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Por que conhecer a operação é um diferencial no comercial de logística

Ao longo de 30 anos trabalhando com transporte e logística, aprendi uma coisa que carrego comigo até hoje: não dá para vender bem aquilo que você não conhece.

Minha história começou na operação. Vivi a estrada, acompanhei de perto a rotina dos motoristas, conheci os desafios do transporte e, ao longo do caminho, passei por diferentes áreas até chegar à gestão.

Essa experiência mudou completamente a minha forma de enxergar o comercial.

Quando um cliente apresenta uma necessidade, eu não consigo olhar apenas para o preço ou para o serviço que está sendo solicitado. Penso no que existe por trás daquela demanda: é viável? Qual será o custo? Qual prazo podemos realmente cumprir? Existe uma alternativa melhor?

É aí que, para mim, o conhecimento operacional se transforma em um diferencial comercial.

Conhecer a operação é entender o custo

Quem está no comercial precisa saber que uma operação envolve muito mais do que o valor apresentado em uma proposta. Frota, combustível, manutenção, tempo, armazenagem, disponibilidade e produtividade são fatores que interferem diretamente no resultado.

Depois de tantos anos vivendo essa realidade, aprendi que o menor preço nem sempre representa a melhor solução. Às vezes, uma decisão aparentemente econômica pode gerar custos maiores lá na frente.

Prometer menos e entregar melhor

Também aprendi a respeitar os prazos.

Quem conhece a operação sabe que existem variáveis que não aparecem em uma planilha ou em uma negociação. Por isso, prefiro entender primeiro o cenário e apresentar ao cliente aquilo que realmente podemos entregar.

Para mim, confiança começa quando existe coerência entre o que foi vendido e o que a operação consegue executar.

Vender é entender para solucionar

Acredito que o comercial de logística precisa ir além da venda. Precisa fazer perguntas, ouvir o cliente e entender o problema antes de apresentar uma resposta.

Minha experiência na operação me ajuda justamente nisso: enxergar possibilidades, antecipar dificuldades e buscar soluções que façam sentido na prática.

Hoje, quando olho para minha trajetória, vejo que cada quilômetro percorrido, cada desafio operacional e cada etapa profissional contribuíram para formar a visão que tenho atualmente.

Eu não vendo aquilo que não conheço. Eu vivi a operação, conheço a estrada e entendo os desafios.

E é essa experiência que levo para o comercial: transformar conhecimento em soluções mais eficientes, realistas e adequadas para cada cliente.

Fábio Lins é profissional do setor de transporte e logística, com 30 anos de experiência e uma trajetória construída da operação à gestão. Formado em Gestão Comercial, atualmente, integra a Sigatrans Logística, aliando conhecimento prático, experiência em gestão e visão estratégica para o desenvolvimento de soluções logísticas eficientes.

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O custo invisível da não conformidade: quando um erro regulatório transforma uma importação lucrativa em prejuízo

Por Daiane Guedin da Costa — consultora regulatória, RegulaMais

Quando uma empresa calcula o custo de importar um produto, a conta costuma ser objetiva: valor da mercadoria, frete, seguro, impostos, armazenagem. Tudo entra na planilha. Tudo tem número. O que quase nunca entra nessa planilha é o custo regulatório. E é justamente ele que, quando ignorado, transforma uma operação lucrativa em prejuízo.

Na prática, meu trabalho é responder, antes da compra, uma pergunta que muita gente só faz depois que a carga já está no porto: esse produto pode entrar, ser comercializado e vendido no Brasil da forma como eu pretendo?

O erro mais caro é o mais silencioso 

O empresário encontra um bom fornecedor no exterior. Preço competitivo, produto de qualidade, margem excelente. Fecha o pedido, paga o câmbio, embarca.

A mercadoria chega. E para.

Para porque o produto precisava de registro ou notificação prévia na ANVISA e não tinha. Porque a empresa importadora não possuía Autorização de Funcionamento (AFE) para aquela classe de produto. Porque faltava licença sanitária vigente, Responsável Técnico habilitado, ou anuência do órgão competente no Licenciamento de Importação. Porque o produto foi enquadrado como cosmético quando na verdade era medicamento. Porque a rotulagem não atende à legislação brasileira. Porque o insumo é controlado e exigia autorização específica.

Nenhum desses pontos aparece na cotação do fornecedor. Todos aparecem na conta final.

Onde o dinheiro realmente se perde

A multa é o custo que todo mundo enxerga. E, curiosamente, quase nunca é o maior. O custo invisível é composto por:  

Capital parado: mercadoria retida é dinheiro que já saiu do caixa e não voltou. Não vende, não gira, não paga o próprio financiamento.

Armazenagem e demurrage: cada dia de carga parada em recinto alfandegado ou de contêiner não devolvido tem preço. E é uma conta que só cresce, todos os dias, enquanto a regularização não sai.

Tempo regulatório: regularizar depois não é mais rápido do que regularizar antes. É mais lento. Processos de AFE, licença sanitária, registro ou notificação têm prazos próprios, exigem documentação técnica que muitas vezes precisa ser solicitada ao fabricante no exterior, e não aceleram porque existe uma carga parada.

Perda de janela comercial: o produto que ia atender a uma licitação, uma sazonalidade ou um contrato com prazo simplesmente perde o momento. Às vezes o cliente não espera.

Retrabalho: refazer dossiê, traduzir e consularizar documentos, corrigir rotulagem, refazer testes em laboratório acreditado. Tudo isso, no modo emergencial, custa mais caro do que teria custado no planejamento.

Reputação: interdição, apreensão e recolhimento não ficam restritos ao departamento fiscal da empresa. Chegam ao cliente, ao distribuidor e, dependendo do caso, ao mercado.

Risco sanitário: esse é o que menos se calcula e mais importa. A regulação existe para proteger quem consome. Um produto que entra sem avaliação prévia é um produto cuja segurança ninguém verificou.

A conta que ninguém faz

Um estudo regulatório prévio custa uma fração do valor de uma única importação. É diagnóstico: define o enquadramento correto do produto, verifica se a empresa está habilitada para aquela operação, identifica o caminho regulatório aplicável (registro, notificação, cadastro ou isenção), aponta as exigências de rotulagem e documentação técnica e estima prazos reais.

