Economia

Dólar em queda: impacto nas reservas, inflação e taxa de juros no Brasil

A redução do valor do dólar frente ao real costuma trazer uma percepção imediata de alívio para consumidores e empresas. Produtos importados ficam mais acessíveis, viagens ao exterior se tornam mais baratas e há uma tendência de desaceleração da inflação. No entanto, no campo das contas públicas, esse movimento envolve efeitos mais amplos e, por vezes, contraditórios.

Enquanto a queda da moeda americana pode reduzir o valor contábil das reservas internacionais, ela também contribui para um ambiente favorável à diminuição da taxa Selic, com impactos positivos na economia.

Impactos diretos e indiretos do dólar mais baixo

A dinâmica do câmbio pode ser analisada sob duas perspectivas principais: a contábil e a econômica.

No aspecto contábil, a valorização do real reduz, em termos nominais, o valor das reservas internacionais — que são mantidas em moeda estrangeira. Ou seja, quando convertidas para reais, essas reservas aparentam encolher. Por outro lado, a parcela da dívida externa atrelada ao dólar também diminui, o que gera um efeito de compensação no balanço público.

Já no campo econômico, os efeitos são mais abrangentes. Um dólar mais barato reduz o custo de importações, contribuindo diretamente para o controle da inflação. Esse cenário abre espaço para decisões de política monetária mais flexíveis, especialmente no que diz respeito à redução dos juros.

Por que o Brasil mantém reservas em dólar?

Mesmo com oscilações no valor contábil, as reservas internacionais cumprem um papel estratégico. Elas funcionam como uma espécie de seguro contra crises externas, oferecendo liquidez e confiança aos investidores.

Esse “colchão” financeiro permite ao país operar com maior estabilidade em um regime de câmbio flutuante, além de reduzir riscos de ataques especulativos contra a moeda nacional.

No entanto, existe um custo associado à manutenção dessas reservas. Para acumulá-las, o Banco Central emite dívida interna, geralmente atrelada à taxa de juros doméstica. Como os juros pagos internamente costumam ser mais elevados do que o retorno obtido com ativos internacionais, manter esse volume de recursos pode gerar despesas relevantes.

Moeda forte como proteção contra inflação

A valorização do real também atua como um mecanismo de proteção contra pressões inflacionárias externas. Em um cenário global de alta de preços — especialmente de commodities como o petróleo —, um câmbio favorável ajuda a suavizar os impactos no mercado interno.

Na prática, isso significa que aumentos nos preços internacionais podem ser parcialmente compensados por um real mais forte, reduzindo o repasse ao consumidor final e ajudando a estabilizar índices de preços.

Além disso, o bom desempenho da moeda brasileira tem sido associado a fatores estruturais, como o avanço da balança comercial e o aumento no volume de exportações de bens e serviços.

Queda da Selic e alívio na dívida pública

O principal benefício de um dólar mais baixo está na sua influência sobre a inflação. Com preços mais controlados, o Banco Central ganha margem para reduzir a taxa Selic, o que tem impacto direto sobre a dívida pública.

Como grande parte da dívida brasileira é indexada aos juros básicos, qualquer redução na Selic gera economia significativa para o Tesouro Nacional. Esse efeito prático tende a superar eventuais perdas contábeis associadas à queda no valor das reservas.

Em resumo, embora a valorização do real possa trazer desafios pontuais no balanço das reservas, seus efeitos positivos sobre a inflação, os juros e a sustentabilidade da dívida pública são amplamente relevantes para a economia.

FONTE: Infomoney
TEXTO: Redação
IMAGEM: Infomoney

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Economia

Real valorizado frente ao dólar: entenda os fatores por trás da alta em 2026

A recente valorização do real frente ao dólar tem chamado a atenção do mercado financeiro. Mesmo em meio a um cenário global instável, a moeda brasileira tem se fortalecido e surpreendido analistas. A seguir, veja os principais fatores que explicam esse movimento.

