Transporte

Número de navios dual fuel quase dobra em 2025 e encomendas seguem aquecidas

O número de navios dual fuel — embarcações capazes de operar com combustíveis alternativos de menor emissão — quase dobrou em 2025, de acordo com dados recentes do World Shipping Council (WSC). A atualização anual do Dual-Fuel Fleet Dashboard revela que os armadores seguem investindo fortemente nessa tecnologia, mesmo diante da ausência de regras regulatórias definitivas para emissões.

Carteira de encomendas mantém ritmo acelerado

Segundo o WSC, a frota de porta-contêineres e navios transportadores de veículos com sistema dual fuel atingiu 400 unidades ao final de 2025, quase o dobro das 218 registradas em 2024. Além disso, há 726 embarcações ainda em encomenda, garantindo que a tecnologia continue com grande presença na carteira global de navios. Somando frotas em operação e em construção, os dois segmentos devem alcançar 1.126 navios dual fuel, com crescimento de 28% em um ano, representando investimentos superiores a US$ 150 bilhões.

Segmentos líderes na transição energética

Os setores de contêineres e transporte de veículos concentram 74% de todos os navios dual fuel. Em termos de arqueação bruta (DWT), 74% das encomendas de contêineres e 87% das de veículos já utilizam combustíveis alternativos. Nos demais segmentos, a participação é menor, cerca de 21%.

Cruzeiros também avançam na transição: mais de 40% das embarcações em encomenda (31 de 75) foram projetadas para operar com múltiplos combustíveis, principalmente GNL, enquanto 59% da arqueação bruta dos cruzeiros em construção utilizará combustíveis alternativos.

Projeções para a frota global

De acordo com análise da DNV, entre 2026 e 2033 estão previstas entregas de 1.138 navios, dos quais 40% devem operar com combustíveis alternativos, o que poderá quase dobrar a frota desse tipo nos próximos oito anos. Apesar de uma desaceleração nas encomendas movidas a metanol em 2025, devido a limitações de oferta, a tendência de transição energética permanece firme, com navios alternativos representando quase 40% de todos os pedidos do ano.

Continuidade do investimento em 2026

Segundo Jason Stefanatos, diretor global de descarbonização da DNV, o movimento seguiu em 2026: apenas em janeiro foram registrados 20 novos pedidos de navios com combustíveis alternativos, incluindo 16 porta-contêineres a GNL, um navio offshore a metanol e três transportadores de GLP, reforçando a aceleração da adoção dessa tecnologia no transporte marítimo.

FONTE: Maritime Executive
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Datamar News

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Transporte

Maersk registra atrasos em navios devido a condições climáticas no Mediterrâneo e no norte da Europa

A Maersk, uma das maiores empresas de transporte marítimo do mundo, informou a ocorrência de atrasos na programação de seus navios em função de condições meteorológicas adversas. Os impactos são mais significativos nas rotas do Mediterrâneo Ocidental e do norte da Europa, afetando o cumprimento dos cronogramas operacionais.

Clima severo afeta rotas estratégicas

Em comunicado divulgado em seu site oficial, a companhia dinamarquesa destacou que suas equipes estão monitorando de perto a situação. Segundo a Maersk, os eventos climáticos severos devem se estender por um período maior do que o inicialmente previsto, exigindo ajustes constantes na operação.

A empresa afirmou manter contato permanente com autoridades portuárias, terminais afetados e operadores dos navios, com foco na gestão de contingências, incluindo a reorganização de berços de atracação e a revisão dos horários das embarcações.

Orientação aos clientes e atualizações operacionais

Diante do cenário, a Maersk recomendou que seus clientes se cadastrem para receber notificações de ETA (horário estimado de chegada). O objetivo é garantir que os embarcadores sejam informados em tempo real sobre alterações de cronograma, à medida que as atualizações operacionais forem inseridas no sistema da companhia.

Golfo de Biscaia concentra os maiores impactos

As principais dificuldades climáticas foram registradas no Golfo de Biscaia, região marítima que abrange importantes portos da França e da Espanha. A área é conhecida por sua instabilidade meteorológica, fator que tem contribuído para os atrasos nas escalas e na navegação.

