Exportação, Industria

Indústrias do aço e do alumínio pleiteiam cotas de exportação

Ainda não é possível medir os impactos sobre a indústria brasileira gerados pela decisão do governo dos Estados Unidos de impor uma taxa de 25% sobre o aço e o alumínio importados. Executivos dos dois setores admitem que o clima é de incerteza e apreensão e informam que buscam, por intermédio do governo brasileiro, conseguir uma flexibilização da medida.

“Inicialmente, as novas taxas atingem igualmente todos os países e não mudam o quadro geral de competitividade. Mas essa situação não deve durar”, diz Marco Polo de Mello Lopes, presidente executivo da Aço Brasil, instituição que representa as siderúrgicas nacionais. “Vários países negociam novas taxas em Washington. Aqueles que fizerem acordos mais rápido vão levar vantagem. Se formos lentos, vamos perder espaço.”

Reino Unido e EUA já anunciaram acordo para a redução de tarifas sobre o aço, mas os detalhes ainda não são públicos.

Os Estados Unidos são o principal destino internacional do aço brasileiro e o segundo do alumínio. Em 2024 o Brasil exportou 4,08 milhões de toneladas de aço para lá, o que representou 42,6% do volume exportado pelo país, e obteve na operação US$ 2,99 bilhões, 39,2% da receita das exportações siderúrgicas. O Brasil foi o segundo maior exportador para os EUA, atrás apenas do Canadá.

O principal item exportado para foi o aço semiacabado, que gerou uma receita de US$ 2,3 bilhões. É um item que não é vendido diretamente ao consumidor; é usado como insumo na indústria do aço, que faz a laminação e revende. “Ao taxar o semiacabado, os Estados Unidos tiram competitividade da própria siderurgia americana”, diz Lopes.

Os EUA não são autossuficientes em aço semiacabado e demandam uma importação anual de 5,6 milhões de toneladas. Construir usinas para atender essa demanda é um processo lento, que leva entre três e quatro anos.

Na balança comercial do aço, o Brasil importa carvão metalúrgico dos Estados Unidos (US$ 1,4 bilhão em 2014), e US$ 3,9 bilhões em máquinas e equipamentos, que contêm muito aço embarcado. “Se levarmos em consideração toda a cadeia produtiva, os Estados Unidos são superavitários em relação ao Brasil”, destaca o executivo da Aço Brasil.

Em 2018 – quando o primeiro governo Trump criou uma taxa de 25% sobre aço e alumínio importados -, esses argumentos foram suficientes para levar o governo americano a adotar uma política de cotas para as compras de aço brasileiro. Naquele ano foi negociada uma cota rígida (“hard quota”), que não poderia ser ultrapassada, nem pagando tarifa extra de importação. Por outro lado, todo o aço exportado para os EUA, até o limite anual de 3,5 milhões de toneladas de semiacabado e 687 mil toneladas de laminados, tinha tarifa zerada. A solução valeu até março deste ano.

“O pleito da indústria siderúrgica brasileira é a volta desta política de hard quota”, diz Lopes. As negociações tiveram início em março com uma videoconferência do vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, o secretário de Comércio dos Estados Unidos, Howard Lutnick, e o representante comercial dos EUA, Jamieson Greer.

Tatiana Prazeres, secretária de Comércio Exterior do ministério, considera que o primeiro momento é de esclarecer os aspectos da política tarifária brasileira aos americanos e apresentar argumentos, em um processo de negociação que se apresenta como difícil e lento. “Mostramos que o Brasil não é problema para os EUA. Eles têm superávit comercial conosco”, afirma. “Em oito dos dez principais itens que importamos dos EUA, a tarifa de importação é zero”, diz.

Em relação às novas tarifas sobre aço e alumínio, a estratégia é mostrar a importância do fornecimento brasileiro para a cadeia produtiva americana, como apresentado por Lopes. “Estamos trabalhando em sintonia com a iniciativa privada, queremos uma relação de ganha-ganha com os EUA”, diz Prazeres.

A indústria brasileira do alumínio também pleiteia a substituição da tarifa de 25% por um sistema de cotas que permita volumes anuais isentos de sobretaxa. “É nossa principal proposta”, afirma Janaina Donas, presidente executiva da Associação Brasileira do Alumínio (Abal).

Em 2024, os Estados Unidos foram destino de 16,8% das exportações brasileiras de produtos de alumínio, totalizando US$ 267 milhões e 72,4 mil toneladas, mas representou menos de 1% das importações americanas. Os principais itens embarcados foram chapas e folhas de alumínio.