Ou seja: responde se o negócio é viável antes de o dinheiro sair.

Já acompanhei situações em que a resposta foi “esse produto, nesse formato, não entra”. Uma resposta dura de ouvir, mas que economizou muito mais do que custou. E acompanhei outras em que a resposta foi “entra, mas o caminho é este e leva este tempo”, permitindo que a empresa planejasse a operação inteira sem sobressalto.

O que eu faço

Meu trabalho na Regula+ é justamente esse: colocar o regulatório na planilha antes da compra, e não depois da retenção.

Isso significa enquadrar corretamente o produto, regularizar a empresa junto aos órgãos competentes, conduzir processos de registro e notificação, estruturar a documentação técnica e da qualidade, acompanhar o Responsável Técnico e manter a operação em conformidade ao longo do tempo, porque conformidade não é um documento emitido uma vez: é uma condição que precisa ser mantida.

Daiane Guedin da Costa é consultora regulatória e atua na Regula+ com regularização de empresas e produtos junto à ANVISA, Vigilância Sanitária, MAPA, Exército e Polícia Federal. 

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O que a Transamazônica me ensinou e que hoje levo para a gestão da frota

Por Fábio Lins

Minha história na logística começou muito antes de ocupar uma posição de gestão. Comecei como ajudante de motorista, conciliando uma rotina pesada de trabalho e estudos. Foi na estrada que tive minhas primeiras experiências com o transporte e comecei a entender, na prática, os desafios que envolvem uma operação logística.

Hoje, atuo como gestor comercial, de projetos e de frota na Sigatrans Logística. Depois de cerca de 30 anos no setor, percebo que grande parte da visão profissional que tenho atualment foi construída justamente durante os anos em que estive na operação.

Ao longo dessa trajetória, percorri o Brasil de norte a sul, literalmente do Chuí ao Oiapoque. Em 2010, vivi uma das experiências mais marcantes: a Transamazônica.

Enfrentei longos trechos de estrada de chão, percursos em que cerca de 60 quilômetros podiam representar 12 horas de viagem, além de situações de insegurança e dificuldades em regiões como Barra do Corda, onde passei por áreas de reserva indígena.

Essas experiências me ensinaram algo que continua presente na minha rotina: distância não é apenas quilometragem. É tempo, combustível, desgaste, manutenção, risco e custo.

Hoje, esse conhecimento prático contribui diretamente para minhas decisões na gestão de frota. Consigo olhar para números de distância, consumo e despesas dos veículos considerando também a realidade encontrada nas rotas.

Da operação para a gestão

A mudança da operação para a gestão também transformou minha forma de enxergar as pessoas.

Durante minha trajetória, vivi situações difíceis e até humilhações dentro de empresas e transportadoras. Quando passei a liderar, escolhi fazer diferente.

A empatia se tornou uma ferramenta indispensável de gestão. Antes de cobrar um resultado, procuro entender a dificuldade de quem está na ponta. O motorista enfrenta condições de estrada, pressão, imprevistos e longas jornadas. Conhecer essa realidade muda a maneira de tomar decisões.

Essa experiência também reforçou uma convicção: logística é feita por pessoas antes de ser feita por caminhões.

Três aprendizados de 30 anos de logística

Minha experiência profissional pode ser resumida em três aprendizados:

1. Pessoas vêm antes da operação.
Uma frota eficiente depende de uma equipe preparada e de uma gestão próxima.

2. Comercial e operação precisam caminhar juntos.
Prometer ao cliente é fácil quando não se conhece a realidade operacional. O resultado acontece quando as duas áreas trabalham alinhadas.

3. Quem conhece a estrada conhece melhor o cliente.
A experiência prática ajuda a compreender prazos, rotas, custos e dificuldades que nem sempre aparecem em uma planilha.

Não acredito em operação perfeita. Acredito em equipes preparadas, gestão presente e pessoas dispostas a resolver problemas.

Depois de três décadas na logística, minha experiência na estrada continua sendo uma ferramenta importante para a gestão. A diferença é que, hoje, ela se soma aos indicadores, aos projetos e aos números necessários para uma tomada de decisão mais precisa.

A Transamazônica, as longas viagens e as rotas difíceis foram uma espécie de faculdade prática. E é esse conhecimento que continuo levando comigo todos os dias: entender a estrada para compreender a operação, os custos, o cliente e, principalmente, as pessoas que fazem a logística acontecer.

Fábio Lins é profissional do setor de transporte e logística, com 30 anos de experiência e uma trajetória construída da operação à gestão. Formado em Gestão Comercial, atualmente, integra a Sigatrans Logística, aliando conhecimento prático, experiência em gestão e visão estratégica para o desenvolvimento de soluções logísticas eficientes.

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O Clima Contra a Logística Global: Por que o Seguro Internacional deixará de ser custo e virou estratégia de sobrevivência

A passagem do Tufão Dolphin pela costa leste da China — provocando o fechamento temporário e a desaceleração de mega-hubs portuários como Ningbo-Zhoushan e Xangai, é um lembrete severo sobre a vulnerabilidade das cadeias globais de suprimentos.

Quando os maiores portos do planeta entram em efeito dominó, o impacto no Brasil é imediato e doloroso:

No lado da Exportação: Navios carregados com commodities brasileiras (como soja, minério de ferro e proteína animal) enfrentam longas filas de espera (anchorage time), gerando custos altíssimos de demurrage e atrasando a liquidação dos contratos.

No lado da Importação: O cancelamento de escalas (blank sailings) e o atraso no envio de insumos industriais, eletrônicos e peças de reposição afetam diretamente as linhas de produção no Brasil, gerando desabastecimento e encarecendo os fretes marítimos spot.

No pátio e no mar: O acúmulo de contêineres e o manuseio sob condições adversas aumentam drasticamente os riscos de avarias físicas, tombamentos e umidade.


A Batalha Invisível: Por que o Seguro de Transporte Internacional é indispensável?

Muitos operadores logísticos e empresários assumem que a responsabilidade por imprevistos é integralmente do armador ou do transportador. Trata-se de um mito perigoso. A responsabilidade das companhias marítimas é limitada por convenções internacionais e contratos de frete, raramente cobrindo o valor real da mercadoria ou os prejuízos decorrentes de fenômenos naturais.

