Agronegócio, Exportação, Portos

Prefeitura aposta no Porto de Maricá para impulsionar exportação de gado vivo e fortalecer o agronegócio

A Prefeitura de Maricá quer aproveitar o crescimento da exportação de gado vivo no Brasil para trazer a atividade para a cidade. Uma reunião na manhã desta terça-feira (17/06) alinhou ações e medidas necessárias para a implantação de um dos maiores segmentos dentro do agronegócio brasileiro na atualidade.

construção do Porto de Maricá – cujas obras começam no segundo semestre deste ano – é vista como fundamental para o sucesso da exportação no município. Apesar disso, mesmo enquanto o empreendimento ainda não estiver pronto, o município já apresenta condições para se tornar uma área de quarentena dos animais, onde o gado vindo de vários lugares do Brasil passará por um pré-embarque.

“Toda essa parte de quarentena do gado foi discutida. Maricá pode receber esses animais de outras partes do Brasil para quarentenar e depois exportar. Aqui existe muito potencial para que a cidade faça parte desse novo momento do agronegócio no Rio de Janeiro na exportação”, disse Raphael Moreira, superintendente do Ministério da Agricultura no Estado do Rio de Janeiro.

Brasil exportou mais de 1 milhão de animais no último ano. Já o Rio de Janeiro, a partir de janeiro deste ano, teve habilitado o Porto do Açu, em São João da Barra, como primeiro local no estado para a exportação de gado em pé. Cada embarcação leva de 5 a 7 mil gados, podendo chegar a 20 mil.

Antes, só se exportava gados vivos por São Paulo, Pará e Rio Grande do Sul. Com a construção do Porto de Maricá e a possibilidade de outros portos entrarem em condições para a exportação, vai haver crescimento econômico nas cidades participantes, além da geração de emprego e renda.

“Serão gerados muitos empregos em várias áreas ligadas ao segmento. Transporte, alimentação dos animais, cuidados veterinários… toda essa cadeia será envolvida. Cada embarcação movimenta cerca de R$ 400 milhões na economia do estado. Logo, mais empresas que virão para Maricá e, consequentemente, a população será beneficiada”, concluiu Raphael.

Início do projeto

Antes mesmo da conclusão das obras do Porto, Maricá já terá condições de se inserir no mapa da exportação de gado vivo. Havendo uma unidade de pré-embarque, a atividade já poderá ser executada na cidade. O município vai funcionar, inicialmente, como espaço de quarentena para os gados, efetuando a exportação por outros portos.

agronegócio é tratado como uma das potências do Brasil, pela importância de impacto no crescimento do PIB. O Rio, apesar de ser um estado pequeno territorialmente, mostra capacidade em disputar com os outros estados em termos de qualidade. A vinda da exportação de gado Maricá é vista como um marco de desenvolvimento da agricultura.

“Maricá tem a possibilidade de ter uma demanda que hoje, ainda, é reprimida. Teremos tanto a exportação quanto o confinamento do gado na região. Eu entendo que Maricá tendo um porto teria total condição de se tornar uma potência em exportação para o mundo inteiro”, relatou Renato Poubel, veterinário e empresário.

Diversificação econômica

companhia Maricá Alimentos (Amar), responsável pelas estratégias de diversificação da economia a partir da biotecnologia e setor agroalimentar, também fará parte do processo de exportação de gados vivos na cidade.

“Nós queremos expandir todas as iniciativas. E a exportação de gado vivo é algo que está crescendo no Rio de Janeiro. A partir desse encontro, vamos ver as possibilidades do gado confinado aqui em Maricá sendo destinado à exportação”, garantiu Marlos Costa, presidente de Amar.

A companhia trabalha paralelamente também há alguns meses para conseguir a certificação agropecuária nacional na cidade junto ao Ministério da Agricultura. Já há a inspeção municipal, de responsabilidade da Secretaria de Agricultura e Pecuária, e Maricá quer garantir também produtos com o Serviço de Inspeção Federal (SIF) para que toda a produção municipal de alimentos possa ser destinada ao mercado brasileiro e internacional.