Fluxo de capital externo favorece o Brasil

Um dos principais motores da valorização do real é a mudança no fluxo de investimentos globais. Parte do capital que antes estava concentrado nos Estados Unidos passou a buscar oportunidades em mercados emergentes, como o Brasil.

Esse movimento impulsiona ativos brasileiros e fortalece a moeda local, especialmente em um contexto de incertezas na economia norte-americana.

Alta do petróleo melhora cenário externo

A elevação dos preços do petróleo também contribui para esse cenário positivo. Como exportador da commodity, o Brasil se beneficia diretamente com a valorização do produto, o que melhora os termos de troca e aumenta a entrada de dólares no país.

Além disso, o aumento do superávit comercial reforça a percepção de solidez externa da economia brasileira.

Juros elevados impulsionam o carry trade

Outro fator relevante é o nível elevado da taxa de juros no Brasil. Com a taxa básica ainda em patamar alto, investidores estrangeiros são atraídos por operações de carry trade, que exploram a diferença entre os juros domésticos e internacionais.

Com retornos reais próximos de 10%, o Brasil se torna um destino atrativo para aplicações financeiras, aumentando a demanda pelo real.

Câmbio mais forte ajuda a conter a inflação

A valorização da moeda brasileira tem impacto direto no controle da inflação. Com o dólar mais baixo, há redução na pressão sobre preços de produtos importados e insumos industriais.

Esse efeito é particularmente importante em um momento de alta nos preços de combustíveis e alimentos, que pressionaram o IPCA recentemente. Em março, por exemplo, o índice registrou avanço de 0,88%, influenciado principalmente pelo aumento do diesel e da gasolina.

Expectativas de inflação e juros seguem em revisão

Apesar do alívio proporcionado pelo câmbio, as projeções de inflação para 2026 seguem elevadas, em torno de 5%, acima do teto da meta.

Esse cenário tem levado o mercado a revisar as expectativas para a taxa Selic. Antes projetada para encerrar o ano entre 12% e 12,5%, a estimativa atual indica um patamar mais alto, próximo de 13,5%.

Incertezas políticas também influenciam o câmbio

O ambiente político também exerce influência sobre a taxa de câmbio. A queda de popularidade do presidente Lula em pesquisas eleitorais tem sido interpretada por parte do mercado como um possível indicativo de mudanças na política fiscal a partir de 2027.

Essa percepção, ainda que incerta, pode impactar as expectativas dos investidores e o comportamento do dólar nos próximos anos.

Perspectivas para o dólar em 2026

Mesmo com o real mais forte no início do ano, a expectativa predominante entre analistas é de que o câmbio não se mantenha em torno de R$5 ao longo de todo o período.

Fatores como a proximidade das eleições e preocupações fiscais tendem a pressionar a moeda brasileira no segundo semestre. Projeções indicam o dólar em níveis mais altos até o fim do ano, ainda que abaixo de estimativas anteriores.

Cenário global segue como fator de risco

Por fim, o ambiente internacional continua sendo um elemento de atenção. Tensões geopolíticas e incertezas econômicas globais podem afetar moedas de países emergentes.

Ainda assim, a combinação de juros elevados, fluxo de capital estrangeiro e alta das commodities deve continuar sustentando o real no curto prazo.

FONTE: Valor International
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Valor International

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Economia

Dólar perto de R$ 5: vale a pena comprar agora? Entenda o cenário e estratégias

O dólar hoje voltou a girar próximo de R$ 5, atingindo cerca de R$ 5,01 — nível que não era observado há mais de um ano. A recente valorização do real frente à moeda americana tem chamado a atenção de investidores e reacendido uma dúvida comum: este é o momento ideal para comprar dólares?

A resposta, segundo especialistas do mercado, não é simples — mas há consensos importantes sobre como agir.

Por que o real está se valorizando?

A atual força do real brasileiro é resultado de uma combinação de fatores globais e domésticos.

