Economia

Atividade econômica da Argentina cresce 3,5% em dezembro e supera projeções do mercado

A atividade econômica da Argentina registrou alta de 3,5% em dezembro na comparação com o mesmo mês de 2024, desempenho muito acima da expectativa de 0,5% projetada por analistas consultados pela Reuters. Os dados foram divulgados nesta terça-feira (24) pelo Instituto Nacional de Estatística e Censos.

O resultado indica aceleração frente a novembro, quando o indicador havia apresentado retração de 0,3%.

Crescimento anual deve alcançar 4,4% em 2025

Com o avanço de dezembro, a terceira maior economia da América Latina deve encerrar 2025 com expansão acumulada de 4,4%, segundo estimativas oficiais.

O desempenho reforça sinais de retomada após meses de volatilidade econômica e ajustes fiscais promovidos pelo governo.

Agro lidera alta; indústria recua

Entre os setores que compõem o indicador mensal, 11 registraram crescimento na comparação anual.

O maior destaque foi o segmento de agricultura, pecuária, caça e silvicultura, que avançou 32%, impulsionado por uma produção recorde de trigo. O bom desempenho do campo foi determinante para o resultado positivo do mês.

Em sentido oposto, o setor manufatureiro apresentou queda de 3,9%, refletindo dificuldades persistentes na indústria.

Ajuste fiscal e reformas estruturais

Desde que assumiu a presidência, Javier Milei tem adotado medidas de forte ajuste fiscal, com cortes de gastos públicos, estratégia que contribuiu para a desaceleração da inflação argentina.

O governo agora busca estimular a recuperação de áreas mais sensíveis da economia, como indústria, consumo e construção civil, que ainda operam em níveis considerados baixos por analistas.

Entre as principais apostas está a proposta de reforma trabalhista, apresentada como instrumento para dinamizar o mercado de trabalho e ampliar a geração de empregos formais. A iniciativa, no entanto, enfrenta resistência de sindicatos, que afirmam que as mudanças podem comprometer direitos trabalhistas históricos.

O desempenho de dezembro reforça as expectativas de recuperação gradual da economia argentina, ainda que desafios estruturais permaneçam no radar.

FONTE: CNN
TEXTO: Redação
IMAGEM: Pexels/Freerange

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Economia

Ibovespa se aproxima dos 190 mil pontos com investidores atentos a tarifas dos EUA

O Ibovespa abriu a terça-feira (24) em alta e voltou a rondar o nível dos 190 mil pontos, acompanhando a recuperação dos índices futuros de Nova York. Apesar do avanço, o ambiente nos mercados segue marcado por cautela diante das tarifas dos Estados Unidos, das tensões geopolíticas e das incertezas relacionadas aos impactos econômicos da inteligência artificial.

O movimento positivo ocorre em meio a um cenário internacional ainda instável, que mantém investidores atentos às próximas decisões de política comercial americana e aos desdobramentos no exterior.

Resultados corporativos e agenda política no radar

No cenário doméstico, o mercado monitora a divulgação de resultados trimestrais de empresas como C&A, GPA, Iguatemi e ISA Energia, prevista para após o fechamento do pregão. Os números podem influenciar o comportamento das ações no curto prazo.

Na esfera política, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva cumpre agenda oficial em Abu Dhabi, onde participa de encontro com Mohammed bin Zayed Al Nahyan, presidente dos Emirados Árabes Unidos. A viagem ocorre após compromisso anterior em Seul.

Redução do custo de capital e dólar firme sustentam a Bolsa

Segundo Pedro Ros, CEO da Referência Capital, o avanço do índice está relacionado à expectativa de queda gradual no custo de capital. Para ele, esse cenário melhora a atratividade dos investimentos, estimula decisões empresariais e fortalece ativos voltados ao mercado interno.

Ele acrescenta que o dólar valorizado contribui para manter a competitividade das exportadoras e funciona como proteção em momentos de maior turbulência global.

Já Guilherme Gaspar, sócio da Ótmow fintech, avalia que o humor do mercado foi influenciado principalmente pelo ambiente externo. Investidores reagiram ao início da vigência de novas tarifas americanas, que elevaram o nível de incerteza e tendem a manter a volatilidade nos mercados. A alíquota adicional entrou em vigor em 10%, abaixo dos 15% que chegaram a ser mencionados anteriormente.

