Exportação

Tarifas dos EUA impulsionam diversificação das exportações de dispositivos médicos brasileiros

A imposição de uma tarifa de 50% sobre dispositivos médicos brasileiros pelos Estados Unidos, anunciada em 6 de agosto, levou o setor a acelerar uma estratégia que já vinha sendo discutida: a diversificação das exportações. Antes da medida, as taxas giravam em torno de 10%. Em poucas semanas, o impacto foi imediato: até o fim de agosto, as vendas ao mercado americano recuaram 30%, segundo a Associação Brasileira da Indústria de Dispositivos Médicos (ABIMO).

Diante do cenário, fabricantes brasileiros passaram a priorizar a expansão para a Ásia, com foco em países como Japão, China e Índia, além de outros mercados emergentes.

Perfil do setor e concentração em pequenas empresas

A indústria brasileira de dispositivos médicos engloba desde instrumentos médico-odontológicos até equipamentos ópticos, eletroterapia, sistemas eletromagnéticos e de irradiação. De acordo com a ABIMO, o setor é majoritariamente formado por empresas de menor porte: 88,6% são microempresas, 8,9% pequenas, 2,2% médias e apenas 0,2% grandes companhias, incluindo multinacionais como Stryker, Bayer e Siemens Healthineers, que mantêm operações no Brasil.

Maquira mantém aposta nos EUA e amplia presença na Ásia

Com faturamento anual de R$ 150 milhões, o Grupo Dental Maquira, sediado em Maringá (PR), é um exemplo de empresa de médio porte impactada pelo tarifaço. Cerca de 25% da receita vem das exportações. A companhia estava em fase de expansão nos Estados Unidos, com a criação de uma subsidiária local, quando as tarifas foram elevadas.

Segundo Daniel Maia, diretor de exportação e marketing internacional da empresa, a estratégia precisou ser ajustada. A Maquira passou a vender diretamente ao mercado americano, eliminando intermediários para recompor margens. A mudança começou em outubro e, segundo a empresa, os resultados iniciais são positivos.

A companhia produz resinas, biomateriais, cimentos e peças ortodônticas e aposta na reputação do Brasil no segmento odontológico. Paralelamente, a Maquira intensificou a atuação em países asiáticos como Japão, Filipinas, Indonésia, Singapura e Taiwan.

Exportações do setor recuam no ano, mas EUA seguem como principal destino

Entre janeiro e novembro de 2025, as exportações brasileiras de dispositivos médicos somaram US$ 1,05 bilhão, queda de 2,27% em relação ao mesmo período de 2024. As vendas aos Estados Unidos alcançaram US$ 266 milhões, com alta de 5,71%, sustentada pelo desempenho positivo nos sete primeiros meses do ano, antes da elevação das tarifas.

Apesar do impacto, os EUA continuam sendo o principal mercado externo do setor. Segundo Larissa Gomes, gerente de marketing internacional e projetos da ABIMO, o segmento não foi incluído nas exceções tarifárias concedidas posteriormente pelo governo de Donald Trump, que reviu parte das sobretaxas aplicadas a outros produtos.

Alliage avalia produção local nos EUA como alternativa

A Alliage, fabricante de equipamentos de imagem odontológica de alta tecnologia, também revisou sua estratégia. Atualmente, 40% da produção é destinada à exportação, com os Estados Unidos na liderança, seguidos pela Argentina.

De acordo com o CEO Caetano Biagi, a empresa enfrenta concorrência direta de fabricantes globais do Japão, Finlândia e Coreia do Sul, que também buscam compensar perdas em mercados tradicionais. Como parte do plano de expansão internacional, a Alliage adquiriu a japonesa PreXion, especializada em tomógrafos odontológicos, com operação na Califórnia.

Caso as tarifas americanas sejam mantidas, a empresa considera montar equipamentos diretamente nos EUA. Hoje, a produção está concentrada em Ribeirão Preto (SP), com cerca de 80% dos fornecedores localizados no Brasil. A companhia também avança em mercados como Emirados Árabes Unidos e Índia.

