Internacional, Portos

China ameaça bloquear venda de mais de 40 portos, incluindo o Canal do Panamá

Pequim quer que a empresa chinesa Cosco receba uma participação da venda dos terminais da CK Hutchison para a BlackRock e a Mediterranean Shipping Company

A China está ameaçando bloquear a venda de mais de 40 portos, pertencentes à empresa CK Hutchison, sediada em Hong Kong, para a gestora BlackRock e a Mediterranean Shipping Company, caso a empresa chinesa de navegação Cosco não receba uma participação, segundo informações publicadas do “Wall Street Journal”.

A proposta de venda também chamou a atenção do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que repetidamente expressou o desejo de reduzir a influência chinesa na região do Canal do Panamá e classificou o acordo como uma “recuperação” da hidrovia desde que foi anunciado.

Segundo o jornal, autoridades chinesas informaram à BlackRock, MSC e Hutchison que, se a Cosco for deixada de fora do acordo, Pequim tomará medidas para bloquear a venda proposta dos portos pela Hutchison.

“A China sempre se opôs firmemente ao uso de coerção econômica, hegemonia, intimidação e violação dos direitos e interesses legítimos de outros países”, disse hoje o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Lin Jian, ao questionado sobre o relatório em coletiva de imprensa.

A CK Hutchison, do magnata Li Ka-shing, anunciou em março que venderia sua participação de 80% no negócio de portos, que abrange 43 portos em 23 países. O negócio tem um valor empresarial de US$ 22,8 bilhões, incluindo dívidas.

Após muita análise e críticas na China, a CK Hutchison confirmou em maio que a MSC, operada pela família do bilionário italiano Gianluigi Aponte e uma das maiores empresas de transporte marítimo de contêineres do mundo, era o principal investidor de um grupo interessado em comprar os portos.

A BlackRock, MSC e Hutchison estão abertas à possibilidade de a Cosco adquirir uma participação. No entanto, é provável que as partes não cheguem a um acordo antes do prazo final de 27 de julho para as negociações exclusivas entre a BlackRock, MSC e Hutchison, segundo o relatório.

Fonte: Valor Econômico

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Internacional, Mercado Internacional

União Europeia adota novo pacote de sanções contra a Rússia

Medidas tem foco no petróleo russo e pretendem intensificar pressão econômica

União Europeia adotou nesta sexta-feira, 18, um novo pacote de sanções contra a Rússia, com medidas como a redução no preço máximo do petróleo russo que pode ser exportado, informaram fontes oficiais.

“A UE acaba de aprovar um dos pacotes de sanções mais duros contra a Rússia”, comemorou a ministra das Relações Exteriores da UE, Kaja Kallas.

Segundo Kallas, “toda sanção enfraquece a capacidade da Rússia de travar uma guerra. A mensagem é clara: a Europa não recuará em seu apoio à Ucrânia”.

Este pacote de sanções encontrou até agora oposição da Eslováquia, cada vez mais próxima de Putin, e com temor dos efeitos internos de tais medidas, embora o país tenha recebido garantias da UE.

O novo conjunto de medidas determina uma redução no preço máximo do petróleo russo exportado para países terceiros ao redor do mundo, para 15% abaixo do valor de mercado.

Esse teto é uma iniciativa do G-7 que visa limitar a quantidade de dinheiro que a Rússia ganha com a exportação de petróleo.

Com o novo pacote de medidas restritivas, a UE adicionou cerca de 70 embarcações à lista de sanções por pertencerem à chamada “frota fantasma”, usada pela Rússia para contornar restrições adotadas anteriormente.

Assim, o número de embarcações incluídas na lista de sanções passa a ser de 419.

Essa “frota fantasma”, geralmente composta por embarcações obsoletas e não registradas, opera principalmente no Mar Báltico e com tripulações inexperientes.

O pacote de medidas acordado na sexta-feira também inclui sanções contra uma refinaria de petróleo de propriedade russa na Índia e dois bancos chineses.

Essas sanções foram acordadas pelos representantes permanentes dos países da UE em Bruxelas e devem ser adotadas formalmente em nível ministerial nesta sexta-feira.

