Agricultura

Algodão pode ganhar força em 2026/27 com oferta global mais ajustada

O mercado internacional de algodão começa a safra 2026/27 diante de uma relação mais estreita entre oferta e demanda. De acordo com análise do Itaú BBA, o cenário pode contribuir para dar sustentação às cotações da fibra ao longo do novo ciclo.

A instituição projeta uma produção mundial de algodão de 25,5 milhões de toneladas, enquanto o consumo global é estimado em 26,8 milhões de toneladas. A diferença resultaria em um déficit próximo de 1,2 milhão de toneladas.

Com a demanda acima da produção, os estoques globais devem recuar de 16,4 milhões de toneladas na safra 2025/26 para 15,2 milhões de toneladas em 2026/27.

Segundo o Itaú BBA, esse equilíbrio mais apertado torna os preços mais vulneráveis a eventuais problemas de produção nos principais países produtores e exportadores.

Estoques chineses reduzem oferta disponível no mercado

A relação entre oferta e demanda fica ainda mais restrita quando os estoques mantidos pela China são retirados da conta. Isso ocorre porque uma parcela relevante dessas reservas possui menor disponibilidade para o comércio internacional.

Nesse cenário, eventuais perdas de produção nos Estados Unidos, Índia ou China poderiam ampliar a pressão sobre as cotações internacionais do algodão.

Brasil amplia presença nas exportações de algodão

O Brasil encerrou a safra 2025/26 com produção recorde de aproximadamente 4,4 milhões de toneladas de pluma, mesmo diante de uma redução de 6,3% na área cultivada, que ficou próxima de 2,07 milhões de hectares.

O desempenho foi favorecido por condições climáticas consideradas favoráveis, pelo aumento da participação de áreas irrigadas e pela adoção de novas tecnologias, fatores que ajudaram a compensar a menor área plantada.

As exportações brasileiras de algodão também alcançaram recorde no ano comercial 2025/26, com 3,4 milhões de toneladas embarcadas.

A China importou 1,5 milhão de toneladas da fibra no período. Desse total, 784 mil toneladas tiveram origem no Brasil, o equivalente a 51% das compras chinesas.

Mercado brasileiro diversifica destinos

A China continua sendo um importante mercado para o algodão brasileiro, mas os embarques vêm alcançando outros países.

Em agosto de 2026, a Índia respondeu por 26% das exportações brasileiras da fibra. Na sequência apareceram Paquistão, Bangladesh, Vietnã e Turquia.

Na avaliação do Itaú BBA, a ampliação desses mercados reduz a dependência brasileira em relação à China e aproxima o país de importantes centros mundiais de processamento e transformação do algodão.

Alta dos preços melhora margem do produtor

A recuperação das cotações do algodão também trouxe melhora para a rentabilidade dos produtores brasileiros.

Entre o início de julho e a primeira metade de setembro, o preço da fibra no mercado interno, considerando a referência de Rondonópolis (MT), avançou 6,4%, chegando a R$ 4,04 por libra-peso.

No mercado futuro de Nova York, a valorização acumulada desde julho superou 8%. A média passou de US$ 0,775 para US$ 0,84 por libra-peso na primeira quinzena de setembro.

A alta também favoreceu a relação de troca do algodão com importantes fertilizantes, como MAP, ureia e KCl. Com isso, foi necessária uma quantidade menor da fibra para adquirir os mesmos volumes desses insumos.

Margem do algodão de segunda safra sobe em Mato Grosso

Diante da melhora dos preços, o Itaú BBA revisou sua estimativa para a margem agrícola do algodão de segunda safra em Mato Grosso.

A projeção para 2026/27 passou de 26% para aproximadamente 38%. A estimativa anterior, divulgada em abril, considerava os preços observados naquele momento.

A melhora da rentabilidade pode aumentar a atratividade do algodão em relação a outras opções de segunda safra e estimular o crescimento da área cultivada no próximo ciclo.

Área brasileira pode superar 2,2 milhões de hectares

As primeiras projeções do banco indicam que a área plantada com algodão no Brasil poderá ultrapassar os 2,2 milhões de hectares registrados na safra 2024/25.

Mesmo com uma possível expansão do cultivo, a produção nacional projetada para 2026/27 é de 4,2 milhões de toneladas, abaixo do recorde de 4,4 milhões de toneladas alcançado no ciclo anterior.

A diferença está relacionada a uma perspectiva mais conservadora para a produtividade das lavouras.

El Niño aparece como fator de risco

Entre os principais pontos de atenção para a próxima safra está o comportamento do El Niño. Segundo o relatório, o fenômeno pode provocar maior irregularidade nas chuvas em áreas do Centro-Oeste e do Matopiba durante o desenvolvimento do algodão de segunda safra.

Em Mato Grosso, a definição da área cultivada também dependerá da competitividade do algodão diante do milho e do calendário de plantio da soja.

Caso as chuvas atrasem, a janela disponível para a implantação do algodão pode ser reduzida, afetando as decisões dos produtores.

Produção de algodão dos EUA é revisada para baixo

Nos Estados Unidos, o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) reduziu sua estimativa para a produção de algodão na safra 2026/27.

A projeção passou de 2,96 milhões de toneladas em agosto para 2,87 milhões de toneladas em setembro, após a piora das condições das lavouras durante o verão.

A produtividade média estimada também recuou, de 0,96 tonelada por hectare na safra anterior para 0,87 tonelada por hectare no novo ciclo.

Na semana encerrada em 13 de setembro, apenas 36% das lavouras norte-americanas estavam classificadas entre boas e excelentes. No mesmo período de 2025, esse percentual era de 52%.

Outro fator de preocupação é a seca nos Estados Unidos. No início de setembro, cerca de 59% da área destinada ao algodão apresentava algum nível de estiagem, com situação especialmente crítica no Texas, principal estado produtor.

Com a revisão para baixo na produção, os estoques finais norte-americanos foram estimados em 780 mil toneladas. A previsão para as exportações, entretanto, permaneceu em 2,7 milhões de toneladas.

China e Índia também trazem incertezas

A produção chinesa de algodão também deve diminuir em 2026/27. O adido agrícola do USDA estima 7,1 milhões de toneladas, queda de 5,6% em relação à temporada anterior. A previsão oficial do departamento é um pouco maior, de 7,3 milhões de toneladas.

A retração está associada principalmente à redução da área cultivada em Xinjiang e a condições climáticas menos favoráveis.

Embora o consumo chinês de algodão permaneça próximo de 9 milhões de toneladas, o Itaú BBA observa que a diferença entre produção e consumo não significa necessariamente um aumento proporcional das importações.

A China conta com estoques elevados e utiliza mecanismos como cotas de importação e reservas governamentais. Além disso, o ritmo das compras externas depende da rentabilidade da indústria têxtil do país.

Na Índia, por sua vez, o comportamento do El Niño e das monções está entre os principais fatores de risco. Uma eventual queda de produtividade poderia diminuir o algodão disponível para exportação e elevar a necessidade de importações para atender a indústria doméstica.