Crescimento da demanda abre oportunidades na Ásia

A ampliação do acesso a procedimentos cirúrgicos em países asiáticos tem criado novas oportunidades para fabricantes brasileiros. Segundo Elias Magalhães, CEO da Hpbio, especializada em produtos para implantes e cirurgias, áreas como a neurocirurgia estão entre as que mais crescem globalmente.

Em 2025, as exportações representaram 40% do faturamento da empresa. Entre os cinco maiores clientes internacionais em volume, três estão na Ásia: Indonésia, Paquistão e China, conforme explica Flávia Rodrigues, diretora de negócios internacionais da companhia.

A Hpbio firmou recentemente um novo contrato com a Double Medical, sua distribuidora na China, com a meta de equiparar, naquele mercado, as vendas domésticas de válvulas programáveis.

Regulação e protecionismo dificultam avanço na China

Para acessar o mercado chinês, a Hpbio precisou enfrentar um rigoroso processo regulatório, que envolve inspeções locais, validações laboratoriais e treinamentos clínicos. Além disso, a empresa teve de superar o ceticismo em relação à tecnologia brasileira, em um mercado dominado por gigantes como a americana Medtronic e a alemã Aesculap, do grupo B. Braun.

Segundo a ABIMO, o ambiente regulatório da China é altamente protecionista, com processos de aprovação caros e restritivos. Apesar dos avanços industriais do país, o segmento de dispositivos médicos ainda fica atrás de polos tecnológicos como Japão, Coreia do Sul e Singapura em termos de qualidade e inovação.

FONTE: Valor International
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Datamar News

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Exportação

Exportações do Japão para os EUA voltam a crescer após oito meses de queda

As exportações do Japão para os Estados Unidos registraram crescimento em novembro pela primeira vez em oito meses, indicando um alívio após a redução de tarifas norte-americanas. Os dados oficiais, divulgados pelo governo japonês nesta quarta-feira, reforçam a avaliação de que o Banco do Japão pode manter o ciclo de elevação da taxa de juros diante da melhora no comércio exterior.

Segundo analistas, a retomada foi puxada principalmente pelo setor automotivo. Para o economista Koki Akimoto, do Instituto de Pesquisa Daiwa, a redução das tarifas dos EUA sobre veículos devolveu competitividade às montadoras japonesas. Ele destaca que o movimento também foi favorecido pela desvalorização do iene, que torna os produtos do Japão mais atrativos no mercado internacional.

Apesar do avanço recente, Akimoto alerta para riscos à frente. A desaceleração do mercado de trabalho dos Estados Unidos pode afetar a demanda por automóveis, o que pode limitar a sustentação desse crescimento nas exportações japonesas nos próximos meses.

Exportações totais superam expectativas do mercado

No resultado geral, as exportações japonesas cresceram 6,1% em novembro na comparação anual, marcando o terceiro mês consecutivo de alta. O desempenho ficou acima da projeção do mercado, que estimava avanço de 4,8%, e também superou o crescimento de 3,6% registrado em outubro.

Os embarques para os Estados Unidos avançaram 8,8% no período. Dentro desse resultado, as exportações de automóveis subiram 1,5%, enquanto os envios de produtos farmacêuticos mais que dobraram em relação ao mesmo mês do ano anterior.

Desempenho regional mostra contrastes

As vendas externas para a Ásia cresceram 4,5%, enquanto as exportações destinadas à Europa tiveram forte alta de 19,6%. Em contrapartida, os embarques para a China recuaram 2,4%, refletindo a demanda mais fraca do principal parceiro comercial do Japão.

Do lado das compras externas, as importações do Japão aumentaram 1,3% em novembro, abaixo da expectativa de crescimento de 2,5% apontada por analistas.

