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El Niño pode se tornar o mais forte já registrado e elevar risco de eventos extremos até 2027

O El Niño deve ganhar ainda mais intensidade nos próximos meses e pode se tornar o episódio mais forte já observado desde o início do monitoramento do fenômeno. O alerta foi divulgado nesta quinta-feira pela Organização Meteorológica Mundial (OMM), agência ligada às Nações Unidas.

Segundo as projeções da entidade, há praticamente 100% de probabilidade de que o fenômeno continue ativo até fevereiro de 2027. A principal causa é o registro de temperaturas excepcionalmente elevadas no Oceano Pacífico.

A OMM afirma que esta é a primeira vez que apresenta um nível de certeza tão elevado sobre a continuidade do fenômeno.

“Se essa trajetória continuar, ele poderá ser mais forte do que qualquer outro desde o início do nosso monitoramento”, afirmou a secretária-geral da OMM, Celeste Saulo, durante uma coletiva em Genebra.

O que é o El Niño?

O El Niño é um fenômeno climático periódico caracterizado pelo aquecimento anormal da superfície do Pacífico Equatorial, principalmente em sua porção central e leste.

O evento ocorre, em média, a cada dois a sete anos e normalmente permanece ativo por até 12 meses. Suas consequências podem incluir alterações significativas nos regimes de chuvas e temperaturas em diferentes partes do planeta.

Na América Latina, por exemplo, o fenômeno pode provocar períodos de chuvas intensas, enquanto outras regiões enfrentam secas prolongadas.

Quando apresenta intensidade elevada, o El Niño também pode favorecer condições para eventos extremos, como secas severas, tempestades e tufões.

Temperatura do Pacífico já supera a média em mais de 2°C

De acordo com a OMM, as temperaturas registradas em determinadas áreas do Pacífico durante o atual episódio estão mais de 2°C acima da média histórica.

O fenômeno já está entre os quatro episódios classificados como “muito fortes” nos registros iniciados em 1950.

A entidade ressalta que o aquecimento do oceano é um fator importante para a intensidade do evento. Embora o El Niño seja um fenômeno natural e não seja provocado diretamente pelas emissões de combustíveis fósseis, o aquecimento global pode contribuir para ampliar seus efeitos.

“O El Niño está ficando maior diante dos nossos olhos. A ciência não deixa margem para dúvidas: o planeta está entrando em águas desconhecidas, e essas águas estão aquecendo”, afirmou o secretário-geral da ONU, António Guterres.

Fenômeno já afeta produção de alimentos

Os efeitos do El Niño já podem ser observados em setores econômicos e na produção agrícola de regiões tropicais.

Na América Central, o fenômeno contribuiu para agravar a situação no chamado Corredor Seco, área que atravessa países da região e enfrenta períodos recorrentes de estiagem.

A redução das chuvas e as condições climáticas adversas têm afetado a produção de alimentos e commodities agrícolas, aumentando a pressão sobre comunidades vulneráveis.

El Niño pode elevar temperaturas globais em 2027

A expectativa da OMM é que o atual El Niño alcance seu pico no fim deste ano. Seus efeitos, porém, devem continuar sendo sentidos ao longo de 2027.

Segundo especialistas da organização, episódios de El Niño costumam produzir um efeito temporário de alta sobre a temperatura média global depois de atingirem seu auge.

Wilfran Moufouma Okia, chefe dos serviços de previsão climática da OMM, afirmou que 2027 poderá apresentar condições para se tornar o ano mais quente já registrado.

O comentário ocorre após 2024 ter estabelecido o atual recorde de maior temperatura média global.

Países são orientados a reforçar preparação

Diante da possibilidade de eventos climáticos mais extremos, a OMM informou que está ampliando os esforços de preparação e sistemas de alerta antecipado.

A intenção é permitir que governos e comunidades adotem medidas preventivas antes que os impactos mais severos ocorram.

Entre as estratégias possíveis estão a substituição de cultivos tradicionais por variedades mais resistentes à seca em regiões sob maior risco de estiagem.

A OMM também pretende atuar em conjunto com organismos das Nações Unidas e entidades humanitárias para fornecer informações climáticas que auxiliem setores considerados mais sensíveis às mudanças no clima.

Entre eles estão agricultura, saúde, energia e recursos hídricos, além das estruturas de gestão de desastres.

FONTE: Reuters
TEXTO: Redação
IMAGEM: REUTERS/Enea Lebrun

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Transporte

Canal do Panamá reduzirá trânsito de navios a partir de setembro devido à seca

O Canal do Panamá vai diminuir o número de navios autorizados a atravessar a hidrovia a partir de setembro, em meio à queda dos níveis de água provocada pela seca e pelas condições associadas ao El Niño.

A partir de 3 de setembro, o limite diário de travessias será reduzido de 38 para 34 embarcações por dia. Já a partir de 15 de setembro, a capacidade cairá novamente, para 32 navios diariamente.

Além da redução no número de passagens, a administração do canal também adotará novas restrições de calado, o que poderá limitar as dimensões e a quantidade de carga transportada por determinadas embarcações.

Chuvas abaixo da média agravam crise hídrica

A decisão ocorre após uma queda significativa nas reservas de água que abastecem o canal. Segundo as autoridades responsáveis pela hidrovia, o volume de chuva registrado desde maio ficou 34% abaixo da média histórica.

No mesmo período, a entrada de água na bacia hidrográfica que abastece o Canal do Panamá recuou 44%.

A situação tem impacto direto sobre o comércio internacional. Cerca de 5% do tráfego marítimo mundial passa pela hidrovia, que é uma das principais rotas utilizadas para conectar os oceanos Atlântico e Pacífico.

O problema não está restrito ao canal. O Panamá possui atualmente 11 bacias hidrográficas sob estresse hídrico e declarou situação de emergência na última semana. Honduras e El Salvador também adotaram medidas semelhantes diante da deterioração das condições de abastecimento.

Honduras também enfrenta falta de água

Em Honduras, a crise hídrica já afeta diretamente o abastecimento da população.

Na capital, Tegucigalpa, as fontes responsáveis pelo fornecimento de água chegaram a níveis considerados críticos. Como consequência, as autoridades passaram a adotar um sistema de distribuição que pode deixar determinadas áreas sem água por períodos de 10 a 20 dias.

