Comércio Exterior

EUA e Europa ainda divergem sobre acordo comercial: negociações avançam lentamente

Quase quatro meses depois do aperto de mãos entre Ursula von der Leyen e o presidente Donald Trump, selando um entendimento preliminar para reduzir tensões comerciais, Estados Unidos e União Europeia continuam longe de um consenso. Nesta semana, autoridades americanas desembarcam em Bruxelas para mais uma rodada de negociações, em meio a um cenário de incertezas sobre os termos finais do pacto.

No domingo, o representante de comércio dos EUA, Jamieson Greer, reuniu-se com Maros Sefcovic, comissário europeu de Comércio. Nesta segunda-feira, Greer e o secretário de Comércio americano, Howard Lutnick, participam de um encontro de ministros europeus da área.

Conversas em meio a um acordo ainda incompleto

Embora ambos os lados tenham aceitado, em princípio, um acordo comercial — que prevê tarifas de 15% para o bloco europeu, com exceções — diversos pontos-chave permanecem pendentes. A Europa tenta flexibilizar condições para setores como vinhos e destilados, aço, alumínio, equipamentos médicos e massa alimentícia. Já os EUA cobram que os europeus cumpram compromissos, incluindo investimentos prometidos, e continuam pressionando por mudanças em regulações tecnológicas consideradas rígidas.

Em entrevista à Fox News, Greer afirmou que o processo legal europeu para atender às exigências está em andamento. “Estamos aqui para avaliar o progresso”, disse. Ele ressaltou ainda que, antes de avançar para alternativas futuras, Washington quer ver o acordo atual totalmente implementado.

Analistas destacam que os europeus precisam encarar o pacto como temporário e sujeito a renegociações constantes. “Tudo é uma negociação permanente para esta administração”, afirmou Jörn Fleck, do Atlantic Council.

Washington quer acordo final por escrito

Segundo uma autoridade do governo Trump, os EUA buscam firmar um acordo escrito e vinculante com a União Europeia, incluindo temas ainda não resolvidos, como impostos sobre serviços digitais, alegações de discriminação contra empresas americanas e regras de precificação de medicamentos.

A pressão americana para que a Europa reduza sua regulação digital enfrenta forte resistência, principalmente no que diz respeito à supervisão de conteúdo em grandes plataformas. Para a UE, tais políticas são uma questão de soberania.

Os EUA também criticam pedidos europeus por cortes adicionais de tarifas, alegando que a implementação completa do marco negociado em julho precisa ocorrer antes de qualquer nova redução tarifária.

A aprovação na Europa pode demorar

A proposta que prevê redução de tarifas sobre bens industriais e alguns produtos agrícolas dos EUA ainda precisa passar pelo Parlamento Europeu, onde há receio de que Washington não esteja cumprindo sua parte do acordo.

Autoridades europeias seguem preocupadas com tarifas americanas sobre aço e alumínio. Enquanto o pacto prevê teto de 15% para algumas categorias, muitos itens continuam sujeitos a tarifas de 50%, incluindo produtos que utilizam esses metais. Segundo Bernd Lange, presidente da comissão de Comércio do Parlamento Europeu, o número de itens afetados cresceu desde a assinatura do acordo.

O comissário Sefcovic afirmou recentemente que o limite de 15% deveria valer também para derivados de alumínio, ampliando o escopo da proteção tarifária europeia.

Pressões externas: China no centro das preocupações

Em paralelo às disputas bilaterais, EUA e UE tentam alinhar estratégias para proteger suas cadeias de suprimentos, especialmente após a China restringir exportações de terras raras e outros insumos críticos. Ambos temem a supercapacidade chinesa, que leva empresas a despejarem produtos baratos em seus mercados, prejudicando indústrias locais.

Tarifa sob risco no Supremo dos EUA

Nos Estados Unidos, as tarifas impostas por Trump também enfrentam uma possível reviravolta legal. A Suprema Corte deve julgar se o presidente pode manter as tarifas como parte dos acordos comerciais. Caso a decisão seja contrária, o governo poderá ter de recorrer a outros instrumentos legais para sustentar o pacto — e convencer parceiros internacionais a respeitá-lo.

Indústria europeia pressiona por desfecho

Para setores europeus, como o de bebidas alcoólicas, a prioridade é assegurar que suas solicitações sejam incluídas nas exceções tarifárias. “Esperamos estar nessa lista — e que ela seja bem recebida”, disse Pauline Bastidon, diretora da Spirits Europe. Ainda assim, ela admite que o clima em Washington é imprevisível. “A decisão final está nas mãos de uma só pessoa”, afirmou, referindo-se a Trump.