Bancos operam em alta

Entre as blue chips, os grandes bancos registravam ganhos no pregão da manhã. O Santander liderava as altas, com avanço de 1,07%, seguido por Banco do Brasil, com 0,78%. Itaú apresentava valorização de 0,61%, enquanto Bradesco subia 0,33%.

Política comercial dos EUA mantém pressão global

No exterior, o foco permanece na política comercial dos EUA. O governo americano passou a aplicar uma tarifa extra de 10% sobre produtos importados que não estejam incluídos em exceções específicas, conforme comunicado da autoridade aduaneira. A medida retoma o percentual inicialmente anunciado por Donald Trump, após especulações sobre uma possível alíquota maior.

A indefinição envolvendo acordos comerciais e o risco de pedidos bilionários de reembolso por importadores adicionam pressão ao cenário. Ao mesmo tempo, investidores acompanham os impactos da inteligência artificial no setor de tecnologia e software, além das persistentes tensões entre Washington e Teerã.

Por volta das 11h15, o dólar era negociado a R$ 5,17. Em Wall Street, o Dow Jones Futuro subia 0,10%, o Nasdaq Futuro recuava 0,10% e o S&P 500 Futuro avançava 0,20%.

FONTE: Veja
TEXTO: Redação
IMAGEM: Patricia Monteiro/Bloomberg/Getty Images

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Economia

Ibovespa renova fôlego e se aproxima de recorde histórico com alta de 1,35%

O Ibovespa retomou o movimento de valorização nesta quinta-feira (19) e avançou 1,35%, encerrando o pregão aos 188.534,42 pontos — ganho de 2.518,11 pontos após três sessões consecutivas de queda. O resultado mantém o principal índice da bolsa brasileira muito próximo do maior fechamento da história, registrado em 11 de fevereiro, quando atingiu 189.699,12 pontos.

O desempenho reforça a percepção de mercado doméstico aquecido, sustentado por fundamentos e por fluxo consistente de capital estrangeiro.

O giro financeiro do dia somou R$ 29,10 bilhões, com máxima de 188.687,12 pontos e mínima de 185.927,99 pontos.

Dólar cai e juros futuros avançam

No câmbio, o dólar comercial recuou 0,25%, fechando cotado a R$ 5,227. Já os juros futuros (DIs) subiram ao longo de toda a curva, refletindo discussões sobre o custo do crédito e seus impactos na atividade econômica.

O cenário misto indica que, apesar do otimismo na renda variável, o mercado segue atento às condições financeiras e à política monetária.

Petrobras e petróleo impulsionam o índice

Entre os destaques do pregão, o avanço superior a 2% do petróleo no mercado internacional, em meio ao aumento das tensões entre Estados Unidos e Irã, favoreceu as ações do setor de energia.

A Petrobras acompanhou a alta da commodity e contribuiu para sustentar o índice. As ações preferenciais (PETR4) subiram 1,67%. Já a PRIO (PRIO3) avançou 2,14%.

O peso relevante das petroleiras na carteira teórica do Ibovespa ampliou o impacto positivo da valorização do petróleo sobre o desempenho geral da bolsa.

Bancos sobem e fluxo estrangeiro fortalece a bolsa

As ações dos grandes bancos também registraram ganhos expressivos, reforçando o movimento de alta das chamadas blue chips.

O Banco do Brasil avançou 2,48%, o Bradesco subiu 2,01%, o Itaú Unibanco ganhou 1,17% e o Santander Brasil encerrou com valorização de 1,28%. A B3 também teve desempenho positivo, com alta de 0,80%.

Analistas apontam que o fluxo estrangeiro segue como um dos principais vetores de sustentação do mercado brasileiro, direcionando recursos especialmente para empresas de grande liquidez e relevância no índice.

A Vale, que havia recuado com força na sessão anterior, conseguiu reverter perdas e fechou com leve alta de 0,20%, reforçando o caráter disseminado da valorização.

IBC-Br sinaliza economia resiliente

No campo doméstico, investidores repercutiram o resultado do IBC-Br de dezembro, indicador considerado uma prévia do Produto Interno Bruto (PIB).

O índice apontou retração de 0,2% na comparação mensal, desempenho melhor do que o esperado por parte do mercado. A leitura predominante foi de que a economia brasileira mantém resiliência, mesmo em ambiente de condições financeiras mais restritivas.

A composição dos dados, segundo economistas, sugere desaceleração em setores ligados a consumo e renda, mas sem comprometer de forma significativa o ritmo geral da atividade.

