Indústria

Indústria de Santa Catarina e Marinha discutem parcerias para fortalecer a defesa nacional

A ampliação da participação da indústria catarinense nos projetos estratégicos e nas atividades de manutenção da Marinha do Brasil esteve no centro de uma reunião do Conselho de Desenvolvimento da Indústria de Defesa (Condefesa), da Federação das Indústrias de Santa Catarina (FIESC). O encontro foi realizado nesta terça-feira (27) e contou com a presença do comandante da Marinha, Almirante de Esquadra Marcos Sampaio Olsen.

Durante a reunião, foram discutidas oportunidades para empresas do estado fornecerem componentes, desenvolverem novas tecnologias e oferecerem serviços especializados às Forças Armadas.

Na avaliação do comandante da Marinha, Santa Catarina reúne capacidade industrial para atender a diferentes necessidades da Força, tanto em projetos estratégicos quanto em serviços de manutenção.

O Almirante Marcos Sampaio Olsen também ressaltou que o fortalecimento da autonomia tecnológica nacional é fundamental para garantir a soberania do país. Nesse contexto, ampliar a participação de fornecedores brasileiros representa uma alternativa para diminuir a dependência de tecnologias e produtos estrangeiros.

O presidente do Condefesa, Cesar Olsen, destacou a necessidade de aproximar as demandas das Forças Armadas das competências disponíveis no setor produtivo.

Segundo ele, a indústria brasileira tem condições de desenvolver soluções relevantes para a defesa nacional, mas é necessário intensificar o diálogo institucional, identificar oportunidades de negócios e facilitar o ingresso de mais empresas nos projetos militares.

Projetos de defesa buscam ampliar participação da indústria catarinense

Durante a reunião, também foram apresentados projetos conduzidos pelo Condefesa para estimular o desenvolvimento do setor de defesa e segurança em Santa Catarina.

Entre as iniciativas está o desenvolvimento do Polo Industrial de Defesa e Segurança de Itajaí (PBIDS-Itajaí), que se encontra em estágio avançado de articulação e busca se consolidar como referência nacional na área.

Outro destaque foi o Programa de Estímulo a Tecnologias de Interesse para a Soberania e Defesa Nacionais, desenvolvido pela Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Estado de Santa Catarina (FAPESC).

A instituição foi a primeira fundação de amparo à pesquisa do Brasil a estabelecer um programa específico para incentivar pesquisas e projetos voltados à defesa.

A proposta é estimular a chamada dualidade tecnológica, modelo que permite aproveitar inovações desenvolvidas para o mercado civil também em aplicações estratégicas de segurança e nas atividades das Forças Armadas.

Cibersegurança, inteligência artificial e monitoramento marítimo estão entre as oportunidades

As necessidades da Marinha abrangem diferentes setores da indústria e incluem possibilidades de fornecimento de equipamentos, desenvolvimento tecnológico e prestação de serviços.

Entre as áreas com potencial de cooperação estão:

  • Cibersegurança e proteção de sistemas;
  • Inteligência artificial;
  • Sistemas autônomos;
  • Tecnologias de energia;
  • Telecomunicações;
  • Monitoramento marítimo;
  • Serviços técnicos especializados.

A construção das fragatas da Classe Tamandaré, em Itajaí, também foi mencionada como uma oportunidade para ampliar a presença de fornecedores catarinenses na cadeia produtiva da indústria naval de defesa.

Para participar dessas iniciativas, as empresas precisam atender às exigências técnicas e aos procedimentos de qualificação específicos do setor.

Outra frente de atuação envolve parcerias entre companhias e instituições de ciência e tecnologia da própria Marinha. A cooperação pode viabilizar pesquisas, desenvolvimento de novos produtos e transferência de conhecimento para atender a necessidades que ainda não encontram soluções disponíveis no mercado.

Essas iniciativas, no entanto, precisam respeitar critérios relacionados ao sigilo, à propriedade intelectual e aos processos de certificação.

Proteção da Amazônia Azul abre espaço para novas tecnologias

A segurança da Amazônia Azul, denominação dada à extensa área marítima sob responsabilidade brasileira, também representa um campo estratégico para o desenvolvimento industrial.

A região concentra recursos naturais, rotas comerciais e estruturas fundamentais para a economia nacional. Sua proteção exige investimentos em sistemas de comunicação, vigilância e monitoramento marítimo.

Esse cenário amplia as possibilidades de participação da indústria brasileira no desenvolvimento de soluções tecnológicas e reforça a importância da integração entre empresas, centros de pesquisa e Marinha.

Observatório FIESC apresenta inteligência de mercado para o setor de defesa

Além da reunião do Condefesa, a programação incluiu uma visita do comandante da Marinha ao Observatório FIESC, realizada no período da manhã.

Na ocasião, foram apresentadas ferramentas de inteligência desenvolvidas em parceria com o Condefesa, com o objetivo de aproximar as necessidades da Força das capacidades produtivas existentes em Santa Catarina.

A equipe preparou uma apresentação específica sobre a atuação da Marinha e sua relação com a economia e a indústria. Um dos pontos abordados foi a análise das compras realizadas pela instituição, organizadas por unidades contratantes e categorias de produtos e serviços.

O levantamento permite identificar demandas recorrentes, possíveis oportunidades de fornecimento e caminhos para aproximar empresas catarinenses do mercado de defesa.

Mapeamento industrial pode identificar novos fornecedores

Outro destaque da apresentação foi o mapeamento de cadeias produtivas relacionadas aos projetos estratégicos da Marinha.

Por meio de uma representação tridimensional de uma planta de propulsão nuclear naval, foram demonstradas possibilidades de detalhamento de sistemas e componentes, além da identificação de empresas e capacidades industriais existentes no estado.

A iniciativa evidencia como o uso de inteligência de mercado, análise de dados e mapeamento industrial pode contribuir para localizar potenciais fornecedores e identificar competências tecnológicas.

O trabalho integrado entre o Observatório FIESC e o Condefesa busca orientar o desenvolvimento de novas capacidades produtivas e ampliar a participação das empresas de Santa Catarina em projetos estratégicos da defesa nacional.

FONTE: FIESC
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/FIESC

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