Fonte: Estadão

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Internacional, Logística

Primeiro passo para constituir um corredor fluviomarítimo entre Punta Quilla e La Plata

Representantes de entidades públicas e empresas privadas confirmaram seu interesse em desenvolver um serviço quinzenal

Ontem, com a coordenação da Associação Intermodal da América do Sul (AIMAS), foi dado um passo decisivo rumo à criação de um corredor logístico entre o Porto Punta Quilla (Santa Cruz) e o Porto La Plata (Buenos Aires), integrando caminhão, porto, navio, porto e caminhão em uma operação intermodal de cabotagem.

Nesse contexto, foi realizado um encontro virtual com a participação do presidente do Consórcio de Gestão do Porto La Plata, José María Lojo; do coordenador da Unidade Executora Portuária de Santa Cruz (UNEPOSC), Walter Uribe; do administrador do Porto Punta Quilla, Ricardo Rodríguez; dos diretores da TECNOMyL S.A., Aníbal e Pablo Mocchi; e do importador Paulino Rossi.

Também participaram Harry Woodley, idealizador do projeto de transporte marítimo La Mimosa; o consultor e capitão marítimo Gustavo Deleersnyder; Milton Cogut, da MissionLine Logistics; o presidente da Cooperativa de Transporte de Puerto Santa Cruz, Cristian Saldivia; o gerente Operacional Comercial da DEFILAP (Depósito Fiscal La Plata), Martín Giménez; o gerente da Transportes Petrel de Río Grande, Mario Baldini; e o empresário Iván Vertki, da Serviços Integrados Patagônicos.

Os protagonistas da cadeia logística, que representam entidades públicas e empresas privadas, participaram ativamente de uma mesa de videoconferência convocada e organizada pela AIMAS. Em suas intervenções, confirmaram o interesse em desenvolver um serviço com frequência quinzenal.

De acordo com os depoimentos fornecidos, estimou-se que, ao coordenar de forma intermodal as ações de todos os envolvidos — incluindo os clientes — será possível movimentar no mínimo 6.000 pallets por vez e por sentido, por meio de operações coordenadas entre caminhões, contêineres e navios.

O interesse da fabricante de produtos fitossanitários TECNOMyL S.A. em aprimorar sua gestão logística — entre sua planta em Río Grande e a zona agrícola desde Patagones até o Norte —, somado ao fluxo de importação de insumos para a mesma planta, impulsionou a exploração técnica de um “atalho” que combine caminhão com navio em Punta Quilla.

Sincronização intermodal

Para o avanço do projeto, foi fundamental a análise técnica sob uma perspectiva intermodal, além do comprometimento do idealizador do projeto de transporte marítimo La Mimosa e do interesse dos responsáveis pelos Portos de La Plata e Punta Quilla.

Esses fatores facilitaram que a AIMAS, junto com seus parceiros e aliados, convocasse cada um dos protagonistas dos elos da cadeia logística entre Río Grande, sul de Santa Cruz e La Plata.

Durante a reunião virtual, todos os participantes — transportadoras, operadores portuários, gerentes de depósitos fiscais, empresários do setor naval, de contêineres e clientes embarcadores — manifestaram interesse direto na operação do corredor intermodal.

As vozes dos dois portos e de suas comunidades portuárias concordaram em “começar com o que temos e com as normas disponíveis”. Essa postura indica que, nos próximos dias, terão início reuniões parciais e coletivas para definir questões técnicas e operacionais que possibilitem a formalização de acordos institucionais e comerciais.

Cabe destacar que Jorge de Mendonça e Antonio Martino, diretores da AIMAS, junto com um painel de associados, participaram do diálogo com os protagonistas do encontro, que foi moderado pelo jornalista Darío Ríos, diretor do portal serindustria.com.ar.

Fonte: Ser Industria

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Internacional, Negócios

Empresários americanos pedem negociações contra tarifa de 50% dos EUA sobre Brasil

“Medida (…) tem potencial de causar danos graves a uma das relações econômicas mais importantes dos EUA”, afirmam a U.S. Chamber of Commerce e a Amcham Brasil

A U.S. Chamber of Commerce e a Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham Brasil) divulgaram uma nota para a imprensa dos Estados Unidos nesta terça-feira (15) pedindo para que os governos de Donald Trump e Luiz Inácio Lula da Silva se engajem em negociações de alto nível para evitar a implementação da tarifa de 50% a produtos brasileiros pelos EUA a partir de 1º de agosto.

