Economia

Inflação global dos alimentos deve acelerar e pressionar consumidores até 2027

A combinação de conflitos armados, dificuldades no transporte marítimo e eventos climáticos extremos deve intensificar a inflação global dos alimentos nos próximos meses, com efeitos que podem se estender ao longo de 2027. A redução da oferta de grãos e o aumento dos custos de produção ameaçam encarecer produtos básicos, especialmente em países de baixa e média renda.

Na Indonésia, a alta dos alimentos já obriga famílias a reduzir o consumo. Muhamad Yasin, de 63 anos, trabalha como vigia de estacionamento em Jacarta e afirma que o valor necessário para comprar arroz, tempeh e tofu praticamente dobrou. O conjunto de produtos, que antes custava entre 7 mil e 8 mil rúpias indonésias, passou a custar cerca de 15 mil rúpias.

Pai de quatro filhos, Yasin recebe entre 200 mil e 300 mil rúpias por semana e relata dificuldades para manter a alimentação da família diante do avanço dos preços.

Conflitos e fenômenos climáticos pressionam os preços dos alimentos

As interrupções nas rotas comerciais e a possibilidade de uma nova fase de seca associada ao fenômeno El Niño estão aumentando as preocupações com o abastecimento mundial de cereais. O cenário afeta tanto a produção agrícola quanto a distribuição internacional de mercadorias.

Na Indonésia, o preço do arroz atingiu níveis recordes em meio às previsões de atraso nas chuvas. No Egito, o pão sem subsídio ficou cerca de 25% mais caro, enquanto, na Índia, o açúcar alcançou sua maior cotação histórica diante da redução da produção provocada por uma das monções mais fracas em mais de uma década.

Para Maximo Torero, economista-chefe da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), a combinação desses fatores aumenta a pressão sobre o sistema alimentar. Segundo ele, os efeitos mais expressivos devem aparecer no fim de 2026, ganhar força no início de 2027 e possivelmente continuar durante o próximo ano.

Países mais pobres sentem os efeitos da inflação alimentar

O aumento dos preços atinge com maior intensidade as populações vulneráveis do Oriente Médio, do Norte da África e da Ásia. Nessas regiões, os alimentos representam uma parcela significativa das despesas familiares, reduzindo a capacidade de absorver novos aumentos.

Dados do Banco Mundial mostram que, no terceiro trimestre, os preços dos alimentos cresceram acima da inflação geral em 22% dos 150 países analisados. No trimestre anterior, essa situação havia sido registrada em 14% das economias avaliadas.

Outro indicador reforça a tendência. O Índice de Preços dos Alimentos da FAO, que acompanha a variação mensal de uma cesta de commodities comercializadas internacionalmente, atingiu 136 pontos em setembro, o maior resultado desde novembro de 2022.

A continuidade da alta também aumenta o risco de tensões sociais. Além disso, governos de países exportadores podem recorrer a restrições às vendas externas para proteger seus mercados internos, uma medida que poderia agravar a escassez internacional.

Guerra encarece transporte, combustíveis e fertilizantes

As dificuldades no abastecimento mundial resultam de vários fatores simultâneos. Ataques contra estruturas de transporte de grãos no Mar Negro prejudicaram embarques de trigo, levando grandes importadores, como Egito e Indonésia, a procurar fornecedores alternativos.

A insegurança no Mar Vermelho também tem provocado mudanças nas rotas marítimas. Parte das embarcações passou a contornar a África, aumentando o tempo de viagem e os custos de transporte.

Outro ponto de pressão é a guerra envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã. O conflito elevou os preços dos combustíveis e afetou as exportações de fertilizantes pelo Estreito de Ormuz, encarecendo os insumos utilizados na agricultura.

Ao mesmo tempo, a perspectiva de condições mais secas associadas ao El Niño ameaça reduzir a produção agrícola na Índia e no Sudeste Asiático, ampliando o risco de desequilíbrio entre oferta e demanda.

Trigo, arroz e fertilizantes registram aumentos

A pressão sobre os custos já aparece em diferentes mercados agrícolas. Em 2026, os preços do trigo acumulam alta superior a 30%. O arroz comercializado pelos principais países exportadores asiáticos também ficou entre 10% e 13% mais caro, apesar dos estoques elevados.

Os fertilizantes recuaram em relação aos picos registrados anteriormente durante a guerra envolvendo o Irã, mas continuam em patamares elevados, mantendo os custos agrícolas sob pressão.

