Comércio, Exportação

Exportações de automóveis sobem 86%; vendas para a Argentina disparam

As vendas de automóveis para a Argentina subiram mais de 200%; país vive processo de recuperação econômica

As exportações brasileiras de veículos automóveis de passageiros cresceram 86% em maio de 2025, em comparação com o mesmo mês do ano anterior, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic).

No total, o Brasil exportou US$ 570 milhões em veículos desse grupo no período, ante US$ 306 milhões em maio de 2024. Em valores nominais, esse é o melhor resultado para um mês de maio desde 2017.

O principal motor dessa alta foram as vendas para a Argentina. O país vizinho, que vive um processo de recuperação econômica impulsionado pelas políticas de austeridade do presidente Javier Milei, ampliou as compras de produtos brasileiros.

As exportações para a Argentina saltaram de US$ 125,7 milhões em maio de 2024 para US$ 384,1 milhões no mesmo mês deste ano — um crescimento de mais de 200%.

Outros mercados relevantes para a indústria automobilística nacional também ampliaram suas compras. A Colômbia, por exemplo, importou US$ 82,1 milhões em maio, frente a US$ 34,9 milhões no mesmo período do ano passado. Já as exportações para o Chile cresceram 220%, totalizando US$ 20 milhões no mês.

Por outro lado, as vendas para o México, segundo maior comprador de veículos do Brasil, caíram 57%, passando de US$ 86,5 milhões em maio de 2024 para US$ 36,6 milhões no mesmo mês de 2025.

Essa retração, no entanto, já era esperada pelo setor. Com as tarifas de importação impostas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a indústria automotiva mexicana, principal exportadora para o mercado norte-americano, passou a operar com maior capacidade ociosa.

A expectativa era de que veículos antes destinados à exportação acabassem sendo absorvidos pelo mercado interno, o que tem se confirmado.

Dados do Instituto Nacional de Estatística e Geografia (Inegi) do México mostram que as exportações de veículos do país registraram queda de 11% em abril. Embora os dados de maio ainda não tenham sido divulgados, a projeção é de um recuo ainda maior.

Fonte: CNN Brasil

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Comércio, Exportação

Montadoras e fabricantes de autopeças acionam modo “pânico total” por restrições a terras raras

Frank Eckard, presidente-executivo de um fabricante alemão de ímãs, tem recebido uma enxurrada de ligações nas últimas semanas. Montadoras de veículos e empresas de autopeças têm se mostrado desesperados para encontrar fontes alternativas de ímãs, que estão em falta devido às restrições de exportação chinesas.

Alguns disseram a Eckard que suas fábricas podem ficar paradas até meados de julho sem o fornecimento de ímãs. “Todo o setor automotivo está em pânico total”, disse Eckard, presidente-executivo da Magnosphere, com sede em Troisdorf, Alemanha. “Eles estão dispostos a pagar qualquer preço.”

Os executivos do setor automotivo foram mais uma vez levados às salas de guerra, preocupados com o fato de que os rígidos controles de exportação da China sobre ímãs de terras raras – essenciais para a fabricação de veículos – possam prejudicar a produção. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse na sexta-feira que o presidente chinês, Xi Jinping, concordou em permitir o fluxo de minerais e ímãs de terras raras para os EUA. Uma equipe comercial dos EUA está programada para se reunir com seus homólogos chineses para conversações em Londres na segunda-feira.

O setor teme que a situação das terras raras possa se transformar no terceiro grande choque na cadeia de suprimentos em cinco anos. A escassez de chips causou redução de produção de milhões de carros entre 2021 e 2023 e, antes disso, a pandemia, em 2020, fechou fábricas por semanas.

Essas crises levaram o setor a fortalecer as estratégias da cadeia de suprimentos. Os executivos priorizaram suprimentos de reserva para os principais componentes e reexaminaram o uso de estoques “just-in-time”, que economizam dinheiro, mas podem deixá-los sem inventários quando uma crise se desenrola. No entanto, a julgar pelas ligações recebidas de Eckard, “ninguém aprendeu com o passado”, disse ele.

Desta vez, à medida que o gargalo das terras raras se torna mais apertado, o setor tem poucas boas opções, considerando a extensão do domínio da China sobre o mercado. O destino das linhas de montagem das montadoras foi deixado para uma pequena equipe de burocratas chineses, que analisa centenas de solicitações de licenças de exportação.

Várias fábricas européias de fornecedores de automóveis já fecharam as portas, e mais paralisações estão por vir, disse a associação de fornecedores de automóveis da região, a CLEPA. “Mais cedo ou mais tarde, todos serão confrontados”, disse o secretário-geral da CLEPA, Benjamin Krieger.

Atualmente, os carros terras raras em dezenas de pequenos motores elétricos que equipam componentes como espelhos laterais, alto-falantes, bombas de óleo, limpadores de para-brisa e sensores de vazamento de combustível e de frenagem.

