Internacional

Brasileiros ampliam apoio à China e rejeição a EUA e Israel

A imagem internacional do Brasil em relação a grandes potências está passando por uma reviravolta. Segundo levantamento da Genial/Quaest, divulgado pela colunista Mônica Bergamo na Folha de S. Paulo, a percepção positiva dos brasileiros sobre a China saltou de 34% em outubro de 2024 para 49% em agosto deste ano. No mesmo período, a avaliação favorável aos Estados Unidos caiu de 56% para 44%, e a de Israel despencou de 52% para 35%.

A pesquisa, realizada entre 13 e 17 de agosto com 12.150 pessoas em todo o país, mostra ainda que a imagem negativa dos EUA cresceu de 25% para 48%. Israel também registrou aumento na rejeição, passando de 27% para 50%. Esses movimentos coincidem com o tarifaço e as sanções aplicadas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e com a ofensiva do deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) para pressionar o Judiciário a livrar o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) da condenação e da cadeia por tentativa de golpe.

O salto da China foi mais expressivo entre os eleitores de Luiz Inácio Lula da Silva em 2022, onde a avaliação positiva cresceu de 41% para 61%. Entre os que votaram em branco ou nulo, a aprovação também subiu, passando de 31% para 50%. Já no grupo de eleitores de Jair Bolsonaro, a percepção favorável ao país asiático se manteve estável em 30%.

A queda da imagem dos EUA foi mais acentuada entre os eleitores de Lula, que em março registravam 51% de aprovação e agora caíram para 23%. Entre os apoiadores de Bolsonaro, no entanto, a popularidade dos americanos segue alta, subindo de 66% para 72%.

Israel perde apoio

No caso de Israel, a rejeição avançou em quase todos os segmentos, impactada principalmente pelos desdobramentos da guerra em Gaza. Entre os bolsonaristas, o índice de aprovação caiu de 67% para 54%. A maior qued, aparece entre os católicos, que representam a maioria da população: apenas 30% avaliam positivamente o país, enquanto 52% reprovam. Já entre evangélicos, o apoio é majoritário, com 52% de avaliação favorável.

Rússia e Argentina apresentam leve melhora

O estudo também aponta crescimento na percepção sobre Rússia e Argentina. A imagem positiva de Moscou avançou de 20% para 25%, enquanto Buenos Aires subiu de 36% para 42%. Apesar disso, o governo de Vladimir Putin segue com o maior índice de rejeição entre os brasileiros, atingindo 59%.

Percepção varia conforme a renda

A pesquisa revelou ainda diferenças significativas de opinião entre faixas de renda. Entre os que recebem mais de cinco salários mínimos, os EUA mantêm a liderança em imagem positiva, com 53%. Já entre os mais pobres, a China aparece em vantagem, com 45% de aprovação.

O levantamento utilizou dados da Pnad de 2024 e 2025 e do Censo de 2022, ambos do IBGE, e tem margem de erro de dois pontos percentuais.

Fonte: Brasil 247

Ler Mais
Internacional

Comunicado Conjunto Brasil-Canadá sobre Negociações do Acordo de Livre Comércio Mercosul-Canadá e Compromisso com o Sistema Multilateral de Comércio

O Brasil e o Canadá compartilham um compromisso histórico com o comércio aberto, justo e sustentável, atuando em conjunto para promover a prosperidade bilateral, regional e no marco do sistema global de comércio.

Ambos concordaram em intensificar os fluxos bilaterais de comércio e investimento, como parte de suas estratégias de diversificação e expansão de mercados. Nesse contexto, os dois países acolhem com satisfação a realização da missão comercial brasileira ao Canadá (em setembro, em Toronto), com vistas a ampliar ainda mais as oportunidades de negócios bilaterais. Reafirmam, igualmente, seu apoio a um sistema multilateral de comércio baseado em regras, tendo a Organização Mundial do Comércio (OMC) como pilar central, e a necessidade de defender normas comerciais globais abertas e previsíveis, que têm contribuído para o crescimento e a prosperidade de nossos países.