Manish Tiwary, presidente e diretor-geral da Nestlé Índia, também reconheceu o cenário desafiador, citando a inflação e o encarecimento das commodities como fatores que afetam o setor de alimentos.

Óleo de cozinha, açúcar e outros itens também ficam mais caros

Os aumentos não se restringem aos cereais. No Egito, o pão vendido sem subsídio passou de aproximadamente 4 libras egípcias por unidade em julho para cerca de 5 libras. Nos Emirados Árabes Unidos, o óleo de cozinha ficou cerca de 40% mais caro.

Na Indonésia, o óleo vegetal acumula alta de 7% em 2026, mesmo com o país ocupando a posição de maior produtor mundial de óleo de palma.

Na Índia, os preços do açúcar, da cebola e das leguminosas subiram mais de 10% em setembro na comparação com agosto, em consequência de déficits na produção.

A combinação de custos agrícolas elevados, restrições logísticas e perdas de produção indica que a inflação dos alimentos poderá continuar pressionando o orçamento das famílias nos próximos meses. Para os consumidores de menor renda, a tendência representa um risco adicional à segurança alimentar, sobretudo se os choques de oferta persistirem até 2027.

FONTE: Reuters
TEXTO: Redação
IMAGEM:  REUTERS/Amr Abdallah Dalsh

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Internacional

Crise no Estreito de Ormuz ameaça safras agrícolas e pode elevar preços dos alimentos

As restrições ao transporte marítimo pelo Estreito de Ormuz já começam a afetar as colheitas agrícolas e podem reduzir a produtividade no campo, além de pressionar os preços dos alimentos em diferentes regiões do mundo. O alerta foi feito na quinta-feira por Álvaro Lario, presidente do Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA), agência vinculada à Organização das Nações Unidas (ONU).

Em entrevista à Reuters, Lario afirmou que os efeitos das interrupções na passagem marítima começam a se refletir na produção agrícola. Segundo ele, os impactos atingem diferentes etapas da cadeia de abastecimento, desde a aquisição de insumos até a colheita e o transporte dos produtos.

Interrupções no Estreito de Ormuz elevam custos agrícolas

A instabilidade no Estreito de Ormuz tem dificultado o transporte de fertilizantes e contribuído para o aumento dos custos de combustíveis e fretes. Esses fatores, combinados com os efeitos do fenômeno climático El Niño e as interrupções no fornecimento de trigo pelo Mar Negro, ampliam a pressão sobre a cadeia global de alimentos.

O estreito é uma rota estratégica para o comércio internacional de energia e outros produtos essenciais. A intensificação das restrições à navegação ocorre em meio às tensões entre Irã e Estados Unidos.

Teerã tem buscado ampliar o controle sobre a passagem marítima para pressionar Washington, que mantém um bloqueio naval aos portos iranianos.

Menor uso de fertilizantes pode reduzir produtividade no campo

De acordo com o presidente do FIDA, os estoques disponíveis de fertilizantes e combustíveis ajudaram a amortecer os efeitos iniciais da crise. No entanto, a continuidade das incertezas tem levado agricultores a adotar decisões mais cautelosas para os próximos plantios.

Entre as consequências está a redução do uso de fertilizantes agrícolas, medida que pode comprometer o rendimento das lavouras. O encarecimento dos combustíveis também afeta as operações mecanizadas, incluindo a colheita.

A combinação desses fatores aumenta o risco de queda na produção e pode agravar as pressões sobre a oferta mundial de alimentos nos próximos meses.

Preços das commodities agrícolas sobem 13%

Os preços das commodities agrícolas registraram alta de 13% no terceiro trimestre, segundo Lario. A expectativa apresentada pelo dirigente é de novos aumentos no quarto trimestre deste ano e no primeiro trimestre do próximo ano.

O avanço dos custos de produção e transporte pode chegar ao consumidor por meio de alimentos mais caros, especialmente em mercados que dependem de importações para abastecer a população.

Países com forte dependência externa de fertilizantes, combustíveis e alimentos estão entre os mais expostos aos efeitos da crise.

Lario destacou a vulnerabilidade do Sudeste Asiático diante da dependência de combustíveis importados e chamou a atenção para os países do Golfo, que recorrem ao mercado internacional para garantir parte significativa de seu abastecimento alimentar.