Balança comercial volta ao azul

Com esse resultado, o Japão registrou um superávit comercial de 322,2 bilhões de ienes (cerca de US$ 2,08 bilhões) em novembro. O número superou com folga a previsão de 71,2 bilhões de ienes e marcou o primeiro saldo positivo em cinco meses. A balança comercial com os Estados Unidos também ficou positiva pela primeira vez em sete meses.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: REUTERS/Issei Kato

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Comércio Exterior

Brasil dribla impacto das tarifas dos EUA e mantém crescimento das exportações, aponta Icomex

O mais recente relatório do Indicador de Comércio Exterior (Icomex), divulgado nesta quarta-feira (19/11) pelo Ibre/FGV, mostra que as tarifas impostas pelos Estados Unidos aos produtos brasileiros não afetaram de forma significativa o desempenho das exportações totais do Brasil no curto prazo.

Embora as vendas para o mercado americano tenham recuado 24,9% entre agosto e outubro, o Brasil ampliou embarques para outros parceiros comerciais e para terceiros mercados, garantindo um avanço geral de 6,4% nas exportações no período.
“O efeito do tarifaço não comprometeu as exportações totais do Brasil”, destaca o relatório, reforçando, porém, que o mercado dos EUA continua sendo estratégico tanto para o Brasil quanto para o comércio global.

Superavit cresce e exportações ganham força

A balança comercial de outubro registrou superavit de US$ 7 bilhões, valor US$ 2,9 bilhões superior ao de outubro de 2024. As exportações subiram 9,1%, enquanto as importações recuaram 0,8%.

No acumulado de janeiro a outubro, o superavit chegou a US$ 52,4 bilhões, uma queda de US$ 10,4 bilhões frente ao mesmo período do ano passado. Nesse intervalo, as exportações avançaram 1,9% e as importações cresceram 7,1%.
Segundo o Icomex, a tendência de alta das importações observada no primeiro semestre começou a mudar a partir de julho, com exceção de setembro.

Dependência de acordo com os EUA

O relatório também acende um alerta: o Brasil precisa acelerar negociações comerciais com os Estados Unidos para evitar perda de competitividade. Isso porque Washington tem firmado novos acordos bilaterais que podem redirecionar exportações atualmente destinadas ao mercado americano.

“À medida que os Estados Unidos avançam com novos acordos, as margens de preferência do Brasil tendem a cair em terceiros mercados”, diz o Icomex.

O governo brasileiro enviou uma proposta no início de novembro, e o chanceler Mauro Vieira se reuniu com sua contraparte americana no dia 13. No entanto, ainda não houve anúncio de avanços concretos nas negociações.

EUA negociam com novos parceiros e ampliam vantagens

Os Estados Unidos já estabeleceram acordos com países como Malásia, Camboja, Tailândia, Vietnã, Coreia do Sul, Japão, Suíça, União Europeia, El Salvador, Guatemala, Equador e Argentina. Os pactos variam de alcance, mas todos ampliam o acesso de produtos e serviços americanos a esses mercados — em alguns casos, como no Vietnã, com abertura quase total.

Entre as cláusulas mais comuns estão:

  • isenção de tributos para plataformas digitais;
  • maior proteção à propriedade intelectual;
  • regras específicas sobre terras raras;
  • estímulos a investimentos nos EUA;
  • compromissos de segurança econômica, incluindo restrições a acordos com países considerados ameaças aos interesses americanos.

FONTE: Correio Braziliense
TEXTO: Redação
IMAGEM: mrcolo/Pixabay

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Exportação

Governo amplia acesso ao crédito do Plano Brasil Soberano e inclui mais empresas exportadoras e fornecedoras

O Ministério da Fazenda (MF) e o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) anunciaram mudanças na regulamentação do Plano Brasil Soberano, criado pela Medida Provisória nº 1.309, de 13 de agosto de 2025. As alterações ampliam o acesso das empresas às linhas de crédito emergenciais e reforçam o apoio à cadeia exportadora nacional.

Critério de exportação reduzido e inclusão de fornecedores

A nova Portaria Conjunta MF/MDIC diminui de 5% para 1% o percentual mínimo de faturamento vinculado às exportações exigido para que empresas afetadas pelas tarifas adicionais impostas pelos Estados Unidos tenham prioridade no programa.