Um seguro de transporte internacional bem estruturado vai muito além de proteger contra “perda total”. Ele blinda a saúde financeira da empresa em três frentes críticas:

1. Avaria Grossa (General Average): O risco que pouca gente calcula

Em situações extremas de tempestade ou encalhe, se o comandante precisar sacrificar parte do navio ou lançar cargas ao mar para salvar a embarcação e o restante da mercadoria, a lei marítima internacional exige que todos os donos de carga a bordo dividam proporcionalmente os prejuízos.

  • Mercadorias Sem seguro: Sua carga pode nem ter sido danificada, mas ficará retida no porto até que você deposite uma garantia bancária (que pode chegar a dezenas ou centenas de milhares de dólares) para cobrir a sua quota-parte do prejuízo geral.
  • Com seguro: A seguradora assume a garantia e cuida da liberação da carga, sem desorganizar o seu caixa.

2. Coberturas Amplas (Cláusula All Risks / ICC “A”)

Eventos climáticos não geram apenas perdas totais. Ventos fortes e mar agitado causam quedas de contêineres, entrada de água do mar, tombamentos no convés e avarias por deslocamento de carga no interior do cofre. A apólice adequada garante indenização tanto para danos parciais quanto para perdas totais decorrentes do mau tempo ou manuseio emergencial nos pátios.

3. Garantia de Fluxo de Caixa e Previsibilidade

Uma operação sem seguro troca uma despesa previsível e irrisória (o prêmio do seguro) por um risco financeiro catastrófico imprevisível. Em momentos de crise nas rotas asiáticas, ter a indenização garantida permite recompor o estoque ou reimportar insumos sem comprometer a continuidade do negócio.

Checklist Prático: Como blindar sua operação hoje

Para garantir que a sua cobertura seja efetiva quando o imprevisto acontecer:

  1. Revise os Incoterms® da negociação: Tenha clareza de quem é a responsabilidade pela contratação do seguro no contrato (ex: FOB x CIF ou CIP x FCA).
  2. Exija Cobertura “All Risks” (ICC – Institute Cargo Clauses “A”): Garanta a maior amplitude possível contra avarias, e confirme se a cláusula de Avaria Grossa está devidamente coberta.
  3. Monitore o Lead Time e Gerencie Riscos: Acompanhe os avisos das armadoras e mantenha margens de segurança no planejamento de estoque durante a temporada de tufões e furacões na Ásia e Américas.
  4. Alinhe os Vistoriadores: Tenha certeza de que seu corretor/seguradora conta com rede de regulação de avarias nos portos de origem e destino.

Não temos controle sobre a força dos tufões ou a saturação dos portos mundiais, mas temos controle absoluto sobre a gestão do nosso risco. Proteger o capital investido na carga é o único caminho para manter a competitividade e a sustentabilidade no Comércio Exterior.

Sua operação no trecho Ásia-Brasil já está preparada para os impactos operacionais dos próximos meses?

Renata Palmeira é CEO do RêConecta News, executiva comercial e especialista em Logística, Comércio Exterior e Gestão de Pessoas. Com mais de 25 anos de experiência nos setores de vendas e logística, atua na gestão comercial, desenvolvimento de equipes e soluções logísticas integradas. Fundadora do portal RêConecta News, trabalha para ampliar a visibilidade e o posicionamento estratégico de empresas e profissionais de Comex e Logística, além de atuar como palestrante nas áreas de vendas, marketing e logística.

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O que ameaça os preços da Black Friday e do Natal no Brasil?

As promoções da Black Friday, uma das datas mais importantes do varejo brasileiro, começam a ser definidas muito antes de novembro. É em agosto que fabricantes e varejistas negociam as compras que abastecerão as lojas nos últimos meses do ano, grande parte delas composta por produtos importados ou fabricados com componentes vindos da Ásia.

Neste ano, porém, o consumidor pode encontrar um cenário diferente. A alta do frete marítimo internacional e as tensões geopolíticas globais aumentaram significativamente os custos de importação, reduzindo a margem para grandes descontos e influenciando até mesmo a variedade de produtos disponíveis nas prateleiras.

Frete marítimo pressiona custos da Black Friday

O principal fator de preocupação para a Black Friday 2026 é a disparada do frete marítimo. O custo do contêiner de 40 pés entre Ásia e Brasil saltou de cerca de US$ 3 mil em abril para US$ 9 mil em junho, estabilizando-se posteriormente na faixa de US$ 6 mil.

Esse aumento não afeta apenas o preço final dos produtos. Mercadorias de menor margem de lucro ou que ocupam maior espaço nos contêineres tendem a perder competitividade, reduzindo sua presença nas lojas.

Como o tempo médio entre o embarque na Ásia e a chegada ao Brasil é de aproximadamente 60 dias, os contêineres enviados durante o pico dos custos começam a desembarcar agora. Por isso, os impactos devem ser percebidos justamente no período de abastecimento da Black Friday e das vendas de Natal.

Geopolítica influencia toda a cadeia logística

Hoje, acompanhar o cenário geopolítico deixou de ser apenas uma questão estratégica e passou a ser uma necessidade para quem atua no comércio exterior.

Os conflitos no Oriente Médio levaram diversos armadores a evitarem o Canal de Suez, optando pela rota do Cabo da Boa Esperança. Essa mudança acrescenta cerca de 15 dias às viagens marítimas, aumentando despesas com combustível, seguros e utilização dos navios.

Ao mesmo tempo, a instabilidade no Estreito de Ormuz e o congestionamento dos principais portos mundiais fizeram a logística internacional atingir níveis semelhantes aos observados durante a pandemia, quando houve uma verdadeira disputa por contêineres.

O impacto para empresas e consumidores

Nem todos os produtos sentirão o aumento dos custos da mesma forma.

Itens volumosos e de menor valor agregado, como pneus e algumas mercadorias de baixo ticket, sofrem maior pressão, já que o custo fixo do frete é dividido entre poucas unidades. Já produtos de maior valor, como eletrodomésticos e eletrônicos, conseguem absorver parte desse aumento sem comprometer totalmente sua competitividade.