Como passo oportuno rumo a maior diversificação econômica, determinamos que nossos altos funcionários responsáveis pela área de comércio iniciem discussões, inclusive com uma reunião de chefes negociadores no início de outubro, com vistas à retomada das negociações do Acordo de Livre Comércio entre o Mercosul e o Canadá, ao lado de nossos parceiros Argentina, Paraguai e Uruguai.

A retomada das negociações comerciais entre o Mercosul e o Canadá constitui sinal inequívoco de nosso compromisso compartilhado de aprofundar os laços econômicos mutuamente benéficos e de abrir novas oportunidades relevantes para empresas, trabalhadores e comunidades nos dois lados.

Fonte: Ministério das Relações Exteriores

Ler Mais
Internacional

Donald Trump põe fim ao acordo de emissões zero para o transporte marítimo

Os Estados Unidos rejeitaram a proposta da Organização Marítima Internacional (OMI) para o chamado “Marco de Emissões Líquidas Zero”, que visa reduzir as emissões globais de gases de efeito estufa no setor de transporte marítimo internacional, e ameaçaram impor sanções aos países que a apoiarem.

O anúncio foi feito conjuntamente pelo Secretário de Estado Marco Rubio, pelo Secretário de Comércio Howard Latnick, pelo Secretário de Energia Chris Wright e pelo Secretário de Transportes Sean Duffy. Trata-se de uma medida do presidente dos EUA, Donald Trump, que antecede uma votação prevista para outubro na ONU sobre a adoção da proposta de transporte marítimo com emissões zero.

A medida também ocorre enquanto a administração Trump utiliza tarifas como forma de pressionar líderes de outros países, incluindo China, Índia e Brasil, e à medida que os EUA retiram seu apoio a regulamentações voltadas para conter as mudanças climáticas, comentou a Reuters.

Donald Trump afirmou ainda que está retirando os Estados Unidos do Acordo de Paris sobre o Clima, que estabelece a meta de alcançar emissões líquidas zero até 2050.

“A administração Trump rejeita categoricamente esta proposta perante a OMI e não tolerará qualquer ação que aumente os custos para nossos cidadãos, fornecedores de energia, empresas de transporte marítimo, seus clientes ou turistas”, disse o comunicado dos principais ministros dos EUA sobre o marco de transporte marítimo com emissões zero.

“Os membros da OMI devem saber que buscaremos seu apoio contra esta ação e não hesitaremos em reagir ou explorar soluções para nossos cidadãos, caso esse esforço fracasse”, acrescentou.

Os Estados Unidos, um dos 176 países membros da OMI, se retiraram das negociações sobre o marco de emissões zero em abril e instaram os demais membros da organização a reconsiderarem seu apoio à proposta, segundo um memorando citado pela Reuters.

O histórico

Os países membros da OMI concordaram com o marco de emissões zero em abril, após uma votação por maioria simples. Dos que votaram, 63 – incluindo China, Brasil e países da União Europeia – foram favoráveis, enquanto apenas 16 votaram contra.

Em outubro, a proposta precisará de uma maioria de dois terços – ou seja, apoio de 108 países membros – para ser aprovada. A OMI só recorre à votação quando não há consenso entre os Estados membros sobre uma regulamentação.

Navios que cruzam oceanos transportam cerca de 80% das mercadorias do mundo e são responsáveis por quase 3% das emissões globais de carbono. O setor está sob pressão de ambientalistas e investidores para tomar medidas mais efetivas em relação ao clima, incluindo a adoção de um imposto sobre carbono.

Tudo isso levou muitas grandes empresas de transporte marítimo a assumirem o compromisso de alcançar emissões líquidas zero até 2050. Diversas entidades que representam empresas do setor apoiaram a legislação, mas também pediram medidas específicas para compensar o custo mais elevado dos combustíveis “verdes”.

O Conselho Mundial de Navegação (World Shipping Council), que representa grandes empresas, a maior transportadora de contêineres do mundo, Maersk, e a principal empresa de transporte marítimo de veículos, Wallenius Wilhelmsen, recusaram-se a comentar imediatamente os desdobramentos.