No primeiro trimestre de 2025, as exportações brasileiras para os EUA cresceram 22% em volume em relação ao mesmo período de 2024, para 22,2 mil toneladas. “Esse avanço refletiu um movimento de antecipação de embarques, diante da expectativa da entrada em vigor da nova tarifa”, diz a executiva. Até março, vigorava uma tarifa de 10% sobre as exportações do setor aos EUA.

De acordo com Donas, os americanos não são autossuficientes na produção de alumínio primário – resultado da transformação direta da bauxita. Ela calcula que o país precisaria de cinco a oito anos para estabelecer uma produção com escala suficiente para atender sua demanda interna.

A principal preocupação do setor no Brasil é que as novas tarifas americanas gerem desvio de comércio, ou seja, que países redirecionem suas exportações, que anteriormente atendiam aos Estados Unidos, para mercados alternativos e menos protegidos, como o Brasil, e para isso usem práticas anticompetitivas, como o dumping. “O Brasil precisa fortalecer seus instrumentos de defesa comercial”, diz Donas.

Prazeres informa que o governo brasileiro está preocupado com o risco de desvio de comércio e faz um monitoramento “com lupa” de todos os produtos e agirá, caso necessário.

Fonte: Valor Econômico

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Comércio, Comércio Exterior, Exportação

Exportações de pescados têm alta de 1.300% em cinco anos

Em cinco anos, as exportações de pescados, especialmente a tilápia, registraram crescimento de 1.300%. Ou seja, de 187 toneladas de peixes no primeiro quadrimestre de 2020 para 2,7 mil toneladas no mesmo período de 2025. A informação consta no mais recente boletim do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Estado da Agricultura e Abastecimento (Seab).

Confira a seguir um histórico das exportações brasileiras de peixes. O gráfico foi elaborado com recursos do DataLiner:

Exportações Brasileiras de Peixes | Jan 2022 – Mar 2025 | TEUs

O volume exportado neste primeiro quadrimestre de 2025 também é 43% maior que no mesmo período de 2024. “Com o crescimento das exportações de peixes pelo Estado observa-se um ganho de importância no cenário nacional. No ano de 2020 as exportações de pescados do Paraná representavam pouco mais de 1% do total nacional, já no ano de 2024 esta participação subiu para 11,8%”, diz o documento preparado pelos técnicos do Deral.

Em relação ao faturamento, nos primeiros quatro meses de 2020 a exportação de pescados no Paraná registrou US$ 233,2 mil. Já no mesmo período de 2025 a receita foi de US$ 11,150 milhões, mostrando um aumento de mais de 4.600% em cinco anos.

O principal item exportado é a carne de tilápia, que representa 88% do total. Já o principal destino é os Estados Unidos que compram 87% do total exportado.

Suínos
O boletim apresenta uma análise que mostra o que seria necessário para que o Paraná assumisse a liderança no abate nacional de suínos, já que em 2016 ultrapassou o Rio Grande do Sul e se tornou o segundo no ranking brasileiro, superado apenas por Santa Catarina, que em 2024 abateu 16.861.673 animais, enquanto o Paraná abateu 12.420.115 suínos, uma diferença de 4.441.558 cabeças.

Frango
Segundo dados do Agrostat Brasil/Mapa, o Paraná manteve sua liderança como maior produtor e exportador de carne de frango do Brasil no 1º quadrimestre de 2025. O Estado exportou 746,4 mil toneladas, um crescimento de 7,3% em relação ao mesmo período de 2024 (693,7 mil toneladas).

A receita obtida foi de US$ 1,385 bilhão, 14,6% maior do que a registrada no ano anterior (US$ 1,208 bilhão). Esse aumento veio tanto do maior volume exportado quanto da valorização do preço médio da tonelada, que passou de US$ 1.741,45 em 2024 para US$ 1.855,35 em 2025, uma alta de 6,5%.

Fonte: O Maringá 

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Comércio, Exportação

Fornecedores de madeira manifestam preocupação com cenário comercial

Alterações teriam impacto na economia de Santa Catarina, Paraná e Rio Grande do Sul, afirma especialista


Uma eventual alteração comercial nas vendas de madeira para os Estados Unidos, pela imposição de novas tarifas pelo governo americano, poderia prejudicar a economia do Sul do Brasil. Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina se destacam entre os maiores exportadores do país.

“Esses Estados possuem polos madeireiros bem estruturados e que empregam muitas pessoas, o que significa que alterações comerciais significativas [como o tarifaço impostos pelos EUA] poderiam afetar diretamente a economia local”, afirma Jackson Campos, especialista em comércio exterior e diretor de relações institucionais da AGL Cargo.