Exterior cauteloso e atenção ao PCE

Enquanto a bolsa brasileira operou em alta, os principais índices de Wall Street encerraram o dia em queda, pressionados pelo risco geopolítico e pela expectativa em torno do PCE (índice de preços de consumo pessoal), referência para o Federal Reserve na definição da política monetária.

Mesmo diante do ambiente externo mais volátil, o mercado brasileiro demonstrou apetite por risco, apoiado na combinação de petróleo em alta, bancos fortes, dólar em queda e indicadores domésticos relativamente favoráveis.

O fechamento mantém o Ibovespa próximo das máximas históricas e reforça a narrativa de início de ano positivo para a bolsa brasileira.

FONTE: Brasil 247
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Brasil 247

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Economia

Mercado financeiro reduz projeção da inflação de 2026 pela sexta vez seguida

O mercado financeiro revisou para baixo a expectativa de inflação em 2026, registrando a sexta queda consecutiva. Segundo o Boletim Focus, divulgado pelo Banco Central nesta quarta-feira (18), a previsão do IPCA passou de 3,97% para 3,95%.

A estimativa atual fica 0,55 ponto percentual abaixo do teto da meta, que é de 4,5%, e demonstra uma trajetória de desaceleração em relação à projeção de um mês atrás, que estava em 4,02%.

Expectativa do IPCA para 2027 e anos seguintes

Para 2027, a projeção do IPCA se manteve em 3,80% pela 15ª semana consecutiva. Considerando apenas as 55 estimativas mais recentes, o índice chegou a 3,70%.

Em 2025, o IPCA acumulou alta de 4,26%, abaixo da mediana do Focus, que previa 4,31%, e da estimativa do Banco Central, de 4,4%.

O Copom projeta que a inflação de 2026 encerre em 3,4% e que a inflação em 12 meses atinja 3,2% no horizonte relevante, atualmente no terceiro trimestre de 2027. A partir de 2025, a meta de inflação tornou-se contínua, centrada em 3%, com tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Caso a inflação ultrapasse esse intervalo por seis meses consecutivos, o Banco Central é considerado fora do alvo.

As projeções para 2028 e 2029 permanecem estáveis em 3,50%, mantendo-se constantes por 15 e 24 semanas consecutivas, respectivamente.

PIB brasileiro: projeções de crescimento mantidas

Em relação ao Produto Interno Bruto (PIB), o mercado manteve a estimativa de crescimento para 2026 em 1,80% pela 10ª semana consecutiva. Já o Banco Central elevou sua projeção para 2026 de 2% para 2,3%, conforme o Relatório de Política Monetária (RPM) do quarto trimestre.

O aumento reflete revisões nas séries históricas das Contas Nacionais Trimestrais (CNT), que impactaram principalmente o desempenho da agropecuária no primeiro semestre, e resultados do terceiro trimestre ligeiramente acima do esperado.

Para 2027, a estimativa do PIB permanece em 1,80%, acompanhando 29 projeções recentes. As projeções medianas para 2028 e 2029 também se mantêm estáveis em 2,00%, repetindo a sequência de 101 e 48 semanas consecutivas, respectivamente.

FONTE: Estadão
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Estadão

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Economia

Economia da China no Ano do Cavalo: crescimento sustenta ritmo ou pressiona o Brasil?

Enquanto o Brasil celebra o Carnaval, a China inicia o Ano do Cavalo de Fogo, reacendendo debates sobre os rumos da economia da China em 2026 e seus reflexos no cenário global. Analistas avaliam se a segunda maior economia do planeta terá força para acelerar ou se continuará enfrentando obstáculos estruturais — com impactos diretos sobre o Brasil.

Crescimento chinês esbarra em desequilíbrio estrutural

Apesar de ter registrado expansão de 5% no último ano, dentro da meta oficial, o país asiático convive com um problema persistente: o descompasso entre oferta e demanda.

O índice de preços ao produtor acumula 40 meses consecutivos de queda, sinalizando excesso de capacidade industrial. Já o índice de preços ao consumidor avançou apenas 0,2% em janeiro na comparação anual. Paralelamente, as vendas no varejo seguem no ritmo mais fraco desde a crise provocada pela pandemia em 2020.

O diagnóstico é claro: a demanda interna chinesa permanece enfraquecida.