A situação mostra como os efeitos da estiagem e das alterações nos padrões climáticos estão ultrapassando os impactos sobre o transporte marítimo e atingindo também o abastecimento urbano.

El Niño pode atingir intensidade muito forte

O atual episódio de El Niño foi oficialmente declarado em junho e existe a possibilidade de que o fenômeno ganhe força nos próximos meses.

Segundo um boletim divulgado em 13 de agosto pela Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), há mais de 90% de probabilidade de que o fenômeno alcance intensidade classificada como “muito forte” entre setembro e o início de 2027.

Essa classificação ocorre quando a temperatura da superfície do oceano em uma determinada região do Pacífico Equatorial fica aproximadamente 2°C acima da média.

Para que um episódio seja considerado de intensidade fraca, a elevação necessária é de apenas 0,5°C durante três meses.

A agência norte-americana também calcula em 69% a chance de que, entre outubro e dezembro, o atual El Niño supere em intensidade todos os episódios registrados desde 1950.

América do Sul já sente os efeitos do fenômeno

Os impactos relacionados às condições climáticas já podem ser observados em diferentes pontos da América do Sul.

Na Colômbia, incêndios florestais registrados em agosto se concentraram principalmente no departamento de Tolima. Mais de 50 mil hectares foram atingidos pelas queimadas.

No Peru, o aquecimento das águas também provocou consequências para a atividade pesqueira. O Ministério da Produção suspendeu repetidamente, desde maio, temporadas de pesca da anchoveta, espécie importante para a indústria local.

Com a elevação da temperatura do mar, os peixes adultos tendem a se deslocar para águas mais profundas ou migrar em direção ao sul, dificultando a atividade das frotas pesqueiras.

Chile registra tempestades e grandes volumes de neve

No Chile, os efeitos climáticos assumiram outra forma.

O presidente José Antonio Kast declarou estado de catástrofe nas regiões de Atacama e Coquimbo após as tempestades registradas em julho.

Na fronteira entre Chile e Argentina, a passagem de Cristo Redentor ficou fechada por mais de 30 dias devido a uma tempestade que provocou acúmulo de neve de até quatro metros.

Os episódios reforçam a diversidade dos impactos associados às alterações climáticas, que podem incluir tanto períodos de seca quanto eventos extremos de chuva e neve, dependendo da região.

El Niño pode reduzir risco de furacões no Caribe

No Caribe, o El Niño costuma produzir condições desfavoráveis à formação e ao fortalecimento de furacões.

A previsão da NOAA aponta 55% de probabilidade de que a temporada de furacões no Atlântico fique abaixo da média.

Isso, porém, não significa necessariamente uma melhora das condições climáticas para as ilhas caribenhas. A menor frequência de tempestades pode contribuir para o agravamento da seca em locais como Jamaica e Porto Rico.

Essas regiões dependem, em parte, das chuvas associadas ao período de furacões para repor seus recursos hídricos.

Organização Meteorológica Mundial alerta para preparação

Bárbara Tapia Cortés, da Organização Meteorológica Mundial (OMM), destacou que a intensidade do El Niño não é suficiente para determinar a dimensão de seus efeitos.

Segundo a especialista, as consequências de um episódio forte podem variar de acordo com o grau de preparação de cada região e com as vulnerabilidades que já existiam antes da chegada do fenômeno.

A avaliação é que um El Niño intenso não necessariamente produzirá impactos igualmente severos em todos os locais afetados.

A especialista também ressaltou que ainda existe tempo para que governos, empresas e comunidades adotem medidas de preparação diante da possibilidade de agravamento do fenômeno climático nos próximos meses.

FONTE: Mercopress
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Mercopress

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Comércio Internacional

Canal do Panamá: navio paga valor recorde de R$ 27,4 milhões para garantir passagem

Uma empresa sul-coreana pagou um valor recorde para garantir a passagem de um navio pelo Canal do Panamá. A SK Gas desembolsou US$ 5,3 milhões, aproximadamente R$ 27,4 milhões, para assegurar que o navio-tanque G. Spirit atravesse a hidrovia em 1º de setembro.

A passagem ocorrerá dois dias antes da entrada em vigor de novas restrições ao tráfego de embarcações no canal, uma das principais rotas do comércio marítimo internacional.

Seca reduz capacidade do Canal do Panamá

O valor milionário está relacionado à disputa por vagas de passagem diante da redução da capacidade operacional do Canal do Panamá.

A partir de 3 de setembro, o número máximo de embarcações autorizadas diariamente cairá de 36 para 34. Ainda durante setembro, o limite deverá chegar a 32 navios por dia.

A redução está diretamente ligada à disponibilidade de água. O funcionamento das eclusas do canal depende dos reservatórios de Gatún e Alhajuela, abastecidos principalmente pelas chuvas.

Os baixos níveis dos reservatórios vêm preocupando as autoridades panamenhas, que enfrentam um período de seca associado ao fenômeno El Niño. A menor disponibilidade hídrica limita a quantidade de embarcações que podem atravessar a hidrovia.

Leilão bate recorde de preço

Com a diminuição das vagas, os espaços que garantem prioridade de passagem se tornaram mais disputados.

Segundo dados da Autoridade do Canal do Panamá, os leilões realizados entre outubro de 2025 e fevereiro de 2026 registraram preço médio de aproximadamente US$ 55 mil.

Em abril, entretanto, uma embarcação transportadora de gás natural liquefeito pagou US$ 4 milhões para garantir a passagem sem precisar enfrentar um período maior de espera.

O novo lance da SK Gas, de US$ 5,3 milhões, superou o recorde anterior, de US$ 4,6 milhões. O valor havia sido pago no início de agosto por outra embarcação controlada por uma companhia sul-coreana.

Como funciona a prioridade de passagem

A maior parte dos navios que utilizam o Canal do Panamá opera por meio do sistema regular de reservas. Já embarcações sem agendamento ou que precisam atravessar a via em caráter de urgência podem disputar vagas em leilões.

Nesse modelo, as empresas oferecem valores para obter prioridade e reduzir o risco de espera causado pela limitação da capacidade do canal.

No caso do G. Spirit, que transporta gás liquefeito de petróleo (GLP), a prioridade permitiu que a embarcação fosse programada para atravessar o canal antes da redução prevista no número diário de passagens.

