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Navio HMM Platinum sofre incêndio e permanece à deriva próximo a Madagascar

O navio porta-contêineres HMM Platinum, com capacidade para 5.023 TEUs, continuava no mar ao sudoeste de Madagascar em 10 de outubro de 2026, após um incêndio atingir um contêiner durante a viagem entre Kattupalli, na Índia, e Santos, no Brasil. A embarcação teve sua rota interrompida e busca um porto de refúgio na África do Sul para viabilizar as operações de salvamento e a avaliação dos danos.

A empresa especializada em sinistros marítimos W.E. Cox Claims Group informou que a companhia SMIT Salvage foi contratada por meio do contrato internacional de salvamento Lloyd’s Open Form (LOF). Há preocupação com a possibilidade de prejuízos expressivos à embarcação e à carga transportada, além de atrasos nas entregas.

Também existe a expectativa de uma possível declaração de avaria grossa, procedimento que pode exigir contribuições financeiras dos proprietários das cargas envolvidas para cobrir despesas extraordinárias relacionadas à preservação do patrimônio marítimo.

Incêndio no HMM Platinum: danos ainda não foram quantificados

Os primeiros comunicados sobre a ocorrência foram divulgados em 7 de outubro. Segundo a W.E. Cox, o incêndio teria acontecido entre o final de setembro e o início de outubro. Já a consultoria marítima W K Webster informou que o fogo começou em um contêiner enquanto o navio navegava nas proximidades de Lavanono, na costa sul de Madagascar.

Até o momento, os comunicados não esclareceram o horário exato nem a causa do incêndio. Também não foram divulgadas informações confirmadas sobre possíveis vítimas entre os tripulantes.

De acordo com a atualização publicada pela W.E. Cox em 8 de outubro, aproximadamente 2.300 contêineres estavam a bordo. Apesar do alerta para a possibilidade de danos significativos, ainda não há um levantamento definitivo da quantidade de unidades afetadas ou uma estimativa financeira das perdas na embarcação e nas mercadorias.

O banco de dados oficial da frota da HMM identifica o navio pelo número IMO 9637155. Construído em 2013, o cargueiro navega sob bandeira da Libéria, possui capacidade para 5.023 TEUs, porte bruto de 63.014 toneladas e arqueação bruta de 52.467. A H Platinum SA aparece como proprietária, enquanto a HMM Ocean Service Company Limited é indicada como responsável pela gestão do navio.

Porto de refúgio na África do Sul ainda não foi confirmado

Inicialmente, Durban foi apontada como o destino previsto para o navio após o incidente. Em comunicado de 7 de outubro, a W.E. Cox estimou a chegada para o dia seguinte.

Entretanto, uma atualização posterior informou que a embarcação procurava uma alternativa, com possibilidade de seguir para Port Elizabeth, atualmente denominada Gqeberha. Até a divulgação das informações consultadas, não havia confirmação oficial do novo porto de destino.

Dados do sistema de rastreamento marítimo ShipFinder, atualizados em 10 de outubro, posicionavam o HMM Platinum a sudoeste de Madagascar, navegando a aproximadamente 2,7 nós. O status operacional registrado era “not under command”, expressão utilizada para indicar que o navio não está em condições de manobrar conforme exigido pelas regras de navegação.

Embora Durban continuasse indicado como destino no sistema, os registros mostravam que a embarcação permanecia em alto-mar, sem ter chegado a um porto de refúgio.

A definição do local de abrigo será importante para organizar as inspeções, avaliar as condições da carga e determinar como será realizado o transporte posterior das mercadorias.

Escalas na Ásia ampliam o alcance dos atrasos logísticos

Antes de iniciar a travessia com destino ao Brasil, o HMM Platinum passou por diferentes portos asiáticos. Registros históricos da plataforma MyShipTracking mostram a seguinte sequência de escalas:

  • Qingdao, China: de 29 a 30 de agosto;
  • Busan New Port, Coreia do Sul: de 2 a 3 de setembro;
  • Ningbo, China: em 10 de setembro;
  • Shenzhen, China: de 14 a 15 de setembro;
  • Singapura: em 22 de setembro;
  • Kattupalli, Índia: com saída registrada em 27 de setembro.