FONTE: Portal Portuário
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Portal Portuário

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Transporte

Maersk e Hapag-Lloyd retomam rotas escoltadas pelo Mar Vermelho

Mudança estratégica envolve Canal de Suez
As companhias de navegação Maersk e Hapag-Lloyd anunciaram a alteração de um serviço compartilhado da Cooperação Gemini, que passará a operar com rotas escoltadas pelo Mar Vermelho e pelo Canal de Suez. A decisão prevê o uso de escolta naval como parte de um conjunto ampliado de medidas de segurança.

Em comunicado conjunto, as empresas destacaram que a prioridade permanece sendo a proteção da tripulação, das embarcações e da carga dos clientes, diante do cenário de instabilidade na região.

Serviço IMX’ será o primeiro a operar com escolta
O serviço afetado é o IMX’, que conecta a Índia e o Oriente Médio ao Mediterrâneo. A partir de meados de fevereiro, as mudanças passam a valer para as rotas no sentido oeste, operadas pelo navio Albert Maersk, e para as rotas no sentido leste, realizadas pelo Astrid Maersk.

As empresas também informaram que os serviços SE1 e SE3 deverão, em um estágio posterior, transitar pelo Mar Vermelho e pelo Canal de Suez dentro do mesmo modelo operacional.

Implementação será gradual
Segundo Maersk e Hapag-Lloyd, a adoção das novas rotas ocorrerá de forma gradual, com o objetivo de reduzir impactos operacionais e minimizar eventuais transtornos aos clientes. As companhias afirmam que novas atualizações serão divulgadas conforme o avanço do processo e que, neste momento, não há previsão de outras mudanças na malha da Cooperação Gemini relacionadas ao Mar Vermelho.

Monitoramento contínuo da segurança no Oriente Médio
As duas armadoras reforçaram que seguem monitorando atentamente a situação de segurança no Oriente Médio. Qualquer ajuste adicional nos serviços dependerá da estabilidade contínua na região do Mar Vermelho, especialmente diante do risco de novos ataques de milicianos houthis — fator que levou diversas empresas marítimas a suspender operações na área ao longo de 2023.

Cooperação Gemini reúne dezenas de serviços globais
A Cooperação Gemini foi oficialmente lançada em 1º de fevereiro de 2025 e reúne uma ampla rede de 29 serviços principais compartilhados e outros 29 serviços alimentadores, voltados às rotas leste-oeste, ampliando a integração operacional entre Maersk e Hapag-Lloyd.

FONTE: Portos e Navios
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Portos e Navios

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Notícias

EUA aplicam multa milionária à MSC por irregularidades em cobranças portuárias

A Federal Maritime Commission (FMC), órgão regulador do transporte marítimo nos Estados Unidos, aplicou uma multa de US$ 22,67 milhões à Mediterranean Shipping Company (MSC) por violações à Shipping Act, legislação que disciplina as práticas comerciais do setor no país.

A penalidade envolve três infrações distintas relacionadas a cobranças portuárias, falta de transparência tarifária e aplicação indevida de taxas.

Cobrança indevida de demurrage e detention

De acordo com a FMC, uma das irregularidades ocorreu entre 2018 e 2020, quando a MSC cobrou taxas de demurrage e detention de agentes aduaneiros que figuravam apenas como notify parties nos conhecimentos de embarque.

Segundo a agência reguladora, esses agentes não tinham controle operacional sobre a carga nem responsabilidade direta pela movimentação dos contêineres, o que torna a cobrança incompatível com os critérios estabelecidos pela legislação marítima dos EUA.

Falhas de transparência em tarifas de contêineres refrigerados

Outra infração identificada pela comissão refere-se ao período entre 2021 e 2023, quando a MSC deixou de detalhar, em sua tabela tarifária oficial, as cobranças aplicáveis a contêineres refrigerados inoperantes (non-operating reefers).

A ausência dessas informações violou as exigências de transparência tarifária previstas na Shipping Act, que determina a divulgação clara e acessível de todas as taxas praticadas pelas companhias de navegação.

Valores excessivos configuraram prática irregular

Além da omissão de informações, a FMC concluiu que a MSC também aplicou valores considerados excessivos de demurrage e detention relacionados ao uso desses equipamentos refrigerados inoperantes. Para o órgão regulador, a prática ultrapassou limites aceitáveis e caracterizou conduta indevida no transporte marítimo de linha regular.