Impacto no comércio marítimo internacional

O Canal do Panamá é uma rota estratégica para o transporte marítimo mundial por conectar os oceanos Atlântico e Pacífico. A hidrovia responde por aproximadamente 5% do comércio marítimo internacional.

Uma eventual redução prolongada da capacidade pode aumentar custos logísticos e afetar empresas que dependem da ligação entre os dois oceanos. Para operadores de navios e empresas de comércio exterior, a disponibilidade de vagas e a possibilidade de atrasos passam a ter impacto direto no planejamento das operações.

Fonte: R7, com informações da AFP e Bloomberg.

Texto: Redação

Imagem: Internet / Divulgação

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Agronegócio

Hidrovia do Tapajós: falta de dragagem pode causar prejuízo de até R$ 850 milhões

A falta de dragagem de manutenção na hidrovia do Tapajós pode provocar perdas de até R$ 850 milhões para a cadeia produtiva, segundo estimativas de entidades ligadas ao setor. O alerta foi encaminhado nesta sexta-feira (28) ao Ministério da Agricultura e Pecuária, acompanhado de um pedido para que o governo federal tome medidas para preservar a navegabilidade do rio.

O documento é liderado pela Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) e reúne diferentes representantes do setor produtivo. As entidades consideram a realização da dragagem uma medida urgente diante do risco de queda acentuada no nível dos rios durante a safra 2026/2027.

A preocupação está relacionada aos possíveis efeitos de uma restrição à navegação. Caso as embarcações tenham sua capacidade reduzida ou deixem de operar em determinados trechos, parte das cargas poderá ser transferida para as rodovias, aumentando os custos logísticos, a pressão sobre a cadeia produtiva e as emissões de carbono.

O que está em jogo no Tapajós

A dragagem consiste na retirada de sedimentos acumulados no leito do rio para manter condições adequadas de navegação. O serviço interfere diretamente no calado das embarcações, ou seja, na profundidade que fica submersa.

Com a diminuição do nível da água, a distância entre o fundo do rio e o casco das embarcações também fica menor. Isso pode obrigar os operadores a reduzir a quantidade de carga transportada ou até interromper a navegação em trechos onde a profundidade se torne insuficiente.

O governo federal chegou a contratar uma intervenção de manutenção, mas o serviço acabou suspenso após manifestações contrárias de povos indígenas com territórios próximos ao Rio Tapajós.

Dragagem foi suspensa após protestos

Em janeiro de 2026, uma empresa foi contratada para executar a dragagem de manutenção na hidrovia. No mês seguinte, porém, o governo federal suspendeu a operação diante da resistência das comunidades indígenas da região.

A possibilidade de uma seca extrema associada ao El Niño fez o assunto voltar à pauta. Uma nova intervenção emergencial chegou a ser autorizada, mas posteriormente foi desautorizada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Atualmente, o Ministério de Portos e Aeroportos monitora diariamente o nível do Rio Tapajós e as condições de navegação. Até o momento, a profundidade ainda não chegou a uma situação considerada crítica.

O setor produtivo, entretanto, cobra uma alternativa preventiva para o caso de uma estiagem mais severa comprometer a navegabilidade.

Transporte de grãos pode ser afetado

De acordo com a FPA, uma eventual redução ou interrupção da capacidade de transporte pela hidrovia poderá acrescentar entre R$ 150 e R$ 250 por tonelada aos custos logísticos.

As entidades também estimam que até 5 milhões de toneladas de grãos possam ter o escoamento prejudicado. A transferência dessas cargas para caminhões poderia gerar ainda cerca de 55 mil toneladas adicionais de emissões de carbono.

A hidrovia do Tapajós é considerada um dos principais corredores do Arco Norte, rota utilizada para transportar a produção agrícola do Centro-Oeste até portos das regiões Norte e Nordeste.

A importância da via cresceu nos últimos anos. Em 2025, foram movimentadas 16,8 milhões de toneladas de cargas pelo Rio Tapajós, alta de 14,3% em comparação com 2024, segundo dados da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq).

Soja e milho dominam as cargas

O agronegócio é o principal usuário da hidrovia. Aproximadamente 88% das cargas transportadas pelo Tapajós são compostas por soja e milho.

Somente nos dois primeiros meses de 2026, o volume movimentado dos dois produtos chegou a 2,04 milhões de toneladas, reforçando o papel estratégico do rio para o escoamento da produção agrícola brasileira.

Setor alerta para risco de nova seca

A possibilidade de uma nova queda expressiva no nível dos rios é a principal preocupação das entidades. O documento encaminhado ao governo cita a possibilidade de ocorrência de um El Niño de forte intensidade, fenômeno que pode provocar redução das chuvas na região Norte.

O setor produtivo lembra os efeitos registrados durante o El Niño de 2023 e 2024, quando a estiagem reduziu o nível do Tapajós e dificultou o transporte de cargas pela hidrovia.

Diante desse cenário, a avaliação das entidades é de que uma intervenção preventiva poderia evitar problemas maiores durante o período de seca.

Dragagem poderia ser custeada pelo setor privado

As entidades defendem ainda que a manutenção da hidrovia seja realizada sem utilização de recursos públicos.

O documento menciona um acordo de cooperação entre o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) e a Associação Brasileira para o Desenvolvimento da Navegação Interior (Abani), que permite a participação da iniciativa privada na execução de serviços de dragagem de manutenção.

Segundo o setor produtivo, esse modelo possibilitaria realizar a intervenção sem gerar despesas para o governo federal. A solicitação é para que a alternativa seja viabilizada antes do período de estiagem mais intenso.

Pedido também envolve outras hidrovias

A preocupação das entidades não está restrita ao Tapajós. O documento também chama atenção para a necessidade de manutenção contínua de hidrovias estratégicas, citando como exemplo o Rio Madeira.

A intenção é reduzir a vulnerabilidade da matriz logística brasileira diante de períodos de seca e garantir alternativas para o transporte de grandes volumes de commodities.

O novo pedido foi apresentado aproximadamente dois meses depois de a FPA encaminhar outra solicitação ao governo federal para assegurar as condições de navegação no Tapajós. De acordo com a frente parlamentar, as medidas solicitadas anteriormente ainda não haviam sido executadas.