FONTE: The New York Times
TEXTO: Redação
IMAGEM: Doug Mills/The New York Times

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Comércio Internacional

EUA pressionam UE por ajustes em leis de tecnologia para avançar em acordo sobre tarifas do aço

Os Estados Unidos sinalizaram nesta segunda-feira (24) que só avançarão em uma negociação para reduzir as tarifas aplicadas ao aço europeu caso a União Europeia reveja parte de suas regras voltadas ao setor tecnológico. A solicitação foi apresentada durante encontros em Bruxelas.

Equilíbrio nas normas digitais é ponto-chave
O secretário de Comércio dos EUA, Howard Lutnick, afirmou que Bruxelas precisa buscar “equilíbrio” em suas normas de regulação digital. Segundo ele, não se trata de abandonar legislações já vigentes, mas de ajustá-las para tornar o ambiente regulatório mais flexível e “conveniente” para ambas as partes.

Negociação envolve aço e alumínio
Lutnick ressaltou que, caso a UE promova alterações consideradas satisfatórias por Washington, será possível avançar na resolução das disputas comerciais envolvendo aço e alumínio, temas que há anos geram atritos entre as duas potências econômicas.

FONTE: UOL
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/CNN Brasil

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Economia

Acordo Mercosul–União Europeia deve ser oficializado em 20 de dezembro, afirma Lula

Expectativa de conclusão após mais de 20 anos de negociações

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou neste domingo (23) que pretende formalizar o acordo comercial entre Mercosul e União Europeia no próximo dia 20 de dezembro. A declaração foi feita durante conversa com jornalistas em Johannesburgo, na África do Sul, onde Lula participa da programação da Cúpula do G20.

O tratado, discutido há mais de duas décadas, é considerado o mais abrangente já articulado entre os dois blocos econômicos e envolve temas como comércio internacional, cooperação econômica e sustentabilidade.

Assinatura deve ocorrer na Cúpula dos Líderes do Mercosul

Lula informou que a assinatura está prevista para a Cúpula dos Líderes do Mercosul, em Foz do Iguaçu (PR), período em que o Brasil ainda ocupa a presidência rotativa do bloco sul-americano. Segundo o presidente, a agenda internacional de 2025 deve ser encerrada justamente com esse anúncio oficial.

“Eu regresso para o Brasil, onde eu pretendo não viajar mais esse ano, a não ser para Brasília ou para Foz do Iguaçu, para assinar o acordo Mercosul-União Europeia, que eu penso que vai ser assinado dia 20 de dezembro”, declarou o presidente.

Marco estratégico para integração internacional

A expectativa positiva de Lula reforça o interesse do governo em concluir um acordo visto como estratégico para ampliar competitividade, exportações e parcerias econômicas entre América do Sul e Europa. Caso seja formalizado, o tratado representará um avanço significativo no processo de integração entre os blocos e poderá redefinir rotas comerciais nos próximos anos.

Com informações de Dimitrius Dantas.
Texto: Redação

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Exportação

União Europeia restabelece pre-listing para exportações brasileiras de carne de aves e ovos

A União Europeia confirmou oficialmente ao governo brasileiro o restabelecimento do sistema de pre-listing para estabelecimentos que exportam carne de aves e ovos. A retomada foi comunicada por meio de carta enviada ao Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), marcando o fim de um bloqueio que durava desde 2018.

Mercado europeu volta a abrir portas ao setor avícola
O ministro Carlos Fávaro celebrou a decisão, classificando-a como uma “grande notícia” para o setor. Segundo ele, o mercado europeu — considerado remunerador e estratégico — permaneceu fechado por sete anos às plantas brasileiras de frango e ovos.

Processo de habilitação ganha agilidade
Com o pre-listing restabelecido, os estabelecimentos que cumprirem os requisitos sanitários da União Europeia poderão ser indicados diretamente pelo Mapa. Após a comunicação ao bloco europeu, as plantas ficam aptas a exportar sem a necessidade de inspeção individual pelas autoridades da UE.
O modelo devolve agilidade, previsibilidade e facilita o fluxo de comércio, já que o Mapa passa a atestar quais unidades atendem plenamente às normas europeias.