Além disso, o texto inclui fornecedores de exportadores impactados, desde que possuam ao menos 1% do faturamento proveniente de vendas para empresas com 5% ou mais da receita ligada às exportações afetadas. Segundo o governo, o ajuste não gera impacto orçamentário adicional, pois apenas redefine critérios de acesso, sem aumentar despesas.

Apoio ampliado a pequenas e médias empresas

Com a atualização, o Governo Federal fortalece a rede de proteção e liquidez da cadeia exportadora, permitindo que micro, pequenas e médias empresas de setores indiretamente atingidos também possam acessar os instrumentos de apoio financeiro. O objetivo é preservar a capacidade produtiva, os empregos e a competitividade internacional da indústria brasileira.

Linhas de financiamento e garantias

As ações do Plano Brasil Soberano envolvem linhas de financiamento lastreadas pelo Fundo de Garantia à Exportação (FGE) e garantias do PEAC-FGI Solidário, voltadas principalmente para pequenos e médios negócios.

Para que as novas condições entrem em vigor, será necessária a aprovação do Conselho Monetário Nacional (CMN), que definirá as condições financeiras das operações com recursos do FGE. Também está em andamento a atualização dos sistemas e bases de dados responsáveis pela execução das medidas.

Fortalecimento da indústria nacional

Instituído para mitigar os impactos das tarifas dos EUA sobre as exportações brasileiras, o Plano Brasil Soberano busca assegurar crédito, liquidez e competitividade às empresas afetadas, além de fortalecer a indústria nacional diante de restrições comerciais externas.

FONTE: Ministério da Fazenda
TEXTO: Redação
IMAGEM: Freepik

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Comércio Exterior

Governo amplia acesso ao crédito do Plano Brasil Soberano e inclui empresas fornecedoras

O governo federal anunciou uma atualização nas regras do Plano Brasil Soberano, permitindo que um número maior de empresas afetadas pelas tarifas adicionais dos Estados Unidos tenha acesso às linhas de crédito do programa. A medida busca fortalecer o setor produtivo nacional e reduzir os impactos das sanções comerciais impostas ao país.

Critérios de faturamento mais flexíveis

A nova portaria conjunta, assinada pelos ministros Geraldo Alckmin (Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços) e Fernando Haddad (Fazenda), diminui o limite mínimo de exportações exigido para acesso ao crédito. Agora, empresas com faturamento de exportações para os EUA acima de 1% do total já podem recorrer às linhas de R$ 30 bilhões oferecidas pelo Plano — antes, o percentual mínimo era de 5%.

Os recursos são provenientes do Fundo de Garantia à Exportação (FGE) e estão sendo operados pelo BNDES, que será responsável pela liberação dos financiamentos.

Apoio ampliado ao setor produtivo

Segundo Alckmin, o governo mantém o diálogo com os Estados Unidos, mas continua atento às demandas internas. “Enquanto negocia com os EUA, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva segue cuidando das necessidades do setor produtivo. Ampliamos o critério de faturamento e incluímos novos segmentos, como os fornecedores”, destacou o ministro.

Fornecedores também serão beneficiados

A nova portaria também reconhece o impacto indireto das tarifas americanas sobre a cadeia produtiva. Por isso, o governo decidiu estender o benefício às empresas fornecedoras que comprovarem o envio de bens — entre julho de 2024 e junho de 2025 — a companhias exportadoras afetadas pelas taxas. Para se enquadrar, essas fornecedoras devem atender a empresas com faturamento de exportações para os EUA igual ou superior a 5% do faturamento total.

Confira a lista de produtos brasileiros afetados pela imposição de tarifas adicionais pelo governo dos EUA.

FONTE: MDIC
TEXTO: Redação
IMAGEM: Agência Brasil EBC

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Exportação

Tarifas dos EUA sobre alumínio ampliam concorrência e mudam rotas de exportação, diz CBA

O presidente da Companhia Brasileira de Alumínio (CBA), Luciano Alves, afirmou que as tarifas de 50% aplicadas pelos Estados Unidos sobre o alumínio brasileiro alteraram o equilíbrio global entre oferta e demanda, forçando empresas a redirecionar exportações e acirrando a disputa por mercados internacionais.