Maior oferta pode limitar repasse de preços

A chegada da nova safra tende a aumentar a disponibilidade de fibra no mercado. Com isso, as tradings podem ganhar maior poder de negociação, dificultando que toda a valorização observada em Nova York seja repassada aos produtores brasileiros.

O Itaú BBA aponta que o aumento da área cultivada e das exportações brasileiras pode ampliar esse risco durante a colheita de 2027.

Nesse contexto, a gestão comercial e de riscos ganha importância para preservar as margens dos produtores diante de possíveis oscilações do mercado.

Cenário internacional ainda depende da demanda

No cenário considerado pelo Itaú BBA, a menor produção norte-americana e a redução dos estoques mundiais tendem a oferecer sustentação às cotações internacionais do algodão, mantendo espaço para as exportações brasileiras.

Há, contudo, fatores que podem pressionar os preços. Entre eles estão uma eventual desaceleração da economia mundial, menor consumo da indústria têxtil, redução das compras chinesas ou uma produção brasileira superior às expectativas.

A concorrência das fibras sintéticas, principalmente o poliéster, também permanece como um fator que limita uma recuperação mais forte da demanda global por algodão.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Divulgação/Agritech

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Portos

Porto de Itajaí terá sistema de monitoramento de R$ 4,48 milhões

O Porto de Itajaí vai receber um sistema de monitoramento em tempo real para acompanhar as condições do canal de acesso ao complexo portuário. A iniciativa, estimada em R$ 4,48 milhões, foi contratada em caráter emergencial diante da previsão de impactos provocados pelo fenômeno El Niño em Santa Catarina.

A mudança busca ampliar a segurança das operações em um cenário de alterações nas condições meteorológicas e no comportamento do Rio Itajaí-Açu, fatores que podem interferir diretamente na navegabilidade do canal e nas manobras de embarcações.

A contratação emergencial foi publicada no Diário Oficial da União nesta segunda-feira (14). O serviço prevê acompanhamento contínuo, 24 horas por dia, de indicadores como correnteza, maré, ondas, vento, visibilidade e chuva.

Sistema vai monitorar 9,3 quilômetros do acesso aquaviário

De acordo com a Superintendência do Porto de Itajaí (SPI), a estrutura contará com quatro estações físicas e dois pontos destinados à modelagem numérica.

O sistema deverá abranger aproximadamente 9,3 quilômetros do acesso aquaviário ao complexo portuário, contemplando desde a área externa até as bacias de evolução e os berços de atracação.

A coleta permanente de informações permitirá acompanhar as condições do canal antes e durante as operações, oferecendo dados para subsidiar decisões relacionadas ao acesso e à movimentação dos navios.

Dados em tempo real devem apoiar manobras de navios

A expectativa da Autoridade Portuária é utilizar as informações para identificar alterações nas condições do canal de navegação e responder com maior rapidez a eventuais mudanças no Rio Itajaí-Açu.

Além das informações sobre o rio, o monitoramento das condições meteorológicas deverá contribuir para uma avaliação mais precisa dos cenários enfrentados pelas embarcações que entram e saem do Porto de Itajaí.

O objetivo é aumentar a previsibilidade da navegação e oferecer mais elementos técnicos para as decisões tomadas durante as operações portuárias.

El Niño aumenta preocupação com navegabilidade

Segundo a SPI, a contratação emergencial está relacionada às condições esperadas para a região durante o período de influência do El Niño.

A documentação técnica utilizada no processo aponta que o fenômeno pode intensificar o assoreamento e aumentar a variabilidade hidrodinâmica do estuário. Essas alterações podem tornar as condições de navegação mais instáveis e difíceis de prever.

Nesse contexto, o acompanhamento contínuo dos parâmetros ambientais busca ampliar a capacidade de identificar riscos e adaptar as operações às condições observadas.

Contrato terá duração de até 180 dias

O contrato foi firmado com a empresa UMI SAN Serviços de Apoio à Navegação e Engenharia Ltda., pelo valor de R$ 4,48 milhões.

A contratação terá duração máxima de 180 dias. Durante esse período, o sistema deverá operar de forma permanente, mantendo o monitoramento das condições do canal de acesso ao complexo.

A medida integra as ações adotadas para reforçar a segurança portuária durante um período de maior instabilidade climática. A disponibilidade de dados em tempo real sobre o rio e o clima deverá auxiliar na antecipação de possíveis riscos e no planejamento das operações de navegação.

FONTE: NSC Total
TEXTO: Redação
IMAGEM: SPI

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Notícias

Dragagem do Rio Tapajós é vetada pelo governo e ameaça escoamento de grãos no Norte

A decisão do governo de Luiz Inácio Lula da Silva de não autorizar, neste momento, a dragagem de manutenção do Rio Tapajós aumenta a preocupação com a navegação na região em um período de estiagem que pode ser agravado pelo El Niño. Segundo representantes do setor privado e pessoas familiarizadas com o tema, uma eventual interrupção da hidrovia poderia comprometer o transporte de soja e milho e gerar perdas de até R$ 850 milhões.

Além dos impactos sobre a exportação de grãos, existe preocupação com o abastecimento e a mobilidade das comunidades que vivem às margens do rio. Representantes do setor produtivo e autoridades que acompanham o caso afirmam que estudos técnicos apontavam a necessidade da intervenção e que o procedimento poderia ser realizado sem custo para a União.

Hidrovia do Tapajós ganha importância no transporte de grãos

A hidrovia do Tapajós se consolidou como um dos principais corredores logísticos do Arco Norte, especialmente para o transporte de grãos produzidos no Norte de Mato Grosso até os portos do Pará.

Dados do governo mostram a expansão desse sistema nos últimos anos. O volume total de cargas transportadas pela hidrovia passou de 100 mil toneladas, em 2010, para 16,8 milhões de toneladas no ano passado.

Atualmente, quase 40% dos embarques brasileiros de grãos utilizam o Arco Norte. O modal hidroviário é considerado uma alternativa de maior capacidade, com custos de transporte mais baixos e menor impacto ambiental em comparação com o transporte exclusivamente rodoviário.

Seca pode reduzir capacidade de transporte no rio

A redução do nível dos rios durante o período de estiagem é um fenômeno recorrente na região amazônica. A preocupação aumenta diante da possibilidade de um El Niño forte, que pode intensificar a seca e comprometer a profundidade necessária para a circulação das embarcações.

Nesse cenário, a dragagem de manutenção tem a função de retirar sedimentos acumulados pelo assoreamento em pontos específicos do leito. O procedimento não tem como objetivo modificar as características naturais do rio.

A intervenção planejada abrangeria o trecho entre Itaituba e Santarém, no Pará. A execução seria conduzida pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), em parceria com a Associação Nacional de Navegação Interior (Abani), conforme convênio firmado em novembro do ano passado. A operação, segundo as informações apresentadas, não representaria despesas para a União.

Estudos apontavam sete pontos críticos

Interlocutores que acompanham o processo afirmam que o DNIT elaborou estudos técnicos para identificar sete pontos considerados críticos para a segurança da navegação.

