Comércio Internacional

Tarifas dos EUA mudam cadeias globais de suprimentos e redefinem comércio internacional

A nova política de tarifas dos EUA implementada em 2025 está provocando mudanças profundas no comércio internacional e forçando empresas a reformularem suas estratégias logísticas e operacionais. A conclusão faz parte do relatório “The Rise of the Tariff-Optimized Supply Chain: Inside the New Rules of Global Trade”, divulgado pela empresa de tecnologia logística Infios.

O estudo analisou mais de um milhão de registros de importação dos Estados Unidos entre 2024 e 2025 e identificou uma transformação estrutural nas cadeias globais de suprimentos.

Tarifas deixam de ser custo fixo e passam a influenciar decisões logísticas

Segundo a pesquisa, as tarifas deixaram de ser apenas um custo previsível para se tornarem um fator estratégico na execução do comércio exterior. Empresas passaram a ajustar rotas, modais de transporte, armazenagem e planejamento financeiro para minimizar impactos tributários.

De acordo com Ed Auriemma, CEO da Infios, organizações que conseguirem identificar rapidamente as mudanças no cenário global terão mais capacidade de manter operações eficientes e sem interrupções.

Estudo aponta duas fases de reação ao tarifaço

O levantamento mostra que a reação das empresas ocorreu em dois momentos distintos. Na fase inicial, marcada pelo impacto imediato das medidas tarifárias, importadores adotaram ações emergenciais conhecidas como “panic routing”, com mudanças rápidas de modal logístico e aumento temporário do uso do acordo comercial USMCA.

Nesse período, tarifas superiores a 50% — praticamente inexistentes antes de 2025 — cresceram rapidamente. Como consequência, o frete aéreo e o transporte rodoviário ganharam espaço, priorizando velocidade e previsibilidade operacional.

Com o passar dos meses, as mudanças deixaram de ser temporárias e passaram a representar um novo modelo estrutural para o comércio global.

Flexibilidade se torna vantagem competitiva

Para Don Mabry, vice-presidente de soluções globais da Infios, o cenário atual exige capacidade de adaptação constante. Segundo ele, empresas que conseguem reconfigurar rapidamente suas operações terão vantagem frente às organizações que ainda dependem de sistemas rígidos e pouco flexíveis.

A análise indica que a execução logística passou a ser elemento estratégico nas empresas, deixando de ocupar apenas um papel operacional de retaguarda.

Principais impactos das tarifas no comércio global

O relatório destaca diversas mudanças provocadas pelo novo ambiente tarifário:

  • As alíquotas efetivas ficaram entre 20% e 80% mais altas em determinados setores devido ao chamado “tariff stacking”, que é o acúmulo de tarifas;
  • O frete aéreo internacional cresceu cerca de 12% e permaneceu elevado;
  • O frete marítimo registrou queda entre 10% e 12%, sem recuperação no período analisado;
  • O transporte rodoviário aumentou aproximadamente 8%, impulsionado pelo avanço do nearshoring;
  • O uso de armazéns alfandegados subiu de 10% para até 18% dos registros de importação;
  • A complexidade da classificação tarifária praticamente dobrou;
  • O valor médio das cargas aumentou 78%, enquanto o número de embarques caiu cerca de 7%.

Novas rotas comerciais surgem com mudanças tarifárias

O estudo também mostra que alguns setores começaram a diversificar fornecedores fora da China, especialmente nas áreas de bens de consumo e manufatura leve. Já segmentos industriais e químicos mantiveram maior dependência de mercados tradicionais.

Além disso, novos corredores logísticos passaram a ganhar relevância, enquanto antigas rotas perderam competitividade diante das mudanças tarifárias.

Para a Infios, a chamada “tariff-optimized supply chain” — ou cadeia de suprimentos otimizada para tarifas — passa a ser o novo modelo operacional do comércio internacional. Nesse sistema, tarifas são tratadas como variável estratégica e não mais apenas como custo inevitável.

Empresas precisam agir com rapidez diante da volatilidade

A conclusão do relatório aponta que, em um ambiente de instabilidade comercial permanente, empresas mais flexíveis e preparadas para responder rapidamente às mudanças tendem a conquistar vantagem competitiva no mercado global.

A pesquisa reforça que inteligência logística, adaptação operacional e rapidez na tomada de decisão serão fatores determinantes para o futuro do comércio internacional.