A China controla até 70% da mineração global de terras raras, 85% da capacidade de refino e cerca de 90% da produção de ligas metálicas e ímãs de terras raras, segundo a consultoria AlixPartners. O veículo elétrico médio usa cerca de meio quilo de elementos de terras raras, e um carro movido a combustível fóssil usa apenas metade disso, de acordo com a Agência Internacional de Energia.

A China já tomou medidas restritivas anteriormente, inclusive em uma disputa com o Japão em 2010, durante a qual restringiu as exportações de terras raras. O Japão teve que encontrar fornecedores alternativos e, em 2018, a China foi responsável por apenas 58% de suas importações de terras raras.

A China tem uma carta de terras raras para jogar sempre que quer”, disse Mark Smith, presidente-executivo da empresa de mineração NioCorp, que está desenvolvendo um projeto de terras raras no Estado norte-americano de Nebraska com início de produção previsto daqui três anos. Em todo o setor, os fabricantes de automóveis têm tentado se livrar do uso de ímãs de terras raras da China ou até mesmo desenvolver ímãs que não precisem desses elementos. Mas a maioria dos esforços está a anos de distância da escala necessária.

“Trata-se realmente de identificar… e encontrar soluções alternativas” fora da China, disse Joseph Palmieri, chefe de gerenciamento da cadeia de suprimentos do fornecedor Aptiv, em uma conferência na cidade norte-americana de Detroit na semana passada.

As montadoras, incluindo General Motors e BMW, e os principais fornecedores, como ZF e BorgWarner, estão trabalhando em motores com conteúdo de terras raras zero ou reduzido, mas poucos conseguiram escalar a produção o suficiente para cortar custos.

A UE lançou iniciativas, incluindo a Lei de Matérias-Primas Críticas, para impulsionar as fontes europeias de terras raras. Mas o bloco de países não agiu com rapidez suficiente, disse Noah Barkin, consultor sênior do Rhodium Group, um grupo de estudo norte-americano voltado para a China.

Mesmo as empresas que desenvolveram produtos comercializáveis têm dificuldades para competir com os produtores chineses em termos de preço.

David Bender, codiretor do negócio de reciclagem de ímãs da especialista em metais alemã Heraeus, disse que está operando com apenas 1% da capacidade e terá que fechar no próximo ano se as vendas não aumentarem.

A Niron, sediada na cidade norte-americana de Minneapolis, desenvolveu ímãs livres de terras raras e levantou mais de US$250 milhões de investidores, incluindo GM, Stellantis e a fornecedora de autopeças Magna.

“Observamos uma mudança radical no interesse de investidores e clientes” desde que os controles de exportação da China entraram em vigor, disse o presidente-executivo da Niron, Jonathan Rowntree. A empresa está planejando uma fábrica de US$1 bilhão com início de produção previsto para 2029.

A Warwick Acoustics, sediada na Inglaterra, desenvolveu alto-falantes sem terras raras que devem aparecer em um carro de luxo ainda este ano. O presidente-executivo, Mike Grant, disse que a empresa está em negociações com mais uma dúzia de montadoras, embora os alto-falantes não devam estar disponíveis em modelos convencionais por cerca de cinco anos.

À medida que as empresas automotivas buscam soluções de longo prazo, elas se esforçam para evitar o fechamento iminente das fábricas.

As montadoras precisam descobrir quais de seus fornecedores precisam de licenças de exportação. A Mercedes-Benz, por exemplo, está conversando com fornecedores sobre a criação de estoques de terras raras.

Os analistas afirmam que as restrições podem forçar as montadoras a fabricarem carros sem determinadas peças e mantê-los em pátios até que as autopeças estejam disponíveis, como a GM e outras empresas fizeram durante a crise dos semicondutores.

A dependência das montadoras em relação à China não termina com os elementos de terras raras. Um relatório da Comissão Europeia de 2024 afirmou que a China controla mais de 50% do fornecimento global de 19 matérias-primas importantes, incluindo manganês, grafite e alumínio.

Andy Leyland, cofundador da SC Insights, especialista em cadeia de suprimentos, disse que qualquer um desses elementos poderia ser usado como alavanca pela China. “Isso é apenas um tiro de advertência”, disse ele.

Fonte: MSN

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Comércio Exterior, Exportação

Exportações da China desaceleram em maio; deflação se aprofunda

O crescimento das exportações da China desacelerou em maio para o nível mais baixo em três meses, uma vez que as tarifas dos Estados Unidos afetaram os embarques. Já a deflação ao produtor se aprofundou para seu pior nível em dois anos, aumentando a pressão sobre a segunda maior economia do mundo tanto na frente interna quanto externa.

