Tecnologia

Fragatas da Marinha usam aço 100% nacional e impulsionam projeto bilionário da indústria de defesa

A Marinha do Brasil avança na construção das novas Fragatas Classe Tamandaré utilizando cerca de 1.300 toneladas de aço 100% nacional em cada embarcação. O projeto, considerado um dos mais estratégicos da atualidade para a defesa brasileira, fortalece a indústria naval militar, amplia a autonomia tecnológica do país e reduz a dependência de fornecedores estrangeiros.

O programa é coordenado pela EMGEPRON e executado pela sociedade Águas Azuis, formada pela ThyssenKrupp Marine Systems, Embraer e Atech.

Aço brasileiro atende exigências militares internacionais

O grande destaque do programa está na participação da Usiminas, responsável pelo fornecimento do aço especial utilizado nas fragatas. O material foi desenvolvido para atender padrões técnicos rigorosos exigidos pela construção naval militar de alta complexidade.

As chapas grossas utilizadas nas embarcações são produzidas em Ipatinga, Minas Gerais, enquanto as bobinas laminadas a quente saem da unidade de Cubatão, em São Paulo.

O uso de aço nacional em navios de guerra representa um marco para a siderurgia brasileira, que passa a integrar um segmento historicamente dominado por fornecedores internacionais.

Material possui alta resistência para operações militares

As fragatas exigem materiais capazes de suportar condições extremas no ambiente marítimo e em operações de combate. Para isso, o aço empregado precisa apresentar elevada resistência mecânica, alto nível de soldabilidade e excelente tenacidade estrutural.

Essas características garantem maior segurança operacional, resistência ao desgaste e durabilidade das embarcações em missões de longo prazo.

Processo de homologação envolveu testes rigorosos

A participação da Usiminas no programa começou a ser validada em 2020, quando a empresa iniciou o processo de homologação técnica do aço militar brasileiro.

Os testes incluíram análises mecânicas, avaliações macroestruturais e microestruturais, testes de impacto, medições de dureza e inspeções em juntas soldadas submetidas a condições extremas simuladas.

Todo o processo foi conduzido no centro de pesquisa e desenvolvimento da companhia, seguindo parâmetros internacionais exigidos pelo Programa Fragatas Classe Tamandaré.

Projeto fortalece indústria de defesa e gera empregos

Além da modernização da frota naval, o programa também movimenta a Base Industrial de Defesa do Brasil. O fornecimento de aço nacional impulsiona setores ligados à siderurgia, engenharia naval e tecnologia militar, além de estimular geração de empregos especializados e transferência de conhecimento técnico.

Especialistas apontam que projetos desse porte ampliam a capacidade brasileira de desenvolver soluções estratégicas próprias e aumentam a competitividade nacional em áreas de alto valor agregado.

A construção das fragatas acontece no estaleiro da ThyssenKrupp Marine Systems Brasil Sul, em Itajaí, considerado um dos polos mais modernos da construção naval militar da América Latina.

Primeira fragata já foi entregue à Marinha

A primeira embarcação do programa foi lançada ao mar em 2024 e entregue oficialmente à Marinha do Brasil em março de 2026. As demais unidades seguem em produção, acelerando o processo de renovação da frota militar brasileira.

O Programa Fragatas Classe Tamandaré é considerado peça-chave para ampliar a presença estratégica do Brasil no Atlântico Sul e reforçar a capacidade operacional da Marinha.

Ao utilizar tecnologia nacional e elevado índice de nacionalização, o projeto também abre espaço para futuras exportações de soluções industriais brasileiras voltadas ao setor de defesa.

FONTE: Sociedade Militar
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Sociedade Militar

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Industria

Na FIESC, indústria catarinense apresenta soluções estratégicas para defesa nacional

Projetos em áreas como energia, nanotecnologia, bioproteção e defesa balística receberam fomento de de R$ 6,3 milhões em recursos de subvenção

A Federação das Indústrias de Santa Catarina (FIESC) reuniu representantes de 13 empresas catarinenses contempladas na primeira edição do Edital Estímulo a Tecnologias de Interesse para a Soberania e Defesa Nacionais, da Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Estado de Santa Catarina (Fapesc). O encontro ocorreu nesta terça-feira (16) para apresentação dos resultados dos projetos.