FONTE: Tecnologística
TEXTO: Redação
IMAGEM: Mike Blake/Reuters

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Exportação

Exportações do Brasil para os EUA acumulam nove meses de queda

As exportações brasileiras para os Estados Unidos voltaram a registrar retração em abril e completaram nove meses consecutivos de resultados negativos. No período, as vendas somaram US$ 3,1 bilhões, o que representa uma queda de 11,5% em comparação ao mesmo mês de 2025.

Apesar do desempenho negativo, o ritmo de desaceleração perdeu força nos últimos meses, sinalizando uma possível estabilização no comércio entre os dois países. Ainda assim, permanecem as incertezas envolvendo negociações comerciais e a possibilidade de novas tarifas impostas pelos norte-americanos.

Produtos sobretaxados lideram recuo nas exportações

Dados levantados pela Amcham mostram que, entre janeiro e abril, tanto os produtos com sobretaxa quanto os isentos sofreram queda nas vendas para o mercado americano.

Os itens sem tarifas adicionais apresentaram retração de 16,4%, enquanto os produtos sobretaxados recuaram 17%. Entre os segmentos afetados pela chamada Seção 232, destacam-se cobre, caminhões e madeira. Já os produtos submetidos à tarifa extra de 10% tiveram queda ainda mais intensa, de 23,7%.

No acumulado de 2025, as exportações do Brasil aos EUA caíram 6,6%, atingindo todos os principais setores da economia. A indústria de transformação teve baixa de 4,2%, a indústria extrativa caiu 19,2% e a agropecuária recuou 3,8%.

Segundo a Amcham, o resultado foi na contramão do desempenho das exportações brasileiras destinadas a outros mercados internacionais.

Indústria brasileira sente impacto do mercado americano

A indústria brasileira foi uma das áreas mais prejudicadas pela retração comercial e registrou a primeira queda nas vendas aos EUA desde 2020.

Mesmo com o recuo, os Estados Unidos seguiram como principal destino dos produtos industrializados brasileiros, movimentando US$ 30,2 bilhões — o equivalente a 16% de tudo o que o setor exportou no período.

Do lado das importações, o Brasil também reduziu as compras de produtos americanos no primeiro quadrimestre de 2026, com queda de 13%.

Entretanto, em 2025, as importações vindas dos EUA cresceram 11,3%, alcançando US$ 45,2 bilhões, o segundo maior volume da série histórica. Os norte-americanos permaneceram como a segunda principal origem das importações brasileiras, respondendo por 16,1% do total.

A indústria de transformação concentrou 91,1% dessas compras, com avanço de 15% frente ao ano anterior. Já os setores extrativo e agropecuário registraram retrações de 15,4% e 35,2%, respectivamente.

China ganha espaço no comércio exterior brasileiro

De acordo com Lia Valls, pesquisadora do FGV Ibre, parte das perdas no mercado americano foi compensada pelo aumento das vendas brasileiras para a China ao longo do segundo semestre de 2025.

Entre agosto e dezembro, o volume exportado aos Estados Unidos caiu 21,3%, enquanto as exportações para o mercado chinês cresceram 29,8%.

A especialista afirma que muitas empresas brasileiras passaram a buscar novos compradores internacionais diante das incertezas envolvendo o comércio com os EUA, especialmente no setor de commodities.

Déficit comercial entre Brasil e EUA aumenta

A balança comercial Brasil-EUA apresentou forte deterioração nos últimos anos. O saldo, que havia registrado déficit de US$ 300 milhões em 2024, passou para US$ 7,5 bilhões em 2025.

Segundo analistas, a principal razão para o aumento do déficit foi justamente a redução das exportações brasileiras para o mercado norte-americano.

Enquanto o comércio de bens perdeu força, o setor de serviços mostrou avanço relevante em 2025. As importações brasileiras de serviços americanos chegaram a US$ 25,7 bilhões, enquanto as exportações somaram US$ 14,3 bilhões, com altas de 17% e 11,7%, respectivamente.

Especialistas defendem diversificação de mercados

Para Sergio Vale, da MB Associados, a economia brasileira sofreu impacto relativamente limitado diante das tensões comerciais internacionais, especialmente quando comparada a crises anteriores.

