Internacional

Convite de Trump ao Brasil para bloco de minerais críticos expõe disputa global com a China

O convite feito pelos Estados Unidos ao Brasil para integrar um novo bloco comercial de minerais críticos revela mais do que uma iniciativa econômica. A proposta faz parte de uma estratégia geopolítica do governo de Donald Trump para reduzir a dependência americana da China em insumos essenciais para a indústria tecnológica e para a transição energética global.

A avaliação é do analista de Economia da CNN, Gabriel Monteiro, em comentário no CNN Novo Dia. Segundo ele, o movimento representa uma resposta direta à hegemonia chinesa nesse setor estratégico.

Estratégia americana e contrapeso à China

O convite foi direcionado a 54 países e tem como objetivo estruturar um grupo capaz de funcionar como contrapeso à China no mercado internacional de minerais. A ideia é estabelecer regras mínimas de produção, além de discutir preços de referência para esses materiais.

De acordo com Monteiro, trata-se de uma iniciativa que pode ser interpretada como claramente “anti-China”, ao tentar reduzir a influência de Pequim sobre cadeias produtivas consideradas vitais para o futuro da economia global.

Importância dos minerais críticos para a economia global

Recursos como lítio, manganês e cobre são indispensáveis para setores em rápida expansão, como mobilidade urbana, carros elétricos e fabricação de equipamentos eletrônicos. Atualmente, a China domina grande parte da produção mundial desses minerais, com destaque para as terras raras, o que acende alertas entre países ocidentais e seus aliados.

Impactos e dilemas para o Brasil

Para o Brasil, a adesão ao bloco traz desafios relevantes. “Se a iniciativa americana der certo, isso pode colocar o Brasil contra a parede”, avalia Monteiro. O analista lembra que o país se beneficia de uma posição de relativa neutralidade, mantendo relações comerciais estratégicas tanto com a China quanto com os Estados Unidos.

Estados Unidos, Japão e países europeus acusam a China de usar subsídios estatais para reduzir artificialmente os preços desses minerais, inviabilizando projetos privados em outras regiões. Prática semelhante é alvo de investigações no Brasil no caso do aço chinês, que estaria prejudicando a indústria siderúrgica nacional.

Oportunidades econômicas e riscos geopolíticos

Por outro lado, um cenário de maior competição internacional pode abrir oportunidades para o Brasil. O país possui reservas relevantes de minerais críticos, mas ainda depende de investimentos externos para ampliar a exploração e o processamento desses recursos.

O principal desafio, no entanto, será equilibrar os potenciais ganhos econômicos com os riscos geopolíticos de uma eventual escolha de lado na disputa entre as grandes potências globais.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Rádio Pampa

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Negócios

WEG anuncia nova fábrica de sistemas de armazenamento de energia em Itajaí (SC)

A WEG (WEGE3) confirmou que irá construir uma nova fábrica em Itajaí, Santa Catarina, dedicada à produção de sistemas de armazenamento de energia em baterias (BESS). O anúncio foi feito nesta quarta-feira e reforça a estratégia da companhia de ampliar sua atuação em soluções ligadas à transição energética.

Capacidade produtiva chegará a 2 GWh por ano

Com a nova unidade, a capacidade produtiva da WEG em sistemas BESS poderá alcançar até 2 gigawatts-hora (GWh) anuais. A ampliação ocorre em um cenário de crescimento das oportunidades no mercado brasileiro de armazenamento de energia, impulsionado pela expectativa de um leilão inédito do governo federal para contratação desses sistemas no setor elétrico.

Investimento conta com apoio do BNDES

As obras da nova fábrica devem começar em breve, com previsão de conclusão no segundo semestre de 2027. O projeto será financiado em parte com R$ 280 milhões do programa BNDES Mais Inovação, voltado ao estímulo de iniciativas tecnológicas e industriais no país.

Unidade será referência tecnológica no Brasil

Em comunicado, a empresa destacou que a planta será a mais moderna do Brasil no segmento de armazenamento de energia. Segundo a WEG, o investimento representa um avanço estratégico na oferta de soluções voltadas à eficiência energética e à descarbonização da matriz elétrica.

FONTE: InfoMoney
TEXTO: Redação
IMAGEM: Adobe Stock

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Informação

Bateria de nióbio: tecnologia brasileira pode transformar o futuro do armazenamento de energia

Enquanto o mercado global intensifica a corrida pelo lítio, o Brasil surge como protagonista em uma possível mudança de rota no setor de armazenamento de energia. Pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) desenvolveram uma bateria de nióbio funcional, recarregável e com tensão de 3 volts, já validada fora do ambiente acadêmico e em testes industriais reais.