O projeto de dragagem teria recebido aprovação da Marinha e da Secretaria de Meio Ambiente do Pará. Também foram realizados testes laboratoriais em amostras de solo e água, com o objetivo de verificar os possíveis efeitos ambientais e sua adequação aos parâmetros estabelecidos pelo Conama.

Ainda segundo essas informações, a intervenção respeitaria uma distância de 10 quilômetros de comunidades indígenas, condição apontada como suficiente para dispensar a realização de consulta prévia.

Governo interrompe processo após manifestações de comunidades

No fim de julho, o Palácio do Planalto decidiu suspender a continuidade da dragagem. A decisão ocorreu depois de manifestações de comunidades indígenas e ribeirinhas preocupadas com possíveis impactos ambientais.

Pessoas que conhecem as tratativas avaliam que a questão também passou a ter uma dimensão política em razão do calendário eleitoral. Técnicos e representantes do setor privado, porém, demonstram preocupação com as consequências da suspensão diante da previsão de queda do nível do rio.

Segundo dados da Agência Nacional de Águas (ANA), o nível do Tapajós em Itaituba terminou agosto em 452 centímetros. A projeção indicava possibilidade de chegar a 300 centímetros a partir de 18 de setembro, abaixo do chamado nível de restrição para a navegação.

Cada comboio pode transportar até 2 mil toneladas de grãos. À medida que o nível da água diminui, a quantidade de carga por embarcação também precisa ser reduzida, podendo chegar a um ponto em que o transporte pela hidrovia deixa de ser economicamente viável.

Histórico de estiagem aumenta preocupação

O receio também considera o que ocorreu nos últimos anos. Em 2024, a estiagem provocou aproximadamente 45 dias de interrupção da navegação em trechos considerados críticos. O problema também afetou o deslocamento de comunidades ribeirinhas.

O período mais sensível costuma ocorrer entre outubro e janeiro. Quanto mais avançada estiver a estiagem, mais complexa se torna a realização de uma eventual dragagem.

Em carta encaminhada ao presidente Lula no início de agosto, entidades do setor privado alertaram para os efeitos registrados durante a estiagem de 2024. Segundo as associações, houve falta de insumos básicos, aumento do custo de vida, redução da renda real e agravamento da insegurança alimentar nas áreas afetadas.

O documento solicitava uma reunião com o presidente para discutir medidas relacionadas à navegação no Tapajós. Entre os signatários estão Abani, Moveinfra, Confederação Nacional do Transporte (CNT), Confederação Nacional da Indústria (CNI), Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base (ABDIB), Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP) e Federação das Indústrias do Estado do Pará, entre outras entidades.

BR-163 é alternativa, mas setor aponta custos maiores

Caso a navegação seja interrompida, uma das alternativas consideradas pelo governo é utilizar o transporte rodoviário pela BR-163. O setor privado, entretanto, argumenta que essa opção apresenta custos e riscos superiores.

Outra possibilidade seria redirecionar parte das cargas para o Sul do país, utilizando rodovias e ferrovias com destino aos portos de Santos e Paranaguá.

Segundo a Moveinfra, um comboio formado por 35 barcaças consegue transportar aproximadamente 70 mil toneladas de grãos. O volume equivale à capacidade de cerca de 1.700 caminhões ou seis composições ferroviárias.

Paralisação pode retirar milhões de toneladas da hidrovia

A estimativa do setor é que uma interrupção da navegação durante três ou quatro meses poderia impedir o transporte de até 5 milhões de toneladas de grãos pelo Tapajós.

O impacto financeiro direto é estimado entre R$ 500 milhões e R$ 850 milhões. A substituição do transporte hidroviário por alternativas terrestres também poderia aumentar as emissões de gases de efeito estufa, com uma projeção de aproximadamente 55 mil toneladas adicionais de CO₂.

Para Ronei Glanzmann, presidente da Moveinfra, a ausência da dragagem não elimina os problemas de navegação e pode transferi-los para outras áreas. Ele argumenta que as alternativas rodoviárias e ferroviárias são mais caras e podem gerar impactos ambientais adicionais.

Glanzmann também afirma que a dragagem envolve critérios técnicos, acompanhamento e medidas de proteção ambiental. Na avaliação dele, a interrupção da hidrovia afeta não apenas a cadeia de exportação, mas também o fornecimento de combustíveis, alimentos e medicamentos às comunidades locais.

Setor industrial prevê risco de interrupção a partir de outubro

Alex Carvalho, presidente do Conselho de Infraestrutura da CNI e da Federação das Indústrias do Estado do Pará, afirmou que a navegação poderá ser interrompida já em outubro.

Carvalho também questiona a diferença de tratamento em relação a outros rios da Bacia Amazônica, onde existem obras de dragagem em andamento, citando os rios Amazonas, Madeira e Solimões.

Segundo ele, os efeitos econômicos da estiagem já foram sentidos anteriormente. Em 2025, o Pará teria deixado de arrecadar cerca de R$ 30 milhões em ICMS relacionado a combustíveis, enquanto os municípios perderam aproximadamente R$ 7,6 milhões em ISS ligado às operações portuárias e de navegação.

Governo diz que cenário está sendo monitorado

Em nota, o Ministério dos Portos e Aeroportos confirmou que a dragagem entre Itaituba e Santarém não será realizada “neste momento”. A pasta afirmou que a decisão ocorreu após diálogo com os órgãos envolvidos e a escuta de povos indígenas e comunidades da região.

O ministério informou ainda que acompanha os possíveis efeitos sobre a navegabilidade, o transporte de cargas e o abastecimento das comunidades para definir eventuais medidas de contingência durante a estiagem.

Entre as alternativas monitoradas está o uso complementar do transporte rodoviário. Segundo o governo, a medida poderá ajudar a garantir o fornecimento de alimentos, bens essenciais e outros produtos às populações que dependem da navegação do Tapajós.

FONTE: O Globo
TEXTO: Redação
IMAGEM: Cristiano Mariz/Agência O Globo

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Internacional

Açúcar fecha sexta-feira em sentidos opostos em Nova Iorque e Londres

Os contratos futuros de açúcar terminaram a sexta-feira (4) com movimentos distintos nas bolsas internacionais. Enquanto o mercado de Nova Iorque encerrou o pregão estável, as cotações em Londres registraram queda, mantendo a pressão vista ao longo dos últimos dias.

Os investidores seguem monitorando as medidas adotadas pela Índia, que busca ampliar a oferta do produto no mercado doméstico. A iniciativa pode reduzir a necessidade de compras externas e, consequentemente, limitar a demanda internacional por açúcar.

Açúcar em Nova Iorque e Londres

Na bolsa de Nova Iorque, o contrato de açúcar com vencimento em outubro terminou o dia sem variação, cotado a 18,07 cents por libra-peso.

Em Londres, o contrato para outubro caiu 350 pontos e fechou a US$ 523,10 por tonelada.

Medidas da Índia pressionam o mercado

A Índia ganhou destaque entre os principais fatores de pressão sobre os preços nesta semana. O governo reduziu de 400 para 200 toneladas o limite de estoque de açúcar permitido aos revendedores.