Fonte: Offshore CO²

Ler Mais
Internacional

Índia e China reatam laços diante de tarifas que prejudicam perspectivas

Ambos os países enfrentaram pesadas ameaças tarifárias de Trump em relação às suas políticas comerciais

Em visita à Índia esta semana, o principal diplomata chinês afirmou que as duas nações asiáticas deveriam aprofundar a cooperação em meio a ameaças internacionais ao livre comércio, um sinal de que a guerra comercial do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pode acelerar um degelo no relacionamento gélido entre Pequim e Nova Délhi.

Ambos os países enfrentaram pesadas ameaças tarifárias de Trump em relação às suas políticas comerciais, com a Índia sendo alvo de críticas nas últimas semanas por suas compras em larga escala de petróleo russo.

Em declarações em Nova Délhi na segunda-feira, em uma reunião com seu homólogo indiano, Subrahmanyam Jaishankar, o ministro das Relações Exteriores da China, Wang Yi, fez uma referência velada aos EUA, observando que Nova Délhi e Pequim deveriam encontrar maneiras de coexistir em um cenário de “bullying unilateral”.

China e Índia devem se ver como parceiras e considerar oportunidades, em vez de adversárias ou como ameaças, disse Wang na segunda-feira, de acordo com um comunicado do Ministério das Relações Exteriores da China.

Em seu discurso de abertura, Jaishankar afirmou que as nações buscam avançar após um “período difícil em nosso relacionamento”.

“Diferenças não devem se tornar disputas, nem conflitos competitivos”, disse.

Fonte: Dow Jones Newswires

Ler Mais
Internacional

FIESC integra missão brasileira que buscará ampliar diálogo com os EUA

Nos dias 3 e 4 de setembro, grupo liderado pela CNI terá encontros com escritórios de advocacia, reuniões na Embaixada do Brasil em Washington e diálogos com autoridades do governo americano

O primeiro vice-presidente da Federação das Indústrias de SC (FIESC), André Odebrecht, integrará a missão da Confederação Nacional da Indústria (CNI) aos Estados Unidos. Nos dias 3 e 4 de setembro, o grupo promoverá encontros com representantes do governo e do setor privado norte-americanos. O objetivo é ampliar o diálogo a respeito da taxação de 50% sobre exportações brasileiras, prevista na Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA.

Liderada por Ricardo Alban, presidente da CNI, a missão contará com representantes de associações setoriais, outras federações estaduais e grandes empresas exportadoras. A agenda da viagem foi apresentada por Alban ao vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, nesta quarta-feira (20).

A programação inclui encontros com escritórios de advocacia e lobby, reuniões na Embaixada do Brasil em Washington, diálogos com lideranças da US Chamber of Commerce e com autoridades do governo americano. Está prevista ainda uma plenária com empresários dos dois países e participação em audiência pública do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), no âmbito da investigação da Seção 301.

Alban destacou a importância de uma atuação convergente entre governo e indústria para enfrentar os desafios impostos pela taxação de 50% sobre exportações brasileiras. Segundo ele, a estratégia é buscar novas exceções à regra, ampliando o rol de produtos com tarifas reduzidas. Para tanto, a CNI propõe estratégia que contemple resposta e acompanhamento da investigação 301; e engajamento nos EUA com públicos de interesse, com intuito de criar canais de diálogo entre os dois governos.

A comitiva será composta por dirigentes de associações de diversos setores — brinquedos (Abrinq), máquinas e equipamentos (Abimaq), têxtil (Abit), alumínio (Abal), carnes (Abiec), madeira (Abimci), café (Cecafé), ferramentas (ABFA), cerâmica (Anfacer), rochas (CentroRochas), couros (CICB), entre outros —, além das federações estaduais da Indústria de Goiás (Fieg) e de Santa Catarina (FIESC). Empresas como Tupy, Embraer, Stefanini, Novelis e Siemens Energy também já confirmaram presença.

Com informações da CNI.

Fonte: FIESC

Ler Mais
Internacional

EUA acusam ministro da Justiça da Venezuela e “sua gangue” de destruir o país e anunciam sanções

O governo dos Estados Unidos acusou nesta segunda-feira (18) o ministro do Interior e Justiça da Venezuela, Diosdado Cabello, e “sua gangue” de “destruir o país”, prolongando pela terceira semana a troca de recriminações após elevar para US$ 50 milhões a recompensa por informações que levem à prisão do ditador Nicolás Maduro.