Entre os fatores considerados positivos estão a reforma tributária, o avanço do projeto dos minerais críticos e o crescimento das exportações de petróleo bruto.

A preocupação atual, segundo especialistas, está relacionada às investigações conduzidas pelos EUA com base na Seção 301, consideradas mais amplas e com efeitos potencialmente duradouros sobre o comércio exterior.

Diante desse cenário, especialistas defendem a ampliação das parcerias comerciais do Brasil. O acordo entre Mercosul e União Europeia, além do fortalecimento das relações comerciais com a China, aparecem como alternativas para reduzir a dependência do mercado americano.

José Augusto de Castro, presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), avalia que a balança comercial entre os dois países pode começar a apresentar maior equilíbrio nos próximos meses, embora os Estados Unidos continuem sendo estratégicos para a economia brasileira.

FONTE: Valor Econômico
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Datamar News

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Exportação

Exportações brasileiras para os EUA registram queda de 11,3% em abril

As exportações brasileiras para os Estados Unidos apresentaram retração de 11,3% em abril de 2026, segundo dados divulgados pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex), vinculada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).

No período, as vendas brasileiras ao mercado norte-americano somaram US$ 3,121 bilhões, abaixo dos US$ 3,517 bilhões registrados em abril de 2025.

Importações dos EUA também recuam

As compras brasileiras de produtos norte-americanos também diminuíram no quarto mês do ano. As importações dos EUA caíram 18,1%, passando de US$ 3,780 bilhões em abril do ano passado para US$ 3,097 bilhões em 2026.

Com o desempenho das exportações e importações, a balança comercial entre Brasil e Estados Unidos fechou abril com superávit de US$ 20 milhões para o lado brasileiro.

Tarifas dos EUA seguem impactando produtos brasileiros

O resultado marca a nona queda consecutiva nas exportações brasileiras ao mercado norte-americano desde a adoção da sobretaxa de 50% aplicada pelo governo do presidente dos EUA, Donald Trump, em meados de 2025.

Embora parte dos produtos brasileiros tenha sido retirada das tarifas no fim do ano passado, o MDIC estima que cerca de 22% das exportações brasileiras ainda permanecem sujeitas às medidas tarifárias implementadas em julho de 2025.

Nesse grupo estão incluídos produtos que pagam adicional de 40%, além daqueles submetidos simultaneamente à taxa extra de 40% e à tarifa-base de 10%.

Exportações para a China avançam mais de 30%

Enquanto o comércio com os Estados Unidos perdeu força, as vendas brasileiras para a China registraram forte crescimento em abril.

As exportações para o país asiático avançaram 32,5% na comparação anual, alcançando US$ 11,610 bilhões, frente aos US$ 8,763 bilhões registrados em abril de 2025.

As importações de produtos chineses também aumentaram. As compras brasileiras vindas da China cresceram 20,7%, totalizando US$ 6,054 bilhões.

Com isso, o Brasil acumulou superávit de US$ 5,56 bilhões na balança comercial com a China apenas no quarto mês de 2026.

Superávit com a China supera US$ 11 bilhões no ano

No acumulado entre janeiro e abril de 2026, as exportações brasileiras para a China cresceram 25,4%, atingindo US$ 35,61 bilhões.

Já as importações tiveram leve recuo de 0,4%, somando US$ 23,96 bilhões no período.

O saldo da balança comercial entre os dois países ficou positivo em US$ 11,65 bilhões nos quatro primeiros meses do ano.

FONTE: Estadão Conteúdo
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Modais em Foco

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Internacional

Tarifa de 10% de Trump vira alvo de ação judicial movida por 20 estados americanos

Governos estaduais dos Estados Unidos anunciaram uma ofensiva judicial contra a nova tarifa de 10% imposta pelo presidente Donald Trump sobre produtos estrangeiros. Ao todo, 20 estados — incluindo Nova York, Califórnia e Pensilvânia — informaram nesta quinta-feira (5) que irão contestar a medida na Justiça após a Suprema Corte dos Estados Unidos derrubar parte das tarifas anteriores adotadas pela administração federal.

Os estados argumentam que a nova cobrança aduaneira foi implementada com base em uma interpretação parcial de uma lei comercial de 1974, o que, segundo os governadores e procuradores envolvidos na ação, comprometeria a validade jurídica da medida.