O itinerário indica que a interrupção da viagem pode afetar mercadorias embarcadas em diferentes mercados asiáticos, incluindo cargas destinadas ao Brasil.

A W.E. Cox alertou para possíveis atrasos nas entregas das mercadorias que permanecem a bordo. Para identificar os embarques afetados, importadores, exportadores e agentes de carga devem consultar os conhecimentos de embarque (bill of lading), os números dos contêineres e as confirmações de carregamento.

O histórico de escalas, isoladamente, não permite determinar quais remessas estão envolvidas no incidente. A verificação documental é necessária para confirmar a presença de cada carga na embarcação.

Contrato de salvamento pode exigir garantias financeiras

A contratação da SMIT Salvage representa uma etapa importante na resposta ao incidente. Integrante do grupo marítimo Boskalis, a empresa atua em operações de emergência, salvamento de embarcações, remoção de destroços e proteção ambiental. Sua estrutura de atendimento inclui a Cidade do Cabo, na África do Sul, além de outras localidades estratégicas para o transporte marítimo internacional.

O contrato Lloyd’s Open Form (LOF) estabelece as condições para remunerar empresas de salvamento que recuperam bens em perigo no mar ou contribuem para prevenir e reduzir danos ambientais. O sistema é administrado pelo setor de arbitragem de salvamento da Lloyd’s, mercado de seguros com sede em Londres.

Nesse modelo, os responsáveis pelo salvamento podem manter um direito de garantia marítima sobre os bens recuperados até que seja apresentada uma garantia financeira considerada aceitável para assegurar o pagamento dos serviços.

Para os proprietários das mercadorias transportadas pelo HMM Platinum, essa exigência pode ter efeitos imediatos. A consultoria W K Webster informou que será necessário apresentar uma garantia de salvamento emitida por uma parte aceita pelos responsáveis pela operação ou pelo Conselho da Lloyd’s.

A W.E. Cox também alertou que garantias poderão ser exigidas antes que as cargas sejam encaminhadas ao destino ou liberadas para seus proprietários.

Por isso, os procedimentos de preparação financeira não precisam aguardar uma eventual declaração formal de avaria grossa.

Importadores e demais titulares das mercadorias devem entrar em contato com suas seguradoras de transporte e representantes de sinistros para verificar as exigências aplicáveis a cada embarque.

O que é avaria grossa e como ela pode afetar as cargas?

Até 10 de outubro, os comunicados analisados tratavam a declaração de avaria grossa como uma possibilidade ou um desdobramento provável, sem confirmar sua formalização.

Caso o procedimento seja instaurado, os proprietários das cargas poderão precisar apresentar garantias adicionais antes da liberação das mercadorias, mesmo que elas não tenham sofrido danos físicos.

A avaria grossa é um princípio do direito marítimo aplicado a sacrifícios extraordinários e despesas intencionais e razoáveis realizados para preservar bens envolvidos em uma situação de perigo comum durante uma viagem marítima.

Quando os requisitos legais são atendidos, os custos elegíveis são distribuídos entre os interesses envolvidos, proporcionalmente aos respectivos valores de contribuição. A orientação da seguradora marítima Gard explica que essa divisão pode abranger despesas e perdas qualificadas relacionadas à preservação do conjunto de bens em risco.

Na prática, o procedimento costuma envolver as seguintes etapas:

  1. Nomeação de um regulador de avarias: o armador contrata um profissional especializado para organizar a documentação, analisar os valores envolvidos e calcular as contribuições.
  2. Apresentação das garantias: os proprietários das cargas fornecem os documentos exigidos para assegurar o pagamento de suas obrigações.
  3. Participação das seguradoras: quando há cobertura aplicável, a seguradora da carga normalmente pode emitir uma garantia de avaria grossa.
  4. Depósito em dinheiro: proprietários de mercadorias sem seguro podem ser obrigados a apresentar um depósito financeiro.
  5. Cálculo das contribuições: após a análise das despesas e dos sacrifícios admitidos, é estabelecida a parcela atribuída a cada participante.

É importante distinguir a garantia de salvamento da garantia de avaria grossa. Embora ambas possam ser solicitadas no mesmo incidente, elas se referem a obrigações diferentes e devem ser acompanhadas separadamente pelos proprietários das mercadorias e suas seguradoras.