Nos últimos dois meses, a guerra comercial global do presidente dos EUA, Donald Trump, e as oscilações nos laços comerciais entre a China e os EUA levaram os exportadores chineses, juntamente com seus parceiros comerciais em todo o Pacífico, a uma montanha-russa e prejudicaram o crescimento mundial. Ressaltando o impacto das tarifas dos EUA sobre as remessas, dados alfandegários mostraram que as exportações da China para os EUA caíram 34,5% em maio em termos de valor, a maior queda desde fevereiro de 2020, quando o surto da pandemia de Covid-19 afetou o comércio global.

As exportações totais do gigante econômico asiático aumentaram 4,8% no mês passado em comparação com o mesmo período do ano anterior em termos de valor, desacelerando em relação ao salto de 8,1% em abril e abaixo do crescimento de 5% esperado em uma pesquisa da Reuters, mostraram dados alfandegários nesta segunda-feira, apesar da redução das tarifas dos EUA sobre produtos chineses que entraram em vigor no início de abril.

“É provável que os dados de maio tenham continuado a ser afetados pelo período de pico das tarifas”, disse Lynn Song, economista-chefe do ING para a Grande China.

Song disse que ainda houve antecipação de embarques devido aos riscos tarifários, enquanto a aceleração das vendas para outras regiões além dos Estados Unidos ajudou a sustentar as exportações da China. As importações caíram 3,4% em relação ao ano anterior, aprofundando o declínio de 0,2% em abril e pior do que a queda de 0,9% esperada na pesquisa da Reuters. As exportações haviam aumentado 12,4% e 8,1% em março e abril, respectivamente, em relação ao ano anterior, uma vez que as fábricas apressaram os embarques para os EUA e outros fabricantes estrangeiros para evitar as pesadas taxas impostas por Trump à China e ao resto do mundo. 

Embora os exportadores da China tenham encontrado algum alívio em maio, pois Pequim e Washington concordaram em suspender a maioria de suas taxas por 90 dias, as tensões entre as duas maiores economias do mundo continuam altas e as negociações estão em andamento sobre questões que vão desde os controles de terras raras da China até Taiwan.

Os representantes comerciais da China e dos EUA se reunirão em Londres nesta segunda-feira para retomar as negociações após um telefonema entre seus principais líderes na quinta-feira. As importações chinesas dos EUA também perderam terreno, caindo 18,1%, depois de uma queda de 13,8% em abril. O superávit comercial da China em maio foi de US$ 103,22 bilhões, acima dos US$ 96,18 bilhões do mês anterior.

Os dados de preços ao produtor e ao consumidor, divulgados pelo Escritório Nacional de Estatísticas no mesmo dia, mostraram que as pressões deflacionárias pioraram no mês passado. O índice de preços ao produtor caiu 3,3% em maio em relação ao ano anterior, após um declínio de 2,7% em abril, marcando a maior queda em 22 meses. A expectativa em pesquisa da Reuters era de queda de 3,2% Já o índice de preços ao consumidor recuou 0,1% no mês passado na comparação anual, repetindo a mesma taxa de abril e ante expectativa de queda de 0,2%.

Na comparação mensal, os preços ao consumidor recuaram 0,2%, contra alta de 0,1% em abril, em linha com a expectativa de economistas em pesquisa da Reuters. A frágil demanda doméstica continua sendo um peso sobre a economia da China, apesar das medidas suporte recentes. 

Fonte: MSN

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Exportação, Marketing, Notícias, Sustentabilidade

Ciser fortalece presença global e é premiada como marca mais lembrada no setor de fixadores pelo 16º ano seguido 

Com operações em cinco unidades distribuídas entre o Brasil, China e Peru, a Ciser vem consolidando sua presença no cenário internacional como uma das principais exportadoras brasileiras no setor industrial. A empresa, que completa 65 anos de trajetória em 2024, leva soluções de fixação para mais de 25 países, com destaque para setores estratégicos como construção civil, agronegócio, automotivo, energia e metalomecânico. 

A internacionalização da marca tem ganhado força com a participação em grandes eventos globais, como a feira realizada recentemente na China, onde a empresa apresentou novidades tecnológicas e soluções inovadoras para o mercado mundial de fixadores. O movimento reforça o posicionamento da Ciser como referência em inovação e qualidade no fornecimento de fixadores para os mais diversos segmentos. 

Além de sua atuação crescente no exterior, a empresa também mantém o título de maior da Américas Latina, no segmento. Em 2025, a Ciser foi eleita, pela 16ª vez consecutiva, a marca mais lembrada do setor no Prêmio Top of Mind, promovido pelo Grupo Revenda. A premiação foi baseada em entrevistas com revendedores de todo o país, e a empresa conquistou o primeiro lugar nas categorias de fixadores e buchas para fixação. 

A cerimônia aconteceu no último dia 5 de junho, em São Paulo, e contou com a presença de representantes da empresa, entre eles o gerente de vendas Roberto Carlos Estevão e o supervisor de vendas Rodrigo Haruo Sato. “Estar no topo por 16 anos seguidos mostra que estamos no caminho certo, mantendo nosso compromisso com a excelência, inovação e qualidade. Esse reconhecimento vem dos nossos clientes e parceiros, e é para eles que trabalhamos todos os dias”, destacou Bruno Inácio da Maia, gerente de marketing da Ciser. 