De abril de 2024 a março deste ano, as exportações brasileiras de produtos de madeira para os Estados Unidos somaram US$ 1,58 bilhão, alcançando 1,66 milhão de toneladas. O Paraná contribuiu com US$ 643,5 milhões, o Rio Grande do Sul com US$ 392,5 milhões e Santa Catarina, com US$ 113,6 milhões.

As madeiras brutas, principalmente tábuas e ripas de pinus – muito utilizadas nas construções americanas -, representaram cerca de US$ 400 milhões das exportações. Já as madeiras serradas em pranchas totalizaram US$ 240,4 milhões. Os compensados, usados na construção civil e na produção de móveis, também foram bastante exportados, atingindo US$ 278 milhões no período analisado. As chapas de MDF, utilizadas principalmente pela indústria moveleira, registraram exportações próximas a US$ 86 milhões. Os dados são da LogComex, empresa de soluções tecnológicas em comércio exterior.

Segundo Campos, com o risco do aumento das tarifas pelos Estados Unidos, é importante que o setor madeireiro brasileiro esteja preparado para reagir rapidamente. “Isso significa investir em produtos com maior valor agregado, procurar outros mercados consumidores na Europa e na Ásia e otimizar processos logísticos para reduzir custos e manter competitividade”, afirma.

Por enquanto o setor não sentiu mudanças, pois as tarifas não estão aplicadas. De acordo com Carolina Telles Matos, gerente de relações Brasil-EUA da Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham Brasil), as exportações brasileiras para o mercado americano nos primeiros quatro meses de 2025 estão praticamente estáveis, com crescimento de 1,5% entre janeiro e abril de 2025 (US$ 587,1 milhões) na comparação com igual período do ano passado (US$ 578,3 milhões).

Entretanto, o superintendente da Associação Brasileira das Indústrias de Madeira Processada Mecanicamente (Abimci), Paulo Pupo, informa que em março a entidade recebeu a notícia de uma abertura de investigação, pelo governo dos Estados Unidos, sobre as importações de todos os produtos de madeira que, para a administração americana, poderiam representar potencial de ameaça à segurança nacional daquele país. “Caso o relatório final da investigação conduzida pela Secretaria de Comércio dos Estados Unidos, já em curso e com prazo de até 270 dias para conclusão, confirme a ameaça, poderão ser impostas sanções adicionais, incluindo a possível aplicação de tarifas adicionais aos 10% já impostos para os produtos brasileiros”, informa.

O setor está preocupado. Desde o primeiro anúncio das sobretaxas americanas, em 20 de fevereiro, a Abimci se movimentou para buscar informações junto aos órgãos competentes e canais oficiais, acompanhando a política tarifária e as negociações em curso, tentando medir os impactos para o setor madeireiro comercial entre os dois países.

A associação protocolou, em abril, sua defesa na investigação americana abrangendo quatro segmentos de produtos madeireiros: compensados, madeira serrada, molduras e portas, que têm maior volume de exportação para os Estados Unidos. “A argumentação da defesa busca demonstrar, por meio de dados comerciais e técnicos, que os produtos brasileiros não ameaçam a segurança nacional dos EUA. Pelo contrário, são essenciais para manter a cadeia de suprimento de vários setores consumidores, como por exemplo a da construção civil”, afirma Pupo.

No setor moveleiro, as vendas (móveis prontos e colchões) para os EUA recuaram quase 9% no primeiro trimestre, para US$ 48,2 milhões, mas a Associação Brasileira das Indústrias do Mobiliário (Abimóvel) reitera que o país segue liderando as exportações. Sobre o tarifaço, Cândida Cervieri, diretora-executiva da entidade, afirma que o setor tem condições para não apenas enfrentar os desafios impostos pelo novo cenário comercial com os EUA, mas também para crescer com base na inteligência, diferenciação e construção de valor.

“O que está em curso não é apenas uma reorganização tarifária, mas uma disputa global por competitividade. E o Brasil, com sua base produtiva sólida, capital humano qualificado, design original e capacidade de inovação, tem tudo para ser um dos protagonistas neste novo momento, desde que conte com um apoio adequado também do poder público”, afirma.

Fonte: Valor International

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Agronegócio, Comércio Exterior, Exportação

Nova atualização sobre a suspensão de exportações em razão da gripe aviária

O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) informa nova atualização das medidas adotadas por países importadores da carne de aves brasileira, em função da detecção de um foco de Influenza Aviária de Alta Patogenicidade (IAAP) no município de Montenegro (RS). 