Vistorias podem identificar danos por calor, fumaça e água

A avaliação dos prejuízos não ficará restrita ao contêiner em que o fogo teria começado. Mercadorias próximas também podem ter sido atingidas pelo calor, pela fumaça ou pela água utilizada no combate às chamas.

A W K Webster informou que mantinha peritos de carga de prontidão para realizar inspeções assim que as condições operacionais permitissem. A consultoria também mencionou a presença de mercadorias sensíveis à temperatura a bordo.

Para facilitar a análise dos sinistros, os responsáveis pelas cargas devem reunir documentos como:

  • Conhecimento de embarque e identificação dos contêineres;
  • Faturas comerciais e listas de embalagem;
  • Apólices e demais documentos do seguro de transporte;
  • Correspondências com o armador, agentes de carga e transportadores;
  • Registros de temperatura e funcionamento dos equipamentos, quando aplicáveis.

Quando houver acesso às mercadorias, fotografias, relatórios de vistoria e registros detalhados das condições da embalagem e dos produtos poderão contribuir para a comprovação dos danos.

No caso de cargas refrigeradas ou sensíveis a variações térmicas, também será importante analisar os registros disponíveis de temperatura e operação dos equipamentos durante o transporte.

Replanejamento da entrega exige contato com o armador

Além da apuração dos danos e das exigências financeiras, os embarcadores e destinatários precisarão esclarecer como as mercadorias seguirão até seus destinos.

A HMM ou os agentes responsáveis pelas reservas deverão informar se as cargas poderão continuar a bordo do navio original, se será necessário descarregá-las e transferi-las para outra embarcação e quais prazos de entrega poderão ser considerados.

Para remessas urgentes, a elaboração de planos alternativos de transporte pode ser necessária antes mesmo da conclusão da avaliação das perdas.

Os efeitos comerciais dos atrasos também exigem atenção. Segundo as orientações da Gard sobre avaria grossa, prejuízos decorrentes exclusivamente de atrasos não são incluídos nesse mecanismo de rateio.

Assim, é necessário analisar separadamente três frentes: danos físicos à carga, obrigações relacionadas ao salvamento e à avaria grossa e perdas comerciais provocadas pela demora na entrega. A cobertura de cada situação dependerá das condições contratuais e das apólices aplicáveis.

Medidas prioritárias para importadores e exportadores

Enquanto o HMM Platinum permanece com a viagem interrompida, os envolvidos no transporte devem concentrar esforços em três prioridades: verificar a condição das mercadorias, preparar as garantias financeiras exigidas e definir uma estratégia viável para a continuidade do transporte.

O acompanhamento deve ser feito em conjunto com seguradoras, representantes de sinistros, agentes de carga e transportadores. A organização antecipada dos documentos e a resposta rápida às solicitações podem facilitar a análise das responsabilidades e o processo de liberação das mercadorias.

A definição do porto de refúgio, os resultados das vistorias e as decisões sobre o transporte subsequente serão determinantes para esclarecer a extensão dos prejuízos e os impactos logísticos do incêndio.

FONTE: Yang Chen via LinkedIn
TEXTO: Redação
IMAGEM: Ilustração gerada por inteligência artificial, apenas para referência. Não é uma fotografia do incidente.



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Especialista

O Clima Contra a Logística Global: Por que o Seguro Internacional deixará de ser custo e virou estratégia de sobrevivência

A passagem do Tufão Dolphin pela costa leste da China — provocando o fechamento temporário e a desaceleração de mega-hubs portuários como Ningbo-Zhoushan e Xangai, é um lembrete severo sobre a vulnerabilidade das cadeias globais de suprimentos.

Quando os maiores portos do planeta entram em efeito dominó, o impacto no Brasil é imediato e doloroso:

No lado da Exportação: Navios carregados com commodities brasileiras (como soja, minério de ferro e proteína animal) enfrentam longas filas de espera (anchorage time), gerando custos altíssimos de demurrage e atrasando a liquidação dos contratos.