Fiscalização mais rigorosa no setor marítimo

A decisão reforça a postura mais assertiva adotada pela Federal Maritime Commission nos últimos anos, especialmente após a ampliação de seus poderes de fiscalização e enforcement. O movimento ocorre em um contexto de maior escrutínio sobre as práticas comerciais das armadoras, com foco em equilíbrio contratual, previsibilidade de custos e proteção dos usuários do transporte marítimo.

FONTE: Splash 247
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Datamar News

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Portos

Tempestades e nevascas paralisam portos no sul e oeste da Europa

Fortes tempestades, acompanhadas de nevascas intensas, provocaram uma ampla interrupção nas operações portuárias no sul e no oeste da Europa, comprometendo de forma significativa o fluxo de cargas marítimas, segundo comunicado da Maersk.

A companhia informou que o clima severo tem impactado tanto as remessas de entrada quanto de saída das regiões do norte do continente, resultando em atrasos logísticos, suspensão de atividades e fechamento temporário de diversos terminais portuários.

Portugal, Espanha e Itália entre os mais afetados

Portugal e Espanha estão entre os países mais atingidos, após a emissão de alertas meteorológicos severos na quarta-feira, 28 de janeiro. Já a Itália decretou estado de emergência na segunda-feira, dia 26, em áreas do sul do país, após uma tempestade intensa provocar alagamentos, avanço do mar sobre áreas costeiras e danos à infraestrutura portuária e urbana.

Operações portuárias seguem suspensas

De acordo com a Maersk, diversas terminais do Mediterrâneo Ocidental interromperam completamente suas atividades, sem previsão definida para retomada. Em comunicado aos clientes, a empresa afirmou que as condições extremas estão causando “interrupções relevantes em toda a indústria, com navios buscando abrigo e terminais operando com produtividade reduzida ou totalmente paralisados”.

A companhia não detalhou quais portos específicos foram impactados e não respondeu, até o momento, a solicitações adicionais de esclarecimento. Ainda assim, reforçou que o cenário afeta o setor marítimo europeu como um todo e que, diante da instabilidade climática, novas demoras e suspensões operacionais não estão descartadas.

Incidente com navio reforça riscos à segurança da carga

Em paralelo, a CMA CGM informou que um de seus navios perdeu 58 contêineres no mar após enfrentar condições extremas nas proximidades de Malta. O episódio evidencia os riscos associados às tempestades marítimas, tanto para a segurança da carga quanto para a continuidade das operações nos portos da região.

Setor avalia impactos na cadeia logística

Operadores marítimos seguem monitorando os efeitos do mau tempo e promovendo ajustes em rotas de navegação e cronogramas de entrega, buscando reduzir os impactos sobre a cadeia logística internacional. Autoridades locais, em coordenação com armadores e terminais, acompanham os níveis de água e a integridade das estruturas portuárias, com o objetivo de restabelecer as operações o mais rápido possível.

FONTE: Portal Portuario
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Portal Portuario

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Logística

Lustre de R$ 6 milhões chega a Santa Catarina após transporte em contêiner refrigerado

Um lustre de cristal avaliado em 1 milhão de euros — cerca de R$ 6,24 milhões — desembarcou em Santa Catarina após uma operação logística de alta complexidade. A carga chegou ao Brasil pelo terminal da Portonave, em Navegantes, depois de uma viagem marítima iniciada na Itália e realizada com controle rigoroso de temperatura.

Transporte especial preservou peça de alto valor

Destinado à decoração de uma residência, o lustre foi dividido em 40 volumes, totalizando aproximadamente uma tonelada. Para garantir a integridade da peça durante o transporte, a carga foi acomodada em um contêiner refrigerado (reefer), apesar de não se tratar de um produto perecível.

A operação foi coordenada pela Allog, empresa especializada em logística internacional. De acordo com a especialista em contas estratégicas da companhia, Franciele Ribeiro, a opção pelo transporte marítimo partiu do próprio cliente. O embarque ocorreu no porto de Livorno, com rota direta ao Brasil e tempo de trânsito de 42 dias.