A nova regra começa a valer em 15 de setembro e permanecerá em vigor até 20 de novembro. O objetivo é evitar movimentos especulativos e elevar a quantidade de açúcar disponível no mercado interno.

Com maior oferta doméstica, o país pode precisar importar menos do que as estimativas anteriores indicavam. A perspectiva de uma demanda indiana por açúcar importado mais fraca acaba pesando sobre as cotações negociadas no mercado internacional.

Segundo maior produtor mundial, a Índia também possui forte participação nas exportações globais. Em 20 de agosto, o governo autorizou a entrada de até 1 milhão de toneladas de açúcar bruto importado, sem cobrança de impostos, até 31 de outubro. A decisão ocorreu diante das preocupações com o abastecimento interno.

Déficit global dá sustentação aos preços

Apesar da pressão exercida pelas medidas indianas, o mercado de açúcar global ainda encontra suporte nas projeções de uma oferta mais limitada na safra 2026/27.

A Organização Internacional do Açúcar (ISO) revisou seu cenário nesta semana e passou a estimar um déficit mundial de 200 mil toneladas para 2026/27. Na temporada anterior, a entidade calculava um superávit de 1,1 milhão de toneladas.

A produção global é estimada pela ISO em 180,1 milhões de toneladas na próxima temporada, volume 1% inferior ao registrado em 2025/26. Entre os fatores considerados está o possível impacto do El Niño sobre importantes áreas produtoras.

Outras instituições também trabalham com perspectivas de déficit. A Green Pool calcula saldo negativo de 3,2 milhões de toneladas, enquanto a StoneX estima déficit de 1,7 milhão de toneladas. Já a Covrig Analytics projeta uma diferença de 300 mil toneladas entre oferta e demanda.

Produção de açúcar também deve cair na Europa

O cenário de oferta mais restrita não se limita aos grandes produtores da América e da Ásia. Na Europa, o Observatório do Mercado de Açúcar da União Europeia prevê redução de 19% na produção em 2026/27, para 13,4 milhões de toneladas.

Dados da S&P Global Energy apontam, por sua vez, produção conjunta de açúcar na União Europeia e no Reino Unido de 14,98 milhões de toneladas. Se confirmado, seria o menor volume em 11 anos, em um cenário marcado pelos efeitos da seca e das temperaturas elevadas.

Chuvas na Índia permanecem abaixo da média

As condições climáticas continuam entre os principais riscos para a oferta mundial de açúcar. O Departamento Meteorológico da Índia informou que as chuvas de monção acumuladas entre junho e setembro estavam 13% abaixo da média até 4 de setembro.

O resultado representa uma melhora significativa em relação ao déficit de 42% observado até 30 de junho. Ainda assim, o Ministério de Ciências da Terra da Índia alertou que a temporada de monções pode ser a mais fraca do país em 11 anos.

O comportamento das chuvas é especialmente relevante para a produção agrícola. Uma temporada mais seca pode prejudicar o desenvolvimento da cana-de-açúcar e afetar a quantidade de matéria-prima disponível para as usinas.

Brasil contribui para o cenário de oferta restrita

O Brasil, maior produtor mundial de açúcar, também aparece no radar do mercado diante da redução da produção no Centro-Sul.

Dados divulgados pela União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica) em agosto mostraram que a produção de açúcar na região recuou 26,3% em junho, para 3,903 milhões de toneladas.

Outro elemento importante é a decisão das usinas entre produzir açúcar ou etanol. Quando o mercado apresenta condições mais favoráveis ao etanol, uma parcela maior da cana pode ser destinada à fabricação do biocombustível, reduzindo o volume direcionado ao açúcar.

El Niño aumenta as preocupações com a oferta

O El Niño continua sendo acompanhado de perto pelos participantes do mercado. A possibilidade de alterações no regime de chuvas em países como Brasil, Índia e Tailândia, que estão entre os principais produtores mundiais, aumenta a preocupação com a disponibilidade de açúcar nas próximas safras.

Dessa forma, o mercado permanece dividido entre fatores de curto e médio prazo. As medidas adotadas pela Índia aumentam a pressão sobre os preços no momento, enquanto as perspectivas de menor produção em importantes regiões produtoras e os riscos climáticos mantêm as projeções de oferta de açúcar no centro das atenções.

FONTE: Notícias Agrícolas
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Notícias Agrícolas

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Notícias

El Niño pode se tornar o mais forte já registrado e elevar risco de eventos extremos até 2027

O El Niño deve ganhar ainda mais intensidade nos próximos meses e pode se tornar o episódio mais forte já observado desde o início do monitoramento do fenômeno. O alerta foi divulgado nesta quinta-feira pela Organização Meteorológica Mundial (OMM), agência ligada às Nações Unidas.

Segundo as projeções da entidade, há praticamente 100% de probabilidade de que o fenômeno continue ativo até fevereiro de 2027. A principal causa é o registro de temperaturas excepcionalmente elevadas no Oceano Pacífico.

A OMM afirma que esta é a primeira vez que apresenta um nível de certeza tão elevado sobre a continuidade do fenômeno.

“Se essa trajetória continuar, ele poderá ser mais forte do que qualquer outro desde o início do nosso monitoramento”, afirmou a secretária-geral da OMM, Celeste Saulo, durante uma coletiva em Genebra.

O que é o El Niño?

O El Niño é um fenômeno climático periódico caracterizado pelo aquecimento anormal da superfície do Pacífico Equatorial, principalmente em sua porção central e leste.

O evento ocorre, em média, a cada dois a sete anos e normalmente permanece ativo por até 12 meses. Suas consequências podem incluir alterações significativas nos regimes de chuvas e temperaturas em diferentes partes do planeta.

Na América Latina, por exemplo, o fenômeno pode provocar períodos de chuvas intensas, enquanto outras regiões enfrentam secas prolongadas.

Quando apresenta intensidade elevada, o El Niño também pode favorecer condições para eventos extremos, como secas severas, tempestades e tufões.

Temperatura do Pacífico já supera a média em mais de 2°C

De acordo com a OMM, as temperaturas registradas em determinadas áreas do Pacífico durante o atual episódio estão mais de 2°C acima da média histórica.

O fenômeno já está entre os quatro episódios classificados como “muito fortes” nos registros iniciados em 1950.

A entidade ressalta que o aquecimento do oceano é um fator importante para a intensidade do evento. Embora o El Niño seja um fenômeno natural e não seja provocado diretamente pelas emissões de combustíveis fósseis, o aquecimento global pode contribuir para ampliar seus efeitos.

“O El Niño está ficando maior diante dos nossos olhos. A ciência não deixa margem para dúvidas: o planeta está entrando em águas desconhecidas, e essas águas estão aquecendo”, afirmou o secretário-geral da ONU, António Guterres.

Fenômeno já afeta produção de alimentos

Os efeitos do El Niño já podem ser observados em setores econômicos e na produção agrícola de regiões tropicais.

Na América Central, o fenômeno contribuiu para agravar a situação no chamado Corredor Seco, área que atravessa países da região e enfrenta períodos recorrentes de estiagem.