Para o consumidor, o resultado pode aparecer de diferentes maneiras:

  • descontos mais modestos na Black Friday;
  • menor variedade de alguns produtos importados;
  • maior oferta de itens compactos e essenciais;
  • condições de parcelamento mais atrativas para compensar preços mais elevados.

Planejamento será o diferencial competitivo

Mais do que nunca, planejamento será a principal vantagem das empresas.

Importadores que anteciparam suas compras conseguiram reduzir parte dos impactos do aumento do frete, embora tenham precisado investir em armazenagem para manter estoques preparados para o segundo semestre.

Já quem deixou as importações para os últimos meses do ano enfrenta um mercado com menor disponibilidade de espaço nos navios e custos muito mais elevados. Nesse cenário, ocorre uma verdadeira disputa por capacidade logística, pressionando margens e aumentando o CAC (Custo de Aquisição de Clientes), já que vender se torna mais caro.

Por outro lado, empresas que trabalham com antecedência conseguem estruturar melhor sua operação, fortalecer o relacionamento com seus clientes e construir campanhas menos dependentes de descontos agressivos.

Planejar cenários é uma estratégia, não uma opção

Sempre defendi que empresas que atuam no comércio exterior precisam trabalhar com projeções de cenários. A logística internacional é dinâmica e altamente sensível a fatores econômicos e geopolíticos. Antecipar decisões significa reduzir riscos, preservar competitividade e entregar mais valor ao cliente.

A Black Friday acontece em novembro e o Natal em dezembro, mas o sucesso dessas datas começa muitos meses antes, no planejamento das importações.

A pergunta que fica é simples:

Sua empresa antecipou as compras para a Black Friday e o Natal ou ainda está refém dos custos elevados do frete marítimo?



Renata Palmeira é CEO do RêConecta News, executiva comercial e especialista em Logística, Comércio Exterior e Gestão de Pessoas. Com mais de 25 anos de experiência nos setores de vendas e logística, atua na gestão comercial, desenvolvimento de equipes e soluções logísticas integradas. Fundadora do portal RêConecta News, trabalha para ampliar a visibilidade e o posicionamento estratégico de empresas e profissionais de Comex e Logística, além de atuar como palestrante nas áreas de vendas, marketing e logística.

*Imagem ilustrativa em destaque produzida por IA.

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O Império que nasce nos bastidores dos grandes espetáculos

O evento final da Copa do Mundo 2026 foi marcado por um verdadeiro espetáculo de oportunidades e conexões de valor. A cerimônia de encerramento começou com um discurso incrível do ator Tom Cruise, que emocionou todo o estádio:

“Eles começaram uma jornada. Cruzaram oceanos. Cruzaram fronteiras. Cruzaram culturas. E, juntos, mostraram-nos por que este jogo pertence ao mundo. O futebol é uma linguagem que se fala sem palavras, uma força que une as pessoas, que transforma estranhos em amigos e nos lembra do que todos temos em comum. Então, enquanto nos reunimos para um último capítulo, celebremos um torneio que uniu o mundo. Celebremos uns aos outros. Isso é futebol. Isso é união. Isso é grandeza.”

Com o início da partida, os olhos da plateia se dividem entre a genialidade no campo e a energia dos torcedores ao redor. É exatamente aí, na paixão compartilhada e no olho no olho, que nascem as grandes oportunidades e a geração de novos contatos.

Quando compartilhamos da mesma paixão com outras pessoas, criamos o terreno ideal para gerar conexões de valor.

Um grande exemplo disso está na história real do investidor Chris Gardner, retratada de forma brilhante no filme À Procura da Felicidade. Em um momento decisivo, a oportunidade de acompanhar um potencial cliente a um grande evento esportivo foi o gatilho que ele precisava. Ali, fora do ambiente frio do escritório, ele gerou a conexão e a empatia necessárias para, mais tarde, conquistar a grande oportunidade de sua vida.

Estar em ambientes onde as pessoas compartilham do mesmo propósito e da mesma energia é o passo mais fértil para o início de grandes relações de amizade e, consequentemente, de grandes negócios.

Daí nasce a verdadeira importância de frequentar os lugares certos:

  • Os ambientes de esporte nos ensinam o valor da disciplina, da consistência e da superação diária. Eles moldam a nossa mentalidade para vencer.
  • Os ambientes de conhecimento reúnem pessoas que compartilham da mesma fome de evolução. Quem está ali tem uma propensão natural a buscar o desenvolvimento contínuo e está aberto a cocriar o futuro.

E as conexões mais poderosas muitas vezes não acontecem na mesa de reunião, mas nos momentos mais inesperados. Imagine o valor do networking gerado entre os participantes durante um show de intervalo. Ali, enquanto todos compartilham a mesma emoção, as barreiras desaparecem e dão lugar a possibilidades únicas.

A grande verdade é que, se você estiver genuinamente aberto a vivenciar esses ambientes favoráveis, você passa a ter em mãos o segredo do crescimento acelerado: a capacidade de construir um verdadeiro império através das conexões.

Porque, no fim das contas, o sucesso é feito de pontes, de pessoas e da nossa capacidade de nos conectarmos uns com os outros.

E você, qual foi a conexão mais valiosa que você já fez fora do ambiente tradicional de negócios?

Renata Palmeira é CEO do RêConecta News, executiva comercial e especialista em Logística, Comércio Exterior e Gestão de Pessoas. Com mais de 25 anos de experiência nos setores de vendas e logística, atua na gestão comercial, desenvolvimento de equipes e soluções logísticas integradas. Fundadora do portal RêConecta News, trabalha para ampliar a visibilidade e o posicionamento estratégico de empresas e profissionais de Comex e Logística, além de atuar como palestrante nas áreas de vendas, marketing e logística.

Foto: REUTERS/Hannah Mckay

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Representatividade da Mulher no Comércio Exterior e as barreiras existentes em sua trajetória profissional


Muito se discute sobre o empoderamento feminino, mas a distância entre o discurso e a prática ainda se reflete na escassez de mulheres em posições de destaque. No Comércio Exterior, esse desafio de equidade na liderança permanece latente.