Fonte: Compre Rural

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Exportação, Notícias

Gripe Aviária: Exportações de Frango Brasileiras Resistem a Suspensões Internacionais

Após 28 dias de bloqueio sanitário, o setor de carne de frango brasileiro se prepara para retomar as exportações da proteína e seus derivados. Desde a última quarta-feira (18/06), o Brasil voltou a negociar com os 21 países que haviam imposto restrições comerciais após a confirmação de um caso de gripe aviária em Montenegro, no Rio Grande do Sul, em 19 de maio.

Durante esse período, 21 países suspenderam totalmente as importações, com destaque para a China, principal comprador, enquanto outros 15 limitaram as restrições apenas ao estado gaúcho.

Apesar das suspensões, o Brasil continuou exportando carne de frango e seus derivados para diversos mercados. Em maio, os embarques da proteína registraram uma queda de 12,9%, totalizando 393,4 mil toneladas, segundo dados da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA).

Confira a seguir um histórico das exportações brasileiras de carne de frango a partir de janeiro de 2022. O gráfico foi elaborado com dados do DataLiner:

Exportações Brasileiras de Frango | Jan 2022 – Abr 2025 | TEUs

De janeiro a maio, o volume exportado atingiu 2,256 milhões de toneladas, um aumento de 4,8% em relação ao mesmo período de 2024.

Fonte: Porto Ferreira Hoje

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Exportação, Mercado Internacional, Negócios

Abertura de mercado na União Econômica Euroasiática para exportação de fármacos de origem animal

O governo brasileiro recebeu a confirmação do aceite do modelo de Certificado Sanitário Internacional por parte da autoridade sanitária da Rússia, com validade estendida a todos os países da União Econômica Euroasiática (UEE), para a exportação de subprodutos de origem animal destinados à fabricação de extratos de uso farmacêutico (opoterápicos).

As novas autorizações contemplam retina bovina e suína, próstata bovina, cartilagem escapular bovina, ovários bovinos e glândulas do timo bovino. Com este anúncio, o agronegócio brasileiro alcança 386 aberturas de mercado desde o início de 2023.

A União Econômica Euroasiática, composta por Rússia, Belarus, Cazaquistão, Armênia e Quirguistão, representa mercado com mais de 185 milhões de habitantes e crescente demanda por insumos farmacêuticos de origem animal. A abertura deste mercado constitui mais uma oportunidade para diversificação da pauta exportadora e aproveitamento de subprodutos do setor pecuário, em linha com os princípios da economia circular e da sustentabilidade na produção agropecuária. No último ano, o Brasil exportou para a UEE mais de US$ 1,4 bilhão em produtos agropecuários, como fumo, couros e plantas vivas.

O resultado é fruto da atuação conjunta do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e do Ministério das Relações Exteriores (MRE).

Fonte: Diplomacia Business

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Agronegócio, Exportação

Exportações sustentam preços do boi gordo em mercado de valorização contida

Demanda externa impulsiona o setor, enquanto o cenário interno mostra sinais de cautela

O mercado físico do boi gordo apresentou preços firmes ao longo da última semana, embora as altas tenham perdido força em comparação com o ritmo registrado até a primeira quinzena de junho.

De acordo com o analista da consultoria Safras & Mercado Fernando Iglesias, com os frigoríficos mais cautelosos, o movimento de valorização foi contido à espera da entrada mais expressiva de animais confinados via contratos a termo.

“O mercado ainda centra suas atenções nas exportações, com um desempenho bastante favorável, enquanto o mercado doméstico conta com suas fragilidades”, afirma.

Os preços da carne bovina ficaram estáveis durante a semana. “A reposição entre atacado e varejo segue mais lenta, como é comum na segunda metade do mês, o que pode pressionar os preços no curto prazo.”

Segundo Iglesias, além disso, há uma tendência de consumo por proteínas mais acessíveis, como frango, ovos e embutidos, o que reduz o ritmo de vendas da carne bovina no mercado interno.