A redução das chuvas e as condições climáticas adversas têm afetado a produção de alimentos e commodities agrícolas, aumentando a pressão sobre comunidades vulneráveis.

El Niño pode elevar temperaturas globais em 2027

A expectativa da OMM é que o atual El Niño alcance seu pico no fim deste ano. Seus efeitos, porém, devem continuar sendo sentidos ao longo de 2027.

Segundo especialistas da organização, episódios de El Niño costumam produzir um efeito temporário de alta sobre a temperatura média global depois de atingirem seu auge.

Wilfran Moufouma Okia, chefe dos serviços de previsão climática da OMM, afirmou que 2027 poderá apresentar condições para se tornar o ano mais quente já registrado.

O comentário ocorre após 2024 ter estabelecido o atual recorde de maior temperatura média global.

Países são orientados a reforçar preparação

Diante da possibilidade de eventos climáticos mais extremos, a OMM informou que está ampliando os esforços de preparação e sistemas de alerta antecipado.

A intenção é permitir que governos e comunidades adotem medidas preventivas antes que os impactos mais severos ocorram.

Entre as estratégias possíveis estão a substituição de cultivos tradicionais por variedades mais resistentes à seca em regiões sob maior risco de estiagem.

A OMM também pretende atuar em conjunto com organismos das Nações Unidas e entidades humanitárias para fornecer informações climáticas que auxiliem setores considerados mais sensíveis às mudanças no clima.

Entre eles estão agricultura, saúde, energia e recursos hídricos, além das estruturas de gestão de desastres.

FONTE: Reuters
TEXTO: Redação
IMAGEM: REUTERS/Enea Lebrun

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Transporte

Canal do Panamá reduzirá trânsito de navios a partir de setembro devido à seca

O Canal do Panamá vai diminuir o número de navios autorizados a atravessar a hidrovia a partir de setembro, em meio à queda dos níveis de água provocada pela seca e pelas condições associadas ao El Niño.

A partir de 3 de setembro, o limite diário de travessias será reduzido de 38 para 34 embarcações por dia. Já a partir de 15 de setembro, a capacidade cairá novamente, para 32 navios diariamente.

Além da redução no número de passagens, a administração do canal também adotará novas restrições de calado, o que poderá limitar as dimensões e a quantidade de carga transportada por determinadas embarcações.

Chuvas abaixo da média agravam crise hídrica

A decisão ocorre após uma queda significativa nas reservas de água que abastecem o canal. Segundo as autoridades responsáveis pela hidrovia, o volume de chuva registrado desde maio ficou 34% abaixo da média histórica.

No mesmo período, a entrada de água na bacia hidrográfica que abastece o Canal do Panamá recuou 44%.

A situação tem impacto direto sobre o comércio internacional. Cerca de 5% do tráfego marítimo mundial passa pela hidrovia, que é uma das principais rotas utilizadas para conectar os oceanos Atlântico e Pacífico.

O problema não está restrito ao canal. O Panamá possui atualmente 11 bacias hidrográficas sob estresse hídrico e declarou situação de emergência na última semana. Honduras e El Salvador também adotaram medidas semelhantes diante da deterioração das condições de abastecimento.

Honduras também enfrenta falta de água

Em Honduras, a crise hídrica já afeta diretamente o abastecimento da população.

Na capital, Tegucigalpa, as fontes responsáveis pelo fornecimento de água chegaram a níveis considerados críticos. Como consequência, as autoridades passaram a adotar um sistema de distribuição que pode deixar determinadas áreas sem água por períodos de 10 a 20 dias.

A situação mostra como os efeitos da estiagem e das alterações nos padrões climáticos estão ultrapassando os impactos sobre o transporte marítimo e atingindo também o abastecimento urbano.

El Niño pode atingir intensidade muito forte

O atual episódio de El Niño foi oficialmente declarado em junho e existe a possibilidade de que o fenômeno ganhe força nos próximos meses.

Segundo um boletim divulgado em 13 de agosto pela Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), há mais de 90% de probabilidade de que o fenômeno alcance intensidade classificada como “muito forte” entre setembro e o início de 2027.

Essa classificação ocorre quando a temperatura da superfície do oceano em uma determinada região do Pacífico Equatorial fica aproximadamente 2°C acima da média.

Para que um episódio seja considerado de intensidade fraca, a elevação necessária é de apenas 0,5°C durante três meses.

A agência norte-americana também calcula em 69% a chance de que, entre outubro e dezembro, o atual El Niño supere em intensidade todos os episódios registrados desde 1950.

América do Sul já sente os efeitos do fenômeno

Os impactos relacionados às condições climáticas já podem ser observados em diferentes pontos da América do Sul.

Na Colômbia, incêndios florestais registrados em agosto se concentraram principalmente no departamento de Tolima. Mais de 50 mil hectares foram atingidos pelas queimadas.

No Peru, o aquecimento das águas também provocou consequências para a atividade pesqueira. O Ministério da Produção suspendeu repetidamente, desde maio, temporadas de pesca da anchoveta, espécie importante para a indústria local.

Com a elevação da temperatura do mar, os peixes adultos tendem a se deslocar para águas mais profundas ou migrar em direção ao sul, dificultando a atividade das frotas pesqueiras.

Chile registra tempestades e grandes volumes de neve

No Chile, os efeitos climáticos assumiram outra forma.

O presidente José Antonio Kast declarou estado de catástrofe nas regiões de Atacama e Coquimbo após as tempestades registradas em julho.

Na fronteira entre Chile e Argentina, a passagem de Cristo Redentor ficou fechada por mais de 30 dias devido a uma tempestade que provocou acúmulo de neve de até quatro metros.

Os episódios reforçam a diversidade dos impactos associados às alterações climáticas, que podem incluir tanto períodos de seca quanto eventos extremos de chuva e neve, dependendo da região.

El Niño pode reduzir risco de furacões no Caribe

No Caribe, o El Niño costuma produzir condições desfavoráveis à formação e ao fortalecimento de furacões.

A previsão da NOAA aponta 55% de probabilidade de que a temporada de furacões no Atlântico fique abaixo da média.

Isso, porém, não significa necessariamente uma melhora das condições climáticas para as ilhas caribenhas. A menor frequência de tempestades pode contribuir para o agravamento da seca em locais como Jamaica e Porto Rico.

Essas regiões dependem, em parte, das chuvas associadas ao período de furacões para repor seus recursos hídricos.

Organização Meteorológica Mundial alerta para preparação

Bárbara Tapia Cortés, da Organização Meteorológica Mundial (OMM), destacou que a intensidade do El Niño não é suficiente para determinar a dimensão de seus efeitos.

Segundo a especialista, as consequências de um episódio forte podem variar de acordo com o grau de preparação de cada região e com as vulnerabilidades que já existiam antes da chegada do fenômeno.

A avaliação é que um El Niño intenso não necessariamente produzirá impactos igualmente severos em todos os locais afetados.

A especialista também ressaltou que ainda existe tempo para que governos, empresas e comunidades adotem medidas de preparação diante da possibilidade de agravamento do fenômeno climático nos próximos meses.