Hoje as mulheres são mais atuantes e a representatividade cresceu, mas o acesso a cargos gerenciais continua restrito, mantendo a maioria na área operacional do Comércio Exterior. Embora existam escolhas pessoais e fatores como a autossabotagem, o que mais desafia o mercado é a existência da ‘barreira de gênero’. É inquietante notar quantas mulheres altamente competentes, com total capacidade e desejo de liderar, acabam encontrando obstáculos estruturais no caminho rumo ao topo.

No Brasil, as mulheres possuem, em média, maior nível de escolaridade que os homens. Contudo, quando analisados trabalhadores com ensino superior completo, a distância salarial em vez de diminuir, aumenta. Em cargos de alta qualificação, o homem chega a receber até 35% mais desempenhando funções equivalentes.

O indicador de remuneração média mensal das mulheres equivale a cerca de 80,7% da recebida pelos homens. Conforme estudos a pirâmide organizacional (cargos de diretoria, gerência e gerência operacional de Comércio Exterior, por exemplo), a diferença na composição da remuneração total — que engloba bônus, comissões e gratificações — se alarga expressivamente em favor dos homens.

Embora os índices de capacitação e escolaridade feminina superem com frequência os masculinos, essa excelência acadêmica ainda não se reflete na equidade profissional. O caminho a ser trilhado pelas mulheres continua repleto de obstáculos, perpetuando uma realidade de cargos e salários inferiores aos de seus pares homens.

Os desafios da trajetória feminina ganham uma complexidade ainda maior com a maternidade — um momento frequentemente cercado de vieses e discriminação no mercado. No entanto, equilibrar a vida pessoal e a profissional é uma das grandes marcas da competência feminina. Longe de reduzir a capacidade de entrega, a maternidade frequentemente impulsiona uma nova versão dessa profissional, potencializando sua resiliência, liderança e determinação. Em uma realidade onde o protagonismo feminino sustenta grande parte dos lares brasileiros, a maternidade é um motor de força, e nunca uma limitação. 

Para além das barreiras que cercam as mulheres no mercado interno, as profissionais de Comércio Exterior enfrentam um desafio geopolítico único: a barreira cultural. Em mesas de negociação globais, muitas executivas ainda se deparam com culturas, costumes ou preceitos religiosos que rejeitam a liderança feminina, exigindo delas uma resiliência e uma inteligência estratégica em dobro para consolidar negócios em países onde o protagonismo da mulher ainda é contestado.

Mas essas barreiras estão sendo quebradas. A trajetória recente da Secretária do MDIC, Tatiana Prazeres, em mesas de negociações internacionais de alto nível, ilustra perfeitamente como a liderança e a autoridade feminina vêm desbravando e redefinindo esses espaços. Ela é a prova de que o topo do comércio internacional também é lugar de mulher.

Mesmo com alto grau de instrução, qualificação e conhecimento de mercado, a mulher enfrenta a constante pressão de ter que provar sua capacidade a todo instante — seja para a sociedade, para seus colegas de profissão, superiores ou em mesas de negociação. Essa é uma realidade diária e incansável. A disparidade de gênero é um fato real. Cabe a nós mulheres continuarmos firmes na busca pelo nosso espaço e pela igualdade, mas temos a clareza de que não podemos encarar essa jornada sozinhas.

Para que possamos, de fato, transformar o mercado e expandir a representatividade feminina no Comércio Exterior, o caminho começa na nossa própria rede. É por isso que fortalecemos o Grupo das Divas do COMEX & LOG: para que nenhuma de nós precise caminhar sozinha. O que podemos fazer hoje é nos unirmos em uma rede de apoio mútuo, nos espelhando e nos inspirando em lideranças que já desbravaram o caminho e conquistaram seu espaço. Juntas, nós não apenas ocupamos lugares; nós abrimos portas para as próximas que virão. Vamos evoluir, conectar e liderar!

Para que possamos avançar com base em dados reais e transformar esse cenário, convido todas as mulheres da nossa área a responderem ao nosso questionário. A sua voz é fundamental para construirmos conteúdos ainda mais qualificados, abrirmos portas para oportunidades de networking estratégico e gerarmos negócios direcionados ao fortalecimento do público feminino no setor.

Acesse o link, participe e vamos construir o futuro do nosso mercado juntas!

https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLSctmw9KunZwX5gtkMAOFNY6CCTZqN5RB9Qmd3owQ_Ezhqfizg/viewform?usp=publish-editor

Renata Palmeira é CEO do RêConecta News, executiva comercial e especialista em Logística, Comércio Exterior e Gestão de Pessoas. Com mais de 25 anos de experiência nos setores de vendas e logística, atua na gestão comercial, desenvolvimento de equipes e soluções logísticas integradas. Fundadora do portal RêConecta News, trabalha para ampliar a visibilidade e o posicionamento estratégico de empresas e profissionais de Comex e Logística, além de atuar como palestrante nas áreas de vendas, marketing e logística.

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Além das quatro linhas: liderança, mercado e a engrenagem logística da Copa do Mundo

Quando olhamos para uma Copa do Mundo, a imagem que fica na memória é a do capitão erguendo a taça sob uma chuva de confetes. No entanto, o sucesso de um time de futebol e a grandiosidade de um mundial não acontecem por acaso. O espetáculo é a ponta de um iceberg sustentado por três pilares fundamentais: a liderança estratégica, o aquecimento do mercado global e uma operação logística por traz de todo o processo.


A liderança de um time de futebol: gestão de talentos sob pressão

A liderança no futebol moderno vai muito além de gritar em campo ou usar uma braçadeira. O técnico e os líderes experientes do elenco atuam como verdadeiros gestores de alta performance.  O líder precisa ter resiliência e inteligência Emocional. A pressão psicológica em torneios curtos é extrema. O bom líder absorve o impacto das críticas e blinda o grupo, mantendo o foco tático mesmo após uma derrota dolorosa.

Outro ponto relevante, é preciso trabalhar a cultura de confiança. Assim como em uma empresa, o papel do líder no futebol é fazer com que cada liderado entenda sua função e confie no companheiro ao lado, sabendo que o sucesso individual é consequência do sucesso coletivo.



