Internacional

Guerra no Oriente Médio amplia risco de falta de combustível e pressiona mercado do petróleo

A continuidade da guerra no Oriente Médio acima das previsões iniciais tem aumentado o temor de uma crise global de abastecimento de petróleo e combustíveis. Com o Estreito de Ormuz fechado e os estoques comerciais em queda, especialistas alertam para um possível choque de oferta no mercado internacional.

Dados da EIA, agência de energia dos Estados Unidos, mostram que o mundo encerrou 2025 com cerca de 2,5 bilhões de barris armazenados em reservas estratégicas. O volume seria suficiente para abastecer os dez maiores consumidores globais por aproximadamente 39 dias e meio.

Reservas estratégicas não são distribuídas de forma igual

Embora os estoques estratégicos tenham sido criados para garantir segurança energética em momentos de crise, a distribuição das reservas é desigual entre os países.

Nações altamente dependentes de importação, como as Filipinas, já demonstraram preocupação após a escalada do conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã. O país asiático importa praticamente todo o combustível consumido, especialmente de produtores localizados no Golfo Pérsico.

Fechamento do Estreito de Ormuz agrava tensão global

Analistas avaliam que o prolongamento da guerra e a interrupção das operações no Estreito de Ormuz aumentam significativamente o risco de escassez de combustíveis fósseis.

Relatório da StoneX destaca que as principais agências globais de energia revisaram suas projeções de oferta e demanda diante da possibilidade de um conflito mais duradouro.

Segundo Tom Pawlicki, especialista em inteligência de mercado da consultoria, o cenário atual ampliou as incertezas sobre a capacidade global de abastecimento energético.

Estoques comerciais de petróleo estão diminuindo

O diretor-executivo da Agência Internacional de Energia (AIE), Fatih Birol, afirmou que os estoques comerciais de petróleo estão sendo consumidos rapidamente.

De acordo com ele, mesmo com a liberação emergencial de reservas estratégicas — responsável por adicionar cerca de 2,5 milhões de barris diários ao mercado — os estoques não são ilimitados e podem se esgotar em poucas semanas caso o conflito continue.

Mercado enfrenta cenário de imprevisibilidade

A duração da guerra e seus impactos econômicos seguem cercados de incertezas, dificultando projeções de mercado.

Relatório recente da S&P Global Ratings aponta elevado grau de imprevisibilidade em relação aos efeitos do conflito sobre preços de commodities, cadeias de suprimentos, economias globais e condições de crédito.

A agência ressalta que suas estimativas podem sofrer mudanças à medida que o cenário evoluir.

Guerra já impacta exportações e reduz estoques globais

Segundo a S&P, as exportações iranianas de petróleo — estimadas entre 1,5 milhão e 2 milhões de barris por dia — foram diretamente afetadas pela escalada militar.

A consultoria calcula que o mercado mundial já perdeu cerca de 1,1 bilhão de barris desde março, considerando volumes interrompidos ou retidos por causa da guerra.

Déficit diário de petróleo preocupa especialistas

Mesmo com a utilização das reservas estratégicas, o déficit global entre oferta e demanda permanece elevado.

De acordo com Bruno Cordeiro, analista da StoneX, o mercado registra atualmente uma diferença de 6 milhões a 7 milhões de barris por dia entre consumo e disponibilidade.

O especialista destaca que a redução da produção no Golfo Pérsico provocou forte queda nos estoques globais, enquanto a liberação das reservas emergenciais não consegue compensar totalmente a perda de oferta.

Mercado acompanha negociações de paz com cautela

Apesar de uma nova proposta de paz enviada pelo Irã aos Estados Unidos por meio do Paquistão, investidores ainda demonstram cautela quanto à possibilidade de um acordo definitivo.

Analistas avaliam que avanços diplomáticos podem aliviar os preços do petróleo no curto prazo. Porém, sem solução concreta, a tendência segue de pressão altista no mercado internacional.

Setor teme impactos prolongados no abastecimento

Especialistas alertam que os efeitos da crise podem se intensificar enquanto o Estreito de Ormuz permanecer fechado.

Além da interrupção do transporte marítimo, o mercado teme que a retomada das operações ocorra de forma lenta, atrasando a normalização do abastecimento global.

O CEO da ExxonMobil, Darren Woods, reforçou o alerta ao afirmar que novos impactos ainda podem surgir caso o bloqueio na região continue.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Gerada por IA

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Mercado Internacional

Gasolina fica 10% mais cara que no exterior com petróleo próximo de US$ 60, aponta Abicom

A gasolina vendida no Brasil está, em média, 10% mais cara que no mercado internacional, mesmo com o petróleo cotado próximo de US$ 60 o barril, segundo dados da Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom). Já o diesel segue mais barato no país do que no exterior.
De acordo com o levantamento, para que os valores voltem à paridade de importação (PPI), a gasolina poderia cair R$ 0,28 por litro, enquanto o diesel precisaria subir R$ 0,11 nas refinarias da Petrobras.

Petrobras pratica subsídio cruzado, aponta Abicom

O presidente da Abicom, Sérgio Araújo, explica que a Petrobras adota atualmente um subsídio cruzado, compensando as perdas do diesel com os lucros obtidos na gasolina.

“Se a estatal reduzir o preço da gasolina, provavelmente terá de aumentar o do diesel”, afirmou Araújo.

O último reajuste da gasolina ocorreu em junho, com redução de R$ 0,17 por litro. Já o diesel teve o preço diminuído em R$ 0,16 por litro em maio, de acordo com os dados oficiais da estatal.

Diferença também é apontada por outros institutos

O Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE) confirma a mesma tendência observada pela Abicom: os preços da gasolina no Brasil estão cerca de 10% acima do valor internacional, enquanto o diesel apresenta queda de 1,43% em relação ao mercado externo.
Essas variações refletem a política de preços da Petrobras, que vem mantendo certa estabilidade interna mesmo diante das oscilações globais no preço do barril.

Mercado internacional reage a tensões geopolíticas

Segundo o analista de Inteligência de Mercado da StoneX, Bruno Cordeiro, a queda recente nas cotações do petróleo está ligada à redução das tensões entre Rússia e Ucrânia.

“O principal fator de baixa é a confirmação de que os presidentes dos Estados Unidos e da Rússia devem se reunir nas próximas semanas para discutir um novo acordo de paz entre os dois países”, explicou Cordeiro.

Para o mercado, a possibilidade de um acordo diplomático pode diminuir riscos geopolíticos e pressionar ainda mais as cotações do petróleo, afetando diretamente os preços dos combustíveis.

FONTE: Estadão Conteúdo
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Modais em Foco

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