Impacto das tarifas no comércio global

Segundo Alves, a redução nas vendas para o mercado norte-americano levou produtores brasileiros a buscar alternativas em outros destinos estratégicos, como Europa e América Latina. Essa movimentação, explicou ele, tem aumentado a competitividade nesses mercados, que agora recebem parte do alumínio antes destinado aos EUA.

“É natural observar uma queda no volume exportado para os Estados Unidos. As empresas estão procurando espaço nos mesmos mercados, especialmente Europa e América Latina, o que eleva a concorrência e afeta nossa atuação nessas regiões”, disse o executivo ao Valor.

Alves também destacou que o mercado americano tem compensado a redução de importações com a compra de sucata, enquanto a CBA ajusta sua produção para atender novos destinos e fortalecer a presença no mercado interno.

Estratégia da CBA diante do novo cenário

Com a nova configuração comercial, marcada por incertezas e maior competição global, a CBA tem concentrado a produção no Brasil, destinando cerca de 12% ao mercado externo, principalmente em lingotes de alumínio enviados à Europa.

O executivo explicou que essa antecipação está ligada à chegada do CBAM (Carbon Border Adjustment Mechanism), mecanismo europeu que, a partir de 2026, vai cobrar tarifas baseadas nas emissões de carbono de produtos importados.

“Os clientes europeus já estão se preparando para essa transição regulatória, antecipando suas compras”, observou Alves.

Desafios para exportadoras brasileiras

As declarações do presidente da CBA evidenciam os desafios enfrentados pelas exportadoras brasileiras diante de novas barreiras comerciais e ambientais impostas por grandes economias. A adaptação a normas mais rígidas de sustentabilidade e a diversificação de mercados se tornaram, segundo ele, estratégias essenciais para manter a competitividade do setor.

FONTE: Valor Econômico
TEXTO: Redação
IMAGEM: Daniel Wainstein/Valor

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Comércio Exterior

BNDES já liberou R$ 5,3 bilhões pelo Plano Brasil Soberano para empresas afetadas por tarifas dos EUA

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) anunciou nesta quinta-feira, 23 de outubro, que já aprovou R$ 5,3 bilhões em crédito por meio do Plano Brasil Soberano, criado para amparar empresas brasileiras afetadas pelas tarifas impostas pelos Estados Unidos.

De acordo com o banco, 371 operações de crédito já foram realizadas. Do total, R$ 2,86 bilhões foram destinados à linha Capital de Giro, voltada a despesas operacionais; R$ 2,39 bilhões para a linha Giro Diversificação, que incentiva a busca de novos mercados; e R$ 52,46 milhões para a linha Bens de Capital, voltada à modernização produtiva.

Indústria lidera aprovações de crédito

As empresas da indústria de transformação foram as principais beneficiadas, com R$ 4,38 bilhões em financiamentos aprovados. Em seguida aparecem os setores de comércio e serviços (R$ 468 milhões), agropecuária (R$ 336 milhões) e indústria extrativa (R$ 127 milhões).

Até o momento, 470 solicitações de crédito foram protocoladas, somando R$ 8,27 bilhões, dentro de uma demanda estimada de R$ 14,5 bilhões, segundo levantamento feito pelo BNDES em parceria com instituições financeiras credenciadas.

Apoio à economia e manutenção de empregos

O presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, destacou que o objetivo central do programa é preservar empregos e impulsionar o desenvolvimento de novos mercados de exportação.

“O BNDES mantém o compromisso de apoiar as empresas brasileiras impactadas pelo tarifaço. A determinação do presidente Lula é proteger os empregos e fortalecer a capacidade produtiva nacional”, afirmou.

O que é o Plano Brasil Soberano

O Plano Brasil Soberano foi criado pelo governo federal para reduzir os impactos econômicos da elevação unilateral das tarifas de importação dos EUA, que chegaram a até 50% sobre produtos brasileiros.

