa chinesa Gulf Resources anuncia entrada no mercado de lítio e terras raras no Brasil

A chinesa Gulf Resources, produtora de bromo e sal bruto com ações negociadas na Nasdaq, anunciou na quarta-feira (26) um acordo para iniciar operações no setor mineral brasileiro. A estratégia prevê atuação em ativos de lítio, terras raras, bromo e outros minerais.

A companhia firmou, em 20 de agosto, um acordo de cooperação estratégica com a brasileira Montes Verdes Participações. A proposta é criar uma joint venture que combine os ativos minerais da empresa brasileira com a tecnologia, a experiência industrial e a estrutura comercial da Gulf Resources.

Até o momento, as companhias não divulgaram o valor que será aplicado no negócio, a participação de cada sócia na nova empresa nem quais projetos brasileiros farão parte da operação. Segundo a Gulf Resources, as negociações sobre os termos da parceria ainda estão em andamento.

Montes Verdes reúne ativos de diferentes minerais

De acordo com o comunicado da empresa chinesa, a Montes Verdes atua na exploração de ouro, manganês, lítio, bromo e terras raras.

A Gulf Resources afirma que os recursos minerais da companhia brasileira poderão ser desenvolvidos a partir da aplicação de sua experiência tecnológica e industrial.

Apesar do anúncio, ainda não foram informados quais projetos de terras raras no Brasil poderão integrar a futura joint venture. Também não há detalhes públicos sobre reservas, recursos minerais ou possíveis cronogramas de produção.

Parceria mira expansão internacional

A criação da joint venture faz parte da estratégia da Gulf Resources para ampliar sua presença fora da China. Atualmente, os negócios da companhia estão concentrados principalmente no mercado doméstico chinês.

A expectativa é unir os recursos minerais brasileiros à tecnologia, capacidade operacional e canais de comercialização da empresa chinesa, criando novas oportunidades de negócios em mercados internacionais.

A parceria também representa uma tentativa de diversificação das fontes de receita da Gulf Resources e de expansão de sua atuação em segmentos considerados estratégicos para a indústria global, como lítio e terras raras.

Meta de US$ 180 milhões em receitas em 2027

O acordo estabelece uma meta de crescimento para as operações que deverão ser incorporadas à estrutura da Gulf Resources.

Segundo o comunicado, a Montes Verdes garantiu que os negócios consolidados pela companhia chinesa deverão alcançar pelo menos US$ 180 milhões em receita em 2027.

O valor não corresponde, portanto, ao montante que será investido pela Gulf Resources no Brasil. Trata-se de uma projeção mínima de faturamento para as atividades que poderão ser integradas à empresa.

O planejamento prevê ainda crescimento anual de pelo menos 20% na receita durante os cinco anos seguintes.

As companhias, entretanto, não especificaram quais operações ou ativos deverão gerar esse volume de negócios já no próximo ano.

Gulf Resources quer reduzir dependência da China

A expansão para o Brasil está inserida em um plano mais amplo de internacionalização da Gulf Resources.

A empresa informou que pretende diminuir a dependência das operações realizadas na China e aumentar a geração de caixa proveniente de outros mercados.

No comunicado, a companhia também reconheceu que sua condição de empresa chinesa listada nos Estados Unidos e com forte concentração de negócios no mercado doméstico contribuiu para o desempenho negativo de suas ações nos últimos anos.

Com a recuperação dos preços do bromo, a Gulf Resources afirma identificar oportunidades para ampliar sua presença internacional.

Produção no Brasil ainda não tem data

A empresa chinesa avalia que a parceria com a Montes Verdes poderá abrir espaço para negócios envolvendo bromo, sal bruto, lítio e outros minerais, além de ampliar a geração de caixa fora da China.

Ainda não há, porém, uma previsão para a constituição formal da joint venture.