Nos últimos meses, investidores internacionais têm reduzido exposição aos Estados Unidos, diante de sinais de enfraquecimento do chamado “excepcionalismo americano”. Esse movimento favoreceu a entrada de capital em mercados emergentes, como o Brasil.

Entre os principais atrativos do país estão:

  • juros elevados
  • ações baratas na Bolsa brasileira
  • crescimento econômico consistente
  • inflação controlada e desemprego baixo

Além disso, o Brasil tem se beneficiado do aumento no preço do petróleo. Como exportador líquido da commodity, o país vê sua balança comercial fortalecida, o que contribui para a entrada de dólares e valorização da moeda local.

Impactos do cenário internacional no câmbio

O conflito no Oriente Médio trouxe volatilidade inicial, com o dólar se fortalecendo em busca de segurança. No entanto, com a elevação do petróleo e sinais de redução de tensões, o movimento se inverteu.

Esse cenário favoreceu moedas de países emergentes, incluindo o real, especialmente porque o Brasil ficou relativamente distante do epicentro geopolítico.

Outro ponto relevante é a resiliência das exportações brasileiras, mesmo diante de tarifas comerciais mais rígidas impostas pelos Estados Unidos — fator que também sustenta o câmbio.

Comprar dólar agora ou esperar?

Com o dólar a R$ 5, muitos investidores tentam prever o melhor momento de entrada. No entanto, especialistas alertam que tentar “acertar o timing” do câmbio costuma ser uma estratégia arriscada.

A recomendação mais recorrente é adotar a compra gradual de dólar, conhecida como estratégia de preço médio. Isso reduz o risco de comprar toda a moeda em um pico ou em um fundo momentâneo.

Para diferentes objetivos:

  • Viagens internacionais: comprar aos poucos até a data da viagem
  • Investimentos: manter exposição ao dólar no longo prazo como proteção

Dólar como proteção de patrimônio

A dolarização da carteira é vista como uma estratégia histórica de proteção. Desde o Plano Real, a moeda americana mantém tendência de valorização no longo prazo, apesar de quedas pontuais.

Por isso, especialistas reforçam:

  • O dólar deve ser encarado como diversificação, não especulação
  • Movimentos de curto prazo não alteram seu papel defensivo
  • A alocação deve seguir um planejamento pré-definido

Se a recente queda reduziu a fatia de ativos dolarizados na carteira, pode ser interessante recompor essa posição gradualmente.

O dólar pode cair abaixo de R$ 5?

A possibilidade existe. Alguns analistas apontam que a moeda pode atingir níveis próximos a R$ 4,80 em determinados momentos.

Por outro lado, há fatores que limitam uma queda mais prolongada:

  • desafios internos da economia brasileira
  • sensibilidade do câmbio ao cenário externo
  • volatilidade geopolítica

Além disso, um dólar mais baixo reduz a inflação, mas pode prejudicar exportadoras e empresas com receitas em moeda estrangeira.

Como começar a investir em dólar?

Investir em dólar vai além de comprar a moeda física. Existem diversas formas de acessar o mercado internacional:

  • fundos internacionais
  • ETFs no exterior
  • BDRs
  • ações globais

O primeiro passo é definir objetivos, perfil de risco e horizonte de investimento. A partir disso, é possível escolher os instrumentos mais adequados.

Especialistas destacam que o erro mais comum é usar o dólar como aposta de curto prazo, especialmente motivado por oscilações políticas ou cambiais.

Conclusão: estratégia é mais importante que o momento

O atual patamar do dólar baixo pode representar uma oportunidade, mas decisões devem ser baseadas em estratégia — não em tentativas de prever o mercado.

O consenso entre especialistas é claro: o dólar deve ser tratado como um instrumento de proteção e diversificação, com visão de longo prazo.

