Logística

Brasil e Suriname negociam rota marítima direta para impulsionar comércio e logística no Norte da América do Sul

Brasil e Suriname deram mais um passo nas tratativas para a criação de uma rota marítima direta entre os dois países. A iniciativa pretende abrir um novo corredor de integração logística na América do Sul, ampliando o comércio bilateral e fortalecendo a conectividade regional.

O tema integra o conjunto de 15 acordos de cooperação firmados na última semana durante reunião bilateral realizada em Brasília.

Acordo prevê linha regular de navegação e cooperação portuária

O entendimento entre os governos inclui ações para ampliar a cooperação nos setores portuário e marítimo, com destaque para estudos que avaliam a implantação de uma linha regular de navegação entre Brasil e Suriname.

Além do modal marítimo, o pacote de cooperação também abrange áreas como transporte aéreo, infraestrutura logística e projetos de desenvolvimento sustentável.

Durante o encontro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ressaltou a importância de ampliar a conectividade regional. Segundo ele, há interesse mútuo em expandir frequências de voos e estabelecer rotas marítimas diretas para fortalecer o intercâmbio entre os países.

Nova rota pode criar corredor logístico entre Caribe e Nordeste brasileiro

A proposta em discussão pode estabelecer uma nova alternativa de escoamento de cargas entre o norte da América do Sul e o Nordeste do Brasil. O foco das negociações envolve a conexão entre o Porto Jules Sedney, em Paramaribo, principal terminal do Suriname, e portos brasileiros aptos a operar cargas conteinerizadas e carga geral.

O ministro de Portos e Aeroportos, Tomé Franca, destacou o potencial estratégico da iniciativa para ampliar o fluxo comercial regional.

Segundo ele, o porto surinamês já atua como um importante hub de contêineres e carga geral, o que abre espaço para a criação de uma rota marítima regular de maior escala com o Brasil.

A expectativa é que a nova ligação contribua para dinamizar economias locais e ampliar oportunidades para exportadores e importadores dos dois países.

Comércio bilateral ainda é limitado por entraves logísticos

Apesar das relações diplomáticas consolidadas, o comércio entre Brasil e Suriname ainda é considerado modesto quando comparado a outros parceiros sul-americanos.

O principal obstáculo não está nas tarifas comerciais, mas sim na infraestrutura logística. A ausência de uma ligação marítima regular e a baixa conectividade regional elevam custos operacionais, aumentam o tempo de transporte e reduzem a competitividade das trocas comerciais.

Com a possível implementação da nova rota, os governos esperam reduzir custos logísticos e estimular novos fluxos de comércio. Entre os produtos com maior potencial de circulação estão alimentos, proteínas animais, combustíveis, materiais de construção, fertilizantes e bens industrializados, além de cargas destinadas ao Caribe e ao norte da América do Sul.

A presidente do Suriname, Jennifer Geerlings-Simons, destacou ainda o impacto da iniciativa para a segurança alimentar do país, especialmente na redução do custo de alimentos e no fortalecimento da cadeia de abastecimento.

Petróleo impulsiona mudanças econômicas no Suriname

As negociações ocorrem em meio a uma fase de transformação econômica do Suriname. O país vem ganhando destaque internacional após descobertas recentes de petróleo offshore, que devem impulsionar novos investimentos em infraestrutura portuária e logística ao longo da próxima década.

Especialistas apontam que o cenário se assemelha ao observado na Guiana, que passou a atrair grandes fluxos de investimento após a expansão da produção de petróleo.

Nesse contexto, uma conexão logística mais eficiente com o Brasil pode abrir oportunidades para empresas brasileiras dos setores de portos, transporte, energia e serviços industriais.

Integração reforça estratégia do Arco Norte brasileiro

A futura rota marítima também se conecta à estratégia brasileira de fortalecimento do Arco Norte, ampliando alternativas logísticas além dos tradicionais corredores do Sudeste.

A ligação com Paramaribo pode facilitar o escoamento de produtos brasileiros para mercados do Caribe, reduzindo etapas intermediárias e ampliando a competitividade das exportações.

Além da agenda marítima, Brasil e Suriname também avançam na cooperação aérea. Os países mantêm acordo de serviços aéreos desde 1980, atualizado em 2022 sob o modelo de Céus Abertos, que flexibiliza rotas, frequências e capacidade para voos de passageiros e cargas.

Os entendimentos firmados devem servir de base para um futuro memorando ampliado de cooperação técnica, com foco em projetos conjuntos nas áreas portuária, hidroviária e aeroportuária.

FONTE: Transporte Moderno
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Gov BR

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