Comércio Exterior, Economia

Tarifa de 50% dos EUA pode impactar receita da Embraer como a crise da Covid, diz CEO

Neto disse em entrevista a jornalistas que as tarifas podem causar cancelamentos de pedidos, adiamentos de entregas e diminuição de investimentos

As tarifas de 50% anunciadas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre exportações brasileiras a partir de 1º de agosto podem ter um impacto na receita da Embraer (EMBR3) semelhante ao da crise da Covid-19, disse o presidente-executivo da companhia, Francisco Gomes Neto, nesta terça-feira.

Neto disse em entrevista a jornalistas que as tarifas podem causar cancelamentos de pedidos, adiamentos de entregas e diminuição de investimentos, além de possíveis reduções na força de trabalho, gerando um custo adicional de cerca de US$9 milhões por avião exportado aos EUA.

Os Estados Unidos são o principal mercado da Embraer, a terceira maior fabricante de aeronaves do mundo atrás da Airbus e da Boeing, com clientes norte-americanos representando 45% do seu negócio de jatos comerciais e 70% de sua divisão de jatos executivos.

“Pela relevância que esse mercado tem… a gente estima que, se isso for para frente, nessa magnitude, vamos ter um impacto similar ao da Covid em termos de queda de receita da companhia”, disse Neto.

Ele acrescentou que as tarifas de 50% seriam praticamente um embargo comercial sobre os jatos comerciais, especialmente os modelos E1 da Embraer, tornando “inviáveis” as exportações para os EUA.

Ainda assim, o executivo afirmou que nenhum pedido foi cancelado até o momento.

As ações da Embraer, que chegaram a subir 3% mais cedo no dia, passaram a operar de forma volátil durante as declarações de Neto, devolvendo ganhos antes de voltarem a subir cerca de 1%.

Fonte: InfoMoney

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Comércio Exterior, Mercado Internacional

Os pedidos de Lula na carta que será enviada aos EUA após tarifaço de Trump

Documento será endereçado à Secretaria de Comércio, liderada pelo representante comercial dos Estados Unidos (USTR), com quem as negociações sobre as tarifas têm sido conduzidas

O governo Lula (PT) pretende enviar, nos próximos dias, uma carta para os Estados Unidos por meio da embaixada do Brasil em território norte-americano. A decisão ocorre em meio às negociações do Brasil para reverter a taxação de 50% a produtos brasileiros anunciada pelo presidente americano Donald Trump. As informações são do g1.

A carta será endereçada à Secretaria de Comércio, liderada pelo representante comercial dos Estados Unidos (USTR), com quem as negociações sobre as tarifas têm sido conduzidas. O documento está pronto e será assinado pelo vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Geraldo Alckmin, e pelo chanceler Mauro Vieira. O texto aguarda o aval de Lula.

No documento enviado ao governo dos EUA, o Brasil formaliza três pedidos:

  • Que os canais de diálogo entre os dois governos continuem abertos;
  • Que sejam marcadas novas reuniões entre os representantes dos países sobre o tema; e
  • Que os Estados Unidos respondam o material que o governo brasileiro mandou ainda em maio, detalhando informações sobre balança comercial e outros números, e que permanecem sem resposta.

Lei da Reciprocidade

Lula (PT) assinou na segunda-feira (14) o decreto que regulamenta a chamada Lei da Reciprocidade. A medida possibilita que o Brasil adote uma resposta à sobretaxa de 50% anunciada por Donald Trump para produtos brasileiros.

A proposta foi aprovada no Congresso em abril, quando teve tramitação acelerada na Câmara e no Senado, com apoio de ruralistas e governistas. O decreto impõe a reciprocidade de regras ambientais e comerciais nas relações do Brasil com outros países.

O tarifaço de Trump

A taxação adicional de 50% sobre todos os produtos exportados pelo Brasil aos Estados Unidos foi anunciada na semana passada em carta divulgada pelo presidente norte-americano Donald Trump. No texto, o líder credita a medida a uma “caça às bruxas” que na opinião dele vem sendo feita na Justiça do Brasil contra o ex-presidente e aliado Jair Bolsonaro, além de citar um suposto déficit do país nas relações comerciais com o Brasil e processos para retirada de conteúdo contra gigantes de tecnologia que atuam no país.