Também permanecem sem definição os ativos brasileiros que serão transferidos para a nova empresa e a data para eventual início da produção mineral no Brasil.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/CNN

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Internacional

Algodão sobe em Nova York e dezembro de 2026 fecha a 89,14 cents por libra

Os preços do algodão reagiram nesta quarta-feira (26) na Bolsa de Nova York e recuperaram parte das perdas registradas na sessão anterior. Os contratos futuros avançaram em um movimento de recuperação após a queda de terça-feira.

O vencimento dezembro/26 ganhou 0,80 centavo, alta de 0,91%, e terminou o pregão a 89,14 cents por libra-peso. O contrato outubro/26 subiu 0,69 centavo, ou 0,79%, para 87,77 cents/lb.

Entre os contratos mais longos, março/27 teve valorização de 0,84 centavo, equivalente a 0,93%, encerrando a 91,07 cents/lb. Já maio/27 avançou 0,93 centavo, alta de 1,02%, para 92,25 cents/lb.

Safra dos Estados Unidos segue abaixo do padrão

De acordo com Jack Scoville, as condições das lavouras de algodão nos Estados Unidos continuam inferiores às observadas no mesmo período do ano passado. O desenvolvimento da safra também permanece atrasado em relação à média histórica.

A fase de abertura das cápsulas de algodão já começou. Para as regiões produtoras do Delta e do Sudeste, a previsão indica chuvas de intensidade esparsa a isolada, acompanhadas por temperaturas entre quentes e muito quentes.

O comportamento do clima segue no radar dos participantes do mercado, especialmente durante uma etapa importante para a definição do potencial da produção norte-americana.

Algodão brasileiro também registra alta

No Brasil, o mercado de algodão em pluma apresentou valorização nos últimos dias, segundo o Cepea. Entre os fatores que sustentaram os preços estão a firmeza dos vendedores e a alta das referências internacionais.

Compradores que precisam repor matéria-prima no curto prazo demonstram maior disposição para fechar negócios, principalmente quando se trata de lotes com melhor qualidade.

Por outro lado, parte das indústrias continua adotando uma postura mais cautelosa. O cenário está relacionado às dificuldades enfrentadas pelo setor para repassar integralmente os custos mais elevados aos produtos manufaturados.

Preço doméstico fica abaixo da paridade de exportação

Apesar da recente recuperação dos preços, o Cepea aponta uma mudança importante na relação entre o mercado interno e o externo.

As cotações domésticas do algodão passaram a ficar aproximadamente 3% abaixo da paridade de exportação. Segundo o centro de estudos, esse cenário não era registrado desde novembro de 2025.

A combinação entre a recuperação das cotações internacionais, o comportamento da safra norte-americana e a dinâmica do mercado brasileiro mantém o preço do algodão no radar dos produtores, compradores e indústrias.

FONTE: Notícias Agrícolas
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Notícias Agrícolas

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Internacional

Açúcar fecha misto nas bolsas internacionais com sinais de menor oferta na Europa e importação da Índia

Os preços do açúcar terminaram a sessão desta quarta-feira (26) em sentidos opostos nas bolsas internacionais. Em Nova York, as cotações avançaram apoiadas por novas estimativas de queda na produção europeia. Já em Londres, o mercado recuou ao menor patamar em cerca de uma semana e meia diante da expectativa de que a Índia importe menos açúcar do que o volume autorizado pelo governo.

Na Bolsa de Nova York, o contrato com vencimento em outubro subiu 32 pontos e fechou a 17,59 centavos de dólar por libra-peso. Em Londres, o açúcar branco para outubro caiu 300 pontos, encerrando a US$ 514 por tonelada.

França prevê forte queda na produção de açúcar

O movimento positivo em Nova York ganhou força após a associação francesa de produtores de beterraba e açúcar (AIBS) sinalizar uma possível redução significativa da produção no país.