Agora, as entidades esperam que o Ministério da Agricultura e Pecuária intensifique a articulação com a Casa Civil e demais órgãos envolvidos para viabilizar os serviços de manutenção nos pontos considerados críticos antes do período mais severo de estiagem.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: José Cruz/Agência Brasil

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Notícias

Governo Federal articula força-tarefa em Santa Catarina para resposta rápida aos impactos do El Niño

Reunião no Porto de Itajaí mobilizou representantes de órgãos federais que atuarão de forma integrada no atendimento à população, empresas, agricultores e municípios diante de possíveis eventos climáticos extremos

O Governo Federal está articulando uma força-tarefa em Santa Catarina para garantir uma resposta rápida e coordenada aos possíveis impactos do fenômeno El Niño. A mobilização reúne representantes de ministérios, órgãos e instituições federais no estado que serão responsáveis pela articulação e pelo atendimento imediato à população, empresas, agricultores, municípios e demais setores que possam ser afetados por eventos climáticos extremos.

A estratégia foi discutida nesta terça-feira (25), durante a 3ª Reunião do Fórum de Gestores Federais de Santa Catarina, realizada na Superintendência do Porto de Itajaí. A atuação será integrada e coordenada pela Casa Civil da Presidência da República, com apoio da Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da República, fortalecendo a conexão entre a estrutura do Governo Federal em Santa Catarina, o Estado, os municípios e as estruturas locais de resposta.

O ministro-chefe da Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da República, José Guimarães, participou da abertura por videoconferência e destacou a necessidade de antecipar ações.

“Esse fenômeno El Niño pode trazer graves consequências para o Brasil, tanto do ponto de vista dos seres humanos quanto do ponto de vista da nossa economia. É preciso que o Governo Federal atue preventivamente, em conjunto com estados e municípios, para enfrentar o fenômeno de forma coordenada”, afirmou.

Segundo o ministro, a articulação nacional envolve 24 ministérios e instituições e considera as diferentes características e possíveis impactos do fenômeno em cada região brasileira. No Sul, a atenção está voltada principalmente à possibilidade de chuvas intensas e enchentes, enquanto outras regiões podem enfrentar períodos de seca, ondas de calor e queimadas.

R$ 1,335 bilhão para preparação e resposta em todo o país

O planejamento nacional apresentado durante o encontro prevê R$ 1,335 bilhão para todo o país em ações de preparação e resposta a possíveis eventos climáticos extremos associados ao El Niño.

Entre as ações estão o fortalecimento do monitoramento realizado por estruturas como o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), a ampliação das redes de acompanhamento meteorológico, a identificação de áreas de risco, o aprimoramento dos sistemas de alerta e medidas para garantir serviços essenciais, abastecimento de alimentos, energia e combustíveis.

Estrutura federal mobilizada em Santa Catarina

Durante a reunião, os representantes federais apresentaram estruturas, protocolos e ações que já estão disponíveis em diferentes áreas e que poderão ser mobilizados diante de uma eventual emergência.

Áreas como saúde, agricultura e agricultura familiar, abastecimento e segurança alimentar, meio ambiente, proteção social, fiscalização, segurança, transportes, telecomunicações, inteligência, trabalho e comunicação em situações de desastre já possuem ações que poderão ser integradas conforme a necessidade.

A proposta da força-tarefa é justamente conectar essas estruturas para que, diante de uma situação crítica, cada órgão conheça previamente sua responsabilidade e os canais de articulação, reduzindo o tempo de resposta e facilitando a chegada do Governo Federal aos municípios e às comunidades atingidas.

As ações podem envolver desde o acompanhamento das condições meteorológicas e emissão de alertas até atendimento à população, assistência social, apoio aos agricultores, fiscalização ambiental, segurança, abastecimento, infraestrutura e suporte aos setores econômicos eventualmente afetados. Além do Protocolo Mulheres em Emergências Climáticas, que estabelece diretrizes para a proteção dos direitos das mulheres durante situações de risco e desastres.

Articulação permanente

A reunião foi conduzida por Josias Lech, gerente de Assuntos Federativos da Secretaria Especial de Assuntos Federativos (SEAF), da Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da República.

**Participaram do encontro **representantes da Advocacia-Geral da União (AGU), Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Agência Nacional de Mineração (ANM), Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Caixa Econômica Federal, Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), Correios, Embratur, Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), Ministério da Cultura (MinC), Ministério da Saúde, Ministério das Mulheres, Polícia Rodoviária Federal (PRF), Receita Federal do Brasil, Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da República (SRI), Superintendência do Patrimônio da União em Santa Catarina (SPU/SC), Superintendência do Porto de Itajaí, Superintendência Federal de Pesca e Aquicultura em Santa Catarina (SFPA/SC), Superintendência Federal do Desenvolvimento Agrário em Santa Catarina e Superintendência Regional do Trabalho e Emprego em Santa Catarina (SRTE/SC).

Porto de Itajaí reforça preparação

“Estamos em uma posição de, eventualmente, sermos bastante impactados, então estamos tentando tomar medidas para evitar esses danos ou minimizá-los ao máximo. Ter todos esses órgãos aqui reunidos para discutir e buscar auxílio é de suma importância”, afirmou Artur Antunes Pereira, superintendente do Porto de Itajaí.

Em maio deste ano, a Superintendência instituiu a Comissão Especial de Monitoramento e Avaliação dos Potenciais Impactos do Fenômeno Climático El Niño, responsável pelo acompanhamento dos cenários meteorológicos e hidrológicos e pelo apoio à definição de medidas preventivas. O Porto também estabeleceu o Protocolo de Prevenção, Preparação, Monitoramento e Contingência para Eventos Hidrometeorológicos.

FONTE: Porto de Itajaí

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Transporte

Estiagem na Amazônia reduz navegabilidade dos rios e eleva custo do transporte de cargas

A previsão de uma estiagem mais intensa na Amazônia, influenciada pelo El Niño, já começa a alterar a logística do transporte de mercadorias na região. Com a queda no nível dos rios, armadores passaram a cobrar sobretaxas para compensar os custos adicionais provocados pelas condições adversas de navegação.

Ao mesmo tempo, empresas responsáveis por rodovias e uma companhia aérea reforçam o monitoramento diante da possibilidade de eventos climáticos extremos, como tempestades, queimadas e inundações.