Estímulos evitam crise maior no setor imobiliário

Para conter riscos sistêmicos, o governo adotou pacotes robustos de incentivo. Segundo Lucas Sigu Souza, da Ciano Investimentos, as medidas praticamente eliminaram a chance de um colapso em cadeia no setor imobiliário chinês, que atravessa forte retração.

Ainda assim, estabilização não significa retomada. Marianna Costa, da Mirae Asset, avalia que o modelo baseado na expansão imobiliária perdeu força. Há sinais de acomodação, mas não de um novo ciclo consistente de crescimento.

Os números reforçam o cenário desafiador:

  • Investimento imobiliário caiu 17,2%;
  • Cerca de 80 milhões de imóveis permanecem encalhados;
  • Vendas de novas propriedades atingiram o menor nível em mais de 15 anos;
  • Preços de imóveis usados registraram forte queda.

Com famílias impactadas pela desvalorização patrimonial e governos locais pressionados por perda de arrecadação, o setor continua sendo um dos principais focos de atenção.

Exportação de deflação e impactos globais

Com o consumo doméstico cerca de 20 pontos percentuais abaixo da média mundial — e investimentos financiados por dívida acima desse patamar — a alternativa tem sido direcionar o excedente produtivo ao exterior.

Esse movimento caracteriza a chamada exportação de deflação: ao ampliar as vendas externas com preços mais baixos, a China pressiona o valor de bens industriais no mercado internacional.

Como a economia da China afeta o Brasil

Os efeitos sobre o Brasil são ambíguos.

Indústria brasileira sob pressão

Segmentos como siderurgia e metalurgia tendem a enfrentar maior concorrência com produtos chineses mais baratos. Por outro lado, a importação de insumos a preços reduzidos pode gerar efeito desinflacionário em diversos setores.

Commodities: cautela no radar

No setor mineral, a fraqueza da construção civil chinesa limita a demanda por aço e minério de ferro, mantendo preços pressionados.

Entretanto, há um contraponto relevante: a transição energética e o avanço da indústria de veículos elétricos podem sustentar a procura por minério e aço. Nesse contexto, empresas como a Vale podem não registrar forte expansão de receitas vindas da China, mas também não necessariamente enfrentar uma retração abrupta, caso o PIB chinês se mantenha estável.

Agronegócio e frigoríficos

No agronegócio brasileiro, o cenário tende a ficar mais competitivo. A China, como compradora dominante de diversas commodities agrícolas, pode intensificar a pressão por preços mais baixos.

Além disso, o avanço da produção interna chinesa de aves e suínos pode afetar exportadores de carne bovina. Empresas como JBS, BRF e Minerva podem enfrentar maior competição, especialmente se a oferta doméstica chinesa crescer.

Investir na China: oportunidade ou armadilha?

Para investidores brasileiros interessados em exposição à Ásia por meio de ETFs ou BDRs, especialistas recomendam seletividade.

Os ativos chineses apresentam valuations descontados, mas carregam riscos estruturais e geopolíticos. A possibilidade de novas tarifas comerciais e incertezas políticas adiciona volatilidade ao cenário.

A preferência, segundo analistas, deve recair sobre setores como tecnologia e financeiro, evitando exposição relevante ao mercado imobiliário. Há ainda o risco de “value trap”, caso a transição para um modelo baseado em consumo demore mais que o esperado.

Perspectiva para 2026

O consenso entre especialistas aponta que a China conseguiu evitar um choque sistêmico, mas ainda está distante de resolver seu desequilíbrio estrutural.

Se a economia chinesa mantiver crescimento moderado, os impactos sobre o Brasil serão mais graduais. Contudo, a combinação de demanda interna fraca, excesso de capacidade industrial e tensões comerciais exige cautela tanto de empresas exportadoras quanto de investidores.

FONTE: InfoMoney
TEXTO: Redação
IMAGEM: Unsplash

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Economia

Brasilização da economia preocupa países ricos, alerta The Economist

A revista britânica The Economist publicou um alerta direcionado às economias avançadas: o risco de uma “brasilização da economia” global. O termo é usado para descrever um cenário em que juros elevados, crescimento da dívida pública e dificuldades políticas para promover ajustes fiscais tornam as contas do governo cada vez mais difíceis de administrar.

Segundo a análise, o Brasil funciona como um exemplo antecipado do que pode ocorrer em países ricos caso não enfrentem seus próprios desafios fiscais.