O subsecretário de Estado americano, Christopher Landau, em publicação na rede social X, declarou que Cabello e “sua gangue de criminosos brutais”, em referência ao governo ditatorial de Maduro, “assediou e declarou guerra” ao povo da Venezuela.

A mensagem, escrita em espanhol, marca mais um posicionamento da Casa Branca contra a ditadura chavista na gestão Trump, que já reiterou a acusação contra Maduro de ser o líder do grupo criminoso Cartel dos Sóis e elevou a recompensa por ele para US$ 50 milhões.

Também foi anunciada a apreensão de mais de US$ 700 milhões em ativos de Maduro e o bloqueio de contas bancárias de Cabello.

Em seu programa semanal, Cabello acusou o embaixador americano na Colômbia, John McNamara, de orquestrar conspirações contra o presidente colombiano, Gustavo Petro, e a Venezuela, com o consentimento do secretário de Estado americano, Marco Rubio.

A mensagem de hoje do subsecretário responde a essa acusação: “É por isso que você [Cabello] e sua gangue de bandidos correm cheios de angústia enquanto eu ando tranquilo: a história mostra como os tiranos acabam”.

Cabello também acusou a Casa Branca de liderar uma narrativa falsa e afirmou que o território venezuelano está livre da produção de drogas, negando que seja um ponto de distribuição, ao mesmo tempo em que acusou a Administração de Controle de Drogas dos Estados Unidos (DEA) de ser o “único cartel de drogas que opera à luz do dia em todo o mundo” e que “depende diretamente do governo dos EUA, seja qual for o nome do presidente”.

Fonte: Gazeta do Povo

Ler Mais
Internacional, Notícias

China deve atingir 50 mil km de ferrovias de alta velocidade em 2025 e já responde por 70% da rede mundial

Conferência Internacional de Ferrovias de Alta Velocidade realizada em Pequim mostrou últimos avanços chineses no setor.

No final de 2024, a China atingiu 48 mil quilômetros de ferrovias de alta velocidade, o que representa 70% da rede ferroviária desse tipo no mundo.

Neste ano de 2025 a meta é chegar aos 50 mil km, abrangendo mais de 97% das cidades com mais de meio milhão de habitantes. Para 2035, o objetivo é que a rede de trens de alta velocidade atinja 70 mil km.

Os dados foram compartilhados durante a 12ª Conferência Internacional de Ferrovias de Alta Velocidade, que aconteceu em Pequim de 8 a 11 de julho de 2025 e contou com participantes de cerca de 60 países.

O evento foi co-organizado pela estatal Ferrovias da China (FC) e a União Internacional de Ferrovias (UIC), debatendo os últimos avanços na tecnologia e os impactos socioeconômicos das ferrovias.

A FC assinou acordos de cooperação com autoridades ferroviárias da França, Espanha, Cazaquistão, Azerbaijão, Uzbequistão, Bielorrússia, Laos e Malásia

A conferência incluiu uma visita ao Centro Nacional de Testes Ferroviários, a maior base de testes de trens da Ásia. A infraestrutura do centro permite realizar testes para diferentes tecnologias e tipos de trens, desde urbanos até os de carga pesada.

EMUs

Atualmente os trens de transporte de passageiros mais usados na China são os da série CHR Harmony e Fuxing.

Os Harmony estrearam em 2007 e foram desenvolvidos com tecnologias do Japão, França, Canadá e Alemanha.

Já o Fuxing, que estreou em 2017, é o primeiro trem de alta velocidade totalmente desenvolvido na China.

Ambos são conhecidos também com o nome de EMU, sigla em inglês de Unidade Múltipla Elétrica. Uma das suas principais características é que todos ou vários vagões têm motores, diferente das locomotivas tradicionais onde o motor está no primeiro vagão, responsável por puxar todo o veículo.