FONTE: Infomoney
TEXTO: Redação
IMAGEM: REUTERS/Luisa González

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Economia

Inflação nos EUA: índice de preços ao consumidor sobe 0,9% em março

O índice de preços ao consumidor dos EUA (CPI) registrou alta de 0,9% em março, na comparação com fevereiro, quando havia avançado 0,3%. Os dados foram divulgados nesta sexta-feira (10) pelo Departamento do Trabalho e vieram dentro das expectativas do mercado.

Alta anual da inflação acelera

No acumulado de 12 meses, a inflação nos EUA atingiu 3,3% em março, acima dos 2,4% registrados no mês anterior. O resultado também ficou alinhado com as projeções de analistas.

Núcleo da inflação fica abaixo do esperado

O núcleo do CPI, que desconsidera itens mais voláteis como alimentos e energia, apresentou alta de 0,2% na comparação mensal, repetindo o desempenho de fevereiro, mas abaixo da estimativa de 0,3%.

Já no recorte anual, o núcleo da inflação americana subiu 2,6% em março, ligeiramente acima dos 2,5% do mês anterior, porém inferior à expectativa de 2,7%.

Energia impulsiona avanço do CPI

O principal destaque foi o aumento nos preços de energia, que subiram 10,9% em março frente ao mês anterior. O movimento foi puxado principalmente pela gasolina, cujo índice avançou 21,2%, respondendo por cerca de três quartos da alta do índice geral.

Em fevereiro, o grupo de energia havia registrado elevação de 0,6%.

Preços de alimentos ficam estáveis

Os preços de alimentos não apresentaram variação em março, após alta de 0,4% no mês anterior.

No acumulado de 12 meses até março:

  • Energia: alta de 12,5%
  • Alimentos: avanço de 2,7%

FONTE: Valor International
TEXTO: Redação
IMAGEM: David Paul Morris/Bloomberg

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Economia

Dólar cai para R$ 5,17 com expectativa de trégua no Oriente Médio e Ibovespa dispara

A possibilidade de redução das tensões no Oriente Médio trouxe alívio aos mercados financeiros nesta terça-feira (31). Com o aumento do apetite global por risco, o dólar registrou queda frente ao real, enquanto a bolsa brasileira avançou de forma expressiva.

Dólar recua e atinge menor nível do mês

O dólar comercial fechou o dia cotado a R$ 5,179, com queda de 1,31%. Ao longo da sessão, a moeda norte-americana ampliou as perdas após declarações de autoridades dos Estados Unidos e do Irã sinalizarem abertura para negociações e possível encerramento do conflito.

Com o resultado, a cotação atingiu o menor patamar desde 11 de março. No acumulado mensal, a alta foi moderada, de 0,87%. Já no primeiro trimestre de 2026, o dólar acumula queda de 5,65%, colocando o real entre as moedas com melhor desempenho no período.

Ibovespa sobe com fluxo externo positivo

A bolsa de valores brasileira acompanhou o cenário internacional e fechou em forte alta. O Ibovespa avançou 2,71%, encerrando o dia aos 187.462 pontos, impulsionado principalmente pela recuperação das bolsas norte-americanas.

Apesar do resultado positivo na sessão, o índice registrou leve recuo de 0,70% em março. No entanto, o desempenho trimestral foi robusto, com valorização de 16,35% — o melhor resultado para o período desde 2020.

O ingresso de capital estrangeiro e a perspectiva de redução das tensões geopolíticas contribuíram para sustentar o movimento de alta, embora o mercado siga atento a possíveis novos desdobramentos.

Petróleo recua com expectativa de acordo

Os preços do petróleo também refletiram o cenário de possível trégua. O barril do tipo Brent para entrega em junho caiu cerca de 3%, sendo negociado a US$ 103,97.

A movimentação ocorreu após informações indicarem que o Irã estaria disposto a encerrar o conflito sob determinadas condições. Ainda assim, no acumulado de março, o petróleo registra valorização próxima de 40%, influenciado pelos riscos à oferta global.

As tensões no Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde circula cerca de 20% do petróleo mundial, seguem como fator de atenção para o mercado internacional.