Estados contestam base legal da nova tarifa

De acordo com os governos estaduais, o presidente utilizou apenas parte do texto da legislação que regula medidas emergenciais no comércio exterior dos Estados Unidos, deixando de cumprir exigências previstas na própria norma.

Para os estados, essa interpretação seletiva tornaria a aplicação da nova tarifa de importação irregular, abrindo espaço para contestação judicial.

O governador da Califórnia, Gavin Newsom, criticou duramente a decisão da Casa Branca e afirmou que as medidas tarifárias acabam penalizando a população.

“Trump continua adotando políticas ilegais e irresponsáveis na esperança de que permaneçam em vigor, mas quem paga a conta diariamente são os americanos”, declarou.

Suprema Corte derrubou tarifas anteriores

A disputa ocorre após uma decisão recente da Supreme Court of the United States que invalidou grande parte das tarifas comerciais impostas anteriormente pela gestão de Donald Trump contra diversos parceiros comerciais.

Como resposta à decisão judicial, o presidente anunciou uma nova taxa aduaneira de 10%, com validade temporária de 150 dias. Após esse período, a continuidade da medida dependerá de aprovação do Congresso dos Estados Unidos.

Segundo Newsom, a decisão representa uma tentativa de contornar a decisão da Suprema Corte.

“As tarifas de Trump foram rejeitadas pela Suprema Corte, e agora ele impõe novas cobranças aos californianos e a todos os americanos, como uma criança fazendo birra”, afirmou.

Lei permite tarifas apenas em casos específicos

A legislação utilizada pela Casa Branca autoriza a adoção de medidas tarifárias emergenciais apenas em situações de forte desequilíbrio na balança de pagamentos dos Estados Unidos.

Esse indicador engloba diferentes fluxos financeiros internacionais, incluindo comércio exterior, investimentos e movimentações financeiras entre países.

Para os estados que ingressarão com a ação judicial, não há evidências de que exista atualmente um desequilíbrio dessa magnitude que justifique a adoção da tarifa emergencial.

FONTE: AFP
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/AFP

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Economia

Ibovespa se aproxima dos 190 mil pontos com investidores atentos a tarifas dos EUA

O Ibovespa abriu a terça-feira (24) em alta e voltou a rondar o nível dos 190 mil pontos, acompanhando a recuperação dos índices futuros de Nova York. Apesar do avanço, o ambiente nos mercados segue marcado por cautela diante das tarifas dos Estados Unidos, das tensões geopolíticas e das incertezas relacionadas aos impactos econômicos da inteligência artificial.

O movimento positivo ocorre em meio a um cenário internacional ainda instável, que mantém investidores atentos às próximas decisões de política comercial americana e aos desdobramentos no exterior.

Resultados corporativos e agenda política no radar

No cenário doméstico, o mercado monitora a divulgação de resultados trimestrais de empresas como C&A, GPA, Iguatemi e ISA Energia, prevista para após o fechamento do pregão. Os números podem influenciar o comportamento das ações no curto prazo.

Na esfera política, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva cumpre agenda oficial em Abu Dhabi, onde participa de encontro com Mohammed bin Zayed Al Nahyan, presidente dos Emirados Árabes Unidos. A viagem ocorre após compromisso anterior em Seul.

Redução do custo de capital e dólar firme sustentam a Bolsa

Segundo Pedro Ros, CEO da Referência Capital, o avanço do índice está relacionado à expectativa de queda gradual no custo de capital. Para ele, esse cenário melhora a atratividade dos investimentos, estimula decisões empresariais e fortalece ativos voltados ao mercado interno.

Ele acrescenta que o dólar valorizado contribui para manter a competitividade das exportadoras e funciona como proteção em momentos de maior turbulência global.

Já Guilherme Gaspar, sócio da Ótmow fintech, avalia que o humor do mercado foi influenciado principalmente pelo ambiente externo. Investidores reagiram ao início da vigência de novas tarifas americanas, que elevaram o nível de incerteza e tendem a manter a volatilidade nos mercados. A alíquota adicional entrou em vigor em 10%, abaixo dos 15% que chegaram a ser mencionados anteriormente.

Bancos operam em alta

Entre as blue chips, os grandes bancos registravam ganhos no pregão da manhã. O Santander liderava as altas, com avanço de 1,07%, seguido por Banco do Brasil, com 0,78%. Itaú apresentava valorização de 0,61%, enquanto Bradesco subia 0,33%.