O anúncio gerou reações no meio político e econômico brasileiro, com o receio sobre possíveis reflexos no país. As vendas para os Estados Unidos representam cerca de 12% das exportações nacionais e 14% das vendas de Santa Catarina para o mercado externo.

Fonte: NSC Total

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Economia, Mercado Internacional

Economia chinesa cresce 5,2% no 2º trimestre, mesmo com tarifaço de Trump

Dados divulgados nesta segunda-feira mostram que as exportações chinesas apresentaram um bom desempenho, resistindo à guerra comercial com os Estados Unidos.

A economia chinesa cresceu 5,2% no segundo trimestre do ano, segundo dados oficiais publicados no fim da noite desta segunda-feira (14), graças ao bom desempenho das exportações e apesar da guerra comercial com os Estados Unidos.

O resultado corresponde à previsão de uma pesquisa da AFP realizada com analistas na semana passada.

Já as vendas no varejo — indicador-chave de consumo — subiram 4,8% em relação ao ano anterior, abaixo da previsão de 5,3% em uma pesquisa da Bloomberg com economistas, o que sugere que os esforços para reativar o consumo interno não conseguem decolar.

Contudo, a produção industrial aumentou 6,8%, acima da estimativa de 5,6%. No primeiro trimestre do ano, o PIB chinês avançou 5,4%.

“A economia nacional resistiu à pressão e mostrou uma melhora constante apesar dos desafios”, disse o vice-diretor do Departamento Nacional de Estatísticas, Sheng Laiyun, em coletiva de imprensa.

“A produção e a demanda cresceram de forma constante, o emprego manteve-se geralmente estável, a renda das famílias continuou a aumentar, os novos motores de crescimento testemunharam um desenvolvimento robusto e o desenvolvimento de alta qualidade alcançou novos avanços”, afirmou.

O governo da segunda maior economia mundial trava uma batalha em várias frentes para manter o crescimento econômico, um desafio que se viu dificultado pela ofensiva tarifária do presidente americano Donald Trump.

Trump impôs tarifas à China e aos principais parceiros comerciais dos americanos desde que retornou ao cargo em janeiro, ameaçando as exportações chinesas justamente quando Pequim está mais dependente delas para estimular a atividade econômica.

Washington e Pequim vêm tentando desescalar a disputa comercial após terem chegado a um marco de acordo em negociações realizadas em Londres no mês passado, mas analistas alertam sobre uma incerteza persistente.

Trump aumentou as apostas na segunda-feira, ao avisar aos parceiros comerciais da Rússia que imporá tarifas “muito severas”, chegando a 100%, se Moscou não acabar com sua guerra na Ucrânia dentro de 50 dias.

A China criticou a ameaça de Trump e reiterou que é favorável a uma solução política na Ucrânia. “A coerção ou as pressões não podem resolver os problemas”, declarou Lin Jian, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores de Pequim.

Os países ocidentais pedem repetidamente à China — um aliado comercial importante da Rússia — para exercer sua influência e fazer com que Vladimir Putin pare sua guerra de três anos contra a Ucrânia.

Bom desempenho das exportações

Dados da Administração Geral de Alfândega da China divulgados nesta segunda-feira mostraram que as exportações aumentaram muito mais que o esperado em junho (5,8% em termos anuais e 32,4% na comparação com o mês anterior), com ajuda da trégua comercial entre Washington e Pequim.

As importações também subiram 1,1%, acima do avanço previsto de 0,3%, o que representa o primeiro crescimento deste ano.

O oficial da alfândega Wang Lingjun afirmou em coletiva de imprensa que Pequim esperava “que os Estados Unidos continuassem a trabalhar juntos com a China na mesma direção”, relatou a emissora estatal CCTV.

A trégua tarifária foi “duramente conquistada”, disse Wang. “Não há saída por meio de chantagem e coerção. Diálogo e cooperação são o caminho certo”, frisou.

Muitos analistas, no entanto, preveem um crescimento mais lento nos próximos seis meses, com uma demanda interna frágil como principal obstáculo.

“Os dados provavelmente ainda superestimam a força do crescimento”, afirmou Zichun Huang, economista para a China na Capital Economics, em um comunicado.

“Com as exportações destinadas a desacelerar e o impulso de apoio fiscal prestes a desaparecer, é provável que o crescimento desacelere ainda mais durante a segunda metade deste ano”, acrescentou.