Impasse entre Estados Unidos e Irã ameaça segurança alimentar

A crise também levanta preocupações sobre a segurança alimentar na Ásia e na África. Na quarta-feira, um funcionário envolvido em uma proposta de operação apoiada pela ONU para transportar fertilizantes pelo Estreito de Ormuz alertou à Reuters que a falta de um acordo entre Estados Unidos e Irã nas próximas semanas pode desencadear uma crise alimentar em partes desses continentes.

A iniciativa busca viabilizar o fluxo de fertilizantes pela rota marítima, mas seu avanço depende de entendimentos entre os países envolvidos.

Sem uma solução para as restrições logísticas, os custos dos insumos podem continuar elevados, dificultando o acesso de agricultores a produtos essenciais para manter a produção.

Pequenos agricultores podem mudar o tipo de cultivo

Além dos impactos sobre os custos e a produtividade, a instabilidade pode alterar as decisões de plantio de pequenos produtores rurais.

Segundo Lario, diante da incerteza e da necessidade de preservar o fluxo de caixa, agricultores podem abandonar culturas de maior valor agregado que exigem mais tempo para gerar receita.

Em contrapartida, a tendência é que parte desses produtores priorize lavouras com retorno financeiro mais rápido, mesmo que ofereçam menor rentabilidade potencial no longo prazo.

A mudança pode afetar a diversidade da produção agrícola e aumentar os desafios para o abastecimento mundial. Caso as restrições ao transporte marítimo persistam, a combinação de insumos mais caros, menor uso de fertilizantes e alterações nos padrões de plantio poderá intensificar a pressão sobre os preços dos alimentos.

FONTE: Reuters
TEXTO: Redação
IMAGEM: REUTERS/Tita Barros

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Agricultura

ONU alerta para risco de crise alimentar global com bloqueio de fertilizantes no Estreito de Ormuz

A dificuldade de Estados Unidos e Irã em chegar a um acordo para liberar o transporte de fertilizantes pelo Estreito de Ormuz pode desencadear uma crise de segurança alimentar em regiões da Ásia e da África. O alerta foi feito por Jorge Moreira da Silva, subsecretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), diante do risco de perda da temporada de plantio e de aumento dos preços dos alimentos.

Segundo o representante da ONU, um plano internacional para facilitar a circulação de fertilizantes pela região precisa avançar nas próximas semanas. Caso Washington e Teerã cheguem a um entendimento, o mecanismo poderá entrar em operação entre sete e dez dias após a formalização do acordo.

“É absolutamente crucial fechar o acordo nas próximas semanas. Caso contrário, perderemos a época de plantio”, afirmou Moreira da Silva em entrevista em Bangcoc, durante as reuniões anuais do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial.

Bloqueio em Ormuz ameaça abastecimento de fertilizantes

Criada pelas Nações Unidas em março, uma força-tarefa trabalha na elaboração de um mecanismo para garantir a passagem de fertilizantes pelo estreito. A iniciativa, no entanto, ainda não saiu do papel devido à falta de entendimento entre os governos dos Estados Unidos e do Irã.

A tensão na região aumentou após os ataques realizados por norte-americanos e israelenses em 28 de fevereiro. Desde então, o governo iraniano busca ampliar seu controle sobre o Estreito de Ormuz, uma rota estratégica utilizada como instrumento de pressão contra Washington, que mantém um bloqueio naval aos portos iranianos.

A Casa Branca, o Departamento de Estado dos Estados Unidos e a Embaixada do Irã em Bangcoc não responderam imediatamente aos pedidos de manifestação sobre a proposta.

Estreito de Ormuz concentra parte importante do comércio mundial

Antes do conflito, o Estreito de Ormuz era responsável pela passagem de aproximadamente um terço da ureia comercializada mundialmente, fertilizante amplamente utilizado na agricultura. A rota também concentrava quase metade do enxofre transportado por via marítima, matéria-prima importante para diferentes atividades industriais, além de ser fundamental para o comércio internacional de petróleo.

De acordo com o Instituto Internacional de Pesquisa em Política Alimentar, sediado em Washington, os embarques de fertilizantes provenientes da região do Golfo continuavam praticamente paralisados mais de seis meses após o início da guerra.

A retomada parcial de algumas operações durante o cessar-fogo registrado entre meados de junho e meados de julho teve impacto limitado sobre o transporte desses insumos, segundo a instituição.