Política comercial dos EUA mantém pressão global

No exterior, o foco permanece na política comercial dos EUA. O governo americano passou a aplicar uma tarifa extra de 10% sobre produtos importados que não estejam incluídos em exceções específicas, conforme comunicado da autoridade aduaneira. A medida retoma o percentual inicialmente anunciado por Donald Trump, após especulações sobre uma possível alíquota maior.

A indefinição envolvendo acordos comerciais e o risco de pedidos bilionários de reembolso por importadores adicionam pressão ao cenário. Ao mesmo tempo, investidores acompanham os impactos da inteligência artificial no setor de tecnologia e software, além das persistentes tensões entre Washington e Teerã.

Por volta das 11h15, o dólar era negociado a R$ 5,17. Em Wall Street, o Dow Jones Futuro subia 0,10%, o Nasdaq Futuro recuava 0,10% e o S&P 500 Futuro avançava 0,20%.

FONTE: Veja
TEXTO: Redação
IMAGEM: Patricia Monteiro/Bloomberg/Getty Images

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Exportação

Exportações do agro brasileiro diante das novas tarifas dos EUA

As exportações do agro brasileiro voltaram ao centro das atenções após a reformulação das tarifas de importação dos Estados Unidos. A mudança foi anunciada pelo presidente Donald Trump depois que a Suprema Corte dos Estados Unidos suspendeu o tarifaço que vinha sendo aplicado desde abril de 2025.

Na sexta-feira (20/2), a Casa Branca confirmou o fim das cobranças anteriores e oficializou uma nova taxa global de 10%, com início para 24 de fevereiro. No dia seguinte, Trump afirmou que a alíquota subiria para 15%, justificando a decisão como forma de corrigir práticas consideradas prejudiciais à economia americana.

Novo cenário abre oportunidades para o Brasil

Mesmo com o ambiente de incerteza no comércio internacional, especialistas avaliam que o novo desenho tarifário pode gerar oportunidades ao Brasil.

Em entrevista à Globo Rural, o pesquisador Felippe Serigati, do Fundação Getulio Vargas (FGV Agro), afirmou que o impacto tende a ser positivo, ainda que limitado.

Segundo ele, parte relevante dos produtos agropecuários já havia sido retirada da tarifa majorada de 40%, que chegava a 50% com acréscimos adicionais. Itens como carne bovina, suco de laranja, café em grão, papel e celulose — responsáveis por grande parcela das vendas brasileiras aos EUA — praticamente não sofrem alteração significativa com a nova taxa.

Setores que podem se beneficiar

Alguns segmentos, no entanto, enxergam possibilidade de retomada nas vendas. Entre eles estão:

  • Pescados
  • Café solúvel
  • Mel

Esses produtos não haviam sido contemplados por reduções anteriores e podem ganhar competitividade com a tarifa uniforme.

Apesar disso, o pesquisador alerta que não há expectativa de crescimento explosivo nas exportações. O efeito positivo deve ocorrer de forma gradual.

Dados do sistema Agrostat, do Ministério da Agricultura e Pecuária, mostram que, em 2024 — antes da vigência do tarifaço — o Brasil exportou mais de 30 mil toneladas de pescado aos Estados Unidos. Em 2025, com a sobretaxa, o volume caiu para 27 mil toneladas.

Alívio pode ser temporário

Especialistas recomendam cautela. A avaliação é que o cenário pode mudar rapidamente, caso o governo americano utilize novos instrumentos legais para alterar novamente as alíquotas de importação.

A própria decisão da Suprema Corte não esgota todas as possibilidades jurídicas para futuras majorações, o que mantém o ambiente de negócios sob vigilância.

O que o Brasil mais vende aos EUA

Em 2025, os produtos florestais lideraram as exportações brasileiras para o mercado norte-americano, respondendo por mais de 26% do valor comercializado. Na sequência aparecem café e carnes.

“Taxa é igual para o mundo inteiro”, diz assessor

O assessor especial do Ministério da Agricultura, Carlos Augustin, avalia que a nova política tarifária não deve gerar impacto relevante sobre as cadeias exportadoras do agro brasileiro.