O avanço vai além da teoria científica. Trata-se de uma tecnologia com potencial de mercado, capaz de disputar espaço com soluções comerciais já consolidadas.

Desafio histórico do nióbio é superado

A pesquisa é coordenada pelo professor Frank Crespilho, do Instituto de Química de São Carlos, e enfrentou um obstáculo que por décadas limitou o uso do nióbio em baterias: a degradação do metal em sistemas eletroquímicos, especialmente quando exposto à água e ao oxigênio.

Esse problema foi contornado com uma abordagem inédita, que permitiu ao nióbio operar de forma estável sem perda de desempenho ao longo dos ciclos de carga e descarga.

Natureza inspira solução tecnológica

A resposta veio da biologia. Inspirado em processos naturais, Crespilho desenvolveu o NB-RAM (Niobium Redox Active Medium), um sistema que regula o ambiente químico interno da bateria. A tecnologia possibilita que o nióbio alterne seus estados eletrônicos sem sofrer degradação, reproduzindo mecanismos observados em enzimas e metaloproteínas presentes no corpo humano.

Esses sistemas biológicos utilizam metais altamente reativos de forma estável há bilhões de anos. A ciência, nesse caso, apenas adaptou uma solução já testada pela natureza.

Equilíbrio entre proteção e desempenho elétrico

Parte fundamental do desenvolvimento ficou a cargo da pesquisadora Luana Italiano, responsável por ajustar o ponto mais sensível do projeto: proteger o nióbio sem comprometer a performance elétrica da bateria. O desafio envolvia encontrar o equilíbrio ideal entre estabilidade química e eficiência energética.

Após dois anos de ajustes, os testes confirmaram que o modelo mantém desempenho consistente e durável, atendendo às exigências técnicas do setor.

Tecnologia avança para padrão industrial

A patente da bateria de nióbio já foi depositada pela USP. Em parceria com a Unicamp, os pesquisadores testaram o sistema em formatos industriais, como células coin e pouch, amplamente utilizados pela indústria de baterias. Os resultados indicaram estabilidade operacional e repetidos ciclos de carga e descarga.

Com 3 volts de tensão, a tecnologia se posiciona no mesmo nível das baterias comerciais atuais, ampliando sua viabilidade econômica e industrial. O avanço já despertou o interesse de empresas chinesas do setor de baterias.

Impacto geopolítico e estratégico para o Brasil

O desenvolvimento tem relevância que vai além da ciência. O Brasil concentra cerca de 98% das reservas mundiais de nióbio e responde por aproximadamente 90% da produção global. Até agora, o país atua majoritariamente como exportador de matéria-prima.

A nova bateria altera esse cenário ao abrir caminho para que o Brasil se torne desenvolvedor de tecnologia estratégica, especialmente em um contexto de transição energética global.

Segundo Crespilho, o avanço mostra que o país pode ir além da extração de recursos naturais. Para isso, os pesquisadores defendem a criação de um centro multimodal de inovação, integrando governo, universidades e startups, com foco em escalar a tecnologia e levá-la ao mercado.

Se esse movimento se consolidar, o Brasil não apenas seguirá como líder em nióbio, mas poderá assumir um papel central no futuro da energia.

FONTE: StartSe
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/StartSe

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Investimento

Brasil e Arábia Saudita ampliam cooperação em minerais críticos e investimentos estratégicos

O Brasil e a Arábia Saudita deram novos passos para aprofundar a parceria estratégica em minerais críticos, com foco na atração de investimentos de longo prazo e no desenvolvimento de projetos considerados essenciais para a transição energética. A agenda foi discutida durante reunião oficial em Riad entre o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, e o ministro saudita da Indústria e Recursos Minerais, Bandar Al-Khorayef.

Governança e ambiente regulatório em destaque

Durante o encontro, Alexandre Silveira apresentou os avanços institucionais do setor mineral brasileiro, destacando o fortalecimento da governança e da regulação como fatores-chave para aumentar a confiança de investidores internacionais.

Um dos principais pontos abordados foi a atuação do Conselho Nacional de Política Mineral (CNPM), órgão que reúne 18 ministérios e assessora diretamente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva na formulação das políticas do setor. Segundo o ministro, o conselho tem contribuído para aprimorar o licenciamento ambiental, reduzir gargalos burocráticos e melhorar a coordenação entre os órgãos públicos.

