Comércio Exterior

Comércio entre Brasil e China bate recorde e soma US$ 143,3 bilhões em 2026

O comércio entre Brasil e China alcançou níveis históricos nos primeiros nove meses de 2026. As exportações brasileiras para o país asiático, as importações de produtos chineses e a corrente de comércio bilateral registraram recordes entre janeiro e setembro, consolidando a China como principal destino das vendas externas brasileiras e maior fornecedora de produtos ao Brasil.

As exportações brasileiras para o mercado chinês cresceram 12% em relação ao mesmo período de 2025, chegando a US$ 84,7 bilhões. Já as importações avançaram 9,9%, totalizando US$ 58,6 bilhões.

Com isso, a corrente de comércio bilateral — que reúne exportações e importações — atingiu US$ 143,3 bilhões. O Brasil também registrou superávit comercial de US$ 26,1 bilhões na relação com os chineses.

Os dados foram compilados pelo Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC), com base em informações do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).

Soja, petróleo e minério de ferro lideram exportações brasileiras

As commodities continuam dominando a pauta de exportações do Brasil para a China. Soja, petróleo bruto e minério de ferro, juntos, representam mais de 77% das vendas brasileiras destinadas ao país asiático.

A soja permaneceu na primeira posição, com US$ 30 bilhões em receitas entre janeiro e setembro. A China absorveu 70% de toda a soja exportada pelo Brasil no período.

O petróleo bruto ocupou o segundo lugar, movimentando US$ 21,8 bilhões. O valor representa um aumento de 49% em comparação com os nove primeiros meses de 2025.

Na sequência aparece o minério de ferro, tradicional produto da pauta exportadora brasileira. A carne bovina também figura entre os principais itens vendidos ao mercado chinês, mas sofreu uma retração de 8,5% neste ano, em meio à adoção de uma cota anual de importação estabelecida por Pequim.

Exportações de carne de frango crescem mais de 100%

Enquanto as vendas de carne bovina recuaram, os embarques de carne de frango brasileira para a China apresentaram forte expansão.

Entre janeiro e setembro, as exportações de carne e miúdos de frango aumentaram 113% em valor e 86% em volume. O produto ficou na sétima posição entre os dez principais itens exportados pelo Brasil ao mercado chinês e registrou o maior crescimento proporcional entre eles.

O minério de cobre também apresentou desempenho positivo. Os embarques avançaram 7,8%, garantindo ao produto a oitava colocação no ranking das principais exportações brasileiras para a China.

Sorgo e DDG ganham espaço no mercado chinês

Além dos produtos tradicionais, novas oportunidades começam a surgir na relação comercial entre os dois países. Tulio Cariello, diretor de conteúdo e pesquisa do CEBC, destacou o avanço das vendas de sorgo e de grãos secos de destilaria, conhecidos pela sigla DDG, um subproduto da fabricação de etanol de milho.

Segundo o pesquisador, o crescimento dos embarques está relacionado à implementação de acordos bilaterais que ampliaram o acesso desses produtos brasileiros ao mercado chinês.

O DDG é utilizado principalmente na produção de ração animal. Entre janeiro e setembro de 2026, o Brasil exportou US$ 204 milhões do produto para todos os destinos, dos quais 53% foram destinados à China.

As vendas aos chineses eram pouco expressivas no ano passado, mas ganharam impulso após a assinatura de um protocolo bilateral em maio de 2025. Os embarques efetivos começaram em fevereiro deste ano.

O sorgo, por sua vez, obteve acesso ao mercado chinês por meio de um acordo fitossanitário firmado no fim de 2024. Com a ampliação das oportunidades comerciais, as exportações brasileiras da commodity somaram US$ 170 milhões nos nove primeiros meses de 2026.

Cariello ressaltou que esses avanços são relevantes porque a China busca diversificar seus fornecedores de insumos para alimentação animal, ao mesmo tempo que procura ampliar a produção doméstica.

Exportações de espodumênio avançam 339%

Outro destaque entre as vendas brasileiras foi o espodumênio, mineral utilizado na extração de lítio e associado à crescente demanda chinesa por minerais críticos, fundamentais para diferentes cadeias industriais e tecnologias.

As exportações brasileiras do mineral para a China atingiram US$ 172,3 milhões entre janeiro e setembro, uma alta de 339% em relação ao mesmo intervalo do ano anterior.

O mercado chinês respondeu por 97% das exportações brasileiras de espodumênio, evidenciando a concentração das vendas desse produto no país asiático.

Importações de veículos eletrificados chineses somam US$ 5,9 bilhões

Do lado das importações, os veículos eletrificados chineses estiveram entre os principais destaques do comércio bilateral. A categoria inclui modelos híbridos convencionais, híbridos plug-in e veículos totalmente elétricos.

Após uma sequência de altas mensais no primeiro semestre, as importações recuaram em julho e agosto. Nesse período, o Brasil elevou para 35% a tarifa de importação dos veículos eletrificados, ante alíquotas anteriores de 25% ou 30%, conforme as características dos modelos.

Apesar da mudança tributária, os embarques de veículos chineses voltaram a crescer de forma significativa em setembro.

No acumulado de janeiro a setembro, as compras brasileiras de veículos eletrificados provenientes da China chegaram a US$ 5,9 bilhões, o equivalente a aproximadamente 10% de todas as importações brasileiras originárias daquele país.

Para Cariello, os números indicam que o avanço dos veículos chineses no Brasil não se explica apenas pelas condições tarifárias vigentes no primeiro semestre.

Na avaliação do diretor do CEBC, a tendência é que as vendas continuem crescendo até o fim do ano, impulsionadas pela consolidação das marcas chinesas no mercado brasileiro. Ele também apontou os registros de veículos eletrificados no país como um sinal dessa expansão.

Herbicidas e chips de memória se destacam nas importações

Entre os demais produtos comprados pelo Brasil da China, os herbicidas apareceram na terceira posição entre as dez principais categorias de importação.