“A imposição dessa medida como resposta a questões políticas mais amplas tem o potencial de causar danos graves a uma das relações econômicas mais importantes dos Estados Unidos, além de estabelecer um precedente preocupante”, afirmam, em nota.

Ambas as instituições mencionam que a tarifa proposta de 50% afetaria produtos essenciais às cadeias produtivas e aos consumidores americanos, elevando os custos para as famílias e reduzindo a competitividade de setores produtivos estratégicos dos Estados Unidos.

“Mais de 6.500 pequenas empresas nos Estados Unidos dependem de produtos importados do Brasil, enquanto 3.900 empresas norte-americanas têm investimentos naquele país. O Brasil está entre os dez principais mercados para exportações dos Estados Unidos e é destino, a cada ano, de cerca de US$ 60 bilhões em bens e serviços norte-americanos”, acrescentam.

A Amcham Brasil e a U.S. Chamber afirmam ainda que uma relação comercial estável e produtiva entre as duas maiores economias das Américas beneficia consumidores, sustenta empregos e promove prosperidade em ambos os países.

“A U.S. Chamber e a Amcham Brasil seguem à disposição para apoiar iniciativas que favoreçam uma solução negociada, pragmática e construtiva – que evite a escalada da atual situação e garanta a continuidade de um comércio bilateral mutuamente vantajoso.”

Fonte: InfoMoney

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Internacional, Mercado Internacional

Canadá quer acordo comercial com Mercosul para reduzir dependência dos EUA

O Canadá tem 15 acordos de livre comércio que abrangem 51 países, o que lhe dá acesso a 1,5 bilhão de consumidores, e ministro do Comércio Exterior do Canadá disse que Ottawa buscará mais acordos desse tipo nos próximos meses

O ministro do Comércio Exterior do Canadá disse na quinta-feira (17) que há interesse de ambos os lados em avançar nas negociações comerciais com o bloco sul-americano Mercosul, já que Ottawa busca novos acordos em um esforço para se diversificar dos Estados Unidos.

O primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, e sua equipe têm mantido conversações com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para chegar a um acordo comercial até 1º de agosto, o que poderia ajudar a reduzir as tarifas comerciais norte-americanas sobre o Canadá.

Mas seu governo também está se preparando para depender menos de uma relação que gerou um comércio bilateral de mais de 1 trilhão de dólares canadenses (US$727,33 bilhões) no ano passado e se concentrar na diversificação do comércio assinando pactos de livre comércio em todo o mundo.

“Conversei com o ministro das Relações Exteriores do Brasil, e há interesse em realizar conversas sobre o Mercosul”, disse o ministro do Comércio Exterior canadense, Maninder Sidhu, em uma entrevista à Reuters.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse em abril que está interessado em avançar nas negociações para um acordo comercial entre o bloco sul-americano e o Canadá.
O Mercosul — que inclui Brasil, Argentina, Paraguai, Uruguai e Bolívia — já teve rodadas de negociação para um acordo comercial com o Canadá no passado.

O Canadá também está interessado em continuar as conversações com a China para enfrentar os desafios comerciais e considera o descongelamento das relações entre a Índia e o Canadá como um passo importante para apoiar o comércio, disse o ministro.

“Com a China, há oportunidades, há desafios”, disse ele, acrescentando que os países estão mantendo discussões francas sobre um caminho a seguir em relação às tarifas comerciais sobre as exportações de canola, carne bovina, ração para animais de estimação e muitos outros produtos.

O Canadá tem 15 acordos de livre comércio que abrangem 51 países, o que lhe dá acesso a 1,5 bilhão de consumidores, e Sidhu disse que Ottawa buscará mais acordos desse tipo nos próximos meses, sem fornecer uma meta específica.

Ele assinou um acordo de livre comércio com o Equador e um pacto de promoção de investimentos com os Emirados Árabes Unidos em seus dois primeiros meses no cargo e disse que as discussões estão em andamento com os países da Asean e também individualmente com os países do Indo-Pacífico, incluindo a Indonésia e as Filipinas.