Três anos de negociações até a reabertura
Fávaro lembrou que o processo exigiu três anos de trabalho técnico e diplomático. Com a confirmação europeia, todas as agroindústrias brasileiras que produzem frango e ovos e que atendam aos critérios sanitários passam a ter acesso imediato ao mercado europeu.

Agenda bilateral intensa garantiu o avanço
A retomada é fruto de uma negociação contínua entre o Mapa e a Comissão Europeia. Em 2 de outubro, uma missão brasileira em Bruxelas — liderada pelo secretário de Comércio e Relações Internacionais, Luís Rua — apresentou pedidos prioritários, como o retorno do pre-listing para proteína animal, o avanço para a reabertura dos pescados e o reconhecimento da regionalização de enfermidades.
No dia 23 de outubro, uma reunião de alto nível em São Paulo entre Rua e o comissário europeu de Agricultura, Christophe Hansen, consolidou os entendimentos sanitários. O encontro registrou o avanço para o pre-listing de aves, encaminhou o mesmo procedimento para ovos e definiu a realização de uma auditoria europeia no sistema de pescados.

Cooperação sanitária será permanente
As duas partes também acertaram a criação de um mecanismo permanente de diálogo para tratar de temas sanitários e regulatórios, com nova reunião prevista para o primeiro trimestre de 2026. A medida busca fortalecer transparência, previsibilidade e reduzir entraves técnicos no comércio agropecuário.

Reconhecimento reforça inspeção brasileira
Com o pre-listing restabelecido, o Brasil reafirma a força e a credibilidade de seus serviços oficiais de inspeção sanitária, garantindo conformidade com as exigências do mercado europeu. A decisão também impulsiona uma agenda de facilitação de comércio, baseada em critérios técnicos e cooperação regulatória entre Brasil e União Europeia.

FONTE: Ministério da Agricultura e Pecuária
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Ministério da Agricultura e Pecuária

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Exportação

Brasil perde US$ 700 milhões em vendas de carne para os EUA: entenda o impacto

As exportações brasileiras de carne bovina fecharam outubro com faturamento de US$ 1,897 bilhão, avanço de 37,4% na comparação com outubro de 2024. O volume embarcado também cresceu: foram 360,28 mil toneladas, alta de 12,8%. Mesmo com a perda estimada de US$ 700 milhões entre agosto e outubro nas vendas para os Estados Unidos, outros mercados compensaram a queda.

Segundo a Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo), que analisa dados da Secex/MDIC, os números incluem carne bovina in natura, industrializada, miudezas comestíveis, sebo bovino e demais subprodutos da cadeia.

Receita recorde no acumulado do ano

De janeiro a outubro, o Brasil registrou recorde histórico de receita: US$ 14,655 bilhões, um crescimento de 36% sobre o mesmo período do ano anterior. O volume exportado também atingiu marca inédita, chegando a 3,148 milhões de toneladas, aumento de 18%.

Queda forte nas vendas aos Estados Unidos

Embora seja o segundo maior comprador da carne brasileira, os Estados Unidos reduziram as importações após o tarifaço. Em outubro, as compras de carne bovina in natura recuaram 54%, somando US$ 58 milhões. A carne industrializada caiu 20,3% (US$ 24,9 milhões), enquanto sebo e gorduras bovinas despencaram 70,4% (US$ 5,7 milhões).

No acumulado de janeiro a outubro, porém, ainda há avanço: as vendas totais de produtos bovinos para os EUA cresceram 40,4%, atingindo US$ 1,796 bilhão — reflexo do ritmo forte antes da aplicação das tarifas.

Entre agosto e outubro, período em que as tarifas estiveram válidas, as exportações para o mercado norte-americano caíram 36,4%, resultando na perda de aproximadamente US$ 700 milhões.

A Abrafrigo avalia que, apesar de o aumento das vendas para outros países ter compensado o prejuízo, o Brasil poderia ter registrado desempenho ainda maior sem as tarifas impostas por Washington.

China mantém liderança e UE amplia compras

A China segue como principal destino da carne bovina brasileira. De janeiro a outubro de 2025, o país asiático gerou US$ 7,060 bilhões em receita e importou 1,323 milhão de toneladas, altas de 45,8% e 21,4%, respectivamente.