“Mesmo sendo um país federativo, o Brasil tem avançado na padronização regulatória e institucional, mantendo pilares como estabilidade legal, segurança jurídica e previsibilidade para investimentos de longo prazo”, afirmou Silveira.

Projetos estratégicos e potencial mineral brasileiro

No campo dos investimentos, o ministro ressaltou a atuação das empresas nacionais e os esforços do governo para viabilizar projetos estratégicos de minério de ferro de alta redução e de cobre, especialmente nos estados do Pará e de Minas Gerais. A iniciativa busca ampliar a competitividade do Brasil no mercado global de commodities minerais.

Silveira também destacou o expressivo potencial geológico do Brasil. Atualmente, apenas cerca de 30% do subsolo brasileiro está mapeado. Ainda assim, o país já se posiciona como a segunda maior reserva mundial de terras raras e a sétima maior reserva de urânio, o que reforça o interesse em ampliar parcerias internacionais no setor.

Interesse em novos aportes sauditas

Dentro desse contexto, o ministro manifestou interesse em receber no Brasil representantes da Manara Minerals, fundo saudita que é sócio da Vale S.A. na Vale Base Metals, responsável pela produção de cobre e níquel — minerais classificados como críticos para a transição energética.

O objetivo é avaliar oportunidades para expandir investimentos em projetos minerais considerados prioritários pelo governo brasileiro.

Grupo de trabalho e cadeia de valor mineral

Como encaminhamento prático, Brasil e Arábia Saudita decidiram criar um grupo de trabalho bilateral, com reuniões periódicas, inclusive em formato virtual, para analisar iniciativas conjuntas e dar mais agilidade à cooperação no setor mineral.

Silveira também destacou a importância de investimentos sauditas na cadeia de transformação mineral instalada no Brasil. Segundo o ministro, agregar valor à produção é essencial para impulsionar a industrialização, gerar empregos e promover inovação tecnológica. Em um cenário global no qual os minerais críticos ganham relevância estratégica semelhante à do petróleo, a integração entre mineração, indústria e energia torna-se cada vez mais decisiva.

Mapeamento geológico entra na pauta

Ao final da reunião, o ministro solicitou apoio do Fundo de Investimento Público da Arábia Saudita (PIF) para projetos voltados ao mapeamento do potencial mineral brasileiro. A ampliação do conhecimento geológico, segundo Silveira, é fundamental para criar bases sólidas que sustentem novos investimentos estruturantes no setor.

FONTE: Brasil 247
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/MME

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Sustentabilidade

Viagem histórica com biocombustível no Chile marca avanço da transição energética no transporte pesado

Rota chilena sediará a mais longa viagem com caminhão a biocombustível da América Latina
O Chile será palco do mais longo percurso já realizado na América Latina por um caminhão movido a biocombustível. A iniciativa resulta de uma parceria entre o Centro de Transporte e Logística (CTL) da Faculdade de Engenharia da Universidade Andrés Bello, a salmonicultora Cermaq Chile, a transportadora GLA e a Lipigas, responsável pelo fornecimento energético.

O projeto será colocado em prática no início de 2026, quando um trator-caminhão abastecido com bioGNL (biogás natural liquefeito) percorrerá a rota entre Chiloé e o Aeroporto de Santiago, transportando salmão fresco produzido pela Cermaq.

Parceria impulsiona transporte sustentável e redução de emissões
Segundo o CTL, o marco simboliza a consolidação de soluções energéticas sustentáveis aplicadas à logística. Para Rolando Campos, chefe de Projetos do Laboratório de Validação Tecnológica do CTL, a colaboração entre as empresas envolvidas tornou viável uma operação mais limpa, com redução de emissões e custos operacionais.

O principal objetivo da iniciativa é diversificar a matriz energética do transporte rodoviário, historicamente dependente do diesel, promovendo o uso do bioGNL na indústria salmonicultora e avançando rumo a operações com emissões zero.

Uso de bioGNL viabiliza neutralidade de carbono
Durante o trajeto, o caminhão operará com uma mistura composta por 15% de bioGNL e 85% de GNL, combinação que garante a neutralidade de carbono. De acordo com Helmuth Raddatz, engenheiro de projetos do CTL, o acordo assegura que, a partir de 2026, todas as operações da Cermaq e da GLA sejam 100% carbono neutro.

