Comércio Exterior

Comércio entre Brasil e China bate recorde e soma US$ 143,3 bilhões em 2026

O comércio entre Brasil e China alcançou níveis históricos nos primeiros nove meses de 2026. As exportações brasileiras para o país asiático, as importações de produtos chineses e a corrente de comércio bilateral registraram recordes entre janeiro e setembro, consolidando a China como principal destino das vendas externas brasileiras e maior fornecedora de produtos ao Brasil.

As exportações brasileiras para o mercado chinês cresceram 12% em relação ao mesmo período de 2025, chegando a US$ 84,7 bilhões. Já as importações avançaram 9,9%, totalizando US$ 58,6 bilhões.

Com isso, a corrente de comércio bilateral — que reúne exportações e importações — atingiu US$ 143,3 bilhões. O Brasil também registrou superávit comercial de US$ 26,1 bilhões na relação com os chineses.

Os dados foram compilados pelo Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC), com base em informações do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).

Soja, petróleo e minério de ferro lideram exportações brasileiras

As commodities continuam dominando a pauta de exportações do Brasil para a China. Soja, petróleo bruto e minério de ferro, juntos, representam mais de 77% das vendas brasileiras destinadas ao país asiático.

A soja permaneceu na primeira posição, com US$ 30 bilhões em receitas entre janeiro e setembro. A China absorveu 70% de toda a soja exportada pelo Brasil no período.

O petróleo bruto ocupou o segundo lugar, movimentando US$ 21,8 bilhões. O valor representa um aumento de 49% em comparação com os nove primeiros meses de 2025.

Na sequência aparece o minério de ferro, tradicional produto da pauta exportadora brasileira. A carne bovina também figura entre os principais itens vendidos ao mercado chinês, mas sofreu uma retração de 8,5% neste ano, em meio à adoção de uma cota anual de importação estabelecida por Pequim.

Exportações de carne de frango crescem mais de 100%

Enquanto as vendas de carne bovina recuaram, os embarques de carne de frango brasileira para a China apresentaram forte expansão.

Entre janeiro e setembro, as exportações de carne e miúdos de frango aumentaram 113% em valor e 86% em volume. O produto ficou na sétima posição entre os dez principais itens exportados pelo Brasil ao mercado chinês e registrou o maior crescimento proporcional entre eles.

O minério de cobre também apresentou desempenho positivo. Os embarques avançaram 7,8%, garantindo ao produto a oitava colocação no ranking das principais exportações brasileiras para a China.

Sorgo e DDG ganham espaço no mercado chinês

Além dos produtos tradicionais, novas oportunidades começam a surgir na relação comercial entre os dois países. Tulio Cariello, diretor de conteúdo e pesquisa do CEBC, destacou o avanço das vendas de sorgo e de grãos secos de destilaria, conhecidos pela sigla DDG, um subproduto da fabricação de etanol de milho.

Segundo o pesquisador, o crescimento dos embarques está relacionado à implementação de acordos bilaterais que ampliaram o acesso desses produtos brasileiros ao mercado chinês.

O DDG é utilizado principalmente na produção de ração animal. Entre janeiro e setembro de 2026, o Brasil exportou US$ 204 milhões do produto para todos os destinos, dos quais 53% foram destinados à China.

As vendas aos chineses eram pouco expressivas no ano passado, mas ganharam impulso após a assinatura de um protocolo bilateral em maio de 2025. Os embarques efetivos começaram em fevereiro deste ano.

O sorgo, por sua vez, obteve acesso ao mercado chinês por meio de um acordo fitossanitário firmado no fim de 2024. Com a ampliação das oportunidades comerciais, as exportações brasileiras da commodity somaram US$ 170 milhões nos nove primeiros meses de 2026.

Cariello ressaltou que esses avanços são relevantes porque a China busca diversificar seus fornecedores de insumos para alimentação animal, ao mesmo tempo que procura ampliar a produção doméstica.

Exportações de espodumênio avançam 339%

Outro destaque entre as vendas brasileiras foi o espodumênio, mineral utilizado na extração de lítio e associado à crescente demanda chinesa por minerais críticos, fundamentais para diferentes cadeias industriais e tecnologias.

As exportações brasileiras do mineral para a China atingiram US$ 172,3 milhões entre janeiro e setembro, uma alta de 339% em relação ao mesmo intervalo do ano anterior.

O mercado chinês respondeu por 97% das exportações brasileiras de espodumênio, evidenciando a concentração das vendas desse produto no país asiático.

Importações de veículos eletrificados chineses somam US$ 5,9 bilhões

Do lado das importações, os veículos eletrificados chineses estiveram entre os principais destaques do comércio bilateral. A categoria inclui modelos híbridos convencionais, híbridos plug-in e veículos totalmente elétricos.

Após uma sequência de altas mensais no primeiro semestre, as importações recuaram em julho e agosto. Nesse período, o Brasil elevou para 35% a tarifa de importação dos veículos eletrificados, ante alíquotas anteriores de 25% ou 30%, conforme as características dos modelos.

Apesar da mudança tributária, os embarques de veículos chineses voltaram a crescer de forma significativa em setembro.

No acumulado de janeiro a setembro, as compras brasileiras de veículos eletrificados provenientes da China chegaram a US$ 5,9 bilhões, o equivalente a aproximadamente 10% de todas as importações brasileiras originárias daquele país.

Para Cariello, os números indicam que o avanço dos veículos chineses no Brasil não se explica apenas pelas condições tarifárias vigentes no primeiro semestre.

Na avaliação do diretor do CEBC, a tendência é que as vendas continuem crescendo até o fim do ano, impulsionadas pela consolidação das marcas chinesas no mercado brasileiro. Ele também apontou os registros de veículos eletrificados no país como um sinal dessa expansão.

Herbicidas e chips de memória se destacam nas importações

Entre os demais produtos comprados pelo Brasil da China, os herbicidas apareceram na terceira posição entre as dez principais categorias de importação.

No segmento de tecnologia da informação, os chips de memória chamaram a atenção pela diferença entre o volume adquirido e o valor desembolsado.