Armadores cobram sobretaxa para cargas com destino a Manaus

A MSC Brasil comunicou em agosto que passará a cobrar a chamada Low Water Surcharge, ou sobretaxa por baixo nível de água, nos embarques destinados a Manaus a partir de 5 de setembro.

A cobrança será de US$ 1.400 por contêiner seco, valor superior a R$ 7.200 na cotação considerada, e de US$ 1.900 por contêiner refrigerado, equivalente a cerca de R$ 9.900.

Segundo a empresa, a tarifa tem caráter excepcional e temporário e poderá ser revista ou retirada conforme a evolução da seca e as condições de calado do rio Amazonas.

Outra companhia do setor, a Ocean Network Express (ONE), também informou aos clientes que adotará uma sobretaxa de US$ 1.458, aproximadamente R$ 7.600, por contêiner, independentemente do tipo.

A cobrança valerá para importações de qualquer origem com destino a Manaus a partir de setembro. Para exportações partindo de Manaus, a taxa será aplicada a todos os destinos a partir de outubro.

A empresa afirmou que a expectativa de queda significativa dos níveis dos rios deverá prejudicar a navegabilidade e restringir o transporte marítimo, aumentando os custos necessários para manter as operações.

Cabotagem brasileira também pode ser afetada

O impacto não deve ficar restrito às rotas internacionais. Augusto César Rocha, coordenador da Comissão de Logística do CIEAM (Centro da Indústria do Estado do Amazonas), avalia que o transporte de cargas entre portos brasileiros também poderá sofrer com cobranças adicionais.

Segundo ele, a cabotagem provavelmente terá de adotar sobretaxas, embora as empresas tenham maior capacidade de reagir próximo ao momento do problema devido à menor duração das viagens dentro do país.

Píer temporário será usado para enfrentar a seca

Para reduzir os efeitos da baixa dos rios, o Grupo Chibatão prepara novamente uma estrutura temporária de apoio à movimentação de cargas.

O píer, atualmente instalado em Manaus, deverá ser transferido para Itacoatiara (AM) entre setembro e outubro. A previsão é que comece a funcionar em novembro.

A estrutura permitirá o transbordo de cargas, transferindo mercadorias de navios para balsas. Por serem menores e mais leves, as embarcações conseguem operar em trechos com menor profundidade.

O equipamento possui 277,5 metros de comprimento e 24 metros de largura, com capacidade para realizar sete movimentos de guindaste por hora.

Johny Fidelis Ramos, diretor-executivo do Grupo Chibatão, estima que a operação representará um custo adicional de R$ 80 milhões, considerando despesas com funcionários, alimentação, hospedagem, combustível e transporte.

O mesmo píer foi utilizado em 2024, durante outro período de seca severa na Amazônia. Segundo Ramos, deslocar parte da estrutura para Itacoatiara reduz o risco financeiro de manter equipamentos parados caso os navios não consigam chegar ao terminal.

Calado do Canal do Panamá preocupa setor

A logística brasileira também poderá ser afetada pelas condições do Canal do Panamá. Leandro Carelli, sócio da consultoria Solve Shipping, afirma que a redução do calado permitido na hidrovia tende a limitar a quantidade de carga transportada pelos navios.

A autoridade do canal reduziu o limite máximo para as eclusas Neopanamax, utilizadas pelas maiores embarcações que atravessam a via. O calado, que em condições normais chegava a 50 pés (15,24 metros), passará para 47,5 pés (14,48 metros) a partir de 3 de setembro.

A medida pode atingir especialmente cargas provenientes da Ásia com destino à Zona Franca de Manaus e ao Nordeste brasileiro, já que parte significativa desse fluxo utiliza o Canal do Panamá.

Com menor calado autorizado, os navios podem precisar reduzir sua capacidade de carga para realizar a travessia com segurança.

Rodovias se preparam para eventos climáticos extremos

Enquanto a seca preocupa a navegação no Norte, concessionárias de rodovias intensificam o planejamento para enfrentar possíveis chuvas fortes, tempestades, queimadas e outros eventos climáticos extremos.

A Motiva, antiga CCR, identificou cerca de 5 mil medidas de mitigação que podem ser adotadas. A companhia está definindo quais ações terão prioridade e pretende apresentar o plano à diretoria executiva entre o fim de agosto e o início de setembro.

As intervenções podem envolver desde atividades preventivas mais simples, como limpeza das pistas, até obras de contenção de taludes e mudanças estruturais em pontes. Medidas de maior porte podem exigir participação do poder público e negociação de recursos.

Nos últimos anos, eventos climáticos severos já provocaram perdas expressivas para a empresa. As enchentes no Rio Grande do Sul, em 2024, e as chuvas que atingiram a Rio-Santos (BR-101), em 2022, geraram prejuízos estimados em aproximadamente R$ 500 milhões.

A EcoRodovias, por sua vez, informou manter estudos de vulnerabilidade climática e planos de adaptação voltados à definição de investimentos e protocolos para situações extremas.

Entre as medidas previstas estão melhorias em sistemas de drenagem, adequações estruturais, estabilização de encostas e ações contra incêndios e temperaturas elevadas. A companhia também utiliza tecnologias de monitoramento para acompanhar os riscos.

Azul reforça monitoramento meteorológico

No setor aéreo, a Azul mantém uma equipe de meteorologistas no Centro de Controle Operacional para acompanhar as condições climáticas durante 24 horas.

A companhia afirma investir em ferramentas capazes de ampliar a identificação e o monitoramento de fenômenos meteorológicos que possam afetar os voos.

Entre as tecnologias avaliadas está o uso de dados de vibração registrados pelos tablets utilizados pelos pilotos. Essas informações podem ajudar a identificar antecipadamente regiões com maior possibilidade de turbulência e instabilidade atmosférica.

O cenário climático, portanto, coloca diferentes segmentos da infraestrutura brasileira em estado de atenção, com impactos que vão do transporte fluvial e marítimo à operação de rodovias e aeroportos.

FONTE: Folha de São Paulo
TEXTO: Redação
IMAGEM: Divulgação/Grupo Chibatão

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Logística

Canal do Panamá limita fluxo diário de navios diante de El Niño intenso

A Autoridade do Canal do Panamá anunciou novas restrições ao tráfego de embarcações diante da expectativa de um El Niño mais prolongado e intenso entre 2026 e 2027. A previsão é de redução nos níveis de água, o que levará a Canal do Panamá a diminuir gradualmente o número de navios autorizados a atravessar a hidrovia.