A concepção tecnológica tem muitas décadas e já era utilizada no japonês Shinkansen, o primeiro sistema ferroviário de alta velocidade do mundo, que começou a funcionar comercialmente em 1964.

Os trens mais rápidos do mundo

Um dos últimos avanços da China na tecnologia ferroviária de alta velocidade é o trem CR450, que foi apresentado no final do ano passado e continua em fase de testes.

O novo veículo chinês tem velocidade de projeto de 450 km/h e operacional de 400 km/h. A primeira é a velocidade teórica que o trem pode atingir em condições ideais, a segunda é a velocidade máxima, determinada por fatores como segurança ou economia energética.

Essa velocidade tornará o CR450, o mais rápido do mundo.

A pesquisadora chefe da Academia Chinesa de Ciências Ferroviárias, Zhao Hongwei, destaca algumas novidades que a nova tecnologia traz. Mostrando um CR450 que está atrás dela, ela diz que esse novo modelo de trem-bala apresenta características de maior velocidade, maior segurança, maior eficiência energética, maior conforto e maior inteligência.

Além da velocidade, já mencionada, quanto à segurança, ela afirma que o trem possui uma distância de frenagem de 6.500 metros. A distância de frenagem é a medida que o trem precisa para parar completamente. Neste caso, o novo trem mantém a mesma distância que o CR400 precisa para parar a 350 km/h.

A pesquisadora também explica que o novo modelo reduz a resistência ao movimento em 22%, o que permite que o trem economize 20% de energia. “Dessa forma, seu consumo operando a 400 km/h é praticamente equivalente ao do CR400 operando a 350 km/h”, explica Zhao.

Complexidade tecnológica

A indústria de ferrovias de alta velocidade envolve tecnologias que incluem os trilhos e infraestrutura em geral, a energia, a aerodinâmica e a propulsão dos trens, além dos sistemas de gestão e monitoramento.

Para Zhao, “todo o sistema ferroviário de alta velocidade envolve um projeto de engenharia complexo”.

“Ele inclui infraestrutura, como a construção de linhas, pontes e túneis — o que chamamos justamente de ‘linha-ponte-túnel’, que são os elementos básicos da infraestrutura. E além disso, também abrange o sistema de alimentação por catenária, que é o sistema de fiação aérea para fornecer energia elétrica aos trens”, diz a pesquisadora.

O desenvolvimento do CR450 é uma das diversas tecnologias no centro de testes, como as da ferrovia Qinghai-Tibet, que atravessa 550 quilômetros de permafrost (solo permanentemente congelado).

O Centro de Testes Ferroviários

O diretor do Instituto de Testes de Infraestrutura da Academia Chinesa de Ciências Ferroviárias, Tian Xinyu, fala sobre uma das máquinas utilizadas para testar ferrovias.

“O Trem de Inspeção Integral de Alta Velocidade tem como função principal realizar avaliações técnicas periódicas da infraestrutura ferroviária”, diz.

“Este veículo é capaz de monitorar em tempo real mais de cem parâmetros diferentes, abrangendo os trilhos, o sistema de catenária e os equipamentos de comunicação e sinalização”, explica Tian.

O engenheiro Xing Tong do Instituto de Padrões e Metrologia da Academia Chinesa de Ciências Ferroviárias destaca duas plataformas de teste emblemáticas do seu laboratório.

Uma é a Plataforma de Teste de Pantógrafo-Catenária de Alta Velocidade. O pantógrafo é o
dispositivo colocado no teto do trem que fica em contato com o cabo aéreo, chamado catenária, que transmite energia elétrica.

Essa plataforma consegue fazer testes em velocidades de até 530 km/h, segundo o engenheiro.

A outra é a Plataforma de Teste de Sapatilha-Trilho de Coletor. Trata-se de outro sistema de alimentação energética dos trens, neste caso a sapatilha é um dispositivo do trem que entra em contato com um trilho que transmite a energia.

O sistema é mais utilizado para velocidades menores. No caso da plataforma do centro chinês, ela é capaz de testar velocidades de trens e metrôs de até 200 km/h.