Embora a quantidade importada tenha diminuído 11% entre janeiro e setembro, o valor das compras avançou 237% no mesmo período.

O resultado evidencia mudanças importantes na composição das importações brasileiras de produtos chineses e reforça a relevância da relação comercial entre as duas economias.

FONTE: Valor International
TEXTO: Redação
IMAGEM: Domingos Peixoto/Agência o Globo

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Tecnologia

Hyundai defende concorrência equilibrada para enfrentar avanço dos carros chineses

A expansão das montadoras chinesas preocupa parte da indústria automotiva global, mas o CEO mundial da Hyundai, José Muñoz, avalia que ainda é possível competir com essas empresas. Para o executivo, o caminho passa por garantir condições equilibradas de concorrência, proteger determinados setores estratégicos e manter investimentos contínuos em produtos e tecnologia.

Muñoz reconhece que os veículos chineses, geralmente mais baratos, poderiam conquistar rapidamente espaço nos Estados Unidos caso as atuais barreiras comerciais fossem retiradas. A declaração foi feita durante a apresentação do Hyundai Tucson 2027, em Nova York.

Hyundai pede condições iguais de competição

Na avaliação de Muñoz, todas as fabricantes que disputam o mercado norte-americano deveriam atuar sob regras semelhantes. O executivo afirma que a Hyundai já enfrenta concorrentes de diferentes países em diversos mercados e apresenta bons resultados quando considera que existe um ambiente competitivo equilibrado.

A preocupação com a chegada das marcas chinesas aos Estados Unidos tem como referência o desempenho observado na Europa. Nos últimos anos, fabricantes da China ampliaram sua participação no continente oferecendo veículos cerca de 30% mais baratos que modelos europeus equivalentes, mesmo com a incidência de tarifas.

O avanço aumentou a pressão sobre fabricantes tradicionais, como Volkswagen, Volvo e Mercedes, e alimenta o receio de que um movimento semelhante ocorra no mercado norte-americano.

Tarifas dificultam entrada de veículos chineses nos EUA

Atualmente, tarifas elevadas e restrições relacionadas a softwares chineses representam obstáculos importantes para a comercialização direta desses veículos nos Estados Unidos.

O cenário, porém, pode mudar. Donald Trump já afirmou que aceitaria a instalação de fábricas de montadoras chinesas no território americano, desde que as operações empregassem trabalhadores dos Estados Unidos.

Analistas também avaliam que as fabricantes chinesas podem encontrar alternativas para entrar no mercado, seja por meio da produção local, seja por acordos e parcerias com empresas já estabelecidas no país.

Apesar dessa possibilidade, Muñoz afirma que a Hyundai não desenvolveu uma estratégia específica para enfrentar uma eventual entrada dessas marcas. Segundo ele, a prioridade é aprimorar continuamente os próprios veículos, reduzir custos e avançar em tecnologia, independentemente da origem dos concorrentes.

Integração vertical é aposta para reduzir custos

Uma das estratégias da Hyundai é ampliar a integração vertical, aumentando a produção interna de componentes e tecnologias. A intenção é melhorar a relação entre custo e qualidade e diminuir a dependência de fornecedores externos.

Muñoz cita como exemplo o investimento de US$ 5,8 bilhões, equivalente a cerca de R$ 28,9 bilhões, na Louisiana. O projeto prevê a produção de aço com menor impacto ambiental e faz parte dos esforços da empresa para elevar sua competitividade.

A estratégia também deve avançar em áreas como software e tecnologias automotivas, com maior desenvolvimento interno para ampliar o controle sobre custos e reduzir dependências.

Eletrificação mostra diferenças entre China, Europa e EUA

Muñoz admite que ainda não é possível prever exatamente o impacto que uma eventual entrada das montadoras chinesas provocaria nos Estados Unidos. Para ele, entretanto, o desempenho dessas empresas na Europa oferece uma referência importante.

A diferença entre os mercados também aparece na eletrificação dos veículos. Na China, os modelos elétricos já representam mais de 60% das vendas. Na Europa, a participação supera 20%. Nos Estados Unidos, por outro lado, os veículos elétricos permanecem abaixo de 6% do mercado após a retirada dos subsídios federais promovida pelo governo Trump e pelo Congresso.

Além da polarização política e de uma infraestrutura de recarga ainda considerada insuficiente, a disponibilidade de veículos elétricos acessíveis é apontada como um dos principais obstáculos à expansão desse segmento.

Muñoz, no entanto, acredita que os Estados Unidos ainda podem avançar e classifica o país como o mercado automotivo mais competitivo do mundo.

Hyundai aposta em elétricos e híbridos

A Hyundai mantém no mercado americano modelos elétricos como o Ioniq 5 e o Ioniq 9, enquanto amplia sua oferta de veículos híbridos.

Os carros híbridos ganharam importância nos resultados de eletrificação da companhia e estão presentes em modelos de grande volume de vendas, como o Tucson.

O Hyundai Group recentemente ultrapassou a Honda nas vendas de híbridos nos Estados Unidos e passou a ocupar a segunda colocação do segmento, atrás apenas da Toyota.

Baterias continuam sendo um desafio

Outro ponto de atenção está na produção de baterias. Muñoz reconhece que a China possui uma vantagem relevante nesse setor graças à enorme escala alcançada por sua indústria.

A Hyundai, por sua vez, mantém uma joint venture com a SK On para fabricar baterias nos Estados Unidos, em uma unidade localizada na Geórgia, próxima à Metaplant onde a empresa produz veículos elétricos e híbridos.

Segundo o executivo, alcançar grandes volumes de produção é fundamental para ganhar competitividade, já que a bateria representa uma parcela significativa do custo total de um carro elétrico.

Apesar da vantagem chinesa em escala, Muñoz afirma não estar preocupado com a situação. Ele destaca que os Estados Unidos já possuem produção doméstica de baterias conduzida por alguns dos maiores fabricantes mundiais.

FONTE: Notícias Automotivas
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Notícias Automotivas

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Tecnologia

Recarga rápida de carros elétricos muda estratégia dos eletropostos no Brasil

A expansão da recarga rápida de veículos elétricos está alterando não apenas a infraestrutura da mobilidade elétrica, mas também a forma como empresas enxergam a rentabilidade dos locais destinados ao carregamento.