A partir de 4 de setembro, serão permitidos até 34 trânsitos por dia. Já em 15 de setembro, o limite cairá para 32 embarcações.

Canal do Panamá reduz número de travessias

Até junho de 2026, o canal registrava média de 35 travessias diárias, enquanto sua capacidade operacional chega a aproximadamente 40 embarcações por dia.

A decisão representa uma mudança em relação ao posicionamento adotado anteriormente. Em maio, autoridades haviam informado à Reuters que não planejavam impor novas restrições à passagem de navios durante este ano. Desde 2025, porém, a administração já vinha adotando medidas para preservar os recursos hídricos.

Pelas novas regras, a partir de 4 de setembro, as eclusas Neopanamax terão nove vagas diárias, enquanto as antigas eclusas Panamax contarão com 25. Em 15 de setembro, o número de vagas nas Panamax será reduzido novamente, passando para 23 por dia.

Chuvas abaixo da média pressionam recursos hídricos

A situação é agravada pela queda nas precipitações. Segundo a autoridade responsável pelo canal, as chuvas registradas entre maio e agosto ficaram 34% abaixo da média histórica. Nos afluentes que abastecem a bacia hidrográfica, a redução chegou a 44% em relação ao padrão normal.

A administração alerta que a intensidade esperada do El Niño 2026-2027 pode provocar uma nova redução das chuvas. O cenário representa um risco tanto para a operação sustentável da hidrovia quanto para o abastecimento de água da população local.

Restrição de calado também é adiada

Além de limitar o número de travessias, o Canal do Panamá já vinha adotando medidas relacionadas ao calado dos navios, que corresponde à profundidade necessária para que uma embarcação navegue com segurança.

Quando o limite de calado é reduzido, os navios podem ser obrigados a diminuir a quantidade de carga transportada para conseguir atravessar o canal.

A autoridade decidiu ainda adiar algumas reduções de calado que estavam programadas. Nas eclusas Neopanamax, o limite de 14,63 metros, inicialmente previsto, foi postergado para 2 de setembro. Uma redução posterior, para 14,48 metros, ficou para 1º de outubro.

Experiência da seca de 2023 e 2024 orienta medidas

O administrador do Canal do Panamá, Ricaurte Vásquez, afirmou que o atual fenômeno climático pode persistir por mais tempo do que o inicialmente previsto. Segundo ele, a experiência adquirida durante a seca de 2023 e 2024 permite à administração combinar restrições de tráfego e limites de calado para enfrentar o período de menor disponibilidade de água.

“ A experiência de 2023 e 2024 nos preparou bem para o que sabemos e nos deu a disciplina para lidar com o que não sabemos. O canal não improvisa”, afirmou Vásquez durante um evento empresarial realizado na quarta-feira.

A estratégia busca preservar os níveis dos reservatórios e garantir a continuidade das operações do Canal do Panamá, ao mesmo tempo em que protege o abastecimento de água da região.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: REUTERS/Enea Lebrun

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Importação

Índia deve registrar importação recorde de óleo de soja em agosto

A Índia deve importar um volume histórico de óleo de soja em agosto, impulsionada pela combinação de preços competitivos, aumento da demanda antes das festividades de fim de ano e dificuldades nos embarques de óleo de girassol provocadas pela guerra entre Rússia e Ucrânia.

Estimativas de operadores do mercado indicam que as compras indianas de óleo de soja podem alcançar 620 mil toneladas em agosto, aproximadamente 46% acima da média mensal de 424.549 toneladas registrada na atual safra, iniciada em novembro.

A projeção foi feita por quatro operadores diretamente envolvidos nas negociações, que optaram por não revelar seus nomes devido às políticas de suas empresas.

Óleo de girassol perde espaço para soja

A interrupção de embarques no Mar Negro está alterando o perfil das importações indianas de óleos vegetais. Rússia e Ucrânia, que concentram grande parte das vendas de óleo de girassol destinadas à Índia, vêm enfrentando ataques contra estruturas portuárias e marítimas, afetando a capacidade de exportação.

Com isso, as importações indianas de óleo de girassol devem cair para cerca de 180 mil toneladas em agosto, o menor nível desde fevereiro de 2026. O volume representa uma redução de aproximadamente 28% em relação ao mês anterior.

Segundo um dos corretores consultados, cerca de 150 mil toneladas de óleo de girassol provenientes do Mar Negro, com embarques previstos para agosto e setembro, sofreram atrasos em razão do conflito.

Sandeep Bajoria, diretor-executivo da Sunvin Group, afirmou que o cenário tornou o óleo de soja mais competitivo para os compradores indianos.

A mudança é particularmente relevante no sul da Índia, região onde o óleo de girassol costuma ter forte preferência entre os consumidores. Diante das dificuldades de abastecimento, refinarias passaram a buscar alternativas no mercado de soja.

Mais portos recebem óleo de soja

A mudança na demanda também está alterando a logística de importação. Além dos portos de Kandla e JNPT, na costa oeste, os terminais de Krishnapatnam e Kakinada, no sul do país, passaram a receber carregamentos de óleo de soja.

A diversificação dos pontos de entrada acompanha o aumento das compras e ajuda as empresas a garantir o abastecimento em um momento de maior procura.

Preço favorece óleo de soja

Outro fator que contribui para o aumento das importações é a diferença de preços em relação ao óleo de palma.

O prêmio do óleo de soja sobre o óleo de palma caiu para aproximadamente US$ 50 por tonelada, ante mais de US$ 100 em abril. A redução tornou o produto mais atraente para os compradores indianos, que são particularmente sensíveis aos preços.

Enquanto isso, as cotações do óleo de palma subiram diante das preocupações com possíveis impactos de condições climáticas adversas sobre a produção e da decisão da Indonésia de ampliar o uso do produto na fabricação de biocombustíveis.

Um corretor de Nova Délhi estima que as importações indianas de óleo de soja podem superar novamente 600 mil toneladas em setembro. Segundo ele, o país já adquiriu quase 1,4 milhão de toneladas para embarque entre setembro e dezembro.