No segmento de tecnologia da informação, os chips de memória chamaram a atenção pela diferença entre o volume adquirido e o valor desembolsado.

Embora a quantidade importada tenha diminuído 11% entre janeiro e setembro, o valor das compras avançou 237% no mesmo período.

O resultado evidencia mudanças importantes na composição das importações brasileiras de produtos chineses e reforça a relevância da relação comercial entre as duas economias.

FONTE: Valor International
TEXTO: Redação
IMAGEM: Domingos Peixoto/Agência o Globo

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Agronegócio

Brasil amplia produção de sorgo e ganha espaço no mercado chinês, pressionando liderança dos EUA

O Brasil está ampliando sua participação no mercado global de sorgo e começa a disputar espaço com os Estados Unidos em um segmento estratégico para o comércio internacional de grãos. Com o aumento da produção nacional e a abertura do mercado chinês, o país fortalece sua posição entre os principais produtores e exportadores da cultura.

O avanço ocorre em um cenário de incertezas comerciais para os agricultores norte-americanos, que enfrentam oscilações na demanda chinesa e uma redução prevista na produção do cereal. Depois de conquistar posições de destaque em culturas como soja e algodão, além de ampliar sua presença no mercado de carne bovina, o Brasil passa a representar um concorrente cada vez mais relevante também no sorgo.

Tim Lust, diretor executivo da Associação Nacional de Produtores de Sorgo dos Estados Unidos, reconhece a velocidade desse crescimento. Segundo ele, a produção brasileira vem avançando rapidamente e reduzindo a distância em relação à norte-americana.

Além do Brasil, os produtores dos Estados Unidos enfrentam a concorrência da Austrália e da Argentina, que ocupam posições importantes entre os exportadores mundiais do grão.

China se torna peça-chave na disputa pelo mercado de sorgo

A China é um dos principais destinos do sorgo comercializado internacionalmente. O cereal é utilizado tanto na alimentação de suínos quanto na fabricação do baijiu, bebida alcoólica tradicional chinesa.

Historicamente, o mercado chinês teve grande importância para os produtores norte-americanos. As exportações dos Estados Unidos para o país asiático já superaram US$ 2 bilhões há mais de uma década. Entretanto, as relações comerciais entre as duas potências e as mudanças na demanda provocaram fortes oscilações nas compras.

Em 2019, durante a primeira guerra comercial entre os governos de Donald Trump e da China, as exportações norte-americanas de sorgo recuaram para aproximadamente US$ 186 milhões. Em 2025, o valor caiu ainda mais, chegando a US$ 86 milhões.

A demanda chinesa por importações continua enfraquecida diante da ampla disponibilidade de grãos no mercado doméstico. Esse cenário dificulta o planejamento dos agricultores dos Estados Unidos, que dependem de previsibilidade comercial para decidir quais culturas plantar.

Produtores dos EUA reduzem área e enfrentam queda na produção

A instabilidade das exportações tem levado parte dos agricultores norte-americanos a substituir o sorgo por culturas com maior potencial de retorno e mercados consumidores mais diversificados, como milho e soja.

Em estados como Nebraska, essa mudança já ocorre nas áreas de cultivo. Além disso, a produção de sorgo dos Estados Unidos deve diminuir 33% na safra atual em relação à anterior, segundo as estimativas citadas no levantamento. A redução da área plantada e os efeitos da seca nas Planícies do Sul estão entre os fatores que pressionam o resultado.

Diante das dificuldades, representantes do setor defendem a ampliação dos acordos comerciais. Lust enviou uma carta a Trump no mês passado solicitando que o governo buscasse compromissos para a compra anual de 5 milhões a 7 milhões de toneladas de sorgo norte-americano pela China.

Listas divulgadas pelos dois países após uma reunião entre Trump e Xi Jinping, realizada em setembro, também indicaram a previsão de redução de tarifas chinesas sobre produtos agrícolas dos Estados Unidos, incluindo sorgo, trigo e milho.

Agricultores buscam alternativas ao mercado internacional

Enquanto parte dos produtores norte-americanos tenta recuperar o acesso à China, outros procuram reduzir a exposição às oscilações do comércio exterior.

Brad Dusenbery, agricultor de Nebraska, cultiva cerca de 700 acres e está construindo um pequeno moinho em Beatrice, no sudeste do estado. O projeto prevê a fabricação de farinha de sorgo para diferentes aplicações alimentícias, incluindo biscoitos e pães para hambúrgueres.

O produtor também está migrando para métodos de cultivo orgânico e pretende priorizar o mercado interno, em vez de depender das exportações.

A estratégia reflete a preocupação com a falta de estabilidade nas relações comerciais e a busca por alternativas que permitam agregar valor ao cereal dentro do próprio país.

Brasil amplia cultivo de sorgo na segunda safra

No Brasil, o movimento é de expansão. O sorgo vem conquistando espaço como alternativa de segunda safra, cultivada após a colheita da soja. A cultura apresenta boa adaptação a diferentes condições de clima e solo, característica que favorece sua utilização em diversas regiões agrícolas.

Um relatório do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), divulgado no ano passado, destacou a ampla adaptação do cereal às condições brasileiras.

Outro fator que impulsiona o setor é a demanda da indústria de biocombustíveis. Grandes fabricantes de etanol, como a Inpasa, ampliaram sua capacidade industrial com unidades preparadas para processar tanto milho quanto sorgo.

Essa combinação de condições agronômicas favoráveis, demanda industrial e oportunidades de exportação contribui para o crescimento da cultura no país.

Produção brasileira pode atingir 10 milhões de toneladas até 2031

A produção de sorgo no Brasil mais que dobrou nos últimos quatro anos, e as perspectivas indicam continuidade desse avanço.

Estimativa do Rabobank aponta que o país poderá alcançar uma produção de 10 milhões de toneladas até 2031. O volume representa um crescimento expressivo em relação às aproximadamente 6 milhões de toneladas registradas na última safra mencionada.