No lado da Importação: O cancelamento de escalas (blank sailings) e o atraso no envio de insumos industriais, eletrônicos e peças de reposição afetam diretamente as linhas de produção no Brasil, gerando desabastecimento e encarecendo os fretes marítimos spot.

No pátio e no mar: O acúmulo de contêineres e o manuseio sob condições adversas aumentam drasticamente os riscos de avarias físicas, tombamentos e umidade.


A Batalha Invisível: Por que o Seguro de Transporte Internacional é indispensável?

Muitos operadores logísticos e empresários assumem que a responsabilidade por imprevistos é integralmente do armador ou do transportador. Trata-se de um mito perigoso. A responsabilidade das companhias marítimas é limitada por convenções internacionais e contratos de frete, raramente cobrindo o valor real da mercadoria ou os prejuízos decorrentes de fenômenos naturais.

Um seguro de transporte internacional bem estruturado vai muito além de proteger contra “perda total”. Ele blinda a saúde financeira da empresa em três frentes críticas:

1. Avaria Grossa (General Average): O risco que pouca gente calcula

Em situações extremas de tempestade ou encalhe, se o comandante precisar sacrificar parte do navio ou lançar cargas ao mar para salvar a embarcação e o restante da mercadoria, a lei marítima internacional exige que todos os donos de carga a bordo dividam proporcionalmente os prejuízos.

  • Mercadorias Sem seguro: Sua carga pode nem ter sido danificada, mas ficará retida no porto até que você deposite uma garantia bancária (que pode chegar a dezenas ou centenas de milhares de dólares) para cobrir a sua quota-parte do prejuízo geral.
  • Com seguro: A seguradora assume a garantia e cuida da liberação da carga, sem desorganizar o seu caixa.

2. Coberturas Amplas (Cláusula All Risks / ICC “A”)

Eventos climáticos não geram apenas perdas totais. Ventos fortes e mar agitado causam quedas de contêineres, entrada de água do mar, tombamentos no convés e avarias por deslocamento de carga no interior do cofre. A apólice adequada garante indenização tanto para danos parciais quanto para perdas totais decorrentes do mau tempo ou manuseio emergencial nos pátios.

3. Garantia de Fluxo de Caixa e Previsibilidade

Uma operação sem seguro troca uma despesa previsível e irrisória (o prêmio do seguro) por um risco financeiro catastrófico imprevisível. Em momentos de crise nas rotas asiáticas, ter a indenização garantida permite recompor o estoque ou reimportar insumos sem comprometer a continuidade do negócio.

Checklist Prático: Como blindar sua operação hoje

Para garantir que a sua cobertura seja efetiva quando o imprevisto acontecer:

  1. Revise os Incoterms® da negociação: Tenha clareza de quem é a responsabilidade pela contratação do seguro no contrato (ex: FOB x CIF ou CIP x FCA).
  2. Exija Cobertura “All Risks” (ICC – Institute Cargo Clauses “A”): Garanta a maior amplitude possível contra avarias, e confirme se a cláusula de Avaria Grossa está devidamente coberta.
  3. Monitore o Lead Time e Gerencie Riscos: Acompanhe os avisos das armadoras e mantenha margens de segurança no planejamento de estoque durante a temporada de tufões e furacões na Ásia e Américas.
  4. Alinhe os Vistoriadores: Tenha certeza de que seu corretor/seguradora conta com rede de regulação de avarias nos portos de origem e destino.

Não temos controle sobre a força dos tufões ou a saturação dos portos mundiais, mas temos controle absoluto sobre a gestão do nosso risco. Proteger o capital investido na carga é o único caminho para manter a competitividade e a sustentabilidade no Comércio Exterior.

Sua operação no trecho Ásia-Brasil já está preparada para os impactos operacionais dos próximos meses?

Renata Palmeira é CEO do RêConecta News, executiva comercial e especialista em Logística, Comércio Exterior e Gestão de Pessoas. Com mais de 25 anos de experiência nos setores de vendas e logística, atua na gestão comercial, desenvolvimento de equipes e soluções logísticas integradas. Fundadora do portal RêConecta News, trabalha para ampliar a visibilidade e o posicionamento estratégico de empresas e profissionais de Comex e Logística, além de atuar como palestrante nas áreas de vendas, marketing e logística.