Fonte: Agência Brasil

Texto: Redação

Imagem: Agência Brasil / Valtr Campanato

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Economia, Transporte

Subvenção ao diesel: governo deve anunciar decisão dos estados nesta terça (31)

O governo federal deve divulgar nesta terça-feira (31) a posição dos estados sobre a adesão a uma nova proposta de subvenção ao diesel. A medida busca conter os impactos da alta dos combustíveis e depende do aval das unidades federativas para entrar em vigor.

Proposta prevê divisão de custos entre União e estados

Apresentada na última semana durante reunião do Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz), a proposta estabelece uma subvenção total de R$ 1,20 por litro de óleo diesel. Pelo modelo sugerido, o custo seria dividido igualmente entre a União e os estados, com R$ 0,60 arcados por cada parte.

A iniciativa surge após resistência à proposta anterior, que previa zerar o ICMS sobre a importação do combustível — medida rejeitada pela maioria dos estados.

Estados ainda avaliam adesão à subvenção

De acordo com o Comitê Nacional de Secretários de Fazenda (Comsefaz), parte dos estados sinalizou apoio à nova proposta logo após sua apresentação. Outros, no entanto, solicitaram mais tempo para analisar o tema junto aos governadores. A expectativa do Ministério da Fazenda é consolidar essas decisões e anunciar oficialmente o cenário nesta terça-feira.

Caso não haja consenso entre todas as unidades federativas, a equipe econômica avalia seguir com a subvenção apenas nos estados que aceitarem aderir ao programa. Nesse cenário, a União subsidiaria sua parte exclusivamente para os participantes da estratégia.

A medida é considerada uma tentativa de amenizar os efeitos do cenário internacional, especialmente diante das tensões envolvendo o Irã, que influenciam diretamente os preços dos combustíveis.

São Paulo deve aderir à proposta

Entre os estados com maior peso econômico, São Paulo já sinalizou que deve integrar o programa. Segundo interlocutores do governo paulista, a adesão está praticamente definida, restando apenas a formalização por meio de medida provisória do governo federal.

Se confirmada, a expectativa é que uma nova MP seja publicada com os detalhes da subvenção e os critérios para participação dos estados.

Fonte: CNN Brasil

Texto: Redação

Imagem: Reprodução CNN / Freepik

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Economia

PIB do Brasil deve crescer 1,6% em 2026, projeta Banco Central

O PIB do Brasil deve avançar 1,6% em 2026, conforme projeção mantida pelo Banco Central em relatório divulgado nesta quinta-feira (26). Apesar da estabilidade na estimativa, a autoridade monetária alerta para o aumento das incertezas, especialmente diante dos impactos do conflito no Oriente Médio sobre a economia global.

Cenário externo pressiona crescimento

De acordo com o relatório, a continuidade das tensões internacionais pode gerar um choque negativo de oferta, com efeitos diretos na inflação e no ritmo de crescimento econômico.

A interrupção de cadeias produtivas e dificuldades logísticas na região podem prolongar os impactos, elevando preços e reduzindo a atividade econômica tanto no Brasil quanto no exterior. Ainda assim, setores específicos, como o segmento petrolífero, podem se beneficiar do cenário.

Fatores que sustentam a projeção

A manutenção da previsão de crescimento está associada ao desempenho recente da economia e à expectativa de expansão moderada ao longo de 2026.

Segundo o Banco Central, o cenário considera:

  • política monetária restritiva (juros elevados);
  • baixo nível de ociosidade na economia;
  • desaceleração da economia global;
  • ausência do forte impulso da agropecuária observado em 2025.

No ano passado, o PIB brasileiro cresceu 2,3%, impulsionado principalmente pelo setor agropecuário.

Consumo e mercado de trabalho

Medidas recentes também entram no radar da projeção, como o aumento real do salário mínimo e mudanças no Imposto de Renda, que ampliam a renda disponível e ajudam a sustentar a demanda interna.

