Comércio Exterior

Açúcar recua em Nova York e Londres com sinais de demanda enfraquecida

Os preços futuros do açúcar terminaram a sessão da última sexta-feira (25) em baixa nas bolsas de Nova York e Londres. A pressão veio principalmente de sinais de enfraquecimento da demanda física pela commodity.

Em Nova York, o contrato com vencimento em outubro perdeu 8 pontos, encerrando a 17,50 cents por libra-peso. Em Londres, o vencimento dezembro caiu 730 pontos, para US$ 502,60 por tonelada.

Expectativa de grandes entregas pesa em Nova York

Um dos fatores que pressionaram o mercado americano foi a possibilidade de uma entrega elevada associada ao contrato outubro, que vence na próxima quarta-feira.

Segundo a McDougall Global Views, o volume atual de posições em aberto indica que as entregas podem alcançar aproximadamente 1,8 milhão de toneladas, acima da média registrada nos últimos seis anos.

O cenário aumenta a preocupação dos agentes do mercado com a procura física pelo açúcar. Ao longo da semana, as cotações já vinham sob pressão. Na terça-feira, o contrato negociado em Nova York atingiu o menor valor em um mês, enquanto Londres registrou a mínima em cerca de seis semanas.

Contrato em Londres registra entrega expressiva

A percepção de demanda mais fraca ganhou força após o vencimento do contrato outubro em Londres, que resultou na entrega de 499.350 toneladas de açúcar.

O volume foi 91% superior ao registrado um ano antes e ficou entre os maiores já contabilizados para um contrato com vencimento em outubro.

Para o mercado, a quantidade elevada reforça os sinais de menor demanda física e dificulta uma recuperação mais consistente dos preços.

Fundos ampliam posições compradas

O posicionamento dos fundos também está no radar dos investidores. O relatório Commitment of Traders (COT) apontou aumento de 791 contratos líquidos nas posições compradas em açúcar em Nova York na semana encerrada em 15 de setembro.

Com o movimento, o volume de posições líquidas compradas chegou a 161.342 contratos, maior patamar em quase três anos.

Um estoque elevado de posições compradas pode aumentar a pressão vendedora caso as cotações continuem recuando, uma vez que os investidores podem optar por liquidar parte dessas posições.

StoneX reduz previsão de déficit mundial

A perspectiva para o equilíbrio entre oferta e demanda também mudou após uma revisão da StoneX para a temporada 2026/27.

A consultoria reduziu sua estimativa de déficit global de 1,7 milhão para 900 mil toneladas. Entre os fatores considerados está a expectativa de uma moagem recorde de cana-de-açúcar no Centro-Sul brasileiro na próxima safra.

Para 2025/26, que chega ao fim neste mês, a StoneX passou a projetar um superávit mundial de 1,45 milhão de toneladas, ante os 2,9 milhões de toneladas previstos anteriormente.

Mesmo com a revisão, outras projeções ainda indicam déficit na próxima temporada. A Organização Internacional do Açúcar (ISO) calcula um saldo negativo de 200 mil toneladas em 2026/27, depois de um superávit estimado em 1,1 milhão de toneladas em 2025/26.

Clima mantém riscos para a oferta

As condições climáticas continuam sendo acompanhadas pelo mercado e ajudam a limitar uma queda mais acentuada das cotações.

No Brasil, as chuvas no Centro-Sul vêm atrasando a colheita e a moagem de cana-de-açúcar. Segundo a União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica), a produção de açúcar na região recuou 26,3% em junho, para 3,903 milhões de toneladas.

Na Índia, o volume acumulado das chuvas de monção estava 15% abaixo da média até 23 de setembro. O país também autorizou a entrada de até 1 milhão de toneladas de açúcar bruto sem tarifa até 31 de outubro.

Na Tailândia, a Thai Sugar Millers projeta queda de 17% na produção de açúcar em 2026/27, para aproximadamente 10 milhões de toneladas.

FONTE: Notícias Agrícolas
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Notícias Agrícolas

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