Um levantamento realizado pela Associação Brasileira do Veículo Elétrico em parceria com a Tupi Mobilidade mostra que o número de pontos de recarga rápida em corrente contínua no Brasil passou de 6.479, em fevereiro, para 8.601, em maio de 2026. O avanço foi de 32,8% em apenas três meses.

Ao todo, o país já conta com mais de 25 mil pontos públicos e semipúblicos de recarga.

Esse crescimento, porém, abre uma discussão que vai além da venda de energia. Em muitos empreendimentos, o principal valor econômico do carregador pode estar justamente no consumidor atraído para o local e no período em que ele permanece ali.

Tempo de recarga vira oportunidade de consumo

A dinâmica de um eletroposto é diferente daquela encontrada em um posto tradicional de combustíveis. Enquanto o abastecimento de um veículo a combustão costuma durar poucos minutos, o carregamento cria uma oportunidade maior de permanência.

Esse intervalo pode ser convertido em consumo, conveniência e relacionamento com o cliente.

Um estudo do Transportation Energy Institute realizado nos Estados Unidos registrou, no quarto trimestre de 2025, uma duração média de 32,8 minutos por sessão de recarga. Em lojas de conveniência, a média foi de 30,7 minutos, enquanto nos supermercados chegou a 33 minutos.

Os hábitos dos motoristas brasileiros não precisam reproduzir exatamente esses números para que a lógica seja aplicável ao mercado nacional.

Quando o usuário tem tempo para tomar um café, fazer compras, trabalhar ou utilizar outros serviços enquanto o veículo carrega, o valor daquela visita pode ir muito além da receita obtida pela eletricidade fornecida.

Eletroposto pode funcionar como porta de entrada para outros negócios

Por isso, analisar a rentabilidade de um ponto de recarga apenas pelo preço cobrado por quilowatt-hora pode deixar de lado parte importante do potencial do negócio.

A regulamentação brasileira permite a exploração comercial da recarga de veículos elétricos, com preços negociados livremente. Isso oferece espaço para diferentes modelos de operação.

A receita, portanto, não precisa depender exclusivamente da energia vendida. O carregador também pode funcionar como uma ferramenta para atrair consumidores para restaurantes, lojas, estacionamentos, supermercados, serviços e programas de fidelidade.

Em determinadas operações, a eletricidade deixa de ser o único produto e passa a atuar como o motivo que leva o consumidor a escolher determinado endereço.

Localização ganha importância na expansão da recarga

A integração entre infraestrutura de recarga e comércio ajuda a explicar por que determinados estabelecimentos podem sair na frente nessa nova etapa da mobilidade elétrica.

Postos de combustíveis já contam, em muitos casos, com localização estratégica, fluxo de veículos, iluminação, banheiros e lojas de conveniência.

Nos supermercados, o tempo de compras pode coincidir com o período necessário para recarregar o veículo. Hotéis e restaurantes, por sua vez, podem incorporar o carregamento à experiência oferecida ao cliente.

Já os estacionamentos têm a possibilidade de combinar a vaga com o fornecimento de energia em um único serviço.

Por isso, escolher o local de instalação de um carregador exige mais do que avaliar a potência elétrica disponível, a capacidade da rede ou a quantidade de veículos que circulam pela região.

Também é necessário observar o entorno e identificar se existem serviços ou experiências capazes de fazer o motorista permanecer naquele endereço.

Recarga ultrarrápida pode reduzir o tempo de permanência

A evolução da tecnologia traz um desafio para esse modelo de negócio. Baterias e carregadores estão ficando mais rápidos, reduzindo o tempo necessário para recuperar autonomia.

Dados da Agência Internacional de Energia (IEA), apresentados no Global EV Outlook 2026, indicam que, em veículos compatíveis com potências mais elevadas, 15 minutos conectados a um carregador de 150 kW podem adicionar quase 180 quilômetros de autonomia.

Isso significa que os modelos comerciais não podem depender da expectativa de que o motorista permanecerá 30 ou 40 minutos no estabelecimento durante todas as recargas.

Ao mesmo tempo, a redução do tempo de carregamento não elimina a importância da experiência oferecida ao consumidor. Ela pode, na verdade, aumentar a disputa entre os diferentes pontos de recarga.

Se dois eletropostos oferecem velocidades semelhantes, aspectos como conforto, segurança, alimentação, facilidade de pagamento e disponibilidade de serviços podem pesar na escolha do motorista.

Experiência pode definir vantagem competitiva

A expansão da mobilidade elétrica no Brasil indica que a disputa no mercado de recarga não será determinada apenas pela quantidade de equipamentos instalados ou pelo preço cobrado pela energia.

A combinação entre localização, infraestrutura e experiência tende a se tornar um diferencial mais difícil de copiar.

Para postos de combustíveis, supermercados, hotéis, estacionamentos e centros comerciais, o carregador pode ser encarado como parte de uma jornada de consumo mais ampla, e não apenas como um equipamento instalado para fornecer eletricidade.

O eletroposto do futuro continuará vendendo energia, mas sua competitividade poderá depender cada vez mais do que o consumidor encontra e faz enquanto o veículo recupera autonomia.

Nesse cenário, a recarga rápida deixa de ser apenas uma infraestrutura de transporte e passa a integrar uma estratégia de atração, permanência e relacionamento com clientes.

Tags: recarga rápida, carros elétricos, eletropostos, veículos elétricos, mobilidade elétrica, infraestrutura de recarga, carregadores elétricos, mercado de EVs, eletrificação

FONTE: Exame
TEXTO: Redação
IMAGEM: Leandro fonseca/Exame

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Transporte

Caminhões elétricos na China já ajudam a reduzir consumo de petróleo, diz IEA

A expansão dos veículos elétricos na China já tem impacto mensurável sobre o consumo de petróleo. Segundo estimativa da Agência Internacional de Energia (IEA), a eletrificação da frota evitou o uso de aproximadamente 1 milhão de barris de petróleo por dia no país em 2025.

