Tecnologia

Carros super-híbridos ganham força e prometem revolucionar a mobilidade com autonomia acima de 1.000 km

A transição para a eletrificação dos automóveis continua avançando, mesmo após o ritmo mais lento do que o previsto nos últimos anos. Embora projeções anteriores apontassem para uma predominância de veículos totalmente elétricos nos Estados Unidos até 2035, fatores como altos custos, mudanças políticas e resistência de parte dos consumidores levaram as montadoras a rever seus planos.

Apesar dos ajustes estratégicos e dos bilhões de dólares investidos em projetos posteriormente reformulados, a indústria automotiva segue apostando na eletrificação. Nesse cenário, uma nova categoria começa a ganhar destaque: os veículos elétricos de autonomia estendida (EREV), considerados por muitos especialistas como a próxima etapa da mobilidade eletrificada.

Entendendo os diferentes tipos de eletrificação

Antes de compreender o papel dos EREVs, é importante conhecer os principais sistemas disponíveis atualmente.

HEVs: os híbridos convencionais

Os híbridos elétricos (HEVs) combinam motor a combustão e propulsão elétrica, utilizando uma bateria de pequena capacidade que é recarregada durante a frenagem ou desaceleração do veículo.

Modelos como o Toyota Prius popularizaram essa tecnologia, que dispensa conexão em tomadas e oferece melhor eficiência energética em comparação aos carros exclusivamente movidos a gasolina.

BEVs: os elétricos puros

Os veículos elétricos a bateria (BEVs) são representados por modelos de fabricantes como Tesla, Porsche e diversas outras marcas globais. Eles utilizam exclusivamente energia elétrica armazenada em grandes baterias, proporcionando condução silenciosa, respostas rápidas ao acelerador e menor necessidade de manutenção.

Por outro lado, as baterias de grande capacidade elevam significativamente os custos de produção. Além disso, fatores como reboque de cargas e longas viagens ainda podem impactar a autonomia desses veículos.

PHEVs: híbridos plug-in

Os híbridos plug-in (PHEVs) representam uma evolução dos híbridos convencionais. Equipados com baterias maiores e sistema de recarga externa, conseguem rodar dezenas de quilômetros apenas no modo elétrico antes de acionarem o motor a combustão.

Modelos modernos podem atender a boa parte dos deslocamentos urbanos utilizando somente eletricidade, reduzindo de forma significativa o consumo de combustível.

O que são os carros elétricos de autonomia estendida (EREV)?

Os EREVs unem características dos carros elétricos e dos híbridos plug-in, mas apresentam uma diferença fundamental: as rodas são movimentadas exclusivamente por motores elétricos.

Nesse sistema, o motor a combustão não impulsiona diretamente o veículo. Sua função é atuar como gerador de energia para recarregar a bateria quando necessário.

A proposta é utilizar baterias de tamanho intermediário — maiores que as dos híbridos plug-in e menores que as dos elétricos puros — reduzindo custos e peso sem comprometer a experiência de condução elétrica.

Vantagens dos super-híbridos

Entre os principais benefícios dos carros super-híbridos estão:

  • Maior autonomia total;
  • Menor dependência de carregadores públicos;
  • Redução do custo das baterias;
  • Condução predominantemente elétrica;
  • Menor ansiedade relacionada à autonomia;
  • Melhor desempenho em viagens longas e reboque.

Como o motor a combustão opera em faixas de eficiência mais elevadas, a tecnologia também tende a otimizar o consumo energético.

Tecnologia não é nova, mas evoluiu

A ideia dos veículos de autonomia estendida já foi testada anteriormente. Um dos exemplos mais conhecidos foi o BMW i3 equipado com extensor de autonomia.

Na época, o sistema apresentava limitações de desempenho quando a bateria estava descarregada e o pequeno motor gerador precisava sustentar sozinho o fornecimento de energia.

As novas gerações prometem superar essas restrições por meio de baterias mais eficientes e geradores mais potentes.

Picapes e SUVs serão os principais beneficiados

A nova tecnologia chama a atenção principalmente entre fabricantes de picapes e utilitários esportivos.

Marcas como Ford, Jeep, Ram, Scout, Kia, Genesis e Nissan já estudam ou anunciaram projetos envolvendo sistemas EREV.

O motivo é simples: veículos maiores possuem espaço suficiente para acomodar baterias, motores elétricos e geradores adicionais sem comprometer a capacidade de carga.

Além disso, a tecnologia resolve um dos principais desafios dos elétricos atuais: a perda significativa de autonomia durante o reboque de trailers, barcos ou equipamentos pesados.

Stellantis prepara primeiros modelos EREV

Os primeiros modelos de grande volume equipados com essa tecnologia devem chegar ao mercado por meio da Stellantis.

Entre os destaques estão a Jeep Grand Wagoneer REEV e a Ram 1500 REV, previstas para estrear no fim de 2026.

O conjunto mecânico utiliza um motor V6 ligado a um gerador de 130 kW e uma bateria de 92 kWh. Segundo a fabricante, o sistema permitirá rodar cerca de 233 quilômetros apenas com eletricidade e superar os 960 quilômetros de autonomia total.

A Ram também promete números impressionantes de desempenho, incluindo 647 cavalos de potência, capacidade de carga superior a uma tonelada e reboque de até sete toneladas.

Ford aposta em autonomia superior a 1.100 quilômetros

A Ford também confirmou o desenvolvimento de uma versão EREV da linha Lightning.

De acordo com a montadora, a futura Ford Lightning EREV combinará aceleração típica de um veículo elétrico com autonomia estimada acima de 1.120 quilômetros.

A expectativa é que o modelo seja lançado no mercado por volta de 2028.

Scout projeta desempenho esportivo e grande capacidade de reboque

A Scout Motors, marca retomada pela Volkswagen, também prepara veículos com autonomia estendida.

Os projetos incluem a picape Terra e o SUV Traveler, ambos desenvolvidos para oferecer elevada capacidade de reboque e desempenho robusto.

Segundo as projeções iniciais, o sistema EREV equipado com motor de quatro cilindros poderá alcançar aproximadamente 805 quilômetros de autonomia, enquanto a versão totalmente elétrica deverá atingir cerca de 563 quilômetros.

Super-híbridos podem ser a ponte para o futuro da eletrificação

Embora os avanços nas baterias continuem acelerando a adoção dos veículos elétricos puros, os EREVs surgem como uma solução intermediária capaz de atender consumidores que ainda valorizam a segurança de um tanque de combustível para viagens longas.

Ao combinar a experiência de condução elétrica com a praticidade de um gerador a combustão, os chamados super-híbridos podem ocupar um espaço estratégico no mercado automotivo durante os próximos anos, especialmente entre proprietários de picapes, SUVs e veículos destinados ao reboque.

FONTE: Infomoney
TEXTO: Redação
IMAGEM: Unsplash

Comentar

Deixe um comentário

Instagram
LinkedIn
YouTube
Facebook