Com mais de 27 mil itens em seu portfólio, distribuídos em 500 linhas de produtos, a Ciser é a maior fabricante de fixadores da América Latina. A empresa conta com mais de 2 mil colaboradores e unidades em Joinville (SC), Araquari (SC), Sarzedo (MG), além de suas operações internacionais no Peru e na China. 

Premiada também pelo Valor Inovação, a empresa é considerada uma das mais inovadoras do país, investindo constantemente em pesquisa, tecnologia e soluções que entregam desempenho, segurança e durabilidade. 

A história da Ciser é marcada pela solidez, pelo olhar voltado à sustentabilidade e pelo impacto positivo nas comunidades onde atua. Ao conquistar novos mercados e reforçar sua posição como líder no Brasil, a empresa mostra que sua trajetória é guiada por resultados, inovação e compromisso com o futuro. 

(Fonte: Diretoria de Marketing) 

Fontes complementares: 

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Exportação, Industria

Brasil pode multiplicar 22 vezes exportações à UE com aço e alumínio mais ‘verdes’, diz BCG

Investindo na descarbonização da indústria de minérios, o Brasil pode atrair entre 10 e 15 bilhões de euros em investimentos e multiplicar as exportações para a União Europeia em 20 a 22 vezes, afirma estudo da consultoria BCG (Boston Consulting Group) apresentado em Paris nesta segunda-feira (2).

Analisando reservas naturais brasileiras e uma disponibilidade de energia renovável que tende a crescer, a pesquisa sustenta que o país tem uma boa oportunidade de aumentar mercado atendendo anseios de grandes indústrias europeias no setor automotivo, por exemplo, que já fixaram metas de adquirir matéria-prima menos intensiva em emissões de gases estufa.

Fonte: Um Só Planeta 

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Comércio Exterior, Exportação

Indústria avícola pressiona para reabrir mercados de exportação

Duas semanas após conter totalmente um surto de influenza aviária altamente patogênica (IAAP) em Montenegro, no Rio Grande do Sul, e com mais da metade do período de 28 dias já transcorrido para o Brasil se autodeclarar livre da doença, os frigoríficos brasileiros de carne de frango intensificam as negociações com importadores para aliviar as restrições comerciais impostas por protocolos sanitários internacionais.

Nesta quinta-feira (5 de junho), Ricardo Santin, presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), se reunirá em Bruxelas com importadores e representantes de empresas processadoras de carne de frango da Europa. Será o primeiro encontro presencial com foco principal na reabertura dos mercados de exportação.

“Agora que voltamos a estar livres da gripe aviária em plantéis comerciais, nosso trabalho é recuperar o mercado o mais rápido possível”, disse Santin ao Valor. “O Brasil está pedindo que as restrições sejam reduzidas para um raio de 10 quilômetros, conforme recomendação da Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA), especialmente agora que já se passaram mais de 10 dias desde a contenção do surto. O Brasil tem todos os motivos para argumentar que nem mesmo o Rio Grande do Sul deveria continuar fechado”, acrescentou.

A União Europeia foi o sétimo maior destino das exportações brasileiras de frango em 2024, com importações de 231.800 toneladas da proteína.

Confira a seguir os principais destinos do frango brasileiro no primeiro quadrimestre de 2025. O gráfico foi elaborado com dados do DataLiner:

Principais destinos do Frango Brasileiro| Jan a  Abr 2025| TEU

O surto foi confirmado em 15 de maio. O Brasil notificou oficialmente a OMSA sobre a contenção da doença em 21 de maio, iniciando a contagem dos 28 dias exigidos para que um país possa se autodeclarar livre da gripe aviária, desde que não surjam novos casos.

A reunião em Bruxelas contará com a presença do embaixador Pedro Miguel, chefe da missão brasileira na União Europeia, e de empresas importadoras. Nesta semana, Jordânia e Kuwait anunciaram o afrouxamento de suas proibições, limitando as restrições às plantas localizadas no Rio Grande do Sul. Segundo Santin, Bolívia, Líbia, Namíbia e Peru também sinalizaram que podem tomar medidas semelhantes em breve.

“Estamos mostrando que as medidas de biossegurança funcionaram. A tendência agora se inverte, o que é muito positivo. Nenhum novo país está fechando seus mercados — e alguns estão reabrindo”, afirmou Santin. Ele também destacou a importância de manter o comércio aberto com mais de 120 países que continuam importando carne de frango brasileira sem restrições.

Santin ressaltou ainda que mercados importantes como Japão, Reino Unido, Hong Kong, Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Cingapura, Vietnã e Egito adotaram medidas de regionalização em vez de proibições totais.