A proposta também representa um passo intermediário entre o uso de combustíveis fósseis e a futura adoção da eletromobilidade, ao utilizar energia proveniente de resíduos orgânicos.

Testes técnicos e dados reais sustentam o projeto
O acordo foi formalizado em dezembro, nas instalações da Cermaq em Quemchi, na ilha de Chiloé. O CTL ficou responsável pelo desenvolvimento de testes com metodologias robustas e dados reais de operação, avaliando desempenho energético, econômico, ambiental e operacional dos caminhões.

Essas análises deram origem a um relatório técnico que servirá de base para comparações e avaliações de mercado, criando condições para a futura ampliação do uso do bioGNL no transporte pesado.

Iniciativa cria precedente para a indústria
Para Alex Arzola, gerente de Logística e Comércio Exterior da Cermaq, o percurso representa um desafio logístico relevante e, ao mesmo tempo, estabelece um precedente para novas iniciativas sustentáveis no setor.

Na avaliação de Nicolás Hidalgo, subgerente de GNL e Biocombustíveis da Lipigas, o projeto demonstra a viabilidade de modelos logísticos mais sustentáveis, baseados em soluções energéticas limpas. Já Esteban Alveal, gerente-geral da GLA Chile, destacou o comprometimento técnico e profissional das equipes envolvidas.

Chile avança na liderança em energia limpa no transporte
Com a realização da viagem em 2026, o Chile deve se consolidar como referência regional na transição energética do transporte de cargas, especialmente no segmento de veículos pesados, segundo avaliação do CTL.

FONTE: Portal Portuario
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Portal Portuario

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Importação

Brasil eleva imposto de importação e amplia taxa sobre carros elétricos e painéis solares até 2026

Governo retoma tarifas e eleva alíquotas para até 35%
O governo federal deu continuidade à política de retomada gradual do imposto de importação sobre veículos elétricos, híbridos e painéis solares, com alíquotas que podem chegar a 35% até julho de 2026. A medida marca uma mudança em relação ao período de incentivos fiscais adotado desde 2015 para estimular tecnologias sustentáveis no país.

A estratégia busca fortalecer a indústria nacional, ao mesmo tempo em que mantém um cronograma de transição para o mercado se adaptar às novas regras.

Fim gradual das isenções para veículos eletrificados
Desde janeiro de 2024, o governo iniciou a recomposição das tarifas de importação para veículos eletrificados. O cronograma prevê aumentos progressivos:

  • Veículos 100% elétricos
    • 10% em 2024
    • 18% a partir de julho de 2024
    • 25% em julho de 2025
    • 35% em julho de 2026
  • Veículos híbridos e híbridos plug-in
    • Alíquotas variáveis, também chegando a até 35% em 2026

O governo manteve cotas temporárias de importação com isenção parcial até 2027, permitindo uma adaptação gradual do setor automotivo.

Programa Mover e incentivo à produção nacional
A arrecadação gerada pelas novas tarifas será direcionada ao Programa Mover (Mobilidade Verde e Inovação), voltado ao estímulo da produção nacional de veículos sustentáveis, inovação tecnológica e redução de emissões.

O objetivo é atrair investimentos e fortalecer a cadeia produtiva brasileira no setor automotivo, reduzindo a dependência de importações no médio e longo prazo.

Painéis solares também entram no novo regime tributário
Os módulos fotovoltaicos, majoritariamente importados da China — responsável por cerca de 99% das compras brasileiras —, também passam por mudanças tributárias.

  • Em 2024, as alíquotas variam entre 10,8% e 12%, após o fim de regimes especiais e isenções temporárias.
  • A partir de 2025 e 2026, a taxa pode chegar a 25% para importações acima das cotas estabelecidas.

A medida impacta diretamente o setor de energia solar, que vinha crescendo de forma acelerada nos últimos anos.

Setor solar critica impacto econômico e ambiental
A Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar) criticou o aumento das tarifas. Segundo a entidade, a mudança pode elevar o custo da energia, inviabilizar projetos e afetar investimentos estimados em R$ 97 bilhões, além de colocar em risco cerca de 25 GW em projetos.

Indústria nacional defende proteção contra concorrência externa
Por outro lado, entidades como a Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee) apoiam a decisão. O argumento é que as tarifas ajudam a equilibrar a concorrência com produtos estrangeiros subsidiados e estimulam a produção local de equipamentos e tecnologias limpas.