Exposição exagerada

Sidhu disse que as empresas canadenses estão excessivamente expostas aos EUA e não são tão competitivas quanto antes devido às tarifas de Trump.

“Meu trabalho é estar lá fora abrindo portas”, disse ele, acrescentando que procurará diversificar não apenas o comércio, mas também as aquisições de defesa do Canadá em relação aos EUA.

Carney prometeu aumentar os gastos com defesa em mais 9 bilhões de dólares canadenses este ano para cumprir a meta da aliança militar ocidental Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) de gastar 2% do PIB.

“Estamos trabalhando com a União Europeia e outros parceiros em todo o mundo para ajudar a desbloquear algumas dessas oportunidades de aquisição na área de defesa para nossas empresas canadenses”, disse ele.

As exportações canadenses para os EUA caíram em maio para 68% do total das exportações, em comparação com uma média mensal de 75% no ano passado. A participação dos EUA em maio foi a mais baixa já registrada, uma vez que as empresas se esforçaram para diversificar.

Ele não respondeu diretamente sobre como seria um acordo comercial entre o Canadá e os EUA, mas disse que o governo “trabalhará para chegar a um acordo que seja melhor para as empresas e os trabalhadores canadenses”.

Fonte: InfoMoney

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Internacional, Negócios

Em encontro com Alckmin, FIESC defende negociações com EUA, sem retaliação

Presidente da entidade liderou grupo de industriais do setor metalmecânico que também discutiu assimetria competitiva na invasão chinesa de fixadores

O presidente da Federação das Indústrias de SC (FIESC), Mario Cezar de Aguiar, liderou na tarde desta quarta-feira (16) comitiva de industriais do setor metalmecânico em reunião com o vice-presidente e ministro Geraldo Alckmin e com a secretária de comércio exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Tatiana Prazeres.

No encontro, Aguiar defendeu o diálogo para tentar reverter os impactos do chamado tarifaço do presidente norte-americano Donald Trump. “Retaliar seria o pior encaminhamento, pois ampliaria os prejuízos para a indústria brasileira. Além de tentar reduzir as tarifas, precisamos buscar alternativas como a prorrogação do prazo de início da aplicação, para que as empresas tenham fôlego para se reorganizar e buscar novos mercados”, disse Aguiar.

“As palavras de ordem agora são negociar, negociar e negociar. Mesmo que as tarifas não voltem aos patamares anteriores, precisamos chegar a um nível que permita manter a relevância daquele mercado como destino das exportações catarinenses e brasileiras”, resumiu o presidente da FIESC.

As indústrias catarinenses pretendem atuar em sintonia com seus clientes norte-americanos, que podem pressionar o governo dos Estados Unidos, demonstrando os impactos das tarifas que serão pagas pelos consumidores de lá. “O ministro conhece os números e tem total clareza sobre a importância do tema. Reforçamos a diversidade industrial catarinense, onde as tarifas terão graves consequências, já que os Estados Unidos são o principal destino de nossas exportações”, afirmou Aguiar.

No encontro, a Federação catarinense também destacou a necessidade de o governo federal incluir produtos semiacabados de aço e alumínio nas estratégias de defesa dos interesses brasileiros no comércio internacional, buscando isonomia tributária. “Hoje existe uma invasão de produtos chineses, porque o parafuso vindo da China chega ao preço dos insumos pagos pelos fabricantes brasileiros”, disse Aguiar, lembrando que há importantes empresas do setor no estado, gerando elevado número de empregos.

Fonte: FIESC

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Internacional, Mercado Internacional

Peru, Jordânia e Hong Kong voltam a comprar carne de Frango do Brasil

O Ministério da Agricultura e Pecuária anunciou hoje, 16 de julho de 2025, que Peru, Jordânia e Hong Kong removeram as restrições à carne de frango do Brasil. Com essa decisão, um total de 30 países já retomaram a compra do produto brasileiro.

Além disso, o Kuwait diminuiu as restrições especificamente para a carne de frango originária do Rio Grande do Sul e do município gaúcho de Montenegro. Foi em Montenegro que o Brasil registrou o primeiro e único caso confirmado de gripe aviária em uma granja comercial, em maio deste ano.