Segundo ele, o fato de a tarifa ser aplicada de maneira uniforme reduz o risco de prejuízo competitivo ao Brasil. Augustin também classificou como bem-sucedida a atuação diplomática brasileira nas negociações que antecederam a suspensão do tarifaço.

O assessor esteve recentemente nos Estados Unidos para acompanhar a divulgação de dados do United States Department of Agriculture (USDA). Na avaliação dele, a competitividade do agronegócio brasileiro tem incomodado produtores norte-americanos, especialmente em commodities como soja, carne e algodão.

A expectativa do setor agora é acompanhar os desdobramentos políticos e comerciais para avaliar se o novo modelo tarifário se consolidará ou sofrerá novas alterações.

FONTE: Globo Rural
TEXTO: Redação
IMAGEM: Getty Images

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Exportação

Suprema Corte dos EUA pode derrubar tarifas sobre US$ 15 bilhões em exportações brasileiras

Uma decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos pode resultar na retirada de tarifas que atingem cerca de US$ 15 bilhões em exportações brasileiras destinadas ao mercado norte-americano. As informações foram obtidas junto ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic).

Produtos brasileiros podem ser beneficiados

Do total exportado, aproximadamente US$ 6,2 bilhões estavam submetidos a tarifas recíprocas de 10%, enquanto outros US$ 8,9 bilhões eram impactados por sobretaxas adicionais de 40%. Especialistas ouvidos pela imprensa internacional afirmam que ambas as cobranças foram invalidadas pela decisão judicial.

Entre os segmentos potencialmente favorecidos estão máquinas e equipamentos, calçados, café solúvel e outros alimentos tarifados. A medida pode aliviar a pressão sobre setores estratégicos da balança comercial brasileira.

Tarifas da Seção 232 continuam em vigor

Apesar da decisão, permanecem válidas as chamadas tarifas horizontais aplicadas com base na “Seção 232”, mecanismo utilizado para justificar medidas por razões de segurança nacional.

Essas taxas seguem incidindo sobre produtos como aço, alumínio, cobre e madeira, afetando aproximadamente US$ 10,9 bilhões em exportações brasileiras aos Estados Unidos.

Decisão representa revés para Donald Trump

A decisão foi tomada nesta sexta-feira (20) pela Suprema Corte dos Estados Unidos, que concluiu que o presidente Donald Trump ultrapassou os limites da lei federal ao impor tarifas amplas de forma unilateral.

O entendimento da Corte representa uma derrota significativa para a Casa Branca em um tema central da política externa e da agenda econômica do governo.

O parecer majoritário foi redigido pelo juiz-chefe John Roberts, e a decisão foi aprovada por 6 votos a 3. A maioria entendeu que as tarifas excederam a autoridade concedida pela legislação federal.

O tribunal, contudo, não definiu qual será o destino dos mais de US$ 130 bilhões já arrecadados em tarifas, deixando em aberto os desdobramentos financeiros da medida.

FONTE: CNN
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/CNN

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Comércio Internacional

Tarifaço de Trump recai sobre EUA: importadores e consumidores pagaram 96% dos custos

Um estudo do Instituto Kiel para a Economia Mundial mostra que o chamado tarifaço de Trump teve efeito majoritariamente interno: importadores e consumidores dos Estados Unidos arcaram com 96% do custo das tarifas, enquanto exportadores estrangeiros absorveram apenas 4% do impacto.

Segundo a instituição alemã, o resultado contraria o discurso do governo norte-americano à época. “O custo das tarifas de importação dos EUA não é pago por países estrangeiros. Ele recai sobre a própria economia americana”, afirma o Instituto Kiel.

Análise de US$ 4 trilhões em importações

A equipe de pesquisadores analisou mais de 25 milhões de registros de remessas, cobrindo cerca de US$ 4 trilhões em importações dos EUA. A partir desses dados, o estudo concluiu que a arrecadação alfandegária dos Estados Unidos cresceu aproximadamente US$ 200 bilhões em 2025, mas o peso financeiro foi transferido quase integralmente aos compradores internos.

Além disso, os volumes de comércio internacional caíram de forma significativa, enquanto os preços de exportação permaneceram praticamente estáveis, indicando que os exportadores não reduziram valores para compensar as tarifas.