Impactos no mercado e próximos passos
A política de reoneração indica uma mudança estrutural na estratégia industrial brasileira, buscando conciliar sustentabilidade, desenvolvimento tecnológico e geração de empregos. No entanto, especialistas alertam que os efeitos sobre preços e investimentos precisarão ser monitorados de perto.

FONTE: Portal VV8
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Portal VV8

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Sustentabilidade

Brasil desperdiça 20% da energia renovável em 2025 e acende alerta no setor elétrico

O ano de 2025 marcou um contraste no setor elétrico brasileiro. Mesmo figurando entre os líderes globais em energia renovável, o país deixou de aproveitar uma parcela significativa da produção limpa. Ao longo do ano, 20,6% da geração solar e eólica foi desperdiçada, resultado de cortes operacionais e limitações do sistema — fenômeno conhecido como curtailment.

De acordo com o relatório Curtailment 2025: retrospectiva e projeção, da Volt Robotics, a energia não utilizada representou uma perda econômica superior a R$ 6 bilhões entre janeiro e dezembro.

Excesso de geração expõe fragilidades do sistema elétrico

Segundo o diretor-geral da Volt Robotics, Donato da Silva Filho, o volume desperdiçado não pode ser tratado como algo marginal. “Estamos falando de energia limpa que poderia abastecer residências, indústrias e hospitais, mas acabou sendo descartada”, afirma.

O estudo aponta que os cortes atingiram níveis inéditos em 2025, pressionando projetos renováveis e expondo fragilidades estruturais do sistema elétrico nacional. O problema ocorre, principalmente, no período da manhã, quando a geração solar atinge seu pico, especialmente entre 10h e 11h.

Curtailment cresce com expansão acelerada das renováveis

Segundo Donato, cerca de 50% dos cortes ocorreram por excesso de oferta, enquanto a outra metade foi causada por limitações da infraestrutura de transmissão. O avanço rápido da geração, sobretudo da solar distribuída, não foi acompanhado por investimentos proporcionais em redes e sistemas de escoamento.

“A geração cresceu muito rápido, mas a infraestrutura não acompanhou esse ritmo. O sistema atual não foi projetado para essa realidade”, explica.

Fenômeno estrutural e global

Para o professor Ivan Camargo, da Universidade de Brasília (UnB), o problema não é exclusivo do Brasil. “Esse é um desafio estrutural da transição energética. Está acontecendo no mundo todo”, afirma.

Dados do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) mostram que o país já soma cerca de 60 GW de capacidade solar e 33 GW de energia eólica, volume que supera a carga do sistema ao meio-dia. Segundo o especialista, não basta ampliar linhas de transmissão. “Não adianta levar energia para onde não há consumo naquele horário”, destaca.

Picos de corte e risco operacional

O relatório da Volt Robotics indica que os meses de agosto, setembro e outubro concentraram os maiores níveis de corte, com destaque para outubro, quando o desperdício atingiu cerca de 8.000 MW médios, equivalente à geração média da Usina de Itaipu.

Em novembro, houve alívio parcial, com redução para 4.600 MW médios, e em dezembro os cortes ficaram em torno de 1.700 MW médios. Ainda assim, o movimento foi considerado conjuntural, associado à redução da geração eólica no fim do ano.

Domingos se tornam ponto crítico do sistema

Os dados mostram que os domingos pela manhã concentram os momentos mais críticos, quando o consumo é menor e a oferta permanece elevada. Em 2025, foram identificados 16 dias críticos, nos quais mais de 80% da geração disponível chegou a ser cortada em determinados períodos.

“Existe risco real de colapso por excesso de energia. Se toda a geração centralizada for cortada e ainda houver sobra da geração distribuída, o sistema pode entrar em instabilidade”, alerta Donato.

Quem paga a conta do desperdício?

O tema ganhou destaque na reforma do setor elétrico sancionada em novembro. O debate gira em torno de quem deve arcar com os custos do curtailment. O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, afirmou que vetos presidenciais evitaram um repasse estimado em R$ 6 bilhões aos consumidores.

Segundo ele, apenas situações em que a energia não pode ser escoada por falhas de infraestrutura justificariam compensações aos geradores. “Quando o Estado não entrega a infraestrutura necessária, é legítimo indenizar o investidor”, declarou em entrevista ao programa Roda Viva.

Falta de sinais econômicos agrava o problema

Para o pesquisador Diogo Lisbona, da FGV-CERI, o Brasil carece de mecanismos que sinalizem corretamente onde e quando investir. “A geração distribuída não recebe sinais de preço ou localização. Isso distorce o sistema”, afirma.