A atual situação é a seguinte: 

Suspensão total das exportações de carne de aves do Brasil: China, União Europeia, México, Iraque, Coreia do Sul, Chile, Filipinas, África do Sul, Jordânia, Peru, Canadá, República Dominicana, Uruguai, Malásia, Argentina, Timor-Leste, Marrocos, Bolívia, Sri Lanka e Paquistão.

Suspensão para o Estado do Rio Grande do Sul: Arábia Saudita, Turquia, Reino Unido, Bahrein, Cuba, Macedônia, Montenegro, Cazaquistão, Bósnia e Herzegovina, Tajiquistão e Ucrânia. A Rússia, Bielorrússia, Armênia e Quirguistão decidiram retirar a suspensão do país todo e reduziram a restrição geográfica para o estado do Rio Grande do Sul. 

Suspensão para o município de Montenegro (RS): Emirados Árabes Unidos e Japão. 

O Mapa permanece em articulação com as autoridades sanitárias dos países importadores, prestando, de forma ágil e transparente, todas as informações técnicas necessárias sobre o caso. As ações adotadas visam garantir a segurança sanitária e a retomada segura das exportações o mais breve possível. 

Aos consumidores o Mapa reitera o esclarecimento de que o consumo de carne de aves e de ovos não apresenta risco para a saúde. 

Fonte: Ministério da Agricultura e Pecuária

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Exportação, Tecnologia

Volkswagen do Brasil volta a exportar para a África com SUV mais vendido do país

A Volkswagen do Brasil retoma as exportações para a África. Os embarques ao continente tiveram início com um lote de 200 unidades do SUV compacto T-Cross para Camarões, Costa do Marfim, Gana, Madagascar, Ruanda e Senegal.

A expansão de mercados consolida a vocação da marca alemã como a maior exportadora do setor automotivo brasileiro, com mais de 4,3 milhões de unidades embarcadas em seu histórico.

O novo T-Cross é produzido em São José dos Pinhais (PR) e exportado a partir do Porto de Paranaguá (PR), com terminal próprio.

No ano passado, a Volkswagen movimentou 46.126 veículos – somando exportação e importação – pelo porto paranaense.

A Volkswagen do Brasil utiliza também os portos de Santos (SP) nos embarques para o Exterior, Suape (PE) e Vitória (ES), os dois últimos para distribuição no mercado interno.

O T-Cross é o SUV mais vendido do Brasil, com 26.493 unidades emplacadas de janeiro a abril deste ano e a terceira posição entre os carros de passeio.

Fonte: Gazeta de São Paulo

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Comércio Exterior, Exportação

Governo atua para derrubar proibições às exportações de carne de frango do Brasil

Uma semana após a confirmação de um caso de gripe aviária em uma granja comercial em Montenegro, no Rio Grande do Sul, mais de 20 destinos já bloquearam as exportações de carne de frango do Brasil, e ao menos dez países ou blocos comerciais suspenderam as compras provenientes do estado. Nenhum novo caso foi detectado até o momento.

Na quarta-feira (21), Filipinas, Jordânia e Namíbia anunciaram proibição total às exportações brasileiras de carne de frango. A Rússia suspendeu temporariamente as importações de empresas localizadas no Rio Grande do Sul e impôs controles sanitários mais rígidos, por três meses, para os embarques de outros estados. Inicialmente, Rússia e seus parceiros da União Econômica Eurasiática — Belarus, Armênia, Quirguistão e Cazaquistão — haviam bloqueado as importações de todo o Brasil, mas agora restringiram a medida apenas ao estado afetado.

A desinfecção da granja infectada foi concluída na noite de quarta-feira por fiscais agropecuários da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação do Rio Grande do Sul. A partir desta quinta-feira, o Brasil inicia a contagem regressiva de 28 dias — período de incubação do vírus H5N1. Se nenhum novo caso for confirmado nesse período, o país poderá se declarar livre da gripe aviária e começar a trabalhar pela normalização das exportações.

Flexibilização das suspensões

Paralelamente, o governo já iniciou negociações para estimular importadores a suavizarem as restrições e minimizar os impactos sobre o setor avícola nacional. Segundo Luís Rua, secretário de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura, o Brasil espera que as respostas dos parceiros comerciais comecem a surtir efeito na próxima semana, abrindo caminho para suspensões mais brandas e medidas mais regionalizadas.

“Está tudo correndo dentro do esperado. Devemos ter avanços concretos na regionalização a partir da próxima semana, assim que os países tiverem tempo para avaliar as informações enviadas”, disse Rua ao Valor. Ele ressaltou que a estratégia do Brasil é manter comunicação contínua com os países importadores, oferecendo atualizações e documentação para garantir que as autoridades sanitárias tenham acesso rápido e claro às ações de contenção adotadas.