Controle térmico evitou danos ao material

O uso do contêiner refrigerado teve como objetivo evitar oxidação e danos estruturais provocados por variações de temperatura e umidade. Durante toda a travessia, o ambiente interno foi mantido entre 21 °C e 25 °C, dentro dos parâmetros definidos para a preservação do cristal.

Segundo Franciele Ribeiro, o alto valor e a fragilidade da carga exigiram planejamento detalhado e acompanhamento contínuo em todas as etapas da operação, com monitoramento em tempo integral.

Monitoramento contínuo nos portos de origem e destino

Na Itália, a estufagem do contêiner foi realizada por equipes especializadas, com supervisão completa do processo e escolha criteriosa de parceiros locais. Já no Brasil, a Portonave manteve o contêiner em área dedicada a cargas com controle térmico, garantindo a estabilidade das condições ambientais.

O terminal catarinense conta com mais de 3 mil tomadas para contêineres refrigerados e sistema de monitoramento contínuo, o que assegurou a preservação da carga durante a permanência no porto.

Seguro e crescimento da demanda por cargas de alto valor

A operação também incluiu seguro contratado pelo cliente e inspeções estruturais do contêiner nos portos de origem e destino, além de acompanhamento constante para minimizar riscos de impacto ou exposição à umidade.

Segundo a Allog, cresce a demanda por operações logísticas de alto valor agregado, envolvendo itens como decoração, obras de arte, roupas e veículos de luxo. Esse tipo de carga, destaca a empresa, requer procedimentos específicos, tecnologia adequada e parceiros altamente qualificados para garantir a integridade dos bens transportados.

FONTE: ND+
TEXTO: Redação
IMAGEM: Allog/Divulgação/ND Mais

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Portos

Corredor verde entre Santos e Valência avança em acordo firmado no Panamá

A Autoridade Portuária de Santos (APS) avançou na agenda de sustentabilidade portuária ao tratar da criação de um corredor verde entre os portos de Santos, no Brasil, e Valência, na Espanha. O tema foi discutido durante o evento Green Shipping Corridors and Hubs, realizado na Cidade do Panamá.

Acordo fortalece rotas marítimas de baixo carbono

O encontro, promovido pela Universidade Marítima Internacional do Panamá, reuniu autoridades portuárias da América Latina, Caribe e Europa, com foco na promoção de rotas marítimas de baixo carbono e na redução das emissões no transporte marítimo.

Representando o porto santista, o diretor de Operações da APS, Beto Mendes, e o superintendente de Meio Ambiente e Sustentabilidade, Sidnei Aranha, participaram de reunião com Mar Chao López, presidente da Autoridade Portuária de Valência. A principal pauta foi a viabilização prática de um corredor verde marítimo entre os dois complexos portuários.

Memorando prevê uso de combustíveis sem CO₂

Durante o encontro, Beto Mendes e Mar Chao López assinaram um memorando de entendimento que estabelece o compromisso mútuo de viabilizar o abastecimento de embarcações com combustíveis livres de emissões de CO₂. A iniciativa busca criar uma rota logística sustentável, alinhada às metas globais de descarbonização do setor portuário.

Projeto integra estratégia de descarbonização da APS

A proposta do corredor verde integra uma estratégia mais ampla da APS. Em 14 de outubro de 2025, a autoridade portuária já havia firmado contrato com a Fundação Valenciaport para a elaboração de um Plano de Descarbonização e de um Plano Diretor Energético (PDE).

Durante sua apresentação no evento, Mendes destacou o potencial do Porto de Santos e os programas em andamento voltados ao objetivo de neutralidade de carbono, reforçando o compromisso do complexo com a transição energética.

Cooperação internacional no transporte marítimo

O evento contou ainda com a participação do assessor da Diretoria de Operações da APS, Arcelino Tatto, além de representantes de portos da Bélgica, Chile e Equador, operadores marítimos e associações internacionais voltadas à transição energética e à sustentabilidade no transporte marítimo internacional.

FONTE: Porto de Santos
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Porto de Santos

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Portos

Porto de Porto Alegre deve receber cinco navios de longo curso até o fim de fevereiro

Após a retomada das operações de navegação de longo curso, o porto de Porto Alegre tem previsão de receber mais cinco navios internacionais até o final de fevereiro. A informação foi confirmada pela Portos RS, após a chegada da embarcação Equinox Eagle nesta semana.