FONTE: Mercopress
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Mercopress

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Comércio Internacional

Canal do Panamá: navio paga valor recorde de R$ 27,4 milhões para garantir passagem

Uma empresa sul-coreana pagou um valor recorde para garantir a passagem de um navio pelo Canal do Panamá. A SK Gas desembolsou US$ 5,3 milhões, aproximadamente R$ 27,4 milhões, para assegurar que o navio-tanque G. Spirit atravesse a hidrovia em 1º de setembro.

A passagem ocorrerá dois dias antes da entrada em vigor de novas restrições ao tráfego de embarcações no canal, uma das principais rotas do comércio marítimo internacional.

Seca reduz capacidade do Canal do Panamá

O valor milionário está relacionado à disputa por vagas de passagem diante da redução da capacidade operacional do Canal do Panamá.

A partir de 3 de setembro, o número máximo de embarcações autorizadas diariamente cairá de 36 para 34. Ainda durante setembro, o limite deverá chegar a 32 navios por dia.

A redução está diretamente ligada à disponibilidade de água. O funcionamento das eclusas do canal depende dos reservatórios de Gatún e Alhajuela, abastecidos principalmente pelas chuvas.

Os baixos níveis dos reservatórios vêm preocupando as autoridades panamenhas, que enfrentam um período de seca associado ao fenômeno El Niño. A menor disponibilidade hídrica limita a quantidade de embarcações que podem atravessar a hidrovia.

Leilão bate recorde de preço

Com a diminuição das vagas, os espaços que garantem prioridade de passagem se tornaram mais disputados.

Segundo dados da Autoridade do Canal do Panamá, os leilões realizados entre outubro de 2025 e fevereiro de 2026 registraram preço médio de aproximadamente US$ 55 mil.

Em abril, entretanto, uma embarcação transportadora de gás natural liquefeito pagou US$ 4 milhões para garantir a passagem sem precisar enfrentar um período maior de espera.

O novo lance da SK Gas, de US$ 5,3 milhões, superou o recorde anterior, de US$ 4,6 milhões. O valor havia sido pago no início de agosto por outra embarcação controlada por uma companhia sul-coreana.

Como funciona a prioridade de passagem

A maior parte dos navios que utilizam o Canal do Panamá opera por meio do sistema regular de reservas. Já embarcações sem agendamento ou que precisam atravessar a via em caráter de urgência podem disputar vagas em leilões.

Nesse modelo, as empresas oferecem valores para obter prioridade e reduzir o risco de espera causado pela limitação da capacidade do canal.

No caso do G. Spirit, que transporta gás liquefeito de petróleo (GLP), a prioridade permitiu que a embarcação fosse programada para atravessar o canal antes da redução prevista no número diário de passagens.

Impacto no comércio marítimo internacional

O Canal do Panamá é uma rota estratégica para o transporte marítimo mundial por conectar os oceanos Atlântico e Pacífico. A hidrovia responde por aproximadamente 5% do comércio marítimo internacional.

Uma eventual redução prolongada da capacidade pode aumentar custos logísticos e afetar empresas que dependem da ligação entre os dois oceanos. Para operadores de navios e empresas de comércio exterior, a disponibilidade de vagas e a possibilidade de atrasos passam a ter impacto direto no planejamento das operações.

Fonte: R7, com informações da AFP e Bloomberg.

Texto: Redação

Imagem: Internet / Divulgação

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Agronegócio

Hidrovia do Tapajós: falta de dragagem pode causar prejuízo de até R$ 850 milhões

A falta de dragagem de manutenção na hidrovia do Tapajós pode provocar perdas de até R$ 850 milhões para a cadeia produtiva, segundo estimativas de entidades ligadas ao setor. O alerta foi encaminhado nesta sexta-feira (28) ao Ministério da Agricultura e Pecuária, acompanhado de um pedido para que o governo federal tome medidas para preservar a navegabilidade do rio.

O documento é liderado pela Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) e reúne diferentes representantes do setor produtivo. As entidades consideram a realização da dragagem uma medida urgente diante do risco de queda acentuada no nível dos rios durante a safra 2026/2027.

A preocupação está relacionada aos possíveis efeitos de uma restrição à navegação. Caso as embarcações tenham sua capacidade reduzida ou deixem de operar em determinados trechos, parte das cargas poderá ser transferida para as rodovias, aumentando os custos logísticos, a pressão sobre a cadeia produtiva e as emissões de carbono.

O que está em jogo no Tapajós

A dragagem consiste na retirada de sedimentos acumulados no leito do rio para manter condições adequadas de navegação. O serviço interfere diretamente no calado das embarcações, ou seja, na profundidade que fica submersa.

Com a diminuição do nível da água, a distância entre o fundo do rio e o casco das embarcações também fica menor. Isso pode obrigar os operadores a reduzir a quantidade de carga transportada ou até interromper a navegação em trechos onde a profundidade se torne insuficiente.

O governo federal chegou a contratar uma intervenção de manutenção, mas o serviço acabou suspenso após manifestações contrárias de povos indígenas com territórios próximos ao Rio Tapajós.

Dragagem foi suspensa após protestos

Em janeiro de 2026, uma empresa foi contratada para executar a dragagem de manutenção na hidrovia. No mês seguinte, porém, o governo federal suspendeu a operação diante da resistência das comunidades indígenas da região.

A possibilidade de uma seca extrema associada ao El Niño fez o assunto voltar à pauta. Uma nova intervenção emergencial chegou a ser autorizada, mas posteriormente foi desautorizada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Atualmente, o Ministério de Portos e Aeroportos monitora diariamente o nível do Rio Tapajós e as condições de navegação. Até o momento, a profundidade ainda não chegou a uma situação considerada crítica.

O setor produtivo, entretanto, cobra uma alternativa preventiva para o caso de uma estiagem mais severa comprometer a navegabilidade.

Transporte de grãos pode ser afetado

De acordo com a FPA, uma eventual redução ou interrupção da capacidade de transporte pela hidrovia poderá acrescentar entre R$ 150 e R$ 250 por tonelada aos custos logísticos.

As entidades também estimam que até 5 milhões de toneladas de grãos possam ter o escoamento prejudicado. A transferência dessas cargas para caminhões poderia gerar ainda cerca de 55 mil toneladas adicionais de emissões de carbono.

A hidrovia do Tapajós é considerada um dos principais corredores do Arco Norte, rota utilizada para transportar a produção agrícola do Centro-Oeste até portos das regiões Norte e Nordeste.

A importância da via cresceu nos últimos anos. Em 2025, foram movimentadas 16,8 milhões de toneladas de cargas pelo Rio Tapajós, alta de 14,3% em comparação com 2024, segundo dados da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq).

Soja e milho dominam as cargas

O agronegócio é o principal usuário da hidrovia. Aproximadamente 88% das cargas transportadas pelo Tapajós são compostas por soja e milho.

Somente nos dois primeiros meses de 2026, o volume movimentado dos dois produtos chegou a 2,04 milhões de toneladas, reforçando o papel estratégico do rio para o escoamento da produção agrícola brasileira.