Preços da arroba do boi gordo

  • São Paulo: R$ 325 (alta de 1,56% frente aos R$ 320 da semana anterior)
  • Goiás: R$ 305 (estáveis)
  • Minas Gerais: R$ 305 (alta de 1,7% frente aos R$ 300)
  • Mato Grosso do Sul: R$ 320,30 (alta de 1,56% em comparação aos R$ 315)
  • Mato Grosso: R$ 320 (alta de 1,6% frente aos R$ 315)

Exportações em destaque

As exportações de carne bovina in natura (fresca, refrigerada ou congelada) seguem como principal alicerce do mercado.

Nos primeiros dez dias úteis de junho, o Brasil embarcou 117,2 mil toneladas do produto, com receita de US$ 634,4 milhões — uma média diária de US$ 63,4 milhões, de acordo com a Secretaria de Comércio Exterior (Secex).

O desempenho representa crescimento de 47,6% na média diária de receita frente a junho de 2024, além de alta de 21,8% no volume médio exportado por dia e aumento de 21,2% no preço médio da tonelada, que ficou em US$ 5.411,40.

Fonte: Canal Rural

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Comércio Exterior, Exportação, Importação

Comércio entre China e países de língua portuguesa movimenta quase US$ 61 bilhões em quatro meses 

As trocas comerciais entre a China e os países de língua portuguesa alcançaram US$ 60,99 bilhões entre janeiro e abril de 2025. Apesar do montante expressivo, os dados divulgados pela Administração Geral das Alfândegas da China indicam uma retração de 15,48% em comparação com o mesmo período do ano anterior. 

O volume de importações da China oriundas dos países de língua portuguesa totalizou US$ 34,29 bilhões — uma queda de 26,01% no comparativo anual. Já as exportações chinesas para esses países apresentaram crescimento de 3,4%, somando US$ 26,71 bilhões no mesmo período. 

Em abril, o comércio exterior entre China e esses países atingiu US$ 16,78 bilhões, o que representa uma redução de 6,5% em relação a abril de 2024. As importações chinesas somaram US$ 9,76 bilhões (queda de 14,07%), enquanto as exportações da China para esses mercados cresceram 6,55%, atingindo US$ 7,02 bilhões. 

O Brasil permanece como o principal parceiro comercial da China – entre os países de língua portuguesa, respondendo por US$ 48,61 bilhões do total movimentado no quadrimestre. Desse valor, US$ 21,51 bilhões referem-se a exportações chinesas para o Brasil, enquanto US$ 27,10 bilhões foram importações de produtos brasileiros pela China

A relação econômica entre China e países de língua portuguesa — que inclui, além do Brasil, nações como Angola, Portugal e Moçambique — segue estratégica para o fortalecimento do comércio internacional e o desenvolvimento das trocas bilaterais no contexto global. 

TEXTO: REDAÇÃO 

FOTO: Ricardo Stuckert/Presidência da República 

FONTES:  

poder360.com.br/ 

www.br-cn.com/  

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Comércio Exterior, Exportação, Industria, Notícias

Santa Catarina avança para ampliar exportações de carne bovina ao Japão 

Santa Catarina está determinada a dar um novo passo em sua trajetória de sucesso no comércio exterior. Com um histórico consolidado nas exportações de carne suína e de frango para o Japão, o Estado agora quer conquistar a habilitação para exportar carne bovina ao exigente mercado japonês. Esse é um dos objetivos da missão estratégica ao país asiático que começou no último dia 13 e deve durar cerca de 10 dias. “Santa Catarina está pronta para exportar carne bovina ao Japão. Já temos um histórico de excelência na venda de carne suína e queremos ampliar essa relação comercial”, afirmou o governador Jorginho Mello. 

Durante as agendas em Tóquio, realizadas na quarta-feira (18), a comitiva catarinense esteve no Ministério da Agricultura, Florestas e Pesca do Japão (MAFF) e na Embaixada do Brasil, reforçando o pedido para que Santa Catarina seja o primeiro estado brasileiro autorizado a exportar carne bovina ao Japão. A ação integra uma estratégia maior de internacionalização da economia catarinense, valorizando a excelência sanitária do estado como um diferencial competitivo. “O controle sanitário e a qualidade da carne de suíno e de aves que entregamos ao Japão abrem as portas comerciais para o setor de carne bovina. Temos qualidade, competitividade e a relação de confiança na sanidade do plantel catarinense. O novilho precoce é o grande atrativo que alia qualidade, sustentabilidade e sanidade”, ressaltou Celles Regina de Mattos, presidente da Cidasc. 