O cálculo considera o volume de combustível que seria necessário para abastecer veículos com motores a combustão caso eles não tivessem sido substituídos por modelos elétricos. Do total poupado na China, os caminhões elétricos responderam por mais de 10%.

A estimativa da IEA considera todas as categorias de veículos elétricos, e não exclusivamente os caminhões.

China concentra mercado de caminhões elétricos

O avanço dos caminhões elétricos também aparece nos números globais. As vendas desse tipo de veículo mais que dobraram em 2025 e superaram 400 mil unidades no mundo.

A China foi responsável por mais de 90% das vendas globais no período, consolidando a liderança do país nesse mercado.

Entre os caminhões pesados, os modelos elétricos passaram de 13% das vendas chinesas em 2024 para cerca de 28% em 2025. Em dezembro do ano passado, a participação chegou a aproximadamente 50%.

Os dados mais recentes também indicam continuidade do crescimento. No primeiro trimestre de 2026, as vendas de caminhões elétricos na China avançaram mais de 20% em relação aos três primeiros meses de 2025.

Eletrificação reduz demanda por diesel e petróleo

Considerando todas as categorias de veículos elétricos, a IEA estima que aproximadamente 1,7 milhão de barris de petróleo por dia deixaram de ser consumidos em todo o mundo em 2025.

A China respondeu por cerca de 1 milhão de barris diários desse volume. A estimativa representa o combustível que deixou de ser utilizado porque veículos movidos por motores a combustão foram substituídos por alternativas elétricas.

No caso dos caminhões, o efeito está diretamente relacionado à redução do uso de diesel, combustível amplamente utilizado por veículos pesados.

Portos e mineração estão entre os setores com maior adoção

A IEA observa que a eletrificação dos caminhões avança especialmente em atividades nas quais as rotas e os horários de operação são mais previsíveis.

Entre as aplicações citadas estão portos, mineração e transporte industrial. Nesses segmentos, é possível estabelecer pontos fixos de recarga ou adotar sistemas de troca de baterias, facilitando o planejamento das operações.

A disponibilidade de infraestrutura de recarga é apontada como um dos fatores que influenciam a adoção dos caminhões elétricos.

China estabelece meta para caminhões de nova energia

O governo chinês estabeleceu como objetivo que os veículos de nova energia correspondam a 40% das vendas de caminhões pesados até 2030.

Além de ser o principal mercado consumidor, a China também concentra a produção mundial de caminhões elétricos. De acordo com a IEA, mais de 90% das unidades comercializadas globalmente em 2025 foram vendidas no país.

Caminhão elétrico pode alcançar equilíbrio de custos

A análise da IEA indica que, em determinadas aplicações, os caminhões elétricos podem alcançar paridade no custo total de propriedade com modelos a diesel em aproximadamente cinco anos.

A comparação considera não apenas o preço de aquisição, mas também despesas com energia e os custos de operação durante o período de utilização do veículo.

Essa avaliação pode variar conforme o tipo de operação, a distância percorrida, os preços de energia e combustível e as condições de uso dos caminhões.

IEA prevê aumento da economia de petróleo até 2030

A tendência de eletrificação deve ampliar o impacto sobre a demanda por petróleo nos próximos anos.

No cenário baseado nas políticas atualmente adotadas, a IEA projeta que os veículos elétricos, considerando diferentes categorias, poderão evitar o consumo de aproximadamente 5 milhões de barris de petróleo por dia até 2030.

FONTE: Transporte Moderno
TEXTO: Redação
IMAGEM: Divulgação

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Tecnologia

Carros eletrificados atingem 1 milhão de unidades no Brasil

O mercado brasileiro alcançou a marca de 1 milhão de veículos eletrificados emplacados desde o início da série histórica, em janeiro de 2012. O número reúne diferentes tecnologias de propulsão elétrica comercializadas no país.

A categoria inclui modelos 100% elétricos (BEV), híbridos plug-in (PHEV) e híbridos convencionais com tração elétrica (HEV e HEV Flex). Os micro-híbridos (MHEV), no entanto, não fazem parte desse levantamento.

A marca de 1 milhão de unidades já era esperada pela Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE), que havia projetado o alcance do número para setembro.

Mercado de eletrificados acelera em 2026

Entre janeiro e agosto de 2026, foram emplacados 328.477 veículos eletrificados no Brasil. O resultado representa crescimento de 160,5% em comparação com o mesmo período de 2025.

O volume registrado nos oito primeiros meses deste ano corresponde a 34,6% de todos os veículos eletrificados comercializados no país desde o início da série histórica.

Para o presidente da ABVE, Ricardo Bastos, o resultado representa uma mudança no cenário da indústria automotiva brasileira.

“É mais um recorde histórico e a prova definitiva de que já ingressamos numa nova etapa da evolução do mercado automotivo brasileiro”, afirmou.

Carros elétricos lideram vendas em 2026

Considerando somente os emplacamentos realizados em 2026, os carros elétricos representam 44% das vendas de veículos eletrificados.

Os híbridos plug-in (PHEV) aparecem na sequência, com participação de 36% no mercado.

O desempenho mostra a expansão das diferentes tecnologias de eletrificação automotiva no Brasil, em um mercado que reúne veículos totalmente elétricos e modelos híbridos com diferentes sistemas de propulsão.

BYD lidera entre elétricos e híbridos plug-in

Entre os modelos comercializados em 2026, o BYD Dolphin Mini ocupa a primeira posição entre os veículos totalmente elétricos mais vendidos no país.

Já no segmento de híbridos plug-in, o destaque é o BYD Song, que registra o maior número de emplacamentos na categoria neste ano.

A chegada da frota eletrificada à marca de 1 milhão de unidades reforça a expansão dos carros elétricos e híbridos no Brasil e o avanço da eletrificação no mercado automotivo nacional.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Rodrigo Barros/CNN

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Tecnologia

Carros elétricos avançam 63% na União Europeia em agosto de 2026

As novas matrículas de carros elétricos na União Europeia cresceram 62,7% em agosto de 2026, na comparação com o mesmo mês do ano anterior. O avanço ocorreu em meio à alta dos preços dos combustíveis e à continuidade dos incentivos para a compra de veículos eletrificados.