Setor alerta para risco de nova seca

A possibilidade de uma nova queda expressiva no nível dos rios é a principal preocupação das entidades. O documento encaminhado ao governo cita a possibilidade de ocorrência de um El Niño de forte intensidade, fenômeno que pode provocar redução das chuvas na região Norte.

O setor produtivo lembra os efeitos registrados durante o El Niño de 2023 e 2024, quando a estiagem reduziu o nível do Tapajós e dificultou o transporte de cargas pela hidrovia.

Diante desse cenário, a avaliação das entidades é de que uma intervenção preventiva poderia evitar problemas maiores durante o período de seca.

Dragagem poderia ser custeada pelo setor privado

As entidades defendem ainda que a manutenção da hidrovia seja realizada sem utilização de recursos públicos.

O documento menciona um acordo de cooperação entre o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) e a Associação Brasileira para o Desenvolvimento da Navegação Interior (Abani), que permite a participação da iniciativa privada na execução de serviços de dragagem de manutenção.

Segundo o setor produtivo, esse modelo possibilitaria realizar a intervenção sem gerar despesas para o governo federal. A solicitação é para que a alternativa seja viabilizada antes do período de estiagem mais intenso.

Pedido também envolve outras hidrovias

A preocupação das entidades não está restrita ao Tapajós. O documento também chama atenção para a necessidade de manutenção contínua de hidrovias estratégicas, citando como exemplo o Rio Madeira.

A intenção é reduzir a vulnerabilidade da matriz logística brasileira diante de períodos de seca e garantir alternativas para o transporte de grandes volumes de commodities.

O novo pedido foi apresentado aproximadamente dois meses depois de a FPA encaminhar outra solicitação ao governo federal para assegurar as condições de navegação no Tapajós. De acordo com a frente parlamentar, as medidas solicitadas anteriormente ainda não haviam sido executadas.

Agora, as entidades esperam que o Ministério da Agricultura e Pecuária intensifique a articulação com a Casa Civil e demais órgãos envolvidos para viabilizar os serviços de manutenção nos pontos considerados críticos antes do período mais severo de estiagem.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: José Cruz/Agência Brasil

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Notícias

Governo Federal articula força-tarefa em Santa Catarina para resposta rápida aos impactos do El Niño

Reunião no Porto de Itajaí mobilizou representantes de órgãos federais que atuarão de forma integrada no atendimento à população, empresas, agricultores e municípios diante de possíveis eventos climáticos extremos

O Governo Federal está articulando uma força-tarefa em Santa Catarina para garantir uma resposta rápida e coordenada aos possíveis impactos do fenômeno El Niño. A mobilização reúne representantes de ministérios, órgãos e instituições federais no estado que serão responsáveis pela articulação e pelo atendimento imediato à população, empresas, agricultores, municípios e demais setores que possam ser afetados por eventos climáticos extremos.

A estratégia foi discutida nesta terça-feira (25), durante a 3ª Reunião do Fórum de Gestores Federais de Santa Catarina, realizada na Superintendência do Porto de Itajaí. A atuação será integrada e coordenada pela Casa Civil da Presidência da República, com apoio da Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da República, fortalecendo a conexão entre a estrutura do Governo Federal em Santa Catarina, o Estado, os municípios e as estruturas locais de resposta.

O ministro-chefe da Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da República, José Guimarães, participou da abertura por videoconferência e destacou a necessidade de antecipar ações.

“Esse fenômeno El Niño pode trazer graves consequências para o Brasil, tanto do ponto de vista dos seres humanos quanto do ponto de vista da nossa economia. É preciso que o Governo Federal atue preventivamente, em conjunto com estados e municípios, para enfrentar o fenômeno de forma coordenada”, afirmou.

Segundo o ministro, a articulação nacional envolve 24 ministérios e instituições e considera as diferentes características e possíveis impactos do fenômeno em cada região brasileira. No Sul, a atenção está voltada principalmente à possibilidade de chuvas intensas e enchentes, enquanto outras regiões podem enfrentar períodos de seca, ondas de calor e queimadas.

R$ 1,335 bilhão para preparação e resposta em todo o país

O planejamento nacional apresentado durante o encontro prevê R$ 1,335 bilhão para todo o país em ações de preparação e resposta a possíveis eventos climáticos extremos associados ao El Niño.

Entre as ações estão o fortalecimento do monitoramento realizado por estruturas como o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), a ampliação das redes de acompanhamento meteorológico, a identificação de áreas de risco, o aprimoramento dos sistemas de alerta e medidas para garantir serviços essenciais, abastecimento de alimentos, energia e combustíveis.

Estrutura federal mobilizada em Santa Catarina

Durante a reunião, os representantes federais apresentaram estruturas, protocolos e ações que já estão disponíveis em diferentes áreas e que poderão ser mobilizados diante de uma eventual emergência.

Áreas como saúde, agricultura e agricultura familiar, abastecimento e segurança alimentar, meio ambiente, proteção social, fiscalização, segurança, transportes, telecomunicações, inteligência, trabalho e comunicação em situações de desastre já possuem ações que poderão ser integradas conforme a necessidade.

A proposta da força-tarefa é justamente conectar essas estruturas para que, diante de uma situação crítica, cada órgão conheça previamente sua responsabilidade e os canais de articulação, reduzindo o tempo de resposta e facilitando a chegada do Governo Federal aos municípios e às comunidades atingidas.

As ações podem envolver desde o acompanhamento das condições meteorológicas e emissão de alertas até atendimento à população, assistência social, apoio aos agricultores, fiscalização ambiental, segurança, abastecimento, infraestrutura e suporte aos setores econômicos eventualmente afetados. Além do Protocolo Mulheres em Emergências Climáticas, que estabelece diretrizes para a proteção dos direitos das mulheres durante situações de risco e desastres.

Articulação permanente

A reunião foi conduzida por Josias Lech, gerente de Assuntos Federativos da Secretaria Especial de Assuntos Federativos (SEAF), da Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da República.

**Participaram do encontro **representantes da Advocacia-Geral da União (AGU), Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Agência Nacional de Mineração (ANM), Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Caixa Econômica Federal, Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), Correios, Embratur, Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), Ministério da Cultura (MinC), Ministério da Saúde, Ministério das Mulheres, Polícia Rodoviária Federal (PRF), Receita Federal do Brasil, Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da República (SRI), Superintendência do Patrimônio da União em Santa Catarina (SPU/SC), Superintendência do Porto de Itajaí, Superintendência Federal de Pesca e Aquicultura em Santa Catarina (SFPA/SC), Superintendência Federal do Desenvolvimento Agrário em Santa Catarina e Superintendência Regional do Trabalho e Emprego em Santa Catarina (SRTE/SC).

Porto de Itajaí reforça preparação

“Estamos em uma posição de, eventualmente, sermos bastante impactados, então estamos tentando tomar medidas para evitar esses danos ou minimizá-los ao máximo. Ter todos esses órgãos aqui reunidos para discutir e buscar auxílio é de suma importância”, afirmou Artur Antunes Pereira, superintendente do Porto de Itajaí.

