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Incêndio no navio Espírito Santo Express: maioria da carga pode ser perda total, informa ONE

Após incêndio no Atlântico Sul e operação de resgate que mobilizou a FAB, companhia informa que grande parte das mercadorias pode ter sofrido danos severos; navio aguarda chegada a porto de refúgio para avaliação. | Imagem gerada por IA

A maior parte da carga transportada pelo navio porta-contêineres Espírito Santo Express pode ter sido gravemente danificada pelo incêndio ou representar perda total. A informação foi divulgada pela Ocean Network Express (ONE) em comunicado aos clientes publicado em 30 de outubro de 2026, com base em informações recebidas do armador da embarcação.

Segundo a companhia, o incêndio está atualmente sob controle. No entanto, ainda será necessário um tempo considerável para conduzir o navio até um porto de refúgio, onde serão realizadas inspeções para avaliar a extensão dos danos à estrutura da embarcação e às mercadorias transportadas.

A empresa informou que uma nova atualização será divulgada após a chegada ao porto e a conclusão das primeiras avaliações. Até o momento, não há um balanço definitivo das perdas nem informações detalhadas sobre a situação individual dos contêineres.

O incidente ocorreu em 15 de outubro, durante uma viagem entre Singapura e o Porto de Santos (SP), e mobilizou embarcações mercantes e a Força Aérea Brasileira (FAB) em uma operação de busca e salvamento no Atlântico Sul.

FAB mobilizou KC-390 em operação a 1.700 quilômetros da costa

A emergência levou a Força Aérea Brasileira a mobilizar um avião KC-390 Millennium para uma missão de busca e salvamento em alto-mar. A aeronave, de matrícula FAB2860 e pertencente ao Esquadrão Gordo (1º/1º GT), decolou do Aeroporto Internacional do Galeão, no Rio de Janeiro, na madrugada de 16 de outubro.

O deslocamento percorreu aproximadamente 1.700 quilômetros sobre o Atlântico Sul, até a região da última posição conhecida do Espírito Santo Express. O voo durou cerca de três horas, e a aeronave recebeu o indicativo SAR60, utilizado em operações de Search and Rescue (busca e salvamento).

Fabricado pela Embraer, o KC-390 Millennium é empregado pela FAB em missões de transporte de tropas, cargas e equipamentos, além de operações humanitárias e de apoio a emergências. Nesse episódio, o avião foi acionado para atuar em uma ocorrência marítima distante da costa brasileira.

Navio português resgatou os 28 tripulantes

De acordo com informações do Gabinete de Investigação de Acidentes Marítimos de Portugal (GAMA), o navio mercante português Aeolian Arrow foi designado pelo Centro de Coordenação de Salvamento Marítimo do Rio de Janeiro para atender à emergência.

A embarcação conseguiu resgatar os 28 tripulantes do Espírito Santo Express. Desse total, 19 pessoas foram retiradas de uma embarcação salva-vidas e outras nove de uma balsa. O resgate marítimo ocorreu em 15 de outubro.

Apesar do salvamento da tripulação, a operação teve um desdobramento trágico. O imediato do Aeolian Arrow caiu no mar durante uma manobra para içar uma embarcação de salvamento de volta ao navio.

Segundo o GAMA, as condições do mar e as correntes provocaram movimentos bruscos durante a operação. Após a queda, os demais tripulantes lançaram boias e utilizaram equipamentos de resgate na tentativa de retirar o oficial da água.

O homem chegou a ser avistado com vida, mas não conseguiu permanecer segurando os dispositivos de salvamento. Após perder o contato com os equipamentos, desapareceu no oceano. As circunstâncias do episódio passaram a ser investigadas pelas autoridades marítimas portuguesas.

Porta-contêineres tem capacidade para 11,8 mil TEUs

O Espírito Santo Express é um navio porta-contêineres de bandeira de Singapura, construído em 2018. Identificado pelo número IMO 9793923, possui arqueação bruta de 113.828 e capacidade nominal para transportar aproximadamente 11.800 TEUs, unidade equivalente a um contêiner de 20 pés.

O Espírito Santo Express pertence à empresa Seaspan, responsável pela propriedade da embarcação, e é operado comercialmente pelo armador alemão Hapag-Lloyd, por meio de contrato de afretamento. A embarcação também integrava a rota comercial AS2, que liga a Ásia  a Costa Leste da América do Sul, em um serviço compartilhado com a Ocean Network Express (ONE), que atuava como parceira operacional e comercial, dividindo o espaço para transporte de cargas. 

A embarcação era anteriormente conhecida como Seaspan Harrier. A viagem que terminou no incidente começou em Singapura, em 25 de setembro, e tinha como destino o Porto de Santos, com chegada inicialmente prevista para 18 de outubro. 

ONE atualiza informações sobre o incêndio

Nos primeiros comunicados após o incidente, a Ocean Network Express informou que acompanhava a ocorrência em contato com o armador Seaspan e as autoridades competentes.

Em atualização divulgada em 21 de outubro, a companhia comunicou que as medidas para estabilizar o navio haviam sido iniciadas com sucesso. Também informou que uma investigação sobre as causas do incêndio estava em andamento, em cooperação com as autoridades. Na ocasião, ainda não havia confirmação sobre os contêineres afetados, a extensão dos danos à carga ou um plano de contingência.

A atualização de 30 de outubro trouxe uma perspectiva mais concreta sobre a dimensão dos prejuízos. Segundo a ONE, a expectativa do armador é de que a grande maioria das mercadorias esteja gravemente danificada pelo fogo ou seja considerada perda total.

A companhia lamentou o ocorrido e reconheceu a incerteza enfrentada pelos clientes que possuem mercadorias embarcadas. Para esclarecimentos sobre cargas específicas, orientou que os responsáveis procurem seus representantes comerciais locais.

A chegada do Espírito Santo Express ao porto de refúgio, as inspeções técnicas e a conclusão das avaliações serão determinantes para dimensionar os prejuízos e definir os próximos encaminhamentos relacionados à embarcação e às mercadorias transportadas.

Fonte: ONE
Texto: Redação
Imagens: Osvaldo Traversaro/IMAGEM ILUSTRATIVA

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