A iniciativa está estruturada em três eixos principais:

  • Fortalecimento do setor produtivo;
  • Proteção aos trabalhadores;
  • Diplomacia comercial e multilateralismo, voltada à defesa dos interesses brasileiros no cenário internacional.

FONTE: Agência Gov
TEXTO: Redação
IMAGEM: Getty Images/Via Secom-PR

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Comércio Exterior

Empresários buscam ampliar comércio com Sudeste Asiático em meio a tarifas dos EUA

Com o objetivo de fortalecer as relações comerciais com o Sudeste Asiático, uma comitiva formada por empresários brasileiros embarca nos próximos dias para Indonésia e Malásia. A missão ocorre em um momento de tensões comerciais globais, agravadas pelas tarifas impostas pelos Estados Unidos sob o governo de Donald Trump.

A delegação, composta por 94 empresas dos setores industrial e agropecuário, é coordenada pela ApexBrasil (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos) e conta com o apoio da Confederação Nacional da Indústria (CNI).

Indonésia é destaque entre as oportunidades de negócios

Segundo estudo da ApexBrasil, apresentado pela CNI, os maiores potenciais de crescimento comercial estão na Indonésia, com destaque para os setores agroindustrial, têxtil e de defesa. O país asiático ocupa atualmente a 19ª posição entre os destinos das exportações brasileiras.

Entre os principais produtos enviados pelo Brasil estão farelo de soja, petróleo bruto, açúcares e melaço. Já as importações brasileiras concentram-se em óleos e gorduras vegetais, calçados e peças automotivas. Além disso, há investimentos bilaterais em áreas como mineração, papel e celulose, tabaco e têxteis.

Malásia também entra no radar das exportações brasileiras

A Malásia aparece como o 23º maior destino das exportações do Brasil e é considerada um parceiro estratégico para a diversificação de mercados, especialmente em meio ao aumento das barreiras comerciais globais.

Para a CNI, a missão empresarial representa uma oportunidade concreta de aproximar o Brasil de economias emergentes asiáticas, reduzindo a dependência de mercados tradicionais.

“Diante das recentes turbulências e das novas taxações norte-americanas, é essencial que o Brasil amplie suas parcerias e consolide uma agenda comercial mais diversificada”, destacou a entidade.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: REUTERS/Ajeng Dinar Ulfiana/File Photo

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Exportação

Tarifaço dos EUA afeta exportações brasileiras: Nordeste lidera queda em volume e Sul perde mais em dólares

Dois meses após a entrada em vigor do tarifaço imposto pelos Estados Unidos, as exportações brasileiras continuam em queda, com efeitos desiguais entre as regiões do país. Um levantamento do Centro de Estudos para o Desenvolvimento do Nordeste (FGV IBRE) mostra que, enquanto o Nordeste registra as maiores reduções em volume exportado, os polos industriais do Sul e Sudeste concentram as maiores perdas financeiras.

Segundo o estudo, os impactos do ajuste tarifário norte-americano são persistentes e representam um risco estrutural para setores estratégicos da economia brasileira, podendo afetar a atividade industrial, o emprego e a arrecadação estadual.

Nordeste sofre as maiores quedas percentuais nas exportações

Entre os seis estados com pior desempenho percentual nas exportações para os EUA em setembro de 2025, quatro são do Nordeste. O Mato Grosso (-81%) e o Tocantins (-74,3%) lideram as perdas, seguidos por Alagoas (-71,3%), Piauí (-68,6%), Rio Grande do Norte (-65%) e Pernambuco (-64,8%).

De acordo com a FGV, a vulnerabilidade da região está relacionada à baixa diversificação da pauta exportadora, à maior presença de produtos tarifados e à logística irregular, com embarques concentrados em períodos específicos.

Sul e Sudeste acumulam as maiores perdas em valor

Embora o Nordeste tenha registrado as maiores quedas percentuais, o maior prejuízo em dólares ocorreu em estados do Sul e Sudeste. As perdas mais expressivas foram observadas em Minas Gerais (US$ 236 milhões), Santa Catarina (US$ 95,9 milhões), São Paulo (US$ 94 milhões), Rio Grande do Sul (US$ 88,8 milhões), Rio de Janeiro (US$ 88,8 milhões) e Paraná (US$ 82,4 milhões).