Essas decisões, segundo ele, refletem uma revisão mais ampla dos protocolos comerciais para limitar as restrições às regiões afetadas — mudança fortalecida pela rápida resposta do governo brasileiro e do setor privado ao único caso confirmado de gripe aviária em plantel comercial até o momento. Nesta semana, casos suspeitos em granjas de Anta Gorda (RS) e Bom Despacho (MG) foram descartados, embora uma nova investigação tenha sido iniciada em Teutônia (RS).

Um dos principais argumentos das autoridades e frigoríficos brasileiros nas negociações é o impacto das proibições de exportação sobre os preços ao consumidor nos países importadores. Na África do Sul, por exemplo, os preços de alguns produtos avícolas triplicaram desde a imposição do embargo, segundo Santin.

“Esperamos que, passada essa tempestade, possamos voltar a esses países e usar isso como argumento para revisar os protocolos. Precisamos reconhecer que esse tipo de evento pode voltar a acontecer, mas sem gerar interrupções comerciais”, afirmou.

A ABPA já tinha reuniões agendadas nas Filipinas e no Japão para agosto, mas considera antecipá-las. Enquanto isso, os contatos com os principais compradores seguem diariamente por telefone. Segundo Santin, não houve movimentações por parte da China até agora. “O diálogo segue aberto entre as autoridades. Nossos adidos agrícolas estão lá, toda a documentação necessária foi enviada. Agora é esperar e respeitar a autonomia da China”, afirmou.

Santin também elogiou os esforços do Ministério da Agricultura e da Secretaria de Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação do Rio Grande do Sul (Seapi), classificando o trabalho de contenção do surto como “impecável”. Segundo ele, a OMSA elogiou a comunicação do Brasil pela “clareza, precisão, rapidez e transparência”.

A ABPA ainda não fechou os dados de exportação de maio, mas dados preliminares indicam que os embarques se mantiveram estáveis em relação a abril, apesar das restrições impostas após o surto confirmado em 15 de maio. Comparando as duas primeiras semanas do mês com o período posterior ao caso de Montenegro, o volume médio diário de exportações caiu apenas 1,74%, disse Santin.

Fonte: Valor International

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Comércio, Comércio Exterior, Exportação

Brasil bate recorde trimestral nas exportações da piscicultura

A receita dos exportadores foi de US$ 18,5 milhões em pescado de cultivo, um crescimento de 112%

A piscicultura brasileira segue batendo recordes de exportação. Depois de fechar 2024 com o dobro de embarques em relação a 2023, o setor registrou, de janeiro a março deste ano, o maior valor para um trimestre.

A receita dos exportadores foi de US$ 18,5 milhões em pescado de cultivo, um crescimento de 112% em relação ao mesmo período de 2024. Também houve um salto no volume exportado, que atingiu 3.938 toneladas, uma alta de 89%.

A tilápia segue liderando com folga as exportações. No primeiro trimestre de 2025, a espécie movimentou US$ 17 milhões, o que representa 92% de todo o valor exportado pelo setor. Em comparação com o mesmo período de 2024, o crescimento foi de 105%.

Em volume, foram exportadas mais de 3.455 toneladas de tilápia, o equivalente a cerca de 72 mil carrinhos de supermercado cheios de peixe, considerando uma média de 50 kg por carrinho.

O curimatá, com US$ 580 mil em exportações e aumento de 333%, foi o destaque entre as espécies nativas, seguido pelo tambaqui, que alcançou US$ 479 mil exportados no trimestre. Os dados são da plataforma Comex Stat, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).

Os Estados Unidos continuaram na posição de maior importador da piscicultura brasileira no primeiro trimestre de 2025, com US$ 16,3 milhões, ou seja, 88% do total. Peru foi o segundo principal destino, com 7%, tendo importado principalmente peixes nativos. Canadá (2%), China (1%) e Japão (1%) foram os outros destinos.

No trimestre, o Brasil passou a ser o terceiro maior exportador de tilápia para os Estados Unidos, deixando para trás Indonésia e Colômbia.

Apesar de manter a posição de maior estado exportador de tilápia com US$ 8,3 milhões no trimestre, o Paraná teve uma redução de 80% no primeiro trimestre de 2024 para 49% neste ano. Já São Paulo triplicou sua participação, passando de 12% em 2024 para 36% nesse trimestre.

Em nota, o ministro da Pesca e Aquicultura, André de Paula, disse que os resultados são reflexo de um esforço contínuo do governo federal para fortalecer o setor e abrir novos mercados internacionais.

“Ao mesmo tempo, avançamos em frentes estruturantes, como o licenciamento ambiental da aquicultura. Estamos celebrando novas cessões de uso em águas da União e oferecendo segurança jurídica para que os produtores possam crescer com regularidade e responsabilidade.”