Rua afirmou ainda que a China ainda não indicou se adotará restrições regionais, mas disse que isso se insere dentro do “processo normal”. Em 2025, quando houve surto de doença de Newcastle em Anta Gorda (também no RS), a China levou mais de 20 dias para flexibilizar restrições que, inicialmente, afetaram todo o território brasileiro.

A escassez global de carne de frango pode acelerar o processo de flexibilização. “O mercado internacional já enfrentava falta de frango. As exportações brasileiras estavam crescendo sobre o recorde do ano passado e com preços médios mais altos. Isso mostra que a demanda supera a oferta”, afirmou o secretário.

“Nenhum país está livre da gripe aviária. O Brasil era o último grande produtor sem registro da doença. Isso pode incentivar países a reduzirem as restrições para garantir o abastecimento interno”, completou.

Algumas vitórias

O Ministério da Agricultura já comemora algumas “vitórias”. Na quarta-feira, os Emirados Árabes Unidos — segundo maior mercado para o frango brasileiro — anunciaram que suspenderão compras apenas do município de Montenegro.

Ao restringir a proibição a uma única cidade, e não ao estado ou ao país todo, empresas brasileiras podem manter um volume significativo de exportações, mesmo com o foco ativo no Rio Grande do Sul.

Em 2024, os Emirados compraram 455,1 mil toneladas de carne de frango do Brasil, o equivalente a 8,8% das exportações totais. A China foi o maior importador, com 562,2 mil toneladas no ano passado.

Os Emirados exigiram ainda uma declaração adicional do Ministério da Agricultura brasileiro confirmando que todos os embarques partirão de uma zona livre da doença, localizada a pelo menos 25 quilômetros do foco. A suspensão em Montenegro vale para produtos certificados a partir de 28 de abril.

Confira a seguir um histórico das exportações brasileiras de frango. O gráfico foi elaborado com dados do DataLiner:

Exportações Brasileiras de Frango |  Jan 2022 – Mar 2025 | TEUs

Também há relatos de pressão do setor privado em países como Filipinas e México para que seus governos não suspendam totalmente as importações de carne de frango brasileira. Empresários locais temem desabastecimento ou alta nos preços e destacam os controles sanitários rígidos aplicados pela fiscalização brasileira. “Isso não garante nada, mas é mais uma força atuando pela flexibilização”, disse Rua.

Segundo ele, o governo também está dialogando com importadores para resolver questões relacionadas a cargas de frango já embarcadas e em trânsito para seus destinos.

Na quarta-feira, o Ministério da Agricultura convocou 440 aprovados no último concurso público para reforçar a equipe de defesa agropecuária do Brasil. Entre os convocados estão 200 novos auditores fiscais federais agropecuários, 100 agentes de atividades agropecuárias, 40 agentes de inspeção de produtos de origem animal e 100 técnicos de laboratório.

Segundo a atualização mais recente do ministério, há nove casos suspeitos em investigação. Dois envolvem granjas comerciais em Ipumirim (Santa Catarina) e Aguiarnópolis (Tocantins). Os demais são aves de fundo de quintal em Triunfo e Gaurama (RS), Eldorado dos Carajás (PA), Salitre (CE) e Chapecó (SC), além de aves silvestres em Garopaba e Derrubadas (RS).

Fonte: Valor International

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Agronegócio, Exportação, Saúde

Atualização sobre a suspensão de exportações em razão da gripe aviária

O Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), em alinhamento com o compromisso com a transparência, informa a atualização das restrições temporárias impostas às exportações brasileiras de carne de aves, em decorrência da confirmação de um foco de Influenza Aviária de Alta Patogenicidade (IAAP) no município de Montenegro (RS).

Até o momento, as suspensões estão distribuídas da seguinte forma:

Suspensão total das exportações do Brasil: China, União Europeia, México, Iraque, Coreia do Sul, Chile, África do Sul, União Euroasiática, Peru, Canadá, República Dominicana, Uruguai, Malásia, Argentina, Timor-Leste, Marrocos, Bolívia, Sri Lanka, Paquistão, Filipinas e Jordânia. 

Suspensão para o Estado do Rio Grande do Sul: Reino Unido, Bahrein, Cuba, Macedônia, Montenegro, Cazaquistão, Bósnia e Herzegovina, Tajiquistão e Ucrânia.

Suspensão para o município de Montenegro (RS): Japão e Arábia Saudita.