Países com Restrições Ativas

Apesar das recentes liberações, alguns mercados importantes ainda mantêm as importações suspensas. China, União Europeia, Canadá, Chile e outros cinco países permanecem com restrições totais. Outras 22 nações adotaram restrições mais limitadas, focando no estado do Rio Grande do Sul, no município de Montenegro ou em outras áreas específicas.

O Brasil se declarou livre da gripe aviária em 18 de junho, após a desinfecção da granja afetada e um período de 28 dias sem o registro de novos casos da doença no país.

O Que É a Gripe Aviária?

A influenza aviária, popularmente conhecida como gripe aviária, é uma doença que afeta principalmente aves, mas também pode ser detectada em mamíferos, incluindo bovinos. A transmissão ocorre pelo contato direto com aves doentes ou por meio de água e materiais contaminados.

É importante notar que a doença raramente afeta seres humanos. As autoridades de saúde orientam a população a se manter informada e a seguir as medidas preventivas recomendadas. O Ministério da Agricultura reforça que carnes e ovos são seguros para consumo, desde que sejam preparados adequadamente.

Fonte: News Rondônia

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Exportação, Internacional

China restringe exportação de tecnologia de baterias para carros elétricos

Governo chinês exige licença para exportar tecnologia de materiais catódicos usados em baterias de elétricos

A China anunciou, nesta terça-feira (15), uma nova rodada de restrições à exportação de tecnologias estratégicas ligadas à produção de baterias para veículos elétricos. Entre os itens agora incluídos na lista de controle do Ministério do Comércio estão as tecnologias de preparo de materiais catódicos como o fosfato de ferro e lítio (LFP) e o fosfato de ferro manganês-lítio (LMFP), amplamente utilizados em baterias de íon-lítio.

Com a atualização, qualquer exportação dessas tecnologias passa a requerer uma licença específica do governo chinês. A justificativa oficial é equilibrar desenvolvimento e segurança, impedindo que métodos considerados sensíveis sejam transferidos sem controle para o exterior.

“A tecnologia de preparação de materiais catódicos está sendo cada vez mais aplicada em áreas sensíveis. Incluir essas tecnologias na categoria de exportação restrita ajudará a promover o uso seguro e sustentável”, afirmou um porta-voz do Ministério do Comércio.

Galeria: CATL – Salão de Munique 2023

A medida afeta diretamente empresas envolvidas na cadeia de suprimentos global de baterias, incluindo fabricantes de células, sistemas de armazenamento e montadoras. Embora a exportação não esteja completamente proibida, a exigência de autorização prévia pode dificultar o acesso a essas tecnologias por empresas estrangeiras.

Além dos materiais catódicos, a revisão do catálogo chinês também ampliou o controle sobre processos metalúrgicos não ferrosos, como a extração de lítio de salmouras e espodumena, preparação de carbonato e hidróxido de lítio, além da produção de metais como lítio metálico e gálio.

A nova restrição ocorre em meio ao protagonismo da China no mercado global de baterias. Empresas como CATL e BYD lideram a produção de células LFP, que vêm ganhando espaço não apenas no mercado chinês, mas também em modelos de entrada na Europa e nos Estados Unidos.

Originalmente menos valorizadas em mercados ocidentais devido à menor densidade energética em comparação com as células NMC (níquel-manganês-cobalto), as baterias LFP evoluíram significativamente nos últimos anos. Novas gerações oferecem recargas mais rápidas e maior durabilidade, tornando-se atraentes para veículos acessíveis e para uso em frotas e serviços de mobilidade.

Mesmo quando produzidas fora da China, muitas células LFP ainda dependem de tecnologias e insumos desenvolvidos por empresas chinesas, especialmente nos estágios de preparo de cátodos e seus precursores.

Impacto global e tensões geopolíticas

A inclusão das tecnologias de baterias no catálogo restritivo também tem implicações geopolíticas. Os Estados Unidos e a União Europeia já demonstraram preocupação com a alta dependência de insumos críticos e tecnologias industriais provenientes da China. A medida reforça o movimento chinês de proteger setores estratégicos diante de disputas comerciais e tecnológicas. 