A entidade estima que a produção de açúcar da França fique mais de 20% abaixo da média registrada nos últimos cinco anos. O desempenho deve ser afetado pela combinação de seca e um período prolongado de temperaturas elevadas.

Maior produtora de açúcar da Europa, a França tem papel relevante no abastecimento regional. Uma safra menor aumenta as preocupações com a disponibilidade do produto no continente e oferece suporte aos preços internacionais.

Índia pode importar menos açúcar

Em Londres, o cenário foi diferente. As cotações permaneceram sob pressão diante da possibilidade de que a Índia reduza as importações de açúcar em relação ao limite estabelecido pelo governo.

Pessoas familiarizadas com o assunto disseram que as refinarias indianas devem direcionar aproximadamente 350 mil toneladas de açúcar ao mercado doméstico para reforçar a oferta. O volume representa apenas uma parte da cota de 1 milhão de toneladas autorizada para importação.

A autorização foi anunciada na quinta-feira (20) pela Diretoria Geral de Comércio Exterior da Índia. O governo permitiu a entrada de até 1 milhão de toneladas de açúcar bruto com isenção de impostos até 31 de outubro.

A iniciativa busca aumentar a oferta interna e conter os preços em um período de expectativa de maior consumo, impulsionado pela temporada de festas.

Importação indiana chama atenção no mercado global

A decisão ganhou relevância porque a Índia é o segundo maior produtor mundial de açúcar e tradicionalmente atua como exportadora da commodity. O país não registra importações expressivas desde a safra 2017/18.

Caso apenas uma fração da quantidade autorizada seja efetivamente comprada no exterior, o impacto sobre a demanda internacional por açúcar será menor do que o inicialmente projetado.

Esse cenário contribui para pressionar principalmente os contratos negociados em Londres, que refletem as expectativas relacionadas ao equilíbrio entre oferta e demanda no mercado global.

Açúcar corrige ganhos registrados em agosto

A queda desta quarta-feira ocorre após uma forte alta acumulada ao longo de agosto. Na quinta-feira (20), o açúcar negociado em Nova York alcançou o maior preço em 15 meses, enquanto Londres atingiu o nível mais elevado em 17 meses.

Naquele momento, o mercado era sustentado pelas perspectivas de uma oferta global mais apertada. Desde então, os contratos passaram por um movimento de correção, enquanto investidores analisam novas informações sobre produção e consumo nas principais regiões produtoras e consumidoras.

Oferta global continua no radar

Apesar da baixa registrada em Londres, as preocupações com o abastecimento mundial de açúcar continuam presentes.

Os efeitos do clima sobre as lavouras europeias permanecem como um dos principais fatores de atenção, enquanto as perspectivas para produção e consumo na Índia adicionam incertezas ao cenário internacional.

Com isso, o mercado segue dividido entre os sinais de menor oferta em importantes regiões produtoras e as expectativas de demanda, mantendo a volatilidade nos preços do açúcar.

FONTE: Notícias Agrícolas
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Notícias Agrícolas

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Internacional

Trigo dispara mais de 6% em Chicago com tensão no Mar Negro; milho e soja também sobem

Os preços dos principais grãos negociados em Chicago registraram forte valorização nesta quarta-feira (26). O trigo liderou o movimento, com alta superior a 6%, em meio ao aumento das tensões entre Rússia e Ucrânia e aos riscos para o fluxo de exportações pelo Mar Negro.

A reação também atingiu milho e soja, sustentados pela disparada do trigo e pelas preocupações com a oferta global de commodities agrícolas.

Trigo lidera alta entre os grãos

Na Bolsa de Chicago (CBOT), os contratos futuros de trigo encerraram o pregão com ganhos acima de 6%. O vencimento para dezembro fechou a US$ 7,48 por bushel, enquanto o contrato para maio terminou em US$ 7,71.

O milho também avançou mais de 2% e renovou máximas de vários anos. Já a soja subiu mais de 1,5%, enquanto o farelo de soja terminou a sessão com valorização superior a 2,5%.