Para Frederico Botelho, pesquisador da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), o ritmo de expansão abre a possibilidade de o Brasil superar os Estados Unidos e assumir a liderança mundial na produção do cereal nos próximos anos.

A evolução dependerá da continuidade dos investimentos, da expansão da área cultivada, da demanda industrial e da consolidação de novos mercados consumidores.

Primeiro embarque para a China abre nova oportunidade para o Brasil

A expansão da produção brasileira ganhou um impulso importante com a abertura do mercado chinês. Em agosto, a Cofco, empresa estatal chinesa de comercialização de grãos, embarcou a primeira carga de sorgo brasileiro com destino à China.

A operação marcou o início de uma nova etapa para o setor e reforçou as expectativas de crescimento das exportações nacionais.

Dados compilados pela Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (ANEC) indicavam a previsão de embarques de até 2,4 milhões de toneladas de sorgo a partir dos portos brasileiros até o fim de outubro daquele ano, principalmente para o mercado chinês. Em 2025, não haviam sido registrados embarques significativos, segundo as informações apresentadas.

A abertura comercial cria uma alternativa adicional para o escoamento da produção e pode estimular novos investimentos na cadeia produtiva.

Diversificação de fornecedores favorece o sorgo brasileiro

A estratégia chinesa de diversificar suas fontes de abastecimento pode beneficiar diretamente o Brasil. Ao evitar a dependência de um único fornecedor, o país asiático abre espaço para ampliar as compras de outros produtores internacionais.

Marco Castelli, diretor comercial da Agrobom, empresa mineira de armazenamento e comercialização de grãos, avalia que essa política favorece a consolidação do mercado brasileiro de sorgo.

Com o crescimento da oferta nacional, o avanço da indústria de etanol e a abertura de novos destinos comerciais, o Brasil reúne condições para ampliar sua participação no comércio internacional do cereal.

O desafio será transformar o aumento da produção em presença duradoura no mercado externo, em um ambiente marcado pela concorrência internacional e pelas mudanças nas relações comerciais.

FONTE: Bloomberg Línea
TEXTO: Redação
IMAGEM: Edwin Remsberg/VWPics/AP

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Comércio Internacional

China amplia importação de miúdos suínos brasileiros, com potencial de mais de 100 mil toneladas por ano

A China ampliou a lista de miúdos e subprodutos suínos brasileiros autorizados para importação, abrindo novas oportunidades para a indústria nacional de proteína animal. Segundo estimativas da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), a mudança pode viabilizar o envio de mais de 100 mil toneladas desses produtos por ano ao mercado chinês e gerar uma receita adicional superior a US$ 100 milhões para o setor.

A novidade ganhou destaque internacional na terça-feira (13/10), em reportagem da publicação holandesa Pig Progress, que repercutiu a ampliação do acesso dos produtos brasileiros ao mercado asiático.

A medida decorre da atualização do protocolo sanitário bilateral, assinada em 26 de setembro pelo ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, e pelo embaixador da China no Brasil, Zhu Qingqiao.

Novo acordo amplia a lista de produtos suínos exportados à China

Com a revisão do protocolo, o Brasil poderá exportar uma variedade maior de partes e subprodutos de suínos para a China. Entre os itens autorizados estão órgãos internos, como fígado, rins e estômago, além de pele, cartilagem, coração, diafragma e ossos.

A ampliação permite aproveitar melhor diferentes partes dos animais abatidos, agregando valor à produção e diversificando as receitas da indústria brasileira de carne suína.

Para a ABPA, a medida também representa uma oportunidade de fortalecer a presença do Brasil em um dos mercados mais relevantes para o comércio internacional de produtos suínos.

Santa Catarina e Rio Grande do Sul concentram potencial de exportação

Os estados de Santa Catarina e Rio Grande do Sul aparecem entre os principais beneficiados pela abertura comercial, considerando a capacidade produtiva e as estimativas de demanda pelos novos produtos autorizados.

Em Santa Catarina, que já podia exportar alguns miúdos externos, como pés, orelhas e rabos, a estimativa da ABPA aponta potencial de 65,9 mil toneladas anuais de miúdos internos destinados à China.

No Rio Grande do Sul, o volume potencial supera 40 mil toneladas por ano. O estado também apresenta oportunidades relacionadas à exportação de carne suína com osso.

A ampliação do mercado pode favorecer frigoríficos e outros elos da cadeia produtiva, criando alternativas comerciais para produtos que antes tinham acesso mais restrito ao mercado chinês.

Frigoríficos precisam cumprir exigências sanitárias

Apesar da atualização do protocolo, a autorização para exportar os novos itens não ocorre automaticamente para todas as empresas.

Os frigoríficos brasileiros que já possuem habilitação para vender carne suína à China poderão solicitar a inclusão dos produtos adicionais em seu escopo de exportação. Para isso, deverão atender aos procedimentos e requisitos sanitários estabelecidos entre os dois países.

O cumprimento dessas exigências é necessário para garantir que os estabelecimentos estejam autorizados a comercializar as novas categorias de produtos no mercado asiático.

China é mercado estratégico para a carne suína brasileira

A China importa aproximadamente US$ 2,5 bilhões em miúdos suínos por ano. Esses produtos fazem parte da culinária tradicional do país, o que contribui para a existência de uma demanda relevante por diferentes partes do animal.

A relação comercial entre os dois países já apresenta números expressivos. Conforme dados da ABPA, o Brasil embarcou 2,7 milhões de toneladas de produtos suínos para o mercado chinês entre 2013 e 2024.

Para o presidente da entidade, Ricardo Santin, a ampliação do acesso contribui para melhorar o aproveitamento da produção brasileira, agregar valor aos produtos e abrir novas possibilidades de negócios para toda a cadeia da proteína animal.

Com a inclusão dos novos itens, o setor espera ampliar as receitas, diversificar as exportações e aproveitar melhor o potencial do mercado chinês.