Paradoxo brasileiro: crescimento com dívida explosiva

A publicação destaca o contraste entre indicadores considerados positivos — como crescimento econômico, Banco Central independente e orçamento primário próximo do equilíbrio — e uma trajetória de endividamento vista como preocupante.

Com a taxa básica de juros (Selic) em 15% ao ano, o governo brasileiro deverá tomar emprestado cerca de 8% do PIB anualmente apenas para arcar com despesas de juros, mesmo mantendo as contas primárias praticamente equilibradas.

Projeções do Fundo Monetário Internacional (FMI) indicam que a dívida bruta do Brasil pode atingir 99% do PIB até 2030. Em 2010, esse percentual era de 62%.

Para a revista, o país enfrenta uma escolha difícil: adotar uma austeridade fiscal profunda ou correr o risco de entrar em uma espiral de juros altos e crescimento acelerado da dívida.

Ajuste fiscal enfrenta barreiras políticas

A análise aponta que a adoção de medidas severas de contenção de gastos parece politicamente improvável no curto prazo. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, candidato à reeleição, teria ampliado despesas, o que reduz as chances de um ajuste estrutural imediato.

Além disso, fatores institucionais ajudam a explicar por que o Brasil paga juros superiores aos de economias desenvolvidas. A revista menciona fragilidades institucionais expostas durante os episódios envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro em 2022.

Outro elemento citado é a sensibilidade maior à inflação, influenciada pelo histórico de hiperinflação nas décadas de 1980 e 1990 e pela recessão recente.

Peso das aposentadorias pressiona orçamento

A rigidez dos gastos públicos é apontada como um dos principais entraves ao equilíbrio fiscal. O Brasil destina cerca de 10% do PIB ao pagamento de aposentadorias.

Como os benefícios previdenciários são protegidos pela Constituição — inclusive com reajustes atrelados ao salário mínimo —, o espaço para cortes é limitado. Sem novas reformas, o país poderá gastar, em 2050, mais com pensões do que nações mais ricas e com população ainda mais envelhecida.

Esse cenário, segundo a publicação, reduz a margem para investimentos em áreas consideradas estratégicas e compromete o crescimento de longo prazo.

Estados Unidos apresentam sinais semelhantes

A The Economist também relaciona o fenômeno ao contexto internacional, afirmando que os Estados Unidos já exibem sinais iniciais de “brasilização”.

Entre os fatores mencionados estão instituições sob pressão e maior dificuldade de controle da inflação após a pandemia. O presidente Donald Trump é citado no texto por iniciativas que teriam politizado órgãos públicos e tensionado a relação com o Federal Reserve.

A revista observa ainda que, assim como no Brasil, o avanço dos gastos com previdência e saúde tende a pressionar os orçamentos das economias desenvolvidas nos próximos anos.

Sistema tributário e confiança do mercado

Em análise complementar, a publicação classifica a trajetória da dívida brasileira como insustentável e argumenta que o problema vai além das decisões recentes do governo.

O sistema tributário é descrito como complexo e ineficiente, com impactos negativos sobre o crescimento econômico. A falta de credibilidade fiscal pode custar ao país até um ponto percentual de expansão do PIB por ano.

Apesar das críticas, a revista reconhece avanços como a limitação de isenções e a criação de um modelo de IVA dual, que pode elevar o PIB em até 4,5% até 2033. Ainda assim, avalia que, sem reformas estruturais adicionais, o Brasil continuará enfrentando desafios fiscais relevantes.

FONTE: G1
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/G1

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Economia

Dívida pública mundial atinge recorde histórico e pressiona economias em 2025

A dívida pública mundial alcançou um novo patamar em 2025, registrando o maior nível desde a Segunda Guerra Mundial. O montante global ultrapassou US$ 338 trilhões, segundo dados do Monitor Fiscal 2024-2025 do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Instituto de Finanças Internacionais (IIF).

O avanço do endividamento global reflete anos de déficits fiscais elevados, aumento dos gastos públicos e instabilidade geopolítica no cenário internacional.

Endividamento mundial cresce ano após ano

Relatório “A World of Debt 2025”, divulgado pela Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD), mostra que a dívida já havia saltado de US$ 97 trilhões, em 2023, para US$ 102 trilhões em 2024.

No acumulado mais recente, o estoque total chegou a US$ 251 trilhões, equivalente a quase 230% do PIB mundial. O crescimento foi impulsionado principalmente pelos déficits públicos, tensões econômicas e medidas protecionistas adotadas por governos, incluindo tarifas comerciais implementadas pelos Estados Unidos durante a gestão de Donald Trump.