Estado já lidera exportações de carnes ao Japão 

Em 2024, o Japão foi o principal destino das exportações de carne de frango catarinense, com embarques que somaram 148,4 mil toneladas e geraram US$ 283,8 milhões em receita. No setor suinícola, o país asiático aparece como terceiro maior comprador, com 93,4 mil toneladas e uma movimentação de US$ 312,4 milhões. 

Santa Catarina exporta carne de frango para o Japão desde 1989, e carne suína in natura desde 2013. Agora, a meta é abrir também o mercado japonês para a carne bovina catarinense, o que ampliaria ainda mais a presença do Estado na Ásia. 

Reconhecimento sanitário fortalece posição de SC 

A força do agro catarinense no comércio exterior se deve, sobretudo, ao rigor sanitário. Santa Catarina é, desde 2007, reconhecida pela Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA) como zona livre de febre aftosa sem vacinação — status fundamental para acessar mercados exigentes como o japonês. O estado também tem a menor prevalência de tuberculose e brucelose bovina no país e é o único com identificação individual de 100% do rebanho bovino, via sistema SRBOV-SC. “As relações comerciais com o Japão são resultado de confiança mútua, compromisso com a qualidade e pioneirismo sanitário. Reafirmamos nosso trabalho para ampliar a presença catarinense no mercado japonês, agora com a carne bovina”, afirmou o secretário de Agricultura, Carlos Chiodini. 

SC Day reúne grandes empresas e potenciais investidores em Tóquio 

Durante o SC Day Tóquio, evento promovido na Embaixada do Brasil, Jorginho Mello apresentou as potencialidades catarinenses a representantes de conglomerados japoneses como Mitsui, Mitsubishi, Sumitomo, Itochu, Marubeni, Yokorei e Nippon, além das operações locais da BRF e da Seara. “Santa Catarina tem excelência em sanidade animal, com status internacional reconhecido e um parque industrial moderno. Estamos prontos para exportar carne bovina com a mesma qualidade com que já exportamos frango e suíno para mais de 150 países”, reforçou o governador. 

A comitiva também cumpriu agendas com a agência de comércio exterior JETRO, a agência de cooperação internacional JICA e a Federação das Indústrias do Japão (Keidanren). 

Porto de São Francisco do Sul receberá investimentos japoneses 

A visita ao Japão também gerou avanços na área de infraestrutura logística, essencial para a competitividade do comércio exterior. Foi assinado um protocolo de intenções entre o Governo de SC e a empresa japonesa Marubeni, com foco em novos investimentos no Porto de São Francisco do Sul. “Significa investimentos de milhões de dólares e, ao mesmo tempo, oportunidade de emprego e renda para o catarinense. Nós queremos exportar para o mundo a nossa proteína animal, mas precisamos de investimentos em infraestrutura, sejam elas ferroviárias, rodoviárias e portos”, destacou o secretário de Articulação Internacional, Paulo Bornhausen. 

Uma missão para abrir portas e construir o futuro 

A delegação catarinense reúne representantes dos três poderes, prefeitos de cidades estratégicas como Joinville e Blumenau, além de lideranças empresariais das federações Fecomércio, Fiesc e Acate. “Santa Catarina é um estado que tem muito a oferecer, e esta missão à Ásia é uma grande oportunidade de abrir novas portas para os nossos produtos, atrair investimentos e desenvolver soluções inovadoras em parceria com quem é referência mundial”, destacou o governador Jorginho Mello. 

Além da abertura do mercado japonês para a carne bovina, a missão tem entre os objetivos a atração de investimentos em infraestrutura, o fortalecimento das exportações agrícolas e pesqueiras, e a projeção de Santa Catarina como referência global em sanidade animal e qualidade industrial. 