FONTE: Agrimídia
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Agrimídia

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Indústria

FIESC leva empresários catarinenses à China para conhecer polos industriais e de inovação

Uma delegação de empresários e representantes da Federação das Indústrias de Santa Catarina (FIESC) iniciou, nesta terça-feira (13), uma missão empresarial à China, com duração prevista de aproximadamente duas semanas. A iniciativa busca ampliar as conexões comerciais e aproximar a indústria catarinense dos principais centros de tecnologia, inovação e produção industrial chineses.

Missão empresarial inclui feira internacional e visitas técnicas

Organizada pela FIESC, a programação reúne participação na Canton Fair, workshops com especialistas do ambiente empresarial chinês e visitas técnicas a empresas de destaque internacional. A agenda também contempla atividades culturais e encontros de networking com empresários brasileiros e chineses, criando oportunidades para novas parcerias e negócios.

Ao todo, 24 empresários catarinenses participam da missão, que percorre quatro importantes centros econômicos e tecnológicos da China.

Quatro polos industriais e tecnológicos estão no roteiro

A programação foi estruturada para apresentar diferentes setores estratégicos da economia chinesa. Em Guangzhou, os participantes acompanham a Canton Fair, uma das principais atrações da agenda empresarial.

Em Shenzhen, a delegação conhecerá o ecossistema de inovação local, com ênfase em tecnologia, eletrônicos e manufatura inteligente. Já em Shanghai, o foco será o ambiente de negócios internacionais, a inovação e a indústria avançada.

A última frente de visitas inclui Hangzhou, reconhecida por seu ecossistema digital e pelas iniciativas de transformação industrial.

Delegação reúne diferentes segmentos da indústria catarinense

Os representantes de Santa Catarina vêm de áreas variadas da atividade industrial. Entre os segmentos presentes estão fabricantes de máquinas injetoras e equipamentos, empresas de automação industrial, negócios ligados à inovação, além dos setores de parafusos e madeira.

A diversidade dos participantes permite explorar possibilidades de cooperação em diferentes cadeias produtivas, além de identificar tendências e oportunidades aplicáveis à indústria do estado.

Exportações para a China crescem no primeiro semestre

A aproximação com o mercado chinês ocorre em um contexto de relevância comercial para Santa Catarina. A China representa 10,6% das exportações catarinenses, consolidando-se como um dos destinos importantes para os produtos do estado.

No primeiro semestre deste ano, as vendas catarinenses ao país asiático registraram alta de 10,4%, alcançando US$ 649,1 milhões.

Nesse cenário, a missão empresarial busca fortalecer as relações comerciais, ampliar o acesso a novos mercados e aproximar empresas catarinenses de oportunidades nos setores de tecnologia, inovação e indústria avançada.

FONTE: FIESC
TEXTO: Redação
IMAGEM: Magnific

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Comércio Exterior

Brasil e China ampliam exportação de miúdos suínos com novo protocolo sanitário

Brasil e China ampliaram o acordo sanitário que regulamenta a exportação de miúdos suínos brasileiros para o mercado chinês. A revisão do protocolo bilateral foi assinada no sábado (26/9) pelo ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, e pelo embaixador da China no Brasil, Zhu Qingqiao.

A medida aumenta a lista de produtos suínos autorizados para exportação e abre novas possibilidades comerciais para frigoríficos e demais estabelecimentos brasileiros habilitados. A expectativa é diversificar a pauta de vendas externas e ampliar o aproveitamento econômico da produção.

Novo protocolo define regras para exportação

As negociações entre os dois países estabeleceram requisitos sanitários, regras de certificação e condições que deverão ser cumpridas pelos estabelecimentos interessados em vender os produtos à China.

Com a revisão do protocolo, as empresas habilitadas terão de seguir os critérios definidos pelas autoridades sanitárias brasileiras e chinesas para realizar os embarques.

Para o ministro André de Paula, a ampliação do acesso representa um avanço para a suinocultura brasileira, com potencial para gerar novas oportunidades de mercado, renda e empregos no campo e na indústria.

A China é considerada o maior produtor e consumidor mundial de carne suína. Para o país asiático, segundo o ministro, a ampliação das importações também representa uma alternativa de abastecimento respaldada pelo sistema sanitário brasileiro.

Mercado chinês pode receber mais de 100 mil toneladas por ano

Estimativas da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) indicam que mais de 100 mil toneladas de miúdos suínos brasileiros poderão ser destinadas anualmente à China a partir da ampliação do acesso.

A expectativa é que o direcionamento desses produtos para um mercado de maior valor agregado gere mais de US$ 100 milhões adicionais em receitas para a cadeia produtiva.

A medida permite que produtos que possuem menor valor comercial em determinados mercados encontrem novas oportunidades de venda no exterior.

Acordo foi anunciado após auditoria chinesa

A assinatura do protocolo ocorreu no encerramento de uma auditoria sanitária chinesa em frigoríficos brasileiros, iniciada em 20 de setembro.

Durante a missão, técnicos chineses visitaram fazendas, unidades de produção e abatedouros, além de laboratórios oficiais em seis estados brasileiros. A avaliação envolveu estabelecimentos relacionados às cadeias de carnes bovina, suína e de aves.

O embaixador Zhu Qingqiao destacou que o novo acordo cria oportunidades adicionais para as exportações brasileiras e classificou a medida como resultado da cooperação entre os dois países na área agropecuária.

Segundo o diplomata, o agronegócio ocupa posição estratégica na relação bilateral e ainda apresenta potencial para o desenvolvimento de novas parcerias.

A secretária de Ásia e Oceania do Ministério das Relações Exteriores (MRE), Susan Kleebank, afirmou que a atualização do protocolo demonstra a dinâmica de cooperação entre Brasil e China.

Quais produtos suínos poderão ser exportados?

A autorização contempla uma lista ampliada de miúdos e coprodutos suínos. Entre os produtos previstos estão:

  • Músculo suíno congelado, desossado ou com osso, incluindo gordura;
  • Miúdos e coprodutos comestíveis congelados;
  • Banha suína não refinada, composta exclusivamente por gordura corporal;
  • Língua, máscara, focinho, orelhas e cauda suínas;
  • Pés suínos inteiros;
  • Pele e cartilagem suínas;
  • Estômagos, fígado, coração, rins e diafragma;
  • Ossos suínos.