A importância da Copa do Mundo para o mercado

A Copa do Mundo é o maior gatilho de consumo em massa do planeta. Quando o torneio começa, a economia global ganha uma injeção massiva de adrenalina em múltiplos setores:

E-commerce e varejo: O varejo de alimentos, bebidas e eletrônicos dispara. O desejo do torcedor de assistir aos jogos com a melhor qualidade gera picos impressionantes na venda de televisores, aparelhos de som, camisas de times além de pontos de visibilidade do evento por todo o mundo;

Marcas e patrocínios: Gigantes mundiais e regionais atrelam suas marcas ao evento para resgatar a conexão afetiva com o público, utilizando ídolos do esporte para impulsionar vendas e fidelizar clientes em campanhas bilionárias. Afinal marketing é EXPERIÊNCIA e SENSAÇÃO.

Turismo e entretenimento: Países sede e estabelecimentos locais (bares, restaurantes, fan zones) movimentam bilhões de dólares com o fluxo contínuo de torcedores nacionais e internacionais. O mundo para,  para acompanhar sua seleção e viver esse momento.


A logística do evento e das seleções

Garantir que toneladas de equipamentos de transmissão, câmeras e estruturas de mídia cruzem fronteiras com desembaraço aduaneiro prioritário para que bilhões de pessoas assistam ao jogo ao vivo, sem um segundo de atraso. Para os times, a logística gerencia o transporte milimétrico de cargas técnicas (uniformes, suplementos, equipamentos médicos) entre hotéis, centros de treinamento e estádios — muitas vezes divididos em diferentes fusos horários e países (como ocorre na estrutura tri-nacional entre EUA, Canadá e México).

Posicionamento estratégico, para eu os jogadores possam se locomover entre os estádios e ainda ter centros de treinamentos, comissão técnica, médicos. Tudo é Logística.

A logística do consumo (Mercado)

Para atender à explosão de demanda gerada pelo torneio, indústrias e varejistas precisam antecipar seus estoques em meses. No Brasil, por exemplo, a corrida pela compra de novas TVs exige uma coordenação pesada no transporte (como a cabotagem marítima saindo do Polo Industrial de Manaus para abastecer os grandes centros de distribuição). Se a logística falhar e o produto não estiver na prateleira — física ou digital — antes do apito inicial, a perda financeira é irrecuperável.

O futebol arte só brilha na tela se houver uma liderança forte blindando o vestiário, um mercado aquecido financiando o espetáculo e uma rede logística impecável movendo cada peça, no tempo exato, por trás das cortinas.

Se o mercado demanda e a liderança executa em campo, é a logística que torna tudo fisicamente possível. Uma Copa do Mundo é, essencialmente, um dos maiores desafios de Supply Chain (cadeia de suprimentos) e transporte do mundo.


Liderança de alta performance

Em um time de alta performance — seja no futebol ou no mundo corporativo —, o sucesso não depende de um único estilo de líder, mas sim da sinergia entre diferentes papéis e da capacidade de cada um assumir a responsabilidade pelo seu quadrado.

Em 1994, o Brasil quebrou um jejum de 24 anos porque esses três personagens entenderam perfeitamente seus papéis de autorresponsabilidade:

Parreira (a liderança estratégica/sistêmica): O “CEO” do time. Ele tinha a visão macro, o planejamento tático e a resiliência para aguentar as críticas externas. A autorresponsabilidade dele estava em manter a estrutura organizada e dar o suporte para que o talento aparecesse, sem querer ser a estrela do show.

Dunga (a liderança executiva/cultura): O líder de processos e cobrança dentro de campo. Dunga era o braço direito da estratégia, o cara que garantia a disciplina, o foco e que ninguém relaxasse. A autorresponsabilidade dele era o exemplo e a mentalidade de inconformismo.

Romário (a liderança técnica/entrega de resultado): O “Hyper-performer” (o craque do comercial ou da operação). Romário chamou a responsabilidade para si antes mesmo da Copa. Ele sabia do seu valor, assumiu o risco do resultado final e entregou os gols. A autorresponsabilidade dele foi cumprir a promessa de trazer a taça através da execução impecável.

O Tetra de 94 só aconteceu porque o Romário não tentou ser o Parreira, o Parreira não tentou ser o Dunga, e o Dunga não tentou dar o drible do Romário.


Para a Copa do Mundo de 2026, que está acontecendo justamente agora, a Seleção precisa reconstruir essa tríade de autorresponsabilidade.

Em 2026, o Hexa só virá se cada um desses três pilares — Estratégia (Treinador), Cultura/Cobrança (Capitão) e Execução (Craque) — assumir 100% de autorresponsabilidade pelas suas entregas, jogando de forma conectada.


E como você acha que vai ser a COPA 2026?


Por Renata Palmeira

CEO RêConectaNews

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Comércio Internacional, Especialista, Exportação, Geopolítica, Importação, Internacional, Mercado Internacional, Negócios, Notícias, Transporte

Choque no Oriente Médio: O fim de uma era e o impacto direto no Brasil

Escalada no Oriente Médio: Morte de Khamenei e Ofensiva de EUA e Israel contra o Irã

Uma operação militar sem precedentes redesenhou o cenário geopolítico global neste fim de semana. Em uma ação coordenada iniciada na manhã de sábado (28), os Estados Unidos e Israel lançaram ataques massivos contra o Irã, resultando na confirmação da morte do Líder Supremo, Aiatolá Ali Khamenei, conforme anunciado pela mídia estatal iraniana no domingo (1º).

O Ataque e o Objetivo Estratégico

Diferente de ofensivas anteriores, os bombardeios começaram à luz do dia, visando instalações de alta cúpula em Teerã e outras quatro cidades. O presidente dos EUA, Donald Trump, classificou a operação como uma “fúria épica”, afirmando que o objetivo principal é a destruição total do programa nuclear iraniano.

“Garantiremos que o Irã não obtenha uma arma nuclear. Este regime aprenderá que ninguém deve desafiar o poder das forças armadas dos Estados Unidos”, declarou Trump em vídeo.

Donald Trump – Presidente dos EUA

Impactos Imediatos sobre o ataque:

  • Alvos: Mísseis atingiram o palácio presidencial e residências oficiais. Enquanto a morte de Khamenei marca o fim de um domínio religioso de quase 40 anos.
  • Resposta do Irã: O regime lançou uma onda de ataques em todo o Oriente Médio, atingindo áreas próximas a bases americanas em países como Emirados Árabes Unidos EAU, Catar, Kuwait, Bahrein, Jordânia e Iraque.
  • Duração: Fontes militares indicam que a ofensiva pode durar vários dias, focando no desmantelamento da infraestrutura militar e logística do país.