O que é dívida pública e como ela é medida

A dívida pública representa os valores que governos captam por meio da emissão de títulos para financiar despesas superiores à arrecadação de impostos. Esses papéis são negociados no mercado financeiro e pagos futuramente aos investidores.

Para comparar países, o indicador mais utilizado é a relação dívida/PIB, que demonstra o tamanho do endividamento em relação à capacidade de geração de riqueza da economia.

Países com as maiores dívidas do mundo

Quando considerada a proporção da dívida em relação ao PIB, algumas economias lideram o ranking global. Já em termos nominais — ou seja, pelo valor absoluto — os países mais ricos e com maior capacidade de financiamento ocupam as primeiras posições.

Estados Unidos lideram em valores absolutos

Os Estados Unidos seguem como o país mais endividado do planeta em números nominais, com dívida bruta estimada em cerca de US$ 35 trilhões — o maior valor já registrado.

O alto nível de endividamento americano está associado à ampliação de gastos militares, programas sociais e estímulos econômicos no período pós-pandemia. Além disso, o país conta com a vantagem de emitir o dólar, principal moeda de reserva global, o que amplia sua capacidade de financiamento.

Projeções do relatório World Economic Outlook 2025, do FMI, indicam que a dívida dos EUA pode subir de 122% do PIB em 2024 para 143% até 2030, mesmo com compensações parciais de receita via tarifas comerciais.

Japão enfrenta pressão demográfica

O Japão aparece na sequência entre as maiores economias endividadas. Em 2025, o déficit público japonês se aproxima de US$ 10 trilhões.

A crise demográfica — marcada pelo envelhecimento acelerado da população — pressiona o sistema previdenciário e reduz a força de trabalho ativa, impactando as contas públicas.

China concentra dívida em infraestrutura

A China ocupa a terceira posição em valores nominais, com dívida estimada em aproximadamente US$ 6 trilhões. Parte significativa do endividamento está ligada a investimentos em infraestrutura, além das obrigações assumidas por governos locais.

Economias emergentes também enfrentam alta da dívida

Segundo o FMI, países emergentes e em desenvolvimento devem registrar crescimento moderado — de 4,2% em 2025 para 4,0% em 2026 —, mas a dívida pública continuará avançando.

A estimativa é que o endividamento médio dessas economias alcance cerca de 82% do PIB até 2030, refletindo crescimento mais lento e manutenção de gastos elevados.

Juros elevados pressionam países em desenvolvimento

Metade das nações em desenvolvimento destina pelo menos 6,5% das receitas de exportação ao pagamento da dívida externa, de acordo com a UNCTAD.

O Banco Mundial aponta que, em 2024, as taxas médias de juros sobre novos empréstimos atingiram o maior nível em mais de duas décadas para credores oficiais e o maior patamar em 17 anos para credores privados.

Os juros para emissão de títulos ficaram em torno de 10% ao longo de 2024 — praticamente o dobro do período pré-pandemia.

Desde 2020, países em desenvolvimento têm tomado empréstimos a taxas entre duas e quatro vezes superiores às dos Estados Unidos, dificultando investimentos em áreas essenciais.

Impacto social e desigualdade regional

Em 2024, nações em desenvolvimento desembolsaram até US$ 921 bilhões em juros líquidos da dívida pública. Em muitos casos, os recursos destinados ao serviço da dívida superaram os investimentos em saúde e educação.

Atualmente, cerca de 3,4 bilhões de pessoas vivem em países que gastam mais com pagamento de juros do que com políticas sociais básicas.

Há ainda forte disparidade regional: Ásia e Oceania concentram 24% da dívida pública global, enquanto América Latina e Caribe respondem por cerca de 5%, e a África, apenas 2%. A ONU atribui parte desse desequilíbrio à estrutura desigual do sistema financeiro internacional.

FONTE: Revista Fórum
TEXTO: Redação
IMAGEM: Unsplash

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Economia

Crescimento econômico na América Latina: as 10 economias que mais devem avançar em 2026, segundo a Cepal

A Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal) projeta um 2026 de crescimento moderado para a região. De acordo com as estimativas divulgadas no fim de 2025, a América do Sul deve desacelerar de 2,9% para 2,4%, enquanto o conjunto de América Latina e Caribe deve registrar expansão de 2,3%.