Fonte: G1

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Comércio Exterior

Tarifaço inoportuno ou oportunidade para fortalecer relação bilateral?

Em artigo publicado no Valor Econômico, o presidente da CNI, Ricardo Alban, fala sobre a decisão do presidente dos EUA de impor uma tarifa de 50% sobre todos os produtos importados do Brasil

Um tarifaço sem fundamentos econômicos. A decisão do presidente dos EUA de impor uma tarifa de 50% sobre todos os produtos importados do Brasil, sem qualquer estudo técnico que justifique, configura uma ruptura grave de uma relação comercial centenária, marcada por forte integração produtiva e amigável.

Há mais de 15 anos, os Estados Unidos registram superávit constante no intercâmbio de bens e serviços com o Brasil. Entre 2015 e 2024, esse saldo positivo acumulado alcançou US$ 91,6 bilhões em mercadorias e US$ 256,9 bilhões em serviços, segundo estimativas a partir de dados oficiais norte-americanos.

Argumentar que o Brasil pratica alíquotas excessivas também está em desacordo com a realidade. Em 2023, a tarifa efetivamente aplicada pelo nosso país sobre produtos originários dos EUA foi de apenas 2,7% – quatro vezes inferior à alíquota nominal média de 11,2% registrada na Organização Mundial do Comércio (OMC).

A tarifa de 50% anunciada pelo governo Trump põe fim à previsibilidade que sustenta milhares de contratos de longo prazo, afetando fábricas brasileiras e plantas nos Estados Unidos que dependem de componentes e insumos produzidos no Brasil para manter linhas produtivas e empregos. Existem milhares de companhias norte-americanas instaladas no Brasil e outras tantas brasileiras operando nos EUA. O tarifaço, portanto, aumenta substancialmente o risco de retrocesso, ameaçando a competitividade de ambos os lados e lançando incerteza sobre planos de investimento futuros e negócios em andamento.

Diante disso, o diálogo deve ser o caminho prioritário. A CNI, em parceria com entidades empresariais dos dois países, está pronta para contribuir tecnicamente na busca de uma solução negociada que reverta as tarifas e restabeleça a confiança.

Temos conversado com as principais lideranças econômicas e políticas do Brasil. Vemos, na formação pelo governo federal de um “Comitê”, que contempla o setor produtivo, de grande valia.

Vemos, nas redes sociais, disputas, desentendimentos e polarização, agravados pela antecipação do próximo ciclo eleitoral, mas o sentimento real do povo brasileiro é o da busca pelo diálogo, pelo entendimento e consenso.

São muitos e importantes os desafios que já enfrentamos, entre eles o reequilíbrio das contas públicas, sem o qual a economia implode; a redução sustentável da taxa de juros, dependente do ajuste fiscal, para destravar investimentos; o avanço de reformas estruturantes que melhorem o ambiente de negócios e reduzam custos, condição indispensável ao crescimento da produtividade e do PIB.

A história desmente a visão de luta de classes ou de imposições unilaterais de tarifas como armas de conquista ou consolidação de poder.
O maior aliado do trabalhador é uma empresa sólida e confiante para investir; o maior aliado do empreendedor é um ambiente de negócios previsível e competitivo.

Por isso, rejeitamos soluções fáceis, como elevar impostos para financiar uma máquina pública ineficiente. A sociedade não suporta nova alta de carga tributária. O verdadeiro milagre econômico está na estabilidade, na redução do “Custo Brasil” e na liberação do espírito empreendedor.

Reconhecemos os méritos da política industrial inaugurada pela Nova Indústria Brasil e, justamente por acreditar no potencial dessa parceria é que apelamos por diálogo e caminhos que não estrangulem a competitividade dos setores produtivos. Incertezas fiscais, guerras comerciais e a rápida difusão da inteligência artificial já criam um ambiente complexo; somar novos conflitos tarifários só ampliará os riscos.

O momento exige moderação e convergências com agilidade para que o Brasil possa negociar em posição de parceiro e nação independente.

Fonte: Agência de Notícias da Indústria

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Comércio Exterior, Mercado Internacional

Tarifas de 50% de Trump: para onde o Brasil pode redirecionar suas exportações — e quais os desafios

Especialistas ouvidos pelo g1 afirmam que alguns países têm condições de absorver parcialmente o excedente de produtos brasileiros. Há, no entanto, uma série de especificidades setoriais em jogo.

