Transporte

Fedequinta alerta para possível ampliação de mobilizações de caminhoneiros na Região de Valparaíso

A Federação de Proprietários de Caminhões e Transportadores da Região de Valparaíso (Fedequinta) manifestou preocupação com o agravamento da crise no setor de transporte de cargas e alertou para a possibilidade de novas mobilizações em diferentes localidades da região chilena. Segundo a entidade, caso as dificuldades enfrentadas pelos transportadores continuem sem respostas efetivas, os protestos poderão ganhar maiores proporções.

Em comunicado, a federação destacou que a sequência de reajustes nos preços dos combustíveis, somada ao aumento das despesas operacionais e à falta de atualização adequada dos fretes, vem comprometendo a saúde financeira das empresas do segmento, principalmente das pequenas e médias transportadoras.

Bloqueios em San Antonio e apoio aos transportadores

O alerta ocorre em meio à mobilização da Associação de Caminhoneiros Independentes de San Antonio (Agreporsai), que mantém bloqueados os acessos aos depósitos extraportuários da cidade, localizada na região de Valparaíso.

Diante do movimento, a Fedequinta, presidida por Iván Mateluna, declarou apoio às reivindicações dos profissionais envolvidos. A organização ressaltou que os problemas enfrentados pelos caminhoneiros de San Antonio também atingem transportadores de outras partes do Chile.

A entidade considera que o atual modelo de contratação de serviços e definição de fretes precisa passar por uma revisão abrangente. Entre os principais problemas apontados estão a ausência de mecanismos eficientes de reajuste tarifário, a necessidade de regulamentação específica e a falta de fiscalização adequada.

Alta dos combustíveis pressiona empresas de transporte

De acordo com a federação, muitas transportadoras estão trabalhando com margens de lucro extremamente reduzidas. Em diversos casos, a receita obtida é suficiente apenas para cobrir as despesas básicas de funcionamento.

Esse cenário dificulta a manutenção dos caminhões, a renovação das frotas e a realização de novos investimentos, além de colocar em risco a continuidade das operações.

A Fedequinta também advertiu que, sem medidas concretas para conter os impactos dos aumentos do diesel e dos demais custos operacionais, novas manifestações poderão ocorrer em Valparaíso, Casablanca, San Felipe e outros pontos estratégicos do transporte regional e nacional.

A entidade destacou que uma eventual ampliação dos protestos poderá provocar consequências para o setor de transporte, o comércio exterior e toda a cadeia de abastecimento.

Fedequinta cobra revisão dos fretes e participação do setor logístico

Para a federação, o enfrentamento da crise depende do envolvimento de todos os agentes responsáveis pela contratação e pela geração de serviços de transporte.

Entre os segmentos mencionados estão depósitos de contêineres, companhias de navegação, empresas responsáveis pela geração de cargas e operadores logísticos.

A organização defende uma revisão das condições comerciais atualmente praticadas, com a adoção de tarifas transparentes e compatíveis com os custos efetivos das operações.

Segundo a entidade, o transporte rodoviário de cargas está entre os setores mais vulneráveis às oscilações do preço do diesel. Quando os aumentos não são repassados aos valores dos fretes em tempo hábil, a rentabilidade das transportadoras diminui e a estabilidade de toda a cadeia logística fica comprometida.

Entidade pede medidas concretas das autoridades

A Fedequinta também cobrou uma atuação mais efetiva das autoridades, em conjunto com representantes dos transportadores e demais integrantes da cadeia logística.

Na avaliação da federação, as iniciativas não devem ficar restritas a reuniões e negociações. É necessário estabelecer compromissos objetivos, prazos definidos e mecanismos que permitam acompanhar o cumprimento das medidas acordadas.

Entre as propostas apresentadas estão a criação de uma legislação específica para o transporte terrestre de cargas, o fortalecimento da fiscalização, a adoção de regras comerciais mais transparentes e a implementação de critérios objetivos para a atualização dos fretes conforme as variações dos combustíveis e de outros custos operacionais.

Ao concluir o comunicado, a entidade afirmou que o setor não reivindica privilégios nem medidas provisórias, mas condições comerciais equilibradas, regras claras e segurança para manter uma atividade economicamente viável e sustentável.

A federação reforçou ainda que a continuidade do transporte de cargas é essencial para o funcionamento da economia chilena e que a responsabilidade pela sustentabilidade do segmento deve ser compartilhada por todos os envolvidos.

FONTE: Portal Portuário
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Portal Portuário

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