Além disso, o mercado de trabalho aquecido, com queda do desemprego e alta dos salários, contribui para manter o consumo das famílias.

Juros e política monetária

O relatório também detalha a atuação do Comitê de Política Monetária (Copom) na condução da taxa Selic, principal instrumento de controle da inflação.

Após uma sequência de altas entre 2024 e 2025, os juros foram mantidos em 15% ao ano por um período prolongado, sendo reduzidos recentemente para 14,75% ao ano. No entanto, o Banco Central não descarta interromper o ciclo de cortes caso o cenário externo pressione a inflação.

Inflação deve permanecer acima da meta

A projeção indica que a inflação no Brasil tende a subir até o fim de 2026, iniciando queda gradual posteriormente, mas ainda acima da meta oficial.

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) deve encerrar o período em 3,6%, influenciado principalmente pela alta nos preços do petróleo.

A probabilidade de a inflação ultrapassar o teto da meta (4,5%) aumentou, passando de 23% para 30%, segundo o relatório.

Crédito cresce, mas em ritmo menor

A previsão para o crédito no Brasil foi revisada para cima, com expansão de 9% em 2026, impulsionada pelo crédito a pessoas físicas e empresas.

Mesmo com a alta, o ritmo indica desaceleração pelo segundo ano consecutivo, refletindo o impacto dos juros elevados e o alto nível de endividamento das famílias.

Contas externas e exportações

O déficit em transações correntes foi levemente reduzido, com expectativa de US$ 58 bilhões (2,2% do PIB) em 2026. A melhora está ligada ao desempenho das exportações, favorecidas pela alta nos preços internacionais, especialmente de combustíveis.

A entrada de investimentos estrangeiros diretos deve garantir o financiamento desse déficit, com previsão de US$ 70 bilhões.

Riscos seguem no radar

Apesar das projeções, o Banco Central destaca que o cenário permanece incerto. A redução do fluxo comercial em regiões estratégicas, como o Estreito de Ormuz, pode afetar o comércio global, cadeias produtivas e condições financeiras internacionais.

FONTE: Agência Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

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Economia

Choque do petróleo impacta economia global e eleva incertezas no mercado de energia

O recente choque do petróleo provocado por tensões no Oriente Médio deve ter efeitos duradouros na economia mundial. Embora os impactos mais agudos possam diminuir com o tempo, especialistas avaliam que a incerteza no mercado de energia tende a permanecer como um fator estrutural nos próximos anos.

Conflito amplia instabilidade global

Após mudanças recentes no comércio internacional, o cenário global enfrenta uma nova fase de instabilidade com os ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irã. Desta vez, o principal fator de preocupação está ligado ao custo da energia fóssil, que dificilmente retornará aos níveis anteriores mesmo após o fim do conflito.

Estreito de Ormuz no centro da crise

A interrupção no fluxo de petróleo e gás no Estreito de Ormuz — rota estratégica por onde circula cerca de um quarto do petróleo transportado por via marítima no mundo e quase 20% do gás natural liquefeito — provocou um dos maiores choques de oferta já registrados.

Relatório recente da Agência Internacional de Energia classificou o episódio como a maior ameaça à segurança energética global, superando crises históricas como as de 1973, 1979 e até mesmo os efeitos da guerra na Ucrânia em 2022.

Produção em queda e preços em alta

A produção de petróleo nos países do Golfo Pérsico caiu mais de 10 milhões de barris por dia, enquanto o transporte marítimo foi fortemente reduzido. Refinarias e unidades de processamento também sofreram danos, afetando principalmente derivados como diesel e querosene de aviação.

Como reflexo, o barril do petróleo tipo Brent saltou rapidamente de cerca de US$ 60 para mais de US$ 100, mantendo-se em patamares elevados. O mercado de derivados sinaliza pressão adicional sobre os preços.