A tarifa de 50% sobre produtos brasileiros anunciada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, representa um duro golpe para o comércio exterior do Brasil. Se entrar em vigor em 1º de agosto, a medida poderá reduzir significativamente a exportação de diversos setores.

Os EUA são o segundo principal destino dos itens brasileiros, atrás apenas da China. Além disso, representam um mercado estratégico para a venda de bens diversificados e de maior valor agregado, como aviões executivos e eletroeletrônicos.

Só em 2024, foram vendidos US$ 40,4 bilhões em produtos para o mercado norte-americano — 12% do total exportado pelo Brasil no ano. Na prática, uma tarifa de 50% tornaria inviável a compra de diversos itens brasileiros por empresas sediadas nos EUA, já que o custo de importação ficaria muito mais alto.

Se os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Donald Trump não chegarem a um acordo até a data prevista, setores relevantes da economia brasileira terão de buscar novos mercados para escoar seus produtos — o que, ainda assim, pode não ser suficiente para compensar as perdas.

Especialistas ouvidos pelo g1 afirmam que alguns países têm condições de absorver parcialmente o excedente de produtos brasileiros.

Há, no entanto, uma série de especificidades setoriais em jogo: para certos produtos, o redirecionamento pode ser mais viável e, para outros, mais complexo. Além disso, o Brasil pode enfrentar dificuldades para realocar esse excedente no curto prazo.

“Esse redirecionamento é possível, mas leva tempo e requer negociações de alto nível. Então, não é tão simples como parece”, afirma André Galhardo, economista-chefe da consultoria Análise Econômica.

Leia nesta reportagem:


Quais são os produtos brasileiros mais exportados para os EUA

Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) mostram que petróleo, ferro, aço, café e carne estão entre os principais produtos brasileiros exportados para os EUA.

Veja abaixo os valores vendidos de janeiro a junho de 2025:

  1. Óleos brutos de petróleo ou de minerais betuminosos — US$ 2,37 bilhões
  2. Produtos semimanufaturados de ferro ou aço (baixo carbono) — US$ 1,49 bilhão
  3. Café não torrado, não descafeinado — US$ 1,16 bilhão
  4. Carnes bovinas desossadas e congeladas — US$ 737,8 milhões
  5. Ferro-gusa (ferro fundido bruto não ligado) — US$ 683,6 milhões
  6. Celulose (pasta química de madeira não conífera) — US$ 668,6 milhões
  7. Óleos combustíveis e preparações de petróleo — US$ 610,2 milhões

Há também produtos que, embora não estejam entre os mais exportados, têm grande importância para os mercados brasileiro e norte-americano. É o caso do suco de laranja41,7% de todas as exportações brasileiras do produto foram destinadas aos EUA na safra 2024/25, encerrada em junho.

Aeronaves também se enquadram nessa categoria. Segundo relatório do BTG, 63% das exportações brasileiras do setor tiveram como destino os EUA. A Embraer é a empresa nacional com maior exposição nesse mercado. (leia mais abaixo)

Quais itens são mais ‘fáceis’ de vender para outros países

Welber Barral, consultor em comércio internacional, explica que, no caso de commodities como café, suco de laranja e açúcar é mais fácil redirecionar esses produtos para outros mercados, já que possuem preços definidos internacionalmente.

“Commodity com preço internacional acaba sendo vendida para vários outros lugares, dependendo de demanda. Às vezes, quando há superoferta no mercado, cai um pouco o preço. Mas acaba sendo vendido para algum lugar”, diz.

Por outro lado, empresas brasileiras que exportam produtos específicos e de maior valor agregado devem enfrentar mais dificuldades. “É o caso da exportação de uma autopeça específica para uma montadora, por exemplo. Não há muita margem para redirecionar esse tipo de venda”, explica.

Por isso, as ações da Embraer caíram quase 11% nesta semana. A fabricante brasileira de aeronaves é uma das empresas listadas na bolsa com maior exposição à medida, com 23,8% de sua receita proveniente de vendas para os EUA, segundo levantamento da XP Investimentos.

“Ninguém vende tanto avião executivo nos EUA como a Embraer”, diz Galhardo. Ele destaca que, mesmo para uma potência como a China, transferir essa demanda — ou seja, passar a vender para o país — é um processo difícil.