Análise Geopolítica: Riscos Globais

A queda da liderança iraniana gera uma ruptura no equilíbrio de poder regional. Dois pontos críticos preocupam a comunidade internacional, o anúncio do fechamento do Estreito de Ormuz ameaça o fluxo de 20% do petróleo e gás mundial, o que pode disparar os preços das commodities e o mundo aguarda os posicionamentos de Rússia e China diante da intervenção direta dos EUA e de Israel.

Este evento marca, possivelmente, o colapso do eixo teocrático iraniano, mas abre caminho para uma sucessão incerta sob fogo cruzado.


Como essa instabilidade afetará o comércio mundial e a economia no Brasil?

O aumento do combustível e a volatilidade dos mercados são preocupações reais para o nosso país. O Brasil mantém uma relação comercial estratégica com o Irã, movimentando cerca de US$ 3 bilhões anuais. A desestabilização da região gera efeitos imediatos. O Irã é o 5º principal destino das exportações brasileiras no Oriente Médio. Com o país sob ataque e em luto oficial, os contratos de curto prazo podem ser suspensos ou cancelados por falta de logística e pagamentos.
O Brasil importa uréia e outros fertilizantes nitrogenados do Irã. Uma interrupção prolongada pode encarecer os custos de produção da safra brasileira de 2026/27. O fechamento do Estreito de Ormuz é o fator mais crítico. Por ali passam 20% do petróleo mundial. Se o bloqueio persistir, o preço do barril pode ultrapassar os US$ 100, forçando a Petrobras a reajustar a gasolina e o diesel, o que gera inflação em toda a cadeia de consumo no Brasil.

Para o agronegócio brasileiro é fundamental se proteger e, estrategicamente, redirecionar sua produção em um cenário de guerra prolongada e sanções severas ao Irã. Pois se esse mercado fechar, o impacto no PIB agropecuário será imediato.

Quantificação do volume de milho e soja que deixaria de embarcar para os portos iranianos (estimativa baseada nos contratos atuais). O impacto do aumento do petróleo no custo do frete interno e como isso afeta a competitividade do produtor brasileiro.

Com base nos dados de fechamento de 2025 e nos acontecimentos deste fim de semana (28/02 e 01/03/2026), segue abaixo um detalhamento do impacto por estado e as diretrizes para a diplomacia comercial brasileira.

Impacto do Agronegócio

O Irã é o 5º maior destino das exportações brasileiras no Oriente Médio, com um fluxo de US$ 2,9 bilhões em 2025. O impacto da guerra e da morte de Khamenei não será uniforme no Brasil, concentrando-se nos grandes produtores de grãos. Cerca de 22% de todo o milho exportado pelo Brasil em 2025 foi para o Irã. Se as sanções de Trump (tarifa de 25% para quem negociar com Teerã) forem aplicadas, o custo de oportunidade para o exportador brasileiro se tornará insustentável.

Posicionamento Diplomático Estratégico

O Itamaraty já condenou oficialmente a ofensiva e defende uma “solução negociada”. Para não perder outros mercados vitais no Oriente Médio (como Arábia Saudita e EAU), o Brasil pode adotar algumas estratégias, como, ser a Garantia de Segurança Alimentar. O Brasil poderá se posicionar como o “celeiro do mundo”, argumentando que sanções sobre alimentos ferem direitos humanos básicos. Isso ajuda a manter mercados em países árabes que temem a instabilidade.

O “Gargalo” dos Fertilizantes

Este é o ponto mais sensível. Em 2025, 79% do que compramos do Irã foi ureia (fertilizante).

O governo brasileiro poderá ampliar contratos com Catar e Nigéria para substituir o fornecimento iraniano, evitando que o custo do plantio da próxima safra exploda em 2026.

O Estreito de Ormuz é o gargalo por onde passam 21 milhões de barris de petróleo por dia. Com o anúncio do fechamento pelo regime iraniano em retaliação à morte de Khamenei, o mercado projeta um cenário de escassez global.

Projeção de alta no Preço do Petróleo

Levando em conta o repasse da Petrobras e a desvalorização do Real frente ao Dólar (que tende a subir com a aversão ao risco). O Diesel é o principal insumo do transporte rodoviário. Um aumento de 30% no combustível eleva o custo do frete de grãos em cerca de 15% a 20%, reduzindo a margem de lucro do produtor. O aumento dos combustíveis tem efeito cascata. Estimamos um impacto de +1,5 a 2,0 pontos percentuais na inflação brasileira nos próximos 60 dias apenas pelo canal de energia. O governo brasileiro enfrentará uma pressão política imensa para segurar os preços através da Petrobras ou por meio de novos subsídios fiscais, o que pode pressionar as contas públicas.

Este é o “efeito dominó” que mais assusta o mercado financeiro brasileiro neste domingo, 1º de março de 2026. Em momentos de guerra e incerteza sobre a sucessão de uma potência regional como o Irã, os investidores ativam o modo de “fuga para a qualidade” (flight to quality), retirando dinheiro de países emergentes (como o Brasil) para comprar títulos do Tesouro dos EUA e ouro.

Por que o Dólar sobe tanto neste caso?

Existem três vetores principais empurrando o Real para baixo, o Brasil é visto como um mercado de “risco”. Quando o mundo treme, os fundos de investimento vendem ativos brasileiros para garantir liquidez em moeda forte. Déficit de Balança Comercial, embora o preço do petróleo suba (o que teoricamente ajudaria a Petrobras), o custo de importação de insumos químicos e tecnologia dispara, pressionando o fluxo cambial. E um último ponto relevante, se o FED (Banco Central dos EUA) sinalizar que manterá juros altos para conter a inflação causada pelo petróleo, o Brasil perde atratividade para o carry trade (investidores que buscam juros altos aqui).

A Queda de Teerã e a Nova Ordem Global

A manhã de 1º de março de 2026 entra para a história como o marco de uma das maiores mudanças geopolíticas do século XXI. A confirmação da morte do Líder Supremo Ali Khamenei, em uma operação conjunta entre EUA e Israel, encerra quase quatro décadas de regime teocrático e lança o mundo em uma zona de incerteza profunda.

