Internacional

Açúcar fecha sexta-feira em sentidos opostos em Nova Iorque e Londres

Os contratos futuros de açúcar terminaram a sexta-feira (4) com movimentos distintos nas bolsas internacionais. Enquanto o mercado de Nova Iorque encerrou o pregão estável, as cotações em Londres registraram queda, mantendo a pressão vista ao longo dos últimos dias.

Os investidores seguem monitorando as medidas adotadas pela Índia, que busca ampliar a oferta do produto no mercado doméstico. A iniciativa pode reduzir a necessidade de compras externas e, consequentemente, limitar a demanda internacional por açúcar.

Açúcar em Nova Iorque e Londres

Na bolsa de Nova Iorque, o contrato de açúcar com vencimento em outubro terminou o dia sem variação, cotado a 18,07 cents por libra-peso.

Em Londres, o contrato para outubro caiu 350 pontos e fechou a US$ 523,10 por tonelada.

Medidas da Índia pressionam o mercado

A Índia ganhou destaque entre os principais fatores de pressão sobre os preços nesta semana. O governo reduziu de 400 para 200 toneladas o limite de estoque de açúcar permitido aos revendedores.

A nova regra começa a valer em 15 de setembro e permanecerá em vigor até 20 de novembro. O objetivo é evitar movimentos especulativos e elevar a quantidade de açúcar disponível no mercado interno.

Com maior oferta doméstica, o país pode precisar importar menos do que as estimativas anteriores indicavam. A perspectiva de uma demanda indiana por açúcar importado mais fraca acaba pesando sobre as cotações negociadas no mercado internacional.

Segundo maior produtor mundial, a Índia também possui forte participação nas exportações globais. Em 20 de agosto, o governo autorizou a entrada de até 1 milhão de toneladas de açúcar bruto importado, sem cobrança de impostos, até 31 de outubro. A decisão ocorreu diante das preocupações com o abastecimento interno.

Déficit global dá sustentação aos preços

Apesar da pressão exercida pelas medidas indianas, o mercado de açúcar global ainda encontra suporte nas projeções de uma oferta mais limitada na safra 2026/27.

A Organização Internacional do Açúcar (ISO) revisou seu cenário nesta semana e passou a estimar um déficit mundial de 200 mil toneladas para 2026/27. Na temporada anterior, a entidade calculava um superávit de 1,1 milhão de toneladas.

A produção global é estimada pela ISO em 180,1 milhões de toneladas na próxima temporada, volume 1% inferior ao registrado em 2025/26. Entre os fatores considerados está o possível impacto do El Niño sobre importantes áreas produtoras.

Outras instituições também trabalham com perspectivas de déficit. A Green Pool calcula saldo negativo de 3,2 milhões de toneladas, enquanto a StoneX estima déficit de 1,7 milhão de toneladas. Já a Covrig Analytics projeta uma diferença de 300 mil toneladas entre oferta e demanda.

Produção de açúcar também deve cair na Europa

O cenário de oferta mais restrita não se limita aos grandes produtores da América e da Ásia. Na Europa, o Observatório do Mercado de Açúcar da União Europeia prevê redução de 19% na produção em 2026/27, para 13,4 milhões de toneladas.

Dados da S&P Global Energy apontam, por sua vez, produção conjunta de açúcar na União Europeia e no Reino Unido de 14,98 milhões de toneladas. Se confirmado, seria o menor volume em 11 anos, em um cenário marcado pelos efeitos da seca e das temperaturas elevadas.

Chuvas na Índia permanecem abaixo da média

As condições climáticas continuam entre os principais riscos para a oferta mundial de açúcar. O Departamento Meteorológico da Índia informou que as chuvas de monção acumuladas entre junho e setembro estavam 13% abaixo da média até 4 de setembro.

O resultado representa uma melhora significativa em relação ao déficit de 42% observado até 30 de junho. Ainda assim, o Ministério de Ciências da Terra da Índia alertou que a temporada de monções pode ser a mais fraca do país em 11 anos.

O comportamento das chuvas é especialmente relevante para a produção agrícola. Uma temporada mais seca pode prejudicar o desenvolvimento da cana-de-açúcar e afetar a quantidade de matéria-prima disponível para as usinas.

Brasil contribui para o cenário de oferta restrita

O Brasil, maior produtor mundial de açúcar, também aparece no radar do mercado diante da redução da produção no Centro-Sul.

Dados divulgados pela União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica) em agosto mostraram que a produção de açúcar na região recuou 26,3% em junho, para 3,903 milhões de toneladas.

Outro elemento importante é a decisão das usinas entre produzir açúcar ou etanol. Quando o mercado apresenta condições mais favoráveis ao etanol, uma parcela maior da cana pode ser destinada à fabricação do biocombustível, reduzindo o volume direcionado ao açúcar.

El Niño aumenta as preocupações com a oferta

O El Niño continua sendo acompanhado de perto pelos participantes do mercado. A possibilidade de alterações no regime de chuvas em países como Brasil, Índia e Tailândia, que estão entre os principais produtores mundiais, aumenta a preocupação com a disponibilidade de açúcar nas próximas safras.

Dessa forma, o mercado permanece dividido entre fatores de curto e médio prazo. As medidas adotadas pela Índia aumentam a pressão sobre os preços no momento, enquanto as perspectivas de menor produção em importantes regiões produtoras e os riscos climáticos mantêm as projeções de oferta de açúcar no centro das atenções.

FONTE: Notícias Agrícolas
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Notícias Agrícolas

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