Quais países podem ser os principais destinos alternativos

O especialista em comércio exterior Jackson Campos também destaca que o Brasil enfrentaria dificuldades para redirecionar, no curto prazo, toda a produção atualmente destinada aos EUA.

Segundo ele, países como China, Índia, Vietnã, Indonésia, Emirados Árabes Unidos, México e nações europeias têm potencial para absorver parte da produção brasileira. Mas nenhum deles tem, isoladamente, capacidade para substituir o mercado americano de forma equivalente.

“A China, embora seja o maior parceiro comercial do Brasil, enfrenta desaceleração no consumo interno e restrições em setores como aço e petróleo, o que limita sua capacidade de absorção total”, afirma.

Campos acrescenta que, no caso de produtos como petróleocelulose carne bovina, a Ásia pode se tornar o principal destino alternativo, se necessário.

Produtos sob investigação da Seção 232 — como semicondutores, minerais críticos e produtos farmacêuticos — devem seguir isentos da tarifa de Trump, segundo a agência de notícias Reuters. A isenção também se estenderia ao petróleo e seus derivados, ponto que ainda é dúvida para setor.

Quais são as janelas de oportunidade para o Brasil

Welber Barral, consultor em comércio internacional, destaca que os países asiáticos tendem a ganhar mais protagonismo nas relações comerciais com o Brasil, caso a tarifa de 50% anunciada por Trump se concretize.

“Naturalmente, a Ásia é o principal mercado de expansão para os produtos brasileiros. O que essa questão com os EUA pode fazer é acelerar a crescente dependência dos mercados asiáticos pelas exportações do Brasil”, avalia.

Para André Galhardo, da Análise Econômica, o Brasil deve buscar escoar seus produtos para países com os quais já vem estreitando relações comerciais, especialmente nações interessadas em aderir ao Brics, países do sudeste asiático e a própria China.

  • O Brics é um grupo de países emergentes que inclui, atualmente, Brasil, Rússia, China, Índia, África do Sul, Emirados Árabes Unidos, Egito, Arábia Saudita, Etiópia, Indonésia e Irã.

A grande oportunidade estratégica, segundo o economista, é a aproximação com a União Europeia (UE). Ele acredita que o momento poderá servir para firmar laços e ampliar as exportações de bens tecnológicos e manufaturados — ou seja, de maior valor agregado — para os países da região.

“Poderíamos aproveitar esse momento para nos aproximar dos países europeus que estão ressentidos com o acirramento comercial com os EUA. É uma oportunidade única para o Brasil”, diz.

Jackson Campos reconhece que a União Europeia oferece potencial em determinados setores, mas ressalta que há forte concorrência interna. Por isso, ele sugere outras alternativas.

“Se a tarifa de 50% for mantida, o Brasil pode aproveitar para acelerar acordos com Índia e Indonésia e aprofundar o Mercosul com África e Oriente Médio”, conclui.

Fonte: G1

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Internacional, Mercado Internacional

Produtores de químicos do Brasil pedem diálogo diante da ameaça de tarifas dos EUA

O grupo comercial brasileiro que representa os produtores de produtos químicos, a Abiquim, expressou preocupação com a ameaça do presidente dos EUA, Donald Trump, de impor tarifas de 50% sobre as exportações brasileiras, e pediu um diálogo técnico para resolver a disputa.

Em uma resposta por escrito à ICIS, a Abiquim afirmou que a questão tem grande relevância para o setor químico, não apenas pelas exportações diretas para os EUA, mas também porque a indústria fornece insumos essenciais para setores exportadores, como o de alimentos processados e o de celulose e papel.

Segundo a Abiquim, o setor químico brasileiro teve um grande déficit comercial com os EUA em 2024, importando cerca de US$ 10,4 bilhões e exportando apenas US$ 2,4 bilhões. O déficit resultante em favor dos EUA foi de US$ 7,9 bilhões — em volume, o déficit totalizou 6 milhões de toneladas.

Subsetores da petroquímica americana, como soda cáustica, polietileno (PE) e ácido acético, entre outros, exportam grandes volumes para o Brasil e podem ser seriamente afetados caso o país resolva retaliar as tarifas com medidas equivalentes.