Preços dos alimentos podem disparar com perda da temporada de plantio

A continuidade das restrições à navegação pode pressionar os custos agrícolas e provocar aumentos expressivos nos preços das commodities. Um relatório publicado em agosto pela Câmara de Comércio Internacional estimou que, caso a interrupção persista, os preços poderão subir até:

  • 81% para os cereais;
  • 66% para as culturas oleaginosas;
  • 30% para os produtos de origem animal.

A perda da janela de plantio pode agravar esse cenário, reduzindo a produtividade agrícola e ampliando os custos de produção. O resultado seria uma pressão adicional sobre os preços dos alimentos, especialmente em países mais vulneráveis à escassez de insumos e às oscilações do mercado internacional.

Para Moreira da Silva, a combinação entre a falta de fertilizantes e o atraso no calendário agrícola pode ampliar significativamente os impactos econômicos e sociais da crise.

Plano da ONU prevê passagem de cinco navios por dia

A proposta das Nações Unidas prevê a criação de um centro de coordenação em Omã para registrar embarcações e organizar a travessia segura pelo Estreito de Ormuz.

O sistema também contaria com monitores da ONU em colaboração com autoridades locais nos portos do Golfo, responsáveis por verificar as cargas transportadas. As embarcações seriam rastreadas durante o percurso, com possibilidade de inspeções adicionais em caso de suspeitas ou questionamentos sobre a carga.

De acordo com o subsecretário-geral, a circulação de apenas cinco navios por dia seria suficiente para manter o fornecimento de fertilizantes a países que enfrentam necessidades mais urgentes.

A iniciativa foi concebida para funcionar paralelamente às negociações diplomáticas entre Washington e Teerã, sem depender da conclusão de um acordo mais amplo sobre as relações entre os dois países.

Negociações entre EUA e Irã continuam sem avanço

Desde o fracasso de um cessar-fogo provisório firmado em junho, Estados Unidos e Irã vêm trocando propostas por intermédio de outros países. As conversas, porém, permanecem estagnadas diante das condições apresentadas por Teerã e da exigência norte-americana de incluir o programa nuclear iraniano nas negociações desde o início.

A ONU defende que o plano para o transporte de fertilizantes avance mesmo enquanto os dois governos discutem um entendimento abrangente para a região.

A proposta busca evitar que as divergências políticas prolonguem os impactos sobre o abastecimento agrícola e a segurança alimentar. Moreira da Silva, entretanto, não detalhou quais pontos específicos continuam impedindo um acordo.

Crise marítima amplia riscos à segurança alimentar global

Além das restrições no Estreito de Ormuz, outros pontos estratégicos do comércio internacional enfrentam instabilidade. No Mar Negro, embarcações de carga têm sido alvo de ataques, enquanto ações de militantes houthis apoiados pelo Irã ameaçam uma importante rota marítima no Mar Vermelho.

A combinação desses fatores aumenta os riscos para o transporte de mercadorias, fertilizantes, energia e alimentos, em um cenário já pressionado pelas mudanças climáticas.

Segundo Moreira da Silva, a simultaneidade das interrupções em diferentes corredores marítimos pode agravar a situação global. A preocupação da ONU é que a soma desses problemas comprometa a produção agrícola, eleve os preços e aprofunde a insegurança alimentar em regiões dependentes das importações.

FONTE: Infomoney
TEXTO: Redação
IMAGEM: Infomoney

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Agronegócio

Indústria de fertilizantes alerta para dependência de importações e cobra fortalecimento da produção nacional

O Brasil precisa reduzir a dependência de fertilizantes importados e ampliar a capacidade de produção nacional para proteger o agronegócio e a segurança alimentar. A defesa foi apresentada pelo Sindicato Nacional da Indústria de Matérias-primas para Fertilizantes (Sinprifert), que divulgou, nesta terça-feira (13/10), a Carta Aberta ao Brasil, documento publicado em referência ao Dia Mundial dos Fertilizantes.

Segundo a entidade, aproximadamente 90% dos fertilizantes utilizados no país vêm do exterior. O cenário é considerado um risco estratégico, uma vez que os custos e a disponibilidade desses insumos estão sujeitos a crises internacionais e a fatores fora do controle brasileiro.

Alta no preço das matérias-primas pressiona setor de fertilizantes

A manifestação ocorre em meio a dificuldades enfrentadas pela indústria, especialmente após a elevação dos custos das matérias-primas em decorrência do conflito no Oriente Médio.