A relação também estabelece restrições específicas para determinados produtos. A cartilagem, por exemplo, não inclui aquela proveniente da garganta, glote ou vísceras. No caso da banha, não está incluída gordura originária das vísceras.

Febre aftosa influenciou ampliação do acesso

Até então, a China autorizava a entrada de determinados miúdos, entre eles pés, orelhas, rabo, língua, focinho e máscara suína. A autorização estava relacionada ao reconhecimento sanitário concedido pelas autoridades chinesas.

Em maio de 2025, o Brasil recebeu da Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA) o reconhecimento como país livre de febre aftosa sem vacinação.

A evolução do status sanitário brasileiro contribuiu para ampliar as possibilidades de acesso aos mercados internacionais e para agregar valor a produtos da cadeia de proteína animal.

China é mercado estratégico para a suinocultura

A China está entre os principais mercados consumidores e importadores de produtos suínos no mundo. As importações chinesas de miúdos suínos movimentam aproximadamente US$ 2,5 bilhões.

Com o novo protocolo, mais produtos brasileiros poderão disputar espaço nesse mercado, aumentando as alternativas comerciais para os estabelecimentos habilitados e contribuindo para a diversificação das exportações do agronegócio brasileiro.

Além do impacto econômico, a ampliação do acesso considera características do mercado chinês. Os miúdos fazem parte da culinária local e são consumidos tanto em restaurantes quanto nas residências.

Nesse cenário, o novo acordo aproxima a oferta da suinocultura brasileira da demanda do mercado chinês e amplia as possibilidades de comercialização de diferentes partes do animal.

FONTE: Ministério da Agricultura e Pecuária
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Ministério da Agricultura e Pecuária

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Exportação

Missão chinesa inspeciona frigoríficos brasileiros e avalia exportações de carne

Uma equipe de autoridades sanitárias da China iniciou no domingo (20) uma auditoria no sistema brasileiro de controle de produtos de origem animal. A missão, que segue até o dia 28, inclui visitas a frigoríficos, laboratórios e propriedades rurais.

Ao todo, 17 unidades industriais dos setores de carne bovina, suína e de aves estão incluídas no roteiro apresentado às autoridades chinesas.

Frigoríficos buscam autorização para exportar à China

A inspeção contempla tanto estabelecimentos que pretendem obter autorização para exportar carne para a China quanto unidades que tiveram suas habilitações suspensas temporariamente.

Entre os frigoríficos de carne bovina que serão avaliados estão uma unidade da JBS, em Vilhena (RO), uma planta da Minerva Foods, em Rolim de Moura (RO), e uma unidade da MBRF, em Promissão (SP).

A planta da JBS em Vilhena está impedida de exportar para o mercado chinês desde maio. A suspensão ocorreu após a identificação de progesterona em cargas destinadas à China.

A missão também inclui estabelecimentos interessados em vender ao país asiático miúdos bovinos e suínos, além de produtos como vesícula biliar.

Segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária, a auditoria poderá contribuir para a reabilitação de frigoríficos que tiveram as exportações interrompidas e para a habilitação de novas unidades.

China já suspendeu frigoríficos brasileiros

A visita ocorre após uma série de medidas adotadas pela China ao longo deste ano envolvendo frigoríficos brasileiros.

Algumas unidades tiveram as exportações suspensas depois que foram identificados resíduos de substâncias proibidas pela legislação sanitária chinesa em produtos enviados ao país.

Em abril, uma unidade brasileira foi suspensa por esse tipo de ocorrência. No mês seguinte, outras três plantas tiveram a mesma medida adotada após a identificação de resíduos de acetato de medroxiprogesterona.

Posteriormente, a unidade da JBS em Vilhena também entrou na lista de estabelecimentos suspensos, após a detecção de progesterona.

Exportações de carne bovina caem em agosto

A auditoria chinesa acontece em um período de forte retração das exportações brasileiras de carne bovina para a China.

Em agosto, o Brasil embarcou 18,9 mil toneladas de carne bovina para o mercado chinês. O volume representa uma queda de 88,2% em relação ao mesmo mês de 2025, de acordo com dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (Mdic), compilados pela Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec).

Apesar da redução registrada em agosto, a China continuou sendo o principal destino da carne bovina brasileira no acumulado do ano.

Entre janeiro e agosto, foram exportadas 899,2 mil toneladas, gerando receita de US$ 5,51 bilhões.

Cota tarifária afeta embarques brasileiros

Parte da redução nas exportações de agosto também está relacionada ao limite da cota tarifária para carne bovina estabelecida pela China.

Depois que a cota é preenchida, o volume excedente passa a sofrer uma tarifa adicional de 50%. Com a cobrança, a tarifa total chega a 62%, o que reduz a competitividade da carne brasileira no mercado chinês.

Decisão sobre frigoríficos virá após auditoria

As conclusões da missão dependerão das avaliações técnicas realizadas durante as visitas aos estabelecimentos e demais estruturas incluídas no roteiro.

Eventuais decisões sobre a reabilitação de frigoríficos suspensos ou a autorização de novas plantas para exportação serão tomadas posteriormente pelas autoridades chinesas.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: REUTERS/Pilar Olivares

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Comércio Internacional

Chile e China firmam acordo para facilitar exportações de frutas frescas

Entrou em vigor um novo Memorando de Entendimento (MoU) entre Chile e China para facilitar e agilizar as exportações de frutas frescas chilenas ao mercado asiático. O acordo foi firmado pelo Ministério da Agricultura do Chile, por meio do Serviço Agrícola e Pecuário (SAG), e pela Administração Geral de Alfândegas da China (GACC).

O entendimento complementa os requisitos fitossanitários aplicados aos produtos chilenos e busca tornar mais eficientes os processos de embarque e de entrada das frutas no principal mercado de destino do setor.