Fonte: Globo Rural


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Comércio, Exportação

Brasil dá passo decisivo para transformar bioinsumos em produto tipo exportação

Parceria entre ApexBrasil e CropLife Brasil quer posicionar o país como referência global em soluções tecnológicas baseadas na natureza 

Foi formalizada na terça-feira (27), uma iniciativa estratégica para consolidar a posição do Brasil como protagonista mundial na oferta de soluções agrícolas baseadas na natureza. O Projeto Bioinsumos do Brasil é resultado de uma parceria entre Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) e a CropLife Brasil e tem o objetivo de fortalecer a presença das empresas brasileiras do setor no mercado internacional.  

O presidente da ApexBrasil, Jorge Viana, destacou o gesto histórico que inaugurou o projeto. “Uma parceria entre governo e indústria que sempre foi profícua e no caso dos bioinsumos tem tudo para crescer. É um momento oportuno o qual discutimos eventos climáticos e essa é uma pauta que tem a ver com o nosso ambiente. A busca por bioinsumos sempre esteve presente no nosso país e essa conexão com a natureza é fundamental. A agricultura do Brasil está fadada a encarar esses desafios e iniciativas como essas precisam florescer,” afirmou Viana. 

Segundo levantamento da CropLife Brasil, em parceria com a Blink, a taxa média de adoção de bioinsumos no país subiu de 23% para 26% da área plantada nacional. O setor mantém um ritmo de crescimento acelerado, com uma média de 22% ao ano nos últimos três anos, desempenho quatro vezes superior à média global. 

O diretor-presidente da CropLife Brasil destacou a liderança do país na produção da tecnologia. “O Brasil é uma das agriculturas mais competitivas do mundo e a maior agricultura tropical. Nesse contexto, temos um imenso potencial de exportar bioinsumos produzidos aqui, com 90% da matéria-prima nacional. De mil produtos registrados, metade foram nos últimos três anos. Então é um momento decisivo para dar início a esse projeto. A estimativa é que na próxima década o Brasil represente ⅓ dos bioinsumos do planeta e nós vamos levar os benefícios que o país tem com esse produto para o mundo,” declarou Leão. 

Na última safra, o mercado de proteção de cultivos, tanto de biológicos como de químicos, cresceu 7%. O segmento de bioinsumos avançou mais de 35% consolidando-se como uma das tecnologias de maior expansão no agronegócio brasileiro. 

A expansão do mercado brasileiro é sustentada por três pilares fundamentais: qualidade técnica dos produtos, competitividade econômica e aderência crescente às práticas de produção de baixo impacto ambiental exigidas tanto no mercado interno quanto no mercado internacional. 

O secretário de Descarbonização e Economia Verde do Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Rodrigo Rollemberg, destacou a oportunidade para o setor: “É um projeto importante para falar ao público externo sobre o que é a agricultura brasileira de verdade, que tem a legislação ambiental mais avançada do mundo, que tem tecnologia e agora tem bioinsumos, com os quais podemos inverter a lógica de dependência de insumos, com redução de custos e sustentabilidade. É uma grande oportunidade de mudar a imagem da nossa agricultura na COP este ano no Brasil,” apontou Rollemberg. 

Produto tipo exportação 

O Brasil conta hoje com mais de 170 empresas produtoras de bioinsumos, responsáveis por um portfólio que já ultrapassa mil produtos registrados, consolidando o país como um polo de excelência no desenvolvimento de soluções agrícolas sustentáveis aplicadas à agricultura tropical. 

O projeto contempla uma série de ações, como participação em feiras internacionais, realização de rodadas de negócios, missões comerciais, promoção institucional e estudos de mercado. O primeiro passo é o desenvolvimento da marca institucional do projeto. 

Com um mercado em expansão, que registrou crescimento de 13% na utilização de bioinsumos na safra 2024/2025 — 156 milhões de hectares tratados —, o país mira agora os mercados internacionais com o Projeto Bioinsumos do Brasil. 

Desafio e oportunidade global 

O lançamento do projeto ocorre em um ambiente de grandes desafios para a agricultura global, marcado por mudanças climáticas, busca por modelos produtivos mais eficientes e demanda crescente por alimentos produzidos de forma sustentável. 

A estratégia do projeto prevê atuação prioritária nos mercados dos países vizinhos produtores agrícolas na América Latina, além de Estados Unidos e Europa. 

O secretário de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), Luís Rua, destacou a iniciativa como mais uma oportunidade de comércio agrícola brasileiro: “(Iniciativa) Inovadora, sustentável e em linha com as demandas do século 21. Já somos produtores de commodities, produtos industrializados e passaremos a ser também de insumos. Esse é o trabalho de criar negócios e diversificar nossa pauta exportadora. E bioinsumos é o futuro da nossa agricultura,” declarou Rua. 

Sobre o Projeto Bioinsumos do Brasil 

O Projeto Bioinsumos do Brasil é uma iniciativa da ApexBrasil, em parceria com a CropLife Brasil, que tem como objetivo posicionar o país como referência global na produção e exportação de bioinsumos. A proposta é fortalecer a presença internacional das empresas brasileiras do setor, destacando os diferenciais competitivos e a liderança do Brasil em tecnologias sustentáveis aplicadas à agricultura. A iniciativa busca promover os bioinsumos brasileiros no mercado externo, ampliar a inserção das empresas em novos mercados, gerar oportunidades de negócios e investimentos em bioeconomia e consolidar a imagem do país como polo de soluções baseadas na natureza (SBNA) para a agricultura. 