Um dos exemplos é o enxofre, insumo essencial para a fabricação de fertilizantes fosfatados. Em meados deste ano, o preço chegou a US$ 1,2 mil por tonelada, ante US$ 435 em janeiro, antes do início da guerra. A escalada dos valores afetou a atividade industrial e levou algumas fábricas brasileiras a interromper a produção.

Para o Sinprifert, a situação reforça a necessidade de fortalecer a cadeia produtiva nacional e diminuir a exposição do país às oscilações do mercado internacional.

Dependência externa de fertilizantes chega a 90%

De acordo com o sindicato, a participação dos produtos importados no abastecimento brasileiro aumentou de 55% para cerca de 90% nos últimos 30 anos.

A dependência é ainda mais expressiva em determinados nutrientes utilizados na agricultura. Conforme os dados apresentados pela entidade, o Brasil importa 97% do nitrogênio e do potássio consumidos nas lavouras, além de 74% do fósforo.

O presidente do Conselho de Administração do Sinprifert, Elias Lima, ressalta que a liderança agrícola brasileira foi construída em um contexto no qual o fornecimento e os preços dos insumos dependem de decisões tomadas no exterior.

Segundo ele, ampliar a produção doméstica e desenvolver tecnologias próprias são medidas fundamentais para que o país tenha maior autonomia sobre seu futuro agrícola.

Produção agrícola cresce e amplia demanda por fertilizantes

A expansão do agronegócio brasileiro nas últimas décadas evidencia a importância desses insumos para a produtividade das lavouras.

Dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) mostram que a produção de grãos aumentou de 123 milhões de toneladas, em 2002, para 350 milhões de toneladas, em 2025.

No mesmo intervalo, a área plantada passou de 43,9 milhões para 81,7 milhões de hectares. Já as entregas de fertilizantes avançaram de 19 milhões para 49 milhões de toneladas, segundo informações da Associação Nacional para Difusão de Adubos (Anda).

Os números demonstram a ampliação da demanda por insumos agrícolas e reforçam o debate sobre a capacidade nacional de atender às necessidades do setor produtivo.

Carta aberta estabelece cinco compromissos para o setor

No documento, o Sinprifert apresenta cinco compromissos relacionados ao desenvolvimento econômico, à sustentabilidade e à autonomia tecnológica do Brasil.

Entre os objetivos estão garantir que os investimentos realizados pela indústria gerem retornos ampliados para o país, recuperar a fertilidade dos solos, reduzir os impactos ambientais da cadeia produtiva, posicionar o Brasil na liderança de uma nova revolução verde e transformar em realidade as metas estabelecidas pelo Plano Nacional de Fertilizantes (PNF).

A entidade defende que o fortalecimento da produção nacional pode contribuir tanto para a competitividade do agronegócio quanto para a redução dos riscos associados ao abastecimento externo.

Indústria de fertilizantes pode impulsionar outros setores estratégicos

Além da agricultura, o sindicato destaca o potencial da cadeia de fertilizantes para estimular atividades industriais consideradas estratégicas para o desenvolvimento brasileiro.

Entre elas estão a extração de terras raras, a produção de ímãs e baterias e o desenvolvimento do hidrogênio verde.

Para o Sinprifert, ampliar a capacidade industrial do país pode gerar benefícios que ultrapassam o campo, favorecendo a inovação tecnológica, a diversificação produtiva e a redução da dependência de fornecedores internacionais.

FONTE: Globo Rural
TEXTO: Redação
IMAGEM: Cláudio Neves/Portos do Paraná

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Exportação

Exportações de aves e mel: Brasil avança para retomar vendas à União Europeia

O Brasil deu mais um passo para retomar as exportações de carne de aves e mel para a União Europeia. O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) informou que terminou, na manhã da última sexta-feira (4/9), a auditoria realizada por autoridades sanitárias europeias nas cadeias produtivas dos dois segmentos.

Segundo o governo brasileiro, os técnicos da União Europeia consideraram satisfatórios os controles sanitários e os procedimentos oficiais adotados pelo país. A avaliação positiva representa um avanço no processo que poderá levar o Brasil de volta à lista de fornecedores autorizados a vender produtos de origem animal ao bloco europeu.

Auditoria avaliou sistema de defesa agropecuária

A missão das autoridades europeias começou em 24 de agosto e incluiu visitas a estabelecimentos produtores e órgãos oficiais.