Para Eduardo Vanin, Sênior Agriculture Strategist da Marex e analista de mercado da Agrinvest, o mercado ainda pode não ter incorporado totalmente os impactos da crise logística na região.

“O mercado de grãos ainda não precificou todo o choque logístico na região do Mar Negro”, afirmou Vanin ao Notícias Agrícolas.

Mar Negro volta ao centro das preocupações

O principal fator por trás da disparada do trigo é o agravamento do conflito no Mar Negro. Rússia e Ucrânia estão entre os maiores exportadores mundiais de cereais, e os ataques contra portos e estruturas ligadas ao comércio agrícola elevaram as preocupações sobre o abastecimento internacional.

Os ataques realizados pelos dois países já provocaram interrupções e atrasos em embarques, segundo informações divulgadas ao longo da semana. O momento é particularmente sensível porque coincide com uma importante etapa da temporada de exportações da região.

A ausência de avanços efetivos nas negociações para um cessar-fogo entre Rússia e Ucrânia também contribui para manter elevado o prêmio de risco embutido nos preços dos grãos.

Ataque a navio amplia risco logístico

Segundo a Bloomberg, a MSC Mediterranean Shipping Co., maior empresa mundial de transporte marítimo de contêineres, interrompeu imediatamente novas reservas de embarques com origem ou destino no porto russo de Novorossiysk depois que um de seus navios foi atingido por um drone.

Outras estruturas russas também teriam sido alvo de ataques recentes, incluindo instalações de armazenamento e refinarias de petróleo. O aumento das ocorrências amplia as incertezas sobre a segurança da infraestrutura e das rotas de transporte na região.

Conflito também afeta mercado de farelo

Embora o trigo seja o produto mais diretamente exposto aos riscos do conflito, os efeitos se propagam para outras commodities.

Um dos principais canais de impacto sobre a soja é o mercado de farelo de girassol. Rússia e Ucrânia têm participação relevante nesse segmento e, juntas, respondem por cerca de 60% das exportações globais do produto.

Para a temporada 2026/27, as estimativas apontam exportações de aproximadamente 3,30 milhões de toneladas pela Ucrânia e 2,80 milhões pela Rússia, em um mercado mundial calculado em cerca de 10,25 milhões de toneladas.

Processamento ucraniano entra no radar

O avanço dos ataques também ameaça a indústria de processamento localizada no sul da Ucrânia. Relatos divulgados localmente indicam paralisações em unidades de extração de óleo e dificuldades para o transporte marítimo de farelo e óleo vegetal.

Esse cenário pode alterar o equilíbrio do mercado de proteínas para alimentação animal. O farelo de girassol compete diretamente com o farelo de soja nas formulações de ração.

Com parte da oferta ameaçada por problemas de produção e logística, compradores, principalmente na Europa, podem recorrer a fornecedores alternativos ou ampliar o uso de farelo de soja.

Soja ganha suporte com mudança na demanda

A possibilidade de menor disponibilidade de farelo de girassol pode favorecer a demanda internacional pelo produto derivado da soja.

Ao mesmo tempo, uma eventual redução na produção de milho dos Estados Unidos tende a apertar o balanço entre oferta e demanda no país e aumentar a disputa por ingredientes utilizados na alimentação animal.

Nesse contexto, o farelo de soja pode ganhar espaço como fonte de proteína. A valorização do milho, por sua vez, eleva os custos de produção de ração e altera a competitividade entre os diferentes componentes utilizados pela indústria.

Milho também encontra apoio nos fundamentos

Além dos efeitos provocados pela crise geopolítica, o milho conta com fatores próprios para sustentar os preços.

As dúvidas sobre o tamanho da safra norte-americana cresceram após os resultados recentes do Pro Farmer Crop Tour e diante da piora das condições das lavouras indicada pelo USDA.