Acordo amplia flexibilidade para exportadores

O ministro da Agricultura do Chile, Jaime Campos, afirmou que o acordo representa um avanço para o setor exportador do país.

Segundo o ministro, as novas regras devem contribuir para a otimização dos processos logísticos e operacionais, além de oferecer maior flexibilidade às empresas e facilitar o cumprimento das exigências fitossanitárias estabelecidas com a China.

A expectativa é fortalecer a competitividade da fruta chilena no mercado chinês e tornar as operações de comércio exterior mais eficientes.

Novas opções de embalagem para cerejas

De acordo com o diretor nacional do SAG, Domingo Rojas, o Memorando estabelece medidas para modernizar os procedimentos relacionados às exportações de frutas frescas para a China.

Uma das mudanças prevê a ampliação das alternativas de embalagem para cerejas e frutas de caroço provenientes de áreas regulamentadas devido à presença da mosca-das-frutas (Ceratitis capitata).

A medida permite maior flexibilidade operacional aos exportadores, mantendo as exigências necessárias para a proteção fitossanitária do mercado chinês.

Tratamento a frio será ampliado

O acordo também amplia a possibilidade de realização do tratamento a frio em trânsito nas câmaras dos navios para todas as espécies de frutas autorizadas a entrar no mercado chinês.

Além disso, serão incorporados novos modelos de tratamento a frio baseados em padrões fitossanitários internacionais.

A atualização dos procedimentos pretende adequar as operações às necessidades do comércio internacional e facilitar a logística das exportações chilenas.

Exigências para identificação dos embarques serão simplificadas

Outra mudança prevista no acordo é a simplificação dos requisitos relacionados à identificação das cargas de frutas.

Segundo o SAG, serão eliminadas exigências vinculadas a certificados de inspeção específicos para pallets. A alteração reduz parte da documentação necessária nas operações de exportação.

Com as novas regras, Chile e China buscam tornar os processos mais ágeis, mantendo os critérios fitossanitários exigidos para a entrada dos produtos no mercado asiático.

China é mercado estratégico para frutas chilenas

As mudanças reforçam a relação comercial entre os dois países no setor de fruticultura e comércio exterior. Para os exportadores chilenos, a simplificação dos procedimentos pode facilitar o envio de diferentes espécies de frutas frescas ao mercado chinês.

O novo entendimento reúne medidas relacionadas a embalagens, tratamentos fitossanitários e documentação, criando condições operacionais mais flexíveis para o comércio de frutas entre Chile e China.

FONTE: Portal Portuário
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Portal Portuário

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Comércio Exterior

China pode ampliar exportações de frango e disputar mercado com o Brasil, diz Rabobank

A China deve ampliar as exportações de carne de frango nos próximos anos e poderá se tornar uma concorrente mais forte do Brasil no mercado internacional da proteína. A avaliação é de Chenjun Pan, especialista em carnes do Rabobank, que vê possibilidade de maior disputa entre os dois países em mercados como Oriente Médio, Ásia e África ao longo da próxima década.

A mudança ocorre em um cenário no qual a China, atualmente o principal destino da carne de frango brasileira, passou a ser exportadora líquida da proteína em 2025. O movimento está relacionado principalmente ao aumento da oferta de cortes menos consumidos pelos chineses, como o peito de frango.

China começa a ganhar espaço nas exportações de frango

Segundo Pan, ainda não há uma concorrência direta em grande escala com o Brasil, mas o cenário pode mudar nos próximos anos.

A especialista considera que as exportações chinesas de carne de frango in natura apresentam potencial de crescimento, especialmente porque o país passou a vender maiores volumes de cortes como peito de frango no mercado externo.

A China já exportava produtos avícolas há anos, mas historicamente sua presença internacional estava mais concentrada em carne de frango processada. O avanço recente dos embarques de produtos in natura representa uma mudança importante na estratégia do setor.

Brasil ainda lidera mercado global

A China é atualmente o segundo maior produtor mundial de carne de frango, atrás apenas dos Estados Unidos. Mesmo com o crescimento recente, sua participação nas exportações ainda está muito abaixo da brasileira.

Em 2025, a China exportou pouco mais de 1 milhão de toneladas de carne de frango, segundo relatório anual da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA).

No mesmo ano, o Brasil manteve a liderança mundial e atingiu o recorde de 5,3 milhões de toneladas exportadas.

A diferença mostra a distância que ainda separa os dois países, embora o avanço da produção chinesa possa alterar a dinâmica do comércio internacional nos próximos anos.

Hábitos de consumo geram excedentes exportáveis

Um dos fatores que ajudam a explicar o crescimento das exportações chinesas é o perfil de consumo doméstico.

Segundo Pan, os consumidores chineses demonstram maior preferência por asas e pés de frango, enquanto o peito tem menor procura no mercado interno. Com o aumento da produção, esse desequilíbrio gera excedentes de determinados cortes que podem ser direcionados para outros países.

A produção chinesa vem crescendo em ritmo próximo de 10%, enquanto a demanda doméstica avança mais lentamente.

Entre os destinos das exportações chinesas estão Rússia, Hong Kong, Coreia do Norte e países do Oriente Médio.

União Europeia, Japão e Coreia do Sul seguem fora da disputa

Apesar da expansão, a China ainda encontra restrições importantes em alguns dos principais mercados consumidores de frango.

A União Europeia, o Japão e a Coreia do Sul não aceitam carne proveniente de aves vacinadas contra a gripe aviária. A China utiliza a vacinação como parte de sua estratégia para reduzir os impactos da doença, o que limita o acesso de seus produtos a esses mercados.

Por isso, a competição com o Brasil tende a ser mais relevante em regiões que aceitam a carne chinesa, como partes da Ásia, África e Oriente Médio.

Produção chinesa cresce mais de 9% no primeiro semestre

A expansão da oferta continua acelerada. No primeiro semestre de 2026, a produção chinesa de carne de frango aumentou mais de 9% na comparação anual, depois de crescer cerca de 7% em 2025.