Fonte: Bdf

Ler Mais
Internacional

EUA ameaçam países de acordo por transporte marítimo limpo

O governo americano está ameaçando países que adotarem, em outubro, o plano de descarbonização do transporte marítimo aprovado em abril, em Londres, na sede da Organização Marítima Internacional, a IMO. Na ocasião, negociadores de 170 países aprovaram o que foi considerado um acordo histórico: pela primeira vez um setor da economia global irá taxar emissões globais de carbono com o objetivo de alcançar a neutralidade líquida zero até 2050.

Entre 14 e 17 de outubro, durante sessão extraordinária do Comitê de Proteção do Ambiente Marítimo da IMO, as medidas econômicas e técnicas serão adotadas.

Uma declaração de três parágrafos divulgada na terça-feira diz que “o governo Trump rejeita inequivocamente esta proposta perante a IMO” e alerta os membros da organização “de que buscaremos seu apoio contra essa ação e não hesitaremos em retaliar ou explorar soluções para nossos cidadãos caso essa iniciativa fracasse”.

A nota foi divulgada pelo secretário de Estado Marco Rubio, pelo secretário de Comércio Howard Lutnick, pelo secretário de Energia Chris Wright e pelo secretário de Transporte Sean Duffy. “O presidente Trump deixou claro que os EUA não aceitarão nenhum acordo ambiental internacional que onere indevida ou injustamente os EUA ou prejudique os interesses do povo americano”, inicia o texto. “Quaisquer que sejam seus objetivos declarados, a estrutura proposta é efetivamente um imposto global de carbono sobre os americanos, cobrado por uma organização da ONU irresponsável”, segue..

Em poucas frases, a declaração contém uma série de informações falsas, a começar pelo título que diz que o acordo pelo net-zero é “conhecido como Imposto Global de Carbono”. Não é. O imposto global era um pedido dos países insulares que não vingou no acordo final. O que se obteve foi uma decisão legalmente vinculante que estabelece duas faixas com metas de redução para todos os navios oceânicos com volume superior a 5 mil toneladas brutas e responsáveis por 85% das emissões do setor.

A IMO tinha um mandato dado pelos países, inclusive pelos EUA, para chegar a um acordo que descarbonize um setor que responde por mais de 90% do comércio global e por 3% das emissões mundiais de gases-estufa. Por isso, a acusação que a organização é “unaccountable” não se justifica.

Outra incoerência está na frase que diz que “esses padrões de combustível beneficiariam convenientemente a China”. A China, ao contrário, está longe de seus mercados e leva seus produtos, principalmente, através de navios.

Uma afirmação curiosa é a que diz que o tal “imposto global de carbono” encarecerá o preço dos produtos aos americanos -vinda de um país que está aumentando tarifas para o mundo todo.

Outro absurdo é o que diz que “os padrões também impediriam o uso de tecnologias comprovadas que abastecem frotas de transporte marítimo globais, incluindo opções de menor emissão onde a indústria americana lidera, como gás natural liquefeito (GNL) e biocombustíveis.” Trata-se de uma inverdade. Não existe nada no acordo aprovado que diga que se irá excluir nem um nem outro.

A maioria dos países é favorável ao acordo. Em caso de votação, o quórum para o acordo ser aprovador é de 2/3 dos países-membros do anexo 6 da Marpol (a convenção de prevenção de poluição dos navios) e, dentro destes 2/3 tem de estar, no mínimo, 50% da tonelagem da frota mundial. Panamá, Libéria e Ilhas Marshall têm quase metade dessa frota.

Fonte: Valor Econômico

Ler Mais
Internacional

China cria o maior estaleiro do mundo, impulsionada pela rivalidade com os EUA

Em um acordo de US$ 16 bilhões, China busca conter as ações de Trump para reconstruir estaleiros americanos

Uma fusão de US$ 16 bilhões entre dois estaleiros da China está prevista para ser concluída ainda nesta semana, criando o maior estaleiro do mundo, enquanto os EUA buscam uma maneira de retornar ao setor.