Vale lembrar que a China já havia imposto controles rigorosos à exportação de elementos de terras raras e, mesmo após suspender proibições absolutas, manteve dificuldades práticas no processo de concessão de licenças, com casos de autorizações revogadas por motivos formais.

A mudança indica que Pequim está disposta a usar seu domínio na cadeia de suprimentos de baterias como ferramenta estratégica. Para o setor automotivo global, especialmente fabricantes de veículos elétricos e seus fornecedores, o recado é claro: depender da China em etapas críticas da tecnologia pode se tornará cada vez mais arriscado.

Fonte: Inside EVs

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Comércio Exterior, Internacional, Mercado Internacional

CNI defende esgotar negociação com EUA antes de recorrer à retaliação imediata

Presidente da instituição, Ricardo Alban, reiterou pedido de adiamento do início da taxação em reunião no MDIC

O presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Ricardo Alban, defendeu o caminho das negociações com os Estados Unidos antes de recorrer à retaliação imediata.

“Antes (de retaliar), é preciso esgotar toda e qualquer possibilidade de negociação”, alertou Ricardo Alban.

O posicionamento é consenso no setor e foi definido em reunião virtual ontem (14) entre todos os presidentes de federações da indústria.

Alban participa de encontro entre empresários e autoridades no Ministério de Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) para discutir a estratégia de resposta do país às medidas da Casa Branca, com a presença dos ministros Geraldo Alckmin (MDIC), Rui Costa (Casa Civil), Fernando Haddad (Fazenda), Simone Tebet (Planejamento) e Silvio Costa Filho (Portos e Aeroportos).

Indústria reitera pedido para adiar início da taxação

O dirigente também reforçou o pedido para que o governo articule juntos aos Estados Unidos uma ampliação de 90 dias para o começo da vigência da nova tarifa de 50% imposta aos produtos brasileiros.

“Estamos falando aqui só de perde-perde. Não tem ganha-ganha. Perde a indústria, perde a economia, perde o social. Gostaríamos de colocar na mesa um adiamento de 90 dias no prazo para início da vigência (da tarifa)”, pontuou Alban. “Queremos colocar a discussão de acordos setoriais e bilaterais. Discutir bitributação”, completou.

A estimativa preliminar da indústria é de uma perda de pelo menos 110 mil postos de trabalho, caso a medida entre em vigor nos termos anunciados, além de forte impacto sobre o PIB.

Alckmin, destacado pelo Palácio do Planalto para encabeçar as negociações com os americanos, destacou que o governo vai trabalhar para reverter as novas tarifas, consideradas por ele “completamente inadequadas”.

Ele reiterou que EUA têm superávit na relação com o Brasil há 15 anos e a tarifa média dos produtos que os norte-americanos exportam para o nosso país é de 2,7%. “Temos uma importante complementariedade econômica. É importante conversarmos com os parceiros americanos no setor industrial para mostrarmos que a medida encarece também os produtos deles”, acrescentou Alckmin.

É preciso objetividade e pragmatismo, diz CNI

Ricardo Alban alertou que é preciso objetividade e pragmatismo por parte do governo e do setor privado na negociação. “O que não queremos neste momento é perder a razão. É importante essa parceria. É muito difícil o setor industrial encontrar alternativas de médio prazo para substituir esse mercado dos EUA”, afirmou.

Uma comitiva de empresários e representantes de associações industriais participa da reunião, incluindo o presidente da Federação de Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP), Josué Gomes da Silva; o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), José Velloso; a presidente-executiva da Associação Brasileira do Alumínio (Abal), Janaína Donas; o presidente emérito da Associação Brasileira Indústria Têxtil e de Confecções (Abit); Fernando Pimentel; o presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), Haroldo Ferreira; o CEO da Tupy, Rafael Lucchesi; o CEO da Embraer, Francisco Gomes, entre outros.