Segundo dados da Associação Europeia de Fabricantes de Automóveis (ACEA), os veículos elétricos a bateria passaram a representar 27,7% das novas matrículas na UE em agosto, contra 17,8% um ano antes.

O crescimento dos elétricos também contribuiu para a expansão do mercado automóvel europeu. As vendas de veículos novos aumentaram 4,5% em agosto e acumulam alta de 5,3% nos primeiros oito meses de 2026.

Subsídios impulsionam mercado de veículos elétricos

Uma análise da EY aponta que os subsídios para carros elétricos e a existência de um dia útil adicional em vários países ajudaram a explicar o desempenho de agosto.

Constantin M. Gall, responsável global pela área de indústria aeroespacial, defesa e mobilidade da EY, afirmou que o crescimento não deve ser interpretado necessariamente como uma recuperação estrutural do mercado. Segundo ele, a evolução das vendas está fortemente relacionada aos incentivos concedidos à mobilidade elétrica.

Gall também alertou que uma eventual retirada dos subsídios pode provocar uma queda significativa nas vendas de veículos elétricos.

Entre os demais tipos de motorização, as matrículas de híbridos plug-in cresceram quase 11% em agosto, enquanto os híbridos elétricos avançaram pouco mais de 2%.

Os híbridos convencionais continuaram como a motorização mais procurada, com aproximadamente um terço das novas matrículas em agosto e participação de 36,6% no acumulado do ano.

Nos primeiros oito meses de 2026, os carros elétricos a bateria e os modelos a gasolina tiveram participação de 21,7% cada no mercado europeu.

Alemanha lidera vendas de carros elétricos

A Alemanha foi o país que mais registrou novos carros elétricos em agosto, com quase 69 mil unidades. A França apareceu na sequência, com mais de 36 mil veículos.

Dinamarca, Bélgica e Países Baixos completaram os principais mercados em volume de matrículas elétricas.

Em termos de crescimento percentual, Estônia e Eslovênia tiveram as maiores altas. As matrículas aumentaram 278% na Estônia e 266% na Eslovênia. Como as bases eram menores, esses percentuais representaram, respectivamente, 174 e 1.651 veículos.

Preços dos combustíveis atingem recordes

O avanço dos veículos eletrificados ocorre em um cenário de forte pressão sobre os preços dos combustíveis na Europa.

Dados da Comissão Europeia indicam que, na semana iniciada em 21 de setembro, o preço médio da gasolina chegou a 2,092 euros por litro. O gasóleo atingiu 2,226 euros por litro.

Os dois valores foram os maiores desde o início da série histórica da Comissão Europeia, em 2005.

Especialistas do Banco Central Europeu (BCE) projetam que as margens de refinação do gasóleo atinjam o pico em outubro. A estimativa, no entanto, foi elaborada antes de os Estados Unidos iniciarem uma análise sobre uma possível restrição total ou parcial às exportações do combustível.

Marcas chinesas ampliam participação no mercado europeu

Enquanto os carros elétricos ganham espaço, fabricantes de origem chinesa também avançam no mercado automóvel da União Europeia.

As vendas dos cinco grupos controlados por capital chinês listados pela ACEA cresceram cerca de 71% em agosto, na comparação anual. A participação conjunta dessas empresas no mercado de veículos novos passou de 6,6% para 10,8%.

Entre os fabricantes que mais cresceram estão Leapmotor, com alta de 211%, Chery, com 201%, BYD, com 129%, e o grupo Geely, que avançou 24%. A Tesla, dos Estados Unidos, registrou crescimento de 53%.

Os números consideram todos os veículos comercializados por cada fabricante, e não apenas os modelos elétricos.

A classificação da ACEA inclui marcas de origem europeia pertencentes a grupos chineses. É o caso da Volvo Cars, contabilizada no grupo Geely.

Montadoras alemãs perdem participação

O avanço dos fabricantes chineses ocorre paralelamente à perda de participação dos principais grupos automóveis alemães.

As vendas somadas de Volkswagen, BMW e Mercedes-Benz recuaram 1,1% em agosto. No mesmo período, a participação conjunta dessas empresas no mercado da UE caiu de 41,3% para 39,1%.

Para Constantin M. Gall, os atuais programas de incentivo adotados pelos países europeus favorecem especialmente fabricantes chineses e a Tesla, que oferecem modelos competitivos, principalmente nas faixas de preços baixa e média.

O especialista também avalia que as empresas chinesas podem continuar ampliando sua participação no mercado europeu, sobretudo nos segmentos de menor preço e nos países do sul da Europa.

Fabricantes europeus enfrentam pressão sobre custos

A EY avalia que o ritmo de crescimento observado em agosto pode perder força caso os incentivos à compra de veículos elétricos sejam reduzidos ou eliminados.

Além da possível retirada dos subsídios, o cenário envolve baixo crescimento econômico, preços elevados do petróleo e incertezas geopolíticas, fatores que podem levar consumidores a adiar a compra de veículos novos.

Outro ponto de atenção está nos custos de produção das baterias. Um relatório citado pela Euronews estima que propostas de regras para ampliar a fabricação de baterias na Europa poderiam acrescentar cerca de 2.100 euros ao preço de um carro elétrico.

O aumento dos custos pode dificultar a oferta de veículos elétricos mais baratos pelas montadoras europeias, justamente em um momento de maior concorrência de fabricantes chineses e de transformação acelerada do mercado automóvel.

FONTE: Euro News
TEXTO: Redação
IMAGEM: AP Photo/Jens Meyer

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Transporte

BYD negocia novos navios para ampliar capacidade de transporte de veículos

A BYD avalia ampliar sua frota marítima para acompanhar o crescimento das exportações de veículos. Informações recentes indicam que a montadora chinesa negocia a possível contratação de até dez novos navios transportadores de veículos, conhecidos como PCTCs (Pure Car and Truck Carriers).

Os projetos considerados poderiam ter capacidade de cerca de 9.200 CEUs cada. No entanto, a negociação ainda não foi concluída e não há definição sobre a quantidade de embarcações, suas dimensões ou a configuração final do negócio.