Índia amplia fornecedores de óleo de soja

Tradicionalmente, Argentina e Brasil respondem pela maior parte do óleo de soja comprado pela Índia. O cenário atual, porém, levou os importadores a ampliar a busca por fornecedores.

Além dos grandes exportadores sul-americanos, os compradores indianos estão contratando cargas provenientes de China, Egito, Tailândia e Turquia, inclusive para entregas de curto prazo.

A estratégia reflete a necessidade de garantir oferta diante das incertezas no mercado internacional de óleos vegetais.

Compras antecipadas ganham força

Os importadores também estão fechando negócios com vários meses de antecedência. Segundo um dos corretores, o custo de chegada do óleo de soja e do óleo de palma está praticamente nivelado para cargas programadas entre outubro e dezembro.

O óleo de girassol, por outro lado, está sendo negociado com um prêmio de quase US$ 200 por tonelada, o que reduz sua competitividade e aumenta o interesse pela soja.

A oferta abundante de óleo de soja também favorece a estratégia dos compradores. Ao mesmo tempo, existe preocupação com os possíveis efeitos do El Niño sobre a produção indiana de oleaginosas, o que incentiva as empresas a anteciparem parte das necessidades futuras.

Mercado indiano acompanha preços e oferta global

A Índia é um dos principais compradores mundiais de óleos vegetais e depende fortemente do mercado externo para atender ao consumo doméstico.

Além do óleo de soja e do girassol, o país importa grandes volumes de óleo de palma, principalmente da Indonésia, Malásia e Tailândia.

Com os problemas logísticos no Mar Negro e as mudanças nas relações de preços entre os diferentes óleos, a soja ganhou espaço nas compras indianas. Se as projeções dos operadores se confirmarem, agosto marcará um novo recorde nas importações do produto pelo país.

FONTE: Notícias Agrícolas
TEXTO: Redação
IMAGEM: Lucas Ninno Getty Images

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Logística

Super El Niño pode afetar produção de alimentos e logística na América Latina

A América Latina se prepara para a possibilidade de enfrentar um dos El Niños mais intensos já registrados, fenômeno que pode provocar impactos significativos sobre a produção agrícola, geração de energia, transporte e comércio na principal região exportadora de alimentos do mundo.

O El Niño ocorre quando as temperaturas da superfície do mar ficam acima do normal no Pacífico tropical central e oriental. A alteração interfere nos padrões climáticos em diferentes partes do planeta. Na América Latina, o fenômeno costuma provocar mais chuvas no Sul e aumentar o risco de seca nas áreas mais ao norte.

Os efeitos já começam a aparecer. Um inverno excepcionalmente chuvoso no Hemisfério Sul, alterações nos ecossistemas marinhos do Pacífico e períodos de estiagem no Caribe e na Amazônia estão entre os sinais observados.

Pesquisadores estimam que o fenômeno ganhe força a partir de setembro e possa superar a intensidade registrada no ciclo de 2015-2016, considerado o mais forte da era moderna.

Mais chuva pode favorecer lavouras no Sul

Nas áreas agrícolas da Argentina, Paraguai, Uruguai e sul do Brasil, o El Niño costuma provocar chuvas acima da média. Para a agricultura, o aumento da disponibilidade de água pode ser positivo, especialmente durante o período de plantio.

Segundo o meteorologista Germán Heinzenknecht, da Consultoria de Climatologia Aplicada da Argentina, o fenômeno pode favorecer as safras de soja, milho e trigo, principalmente ao melhorar a umidade do solo e ampliar a disponibilidade hídrica durante o verão, entre dezembro e fevereiro.

O excesso de chuva, porém, também traz riscos. A elevada umidade pode favorecer a ocorrência de doenças fúngicas e provocar a perda de nutrientes aplicados ao solo.

Chuvas intensas ameaçam estradas e infraestrutura

Um El Niño mais forte também pode aumentar a ocorrência de alagamentos e enchentes em áreas rurais e urbanas já vulneráveis.

Estradas de terra podem ficar intransitáveis, dificultando o acesso dos produtores às propriedades e comprometendo operações como aplicação de fertilizantes e defensivos agrícolas. Muitas dessas vias já apresentam condições precárias nas principais áreas agrícolas do Cone Sul.

A partir de setembro, períodos de chuva intensa também podem afetar cidades e corredores de transporte até os portos, criando novos obstáculos para o escoamento das exportações.

No Paraguai, as autoridades chegaram a colocar unidades militares em alerta e mobilizar equipes de engenharia diante da possibilidade de enchentes.

Costa do Pacífico pode enfrentar extremos opostos

Os impactos também devem variar dentro de um mesmo país.

No norte do Peru, por exemplo, o cenário esperado inclui maior risco de inundações, enquanto áreas montanhosas podem enfrentar escassez de água. A Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) prevê padrões semelhantes em partes do Chile e de outros países da costa do Pacífico.

O aquecimento das águas também pode alterar a distribuição de espécies marinhas. Algumas populações de peixes comerciais estão migrando para águas mais profundas, reduzindo a disponibilidade para a pesca.

No Peru, um dos principais produtores pesqueiros da região, a atividade caiu 31% nos cinco primeiros meses do ano.

El Niño pode aumentar demanda por gás e favorecer hidrelétricas

As diferenças na distribuição das chuvas também podem criar oportunidades no setor de energia.

Condições mais quentes e secas no norte e oeste do Brasil podem aumentar a necessidade de geração termelétrica e, consequentemente, elevar a demanda por gás natural argentino, segundo a Organização Latino-Americana de Energia (OLADE).

Ao mesmo tempo, o sul do Brasil e o nordeste da Argentina devem registrar aumento significativo das chuvas. A maior vazão do rio Paraná pode favorecer a geração de energia hidrelétrica ao longo de sua bacia.

Em julho, as chuvas nas bacias hidrográficas de usinas do Sul do Brasil chegaram a 256% da média histórica, de acordo com dados do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS).

Para Leydson Dantas, especialista do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), os efeitos do El Niño não são idênticos em todos os ciclos. Em determinadas regiões do Centro-Oeste e Sudeste brasileiro, por exemplo, o volume de chuva esperado para um mês pode se concentrar em poucos dias.

Seca ameaça hidrovias da Amazônia

Enquanto o Sul pode receber mais água, o Norte do Brasil enfrenta o risco oposto.

