Comércio Internacional

China amplia importação de miúdos suínos brasileiros, com potencial de mais de 100 mil toneladas por ano

A China ampliou a lista de miúdos e subprodutos suínos brasileiros autorizados para importação, abrindo novas oportunidades para a indústria nacional de proteína animal. Segundo estimativas da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), a mudança pode viabilizar o envio de mais de 100 mil toneladas desses produtos por ano ao mercado chinês e gerar uma receita adicional superior a US$ 100 milhões para o setor.

A novidade ganhou destaque internacional na terça-feira (13/10), em reportagem da publicação holandesa Pig Progress, que repercutiu a ampliação do acesso dos produtos brasileiros ao mercado asiático.

A medida decorre da atualização do protocolo sanitário bilateral, assinada em 26 de setembro pelo ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, e pelo embaixador da China no Brasil, Zhu Qingqiao.

Novo acordo amplia a lista de produtos suínos exportados à China

Com a revisão do protocolo, o Brasil poderá exportar uma variedade maior de partes e subprodutos de suínos para a China. Entre os itens autorizados estão órgãos internos, como fígado, rins e estômago, além de pele, cartilagem, coração, diafragma e ossos.

A ampliação permite aproveitar melhor diferentes partes dos animais abatidos, agregando valor à produção e diversificando as receitas da indústria brasileira de carne suína.

Para a ABPA, a medida também representa uma oportunidade de fortalecer a presença do Brasil em um dos mercados mais relevantes para o comércio internacional de produtos suínos.

Santa Catarina e Rio Grande do Sul concentram potencial de exportação

Os estados de Santa Catarina e Rio Grande do Sul aparecem entre os principais beneficiados pela abertura comercial, considerando a capacidade produtiva e as estimativas de demanda pelos novos produtos autorizados.

Em Santa Catarina, que já podia exportar alguns miúdos externos, como pés, orelhas e rabos, a estimativa da ABPA aponta potencial de 65,9 mil toneladas anuais de miúdos internos destinados à China.

No Rio Grande do Sul, o volume potencial supera 40 mil toneladas por ano. O estado também apresenta oportunidades relacionadas à exportação de carne suína com osso.

A ampliação do mercado pode favorecer frigoríficos e outros elos da cadeia produtiva, criando alternativas comerciais para produtos que antes tinham acesso mais restrito ao mercado chinês.

Frigoríficos precisam cumprir exigências sanitárias

Apesar da atualização do protocolo, a autorização para exportar os novos itens não ocorre automaticamente para todas as empresas.

Os frigoríficos brasileiros que já possuem habilitação para vender carne suína à China poderão solicitar a inclusão dos produtos adicionais em seu escopo de exportação. Para isso, deverão atender aos procedimentos e requisitos sanitários estabelecidos entre os dois países.

O cumprimento dessas exigências é necessário para garantir que os estabelecimentos estejam autorizados a comercializar as novas categorias de produtos no mercado asiático.

China é mercado estratégico para a carne suína brasileira

A China importa aproximadamente US$ 2,5 bilhões em miúdos suínos por ano. Esses produtos fazem parte da culinária tradicional do país, o que contribui para a existência de uma demanda relevante por diferentes partes do animal.

A relação comercial entre os dois países já apresenta números expressivos. Conforme dados da ABPA, o Brasil embarcou 2,7 milhões de toneladas de produtos suínos para o mercado chinês entre 2013 e 2024.

Para o presidente da entidade, Ricardo Santin, a ampliação do acesso contribui para melhorar o aproveitamento da produção brasileira, agregar valor aos produtos e abrir novas possibilidades de negócios para toda a cadeia da proteína animal.

Com a inclusão dos novos itens, o setor espera ampliar as receitas, diversificar as exportações e aproveitar melhor o potencial do mercado chinês.

FONTE: Agrimídia
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Agrimídia

Instagram
LinkedIn
YouTube
Facebook