A União Europeia, tratada como mercado único, foi o segundo maior destino em outubro, com crescimento de 112% em relação ao mesmo mês do ano anterior. O faturamento atingiu US$ 140 milhões. No acumulado do ano, as compras do bloco somaram US$ 815,9 milhões, avanço de 70,2%. O preço médio da carne bovina in natura enviada à região chegou a US$ 8.362 por tonelada.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: REUTERS/Amanda Perobelli

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Comércio Internacional

Alertam que certificados ambientais se tornam novo requisito nos negócios internacionais

As regras do comércio global estão mudando. Cada vez mais, os acordos internacionais e os consumidores exigem que as empresas comprovem seu compromisso ambiental. Os selos verdes, certificações e critérios de sustentabilidade deixaram de ser opcionais e tornaram-se condições de acesso aos mercados mais competitivos. Nesse cenário, surgem desafios para a Argentina — especialmente para as pequenas e médias empresas (PMEs) — na adaptação às novas exigências ambientais impostas pelo comércio internacional.

Para compreender esse processo, o portal serindustria.com.ar entrevistou Adriana H. Narváez, doutora em Relações Internacionais e reitora do Instituto de Capacitação Aduaneira. Com mestrado pela Universidade Paris I Panthéon Sorbonne e experiência em fóruns da Organização Mundial do Comércio (OMC), Narváez também lidera projetos de pesquisa no Ministério da Educação, Ciência e Tecnologia da Argentina.

A especialista destacou que a sustentabilidade se tornou um elemento essencial da competitividade global. Segundo ela, os selos e certificações ambientais estão se transformando em novas barreiras não tarifárias, especialmente em mercados como União Europeia e Japão. Narváez também observou que muitas PMEs argentinas ainda reagem às exigências externas de sustentabilidade apenas quando enfrentam demandas concretas, em vez de adotar essas práticas de forma estratégica.

Ela analisou ainda o impacto do acordo Mercosul-União Europeia, a necessidade de maior divulgação e incentivos governamentais para estimular a certificação ambiental e o cambio geracional na formação dos novos profissionais de comércio exterior.

Narváez ressaltou que, embora existam programas e linhas de crédito voltados à certificação e à sustentabilidade, a falta de divulgação é o principal obstáculo para que as empresas — especialmente as PMEs — tenham acesso a essas oportunidades. Também explicou que as certificações ambientais, longe de representarem um custo, são investimentos estratégicos que aumentam a rentabilidade e a competitividade das empresas no médio e longo prazo.

A especialista concluiu que, à medida que o mundo avança rumo a economias de baixo carbono, a Argentina tem o potencial de se adaptar e competir globalmente, desde que invista na capacitação de suas empresas e na adoção de padrões ambientais internacionais. Segundo ela, “mais cedo ou mais tarde, essa transição será inevitável — e quem se antecipar sairá na frente”.

FONTE: Ser Industria
IMAGEM: Reprodução/Ser Industria

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Agricultura

França mantém posição contrária ao acordo UE-Mercosul, diz ministra da Agricultura

A ministra da Agricultura da França, Annie Genevard, reiterou neste domingo (9) que o país não assinará o acordo entre a União Europeia e o Mercosul caso ele prejudique os produtores rurais franceses. A declaração reforça a postura cautelosa de Paris dias após o presidente Emmanuel Macron ter demonstrado otimismo quanto à aprovação do tratado.

“Queremos proteger nossos agricultores, e por isso a França não firmará um acordo que, no fim das contas, os condene”, afirmou Genevard ao Journal du Dimanche (JDD). Segundo ela, a França mantém “linhas vermelhas” inegociáveis nas discussões com o bloco sul-americano.

Exigências da França no acordo

A ministra destacou três condições essenciais para que o país aceite o pacto comercial:

  1. Uma cláusula de salvaguarda agrícola, que permita acionar um “freio de emergência” caso os preços caiam por causa de importações em larga escala;
  2. Medidas que impeçam a entrada de produtos agrícolas que não respeitem os padrões europeus de saúde e meio ambiente;
  3. Controles sanitários mais rigorosos para proteger o mercado interno.

Genevard afirmou que ainda há pontos em aberto e prometeu manter “vigilância total” sobre o processo. “Quem decide? Quem verifica? Quais critérios acionam o mecanismo? Estamos avaliando tudo isso, sempre com a mesma pergunta: este sistema realmente protege nossos agricultores?”, questionou.

Apoio de outros países europeus

Questionada sobre a possibilidade de a França bloquear o acordo UE-Mercosul, especialmente após o Brasil mencionar a intenção de assiná-lo até 20 de dezembro, Genevard respondeu que Paris “tem os meios para fazer sua voz ser ouvida”. Ela acrescentou que outros Estados-membros — Polônia, Áustria, Holanda, Irlanda e Hungria — compartilham das mesmas preocupações.