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Comércio Exterior

O que acontece com um contêiner perdido no mar?

“Você sabia que centenas de contêineres se perdem no mar todos os anos?” Essa é a pergunta que abre um dos problemas menos visíveis — porém de grande impacto — do comércio global: a perda de contêineres no oceano e suas consequências para o meio ambiente, a navegação e as cadeias logísticas.

Uma realidade do comércio marítimo internacional

O transporte marítimo responde por mais de 80% do comércio mundial. Todos os anos, cerca de 250 milhões de contêineres são movimentados globalmente. Apesar dos avanços tecnológicos e dos protocolos de segurança, perdas continuam ocorrendo. Segundo dados do World Shipping Council (WSC), 576 contêineres foram perdidos no mar em 2024.

As principais causas envolvem tempestades severas, falhas na amarração da carga, erros operacionais e condições extremas de navegação. Embora o percentual em relação ao volume total transportado seja pequeno, os impactos logísticos, ambientais e financeiros são significativos.

O destino de um contêiner no oceano

Quando um contêiner cai no mar, três cenários principais podem ocorrer. Em muitos casos, ele afunda rapidamente devido ao peso da estrutura metálica e da carga. Em outros, permanece parcialmente flutuando e à deriva por semanas ou meses, representando risco à navegação. Há ainda situações em que contêineres ou partes de sua carga chegam a costas e praias, causando poluição e prejuízos ambientais.

Autoridades marítimas alertam que contêineres submersos ou semissubmersos são difíceis de detectar e podem provocar colisões com embarcações menores, como barcos de pesca e veleiros.

Quando o mar devolve histórias: patinhos de borracha e peças de Lego nas praias

Entre os exemplos mais curiosos — e reveladores — do que pode acontecer com cargas perdidas no oceano estão os casos dos chamados “Friendly Floatees” e do “Great Lego Spill”, eventos que se tornaram marcos no estudo das correntes marítimas e da poluição plástica.

Em janeiro de 1992, uma tempestade no Pacífico Norte fez com que um navio cargueiro perdesse pelo menos três contêineres carregados com 28.800 brinquedos de banho de plástico, incluindo patinhos de borracha, tartarugas e outros bichos flutuantes, todos projetados para crianças. Em vez de afundar, os brinquedos flutuaram e se espalharam por milhares de quilômetros, chegando a praias de diversos continentes ao longo dos anos seguintes. Pesquisadores e entusiastas passaram a registrar esses achados como uma forma de entender e mapear as correntes oceânicas, uma vez que os objetos funcionaram como “marcadores” naturais da dinâmica das águas. Este fenômeno ganhou atenção internacional e foi tema do livro Moby-Duck, do autor Donovan Hohn, que explorou a jornada dessas peças e sua utilidade para a ciência das correntes marinhas.

Outro episódio ocorreu em 1997, quando o navio porta-contêineres Tokio Express foi atingido por uma onda forte nas proximidades de Land’s End, na Cornualha, Reino Unido, fazendo com que dezenas de contêineres caíssem no Atlântico. Entre eles, um carregado com aproximadamente 4,75 milhões de peças de Lego, muitas das quais com temática marítima, como dragões, espadas e personagens de conjuntos aquáticos. Ao longo de décadas, milhares dessas peças foram encontradas ao longo de praias no sudoeste da Inglaterra, na Irlanda, na França e em outros pontos da costa europeia, despertando tanto a curiosidade de colecionadores quanto a atenção de ambientalistas, pela durabilidade do plástico e sua lenta decomposição no ambiente marinho. Há registros de achados até 27 anos depois do incidente, como o caso de um garoto britânico que encontrou uma figura de polvo considerada rara entre as peças perdidas.

Estes eventos, além de curiosos, têm servido para ilustrar como objetos aparentemente inofensivos podem viajar grandes distâncias e se transformar em indicadores das correntes oceânicas, ao mesmo tempo em que chamam a atenção para os efeitos persistentes da poluição plástica nos oceanos — um problema que, embora pareça quase anedótico quando exemplificado por brinquedos, tem implicações sérias para a vida marinha e os ecossistemas costeiros.