O Mapa permanece em articulação com as autoridades sanitárias dos países importadores, prestando, de forma ágil e transparente, todas as informações técnicas necessárias sobre o caso. As ações adotadas visam garantir a segurança sanitária e a retomada segura das exportações o mais breve possível.

Fonte: Ministério da Agricultura e Pecuária

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Agricultura, Agronegócio, Comércio Exterior, Exportação, Notícias

Frigorífico de Itajaí é um dos 14 de SC suspensos pela China

A unidade itajaiense está entre os frigoríficos que perderam habilitação para exportar frango

Itajaí entrou na lista dos municípios com frigoríficos suspensos pela China após a confirmação de um foco de gripe aviária de alta patogenicidade (IAAP) no Rio Grande do Sul. A planta itajaiense está entre as 14 unidades catarinenses que perderam a habilitação para exportar carne de frango e derivados ao país asiático.

A decisão foi registrada na plataforma oficial da Administração Geral de Alfândegas da China (GACC) e é válida desde sábado passado, dia 17. A suspensão segue o protocolo sanitário firmado entre Brasil e China, que determina a paralisação imediata das exportações em casos de doenças de notificação obrigatória.

Cidades afetadas

Além de Itajaí, foram suspensas unidades em Concórdia, Nova Veneza, Quilombo, Forquilhinha, Maravilha, São José, Seara, Itapiranga, Xaxim, Videira, Guatambú e Chapecó.

A medida acompanha a suspensão temporária das exportações brasileiras de carne de frango para a China após a confirmação do vírus em uma granja de Montenegro, no RS, no dia 15. A planta de Itajaí, que até então estava habilitada, entrou na nova rodada de restrições.

Para tentar conter o avanço do vírus e diminuir os prejuízos, o governo de Santa Catarina adotou medidas emergenciais. Na sexta-feira, a Secretaria da Agricultura e a Cidasc publicaram a Nota Técnica n.º 002/2025, proibindo a entrada de aves vivas e ovos férteis vindos de 13 cidades da zona de contenção do RS, incluindo Montenegro, Canoas e Sapucaia do Sul.

Cargas de outras regiões do estado vizinho só podem entrar em SC após desinfecção obrigatória nos postos de fiscalização. Os postos da divisa sul estão sob inspeção reforçada, com controle físico e documental das cargas.

“Santa Catarina é o segundo maior exportador de carne de frango do Brasil, graças à implementação das normas de biosseguridade e ao trabalho da defesa sanitária por meio da Cidasc. Seguindo as orientações do governador Jorginho Mello, estamos vigilantes e reforçando todas as medidas para impedir a entrada dessa doença no estado. Precisamos que cada um faça a sua parte”, afirmou o secretário da Agricultura, Carlos Chiodini.

Impacto bilionário 

A China é o principal destino do frango brasileiro, responsável por 13% de todo o volume exportado. Em 2024, o Brasil vendeu 561 mil toneladas para o mercado chinês, movimentando US$ 1,288 bilhão.

O governo federal notificou a China sobre a suspensão dos embarques no dia 15 de maio, como determina o protocolo sanitário. Agora, o Brasil tenta negociar uma flexibilização para restringir a suspensão apenas ao estado ou ao município afetado. A liberação pode acontecer 28 dias após a desinfecção do foco.

FONTE: Diarinho

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Comércio, Exportação

Abiove Eleva Projeção de Receita com Exportações do Complexo Soja em 2025

A associação ainda elevou em 100 mil toneladas a previsão de safra de soja no Brasil

A Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) fez poucas mudanças nas estimativas de safra e exportação de soja do Brasil para 2025, mas elevou a previsão de receita com as exportações, considerando preços mais altos, segundo relatório divulgado nesta segunda-feira.

O faturamento com as exportações do complexo soja (grãos, farelo e óleo) em 2025 foi estimado em US$54,4 bilhões, 3% acima da projeção divulgada em abril.

Com o ajuste nos preços do grão e do óleo de soja, agora a Abiove passa a ver um aumento no faturamento com as exportações totais do setor em relação a 2024, quando os embarques renderam US$53,9 bilhões.

Em termos de volume, a Abiove reduziu ligeiramente a previsão de embarques para 108,2 milhões de toneladas, versus 108,5 milhões na previsão de abril.

A associação ainda elevou em 100 mil toneladas a previsão de safra do Brasil, já colhida, para 169,7 milhões de toneladas.