O cenário não indica retração econômica, mas reforça a tendência de baixo crescimento estrutural, que há anos limita o avanço mais consistente das economias latino-americanas.

Média regional esconde diferenças relevantes

Apesar do desempenho agregado modesto, os números revelam contrastes importantes entre os países. Parte significativa da expansão regional vem de casos específicos, que elevam a média.

O principal exemplo é a Guiana, que deve crescer 24% em 2026, impulsionada pela produção de petróleo. O ritmo acelerado, no entanto, não reflete a realidade da maior parte dos vizinhos.

A própria Cepal destaca que o Caribe apresenta taxas elevadas de crescimento, mas o resultado perde força quando a Guiana é retirada do cálculo — evidenciando o chamado “efeito lupa” nas estatísticas regionais.

Argentina aparece entre os destaques, mas com desafios

A Argentina, sob o governo de Javier Milei, surge entre as economias com maior expansão prevista, com alta estimada em 3,8% para 2026.

Apesar da projeção positiva, os dados do fim de 2025 indicavam um percurso irregular. O PIB argentino avançou 0,3% no terceiro trimestre, abaixo das expectativas, com as exportações sustentando o resultado em meio a um ambiente econômico ainda desafiador.

As 10 economias da América Latina que mais devem crescer em 2026

Segundo as projeções da Cepal, os países com maior crescimento econômico esperado para 2026 são:

  1. Guiana – 24,0%
  2. República Dominicana – 4,3%
  3. Panamá – 4,2%
  4. Guatemala – 4,0%
  5. Honduras – 4,0%
  6. Paraguai – 4,0%
  7. Argentina – 3,8%
  8. Costa Rica – 3,8%
  9. **Nicarágua – 3,4%
  10. Suriname – 3,4%

O levantamento reforça que, embora haja focos de dinamismo, o cenário regional segue marcado por crescimento desigual, dependência de fatores externos e desafios estruturais que limitam uma expansão mais robusta.

FONTE: Revista Forum
TEXTO: Redação
IMAGEM: – Wikipédia/Reprodução

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Economia

Setor de serviços de Santa Catarina cresce 3,2% em 2025 e supera média nacional no período

Serviços profissionais lideram entre os segmentos

O setor de serviços de Santa Catarina encerrou o ano de 2025 com um crescimento de 3,2%, conforme dados do IBGE divulgados nesta quinta-feira, 12. O desempenho é resultado do aumento da renda e, consequentemente, do consumo das famílias e empresas. O percentual catarinense ficou acima da média nacional do período, que foi de alta de 2,8%.

O governador Jorginho Mello destacou a simplificação dos negócios como fator fundamental para o crescimento. “O Governo do Estado está facilitando a vida do empreendedor, desburocratizando a abertura de empresas, não aumentando impostos e garantindo crédito por meio de programas como o Pronampe SC. Eu não tenho dúvidas de que isso estimula a criação e o crescimento de novos negócios, especialmente no setor de serviços, que compõe grande fatia da economia catarinense”, analisou.

Com a elevação de 3,2%, Santa Catarina obteve o melhor resultado do Sul do Brasil, à frente de Paraná (3%) e Rio Grande do Sul (-4,4%). O estado também superou o Rio de Janeiro (1,7%), Espírito Santo (1,2%) e Minas Gerais (0,2%).

Serviços profissionais e de informação em alta

O crescimento de Santa Catarina foi puxado pelos segmentos de serviços profissionais, administrativos e complementares, com alta de 5,8% entre janeiro e dezembro, e de serviços de informação e comunicação, com 5,1%. Outros segmentos, como serviços prestados às famílias (2,9%) e transportes (1,9%) também cresceram. O segmento de outros serviços oscilou negativamente em 1,3%.

“Santa Catarina possui a menor taxa de desemprego do país, de apenas 2,2%, e está recebendo muitos investimentos privados devido à sua forte competitividade. Isso impulsiona sobretudo o consumo de serviços. Além disso, os números mostram que Santa Catarina é um estado diferenciado que está sempre acima da média nacional. Pelo trabalho bem como pela cultura empreendedora somos um exemplo para o Brasil e para o mundo”, destacou o secretário de Estado de Indústria, Comércio e Serviços, Silvio Dreveck.