Prejuízos financeiros que chegam a centenas de milhões de dólares

Os danos causados pela perda de contêineres não se limitam ao valor da mercadoria. Eles afetam toda a cadeia logística, incluindo atrasos, paralisação de contratos, custos de reposição e acionamento de seguros.

Um dos casos recentes mais emblemáticos ocorreu em novembro de 2020, quando o navio ONE Apus perdeu cerca de 1.816 contêineres no Oceano Pacífico durante uma tempestade. Estimativas indicam que a perda direta de carga ultrapassou US$ 90 milhões. Considerando indenizações, danos adicionais e interrupções logísticas, as reivindicações junto às seguradoras superaram US$ 200 milhões.

Outro episódio histórico envolveu o navio MOL Comfort, que se partiu ao meio em 2013, resultando na perda de mais de 4 mil contêineres. O prejuízo total, somando carga, embarcação e impactos operacionais, foi estimado em centenas de milhões de dólares, tornando-se um dos maiores desastres do setor.

A importância estratégica do seguro de carga

Diante desses riscos, o seguro de carga deixa de ser um item opcional e passa a ser um elemento essencial da logística internacional. Esse tipo de seguro protege importadores e exportadores contra perdas totais ou parciais da mercadoria, danos causados por eventos climáticos, acidentes marítimos, extravio e responsabilidades legais.

Sem cobertura adequada, empresas podem enfrentar prejuízos financeiros severos, além de impactos indiretos como perda de credibilidade no mercado, ruptura de contratos e dificuldades para manter operações regulares.

Grandes armadores e seguradoras oferecem planos específicos para transporte marítimo, com valores de cobertura por contêiner que, na maioria dos casos, representam um custo reduzido quando comparado ao potencial prejuízo de uma perda total.

Impactos ambientais e riscos à navegação

Além dos danos econômicos, a perda de contêineres no mar pode gerar consequências ambientais relevantes. Cargas compostas por plástico, produtos químicos, fertilizantes ou outros materiais perigosos podem contaminar ecossistemas marinhos e costeiros.

Organizações internacionais alertam que esses resíduos contribuem para a poluição dos oceanos e podem afetar a fauna marinha, a pesca e o turismo em regiões costeiras.

Como resposta ao problema, novas regras internacionais passaram a exigir maior transparência. A partir de janeiro de 2026, tornou-se obrigatória a notificação de todos os contêineres perdidos no mar, medida que visa aumentar a segurança da navegação e permitir respostas mais rápidas a riscos ambientais.

Um risco invisível da logística global

A queda de contêineres no oceano evidencia que a logística internacional envolve riscos que vão muito além do transporte em si. Os prejuízos financeiros, os impactos ambientais e os riscos à navegação reforçam a necessidade de investimentos contínuos em segurança, gestão de riscos e seguro de carga.

Em um setor que movimenta trilhões de dólares todos os anos, a prevenção e a mitigação desses eventos são fundamentais para garantir a sustentabilidade do comércio global.

TEXTO: Conteúdo produzido com apoio de inteligência artificial, sob curadoria da equipe do ReConecta News.

IMAGEM: PRODUZIDA POR IA

Fontes de pesquisa

World Shipping Council – Containers Lost at Sea Report
Australian Maritime Safety Authority – Containers overboard and marine pollution
Relatórios e registros de incidentes marítimos: ONE Apus (2020) e MOL Comfort (2013)

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Comércio Exterior

Seguro de transporte de cargas deve movimentar R$ 2,7 bilhões em volume segurado em 2025

O seguro de transporte de cargas deve registrar forte expansão em 2025. De acordo com levantamento da Federação Nacional de Seguros Gerais (FenSeg), o volume segurado em operações de carga tem projeção de alcançar R$ 2,7 bilhões até o fim do ano. O avanço reflete um cenário de maior complexidade logística, com crescimento do e-commerce, ampliação das operações e exigências regulatórias mais rigorosas.

O aumento da exposição a riscos operacionais e financeiros tem levado empresas a buscar coberturas mais robustas, capazes de proteger mercadorias ao longo de toda a cadeia logística.