Nos polos industriais dessas regiões, as reduções — entre 50% e 56% — atingiram principalmente os setores de metalurgia, componentes industriais e bens intermediários. A FGV alerta que parte dessas perdas já apresenta caráter estrutural, e não apenas um efeito pontual de calendário, resultado da antecipação de embarques nos meses anteriores.

Produtos isentos ajudam a reduzir o impacto em alguns estados

Estados com uma pauta mais diversificada conseguiram amortecer os efeitos do tarifaço por meio da exportação de produtos isentos de tarifas. Em São Paulo, esses itens cresceram 14,2% no acumulado do ano, alcançando US$ 624,45 milhões. Na Bahia, o avanço foi ainda maior: 45,5%.

No entanto, em estados como Pernambuco (-95,8%) e Minas Gerais (-51,9%), até os produtos isentos apresentaram queda, o que agravou o resultado geral das exportações.

Adaptação e novos mercados surgem como resposta

Alguns estados começaram a reconfigurar suas pautas de exportação para se adaptar às novas condições comerciais. O Ceará registrou crescimento de 152,9% nas exportações totais, impulsionado por produtos como “outras pedras de cantaria trabalhadas”, enquanto Goiás teve aumento de 20,9%, inclusive em bens não isentos.

A pesquisa do FGV IBRE conclui que o tarifaço dos EUA marca um novo ciclo de ajustes logísticos e comerciais, com reprecificação de produtos e redirecionamento de pedidos internacionais. O estudo recomenda que governos e empresas brasileiras adotem estratégias de gestão de riscos e diversificação de mercados para enfrentar o cenário global de maior proteção tarifária.

FONTE: Times Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Unsplash

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Economia

FMI elogia economia do Brasil e prevê impacto mínimo das novas tarifas dos EUA

O Fundo Monetário Internacional (FMI) avaliou que o recente tarifaço dos Estados Unidos terá um impacto insignificante na economia brasileira. A conclusão está no relatório Regional Economic Outlook para o Hemisfério Ocidental, divulgado nesta sexta-feira (17). Segundo o FMI, o Brasil está menos vulnerável às medidas protecionistas impostas por Washington graças à diversificação de seus parceiros comerciais e à composição variada de suas exportações.

Diversificação protege o Brasil de impactos externos

O estudo mostra que os Estados Unidos são o terceiro maior destino das exportações brasileiras, representando cerca de 12% do total, atrás da China (30%) e da União Europeia (14%). Apesar da relevância, as vendas para o mercado americano se concentram em produtos de alta demanda global, o que facilita sua readequação a outros mercados internacionais. O FMI detalha que 36% das exportações brasileiras para os EUA estão entre os itens afetados pelas novas tarifas — principalmente commodities como minério de ferro, petróleo e produtos agrícolas. Por serem itens com mercados alternativos consolidados, o risco de perda significativa de receita é considerado baixo.

Crescimento mais moderado e inflação sob controle

O relatório também projeta que o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro deve crescer 2,4% em 2025, ritmo mais lento em comparação ao ano anterior. A moderação é explicada pela política monetária restritiva, pela redução de estímulos fiscais e pelas incertezas externas, como a desaceleração da economia chinesa e a volatilidade dos mercados globais. Quanto à inflação, o FMI estima uma taxa de 4,9%, acima da meta do Banco Central, mas ainda em nível considerado controlado. O processo de desinflação deve ocorrer de maneira gradual, acompanhando o ajuste dos juros e as oscilações nos preços de alimentos e energia.

Resiliência econômica segue como destaque

Mesmo diante do cenário global desafiador, o FMI elogia a resiliência da economia brasileira. O relatório aponta o desempenho das exportações de commodities, o robusto volume de reservas internacionais e a solidez do sistema financeiro como pilares que mantêm o país protegido contra choques externos e medidas protecionistas.

FONTE: Diário do Centro do Mundo
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Diário do Centro do Mundo

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