Medidas emergenciais não resolvem dependência

Em resposta à crise, países coordenados liberaram cerca de 400 milhões de barris de reservas estratégicas. A ação ajudou a conter um cenário ainda mais crítico no curto prazo, mas não resolve a dependência global de combustíveis fósseis, concentrados em regiões geopoliticamente instáveis.

Impactos no Brasil: inflação e juros

No Brasil, os efeitos devem aparecer principalmente na inflação e na condução da política monetária. A expectativa de redução da taxa básica de juros pode ser revista para baixo diante da pressão inflacionária.

Especialistas apontam que o ambiente atual dificulta cortes mais agressivos na taxa Selic, já que o aumento dos custos de energia tende a se espalhar por diversos setores da economia.

Fertilizantes e agricultura sob pressão

Outro impacto relevante está no mercado de fertilizantes, essencial para o agronegócio brasileiro. Com a interrupção de exportações de grandes fornecedores, como a Rússia, o abastecimento global foi comprometido.

A expectativa é de preços elevados e possível escassez, o que pode afetar diretamente a próxima safra agrícola, elevando custos ou reduzindo a produção.

Recuperação será gradual

Mesmo com um eventual cessar-fogo, a normalização do mercado de energia deve ocorrer de forma lenta e desigual. O petróleo pode apresentar recuperação mais rápida, mas o gás natural pode levar até dois anos para estabilizar sua oferta global.

Novo cenário energético global

Analistas avaliam que o maior impacto da crise não será apenas o pico de preços no curto prazo, mas a consolidação de um ambiente mais arriscado. A incerteza energética tende a se tornar permanente, elevando o patamar mínimo dos preços.

Ainda que o barril não ultrapasse novamente os US$ 100, dificilmente retornará ao nível anterior de US$ 60. O sistema energético global deve sair da crise mais caro e mais instável, impulsionando a busca por alternativas, como a energia nuclear e fontes mais sustentáveis.

FONTE: Valor International
TEXTO: Redação
IMAGEM: Freepik

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Economia

Balança comercial brasileira atinge US$ 12,8 bilhões na 3ª semana de março de 2026

A balança comercial brasileira registrou corrente de comércio de US$ 12,8 bilhões na terceira semana de março de 2026, com superávit de US$ 1,4 bilhão. O resultado é fruto de exportações que somaram US$ 7,1 bilhões e importações de US$ 5,7 bilhões no período.

Resultado acumulado em março

No acumulado do mês até a terceira semana, o Brasil alcança US$ 21,8 bilhões em exportações e US$ 16,6 bilhões em importações. O saldo positivo chega a US$ 5,2 bilhões, enquanto a corrente de comércio totaliza US$ 38,336 bilhões.

Considerando o acumulado de 2026, as exportações brasileiras somam US$ 72,7 bilhões, frente a US$ 59,4 bilhões em importações. Com isso, o superávit comercial atinge US$ 13,3 bilhões, e a corrente de comércio chega a US$ 132,2 bilhões.

Queda nas médias diárias

Na comparação com março de 2025, os dados mostram retração nas médias diárias. As exportações caíram 4,0%, passando de US$ 1,511 bilhão para US$ 1,452 bilhão. Já as importações tiveram leve recuo de 0,1%, saindo de US$ 1,104 bilhão para US$ 1,103 bilhão.

A corrente de comércio média diária ficou em US$ 2,55 bilhões até a terceira semana de março, representando queda de 2,3% em relação ao mesmo período do ano passado. O saldo médio diário foi de US$ 348,47 milhões.

Exportações por setor

O desempenho das exportações por setor apresentou variações distintas. A Indústria Extrativa foi destaque, com crescimento de 27,6%, equivalente a US$ 78,26 milhões na média diária.

Por outro lado, houve retração em dois segmentos importantes:

  • Agropecuária: queda de 13,4% (US$ 57,47 milhões);
  • Indústria de Transformação: recuo de 10,3% (US$ 81,26 milhões).