Para Pan, o ritmo de expansão da produção supera o crescimento da demanda doméstica.

Esse cenário aumenta a disponibilidade de proteína para o mercado externo e reforça a possibilidade de crescimento das exportações chinesas.

Estratégia busca reduzir dependência da carne suína

O aumento da produção de frango também está relacionado à política chinesa de diversificação das fontes de proteína animal.

O governo busca reduzir a dependência da carne suína, que ocupa posição central na alimentação do país e tem a China como maior mercado consumidor mundial.

Durante a crise provocada pela peste suína africana, entre 2019 e 2021, a redução da oferta de carne suína provocou forte alta nos preços. A valorização da proteína também beneficiou o mercado de frango e estimulou novos investimentos na avicultura chinesa.

Com a expansão da produção, a participação do frango no mercado chinês de carnes chegou a aproximadamente 28%.

Frango também é estratégico para reduzir uso de ração

Outro fator considerado pelo governo chinês é a eficiência da produção de frango em relação à suinocultura.

A criação de aves demanda menos milho e farelo de soja para produzir uma determinada quantidade de proteína. A característica ganha importância diante do esforço de Pequim para diminuir a dependência das importações de grãos destinados à alimentação animal.

Na avaliação do Rabobank, uma eventual migração do consumo para proteínas que utilizam menos ração, combinada à expectativa de redução da produção de carne suína, pode limitar o crescimento futuro da demanda chinesa por soja.

Carne bovina pode ganhar espaço no mercado chinês

Enquanto o mercado de frango enfrenta forte expansão da oferta, a carne bovina apresenta perspectivas diferentes.

Pan considera que o consumo chinês de carne bovina ainda tem espaço para crescer no futuro. Atualmente, porém, o mercado enfrenta restrições relacionadas à oferta e às condições de importação.

Entre os fatores que afetam o Brasil estão as tarifas de importação extracota aplicadas à carne bovina brasileira e de outros países.

Brasil pode encontrar novas oportunidades após 2028

Segundo a especialista, as tarifas mais elevadas devem permanecer até 2028. Depois desse período, o cenário poderá oferecer novas oportunidades aos exportadores brasileiros.

A perspectiva está relacionada também à mudança no perfil do consumidor chinês, que tende a buscar produtos com maior processamento e valor agregado.

Nesse contexto, embora a China possa aumentar sua presença como exportadora de frango, o mercado chinês continuará sendo estratégico para o agronegócio brasileiro, especialmente se o Brasil conseguir avançar na oferta de proteínas e produtos de maior valor agregado.

FONTE: Folha de São Paulo
TEXTO: Redação
IMAGEM: Keiny Andrade/Folhapress

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Comércio Exterior

China muda hábitos alimentares e abre oportunidades para a indústria de alimentos de SC

As mudanças nos hábitos alimentares da China e a estratégia do país para aumentar a produção doméstica de alimentos devem entrar no radar da indústria catarinense. Estudo do Observatório FIESC mostra que fatores como urbanização, industrialização e crescimento da renda estão alterando o perfil de consumo chinês, com possíveis reflexos sobre as exportações de Santa Catarina para a China.

A análise foi apresentada nesta terça-feira (25), durante reunião do Conselho de Alimentos e Bebidas da FIESC.

Mudanças no consumo chinês exigem atenção de SC

Para Rosimeri Francener, presidente do Conselho de Alimentos e Bebidas da FIESC, acompanhar a transformação do mercado chinês é essencial para antecipar movimentos capazes de afetar a economia catarinense.

Segundo ela, a indústria atravessa uma transformação significativa nos padrões globais de produção e consumo e precisa se preparar para continuar competitiva diante dessas mudanças.

A pesquisadora Tamires Costa, do Observatório FIESC, explica que a China vem adotando medidas para ampliar a produção nacional de alimentos e incorporar mais tecnologia à indústria do setor.

Entre os objetivos estabelecidos nos planos quinquenais está o aumento da produção de grãos, que deverá passar de 650 milhões para 725 milhões de toneladas até 2030.

Autossuficiência chinesa pode pressionar exportações

Embora tenha uma produção agrícola de grande escala, a China ainda depende do mercado externo em determinadas cadeias, como a soja. Em segmentos importantes para Santa Catarina, porém, o nível de produção doméstica é elevado.

No caso do frango, a autossuficiência chinesa chega a 98%. Para a carne suína, o índice é de 97%. Os dois produtos estão entre os principais itens da pauta exportadora catarinense destinada ao mercado chinês.

Os dados do Observatório FIESC mostram uma diferença importante no desempenho das exportações. Enquanto as vendas brasileiras dos produtos analisados cresceram 47% na série histórica considerada, as exportações catarinenses registraram queda de 34%.

Carne suína mostra impacto da recuperação chinesa

A trajetória da carne suína catarinense ajuda a explicar os efeitos da mudança no mercado chinês.

Durante o período mais crítico da peste suína africana, a autossuficiência da China caiu de 97% para 89% em 2020. A redução da produção doméstica abriu espaço para fornecedores estrangeiros e impulsionou as vendas de Santa Catarina.

Em 2021, o Estado chegou a exportar US$ 758 milhões em carne suína para a China. Com a recuperação da produção chinesa nos anos seguintes, porém, Santa Catarina perdeu aproximadamente US$ 490 milhões em exportações entre 2021 e 2024.

O cenário demonstra como a dependência de poucos produtos e de um único grande mercado pode aumentar a exposição da indústria às mudanças na oferta e na demanda internacional.

Diversificação pode ampliar espaço para SC na China

O estudo do Observatório FIESC aponta que Santa Catarina possui alternativas para diversificar as exportações de alimentos destinadas ao mercado chinês.

Entre os produtos catarinenses que já são produzidos e exportados e apresentam potencial de crescimento estão:

  • Pescados e crustáceos;
  • Preparações alimentícias;
  • Miudezas comestíveis;
  • Farinha de carne;
  • Produtos para alimentação animal;
  • Leite em pó.