“Enquanto essas garantias não forem formalmente escritas, validadas e aceitas pelos parceiros do Mercosul, a França manterá sua posição”, reforçou.

Divergência com Macron

Na última quinta-feira (4), durante visita ao Brasil, Emmanuel Macron afirmou estar “bastante otimista” quanto ao avanço do acordo, embora tenha ressaltado que o país continuaria “vigilante”. Poucas horas depois, em passagem pelo México, o presidente voltou a dizer que a França “ainda aguarda respostas claras”.

As declarações de Macron foram recebidas com críticas por setores agrícolas e parte da classe política francesa, que consideram o pacto inaceitável nos moldes atuais.

FONTE: UOL
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/UOL

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Comércio Exterior

Agricultores franceses criticam Macron por apoio ao acordo entre União Europeia e Mercosul

Declaração do presidente na COP30, em Belém, é vista como ameaça à soberania agrícola da França e gera forte reação do setor rural.

Macron sinaliza apoio ao Mercosul e irrita agricultores franceses

A fala de Emmanuel Macron durante a COP30, realizada em Belém (PA), provocou forte repercussão na França. Ao afirmar estar “bastante positivo” em relação ao acordo comercial entre União Europeia e Mercosul, o presidente francês foi acusado por representantes do agronegócio de trair os interesses do campo e comprometer o modelo produtivo nacional.

Durante o encontro de chefes de Estado que antecedeu a conferência climática, Macron destacou que permanece “vigilante” e atento aos interesses franceses, mas a aproximação com o Mercosul foi vista como um gesto político de abertura que desagradou profundamente o setor agrícola.

Setor rural fala em “ruptura total” com o governo

Arnaud Rousseau, presidente da FNSEA, principal sindicato agrícola da França, reagiu de forma contundente. Segundo ele, a postura do presidente representa “uma ruptura total com a agricultura francesa”.

“Não deixaremos que nosso modelo, nossos empregos e nossa soberania sejam liquidados”, afirmou Rousseau, convocando os eurodeputados franceses a se oporem à ratificação do tratado. O líder sindical prometeu ainda uma mobilização nacional contra o acordo, que, em sua visão, sacrificaria a produção agrícola francesa em nome de uma globalização sem regras.

Governo tenta conter danos políticos

A ministra da Agricultura, Annie Genevard, tentou minimizar o impacto das declarações de Macron. Segundo ela, “os limites deste acordo na França são conhecidos desde o início” e, apesar de alguns avanços nas negociações, “a conta ainda não fecha”.

A posição francesa sobre o acordo UE-Mercosul tem oscilado ao longo dos últimos anos. Em fevereiro de 2025, durante o Salão da Agricultura de Paris, Macron havia classificado o tratado como “um texto ruim”. Desde então, a Comissão Europeia anunciou cláusulas de salvaguarda para proteger setores sensíveis, especialmente o agroalimentar, o que teria influenciado a mudança de tom do presidente.

O que está em jogo no acordo UE-Mercosul

Negociado há mais de duas décadas, o acordo entre União Europeia e Mercosul busca reduzir tarifas comerciais e ampliar o acesso mútuo aos mercados. Para a UE, o tratado abriria espaço para exportações de automóveis, máquinas e bebidas alcoólicas. Já os países do Mercosul — Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai — poderiam expandir suas vendas de carne bovina, açúcar, arroz e mel no continente europeu.

A França tem sido uma das maiores opositoras do texto desde 2019, alegando riscos ambientais e concorrência desleal. A pressão de sindicatos agrícolas, ambientalistas e parlamentares tem travado a aprovação do acordo, que depende da ratificação pelos parlamentos nacionais dos países europeus.

A volta do tema ao centro do debate geopolítico

Com a fala de Macron em Belém, o acordo UE-Mercosul volta ao centro das discussões econômicas e diplomáticas. O episódio reacendeu tensões internas na França e reforçou o sentimento de resistência entre os agricultores, que veem na abertura comercial uma ameaça direta à sobrevivência do modelo produtivo francês.