A previsão de condições mais secas aumenta a possibilidade de redução dos níveis dos rios da Bacia Amazônica, uma rede hidroviária essencial para o transporte de mercadorias e especialmente importante para o escoamento da produção de soja brasileira.

O cenário climático também eleva os riscos de seca, calor extremo e incêndios em partes do Brasil, Colômbia e Venezuela, com possíveis consequências para lavouras e criação de animais.

Canal do Panamá enfrenta pressão sobre disponibilidade de água

Os efeitos do El Niño podem alcançar rotas estratégicas do comércio internacional. No Canal do Panamá, a autoridade responsável pela operação vem ampliando as restrições ao peso das embarcações para preservar a água doce utilizada no funcionamento da via e no abastecimento da população.

As previsões indicam que o país pode enfrentar uma seca tão severa quanto a registrada durante o episódio de El Niño de 2023-2024.

Como um novo reservatório planejado para reforçar o abastecimento ainda não estará pronto, a autoridade do canal vem reduzindo gradualmente os limites de calado dos navios. Na prática, embarcações com maior restrição de calado precisam transportar menos carga.

A medida pode elevar os custos do transporte marítimo e aumentar o risco de interrupções no comércio global.

Comércio internacional pode sentir os efeitos

O Panamá está entre os países com maior volume de chuvas do mundo. Por isso, uma redução significativa das precipitações é considerada um importante sinal de alerta para as condições hídricas da região.

Até o momento, a autoridade do Canal do Panamá afirma não esperar reduzir o número diário de embarcações autorizadas a atravessar a rota, a menos que isso se torne indispensável.

A pressão sobre a passagem, porém, já aumentou. Leilões de última hora para obtenção de vagas chegaram a movimentar milhões de dólares, enquanto empresas buscam alternativas diante de problemas em outras rotas marítimas, incluindo as afetadas pelas tensões de segurança no Oriente Médio.

Se o super El Niño confirmar a intensidade projetada, seus efeitos poderão ultrapassar a agricultura e atingir toda a cadeia de abastecimento, da produção de alimentos e geração de energia até as hidrovias, portos e principais corredores do comércio internacional.

FONTE: Reuters
TEXTO: Redação
IMAGEM: REUTERS/Martin Cossarini

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Portos

Porto de Itajaí antecipa draga para reforçar dragagem do canal diante dos efeitos do El Niño

A Superintendência do Porto de Itajaí decidiu antecipar a mobilização de uma draga de sucção do tipo hopper para reforçar a manutenção do canal de acesso ao Complexo Portuário de Itajaí. O equipamento deve chegar entre quarta (12) e quinta-feira (13) e integra uma estratégia preventiva diante das condições climáticas associadas ao El Niño e do aumento da descarga do Rio Itajaí-Açu.

A nova campanha de dragagem estava inicialmente programada para ocorrer em setembro, mas foi antecipada pela autoridade portuária. A medida busca preservar a navegabilidade do canal, aumentar a segurança das operações e oferecer maior previsibilidade aos armadores, terminais e demais empresas que integram o trade portuário.

Autoridade Marítima aumentou folga adicional de segurança

Na terça-feira (11) a Autoridade Marítima também ampliou a margem de segurança abaixo da quilha dos navios que operam no Complexo Portuário de Itajaí e Navegantes. A folga adicional passou de 0,3 metro para 0,8 metro, após levantamentos batimétricos identificarem redução de 1,4 metro na profundidade em parte da Bacia de Evolução nº 1, que passou de 13,6 para 12,2 metros. Na prática, o aumento da distância de segurança entre a quilha e o fundo do canal reduz o calado operacional disponível para as embarcações e pode limitar o volume de carga transportado pelos navios. A medida é preventiva e temporária e permanecerá em vigor enquanto as condições batimétricas permanecerem alteradas.

Porto de Itajaí diz que canal está com 14 metros

A última campanha realizada com uma draga hopper ocorreu no início de junho. Desde então, os trabalhos de manutenção vêm sendo conduzidos também pela draga Njord, que executa dragagem por aspersão ao longo do canal do Rio Itajaí-Açu.

Nesta terça-feira (11), técnicos da Superintendência do Porto de Itajaí acompanharam presencialmente as operações. Durante a inspeção, foi constatado que o canal permanece navegável, com profundidade de até 14 metros.

A chegada da nova draga deverá ampliar a capacidade de remoção e controle dos sedimentos acumulados no fundo do rio. O equipamento opera por meio da sucção do material, reforçando as ações já realizadas pela Njord.

O Porto de Itajaí monitora os impactos do El Niño sobre as condições do canal desde 10 de junho de 2026. Entre os efeitos identificados está a presença de lama fluida e o aumento da sedimentação.

Nas últimas semanas, o volume de chuvas também contribuiu para elevar o nível e a vazão do Rio Itajaí-Açu. Esse cenário aumenta o transporte de sedimentos em direção ao canal de acesso ao complexo portuário e exige acompanhamento contínuo das condições de navegabilidade.

Segundo o superintendente do Porto de Itajaí, Artur Antunes Pereira, a antecipação da campanha representa uma ação preventiva para evitar impactos sobre as operações. “Hoje nossa equipe acompanhou o trabalho da dragagem por aspersão ao longo do canal e verificou que o canal permanece navegável, com profundidade de até 14 metros.”

De acordo com o superintendente, a decisão de antecipar a mobilização, que normalmente ocorreria apenas em setembro, busca garantir segurança à navegação e maior previsibilidade para o mercado.

Monitoramento do canal continua

A Superintendência do Porto de Itajaí informou que seguirá acompanhando permanentemente as condições do canal. As ações são realizadas em conjunto com a Van Oord e poderão ser ajustadas conforme a evolução das condições climáticas e da sedimentação.

Após a atuação da draga hopper, novos levantamentos deverão ser realizados para avaliar as condições do canal e orientar as próximas medidas de manutenção.

A estratégia adotada pela autoridade portuária tem como foco manter a segurança da navegação, assegurar a continuidade das operações e reduzir possíveis impactos das condições climáticas sobre o Complexo Portuário de Itajaí.

Fonte: Superintendência do Porto de Itajaí

Texto: Redação

Imagem: Divulgação Porto de Itajaí

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