Ele defende ajustes regulatórios, revisão das regras de compensação e maior integração com soluções de armazenamento de energia. “Sem essas mudanças, os cortes vão continuar crescendo”, avalia.

Medidas emergenciais e caminhos futuros

Diante do agravamento do cenário, a Aneel e o ONS aprovaram um Plano Emergencial para lidar com o excesso de geração. Entre as medidas está a ampliação da tarifa branca para grandes consumidores, incentivando o uso de energia em horários de menor custo.

A Volt Robotics destaca que a adesão ainda é baixa, mas considera o movimento um avanço institucional. Entre as soluções estruturais estão novas linhas de transmissão — especialmente ligando o Nordeste ao Sul e Sudeste — previstas para entrar em operação entre 2029 e 2030.

Além disso, o estudo aponta que mudanças simples no comportamento do consumidor, como deslocar o uso de equipamentos elétricos para o período da manhã, podem reduzir significativamente o desperdício.

“Não é consumir mais, é consumir melhor. Tarifas inteligentes, armazenamento e incentivos corretos são fundamentais para equilibrar o sistema e garantir uma transição energética segura”, conclui Donato.

FONTE: Correio Braziliense
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Modais em Foco

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Sustentabilidade

Brasil avança na produção de combustível sustentável de aviação e mira atendimento da demanda até 2029

O Brasil encerra o ano com avanços significativos na consolidação do combustível sustentável de aviação (SAF), fortalecendo sua posição na agenda global de descarbonização do transporte aéreo. O país já reúne condições técnicas, produtivas e regulatórias para atender, até 2029, a demanda nacional por esse tipo de combustível, considerado essencial para a redução das emissões do setor.

Um dos principais marcos desse processo foi o anúncio da Petrobras sobre as primeiras entregas de SAF 100% produzido no Brasil, resultado de investimentos voltados ao desenvolvimento de novos biocombustíveis. A iniciativa integra as políticas públicas conduzidas pelo Ministério de Portos e Aeroportos (MPor) para estruturar uma cadeia produtiva nacional voltada à aviação sustentável.

Estratégia nacional fortalece a transição energética

De acordo com o ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, o avanço do SAF é estratégico para posicionar o Brasil como referência internacional na transição energética do setor aéreo. “Estamos estruturando um novo mercado com planejamento, segurança regulatória e investimentos que geram previsibilidade. A produção nacional de SAF impulsiona a indústria, cria oportunidades econômicas e permite o crescimento sustentável da aviação”, afirmou.

O MPor atua como articulador da política pública voltada ao tema, promovendo a integração entre governo, setor produtivo e investidores. A estratégia está alinhada à Lei do Combustível do Futuro (Lei nº 14.993/2024), que estabelece diretrizes para estimular a produção e o uso de combustíveis sustentáveis no país.

Fórum impulsiona políticas para o SAF

Como parte desse esforço, foi criado o Fórum de Transição Energética na Aviação Civil (Fotea), em parceria com o Ministério de Minas e Energia. O colegiado reúne representantes do governo e do setor produtivo com a missão de propor políticas públicas, coordenar ações e acompanhar a implementação do programa nacional de SAF.

A atuação integrada busca garantir segurança jurídica, previsibilidade regulatória e estímulo aos investimentos necessários para consolidar o novo mercado.

Combustível sustentável é peça-chave da descarbonização

O SAF é considerado um dos principais vetores para a redução das emissões de gases de efeito estufa na aviação civil. Sua utilização permite diminuir significativamente a pegada de carbono dos voos, sem a necessidade de alterações na infraestrutura aeronáutica existente.

No Brasil, o avanço desse mercado é favorecido pela capacidade instalada do parque de refino, pela experiência consolidada em biocombustíveis e pela ampla oferta de matérias-primas renováveis, como óleos vegetais. Esses fatores colocam o país em posição estratégica para atender às exigências ambientais internacionais.

Segundo a Petrobras, a fração renovável presente no SAF pode reduzir em até 87% as emissões líquidas de CO₂, quando comparada ao querosene de aviação tradicional.

Caminho aberto para uma aviação de baixo carbono

O desenvolvimento do SAF está alinhado ao Programa Nacional de Combustível Sustentável de Aviação, que busca ampliar a capacidade produtiva, atrair investimentos e garantir estabilidade regulatória. A atuação coordenada entre governo e empresas do setor cria um ambiente favorável à consolidação dessa nova cadeia produtiva.