BYD avalia navios de até 9.200 CEUs

A possibilidade de uma encomenda de dez embarcações foi divulgada inicialmente pela agência chilena Mundo Marítimo, com base em informações do New Ships e da plataforma especializada Robin Assafina.

De acordo com esse cenário, os navios seriam construídos pela China Merchants Industry, nos estaleiros de Jinling e Haimen, com entregas programadas entre 2027 e 2029. Caso o projeto seja confirmado nesses termos, a capacidade adicional chegaria a 92 mil CEUs.

Uma apuração publicada em 15 de setembro pela Xinde Marine News, porém, aponta que as negociações ainda estão em fase preliminar. Fontes consultadas pela publicação afirmam que a BYD conversa com estaleiros para aumentar sua capacidade de transporte, mas ainda não definiu o número de navios, o porte das embarcações, os locais de construção ou o formato comercial da operação.

Entre as alternativas analisadas estão PCTCs de aproximadamente 8.600 e 9.200 CEUs.

O que significa CEU?

A sigla CEU (Car Equivalent Unit) é utilizada pelo setor naval para indicar a capacidade de transporte de veículos de uma embarcação.

Isso não significa, necessariamente, que um navio de 9.200 CEUs consiga transportar exatamente 9.200 carros. A quantidade efetiva depende do tamanho e das características dos veículos embarcados.

Frota marítima começou a crescer em 2024

A estratégia marítima da BYD avançou rapidamente nos últimos anos. A formação da frota dedicada começou em janeiro de 2024, com a entrega do Explorer No. 1, e ganhou novos integrantes até setembro de 2025, quando o BYD Jinan entrou em operação.

A estrutura utilizada pela montadora também inclui os navios Hefei, Changzhou, Shenzhen, Xi’an, Changsha e Zhengzhou.

Parte dessa capacidade, entretanto, não pertence diretamente à BYD. O Explorer No. 1, por exemplo, foi entregue à Zodiac Maritime e posteriormente afretado pela montadora, conforme informações do construtor da embarcação.

A estratégia combina, portanto, navios próprios ou vinculados à companhia com embarcações contratadas no mercado de transporte marítimo.

A primeira expansão da frota acompanhou o aumento das vendas internacionais. Estimativas citadas pela Mundo Marítimo indicam que essa estrutura poderia permitir à empresa exportar até 1 milhão de veículos por ano.

Brasil ganha espaço na estratégia logística

O Brasil foi um dos primeiros destinos relevantes da expansão marítima da BYD. Em maio de 2024, o Explorer No. 1 realizou em Suape (PE) sua primeira escala no continente americano, levando aproximadamente 5,4 mil veículos elétricos e híbridos.

A operação de descarga durou 48 horas e, na época, representou um recorde de importação de veículos em uma única operação no complexo portuário pernambucano. Com capacidade para até 7 mil veículos, o navio levou 27 dias para fazer a viagem entre a China e o Brasil.

Em 2024, o Porto de Suape movimentou 80.051 veículos e vem se consolidando como um hub regional para esse tipo de carga. O terminal possui estrutura voltada às operações Ro-Ro, nas quais os veículos entram e saem das embarcações por meio de rampas.

Produção em Camaçari pode mudar fluxo de veículos

A logística marítima da BYD no Brasil também passou a ter uma nova dimensão com o início da produção em Camaçari (BA).

Inaugurada em outubro de 2025, a fábrica alcançou a marca de 100 mil veículos produzidos em julho deste ano. Com a expansão da fabricação nacional, a dinâmica de transporte da montadora no país pode mudar gradualmente.

Até agora, os grandes car carriers utilizados pela BYD estão principalmente associados ao transporte de veículos produzidos na Ásia para mercados internacionais.

A ampliação da produção brasileira e a possibilidade de utilizar a Bahia como ponto de abastecimento de outros mercados podem aumentar a relevância da logística marítima para futuras exportações. A empresa, contudo, ainda não informou que os navios atualmente em negociação serão destinados a operações relacionadas à fábrica baiana.

Mercado global de car carriers também acelera encomendas

A movimentação da BYD ocorre em um momento de retomada das encomendas de navios transportadores de veículos no mercado internacional.

Dados da Clarksons compilados pela Xinde Marine News indicam que 37 PCCs e PCTCs haviam sido encomendados globalmente até meados de julho deste ano. No mesmo período de 2025, foram registrados apenas nove pedidos durante todo o ano.

O mercado havia apresentado um ritmo ainda mais intenso em 2023 e 2024, com 83 e 73 novas encomendas, respectivamente.

Os estaleiros chineses responderam por 35 dos 37 pedidos registrados até julho. Os novos projetos também refletem uma tendência de embarcações maiores, com capacidade superior a 8 mil CEUs.

É justamente nessa faixa que estão os modelos avaliados pela BYD. Se a companhia escolher a configuração de 9.200 CEUs, poderá adicionar à sua operação embarcações de grande porte para o transporte internacional de veículos.

Exportações da BYD sustentam demanda por transporte marítimo

A possível expansão da frota está diretamente relacionada ao crescimento das exportações da BYD.

Dados da Associação de Automóveis de Passageiros da China, citados pela Agência Mundo Marítimo, mostram que a montadora exportou 184 mil veículos de passageiros a partir da China em agosto, alta de 131% em relação ao mesmo mês de 2025 e de 6% sobre julho.

Entre janeiro e agosto, foram exportados 1,127 milhão de veículos, avanço de 88% na comparação anual.

Somente em agosto, a BYD representou 35,4% das exportações chinesas de veículos de nova energia, categoria que reúne carros elétricos a bateria e híbridos plug-in.

A estratégia marítima da empresa também acompanha a internacionalização de sua produção. Em setembro de 2025, o navio BYD Zhengzhou levou veículos fabricados na Tailândia para o Reino Unido, marcando a primeira operação de exportação da BYD a partir daquela unidade.

FONTE: Transporte Moderno
TEXTO: Redação
IMAGEM: Divulgação

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Tecnologia

China avança em baterias LFP com célula acima de 200 Wh/kg e produção 70% mais rápida

A indústria chinesa de baterias LFP (lítio-ferro-fosfato) deu mais um passo para ampliar a densidade energética dessa tecnologia. Uma nova célula de quarta geração apresentada no país ultrapassou a marca de 200 Wh/kg, enquanto equipamentos industriais demonstraram capacidade de acelerar em cerca de 70% uma das etapas da fabricação.