Importações por setor

No campo das importações, o cenário também foi heterogêneo. A Indústria Extrativa registrou aumento de 6,6% (US$ 3,29 milhões), enquanto a Indústria de Transformação teve leve alta de 0,3% (US$ 2,91 milhões).

Em contrapartida, a Agropecuária apresentou queda significativa de 24,9%, com redução de US$ 7,54 milhões na média diária.

Cenário do comércio exterior

Os dados indicam um cenário de estabilidade com viés de queda nas médias comerciais, mesmo diante de um superávit consistente. O avanço da Indústria Extrativa ajuda a sustentar os resultados, enquanto a retração em setores como Agropecuária e Indústria de Transformação acende um alerta para o desempenho das exportações brasileiras.

Tags: balança comercial, comércio exterior, exportações Brasil, importações Brasil, superávit comercial, economia brasileira, março 2026

Fonte: Secretaria de Comércio Exterior (Secex/MDIC)

Texto: Redação

Imagem: Arquivo ReConecta News

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Economia

Selic cai para 14,75%: Copom inicia ciclo de redução de juros após quase dois anos

O Banco Central do Brasil anunciou nesta quarta-feira (18) a redução da taxa básica de juros, a Selic, de 15% para 14,75% ao ano. A decisão foi tomada pelo Comitê de Política Monetária e marca o primeiro corte desde maio de 2024, em linha com as expectativas do mercado financeiro.

Decisão busca controlar inflação e estimular a economia

A Selic é o principal instrumento utilizado pelo Banco Central para controlar a inflação. Ao reduzir a taxa, a autoridade monetária busca equilibrar a desaceleração dos preços com a manutenção da atividade econômica e do emprego.

Segundo o Copom, a medida está alinhada à estratégia de levar a inflação para a meta estabelecida, sem comprometer a estabilidade econômica. O comitê também destacou que a decisão contribui para reduzir oscilações no nível de atividade e favorecer o pleno emprego.

Conflitos no Oriente Médio aumentam incertezas

Apesar do início do ciclo de queda dos juros, o cenário internacional segue como fator de atenção. O conflito no Oriente Médio tem elevado a incerteza global, especialmente devido à alta nos preços do petróleo, que já ultrapassaram os US$ 100 por barril.

Esse movimento pressiona os custos de combustíveis e pode impactar diretamente a inflação no Brasil. Diante desse cenário, o Copom optou por não sinalizar novos cortes nas próximas reuniões, indicando que as decisões futuras dependerão da evolução do contexto internacional.

O comitê ressaltou que acompanha os efeitos indiretos da crise, como impactos na cadeia global de suprimentos e nas commodities, que influenciam os preços internos.

Riscos inflacionários seguem no radar

O Banco Central avaliou que os riscos para a inflação — tanto de alta quanto de queda — se intensificaram após o agravamento das tensões no Oriente Médio. A expectativa do mercado para a inflação em 2026, inclusive, já apresentou elevação recente.

A autoridade monetária reforçou que as próximas decisões sobre a Selic dependerão de novos dados econômicos e da evolução dos riscos externos.

A reunião do Copom ocorreu com dois integrantes a menos, após as saídas de diretores importantes da instituição. Ainda não foram anunciados substitutos, o que reduziu o número de votantes nesta decisão.

Como o Copom define a taxa de juros

O processo de definição da Selic segue o sistema de metas de inflação. Atualmente, a meta contínua é de 3% ao ano, com intervalo de tolerância entre 1,5% e 4,5%.

Quando as projeções indicam inflação acima da meta, a tendência é manter ou elevar os juros. Já em cenários mais controlados, como o atual, há espaço para cortes graduais.

O Banco Central também trabalha com projeções futuras, já que os efeitos das mudanças na taxa básica levam entre seis e 18 meses para impactar plenamente a economia. Neste momento, o foco está no comportamento da inflação projetada para 2027.

Fonte: G1

Texto: Redação

Imagem: Reprodução G1 / Adriano Machado / Reuters

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