O presidente da FIESC, Gilberto Seleme, recebeu os convidados e reforçou que os projetos apresentados tiveram origem na SC Expo Defense de 2024. “Foram ideias que ganharam apoio, viraram pesquisa aplicada e agora estão virando resultado de verdade. Tem inovação em várias áreas: energia, nanotecnologia, bioproteção, defesa balística. E tudo isso feito por 13 empresas catarinenses. É motivo de muito orgulho para nós”, frisou.

Fábio Wagner Pinto, presidente da Fapesc, afirmou que o governo tem olhado com especial atenção para a indústria. “Fomos instigados a estruturar um edital voltado à defesa e inovação. Queremos continuar nos aproximando da indústria e do setor de defesa para fortalecer o nosso desenvolvimento e a nossa soberania nacional; São tantas as possibilidade de atuar junto às Forças Armadas, então é oportuno apoiar esse movimento por meio de fomento”.

O contra-almirante Charles Conti, diretor do Departamento de Ciência, Tecnologia e Inovação da Secretaria de Produtos de Defesa, também ressaltou que Santa Catarina tem demonstrado que a indústria está pronta para atender o setor de defesa. O general de Divisão do Exército Brasileiro, Armando Morado Ferreira, reforçou que toda a ajuda é bem-vinda para fortalecer temas de defesa, um desafio acatado pela FIESC e pela Fapesc.

O edital, lançado durante a edição 2024 da SC Expo Defense, destinou R$ 6,3 milhões em subvenção econômica a projetos de até R$ 500 mil, vigentes entre novembro de 2024 e novembro de 2025. O objetivo é fomentar soluções capazes de fortalecer a defesa nacional por meio do desenvolvimento científico, tecnológico e de inovação, estimulando a modernização, a digitalização de processos e a participação da indústria catarinense em projetos estratégicos.

Entre os projetos apresentados estão:

  • TechPain (Florianópolis) – Nanotecnologia aplicada ao tratamento da dor.
  • Polar Sapiens (Florianópolis) – Protocolos de biossegurança e bioproteção.
  • Hidrológica (Lages) – Sistema de previsão de eventos climáticos extremos.
  • MEV Tech (Florianópolis) – Módulo de bateria para acionamento elétrico de motor foguete.
  • Green Innovation (São João do Sul) – Pacotes de baterias de estado sólido para energias renováveis.
  • Cetarch (Criciúma) – Materiais compósitos de alta performance para proteção balística.
  • TNS Nanotecnologia (Florianópolis) – Fardas autolimpantes com nanotecnologia.
  • Cellep Biotecnologia (Florianópolis) – Desenvolvimento de insumos bioativos para saúde e defesa.
  • Evolusis (Joinville) – Sistemas inteligentes para monitoramento ambiental e de fronteiras.
  • Tesseract Defense (Blumenau) – Soluções em drones de reconhecimento com autonomia ampliada.
  • NanoAlvo (Florianópolis) – Nanopartículas para aplicações em bioproteção.
  • HydroSafe (Itajaí) – Tecnologias de purificação e monitoramento de água em campo.
  • PhotonTech (São José) – Dispositivos ópticos para comunicação segura em ambientes militares.
     

Participaram lideranças da indústria, FIESC, Fapesc e do Ministério da Defesa, que acompanharam a avaliação das iniciativas.

Fomento à pesquisa

Nesta quarta-feira (17), na abertura do Seminário Pró-Pesquisa, a Fapesc lança novo edital para fomento à pesquisa em SC, com foco nas áreas de engenharias, ciências biológicas, ciências da saúde, ciências exatas e da Terra, ciências humanas e outras. Serão mais R$ 6 milhões em recursos destinados a pesquisadores vinculados a Instituições de Ciência, Tecnologia e Inovação (ICT) públicas ou privadas sem fins lucrativos, sediadas e com CNPJ no estado de Santa Catarina. O valor máximo por projeto é de R$ 500 mil. A expectativa da Fapesc é divulgar o resultado no primeiro trimestre de 2026.  

Fonte:
Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina – FIESC
Gerência de Comunicação Institucional

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