Fonte: Forbes

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Comércio Exterior, Exportação, Internacional, Mercado Internacional

“Corrida das exportações” toma conta da China e empresas aproveitam trégua

EUA e país asiático acordaram em uma pausa de 90 dias no início desta semana

Um avanço surpreendente nas tensões comerciais entre os EUA e a China desencadeou uma enxurrada de atividades nas fábricas e nos portos chineses, já que as empresas de ambos os países correm para aproveitar ao máximo a reversão de 90 dias das pesadas tarifas anunciadas no início desta semana.

Para Niki Ye, uma vendedora do sul da China que adquire brinquedos para venda na Amazon, um aumento de 30% nos pedidos desde o anúncio significou que sua empresa está se equipando para atender à demanda.

“E esta é apenas a primeira semana”, disse ela.

Liu Changhai, gerente de vendas de uma agência voltada para a exportação no leste da China, especializada em móveis para casa, disse que as vendas agora são iguais às de uma típica temporada de pico — mas haverá um atraso no envio das mercadorias.

“Os novos pedidos ainda não foram fabricados e não estão prontos para envio”, disse ele à CNN.

Enquanto isso, os portos estão prestes a começar a se movimentar, pois as empresas correm para enviar os estoques que foram retidos durante as semanas de tensão comercial.

As reservas de contêineres de transporte da China para os Estados Unidos aumentaram quase 300% nos sete dias que terminaram em 13 de maio, em comparação com a semana que terminou em 5 de maio, de acordo com o fornecedor de software de rastreamento de contêineres Vizion.

Essa é uma mudança radical em relação ao mês passado, quando uma rápida escalada de tarifas entre os EUA e a China, iniciada pelo presidente Donald Trump, elevou as tarifas a um nível tão alto que o comércio entre as duas economias, antes profundamente interligadas, foi praticamente interrompido.

O acordo, que entrou em vigor na quarta-feira (14), reduz as tarifas dos EUA sobre as importações chinesas para o país para 30%, sem incluir as medidas pré-existentes impostas durante o primeiro mandato de Trump.

Enquanto isso, as tarifas da China sobre todas as importações dos EUA aumentadas no mês passado caíram de 125% sobre a maioria das importações dos EUA para 10% — embora as tarifas anteriores sobre produtos selecionados também permaneçam em vigor, disseram as autoridades. Espera-se que as negociações continuem nas próximas semanas.

“Independentemente do resultado das negociações futuras, as empresas devem aproveitar essa janela de 90 dias”, disse Ge Jizhong, presidente da principal empresa de declaração alfandegária Shanghai Xinhai Customs Brokerage, ao veículo financeiro estatal Securities Times no início desta semana.

“As empresas americanas correrão para reabastecer seus estoques dentro de 90 dias, e as empresas chinesas também correrão para enviar mercadorias e limpar seus estoques de armazém”.

De volta para a China

Entre as pessoas que estão ajudando as empresas a enfrentar essa corrida está Ben Schwall, cuja companhia de gerenciamento da cadeia de suprimentos STG Consultants, sediada na China, ajuda com o fornecimento de produtos e suas estratégias para a China e a Ásia.

Ele diz que passou esta semana respondendo a perguntas de clientes.

Alguns deles receberam a notícia quando estavam redirecionando as cadeias de suprimentos e a produção da China para outros países asiáticos a fim de evitar as tarifas, disse ele.

“Temos pedidos que foram feitos no Vietnã e na Indonésia e agora estamos perguntando: ‘Vocês podem transferir (os pedidos) de volta para a China?’” disse Schwall.

Em seguida, há uma corrida para reiniciar pedidos cancelados ou enviar mercadorias retidas da China, acrescentou ele, embora as tarifas continuem mais altas do que eram antes do segundo mandato de Trump.

“É uma situação do tipo ‘por favor, continuem os pedidos que foram cancelados’”, disse ele sobre as comunicações com os fabricantes chineses, alguns dos quais, segundo Schwall, já haviam dispensado trabalhadores, enquanto pelo menos duas fábricas com as quais eles trabalham fecharam as portas na esteira das tarifas.

Do outro lado dessa equação estão os fabricantes chineses, como Vivi Tong, na província de Zhejiang, no leste do país, que está se preparando para enviar mercadorias de seu depósito e para um aumento nos pedidos.

Sua fábrica produz carros com controle remoto vendidos por grandes varejistas nos EUA.

“Como fábrica, esperamos receber o maior número possível de pedidos nesses três meses e concluir a produção e o envio o mais rápido possível”, disse Tong, acrescentando que “não pode estimar” o que acontecerá após esse período.

De acordo com a mídia estatal chinesa, os fornecedores estão trabalhando horas extras e até mesmo durante a noite para atender a um aumento na demanda das empresas norte-americanas que clamam para que os pedidos paralisados sejam enviados dentro do prazo de 90 dias.