A estratégia pode incluir ainda o avanço de produtos com maior valor agregado. A mudança no perfil de consumo dos chineses cria espaço para alimentos processados, segmento no qual a indústria catarinense possui capacidade de transformar matérias-primas em produtos de maior valor.

Condição sanitária é diferencial competitivo

Além da capacidade industrial, Santa Catarina conta com um diferencial importante para ampliar sua presença no mercado asiático: a condição sanitária do Estado.

De acordo com Tamires Costa, esse fator pode contribuir para aumentar a competitividade dos produtos catarinenses e facilitar a conquista de novos espaços no mercado chinês de alimentos.

A expansão, entretanto, depende de uma estratégia que acompanhe de perto as políticas de autossuficiência alimentar da China e as mudanças no comportamento dos consumidores.

Indústria catarinense precisa reduzir concentração

Para o setor produtivo de Santa Catarina, o principal desafio é diminuir a dependência de um grupo restrito de produtos e ampliar a variedade de itens exportados.

Isso envolve diversificar a pauta, investir em produtos de maior valor agregado e prospectar novos destinos internacionais. A estratégia pode reduzir a vulnerabilidade da indústria catarinense às oscilações de demanda provocadas pelas mudanças no mercado chinês.

FONTE: FIESC
TEXTO: Redação
IMAGEM: Magnific

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Investimento

Investimentos estrangeiros na China crescem com expansão do mercado e avanços na inovação

A ampliação do mercado consumidor, o avanço tecnológico e a busca por maior estabilidade em um cenário internacional desafiador têm levado empresas multinacionais a aumentar seus investimentos na China.

Um dos exemplos é o complexo integrado da BASF em Donghai, na cidade de Zhanjiang, na província de Guangdong. O empreendimento da gigante química alemã entrou em operação plena em março, após sete anos de construção, e representa o maior investimento individual da companhia no mundo.

Com aproximadamente quatro quilômetros quadrados de área e aporte de cerca de 8,7 bilhões de euros (US$ 9,89 bilhões), a unidade reúne mais de 30 linhas de produção voltadas ao setor químico.

China ganha espaço como polo de inovação industrial

Segundo Markus Kamieth, CEO da BASF, o projeto em Zhanjiang representa uma nova fase para a indústria química, baseada em eficiência, digitalização e sustentabilidade.

A companhia avalia que a China terá papel central no crescimento global do setor. A expectativa é que o país responda por cerca de 75% da expansão da indústria química mundial até 2035.

O movimento da BASF acompanha uma tendência mais ampla entre empresas estrangeiras na China, que buscam aproveitar o tamanho do mercado local, a força das cadeias de suprimentos e o ambiente voltado à inovação.

Número de empresas estrangeiras aumenta no país

Dados do Ministério do Comércio da China mostram que quase 4.800 empresas financiadas por capital estrangeiro realizaram novos investimentos no país no primeiro semestre de 2026.

No mesmo período, o número de novas empresas com participação estrangeira cresceu 5,3% na comparação anual. O investimento estrangeiro direto (IED) utilizado efetivamente alcançou 402,14 bilhões de yuans, equivalente a US$ 59,22 bilhões.

Os números indicam uma manutenção do interesse internacional pelo mercado chinês, mesmo diante de incertezas econômicas globais e mudanças no cenário geopolítico.

Pesquisas apontam confiança de multinacionais no mercado chinês

A percepção positiva sobre a China também aparece em levantamentos empresariais.

Uma pesquisa do Conselho Empresarial EUA-China revelou que 92% das empresas consultadas registraram lucro no país em 2025.

Outro levantamento realizado pela Câmara de Comércio da União Europeia na China apontou que 75% dos entrevistados consideram suas operações chinesas mais produtivas do que atividades realizadas em outras regiões do mundo.

Os resultados reforçam a avaliação de que a China continua sendo um mercado estratégico para companhias internacionais.

Mercado financeiro chinês atrai novos investidores

A abertura financeira do país também tem ampliado oportunidades para investidores estrangeiros.

Em junho, o Ministério da Fazenda do Brasil apresentou uma carta de intenção à Associação Nacional de Investidores Institucionais do Mercado Financeiro da China, iniciando o processo para uma possível emissão de títulos soberanos brasileiros em yuan, conhecidos como Panda Bonds.

Segundo dados do Banco Popular da China, as emissões de Panda Bonds nos primeiros cinco meses de 2026 alcançaram 136,5 bilhões de yuans, volume 1,9 vez superior ao registrado no mesmo período do ano anterior.

No primeiro trimestre de 2026, o valor acumulado das operações chegou a 167,5 bilhões de yuans, crescimento anual de 93%.

Capital estrangeiro migra para setores de alta tecnologia

A composição dos investimentos internacionais na China também passa por mudanças. O país tem atraído cada vez mais recursos para áreas ligadas à inovação, tecnologia e manufatura avançada.

No primeiro semestre de 2026, os investimentos estrangeiros em serviços de alta tecnologia e manufatura de alta tecnologia cresceram 61% em relação ao ano anterior. Esses setores passaram a representar 36% do total recebido, 11 pontos percentuais acima do registrado no mesmo período anterior.

Segundo Zhao Yuchao, porta-voz da Administração Estatal de Divisas da China, o perfil do investimento estrangeiro vem evoluindo.

De acordo com ele, as empresas internacionais estão deixando de buscar apenas vantagens relacionadas a custos e escala de produção e passando a participar de forma mais intensa do desenvolvimento de produtos e tecnologias criados no país.

China aposta em abertura e modernização para atrair empresas globais

A modernização industrial, o avanço tecnológico e a ampliação da abertura institucional são apontados como fatores que fortalecem o ambiente de negócios chinês.

Com uma economia cada vez mais orientada pela inovação, a China busca oferecer condições mais previsíveis para que investidores estrangeiros desenvolvam projetos de longo prazo e participem de novas oportunidades nos setores estratégicos.

FONTE: Xinhua
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Infomoney

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