Com políticas públicas estruturadas, investimentos estratégicos e fortalecimento do marco regulatório, o Brasil avança de forma consistente rumo a uma aviação mais limpa, competitiva e sustentável, contribuindo para a transição energética e para uma economia de baixo carbono.

FONTE: Ministério de Portos e Aeroportos
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/MPor

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Internacional

Chile cria gigante do lítio no Deserto do Atacama para fortalecer transição energética

Nova empresa une Codelco e SQM e consolida estratégia nacional para o lítio

O Chile, segundo maior produtor mundial de lítio, deu um passo decisivo para ampliar sua presença no mercado global do mineral estratégico. A estatal Codelco e a mineradora privada SQM anunciaram a criação de uma nova empresa voltada à exploração de lítio no Deserto do Atacama, principal região produtora do país.

A iniciativa marca a formação da Nova Andino Litio SpA, companhia que ficará responsável pelas atividades de exploração, extração, produção e comercialização do lítio no Salar do Atacama até 2060. A operação foi aprovada pelos órgãos reguladores e deve gerar impacto positivo nos resultados financeiros da Codelco já a partir de 2025.

Parceria público-privada fortalece cadeia do lítio

O acordo estabelece que a nova empresa concentrará toda a gestão da produção de lítio na região, garantindo a continuidade dos contratos vigentes com a agência estatal Corfo e dos novos acordos previstos a partir de 2031. Como parte da negociação, a SQM transferiu à Codelco suas concessões de mineração no Salar de Maricunga, ampliando o controle estatal sobre áreas estratégicas.

A criação da Nova Andino Litio representa um dos principais movimentos da política mineral chilena voltada à transição energética, em um contexto de crescente demanda global por baterias para veículos elétricos e sistemas de armazenamento de energia.

Apoio político e aval internacional

A iniciativa integra a agenda do presidente Gabriel Boric, que busca ampliar o protagonismo do Estado em setores estratégicos, sem abrir mão da participação privada. O acordo superou seu último entrave regulatório em novembro, após a aprovação da China — maior mercado consumidor de lítio do mundo.

A autorização chinesa foi concedida mediante o compromisso de manutenção dos contratos existentes e da garantia de fornecimento contínuo aos clientes do país, em condições consideradas “justas, razoáveis e não discriminatórias”.

Lítio como eixo da transição energética

O lítio é considerado um dos minerais-chave da transição energética global, sendo essencial para baterias de veículos elétricos, sistemas de armazenamento de energia e tecnologias limpas. Com a nova estrutura empresarial, o Chile reforça sua posição estratégica nesse mercado e amplia sua capacidade de atender à crescente demanda internacional.

A expectativa é que a Nova Andino Litio contribua para elevar a competitividade do país, fortalecer a cadeia produtiva local e ampliar a participação chilena no mercado global de minerais críticos.

FONTE: InfoMoney
TEXTO: Redação
IMAGEM: Morten Andersen/Bloomberg

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Informação

Corrida pelas terras raras coloca Brasil no centro da disputa global entre Estados Unidos e China

A disputa internacional pelas terras raras ganhou força no Brasil e transformou o país em alvo estratégico de potências como Estados Unidos e China. Dono da segunda maior reserva mundial, o Brasil vive um momento decisivo: exportar minério bruto ou investir bilhões para criar uma cadeia nacional de refino e tecnologia.

Com apenas uma mina em operação e dezenas de projetos em análise, o país entra no radar geopolítico global em meio à transição energética, à corrida por carros elétricos e à busca por autonomia tecnológica.

Brasil entra oficialmente no mapa das terras raras

Em janeiro de 2024, a Mineração Serra Verde iniciou a produção comercial de óxidos de terras raras em Minaçu (GO), marcando a estreia do Brasil nesse mercado estratégico. A planta opera em fase de ramp-up e tem como meta alcançar 5 mil toneladas por ano, voltadas principalmente à produção de ímãs permanentes usados em turbinas e veículos elétricos.

Em 2025, o interesse declarado dos Estados Unidos nas reservas brasileiras elevou o tema ao centro das discussões em Brasília, acelerando debates sobre soberania mineral e política industrial.

Segunda maior reserva do mundo, mas produção ainda tímida

Apesar do potencial, o Brasil ainda engatinha na produção. Dados do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram) mostram que o país possui 12 lavras autorizadas de terras raras e 186 em fase de análise. Há ainda 1.790 autorizações de pesquisa e outros 348 pedidos em avaliação.