Primeiro grande navio chega após enchentes de 2024

O Equinox Eagle, com bandeira das Ilhas Cayman, foi o primeiro navio de grande porte a atracar na capital gaúcha desde as enchentes de 2024. A embarcação, com cerca de 200 metros de comprimento, veio de São Petersburgo, na Rússia, transportando 11 mil toneladas de nitrato de potássio.

O navio iniciou a operação de descarga na segunda-feira e deve deixar o porto ainda nesta quarta-feira. Segundo o diretor de Operações da Portos RS, Bruno Gonçalves Almeida, antes das inundações o terminal operava, em média, entre oito e dez navios de longo curso por mês, com foco na movimentação de fertilizantes e cevada.

Retomada reduz custos e alivia indústrias

De acordo com Almeida, o retorno dos navios de grande porte representa um impacto logístico positivo para empresas que utilizam o porto. “Havia uma expectativa grande da comunidade portuária. Muitas indústrias foram bastante afetadas e a chegada dos insumos traz um alívio importante”, afirmou.

A retomada das operações na capital pode gerar uma economia estimada em R$ 1 milhão por navio, quando comparada ao descarregamento em outros estados, como Santa Catarina, além de reduzir custos com transporte rodoviário.

Navegação noturna avança em fase gradual

Embora tecnicamente liberada, a navegação noturna no porto de Porto Alegre ainda deve entrar em operação nos próximos meses. Quando totalmente implementada, permitirá, de forma inédita no Rio Grande do Sul, o acesso de navios com mais de 111 metros durante a noite.

Segundo o diretor da Portos RS, o processo segue em fase de ramp-up, com liberação gradual. “Esse avanço beneficia não apenas os navios de longo curso, mas também a navegação interior, já que anteriormente apenas embarcações menores podiam operar à noite”, explicou. A mudança pode representar uma redução de até dois dias de viagem, impactando diretamente no custo do frete.

Dragagem concluída em canais estratégicos

Paralelamente, foram finalizadas as obras de dragagem em canais considerados críticos, como Itapuã, Pedras Brancas, Leitão e Furadinho. O canal da Feitoria segue em obras.

Com o retorno do longo curso, a Portos RS também planeja avançar em projetos de restauração de armazéns, incluindo o POA11, que teve o telhado destruído durante as enchentes.

Investimentos aguardam formalização

O armazém POA11 deverá receber R$ 5 milhões em investimentos da Unifertil, vencedora da licitação realizada em 2023. No entanto, o contrato ainda aguarda assinatura com o Ministério de Portos e Aeroportos.

Apesar de a liberação total ainda depender da navegação noturna, Almeida avalia o momento como positivo. “A sensação é de dever cumprido. Priorizamos a segurança técnica e evitamos liberações precipitadas, especialmente no que diz respeito à dragagem”, destacou.

FONTE: Correio do Povo
TEXTO: Redação
IMAGEM: Camila Cunha

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Comércio Exterior

Navio da CMA CGM perde 58 contêineres próximo a Malta

CMA CGM registrou a perda de 58 contêineres em alto-mar nas proximidades de Malta, devido a condições climáticas adversas durante a viagem do navio CMA CGM Tiga em direção ao Levante.

Incidente ocorreu em janeiro de 2026

O episódio aconteceu em 20 de janeiro de 2026, conforme comunicado recente da empresa francesa de transporte marítimo. O navio envolvido, CMA CGM Tiga, possui capacidade para 5.500 TEU e é considerado de última geração.

Segundo a companhia, “durante a travessia do sul da Europa ao Levante, o navio enfrentou condições meteorológicas inesperadas e perdeu 58 contêineres no mar. Além disso, alguns contêineres na cobertura sofreram danos”.

Tripulação e carga sem riscos graves

A CMA CGM afirmou que não houve ferimentos entre a tripulação e que o navio permanece apto para navegação. Informações iniciais indicam que nenhum dos contêineres perdidos continha cargas perigosas, minimizando riscos ambientais e de segurança.