“As tarifas são um gol contra”, diz pesquisador

Para Julian Hinz, diretor de pesquisa do Instituto Kiel e um dos autores do estudo, as medidas tarifárias funcionam como um imposto sobre o consumo. “As tarifas são um gol contra. A ideia de que outros países pagam essa conta é um mito. Os dados mostram que os americanos estão pagando”, afirmou.

Segundo o levantamento, além do aumento de preços, houve redução tanto na variedade quanto na quantidade de produtos importados disponíveis no mercado dos EUA.

Brasil e Índia entre os países afetados

O estudo cita Brasil e Índia como exemplos de países que tiveram tarifas elevadas para até 50% sobre exportações aos Estados Unidos. Posteriormente, o governo Trump recuou parcialmente das medidas, primeiro em relação ao Brasil e, mais recentemente, à Índia.

Mesmo nesses casos, os dados indicam que os exportadores estrangeiros não reduziram seus preços. Se tivessem absorvido o custo das tarifas, os valores cobrados nos EUA seriam menores do que em outros mercados, o que não ocorreu.

Exportadores venderam menos, não mais barato

Ao comparar exportações da Índia para os EUA com envios para a Europa e o Canadá, os pesquisadores identificaram um padrão claro. “O valor e o volume das exportações para os Estados Unidos caíram até 24%, mas os preços unitários permaneceram inalterados”, explica Hinz. “Eles exportaram menos, não mais barato.”

Efeitos de longo prazo

De acordo com o Instituto Kiel, os resultados indicam que empresas americanas tendem a enfrentar margens de lucro menores, enquanto os consumidores devem lidar com preços mais altos no longo prazo. Já os países exportadores passam a buscar novos mercados, diante da queda nas vendas aos EUA.

“As tarifas acabam prejudicando todos os lados”, resume Hinz.

Sobre o estudo

O levantamento intitulado “Gol contra dos EUA: quem paga as tarifas?” foi elaborado por Julian Hinz, Aaron Lohmann, Hendrik Mahlkow e Anna Vorwig. A pesquisa utilizou dados da Panjiva, estatísticas do Departamento do Censo dos EUA e registros alfandegários da Índia para rastrear o repasse dos custos tarifários.

FONTE: Monitor Mercantil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Hu Yousong, Agência Xinhua

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Comércio Internacional

Acordo Mercosul–União Europeia sofre revés em meio à tentativa de diversificação comercial

O Parlamento Europeu decidiu nesta quarta-feira (data local) adiar o avanço de um dos principais acordos comerciais da União Europeia com a América do Sul, frustrando os esforços do bloco para ampliar e diversificar suas relações comerciais internacionais. A decisão ocorre em um contexto de tensão no comércio global, marcado por ameaças do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de impor uma nova rodada de tarifas norte-americanas sobre produtos europeus.

Por margem apertada, os parlamentares aprovaram o envio do acordo firmado com Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai, integrantes do Mercosul, para análise da Corte de Justiça da União Europeia. O objetivo é verificar se o tratado é compatível com os tratados já existentes no bloco europeu.

Análise jurídica pode atrasar acordo em até dois anos

A expectativa é que a avaliação jurídica provoque um atraso significativo na entrada em vigor do acordo comercial. Segundo estimativas internas, a espera por uma decisão pode postergar a implementação do tratado por até dois anos, o que representa um duro golpe para a estratégia europeia de expansão de mercados.

O acordo com o Mercosul é resultado de mais de 20 anos de negociações e tem potencial para criar uma das maiores zonas de livre comércio do mundo, conectando cerca de 700 milhões de consumidores.

Resistência de agricultores e ambientalistas europeus

Apesar do longo processo diplomático, o tratado enfrenta forte resistência dentro da própria Europa. Agricultores europeus e setores ligados ao ambientalismo argumentam que produtos agropecuários sul-americanos não seguiriam os mesmos padrões ambientais e sanitários exigidos na União Europeia, gerando concorrência desleal no mercado interno.

Mesmo diante das críticas, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, acreditava ter reunido apoio suficiente para viabilizar o acordo. No último sábado, ela esteve no Paraguai para assinar o texto final do tratado, demonstrando confiança na aprovação política do pacto.

Comissão Europeia alerta para impacto econômico e reputacional

Em nota oficial, a Comissão Europeia afirmou que o adiamento ocorre em um momento delicado, no qual produtores e exportadores da União Europeia necessitam com urgência de acesso a novos mercados internacionais. O órgão também alertou que a decisão pode afetar a imagem do bloco como um parceiro comercial “confiável e previsível”.