Roubo de carga e comércio exterior pressionam o mercado

Segundo a BWIN TECH Seguros, especializada em soluções para transporte nacional e internacional, três fatores sustentam a alta na contratação de seguros: o crescimento dos sinistros por roubo de carga, a expansão das rotas de comércio exterior e o fortalecimento das práticas de compliance e gestão de riscos nas empresas.

Para Anderson Lemos, CEO da companhia, o setor passa por um processo claro de amadurecimento.

As empresas passaram a enxergar o seguro não apenas como uma obrigação contratual, mas como parte essencial da estratégia de continuidade operacional, diante de um ambiente logístico mais dinâmico e desafiador.

Logística mais complexa exige apólices personalizadas

A evolução do mercado também está ligada à transformação das operações logísticas. O aumento das operações multimodais, a presença de hubs internacionais e a circulação crescente de cargas sensíveis ampliaram o nível de risco envolvido no transporte.

Nesse contexto, a procura por apólices personalizadas cresce, exigindo análises técnicas mais detalhadas, uso intensivo de dados e acompanhamento contínuo das operações para garantir eficiência e previsibilidade.

Tecnologia aproxima logística, seguros e compliance

Outro fator decisivo para a expansão do setor é o uso de soluções digitais. A BWIN TECH destaca que a tecnologia tem tornado os processos mais ágeis e transparentes, desde a emissão de apólices até o gerenciamento de sinistros.

Com sistemas integrados, gestores conseguem visualizar riscos, impactos financeiros e pontos críticos em toda a cadeia logística, facilitando a tomada de decisão e o alinhamento entre as áreas de logística, seguros e compliance.

Apólices especializadas ganham espaço

O crescimento do volume segurado acompanha a busca por coberturas capazes de lidar com diferentes tipos de risco, como roubo qualificado, avarias, falhas operacionais, eventos climáticos extremos e fatores internacionais que afetam prazos e rotas.

Esse movimento reforça o papel estratégico do seguro de cargas como ferramenta de proteção financeira e operacional em um mercado cada vez mais globalizado.

FONTE: Mundo do Marketing
TEXTO: Redação
IMAGEM: Freepik

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Logística

Volume segurado em operações de carga deve alcançar R$ 2,7 bilhões neste ano

O crescimento das operações logísticas, o avanço do e-commerce e o reforço das exigências regulatórias elevaram a demanda por seguros de transporte em 2025. Segundo relatório da Federação Nacional de Seguros Gerais (FenSeg), o volume segurado em operações de carga deve alcançar R$ 2,7 bilhões até o fim do ano, refletindo a necessidade de proteção ampliada diante de riscos operacionais e financeiros cada vez mais complexos.

A BWIN TECH Seguros, que atua com soluções especializadas para transporte nacional e internacional, observa que o movimento é sustentado por três fatores principais: aumento de sinistros relacionados a roubo de carga, expansão das rotas no comércio exterior e maior conscientização das empresas sobre compliance e gestão de riscos.

Para Anderson Lemos, CEO da BWIN TECH Seguros, o setor vive um momento de amadurecimento.

“As empresas entenderam que seguro não é apenas uma exigência contratual, mas parte da estratégia de continuidade operacional. O volume segurado cresce porque as organizações buscam previsibilidade e proteção diante de um ambiente mais dinâmico e desafiador”, afirma.

Segundo o executivo, a busca por apólices mais completas reflete a complexidade da logística atual.

“O risco está mais distribuído, com operações multimodais, hubs internacionais e aumento da circulação de cargas sensíveis. Isso exige análise técnica, personalização e uso de tecnologia para acompanhar o ciclo completo da operação”, explica Lemos.

A BWIN TECH destaca que soluções digitais têm contribuído para tornar o processo mais ágil e transparente, desde a emissão de apólices até o acompanhamento de sinistros.

“A tecnologia aproxima as áreas de logística, seguros e compliance. A tomada de decisão fica mais precisa, e o gestor consegue visualizar os impactos em toda a cadeia”, completa o CEO.

O avanço de apólices especializadas também responde a um cenário em que embarcadores e transportadores procuram coberturas capazes de lidar com riscos diversos, incluindo roubo qualificado, avarias, falhas operacionais, danos climáticos e eventos internacionais que afetam prazos e rotas.

TEXTO E IMAGEM: BWIN TECH

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