FONTE: Terra
TEXTO: Redação
IMAGEM: REUTERS – Stephane Mahe / RFI

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Exportação

Exportações da UE dobram para parceiros com acordos comerciais

As exportações de bens da União Europeia (UE) cresceram o dobro em 2024 para os 76 países com os quais o bloco mantém acordos comerciais, em comparação com os destinos sem tratados preferenciais, segundo o quinto relatório anual sobre a política comercial da UE, publicado pela Comissão Europeia.

O documento destaca que a ampla rede de acordos do bloco ajuda as empresas europeias a encontrar mercados alternativos e reduzir dependências em um contexto geopolítico desafiador.

De acordo com o estudo, as exportações de mercadorias para parceiros com acordos comerciais aumentaram 1,4%, frente ao 0,7% registrado com países sem acordos. O relatório também enfatiza que esses tratados fortalecem a resiliência e a competitividade dos operadores econômicos europeus.

Como exemplo, a Comissão apontou que as exportações para o Canadá cresceram 51% desde 2017, enquanto as vendas para o restante do mundo aumentaram apenas 20%.

Recorde agroalimentar

O relatório também destacou um novo recorde nas exportações agroalimentares, que atingiram 235 bilhões de euros em 2024, um aumento de 2,8% em relação a 2023.

As exportações de alimentos e bebidas para parceiros preferenciais somaram 138 bilhões de euros, com um crescimento de 3,6%, mais que o dobro do registrado com países sem acordos (1,6%).

Comércio de serviços e diversificação

O comércio de serviços com parceiros preferenciais atingiu 1,3 trilhão de euros e cresceu mais de três vezes em comparação com países fora de tratados (4,5% contra 1,2%).

A Comissão destacou que os acordos comerciais favorecem a diversificação e a estabilidade das cadeias de suprimentos. As exportações para México, Noruega, Suíça e Reino Unido compensaram a queda nas vendas para a Rússia, afetadas pelas sanções impostas após a invasão da Ucrânia.

Energia e barreiras comerciais

O relatório também ressaltou que as importações de gás e gás natural liquefeito (GNL) de Argélia, Cazaquistão e Noruega ajudaram a preencher o vazio deixado pela Rússia.

Por fim, Bruxelas informou que somente em 2024 foram eliminadas 44 barreiras comerciais em países terceiros, reforçando a abertura do comércio europeu. Atualmente, a UE mantém 44 acordos comerciais ativos com 76 parceiros em todo o mundo.

FONTE: Todo Logistica News
IMAGEM: Reprodução/Todo Logistica News

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Agricultura, Exportação

União Europeia fará auditoria no sistema sanitário do Brasil em 2026 e pode reabrir mercado de pescados

UE confirma auditoria no sistema sanitário brasileiro

O ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, anunciou nesta terça-feira (4/11) que a União Europeia realizará uma auditoria no sistema sanitário brasileiro no primeiro semestre de 2026. O objetivo é avaliar a possível reabertura do mercado europeu para pescados do Brasil, cujas exportações estão suspensas desde 2017.

Segundo Fávaro, a auditoria representa “uma oportunidade concreta para que o mercado europeu volte a receber os pescados brasileiros”. O anúncio foi feito após o encerramento do segundo dia da Conferência dos Ministros da Agricultura das Américas, realizada em Brasília.


Auditoria deve ocorrer entre maio e junho de 2026

De acordo com a equipe técnica do Ministério da Agricultura, a visita dos auditores europeus está prevista para entre maio e junho de 2026. Embora o ministro tenha mencionado a análise das plantas frigoríficas de pescados, o foco da missão será o sistema sanitário nacional, etapa essencial para garantir o retorno das exportações ao bloco europeu.


Exportação de ovos e carnes de aves ganha novo impulso

Durante o evento, Fávaro também informou que a União Europeia aceitou o sistema de pré-listing para a exportação de ovos brasileiros. Com a medida, todas as agroindústrias que seguirem os protocolos sanitários poderão vender seus produtos diretamente ao mercado europeu, sem necessidade de inspeção prévia de cada planta.

A decisão reforça o avanço recente nas relações comerciais com o bloco, que há menos de duas semanas também aprovou o pré-listing para exportação de carnes de aves.


Brasil amplia mercados para proteína animal

Outro ponto destacado pelo ministro foi a abertura do mercado do Suriname para a carne suína brasileira. “Na próxima semana vamos formalizar o protocolo e oficializar a abertura de mercado”, afirmou Fávaro, destacando que a medida amplia o alcance internacional da proteína animal brasileira.

Fonte: Ministério da Agricultura e Pecuária / Com informações da imprensa oficial.
Texto: Redação

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