O avanço foi apresentado por Ouyang Minggao, professor da Universidade Tsinghua e integrante dos principais programas nacionais chineses de pesquisa voltados aos veículos elétricos (EVs).

A divulgação ocorreu durante a World Power Battery Conference 2026, realizada em Yibin, na província de Sichuan. No mesmo evento, fabricantes mostraram máquinas automatizadas capazes de enrolar até 7,5 células prismáticas por minuto, contra 4,4 unidades por minuto na referência anterior.

Embora sejam avanços distintos, os resultados mostram duas frentes da indústria chinesa: aumentar o desempenho das células e, ao mesmo tempo, elevar a produtividade das fábricas de baterias.

LFP já domina o mercado chinês

A aposta na evolução do LFP ocorre em um mercado no qual essa química já possui ampla presença. No primeiro semestre, baterias LFP responderam por 272,0 GWh dos 335,6 GWh instalados na China.

A participação corresponde a 81% do total, reforçando o interesse dos fabricantes em aprimorar uma tecnologia que já conta com escala industrial, cadeia de fornecedores consolidada e custos competitivos.

Nos últimos anos, parte significativa dos ganhos de eficiência veio não necessariamente das células, mas da maneira como elas são organizadas nos conjuntos de baterias. Arquiteturas como Cell-to-Pack (CTP) e a Blade Battery permitiram reduzir a quantidade de materiais considerados inativos.

Fabricantes como CATL e BYD exploraram amplamente essa estratégia. Porém, quanto mais o espaço interno do pacote é otimizado, menores tendem a ser os ganhos adicionais obtidos apenas com mudanças na arquitetura.

Densidade energética passa a ser o próximo desafio

Com o aproveitamento estrutural dos pacotes chegando a níveis mais elevados, aumentar a autonomia ou diminuir o peso dos veículos depende cada vez mais da densidade energética da célula.

É nesse ponto que entra a nova geração de LFP de alta compactação. A proposta busca concentrar uma quantidade maior de material ativo do cátodo dentro do mesmo espaço físico.

Os dados apresentados indicam densidade do pó LFP compactado entre aproximadamente 2,65 g/cm³ e 2,80 g/cm³, além de mais de 430 Wh/L.

É importante destacar que esses números não correspondem à densidade de uma bateria completa instalada em um veículo. A medição de célula não inclui integralmente elementos como estruturas, sistemas de refrigeração, conexões elétricas e outros componentes, que acrescentam peso e volume ao conjunto final.

Nova geração se aproxima da BYD Blade 2.0

A marca de mais de 200 Wh/kg coloca a nova tecnologia próxima de produtos LFP mais avançados já apresentados pela BYD. A Blade 2.0 Long Blade, por exemplo, chega a aproximadamente 210 Wh/kg.

Já a versão Short Blade permanece na faixa de 160 Wh/kg. A diferença evidencia que densidades próximas ou superiores a 200 Wh/kg ainda representam um patamar elevado dentro da própria tecnologia LFP.

A maior compactação, entretanto, também traz obstáculos técnicos. Quando os espaços internos diminuem, pode ficar mais difícil para o eletrólito atravessar adequadamente os eletrodos durante o funcionamento da bateria.

Por isso, fatores como composição dos eletrodos, tamanho das partículas, caminhos para condução elétrica e precisão do processo de fabricação ganham importância à medida que a densidade aumenta.

Baterias de níquel ainda têm vantagem

Apesar do avanço, as baterias ternárias ricas em níquel continuam apresentando densidades energéticas superiores. Um exemplo é a CATL Qilin, cuja densidade é reportada em aproximadamente 285 Wh/kg.

Ainda assim, a evolução do LFP pode ampliar sua competitividade sem exigir uma migração imediata para materiais catódicos com maior concentração de níquel.

Ouyang Minggao já havia avaliado que as baterias líquidas convencionais e maduras devem permanecer predominantes enquanto as tecnologias de baterias de estado sólido atravessam um período mais longo de desenvolvimento.

Caso a nova geração de LFP consiga manter mais de 200 Wh/kg em produção de grande escala, a química poderá ganhar ainda mais espaço entre aplicações que exigem equilíbrio entre autonomia, custo e segurança.

Produção de células também fica mais rápida

O avanço na densidade energética veio acompanhado de uma demonstração de produtividade industrial. Máquinas automatizadas passaram de 4,4 para 7,5 células prismáticas enroladas por minuto.

A diferença representa um aumento de aproximadamente 70,5% na velocidade de enrolamento.

Esse número, porém, não significa que uma fábrica inteira produzirá células acabadas 70% mais rapidamente. O enrolamento é apenas uma das etapas do processo.

Fases como formação, envelhecimento, inspeção, montagem e controle de qualidade também influenciam a capacidade final de uma linha de produção. Além disso, rendimento industrial e taxa de defeitos continuam sendo fatores decisivos para determinar a produtividade real.

Novas regras acompanham evolução das baterias

A expansão da indústria também ocorre sob as regras estabelecidas pelo padrão GB 38031-2025, que passou a ser obrigatório na China em 1º de julho e atualizou requisitos aplicáveis às baterias de tração.

O conjunto de avanços aponta para uma estratégia cada vez mais definida da indústria chinesa: aumentar simultaneamente a densidade energética, a produtividade e a eficiência das fábricas, preservando as vantagens já construídas pelo LFP em custos, escala e cadeia de fornecimento.

FONTE: Notícias Automotivas
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Notícias Automotivas

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Tecnologia

BYD amplia investimentos no Brasil com veículos elétricos, carregadores ultrarrápidos e centro de testes

A BYD Brasil anunciou novos investimentos voltados à expansão da mobilidade elétrica no país, incluindo um centro de pesquisa para testes de veículos autônomos, a instalação de carregadores ultrarrápidos e a entrega de ônibus elétricos para a cidade de São Paulo.