TEXTO: REDAÇÃO 

FOTOS: SECOM/SC 

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Exportação, Tecnologia

Exportações de veículos batem recorde, mas produção despenca com avanço chinês

Maio teve o melhor resultado desde agosto de 2018

Mais de um milhão de unidades foram vendidas nos cinco primeiros meses de 2025 no Brasil, e as exportações registraram em maio o melhor resultado desde agosto de 2018.

Ainda assim, esses números não se refletiram na produção do mês, que caiu 5,9% em relação a abril, encerrando com 214,7 mil veículos produzidos, considerando carros de passeio, comerciais leves, caminhões e ônibus.

Houve bons resultados de exportações, impulsionados pelo aquecimento do mercado argentino. O recuo na produção, porém, indica perda de participação de vendas para os importados.

Há um saudável aumento do fluxo comercial com a Argentina, mas, no caso dos modelos vindos da China, há uma entrada atípica.

“Ela é beneficiada por uma taxação bem inferior à que vemos em outros países produtores, gerando uma perigosa distorção no mercado”, avaliou Igor Calvet, novo presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea).

Fonte: Gazeta SP

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Comércio Exterior, Exportação

As exportações da China para o Brasil atingiram 29,5 bilhões de dólares de janeiro a maio, um recorde

As exportações da China para o Brasil atingiram US$ 29,5 bilhões de janeiro a maio, um recorde na série histórica iniciada em 1997, em meio à guerra tarifária iniciada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. No entanto, segundo especialistas, no caso brasileiro, a expansão também está relacionada a fatores além da disputa comercial global.

Nos cinco primeiros meses de 2025, as importações brasileiras em geral cresceram 9,22% em relação ao mesmo período de 2024, para US$ 112,5 bilhões, segundo a Secretaria de Comércio Exterior (Secex).

A compra de produtos da China, porém, foi a que mais cresceu, com alta de 26,5%. As importações vindas de outros parceiros comerciais, como Estados Unidos (9,9%) e União Europeia (4%) cresceram bem menos, enquanto as de produtos do Mercosul caíram 1,8%.

O crescimento nas importações de produtos da China, à primeira vista, corrobora a expectativa de que o país asiático teria de inundar outros mercados com seus produtos para compensar a queda no volume exportado aos Estados Unidos, com quem trava uma guerra tarifária desde fevereiro.

Especialistas, porém, apontam que o efeito do redirecionamento da produção da China, embora já comece a ser visto, ainda não é tão grande, e vai ganhar força no decorrer do ano. Por enquanto, dizem, a expansão reflete principalmente fatores como a atividade econômica interna aquecida.

Além disso, houve a compra de uma plataforma de petróleo vinda da China em fevereiro, que custou cerca de US$ 2,7 bilhões e ajudou a inflar o número das transações comerciais entre os dois países no período.

O economista Matheus Pizzani, da corretora CM Capital, que acompanha os dados da balança comercial brasileira mensalmente, observa que, no início do ano, o crescimento das importações chinesas no Brasil foi impulsionado pelos chamados bens de capital – maquinários e equipamentos usados pelas empresas para produzir outros bens e serviços.

Os bens finais, como automóveis, eletrodomésticos e eletroeletrônicos, só começaram uma tendência de aumento em abril. Esse movimento, segundo ele, pode refletir “em alguma medida” o efeito da guerra tarifária e o atrito entre China e Estados Unidos. A sobretaxa de aço e alumínio entrou em vigor em 12 de março; e a para automóveis, em 3 de abril.

Pizzani reforça que a continuidade do crescimento das importações dos bens finais dependerá do cenário da economia doméstica. “São bens que, no limite, não são essenciais. A demanda por eles depende diretamente no nível da atividade e da confiança das pessoas em adquiri-los”, reforça.

O aumento das importações de produtos da China pelo Brasil, que bateram recorde nos cinco primeiros meses do ano, deve ser creditado, além da atividade doméstica aquecida, ao bom momento do setor agropecuário. A supersafra demanda itens como adubos e fertilizantes, observa a economista Gabriela Faria, da Tendências Consultoria. “A safra de soja foi muito boa e com remuneração positiva aos produtores. Eles conseguiram se preparar para fazer novos investimentos”, diz ela.