Durante a auditoria, equipes técnicas brasileiras apresentaram os mecanismos de controle e fiscalização utilizados no país. Os procedimentos permitiram aos representantes europeus verificar diretamente a estrutura e o funcionamento do sistema brasileiro de defesa agropecuária.

Ao final da avaliação, os controles relacionados às cadeias de aves e mel foram considerados adequados pelas autoridades sanitárias europeias.

O ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, destacou o resultado e afirmou que agora o processo depende principalmente das etapas burocráticas para a efetiva reinclusão do Brasil na relação de fornecedores autorizados.

Brasil aguarda conclusão do processo burocrático

Apesar da avaliação positiva, a retomada das vendas ainda depende da conclusão dos procedimentos administrativos da União Europeia.

O governo brasileiro avalia que a análise representa uma etapa importante para a recuperação do acesso ao mercado europeu, um dos destinos relevantes para os produtos agropecuários nacionais.

Desde a decisão tomada pela União Europeia em 12 de maio de 2026, o Brasil intensificou as negociações políticas e técnicas com representantes do bloco.

Nesse período, o país adotou medidas para atender aos requisitos exigidos pelas autoridades europeias e encaminhou documentos e informações referentes às cadeias produtivas destinadas à exportação.

Negociações envolvem outras cadeias agropecuárias

Embora a auditoria concluída nesta sexta-feira tenha concentrado atenção em carne de aves e mel, as tratativas entre Brasil e União Europeia também abrangem outros segmentos do agronegócio.

Entre as cadeias acompanhadas no processo estão pescados, carne bovina e ovos, além das próprias aves e do mel.

O objetivo do governo brasileiro é avançar no atendimento às exigências sanitárias europeias e ampliar novamente o acesso dos produtos nacionais ao mercado do bloco.

Avaliação reforça controle sanitário brasileiro

Para o Mapa, o resultado da auditoria demonstra a capacidade do país de manter padrões de segurança alimentar e qualidade sanitária.

O sistema oficial de defesa agropecuária é responsável pelo controle dos produtos destinados tanto ao mercado interno quanto aos compradores internacionais.

Atualmente, o Brasil exporta produtos agropecuários para mais de 150 países, o que torna a manutenção dos padrões sanitários uma questão estratégica para o comércio exterior.

Próximos passos para a retomada das exportações

Com a conclusão da auditoria, o Ministério da Agricultura continuará acompanhando as próximas etapas junto às autoridades europeias.

O governo também mantém contato com os setores produtivos envolvidos para monitorar o processo de reinclusão do Brasil na lista de países habilitados a exportar aves e mel para a União Europeia.

A expectativa é que, após o cumprimento das etapas burocráticas restantes, o país possa recuperar oficialmente o acesso ao mercado europeu para esses produtos.

FONTE: Ministério da Agricultura e Pecuária
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Ministério da Agricultura e Pecuária

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Internacional

Índia apreende alimentos com datas de validade e rótulos nutricionais falsificados

Autoridades da Índia desarticularam em Mumbai uma operação clandestina que alterava datas de fabricação e validade e modificava informações nutricionais de alimentos produzidos originalmente por grandes multinacionais. Os produtos de empresas como PepsiCo, Nestlé, Coca-Cola e Unilever seriam posteriormente enviados para outros países.

A operação ocorreu em um galpão localizado na região industrial de Navi Mumbai, a cerca de 25 quilômetros do aeroporto internacional da cidade. Durante seis dias de investigação, fiscais de alimentos apreenderam mercadorias avaliadas em aproximadamente US$ 80 mil.

A inspeção também identificou produtos químicos utilizados para remover informações originais das embalagens, além de equipamentos empregados para imprimir e aplicar novos rótulos.

Produtos de grandes marcas estavam no galpão

Entre os itens encontrados estavam produtos como batatas Lay’s, salgadinhos Kurkure, macarrão Maggi, sopa Knorr, maionese Hellmann’s e latas de Thums Up e Limca.

De acordo com as autoridades, grande parte dos alimentos estava vencida ou próxima do vencimento. A suspeita é de que as informações das embalagens fossem modificadas para permitir a comercialização dos produtos em mercados estrangeiros.

O caso foi descoberto durante uma ação de fiscalização do estado de Maharashtra, cuja capital é Mumbai. A operação faz parte de uma ofensiva mais ampla de segurança alimentar conduzida pela administração estadual.