Fonte: ApexBrasil

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Comércio Exterior, Exportação

Feijão: Brasil bate recorde nas exportações

O Brasil acaba de registrar um marco histórico: entre maio de 2024 e abril de 2025, foram exportadas mais de 400 mil toneladas de feijões, movimentando mais de R$ 2 bilhões e consolidando o país como um dos principais fornecedores globais de pulses — grupo que inclui também ervilhas, lentilhas e grão-de-bico.

Esse recorde foi coroado com um reconhecimento importante: o prêmio de Sustentabilidade entregue pelo Global Pulse Confederation (GPC), em Singapura, ao projeto Pulse Day. Criado pelo Instituto Brasileiro do Feijão, Pulses e Colheitas Especiais (Ibrafe), o Pulse Day conecta produtores às últimas inovações, incentivando-os por meio de conhecimento, aproximando a pesquisa do campo e promovendo práticas mais eficientes e sustentáveis.

Por trás desses números, está uma trajetória de décadas. O Brasil, que no passado exportava apenas três cultivares de feijão, hoje atende mais de 75 países com mais de 20 variedades — resultado do trabalho conjunto entre produtores, pesquisadores da Embrapa, IAC, IDR-Paraná e exportadores, que, ao lado do Ibrafe, ajudaram a ampliar mercados e a melhorar a competitividade do produto brasileiro.

Mas os desafios são grandes. O setor enfrenta gargalos logísticos severos: portos congestionados, falta de fiscais do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) para liberar cargas, estradas em más condições e processos burocráticos que encarecem e atrasam operações. Em um mercado global altamente competitivo, com gigantes como Índia, Canadá, Estados Unidos e Austrália, cada atraso é uma perda de oportunidade.

Ao lado das soluções técnicas, o Brasil conta com aliados institucionais essenciais. Os adidos agrícolas no exterior, com apoio do Mapa, Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) e Ministério das Relações Exteriores (MRE), têm sido fundamentais para abrir portas, destravar negociações, alinhar protocolos sanitários e posicionar o Feijão brasileiro como produto competitivo e confiável.

Além disso, o projeto Brazil Superfoods, desenvolvido pelo Ibrafe com apoio da ApexBrasil, vem ampliando a presença do feijão e outros pulses brasileiros em mercados premium, reforçando a imagem de alimentos sustentáveis, saudáveis e alinhados às novas tendências globais de consumo.

Confira a seguir um histórico das exportações brasileiras de feijão e outras leguminosas secas a partir de janeiro de 2022. O gráfico foi elaborado com dados do DataLiner:

Exportações Brasileiras de Feijões e outras leguminosas secas | Jan 2022 – Abr 2025 | TEUs

Manter o crescimento das exportações depende de investimentos em infraestrutura, digitalização, rastreabilidade e certificações. É preciso fortalecer a base logística e aduaneira para garantir que o Brasil continue avançando no mercado global, com eficiência e inovação.

O prêmio recebido no GPC não é apenas uma conquista simbólica — é um sinal de que, quando pesquisa, produtores, governo e setor privado trabalham juntos, os resultados aparecem. A liderança no mercado global de pulses exige alinhamento estratégico e compromisso com o futuro.

*Marcelo Lüders é presidente do Ibrafe, especialista em pulses e atua na promoção do feijão brasileiro no mercado interno e internacional

Fonte: Canal Rural

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Exportação, Internacional

A infraestrutura argentina não está de acordo com as necessidades de exportação

O presidente da Câmara de Comércio Exterior de Santa Fé afirmou que o país precisa resolver seus gargalos logísticos

Rodovias saturadas, infraestrutura que não dá conta de acompanhar o volume de exportações que, apesar da incerteza econômica, continua fluindo, são alguns dos obstáculos enfrentados pelo comércio exterior argentino em todo o território. A província de Santa Fé, um dos motores agroexportadores do país, não é exceção e também enfrenta esses desafios estruturais que vão além das oscilações dos mercados globais.

Em entrevista à Ser Industria Radio, o presidente da Câmara de Comércio Exterior de Santa Fé (CaCESFe), Enzo Zamboni, alertou que há um colapso nos portos localizados no Rio Paraná devido às quantidades de grãos vendidas para o exterior. Com uma safra de soja que ele classificou como “boa” e uma recuperação do sorgo, a província vê suas capacidades limitadas não por falta de produção, mas por gargalos logísticos, burocráticos e estruturais.