Na prática, apenas a operação da Serra Verde está em atividade comercial. O restante dos projetos segue entre estudos geológicos, licenciamento ambiental e estruturação financeira.

Projetos australianos avançam em Minas Gerais

Enquanto a produção nacional ainda é limitada, empresas estrangeiras avançam. Em Poços de Caldas (MG), a australiana Meteoric inaugurou uma planta-piloto do Projeto Caldeira, voltada à validação do processo industrial e produção de amostras.

A unidade tem capacidade para processar 25 quilos de argila iônica por hora e produzir até 455 quilos anuais de carbonato de terras raras. O investimento gira em torno de 1,5 milhão de dólares australianos.

Na mesma região, a Viridis Mining & Minerals desenvolve o Projeto Colossus, que já se habilitou a linhas de financiamento do BNDES e da Finep, além de ter recebido uma carta de interesse de até US$ 100 milhões de uma agência canadense de crédito à exportação.

Exportar minério ou investir em refino bilionário?

O avanço desses projetos reacende um dilema histórico da economia brasileira: seguir como exportador de matéria-prima ou investir pesado para agregar valor internamente.

Especialistas apontam que o refino de terras raras exige tecnologia sofisticada, hoje amplamente dominada pela China. Construir uma cadeia completa no Brasil demandaria tempo, capital e transferência tecnológica — algo que pode levar de 10 a 15 anos.

Por outro lado, depender apenas da exportação do minério bruto limita ganhos econômicos e mantém o país vulnerável às oscilações do mercado internacional.

Pressão geopolítica e interesse das grandes potências

A movimentação dos Estados Unidos em torno das reservas brasileiras reflete uma estratégia mais ampla de reduzir a dependência da China, que hoje concentra cerca de 70% da produção global e 85% da capacidade de refino de terras raras.

Além dos norte-americanos, União Europeia, Japão e Austrália também buscam diversificar fornecedores, transformando o Brasil em peça-chave no tabuleiro geopolítico da transição energética.

Reservas abundantes, desafios estruturais

O Brasil possui grandes jazidas em Minas Gerais, Goiás e na Amazônia, mas enfrenta gargalos relevantes: falta de tecnologia própria, custos elevados, licenciamento ambiental complexo e infraestrutura limitada.

O processamento de terras raras envolve múltiplas etapas químicas, alto consumo energético e controle ambiental rigoroso, fatores que tornam a cadeia produtiva complexa e cara.

Tecnologia, tempo e risco de ficar para trás

Para especialistas, o maior risco é a falta de planejamento de longo prazo. Segundo Patrícia Muricy, líder de mineração da Deloitte, os investimentos feitos agora só devem gerar resultados plenos daqui a 15 anos, justamente quando a transição energética estará ainda mais avançada.

Ela alerta que o país ainda conhece pouco suas próprias reservas e precisa investir fortemente em pesquisa geológica para tomar decisões estratégicas.

“Ninguém vai transferir tecnologia de graça”

Na avaliação de Mateus Figueiredo, sócio da KPMG, o Brasil não pode esperar acesso facilitado à tecnologia de refino. Segundo ele, embora os processos não sejam novos, o país nunca atuou de forma relevante nesse segmento.

A estratégia mais realista, segundo o especialista, seria iniciar pela extração, gerar caixa e reduzir riscos, enquanto se constrói gradualmente capacidade tecnológica própria.

Equilíbrio entre valor agregado e competitividade

O Ibram defende uma abordagem equilibrada. Para a entidade, é possível avançar na cadeia de valor sem comprometer a competitividade do setor mineral.

O diretor de Sustentabilidade, Julio Nery, lembra que tentar processar todo o minério internamente pode gerar perdas, como ocorreu no passado com o ferro, que poderia reduzir em até 30% o saldo da balança comercial.

No caso das terras raras, o desafio é ainda maior diante da concorrência chinesa e das restrições fiscais brasileiras.

Investimentos previstos até 2029

Mesmo com incertezas, o setor de terras raras já aparece nos planos de investimento da mineração nacional. Segundo o Ibram, o segmento deve receber cerca de US$ 2,2 bilhões entre 2025 e 2029, o equivalente a 3,2% dos investimentos do setor.

O volume indica que, embora ainda incipiente, o Brasil começa a se posicionar de forma mais concreta na corrida global por esses minerais estratégicos.

FONTE: Click Petróleo e Gás
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/CPG

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