Segundo Marcello Schneider, diretor de Veículos Comerciais e Energia Solar da BYD Brasil, a empresa pretende instalar mil unidades de carregadores ultrarrápidos no território nacional e disponibilizar 100 ônibus elétricos para a capital paulista até o início de 2027.

Rio de Janeiro terá centro de testes para veículos autônomos

Durante o Seminário LIDE Transportes, realizado em São Paulo, Schneider afirmou que as atividades de pesquisa, desenvolvimento e avaliação de veículos autônomos serão realizadas no Aeroporto Internacional do Galeão, no Rio de Janeiro.

O espaço será utilizado para testes de novas tecnologias aplicadas ao transporte, ampliando a presença da fabricante chinesa em projetos de inovação no setor automotivo brasileiro.

Carregadores poderão abastecer veículos em cinco minutos

Entre as iniciativas anunciadas está a expansão da infraestrutura de recarga para veículos elétricos. De acordo com a BYD, os novos carregadores ultrarrápidos terão capacidade de completar o carregamento de um veículo em aproximadamente cinco minutos.

A medida faz parte da estratégia da companhia para acelerar a adoção dos carros elétricos no Brasil, reduzindo uma das principais barreiras para consumidores e empresas: a disponibilidade de pontos de recarga.

Eletrificação avança em setores industriais

Além do transporte urbano, a BYD destaca que a eletrificação já começa a ganhar espaço em segmentos como portos e mineração.

Segundo Schneider, a substituição de caminhões convencionais por modelos elétricos em operações de mineração pode gerar redução de 60% a 70% nos custos operacionais, principalmente devido à maior eficiência energética e à diminuição de despesas relacionadas ao combustível e manutenção.

Mobilidade elétrica envolve energia, baterias e tecnologia

O executivo apresentou a eletrificação dos transportes como parte de um ecossistema mais amplo, que reúne geração e armazenamento de energia, produção de baterias, componentes eletrônicos e veículos desenvolvidos para diferentes aplicações.

Para a BYD, a expansão da mobilidade sustentável depende da integração entre infraestrutura, tecnologia e novos modelos de transporte, com foco na redução de emissões e no aumento da eficiência operacional.

FONTE: Xinhua
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Xinhua

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Exportação

Exportações do Brasil para a China batem recorde no primeiro semestre de 2026

O comércio entre Brasil e China alcançou um novo marco em 2026. As exportações brasileiras para a China somaram US$ 58,3 bilhões no primeiro semestre, o maior valor já registrado para o período. As importações de produtos chineses também atingiram um recorde histórico, totalizando US$ 38,5 bilhões.

Os dados são do Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC), que reforça a posição da China como o principal parceiro comercial do Brasil.

Commodities lideram vendas brasileiras ao mercado chinês

O desempenho foi impulsionado principalmente pelas commodities brasileiras, com destaque para soja, petróleo, minério de ferro e carne bovina, que seguem como os principais produtos exportados para o país asiático.

Segundo o CEBC, a China absorveu:

  • 69,5% de toda a soja exportada pelo Brasil;
  • 68,6% do minério de ferro;
  • 54% do petróleo;
  • 53% da carne bovina.

O resultado evidencia a forte dependência da demanda chinesa para setores estratégicos do agronegócio e da mineração brasileira, mesmo em um cenário de instabilidade no comércio internacional.

China amplia vantagem como principal parceiro comercial

No primeiro semestre, a China respondeu por 31,6% das exportações brasileiras, quase três vezes mais do que os Estados Unidos, segundo maior destino dos produtos nacionais.

No fluxo de importações, a liderança também ficou com o país asiático, responsável por 27% de todas as compras realizadas pelo Brasil no exterior, praticamente o dobro da participação norte-americana.

O saldo da balança comercial entre os dois países permaneceu positivo para o Brasil, com um superávit de US$ 19,8 bilhões, equivalente a 47% do superávit comercial brasileiro, que totalizou US$ 42,4 bilhões no período.

Soja, petróleo e minério registram resultados históricos

A soja continuou sendo o principal item da pauta exportadora brasileira para a China. As vendas chegaram a US$ 20,2 bilhões, crescimento de 7% em relação ao mesmo período do ano anterior, representando 34,7% de tudo o que o Brasil exportou ao mercado chinês.

Já as exportações de petróleo alcançaram um recorde de US$ 15,1 bilhões. De acordo com o CEBC, as tensões geopolíticas no Oriente Médio favoreceram o Brasil como fornecedor alternativo para a China, impulsionando os maiores faturamentos mensais da série histórica em março, abril e junho de 2026.

As vendas de minério de ferro cresceram 9,4%, atingindo US$ 9,2 bilhões, enquanto as exportações de carne bovina também bateram recorde, somando US$ 4,8 bilhões no semestre.

Veículos eletrificados puxam importações chinesas

Do lado das importações, o principal destaque ficou para os veículos eletrificados chineses, incluindo modelos elétricos, híbridos e híbridos plug-in.

As compras desse segmento totalizaram US$ 5,3 bilhões entre janeiro e junho. Segundo o CEBC, o avanço ocorreu devido à antecipação das importações antes da entrada em vigor da tarifa de 35% sobre esses veículos, aplicada a partir de julho.

A China foi responsável por 88% de todas as importações brasileiras desse segmento durante o período.

São Paulo lidera importações; Rio de Janeiro se destaca nas exportações

Entre os estados brasileiros, São Paulo concentrou 24,3% das importações de produtos chineses, seguido por Santa Catarina, com 20,3%, e Espírito Santo, com 12,2%.

No estado capixaba, os veículos elétricos responderam por 65% das compras vindas da China, enquanto o Porto de Vitória foi responsável por 57% do desembarque desses veículos no Brasil.

Nas exportações, o Rio de Janeiro liderou o ranking nacional, com US$ 13,6 bilhões em vendas para a China, o equivalente a 23,3% das exportações brasileiras destinadas ao país asiático. O petróleo representou 94% da pauta fluminense, consolidando o estado como um dos principais protagonistas da relação comercial entre os dois países.

FONTE: Exame
TEXTO: Redação
IMAGEM: 3dmitry/Getty Images

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