“A indústria química defende que as relações comerciais internacionais sejam tratadas exclusivamente com base no ganho econômico mútuo e no livre mercado, seguindo as regras da Organização Mundial do Comércio (OMC). Em um cenário sujeito a interferência política, acreditamos que o diálogo técnico é a melhor forma de resolver essa questão”, afirmou a Abiquim.

Ambos os lados correm risco de perdas, já que são mercados importantes para as exportações um do outro. Portanto, negociações são necessárias para evitar prejuízos para todas as partes envolvidas.”

Fonte: ICIS – Independent Commodity Intelligence Services

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Comércio Exterior, Economia, Mercado Internacional

Lula: Nós temos que recorrer à OMC e nos juntar com outros países taxados pelos EUA

À TV Record, Lula disse que o Itamaraty e o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) já estão em conversações com os EUA

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou à TV Record, nesta quinta-feira (10) que defende a união do Brasil a outros países taxados pelos Estados Unidos para ingressar na Organização Mundial do Comércio (OMC) com um recurso. As declarações ocorrem um dia após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ter anunciado uma tarifa comercial de 50% sobre os produtos do Brasil.

Neste momento, Lula disse que o Itamaraty e o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) já estão em conversações com os Estados Unidos. “Do ponto de vista diplomático, nós temos que recorrer à OMC. Você pode, junto com a OMC, encontrar um grupo de países que foram taxados pelos Estados Unidos e entrar com um recurso na OMC. Se nada disso der resultado, vamos ter que fazer a Lei da Reciprocidade”, afirmou.

Na ocasião, Lula considerou que a carta do presidente americano Donald Trump “não é mais dura” do que declarações que havia dado anteriormente. Em seguida, lembrou falas de Trump contra a criação de uma moeda alternativa ao dólar, medida que está em discussão entre os países dos Brics.

“Nós temos interesse de criar uma moeda de comércio entre os outros países. Eu não sou obrigado a comprar dólar para fazer relação comercial com a Venezuela, com a Bolívia, com Chile, com a Suécia, com a União Europeia, com a China. A gente pode fazer nas nossas moedas”, disse Lula. O presidente brasileiro disse que, caso Trump tenha divergência, deve levar a questão a um fórum internacional, para discutir o tema “civilizadamente”.

Fonte: InfoMoney

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Comércio Exterior, Internacional

Tarifa dos EUA sobre produtos brasileiros gera preocupação no agronegócio e na indústria de Mato Grosso

Medida de 50% nas importações pode impactar exportações de carne bovina e produtos industriais, ameaçando competitividade e fluxo comercial do estado

A recente decisão dos Estados Unidos de impor uma tarifa de 50% sobre produtos importados do Brasil acende um alerta em Mato Grosso, estado que concentra a maior produção de carne bovina do país e possui uma indústria diversificada e estratégica para o comércio bilateral.

Em nota nesta quinta-feira (10), as Federações da Agricultura e Pecuária (Famato) e das Indústrias (Fiemt) declaram acompanhar com preocupação as possíveis consequências da medida, que pode comprometer o fluxo comercial e a competitividade de diversos setores locais.

Na última segunda-feira (7), o presidente norte-americano iniciou o envio de cartas informando aos países as novas tarifas que a partir de 1º de agosto terão de pagá-las caso não firmem um novo acordo comercial. Donald Trump definiu taxas mínimas sobre produtos importados, que variam entre 20% e 50%, a depender do país.

Conforme analistas econômicos, a tarifa de 50% anunciada sobre os produtos brasileiros, em carta enviada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva nesta quarta-feira (9), seria a mais alta entre as novas taxas divulgadas até agora por Donald Trump até o momento.

Mato Grosso lidera a produção de carne bovina brasileira, com um rebanho superior a 30 milhões de cabeças. Segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), em 2024 o estado exportou 39.039 toneladas de carne bovina para os Estados Unidos, de um total de 303.149 toneladas embarcadas pelo Brasil. Até junho de 2025, as exportações já somavam 26,55 mil toneladas, volume que poderia ser significativamente afetado pela nova tarifa, alertam os representantes do setor agropecuário.

Paralelamente, a indústria mato-grossense também pode sentir os impactos da medida. Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) indicam que os Estados Unidos foram, em 2024, o 17º principal destino das exportações do estado, com um total de US$ 415 milhões em produtos, somando 183,4 mil toneladas. Desse montante, US$ 373,6 milhões referem-se à indústria de transformação, demonstrando a relevância do setor nas relações comerciais.