O presidente da Associação da Câmara de Comércio Exterior (AEB), José Augusto de Castro, destaca que a queda no preço de commodities nos últimos meses diminuiu o custo de muitos dos bens fabricados pela China, o que favoreceu a produção e, consequentemente, a exportação para o Brasil. “Era um cenário anterior ao tarifaço promovido pelo presidente Donald Trump dos Estados Unidos. As medidas de Trump vieram apenas consolidar uma tendência que já era imaginada”, pontua.

Castro observa ainda que a China tem focado em produtos de alto valor agregado, o que ajuda a turbinar os valores envolvidos nas importações feitas pelo Brasil. “Invariavelmente, mais produtos que eles venderiam para os americanos vão chegar aqui. É claro que o Brasil não tem como substituir os Estados Unidos, afinal de contas nosso mercado é bem menor, mas devemos ficar com alguma coisa”, avalia.

Trump iniciou uma guerra comercial com a China, impondo tarifas para pressionar mudanças em práticas comerciais. A China retaliou afetando produtos americanos. O confronto abalou mercados globais e cadeias de suprimentos. O presidente da Associação Brasileira de Importadores (Abimp), Michel Platini, considera que parte dos produtos chineses que agora chegam ao Brasil só entrou no País devido ao fechamento do mercado americano em meio à escalada tarifária.

Platini explica que os custos estavam em baixa na China no início do ano, o que incrementou a produção, ao mesmo tempo que os Estados Unidos anunciaram tarifas acima de 100% ao país asiático. “O investimento nessa produção já havia sido feito, mas um mercado importante (os EUA) foi praticamente fechado, houve essa necessidade de redirecionamento”, diz.

O cenário, acrescenta Platini, “deu fôlego” a um movimento já bastante consolidado dos consumidores brasileiros, de comprar itens do segmento têxtil, utensílios domésticos e de bazar vindos da China a partir de plataformas de comércio online como Mercado Livre, Amazon e Temu.

Ele acrescenta que o aumento da entrada desses itens por aqui só não foi mais forte por conta do movimento grevista de servidores da Receita Federal em terminais alfandegários, que perdura desde novembro passado. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Fonte: O Sul

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Comércio Exterior, Exportação, Investimento

Missão de SC na Ásia busca ampliar exportações e atrair investimentos

Governador lidera comitiva que desembarcou em Tóquio neste domingo

Santa Catarina iniciou na sexta-feira (13) a missão oficial à Ásia. A primeira parada ocorre no Japão, onde a comitiva liderada pelo governador Jorginho Mello desembarcou no domigo (15), em Tóquio. A agenda estratégica é voltada à atração de investimentos, ampliação das exportações e de parcerias tecnológicas e fortalecimento do setor agroindustrial catarinense.

Além de Jorginho, também estão na comitiva o secretário de Estado da Agricultura e Pecuária, Carlos Chiodini. E ainda os deputados Fernando Krelling (MDB), Mauro De Nadal (MDB), Fabiano da Luz (PT) e Rodrigo Minotto (PDT). Além disso, integram o grupo nomes como os prefeitos de Joinville, Adriano Silva, e de Blumenau, Egídio Ferrari. E o presidente da Fecomércio, Hélio Dagnoni, o presidente da AFEIESC, Ariel Verdi, além do presidente da Acate, Diego Brites Ramos.

Na ocasião, eles apresentaram aos executivos asiáticos as potencialidades da economia catarinense. Principalmente em áreas como tecnologia, metal-mecânica e o número de startups. O que, segundo os brasileiros, vai ao encontro da proposta da JMEV, que é a expansão de veículos elétricos.

“Santa Catarina é um estado que tem muito a oferecer. E esta missão à Ásia é uma grande oportunidade de abrir novas portas para os nossos produtos em exportações. Atrair investimentos e desenvolver soluções inovadoras em parceria com quem é referência mundial. Estamos aqui para mostrar ao mundo que Santa Catarina está pronta para crescer ainda mais e gerar mais qualidade de vida para a nossa gente”, destacou o governador Jorginho Mello.