O impasse reacende o debate sobre o futuro do acordo Mercosul-União Europeia e sobre a capacidade do bloco europeu de responder rapidamente às mudanças no cenário do comércio global.

FONTE: The News York Times
TEXTO: Redação
IMAGEM: Pascal Bastien/Associated Press

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Agronegócio

Crise entre EUA e Irã pressiona agronegócio brasileiro e expõe riscos geopolíticos

Agronegócio ganha peso na geopolítica do Brasil
O agronegócio brasileiro tem assumido papel central na projeção internacional do país e, ao mesmo tempo, ampliado sua exposição a tensões globais. A escalada do conflito entre Estados Unidos e Irã surge como um fator de risco relevante, com potencial para afetar diretamente a agropecuária nacional, seja por meio de novas tarifas norte-americanas, impactos nas exportações ao Irã ou aumento no custo de insumos agrícolas.

Em 2025, o Brasil exportou US$ 2,9 bilhões ao Irã. Desse total, mais de 90% tiveram origem no setor agropecuário. Além disso, cerca de 17% da ureia importada pelo país veio do mercado iraniano, evidenciando a dependência de insumos estratégicos.

Conflito no Oriente Médio e impacto na cadeia produtiva
A instabilidade no Oriente Médio pode gerar efeitos em cascata sobre o agro brasileiro. Entre os principais riscos estão a interrupção da cadeia de suprimentos, a alta no preço do petróleo, o encarecimento dos fretes internacionais e o aumento do custo de fertilizantes e outros insumos essenciais à produção agrícola.

Milho e soja lideram exportações ao Irã
Os embarques de milho e soja representam cerca de 87% das exportações brasileiras destinadas ao Irã. O país é o segundo maior comprador de milho do Brasil, atrás apenas da China, respondendo por aproximadamente 20% dessas vendas externas.

Além dos grãos, o agro brasileiro também exporta ao mercado iraniano açúcar, carne bovina e outros produtos. O volume vendido ao Irã supera, inclusive, as exportações destinadas a países como Rússia, África do Sul e Suíça. Recentemente, no entanto, as exportações de milho chegaram a ser temporariamente suspensas devido a dificuldades de comunicação e obtenção de cartas de crédito.

Declaração de Trump eleva incerteza comercial
O principal fator de preocupação foi a declaração do presidente Donald Trump, ao afirmar que “qualquer país que fizer negócios com a República Islâmica do Irã pagará uma tarifa de 25% sobre todos os negócios que realizar com os EUA”. Até o momento, os detalhes da ordem executiva não foram oficialmente apresentados, o que amplia a insegurança jurídica.

Os Estados Unidos são destino de mais de 10% das exportações brasileiras, além de figurarem como importante fornecedor de bens de capital. Já o Irã responde por apenas 0,8% das vendas externas do Brasil. Diante desse cenário, analistas avaliam que uma suspensão temporária das relações comerciais com o Irã poderia ser o caminho mais prudente até a resolução da crise.

Perfil internacional e limites da política externa
Como um dos maiores exportadores de produtos agrícolas do mundo, o Brasil tende a se beneficiar de um posicionamento internacional mais neutro e pragmático, mantendo diálogo com diferentes parceiros sem se envolver em disputas geopolíticas de alta complexidade.

Especialistas apontam que propostas como a substituição do dólar no comércio internacional ou discursos de protagonismo global sem respaldo econômico e militar ampliam riscos desnecessários. Episódios recentes, como a COP 30 em Belém, evidenciaram os limites da influência internacional brasileira, com baixa presença de líderes globais.

Relações sensíveis e riscos futuros
O interesse nacional, segundo analistas, exige equilíbrio diplomático e atenção redobrada nas relações com países sujeitos a sanções internacionais, como Irã e Rússia. A China, por sua vez, também começa a entrar nesse radar de risco.

O Congresso dos Estados Unidos aprovou recentemente a abertura de uma investigação sobre o agronegócio brasileiro e a China, prevista na Seção 6705 da Lei de Inteligência de 2026, reforçando a complexidade do cenário externo enfrentado pelo setor.

FONTE: Artigo de Evaristo Miranda
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Internet

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