Entre os principais produtos industriais exportados estão carnes (US$ 148,5 milhões), ouro (US$ 147,1 milhões), gordura animal (US$ 43,5 milhões), gelatinas (US$ 16,8 milhões) e madeira beneficiada (US$ 12,5 milhões). A agropecuária também mantém papel importante, com US$ 41,4 milhões em exportações. Nos últimos anos, carne bovina, mineração e derivados de origem animal foram os segmentos que mais ampliaram sua presença no mercado norte-americano.

No sentido contrário, os Estados Unidos são o quarto maior fornecedor de produtos para Mato Grosso, com US$ 301,8 milhões em importações, especialmente aeronaves, fertilizantes, máquinas e defensivos agrícolas, evidenciando a importância estratégica do intercâmbio comercial para ambos os lados.

Diante do cenário, a Famato defende a necessidade de o Brasil adotar uma postura firme e diplomática para preservar a competitividade do agronegócio e garantir segurança jurídica nas relações comerciais.

A Fiemt, por sua vez, reforça o compromisso com a defesa da indústria mato-grossense e a promoção de um ambiente favorável à ampliação das relações internacionais, essenciais para o desenvolvimento econômico sustentável do estado.

Fonte: Mato Grosso Canal Rural

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Comércio Exterior, Economia

Por que a Embraer (EMBR3) é a maior vítima do tarifaço de Trump contra o Brasil?

Queridinha do mercado, ação da fabricante de jatos é a mais abalada pelo tarifaço contra o Brasil por conta da sua exportação para os EUA

Dentre todas as empresas que podem ser afetadas pelas tarifas gerais de 50% anunciadas na véspera pelo presidente dos EUA, Donald Trump, uma em especial ganha destaque, principalmente por ter grande parte da sua receita proveniente de exportações para a maior economia do mundo. Trata-se da Embraer (EMBR3), cuja ação tem uma alta acumulada de mais de 100% nas suas ações no acumulado de 12 meses, mas que vinha sofrendo recentemente com as ameaças do presidente americano em tarifar o Brasil.

A XP Investimentos aponta que a Embraer tem uma alta exposição aos EUA, de cerca de 60% do faturamento. Ela exporta principalmente E1s para companhias aéreas norte-americanas e conclui a montagem de jatos executivos na Flórida; assim, os impactos diretos e indiretos podem ser significativos.

Os analistas Lucas Laghi, Fernanda Urbano e Guilherme Nippes, que assinam o relatório da XP, ressaltam dois impactos principais devido ao aumento da tarifa para produtos brasileiros.

Em primeiro lugar, na divisão Executiva, como a empresa conclui a montagem de Praetors (cerca de 55-60% do conteúdo do Brasil) e Phenoms (cerca de 35-40% do conteúdo do Brasil) em suas instalações na Flórida, parte do CPV (Custo de Produtos Vendidos) do produto é suscetível a tarifas de importação quando os jatos são enviados do Brasil para os EUA (com a Embraer como responsável pela sobretaxa).

Nesse sentido, estima um impacto de custo de US$ 95 milhões por cada 10 pontos percentuais (p.p.) de tarifa para a sua previsão de EBIT de 2026E, ou um impacto de –55-60% em nossas estimativas de EBIT (Lucro Antes de Juros e Impostos)/lucro de 2026 esperado se a tarifa de 50% for implementada, respectivamente.

Em segundo lugar, no segmento comercial, embora os clientes da ERJ sejam os responsáveis pela cobrança tarifária, a preocupação permanece com a demanda mais fraca após um ambiente inflacionário para os E1s, com riscos de adiamento de entregas caso as companhias aéreas tentem evitar tais sobretaxas, embora as cláusulas contratuais (e PDPs) da ERJ devam reduzir tais riscos.

A XP, embora veja o anúncio de Trump principalmente como uma potencial barganha, espera que a preocupação dos investidores permaneça alta, dado o impacto potencial significativo que uma tarifa de importação de 50% sobre produtos brasileiros sugeriria para a ERJ (queda 60% para a sua estimativa de lucros para 2026). Dito isso, reitera recomendação neutra no valuation, com potencial downside em relação às estimativas de consenso (e as nossas) se as tarifas permanecerem mais altas em relação ao previsto anteriormente.