SC Day em Tóquio em busca de exportações

Durante a estadia no Japão, a comitiva catarinense participa do SC Day, evento institucional promovido na Embaixada do Brasil em Tóquio e visita gigantes empresariais como Mitsui, Mitsubishi e membros da Keidanren (Federação das Indústrias do Japão). A programação inclui ainda reuniões com o Ministério da Agricultura, a agência de comércio exterior JETRO e a agência de cooperação internacional JICA, que poderá renovar e expandir projetos de infraestrutura e contenção de cheias em Santa Catarina.

Um dos principais temas no país será o reconhecimento da excelência catarinense em sanidade animal, com foco na exportação de carne bovina ao Japão. “Santa Catarina já possui um frigorífico apto para exportar carne bovina para o Japão. Nossa missão aqui é mostrar que temos todas as credenciais técnicas e sanitárias para atender esse mercado exigente, com qualidade e segurança, e buscar a abertura dessa nova frente de negócios para o Estado”, explicou o secretário de Articulação Internacional e Projetos Estratégicos, Paulo Bornhausen.

Intercâmbio em produção de maçã Fuji e frutos do mar

A visita à província de Aomori, marcada pela histórica irmandade com Santa Catarina desde os anos 1980, também está na agenda. Lá, a comitiva terá encontros com o governo local, a cooperativa agrícola AOREN, o Instituto de Pesquisa Pesqueira de Aomori e outras instituições ligadas à fruticultura e à aquicultura. Os temas principais incluem o intercâmbio em produção de maçãs – especialmente a variedade Fuji, já difundida em SC –, rastreabilidade no agronegócio e o potencial de cooperação na área de moluscos e frutos do mar, setores em que Aomori e o Litoral catarinense têm grande sinergia.

Fonte: Guararema News

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Comércio, Exportação

Grande produtor, Brasil tem muito espaço para crescer como exportador de frutas

O Brasil é o líder mundial no comércio de commodities agropecuárias e o terceiro maior produtor de frutas, atrás apenas da China e Índia, mas está apenas ma 23ª posição entre os exportadores desse mercado de maior valor agregado. À frente estão países como Espanha, China, Países Baixos, Costa Rica, Equador, Estados Unidos, África do Sul, Turquia, México e Guatemala, destaca a Associação Brasileira dos Produtores e Exportadores de Frutas e Derivados (Abrafrutas)

A fruticultura brasileira exportou US$ 1,3 bilhão no ano passado, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). As vendas são lideradas pela manga, melão, uva e limão. O volume total, cerca de 1,1 milhão de toneladas, corresponde a menos de 1% da produção total do setor.

Uma série de fatores ajuda a explicar o quadro e mostra que há um longo caminho a ser percorrido para conquistar uma fatia maior do mercado internacional. Para o presidente da Abrafrutas, Guilherme Coelho, essa trilha passa por novos acordos bilaterais, projetos de irrigação, especialmente no Nordeste, melhores condições logísticas e uma organização maior de pequenos produtores em cooperativas.

“Muitos países, especialmente na América Latina, que exportam significativamente mais que o Brasil, o fazem por terem uma população muito pequena”, diz Coelho. “A produção desses países é suficiente para abastecer seu mercado interno reduzido, permitindo que o excedente seja exportado de forma robusta.” 

No Brasil, que tem uma população de mais de 210 milhões de habitantes, a dinâmica acaba sendo um pouco diferente, explica ele. “Mas essa diferença populacional não ameniza nem justifica que nosso número de exportação não seja o dobro ou o triplo do que é atualmente”, afirma.

Fruticultura brasileira se destaca de concorrentes

Na comparação com a concorrência internacional, o Brasil tem uma série de vantagens. Frutas como melão, melancia e uva são produzidas durante todo o ano, por meio de um cronograma de poda e colheita. “Se você observar o Chile ou a África do Sul, que exportam uva, eles têm apenas uma safra por ano. Um importador da Alemanha, por exemplo, não pode ter uva chilena o ano todo porque lá as videiras têm um período frio, de dormência. Aqui, a produção é contínua.”