O que estamos presenciando não é apenas um evento militar, mas uma reconfiguração econômica mundial. Para o Brasil, o desafio é duplo: diplomaticamente, precisa equilibrar sua posição no BRICS sem sofrer sanções do governo Trump; economicamente, o país deve agir rápido para substituir o fornecimento de fertilizantes e mitigar o impacto do combustível no transporte de carga.

O cenário exige cautela máxima de investidores e produtores. A volatilidade será a regra nas próximas semanas, e a estabilidade global dependerá da rapidez com que as rotas comerciais forem reabertas e de como as potências (Rússia e China) reagirão à nova realidade iraniana.

Estamos diante de uma nova ordem global. A capacidade do Brasil de diversificar mercados e garantir insumos fertilizantes determinará o impacto no PIB agropecuário de 2026.

A cautela é a palavra de ordem.


Texto: RêConectaNews – Renata Palmeira

Pesquisa: https://www.cnnbrasil.com.br/internacional/opcoes-de-trump-para-o-ira-sao-limitadas-apesar-do-reforco-militar/
https://g1.globo.com/mundo/noticia/2026/03/01/israel-faz-novos-ataques-contra-teera-sirenes-ataque-aereo-tel-aviv-jerusalem.ghtml
https://g1.globo.com/mundo/noticia/2026/03/01/trump-ataque-sem-precedentes-retaliacao-ira.ghtml
https://g1.globo.com/mundo/noticia/2026/02/28/midia-estatal-iraniana-confirma-morte-lider-supremo-ali-khamenei.ghtml

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Especialista

A ADAPTABILIDADE vai te levar a um novo nível profissional

O ESPECIALISTA: RENATA PALMEIRA

O mercado mudou. E ele não vai esperar você acompanhar.

As habilidades que te trouxeram até aqui podem não ser as mesmas que vão sustentar sua relevância nos próximos anos. Isso não é alarmismo. É leitura fria de dados, movimentos de mercado e decisões reais que empresas já estão tomando.

Relatórios recentes mostram um padrão claro: profissionais que combinam estratégia, tecnologia e capacidade de adaptação estão avançando. Quem depende apenas de fórmulas antigas, títulos ou experiência passada está ficando vulnerável.

O futuro do trabalho não premia quem sabe mais do mesmo. Premia quem aprende rápido, aplica melhor e evolui continuamente.


A palavra que vai definir o profissional do futuro na área de Logística e Comércio Exterior é ADAPTABILIDADE.

Sim! O profissional que se adapta as mudanças que estão acontecendo na área, será um profissional diferenciado. A capacidade de empresas e profissionais ajustarem estratégias, produtos e processos prontamente em resposta a mudanças tecnológicas, comportamentais ou econômicas será essencial para a sobrevivência, envolve monitorar o consumidor, antecipar tendências e inovar, garantindo vantagem competitiva e relevância a longo prazo. Não é à toa que adaptabilidade é uma das soft skills mais desejadas pelos Headhunters no mercado.

Portanto, compreender a importância da adaptabilidade e aprender a desenvolvê-la é primordial para se destacar e crescer na carreira.

Mas o que é ADAPTABILIDADE?

Por definição, adaptabilidade é a capacidade de se ajustar a novas situações em um determinado ambiente. Porém, quando falamos sobre essa característica no espaço de trabalho, ela vai muito além da flexibilidade ou de simplesmente seguir o fluxo.

Indivíduos adaptáveis desenvolvem um conjunto de habilidades, processos e estruturas para que possam lidar rapidamente com as situações à medida que surgem. São pessoas capazes de aceitar as mudanças, aprender com elas e ainda perceber os pontos positivos dessa transformação.

Existem dois tipos de adaptabilidade: a proativa e a reativa. A primeira envolve a capacidade do profissional de prever e se preparar para oportunidades e desafios, com base na análise de tendências, dados e sua leitura do ambiente que ocupa. Já na reativa, a adaptação só acontece após a mudança de fato.

É importante ressaltar que, assim como muitas outras habilidades sociocomportamentais, a adaptabilidade é uma competência que pode ser aprendida. 

Desenvolver um perfil mais adaptativo pode ser benéfico para todas as áreas da vida, uma vez que indivíduos com essa característica conseguem lidar com situações adversas com mais leveza e paciência.

Características-chave

Sensibilidade cultural, adaptabilidade e uma comunicação eficaz em diferentes contextos são algumas das habilidades essenciais que permitem aos profissionais se destacarem e colaborarem em ambientes multiculturais. Essas características não apenas ajudam a construir relacionamentos de confiança, mas também evitam mal-entendidos e conflitos, promovendo uma convivência harmoniosa e produtiva.


Soft Skils e oportunidade de carreira


78% das empresas no Brasil estão com dificuldade de contratação indica pesquisa, de Indice de confiança Robert Half. Embora o pessimismo esteja em alta, 18% das empresas planejam recrutar mais nos próximos meses, o que demonstra resiliência nas projeções de contratação.


Mas o grande diferencial desses profissionais que tem possibilidade de contratação?

ADAPTABILIDADE que vai elevá-los a um novo nível profissional.

Embora haja instabilidade no mercado, profissionais empregados mantêm confiança em sua empregabilidade individual, indicando percepção de segurança em seus cargos atuais, por estarem se adaptando bem ao atual momento de mercado.   

Assim, tanto a pessoa física como a pessoa jurídica, que tem maior resposta rápida ao momento de mercado e se adapta com flexibilidade e facilidade, irá gerar muitas oportunidades.

Terá um futuro com muitos desafios que rapidamente serão superados.

Renata Palmeira é CEO do RêConecta News, executiva comercial e especialista em Logística, Comércio Exterior e Gestão de Pessoas. Com mais de 25 anos de experiência nos setores de vendas e logística, atua na gestão comercial, desenvolvimento de equipes e soluções logísticas integradas. Fundadora do portal RêConecta News, trabalha para ampliar a visibilidade e o posicionamento estratégico de empresas e profissionais de Comex e Logística, além de atuar como palestrante nas áreas de vendas, marketing e logística.

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