Avaliação e assistência aos clientes

A empresa notificou as autoridades competentes e anunciou que o CMA CGM Tiga seguirá para Malta para uma inspeção completa, garantindo a segurança e a continuidade da viagem. A naviera também se comprometeu a contatar diretamente os clientes afetados, oferecendo suporte personalizado.

“Lamentamos os transtornos e possíveis atrasos causados pelo incidente. Manteremos todos informados sobre novas datas de descarga assim que disponíveis”, afirmou a CMA CGM.

Sobre o CMA CGM Tiga

O CMA CGM Tiga foi entregue em abril de 2025 e construído pela Beihai Shipbuilding e China Shipbuilding Trading Co., Ltd. (CSTC). Trata-se de um portacontêiner moderno e equipado com tecnologias de ponta para navegação e segurança.

FONTE: Portal Portuario
TEXTO: Redação
IMAGEM: Leo van Weele/MarineTraffic

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Comércio Exterior

O que acontece com um contêiner perdido no mar?

“Você sabia que centenas de contêineres se perdem no mar todos os anos?” Essa é a pergunta que abre um dos problemas menos visíveis — porém de grande impacto — do comércio global: a perda de contêineres no oceano e suas consequências para o meio ambiente, a navegação e as cadeias logísticas.

Uma realidade do comércio marítimo internacional

O transporte marítimo responde por mais de 80% do comércio mundial. Todos os anos, cerca de 250 milhões de contêineres são movimentados globalmente. Apesar dos avanços tecnológicos e dos protocolos de segurança, perdas continuam ocorrendo. Segundo dados do World Shipping Council (WSC), 576 contêineres foram perdidos no mar em 2024.

As principais causas envolvem tempestades severas, falhas na amarração da carga, erros operacionais e condições extremas de navegação. Embora o percentual em relação ao volume total transportado seja pequeno, os impactos logísticos, ambientais e financeiros são significativos.

O destino de um contêiner no oceano

Quando um contêiner cai no mar, três cenários principais podem ocorrer. Em muitos casos, ele afunda rapidamente devido ao peso da estrutura metálica e da carga. Em outros, permanece parcialmente flutuando e à deriva por semanas ou meses, representando risco à navegação. Há ainda situações em que contêineres ou partes de sua carga chegam a costas e praias, causando poluição e prejuízos ambientais.

Autoridades marítimas alertam que contêineres submersos ou semissubmersos são difíceis de detectar e podem provocar colisões com embarcações menores, como barcos de pesca e veleiros.

Quando o mar devolve histórias: patinhos de borracha e peças de Lego nas praias

Entre os exemplos mais curiosos — e reveladores — do que pode acontecer com cargas perdidas no oceano estão os casos dos chamados “Friendly Floatees” e do “Great Lego Spill”, eventos que se tornaram marcos no estudo das correntes marítimas e da poluição plástica.

Em janeiro de 1992, uma tempestade no Pacífico Norte fez com que um navio cargueiro perdesse pelo menos três contêineres carregados com 28.800 brinquedos de banho de plástico, incluindo patinhos de borracha, tartarugas e outros bichos flutuantes, todos projetados para crianças. Em vez de afundar, os brinquedos flutuaram e se espalharam por milhares de quilômetros, chegando a praias de diversos continentes ao longo dos anos seguintes. Pesquisadores e entusiastas passaram a registrar esses achados como uma forma de entender e mapear as correntes oceânicas, uma vez que os objetos funcionaram como “marcadores” naturais da dinâmica das águas. Este fenômeno ganhou atenção internacional e foi tema do livro Moby-Duck, do autor Donovan Hohn, que explorou a jornada dessas peças e sua utilidade para a ciência das correntes marinhas.

Outro episódio ocorreu em 1997, quando o navio porta-contêineres Tokio Express foi atingido por uma onda forte nas proximidades de Land’s End, na Cornualha, Reino Unido, fazendo com que dezenas de contêineres caíssem no Atlântico. Entre eles, um carregado com aproximadamente 4,75 milhões de peças de Lego, muitas das quais com temática marítima, como dragões, espadas e personagens de conjuntos aquáticos. Ao longo de décadas, milhares dessas peças foram encontradas ao longo de praias no sudoeste da Inglaterra, na Irlanda, na França e em outros pontos da costa europeia, despertando tanto a curiosidade de colecionadores quanto a atenção de ambientalistas, pela durabilidade do plástico e sua lenta decomposição no ambiente marinho. Há registros de achados até 27 anos depois do incidente, como o caso de um garoto britânico que encontrou uma figura de polvo considerada rara entre as peças perdidas.