Greg Mazza, proprietário de uma empresa de iluminação com sede em Danbury, Connecticut, disse que estava entre os que “agiram rapidamente” para receber o estoque que havia sido produzido na China anteriormente, mas que não havia sido enviado, pois estava preocupado com o aumento dos custos de envio, já que muitas empresas fizeram o mesmo.

“Liberamos muitos contêineres agora, ou eles estão sendo liberados, e estamos fazendo pedidos”, disse Mazza, que observou que estava em uma posição melhor do que a de algumas empresas por ter se preparado para as tarifas ao aumentar seu estoque nos EUA no ano passado.

No entanto, Mazza disse que seus pedidos sob o novo acordo ainda enfrentariam tarifas significativamente mais altas do que no ano passado.

“Se eu tiver que sustentar as tarifas de 55%, posso fazer isso com um pequeno aumento de preço no momento em que (as mercadorias) desembarcarem e com algumas mudanças no programa interno”, disse ele, referindo-se ao total de tarifas que deverão ser impostas ao seu produto.

Ele teria como objetivo “manter a linha” o máximo possível em vez de aumentar os preços, acrescentou.

Mas não são apenas as tarifas que ameaçam aumentar os preços para os americanos.

Tong, em Zhejiang, disse que observou um aumento nos custos de remessa esta semana em meio à luta mais ampla para reiniciar o comércio.

O custo de envio de um contêiner, que antes era de US$ 4 mil para a viagem até os EUA, agora subiu cerca de 50%, um aumento que, segundo ela, foi suportado pelo comprador americano. Em última análise, é provável que o custo adicional seja pago pelos compradores americanos.

Enquanto isso, as empresas de transporte também estão relatando um aumento na demanda.

A transportadora dinamarquesa Maersk, que havia registrado uma queda de 30% a 40% no volume marítimo China-EUA no final de abril, agora está aumentando a capacidade de seus serviços transpacíficos depois de um aumento nas reservas após o acordo, disse um porta-voz à CNN.

Ben Tracy, vice-presidente de desenvolvimento de negócios estratégicos da Vizion, a empresa de rastreamento de contêineres que observou um aumento de 277% nas reservas nos sete dias que terminaram na terça-feira, disse que a “corrida de exportação de contêineres” poderia interferir no que normalmente seria uma temporada de pico de remessas no verão.

“A questão é: quanto tempo isso (a corrida) vai durar? Quanto de acúmulo está sendo aguardado para reservas e partidas — e isso vai durar três semanas, seis semanas?”, disse ele.

“De qualquer forma, não vejo como haverá tempo suficiente para que esses contêineres retornem à China para a próxima viagem na alta temporada”.

A incerteza se aproxima

A corrida desenfreada para reiniciar, aumentar ou enviar pedidos da China é ainda mais complexa para as empresas devido à incerteza generalizada, não apenas em relação ao destino final das tarifas entre os EUA e a China, mas também em relação às tarifas dos EUA sobre outros países da região.

No mês passado, Trump anunciou e, em seguida, suspendeu em grande parte uma série de tarifas recíprocas sobre a maioria dos países. Essas incluíam altas taxas sobre produtos de países do sudeste asiático, como Vietnã e Camboja, que se tornaram um destino para empresas que mudaram a produção da China durante a primeira guerra comercial de Trump.

Agora, as empresas que dependem das exportações da região estão olhando para dois relógios, um contando a pausa de 90 dias nas tarifas de países como o Vietnã e o outro nas da China, enquanto decidem se vão abandonar relações comerciais de anos na China.

Mazza, em Connecticut, disse que estava explorando a possibilidade de transferir parte da fabricação para o Vietnã, onde o processo de instalação provavelmente levará cerca de um ano e a produção acabará custando cerca de 10% a 15% a mais por unidade do que a fabricação na China.

Mas ele disse que não estava pronto para desistir totalmente da China.

“Farei tudo o que puder para não sair da China, porque minhas fábricas chinesas me apoiaram, eu as apoiei. Valorizo as parcerias e os relacionamentos e, veja bem, elas tornam meu produto muito bom”, disse ele. “Portanto, vou lutar até o fim”.

E para muitas fábricas na China que enfrentam a mesma incerteza, a questão de como sobreviver, aconteça o que acontecer, é a principal prioridade.

“Também estamos trabalhando duro para expandir outros novos mercados… especialmente a Europa, (onde nossos pedidos) aumentaram em quase 20%”, disse Tong. “Precisamos nos expandir”.

Fonte: CNN Brasil

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