Com a palavra, o presidente da CNI, Ricardo Alban:

Fonte: Portal da Indústria

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Comércio Exterior, Economia, Informação, Internacional

EUA iniciam investigação contra o Brasil por práticas comerciais desleais, incluindo o Pix e restrições ao WhatsApp Pay

EUA iniciam investigação contra o Brasil por práticas comerciais desleais, incluindo o Pix e restrições ao WhatsApp Pay

O Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) anunciou nesta terça-feira (15) a abertura de uma investigação oficial contra o Brasil por supostas práticas comerciais desleais. A medida, baseada na Seção 301 da legislação comercial norte-americana, foi autorizada pelo então presidente Donald Trump e tem como foco identificar ações do governo brasileiro que possam estar prejudicando o comércio e a competitividade de empresas norte-americanas.

Entre os principais pontos da investigação estão barreiras ao comércio digital, tarifas preferenciais, fiscalização anticorrupção, proteção da propriedade intelectual, tratamento tarifário ao etanol norte-americano e até mesmo a aplicação de regras contra o desmatamento ilegal.

Pix e WhatsApp Pay estão entre os focos da investigação

O sistema de pagamentos instantâneos brasileiro, o Pix, é citado no processo como um dos principais exemplos de favorecimento local. Segundo o USTR, o governo brasileiro prioriza tecnologias nacionais, criando obstáculos para empresas norte-americanas de serviços de pagamento eletrônico, como foi o caso do WhatsApp Pay, serviço da big tech Meta.

Lançado em junho de 2020, o WhatsApp Pay teve sua operação suspensa uma semana depois pelo Banco Central (BC) e pelo Cade, sob a justificativa de avaliar riscos ao Sistema de Pagamentos Brasileiro (SPB) e à concorrência. A decisão foi considerada, pelo governo dos EUA, uma barreira que impactou negativamente o serviço de uma empresa americana, especialmente em um mercado promissor como o brasileiro.

Enquanto o WhatsApp Pay enfrentava restrições, o BC acelerava os testes do Pix, que foi oficialmente lançado em novembro de 2020 e rapidamente adotado por milhões de brasileiros. Quando o WhatsApp Pay finalmente recebeu autorização para operar, em 2021, o Pix já era um sucesso consolidado — o que, segundo o USTR, inviabilizou a competição em condições de igualdade.

Outros pontos de atrito comercial entre Brasil e EUA

Além das questões envolvendo pagamentos digitais, o USTR destaca outros setores críticos:

  • Comércio digital: Empresas americanas alegam sofrer retaliações por não censurar discursos políticos ou enfrentar dificuldades operacionais no Brasil.
  • Tarifas preferenciais: O Brasil estaria oferecendo tarifas mais vantajosas a parceiros selecionados, prejudicando exportações norte-americanas.
  • Corrupção e transparência: Os EUA apontam falhas na fiscalização de práticas anticorrupção por parte do Brasil.
  • Direitos de propriedade intelectual: O país é acusado de não garantir proteção adequada às criações americanas.
  • Etanol: O Brasil teria aumentado as tarifas para o produto norte-americano, retirando benefícios anteriores.
  • Desmatamento ilegal: A má aplicação das leis ambientais no Brasil impactaria negativamente o setor agrícola e madeireiro dos EUA.

Próximos passos da investigação

De acordo com o comunicado oficial, o USTR solicitou esclarecimentos formais ao governo brasileiro e agendou uma audiência pública para o dia 3 de setembro. Os interessados em participar devem enviar comentários por escrito e um resumo do testemunho até o dia 18 de agosto.

O embaixador Jamieson Greer afirmou:

“Sob a orientação do Presidente Trump, estou iniciando uma investigação nos termos da Seção 301 sobre os ataques do Brasil às empresas americanas de mídia social, bem como outras práticas comerciais desleais que prejudicam empresas, trabalhadores, agricultores e inovadores tecnológicos americanos.”

Brasil na mira há décadas, segundo EUA

O USTR ainda reforça que as barreiras comerciais impostas pelo Brasil não são recentes. Segundo o órgão, “as práticas desleais brasileiras têm criado obstáculos ao comércio de bens americanos há décadas”, o que exige uma resposta mais incisiva por parte do governo dos Estados Unidos.

TEXTO: REDAÇÃO

FONTES: DIÁRIO DO BRASIL NOTÍCIAS / CNN

IMAGEM: REPRODUÇÃO DIÁRIO DO BRASIL NOTÍCIAS

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