Internacional

Preço do açúcar cai pela quarta sessão seguida em Nova York com pressão de fundos e expectativa de maior oferta

As cotações internacionais do açúcar fecharam em baixa na quarta-feira (21), com o contrato de março negociado em Nova York registrando a quarta queda consecutiva. O mercado foi pressionado pela venda de posições por fundos de investimento e pela perspectiva de aumento da oferta, diante das condições climáticas no Brasil e de mudanças na política de utilização do etanol na Índia.

Na Bolsa de Nova York, o contrato de açúcar bruto com vencimento em março de 2027 recuou 7 pontos, equivalente a 0,34%, encerrando a sessão a 20,45 centavos de dólar por libra-peso.

Em Londres, o contrato de açúcar branco para dezembro caiu 340 pontos, ou 0,62%, e terminou o dia cotado a US$ 543,70 por tonelada.

Fundos de investimento intensificam a pressão sobre o açúcar

A sequência de perdas ocorre após um período de forte valorização da commodity. Na quarta-feira anterior, o contrato de março em Nova York havia atingido o maior patamar em 19 meses. Em Londres, o açúcar branco chegou ao nível mais alto em 22 meses no dia 7 de outubro.

Após essas altas, investidores passaram a realizar lucros, movimento que contribuiu para a queda das cotações.

O relatório semanal de Compromisso dos Traders (COT) mostrou que os fundos de commodities ampliaram em 16.184 contratos suas posições líquidas compradas em açúcar na Bolsa de Nova York, na semana encerrada em 13 de outubro. O saldo chegou a 228.743 contratos, o maior volume em mais de cinco anos.

A concentração de posições compradas aumenta a possibilidade de novas pressões de venda caso os investidores decidam reduzir sua exposição à commodity.

Clima no Brasil pode favorecer a produção de açúcar

As perspectivas para a safra brasileira também influenciam o comportamento dos preços. A previsão de tempo quente e seco no Centro-Sul, principal região produtora de cana-de-açúcar do país, pode favorecer o avanço da colheita e a retomada da moagem nas usinas.

Com melhores condições para o andamento dos trabalhos no campo, o mercado considera a possibilidade de maior disponibilidade de açúcar brasileiro no curto prazo.

A expectativa de ampliação da oferta contribui para limitar a recuperação das cotações, especialmente em um cenário no qual os investidores acompanham de perto a evolução da produção e do processamento da cana.

Mudança na política de etanol da Índia pode ampliar a oferta

Outro fator que pesa sobre o mercado é a decisão do governo indiano de determinar que distribuidoras estatais de combustíveis interrompam, a partir de 1º de novembro, as compras de etanol produzido a partir da cana-de-açúcar.

A medida pode alterar a destinação da matéria-prima no país e abrir espaço para que uma parcela maior da cana seja direcionada à fabricação de açúcar.

Como a Índia está entre os principais produtores mundiais da commodity, mudanças na política de biocombustíveis podem influenciar as perspectivas de oferta global e as expectativas dos investidores.

El Niño aumenta os riscos para a safra mundial de açúcar

Apesar da pressão baixista no curto prazo, as perspectivas para a produção global continuam sujeitas a incertezas climáticas.

A Organização Internacional do Açúcar (ISO) projeta um déficit mundial de 200 mil toneladas na safra 2026/27, após estimar um superávit de 1,1 milhão de toneladas em 2025/26.

Entre os fatores de atenção está o fenômeno El Niño, que pode modificar os padrões de chuva em importantes regiões produtoras, como Brasil, Índia e Tailândia.

A Agência Meteorológica do Japão informou que as temperaturas da superfície do Pacífico tropical ficaram cerca de 4 °C acima do normal em setembro. A instituição prevê a continuidade do fenômeno até o primeiro trimestre de 2027.

Os efeitos sobre a produção, porém, dependerão da intensidade do evento climático e de como as alterações nas chuvas atingirão cada região.

Índia enfrenta déficit de chuvas e autoriza importações

Na Índia, as chuvas de monção registradas entre junho e setembro ficaram 12,6% abaixo da média, o menor volume em 11 anos.

Diante das preocupações com o abastecimento interno, o país também autorizou a importação de até 1 milhão de toneladas de açúcar bruto sem tarifas de importação, com prazo até 31 de outubro.

A combinação entre condições climáticas desfavoráveis e medidas voltadas ao abastecimento acrescenta incertezas ao mercado indiano, que tem peso significativo no equilíbrio mundial da commodity.

Tailândia prevê queda na produção de açúcar

Na Tailândia, a expectativa também é de redução da oferta. A Thai Sugar Millers Corp estima que a produção nacional recue 17% na safra 2026/27, para 10 milhões de toneladas.

O país é o segundo maior exportador mundial de açúcar, o que torna a perspectiva de queda na produção um fator relevante para o comércio internacional.

Dessa forma, o mercado enfrenta forças opostas: a expectativa de maior disponibilidade no Brasil e a mudança na política indiana pressionam as cotações, enquanto os riscos climáticos e a projeção de déficit global podem limitar novas quedas.

FONTE: Notícias Agrícolas
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Notícias Agrícolas

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