Os estaleiros americanos estão tentando recuperar o atraso após décadas de declínio da indústria marítima, embora os planos ambiciosos do presidente Trump para reativar a construção naval americana tenham enfrentado dificuldades recentemente. No curto prazo, a ameaça de Trump de impor taxas mais altas a navios fabricados na China está dando aos rivais sul-coreanos e japoneses uma oportunidade para reconquistar participação de mercado.

A campeã chinesa chama-se China State Shipbuilding, ou CSSC. Esta semana, a empresa deve absorver sua parceira na fusão, a China Shipbuilding Industry, e assumir a listagem exclusiva na Bolsa de Valores de Xangai, após a recente aprovação do acordo pelos órgãos reguladores.

A empresa resultante da fusão espera usar seu volume para cortar custos e superar a turbulência do setor causada pelas medidas de Trump.

As duas empresas eram originalmente uma só e se separaram em 1999, quando o governo quis promover a concorrência. Atualmente, Pequim busca consolidar empresas estatais em setores sensíveis, particularmente aqueles ligados ao setor militar.

O principal área de negócio da CSSC é o comercial, mas ela também tem contratos importantes com a Marinha Chinesa. A empresa que está sendo incorporada projetou e construiu o primeiro porta-aviões chinês, o Shandong.

A diretoria da empresa informou que a fusão permitirá atender melhor à necessidade da Marinha por equipamentos avançados.

“Este é um marco importante na busca de longo prazo da China para dominar a construção naval global“, disse Matthew Funaiole, analista do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais em Washington.

Domínio da China

Juntas, as empresas representaram quase 17% do mercado global no ano passado, segundo dados de novos pedidos da Clarksons Research.

A carteira de pedidos combinada da empresa resultante da fusão totalizará mais de 530 navios e 54 milhões de toneladas de porte bruto, a maior do mundo, com uma receita anual de cerca de US$ 18 bilhões, segundo os últimos relatórios anuais.

“Isso fortalece a capacidade do governo chinês de executar sua estratégia de fusão militar-civil”, disse Funaiole. “A produção comercial e naval está cada vez mais integrada, compartilhando tecnologia, talento e infraestrutura.”

O governo chinês quer dominar a indústria da construção naval há décadas, e agora os estaleiros chineses representam mais da metade do mercado global.

Os navios construídos pela China representaram cerca de 55% da tonelagem global no ano passado, em comparação com menos de 0,05% dos EUA, segundo dados das Nações Unidas.

A China tem 232 vezes a capacidade de construção naval dos EUA, de acordo com a Marinha dos EUA.

Mas dados recentes sugerem que a China está enfrentando tempos mais difíceis, pois a perspectiva de taxas portuárias americanas sobre navios de fabricação chinesa levou os armadores a buscarem estaleiros não chineses. Além disso, as tarifas de Trump e o foco dos países nas cadeias de suprimentos domésticas aumentaram o espectro de uma redução no comércio global em geral, o que significa que menos navios seriam necessários para transportar mercadorias.

A Yangzijiang Shipbuilding, listada em Cingapura e o maior estaleiro privado da China, recebeu encomendas de 14 navios estimadas em US$ 540 milhões no primeiro semestre de 2025, em comparação com 126 embarcações estimadas em US$ 14,6 bilhões em todo o ano passado. Dados da Clarksons mostram que as encomendas globais de novos navios caíram 48% em relação ao ano anterior no primeiro semestre de 2025.

A Yangzijiang afirmou que o setor enfrenta “incertezas macroeconômicas e tensões geopolíticas”.

Enquanto isso, concorrentes menores no Japão buscam recuperar participação de mercado após décadas sendo pressionados por concorrentes chineses e sul-coreanos de menor custo.

O presidente da Imabari Shipbuilding, Yukito Higaki, que também preside a Associação de Construtores Navais do Japão, afirmou em junho que o país pretendia aumentar sua participação de mercado de cerca de 9% para 20% até 2030. A associação está “unindo empresas japonesas de navios e embarcações sob uma estratégia ‘All Japan’ para combater a China e a Coreia do Sul”, afirmou.

Japão dominava cerca de metade de toda a produção da construção naval na década de 1990.