Na mesma linha, o Bradesco BBI também ressalta que a Embraer é a empresa de sua cobertura mais exposta às exportações para os EUA.

Assim, estima um impacto potencial de aproximadamente US$ 220 milhões no EBIT de 2025 — cerca de 35% do total estimado para o ano. Essa estimativa considera que a tarifa entre em vigor em agosto, como estipulado na carta oficial, o que limitaria o impacto a apenas uma parte do ano.

No segmento de aviação executiva, os jatos Phenom são produzidos nos EUA, enquanto os jatos Praetor têm sua montagem final no país.

“Isso pode ajudar a mitigar parte do impacto, já que a produção local estaria isenta da tarifa. Ainda assim, não está claro se essa isenção seria total”, avalia.

Para o BBI, a Embraer pode compensar parte do impacto por meio de: i. Reajuste de preços em novos pedidos de jatos executivos (com efeito apenas na entrega); ii.Aumento de preços em serviços e peças, reduzindo indiretamente o impacto nas entregas e iii. No segmento de aviação comercial, as tarifas podem levar clientes a adiar recebimentos de aeronaves.

O UBS BB estima um impacto de aproximadamente US$ 70 milhões nos custos da Embraer e um impacto de 13% na margem financeira de 2026 para cada aumento de 10% nas tarifas. O banco considera o impacto apenas sobre jatos executivos, com 40% dos Phenoms e 60% dos Praetors sendo tarifados e 75% das vendas totais de jatos executivos para os EUA.

Fonte: InfoMoney

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Internacional, Mercado Internacional

Trump envia cartas a países oficializando tarifaço

A secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, afirmou, nesta segunda-feira (7/7), que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, enviará cartas a parceiros comerciais oficializando o início das tarifas recíprocas impostas por ele assim que assumiu o segundo mandato. As tarifas variam entre 25% e 40%. As primeiras nações que receberam o documento foram o Japão e a Coreia do Sul.

“Haverá aproximadamente 12 outros países que receberão notificações e cartas diretamente do presidente dos Estados Unidos. O presidente ainda planeja criar planos comerciais personalizados para cada país deste planeta”, disse Leavitt.

Países que receberam a carta

Japão: tarifa de 25%
Coreia do Sul: tarifa de 25%
Myanmar: tarifa de 40%
Laos: tarifa de 40%
África do Sul: tarifa de 30%
Cazaquistão: tarifa de 25%
Malásia: tarifa de 25%

A secretária de imprensa também confirmou que Trump estenderia formalmente seu prazo para a imposição de tarifas recíprocas de 9 de julho para 1º de agosto, com a intenção de dar aos países mais tempo para negociar acordos.

“O presidente também assinará um decreto executivo hoje, adiando o prazo de 9 de julho para 1º de agosto. Portanto, a tarifa recíproca, ou essas novas tarifas que serão fornecidas nesta correspondência a esses líderes estrangeiros, serão divulgadas no próximo mês, ou acordos serão firmados, e esses países continuarão a negociar com os Estados Unidos. Vimos muitos desenvolvimentos positivos na direção certa, mas o governo, o presidente e sua equipe comercial querem fechar os melhores acordos para o povo americano e para os trabalhadores americanos. É nisso que eles estão focados”, explicou Leavitt.

Até o momento os acordos anunciados são:

Reino Unido.
Vietnã.
Trégua com a China.
Japão, Coreia do Sul e União Europeia estão em negociação.

Nesta segunda, Donald Trump, publicou duas das múltiplas cartas que seu governo enviará aos parceiros comerciais tributados no chamado “Dia da Libertação”.

Segundo o documento, o governo dos EUA aplicarão a partir do dia 1º de agosto uma tarifa de 25% sobre todos os produtos importados do Japão e da Coreia do Sul.

O presidente dos EUA adotou um tom semelhante nas duas cartas ao afirmar que apesar de ter buscado negociar, as tributações são injustas a seu país e por isso que as tarifas serão impostas e ao destacar que se qualquer uma das nações tentar retaliar os EUA, sofrerão ainda mais com as tarifas norte-americanas.

Quanto ao motivo pelo qual Trump decidiu começar com os dois aliados asiáticos, Leavitt disse que “é prerrogativa do presidente e esses são os países que ele escolheu”.

Fonte: Metrópoles

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