O mercado já havia registrado novas máximas de contrato na terça-feira. Na sessão seguinte, os futuros avançaram novamente e atingiram níveis que não eram observados havia vários anos.

Prêmio de risco permanece nos preços agrícolas

Com portos, terminais, unidades de processamento e rotas marítimas sob ameaça, o Mar Negro volta a ocupar posição central na formação dos preços internacionais das commodities agrícolas.

Enquanto persistirem as incertezas relacionadas ao conflito entre Rússia e Ucrânia, o mercado tende a manter um prêmio de risco sobre trigo, milho e soja.

No caso da soja, a influência ocorre por diferentes caminhos: desde a valorização de trigo e milho até uma possível redução na oferta de farelo de girassol, cenário que pode estimular a procura pelo farelo de soja no mercado global.

FONTE: Notícias Agrícolas
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Notícias Agrícolas

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Internacional

Marrocos defende nova geração de parceria entre Brasil e países árabes

O Brasil e as nações árabes têm espaço para avançar rumo a uma parceria de nova geração, com maior integração em áreas estratégicas como comércio internacional, investimentos, segurança alimentar, economia digital e pesquisa científica.

A avaliação foi apresentada pelo embaixador do Reino do Marrocos no Brasil e decano do Conselho dos Embaixadores Árabes, Nabil Adghoghi, durante o Fórum Econômico Brasil-Países Árabes, promovido pela Câmara de Comércio Árabe-Brasileira nesta terça-feira (25), em São Paulo.

Instabilidade global reforça necessidade de cooperação

Para o diplomata, o atual ambiente de instabilidade internacional torna ainda mais importante o fortalecimento dos laços entre o Brasil e os países árabes. Nesse contexto, ele defendeu a busca por novas oportunidades de negócios e uma relação mais diversificada, sustentável e capaz de gerar benefícios para os dois lados.

Adghoghi apontou cinco frentes consideradas prioritárias para modernizar a parceria. A primeira é ampliar a conexão logística entre as duas regiões, inclusive por meio de rotas marítimas diretas.

Segundo o embaixador, essas rotas poderiam servir como plataformas para o processamento de exportações destinadas aos mercados árabes, além de facilitar o transporte de mercadorias com destino à Europa e à Ásia.

Acordos para estimular investimentos

Outra frente destacada pelo Marrocos é o aprimoramento do ambiente jurídico para investimentos. A proposta envolve acordos capazes de estimular o fluxo de capitais e mecanismos destinados a evitar a dupla tributação.

Como referência, o diplomata mencionou o acordo mantido entre Marrocos e Mercosul. Ele também defendeu a criação de instrumentos para aumentar a proteção e a resiliência das cadeias de suprimentos.

Digitalização pode ampliar comércio bilateral

A transformação digital das operações de importação e exportação também foi apontada como prioridade. Nesse sentido, Adghoghi citou o PIX e os serviços digitais oferecidos pelo governo brasileiro como exemplos de soluções que podem servir de inspiração para a modernização das relações comerciais.

“Nossa esperança é que ele [o esforço de repensar a parceria bilateral] resulte em iniciativas e projetos concretos que reflitam nossa ambição comum e inaugurem novos horizontes que valorizem todas as contribuições e capacidades que possuímos”, afirmou.

Ciência e qualificação profissional

O embaixador também ressaltou a importância de ampliar a cooperação científica e a formação de talentos. Entre os desafios está a preparação de profissionais para lidar com os efeitos da inteligência artificial sobre os negócios e para ajudar a criar condições mais favoráveis à atração de investimentos.

O Fórum Econômico Brasil-Países Árabes conta com patrocínio de FAMBRAS Halal, International Halal Academy, Vale, DP World, CDIAL Halal, First Abu Dhabi Bank, MBRF, Qatar Airways e MZAH Investment.

FONTE: Notícias Agrícolas
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Notícias Agrícolas

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