Uma proposta apresentada em junho pelo Partido Liberal Democrata do Japão, agora no poder, pede amplos subsídios para estaleiros locais a fim de proteger a segurança nacional, incluindo um fundo público-privado de US$ 6,7 bilhões. “Se não agirmos agora, o Japão corre o risco de perder completamente sua indústria de construção naval, como aconteceu com a Europa e os Estados Unidos”, afirmou o partido.

“A China não desistirá facilmente”, afirmou Kenneth G. Huang, professor da Universidade Nacional de Cingapura que estuda empresas estatais chinesas. “A construção naval é uma capacidade essencial que a China quer desenvolver”, disse ele, “e a rivalidade com os EUA vai forçá-los a se modernizar mais rapidamente”.

Fonte: InvestNews

Ler Mais
Internacional

EUA perdem vendas de soja para China, enquanto Brasil ocupa abastecimento

Os exportadores de soja dos Estados Unidos correm o risco de perder bilhões de dólares em vendas para a China este ano, à medida que as negociações comerciais se arrastam e os compradores do principal importador de oleaginosas fecham cargas do Brasil para embarque durante a principal temporada de comercialização dos EUA, de acordo com traders.

Importadores chineses terminaram de reservar as cargas de soja para setembro, levando cerca de 8 milhões de toneladas, todas da América do Sul, disseram três traders à Reuters. Para outubro, compradores chineses garantiram cerca de 4 milhões de toneladas — metade de sua necessidade esperada — também da América do Sul, disseram os traders.    

“As fortes compras de soja da China no terceiro trimestre sugerem que o setor acumulou estoques antes dos possíveis riscos de fornecimento no quarto trimestre”, disse Wang Wenshen, analista da Sublime China Information. No ano passado, os importadores chineses de sementes oleaginosas compraram cerca de 7 milhões de toneladas dos EUA para embarques durante os dois meses. O risco de uma ausência prolongada de compras chinesas para o ano-safra dos EUA a partir de setembro, em meio a tensões comerciais não resolvidas, poderia aumentar a pressão sobre os futuros de Chicago, negociados próximos das mínimas de cinco anos, disseram os traders.

Normalmente, a maioria das compras chinesas de soja dos EUA é enviada entre setembro e janeiro, antes que os suprimentos brasileiros assumam o controle após a colheita da América do Sul. A expectativa é de que os compradores chineses concluam as reservas de outubro deste ano até o início do próximo mês, disse um trader de uma empresa internacional em Cingapura.

A China vem reduzindo sua dependência dos produtos agrícolas dos EUA desde a guerra comercial durante o primeiro mandato do presidente Donald Trump. No ano passado, a China importou cerca de 105 milhões de toneladas de soja. Desse total, 22,13 milhões de toneladas vieram dos EUA, no valor de US$ 12 bilhões. 

Tensões comerciais prejudicam as perspectivas

No domingo (10), Trump pediu à China que quadruplicasse suas compras de soja antes do prazo final da trégua tarifária, uma meta que analistas disseram ser inviável, pois exigiria que a China comprasse quase exclusivamente dos EUA. No dia seguinte, os dois lados estenderam a trégua tarifária por 90 dias. No entanto, três traders disseram à Reuters que a prorrogação, por si só, não deve estimular as compras, já que a tarifa de Pequim sobre as importações de soja dos EUA permanece em 23% — tornando-as não competitivas.

A China poderia voltar a comprar soja dos EUA se chegasse a um acordo para reduzir as tarifas. “Um cenário possível é que, se ambos os lados chegarem a um acordo em novembro, a China poderá voltar a comprar soja dos EUA, potencialmente estendendo a janela de exportação dos EUA e pressionando as vendas de novas safras do Brasil”, disse Johnny Xiang, fundador da AgRadar Consulting, sediada em Pequim.

Excluindo as tarifas, a soja dos EUA para embarque em outubro está cerca de US$ 40 por tonelada mais barata do que as cargas brasileiras que estão sendo compradas pela China, segundo dois traders. A China tem soja em abundância após intensificar as importações, com as compras atingindo níveis recordes nos últimos meses. 

Fonte: CNN Brasil

Ler Mais
Instagram
LinkedIn
YouTube
Facebook