Além disso, ele destacou que “não é a primeira vez que a rodovia Santa Fé-Rosário está colapsada para o escoamento pelos portos de Timbúes até Villa Constitución”. Esse corredor, junto com os portos da província de Buenos Aires, é um dos mais ativos do país. “O problema é que a infraestrutura argentina não está de acordo com as necessidades de exportação, nem em tempo, nem em forma”, afirmou.

Enquanto os caminhões aguardam sua vez no acostamento, uma pergunta de fundo agita o setor: basta exportar matérias-primas? Para Zamboni, a resposta é clara. “Precisamos entrar em uma fase de agregação de valor a todos os recursos naturais que exportamos como forma de melhorar nossa balança comercial”, indicou.

Conta pendente

Zamboni insistiu em pensar em termos de valor agregado, transformação industrial e desenvolvimento tecnológico. “Quando se visita feiras internacionais, o que chama a atenção é que damos pouco valor agregado a tudo o que exportamos”, apontou. “Por causa da urgência em gerar divisas, nossas exportações são de recursos naturais e não de produtos elaborados, o que faz com que percamos uma maior renda”, explicou.

Na sua visão, o país atravessa uma tensão entre a necessidade de obter divisas de forma urgente e a construção de um modelo exportador sustentável a longo prazo. “Precisamos equilibrar a balança puramente agrícola com uma de valor agregado industrial”, afirmou.

Não é apenas um problema teórico. Segundo dados que compartilhou após uma reunião com a Federação das Câmaras de Comércio Exterior da República Argentina (FECACERA), o número de empresas exportadoras caiu drasticamente. “De 15.000 passamos para 9.000. Infelizmente, o potencial exportador das indústrias que agregam valor está diminuindo”, disse Zamboni.

Apesar desse panorama, há setores que conseguem manter uma dinâmica positiva, como o de máquinas agrícolas, que “está passando por uma espécie de renovação, de aclimatação”, explicou, acrescentando que é uma indústria que “tem tecnologia muito boa e está exportando bem”.

No entanto, ele alerta que o caminho não é automático. “Isso requer, logicamente, uma adaptação a todas as normas internacionais no que diz respeito a poder competir em outros lugares do mundo que não seja somente a América Latina.”

Zamboni também trouxe uma visão mais ampla e considerou que “a Argentina tem a possibilidade de ser um dos países que acelere seu ritmo de crescimento. Poderiam nos considerar um tigre da América Latina”. Para isso, enumerou setores com potencial como “a indústria do conhecimento, software, games, engenharia eletrônica”, além da incorporação de sensores e drones à maquinaria agrícola.

Segundo ele, o foco não deve estar apenas em reduzir impostos, mas em gerar condições estruturais. “Em vez de seguir o caminho das retenções, que obviamente entendemos que o Estado pode precisar, seria interessante optar por não reter e tentar melhorar todo o perfil de todos os problemas que vão além da exportação.”

Mudanças e competição
Em relação à política de desregulamentação do comércio exterior impulsionada pelo governo de Javier Milei, Zamboni se mostra cauteloso, mas crítico. Ele apontou a eliminação das retenções para 4.411 posições tarifárias de produtos industriais, que representam 88% dos que são exportados, e destacou que têm “uma análise bastante crítica, mas reservada.”

Nesse sentido, ele questionou a falta de lógica setorial na implementação. “Não sabemos os critérios, mas há uma nova forma de fazer as coisas. A informação está nos atores privados e os atores públicos precisam ouvir”, reclamou. Por isso, para ele a chave está em uma abertura “seletiva, equilibrada”, em vez de uma liberalização indiscriminada.

O comércio exterior também depende de insumos importados. “Depende do setor, há alguns que precisam de insumos importados de última geração”, diz Zamboni. E, embora ele advirta sobre “importações luxuosas”, reconhece que “para poder competir internacionalmente é preciso usar insumos nacionais e internacionais”.

Para exemplificar, tomou como exemplo a maquinaria agrícola argentina, que descreveu como “muito boa”. Por isso, destacou que não vê em que “a maquinaria que venha do exterior poderia contribuir. Mas sim dar à nossa fabricante a oportunidade de assumir uma mudança na sua produção, melhoria tecnológica e inovação, com créditos que a acompanhem na reconversão.”

No que diz respeito à competitividade, o custo logístico é um dos maiores obstáculos. A esse respeito, destacou que os custos fluviais são muito mais baixos do que os do transporte terrestre. O problema não é novo, mas é cada vez mais urgente. “Nós temos custos logísticos que são caros e, infelizmente, isso acaba influenciando muito na exportação.” Diante disso, Zamboni propôs que é preciso “olhar com atenção as obras públicas que são necessárias para melhorar os custos de transporte do que será exportado.”

“Quando se começa a exportar, começa o que costumo chamar de efeito da cerca de arame farpado, e começam efeitos de contágio, de informação que vai e volta, que entram e saem entre os pontos que estamos buscando. Reintegrar-se internacionalmente também tem um efeito cultural e social muito importante”, concluiu.

Fonte: Ser Industria

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