Além disso, a variedade de biomas, climas e solos permite que o país tenha uma das maiores diversidades de frutas do mundo. Estados como Rio Grande do Sul e Santa Catarina, por exemplo, concentram a produção de maçã. Do Pará e do Amazonas vem o açaí. Em São Paulo, limão e abacate. Manga e a uva saem do Vale do São Francisco para todo o país. Melão e melancia da região do Rio Grande do Norte e Ceará. 

Em termos de certificação internacional, tanto de natureza ambiental quanto social, também não há restrições para exportação de frutas brasileiras.

Abertura de novos mercados tem aumentado exportações de frutas

“O que realmente impulsiona ou retém a exportação é a disposição mútua entre dois países: um querendo exportar e o outro querendo importar”, diz Coelho. Ele cita como exemplo a negociação para exportação de uvas e melões brasileiros para a China. A carta de intenções foi assinada em 2021, e a abertura do mercado foi anunciada em novembro de 2024. 

“Hoje, o Brasil pode exportar duas frutas para a China: melão e uva. Mas isso é muito recente. Estou otimista de que, até o final do ano, faremos o primeiro embarque”, afirma. 

Apesar de o mercado já estar aberto, até agora não havia um serviço de transporte marítimo viável, uma vez que o tempo médio de trânsito era de 46 dias, o que é inviável para frutas perecíveis. Há cerca de 15 dias, houve o anúncio de um novo serviço de transporte que reduzirá o tempo para cerca de 28, o que é perfeito para frutas. 

Para o presidente da Abrafrutas, o esforço feito pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e do Ministério de Relações Exteriores (MRE) nesse sentido e a parceria com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil) nos últimos anos tem sido importante para impulsionar as vendas externas.

Em 2020, o Brasil exportava US$ 880 milhões em frutas, US$ 415 milhões a menos do que no ano passado. Em 2024, o avanço, em valor exportado foi de 4,6% em relação ao ano anterior, depois de um aumento de 26% entre 2022 e 2023. “Isso demonstra que não há limite para o crescimento; estamos avançando, mas para crescer, precisamos de outras ações”, diz Coelho.

Irrigação do semiárido, logística e cooperativismo podem impulsionar exportações

Uma das medidas defendidas pelo setor para impulsionar a produção e a exportação é um investimento maior em projetos públicos de irrigação, com foco especial no Nordeste. Parado há décadas, uma iniciativa que aumentaria a produção de frutas na região seria a do Canal do Sertão Pernambucano, que levaria água do rio São Francisco para áreas semiáridas de Pernambuco e da Bahia.

A ideia está no papel desde a década de 1990, quando a Companhia de Desenvolvimento do Vale do São Francisco (Codevasf) avaliou a viabilidade de implantação do canal, que atenderia 112 mil hectares de terras irrigáveis. Cerca de 60 mil a 80 mil hectares poderiam ser destinadas à fruticultura, diz Coelho.

A implantação do canal foi um dos compromissos do governo federal quando, em 2005, a administração pernambucana assinou o contrato de adesão à transposição do rio, mas desde então não houve avanços. “Estamos buscando apoio do governo federal ou de Pernambuco para o projeto executivo, que é o passo para a licitação e implantação de novas áreas para a fruticultura”, diz o presidente da Abrafrutas. 

“Nosso grande diferencial global é o semiárido nordestino. É uma região com 3 mil horas de sol por ano e uma abundância de água do rio São Francisco. Mesmo em áreas afastadas do rio, como no Rio Grande do Norte ou Ceará, há água de subsolo de excelente qualidade e quantidade.”

A questão logística também poderia ser melhor, na avaliação do setor. Ao contrário dos grãos, a perecibilidade dos produtos coloca cargas em risco quando há atrasos e exigindo o uso de câmaras frias.

Outra ação estratégica seria a adoção da cultura do cooperativismo e do associativismo entre pequenos produtores, que representam uma parcela significativa da fruticultura. Comum em estados como o Paraná e o Rio Grande do Sul, o modelo é pouco adotado no setor em regiões como o Nordeste, onde 70% das terras são de pequenos produtores. “Muitas vezes, o pequeno produtor vê a exportação como algo complexo e inacessível, preferindo vender para o mercado interno ou para intermediários”, explica Coelho. 

Fonte: Gazeta do Povo

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