Agronegócio

Crise entre EUA e Irã pressiona agronegócio brasileiro e expõe riscos geopolíticos

Agronegócio ganha peso na geopolítica do Brasil
O agronegócio brasileiro tem assumido papel central na projeção internacional do país e, ao mesmo tempo, ampliado sua exposição a tensões globais. A escalada do conflito entre Estados Unidos e Irã surge como um fator de risco relevante, com potencial para afetar diretamente a agropecuária nacional, seja por meio de novas tarifas norte-americanas, impactos nas exportações ao Irã ou aumento no custo de insumos agrícolas.

Em 2025, o Brasil exportou US$ 2,9 bilhões ao Irã. Desse total, mais de 90% tiveram origem no setor agropecuário. Além disso, cerca de 17% da ureia importada pelo país veio do mercado iraniano, evidenciando a dependência de insumos estratégicos.

Conflito no Oriente Médio e impacto na cadeia produtiva
A instabilidade no Oriente Médio pode gerar efeitos em cascata sobre o agro brasileiro. Entre os principais riscos estão a interrupção da cadeia de suprimentos, a alta no preço do petróleo, o encarecimento dos fretes internacionais e o aumento do custo de fertilizantes e outros insumos essenciais à produção agrícola.

Milho e soja lideram exportações ao Irã
Os embarques de milho e soja representam cerca de 87% das exportações brasileiras destinadas ao Irã. O país é o segundo maior comprador de milho do Brasil, atrás apenas da China, respondendo por aproximadamente 20% dessas vendas externas.

Além dos grãos, o agro brasileiro também exporta ao mercado iraniano açúcar, carne bovina e outros produtos. O volume vendido ao Irã supera, inclusive, as exportações destinadas a países como Rússia, África do Sul e Suíça. Recentemente, no entanto, as exportações de milho chegaram a ser temporariamente suspensas devido a dificuldades de comunicação e obtenção de cartas de crédito.

Declaração de Trump eleva incerteza comercial
O principal fator de preocupação foi a declaração do presidente Donald Trump, ao afirmar que “qualquer país que fizer negócios com a República Islâmica do Irã pagará uma tarifa de 25% sobre todos os negócios que realizar com os EUA”. Até o momento, os detalhes da ordem executiva não foram oficialmente apresentados, o que amplia a insegurança jurídica.

Os Estados Unidos são destino de mais de 10% das exportações brasileiras, além de figurarem como importante fornecedor de bens de capital. Já o Irã responde por apenas 0,8% das vendas externas do Brasil. Diante desse cenário, analistas avaliam que uma suspensão temporária das relações comerciais com o Irã poderia ser o caminho mais prudente até a resolução da crise.

Perfil internacional e limites da política externa
Como um dos maiores exportadores de produtos agrícolas do mundo, o Brasil tende a se beneficiar de um posicionamento internacional mais neutro e pragmático, mantendo diálogo com diferentes parceiros sem se envolver em disputas geopolíticas de alta complexidade.

Especialistas apontam que propostas como a substituição do dólar no comércio internacional ou discursos de protagonismo global sem respaldo econômico e militar ampliam riscos desnecessários. Episódios recentes, como a COP 30 em Belém, evidenciaram os limites da influência internacional brasileira, com baixa presença de líderes globais.

Relações sensíveis e riscos futuros
O interesse nacional, segundo analistas, exige equilíbrio diplomático e atenção redobrada nas relações com países sujeitos a sanções internacionais, como Irã e Rússia. A China, por sua vez, também começa a entrar nesse radar de risco.

O Congresso dos Estados Unidos aprovou recentemente a abertura de uma investigação sobre o agronegócio brasileiro e a China, prevista na Seção 6705 da Lei de Inteligência de 2026, reforçando a complexidade do cenário externo enfrentado pelo setor.

FONTE: Artigo de Evaristo Miranda
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Internet

Instagram
LinkedIn
YouTube
Facebook