Em maio deste ano, a Superintendência instituiu a Comissão Especial de Monitoramento e Avaliação dos Potenciais Impactos do Fenômeno Climático El Niño, responsável pelo acompanhamento dos cenários meteorológicos e hidrológicos e pelo apoio à definição de medidas preventivas. O Porto também estabeleceu o Protocolo de Prevenção, Preparação, Monitoramento e Contingência para Eventos Hidrometeorológicos.

FONTE: Porto de Itajaí

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Transporte

Estiagem na Amazônia reduz navegabilidade dos rios e eleva custo do transporte de cargas

A previsão de uma estiagem mais intensa na Amazônia, influenciada pelo El Niño, já começa a alterar a logística do transporte de mercadorias na região. Com a queda no nível dos rios, armadores passaram a cobrar sobretaxas para compensar os custos adicionais provocados pelas condições adversas de navegação.

Ao mesmo tempo, empresas responsáveis por rodovias e uma companhia aérea reforçam o monitoramento diante da possibilidade de eventos climáticos extremos, como tempestades, queimadas e inundações.

Armadores cobram sobretaxa para cargas com destino a Manaus

A MSC Brasil comunicou em agosto que passará a cobrar a chamada Low Water Surcharge, ou sobretaxa por baixo nível de água, nos embarques destinados a Manaus a partir de 5 de setembro.

A cobrança será de US$ 1.400 por contêiner seco, valor superior a R$ 7.200 na cotação considerada, e de US$ 1.900 por contêiner refrigerado, equivalente a cerca de R$ 9.900.

Segundo a empresa, a tarifa tem caráter excepcional e temporário e poderá ser revista ou retirada conforme a evolução da seca e as condições de calado do rio Amazonas.

Outra companhia do setor, a Ocean Network Express (ONE), também informou aos clientes que adotará uma sobretaxa de US$ 1.458, aproximadamente R$ 7.600, por contêiner, independentemente do tipo.

A cobrança valerá para importações de qualquer origem com destino a Manaus a partir de setembro. Para exportações partindo de Manaus, a taxa será aplicada a todos os destinos a partir de outubro.

A empresa afirmou que a expectativa de queda significativa dos níveis dos rios deverá prejudicar a navegabilidade e restringir o transporte marítimo, aumentando os custos necessários para manter as operações.

Cabotagem brasileira também pode ser afetada

O impacto não deve ficar restrito às rotas internacionais. Augusto César Rocha, coordenador da Comissão de Logística do CIEAM (Centro da Indústria do Estado do Amazonas), avalia que o transporte de cargas entre portos brasileiros também poderá sofrer com cobranças adicionais.

Segundo ele, a cabotagem provavelmente terá de adotar sobretaxas, embora as empresas tenham maior capacidade de reagir próximo ao momento do problema devido à menor duração das viagens dentro do país.

Píer temporário será usado para enfrentar a seca

Para reduzir os efeitos da baixa dos rios, o Grupo Chibatão prepara novamente uma estrutura temporária de apoio à movimentação de cargas.

O píer, atualmente instalado em Manaus, deverá ser transferido para Itacoatiara (AM) entre setembro e outubro. A previsão é que comece a funcionar em novembro.

A estrutura permitirá o transbordo de cargas, transferindo mercadorias de navios para balsas. Por serem menores e mais leves, as embarcações conseguem operar em trechos com menor profundidade.

O equipamento possui 277,5 metros de comprimento e 24 metros de largura, com capacidade para realizar sete movimentos de guindaste por hora.

Johny Fidelis Ramos, diretor-executivo do Grupo Chibatão, estima que a operação representará um custo adicional de R$ 80 milhões, considerando despesas com funcionários, alimentação, hospedagem, combustível e transporte.

O mesmo píer foi utilizado em 2024, durante outro período de seca severa na Amazônia. Segundo Ramos, deslocar parte da estrutura para Itacoatiara reduz o risco financeiro de manter equipamentos parados caso os navios não consigam chegar ao terminal.

Calado do Canal do Panamá preocupa setor

A logística brasileira também poderá ser afetada pelas condições do Canal do Panamá. Leandro Carelli, sócio da consultoria Solve Shipping, afirma que a redução do calado permitido na hidrovia tende a limitar a quantidade de carga transportada pelos navios.

A autoridade do canal reduziu o limite máximo para as eclusas Neopanamax, utilizadas pelas maiores embarcações que atravessam a via. O calado, que em condições normais chegava a 50 pés (15,24 metros), passará para 47,5 pés (14,48 metros) a partir de 3 de setembro.

A medida pode atingir especialmente cargas provenientes da Ásia com destino à Zona Franca de Manaus e ao Nordeste brasileiro, já que parte significativa desse fluxo utiliza o Canal do Panamá.

Com menor calado autorizado, os navios podem precisar reduzir sua capacidade de carga para realizar a travessia com segurança.

Rodovias se preparam para eventos climáticos extremos

Enquanto a seca preocupa a navegação no Norte, concessionárias de rodovias intensificam o planejamento para enfrentar possíveis chuvas fortes, tempestades, queimadas e outros eventos climáticos extremos.

A Motiva, antiga CCR, identificou cerca de 5 mil medidas de mitigação que podem ser adotadas. A companhia está definindo quais ações terão prioridade e pretende apresentar o plano à diretoria executiva entre o fim de agosto e o início de setembro.

As intervenções podem envolver desde atividades preventivas mais simples, como limpeza das pistas, até obras de contenção de taludes e mudanças estruturais em pontes. Medidas de maior porte podem exigir participação do poder público e negociação de recursos.

Nos últimos anos, eventos climáticos severos já provocaram perdas expressivas para a empresa. As enchentes no Rio Grande do Sul, em 2024, e as chuvas que atingiram a Rio-Santos (BR-101), em 2022, geraram prejuízos estimados em aproximadamente R$ 500 milhões.

A EcoRodovias, por sua vez, informou manter estudos de vulnerabilidade climática e planos de adaptação voltados à definição de investimentos e protocolos para situações extremas.

Entre as medidas previstas estão melhorias em sistemas de drenagem, adequações estruturais, estabilização de encostas e ações contra incêndios e temperaturas elevadas. A companhia também utiliza tecnologias de monitoramento para acompanhar os riscos.

Azul reforça monitoramento meteorológico

No setor aéreo, a Azul mantém uma equipe de meteorologistas no Centro de Controle Operacional para acompanhar as condições climáticas durante 24 horas.

A companhia afirma investir em ferramentas capazes de ampliar a identificação e o monitoramento de fenômenos meteorológicos que possam afetar os voos.

Entre as tecnologias avaliadas está o uso de dados de vibração registrados pelos tablets utilizados pelos pilotos. Essas informações podem ajudar a identificar antecipadamente regiões com maior possibilidade de turbulência e instabilidade atmosférica.

O cenário climático, portanto, coloca diferentes segmentos da infraestrutura brasileira em estado de atenção, com impactos que vão do transporte fluvial e marítimo à operação de rodovias e aeroportos.

FONTE: Folha de São Paulo
TEXTO: Redação
IMAGEM: Divulgação/Grupo Chibatão

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