Estes eventos, além de curiosos, têm servido para ilustrar como objetos aparentemente inofensivos podem viajar grandes distâncias e se transformar em indicadores das correntes oceânicas, ao mesmo tempo em que chamam a atenção para os efeitos persistentes da poluição plástica nos oceanos — um problema que, embora pareça quase anedótico quando exemplificado por brinquedos, tem implicações sérias para a vida marinha e os ecossistemas costeiros.

Prejuízos financeiros que chegam a centenas de milhões de dólares

Os danos causados pela perda de contêineres não se limitam ao valor da mercadoria. Eles afetam toda a cadeia logística, incluindo atrasos, paralisação de contratos, custos de reposição e acionamento de seguros.

Um dos casos recentes mais emblemáticos ocorreu em novembro de 2020, quando o navio ONE Apus perdeu cerca de 1.816 contêineres no Oceano Pacífico durante uma tempestade. Estimativas indicam que a perda direta de carga ultrapassou US$ 90 milhões. Considerando indenizações, danos adicionais e interrupções logísticas, as reivindicações junto às seguradoras superaram US$ 200 milhões.

Outro episódio histórico envolveu o navio MOL Comfort, que se partiu ao meio em 2013, resultando na perda de mais de 4 mil contêineres. O prejuízo total, somando carga, embarcação e impactos operacionais, foi estimado em centenas de milhões de dólares, tornando-se um dos maiores desastres do setor.

A importância estratégica do seguro de carga

Diante desses riscos, o seguro de carga deixa de ser um item opcional e passa a ser um elemento essencial da logística internacional. Esse tipo de seguro protege importadores e exportadores contra perdas totais ou parciais da mercadoria, danos causados por eventos climáticos, acidentes marítimos, extravio e responsabilidades legais.

Sem cobertura adequada, empresas podem enfrentar prejuízos financeiros severos, além de impactos indiretos como perda de credibilidade no mercado, ruptura de contratos e dificuldades para manter operações regulares.

Grandes armadores e seguradoras oferecem planos específicos para transporte marítimo, com valores de cobertura por contêiner que, na maioria dos casos, representam um custo reduzido quando comparado ao potencial prejuízo de uma perda total.

Impactos ambientais e riscos à navegação

Além dos danos econômicos, a perda de contêineres no mar pode gerar consequências ambientais relevantes. Cargas compostas por plástico, produtos químicos, fertilizantes ou outros materiais perigosos podem contaminar ecossistemas marinhos e costeiros.

Organizações internacionais alertam que esses resíduos contribuem para a poluição dos oceanos e podem afetar a fauna marinha, a pesca e o turismo em regiões costeiras.

Como resposta ao problema, novas regras internacionais passaram a exigir maior transparência. A partir de janeiro de 2026, tornou-se obrigatória a notificação de todos os contêineres perdidos no mar, medida que visa aumentar a segurança da navegação e permitir respostas mais rápidas a riscos ambientais.

Um risco invisível da logística global

A queda de contêineres no oceano evidencia que a logística internacional envolve riscos que vão muito além do transporte em si. Os prejuízos financeiros, os impactos ambientais e os riscos à navegação reforçam a necessidade de investimentos contínuos em segurança, gestão de riscos e seguro de carga.

Em um setor que movimenta trilhões de dólares todos os anos, a prevenção e a mitigação desses eventos são fundamentais para garantir a sustentabilidade do comércio global.

TEXTO: Conteúdo produzido com apoio de inteligência artificial, sob curadoria da equipe do ReConecta News.

IMAGEM: PRODUZIDA POR IA

Fontes de pesquisa

World Shipping Council – Containers Lost at Sea Report
Australian Maritime Safety Authority – Containers overboard and marine pollution
Relatórios e registros de incidentes marítimos: ONE Apus (2020) e MOL Comfort (2013)

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