FONTE: Agência de Notícias SECOM
IMAGEM: Thiago Kaue/SecomGOVSC

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Economia

Dólar em queda reacende debate sobre controles de capital na China

A recente desvalorização do dólar voltou a impulsionar, na China, o debate sobre a flexibilização dos controles de capital. Economistas influentes defendem que o momento é favorável para ampliar a conversibilidade do yuan e aumentar sua presença nas finanças internacionais, aproveitando um ambiente externo mais propício e menor risco de fuga de recursos.

Para esses analistas, a fraqueza da moeda americana abre uma janela histórica para tornar o yuan mais atrativo globalmente, desde que a abertura da conta de capital seja conduzida de forma gradual e estratégica.

Abertura da conta de capital ganha apoio no mercado

Em artigo recente, Miao Yanliang, estrategista-chefe da China International Capital Corp., avaliou que as condições atuais permitem avançar na liberalização dos fluxos financeiros sem provocar saídas expressivas de capital. Segundo ele, maior flexibilidade cambial tende a atrair investimentos estrangeiros, especialmente em um ciclo de valorização do yuan combinado à perda de força do dólar.

Na mesma direção, Ju Jiandong, professor de finanças da Universidade Tsinghua, classificou este ano e o próximo como uma “janela estratégica” para ampliar a abertura da conta de capital chinesa, diante da valorização da moeda local e do aumento das tensões geopolíticas globais.

Internacionalização do yuan volta ao centro da estratégia

As manifestações de economistas reforçam sinais emitidos pelo presidente Xi Jinping desde 2024, quando defendeu a meta de tornar o yuan amplamente utilizado no comércio e nas finanças internacionais, com ambição de transformá-lo em moeda de reserva.

Nas últimas semanas, discursos e publicações intensificaram as especulações de que Pequim pode recolocar a liberalização dos fluxos de capital como eixo central da estratégia de internacionalização da moeda. O processo havia perdido força após a crise cambial de 2015, quando uma tentativa de maior liberalização resultou em forte instabilidade.

Queda do dólar muda o cálculo das autoridades chinesas

O contexto atual é distinto daquele observado há uma década. Em 2025, o dólar registrou a maior queda anual em oito anos, refletindo incertezas geradas pela política econômica dos Estados Unidos. No mesmo período, o yuan teve seu melhor desempenho desde 2020 em termos nominais.

Esse cenário fortaleceu o argumento de que a China precisa reduzir o descompasso entre seu peso como potência manufatureira global e o alcance limitado de sua moeda. Hoje, o país mantém um regime de câmbio flutuante administrado, com restrições significativas a investimentos e remessas internacionais.

Planos oficiais indicam maior ambição até 2030

Sinais de mudança também aparecem nos documentos oficiais. A proposta apresentada pelo Partido Comunista para o plano econômico até 2030 inclui o compromisso de avançar na internacionalização do yuan e ampliar a abertura da conta de capital, em termos mais assertivos do que os adotados no plano anterior.

Apesar dos avanços no uso do yuan em liquidações comerciais e financiamentos internacionais, sua participação nas reservas globais ainda é inferior a 2%, segundo dados do Fundo Monetário Internacional, mantendo a moeda distante do protagonismo do dólar.

Risco de fuga de capitais segue como principal obstáculo

A principal preocupação das autoridades continua sendo o risco de saídas abruptas de capital, capazes de desestabilizar mercados e a economia doméstica. Em 2015, uma tentativa malsucedida de flexibilização cambial provocou pânico entre investidores e levou à perda de cerca de US$ 1 trilhão em reservas internacionais em dois anos.

Para Miao Yanliang, no entanto, o ambiente mudou. Ele avalia que investidores estrangeiros demonstram maior interesse em ativos chineses, enquanto empresas e famílias locais já diversificaram parte de seus investimentos no exterior por canais regulados, reduzindo pressões por novas saídas.

Abertura gradual deve marcar próximos passos

Apesar do novo impulso, especialistas acreditam que Pequim manterá uma abordagem cautelosa. Para Gary Ng, economista do Natixis, pode haver espaço para testes pontuais, como o uso do yuan na negociação de commodities, no financiamento e na liquidação de projetos internacionais.

Autoridades regulatórias também sinalizam avanços graduais. Xiao Sheng, da Administração Estatal de Câmbio, afirmou recentemente que o foco será a otimização dos canais existentes de investimento transfronteiriço, com simplificação de programas voltados a investidores estrangeiros e estímulo ao financiamento internacional.

FONTE: InfoMoney
TEXTO: Redação
IMAGEM: Bloomberg

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