Datas originais eram apagadas e substituídas

No interior do depósito, fiscais encontraram produtos químicos que, segundo as autoridades, eram usados para apagar as datas impressas originalmente nas embalagens.

Depois, trabalhadores inseriam novas informações por meio de um computador e utilizavam máquinas para imprimir os dados falsificados e aplicá-los nos produtos.

Segundo documentos policiais, as datas originais de fabricação e validade eram raspadas ou removidas antes de receberem novas informações.

O estabelecimento era administrado pela empresa privada Sadhana Enterprises. De acordo com informações divulgadas pelo governo estadual e registradas em documento policial, o proprietário afirmou que o serviço era realizado para 19 exportadores pouco conhecidos.

Produtos seriam destinados ao mercado externo

As autoridades informaram que toda a mercadoria localizada no depósito estava destinada à exportação, embora não tenham identificado quais países receberiam os produtos.

Entre os materiais encontrados havia rótulos em inglês e francês, indicando que parte dos alimentos poderia ser preparada para mercados internacionais com diferentes exigências de rotulagem.

Um exemplo foi uma embalagem de Kurkure com informações nutricionais nos dois idiomas.

Rótulos nutricionais também eram alterados

Além das datas, a investigação identificou modificações nos rótulos nutricionais e listas de ingredientes.

Em algumas embalagens de macarrão Maggi, por exemplo, foram encontrados rótulos falsificados colados sobre as informações originais. Uma das versões apresentava o produto como de origem indiana e estava preparada para exportação.

Em outro caso, um rótulo de Kurkure em inglês e francês apresentava alterações na composição declarada. A quantidade de cereais indicada nos ingredientes havia sido reduzida em 10%, enquanto valores de calorias e tamanho das porções também foram modificados.

Segundo as autoridades, as mudanças aparentavam ter como objetivo adequar os produtos às regras de rotulagem e exigências sanitárias de outros países.

Investigação não aponta envolvimento das multinacionais

O processo policial não acusa PepsiCo, Nestlé, Coca-Cola ou Unilever de participação na fraude. As empresas foram procuradas para comentar o caso, mas não haviam respondido às solicitações de informações até a publicação da reportagem.

O responsável pela administração estadual de alimentos de Maharashtra, Tukaram Mundhe, defendeu maior responsabilidade de todos os participantes da cadeia de fornecimento.

Para ele, fabricantes e demais empresas envolvidas precisam garantir que embalagens, marcas e comercialização estejam de acordo com as normas aplicáveis.

Também não havia confirmação, até então, sobre eventuais prisões relacionadas ao caso.

Fiscalização de alimentos é ampliada na Índia

A Índia enfrenta desafios históricos na aplicação das normas de segurança alimentar. As ações de fiscalização frequentemente se concentram em casos de adulteração, especialmente envolvendo produtos lácteos.

Em Maharashtra, a fiscalização ganhou maior intensidade sob a atual administração da Food and Drug Administration. O trabalho inclui inspeções sem aviso prévio em estabelecimentos comerciais e de alimentação.

De acordo com Mundhe, os investigadores chegaram a encontrar embalagens com uma suposta data de fabricação futura — 2 de outubro de 2026 — entre os materiais armazenados no galpão.

O caso chama atenção para os riscos de alterações clandestinas em produtos destinados ao comércio internacional e para a necessidade de maior controle sobre a cadeia de exportação de alimentos.

FONTE: Reuters
TEXTO: Redação
IMAGEM: REUTERS/Francis Mascarenhas

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Internacional

Marrocos defende nova geração de parceria entre Brasil e países árabes

O Brasil e as nações árabes têm espaço para avançar rumo a uma parceria de nova geração, com maior integração em áreas estratégicas como comércio internacional, investimentos, segurança alimentar, economia digital e pesquisa científica.

A avaliação foi apresentada pelo embaixador do Reino do Marrocos no Brasil e decano do Conselho dos Embaixadores Árabes, Nabil Adghoghi, durante o Fórum Econômico Brasil-Países Árabes, promovido pela Câmara de Comércio Árabe-Brasileira nesta terça-feira (25), em São Paulo.

Instabilidade global reforça necessidade de cooperação

Para o diplomata, o atual ambiente de instabilidade internacional torna ainda mais importante o fortalecimento dos laços entre o Brasil e os países árabes. Nesse contexto, ele defendeu a busca por novas oportunidades de negócios e uma relação mais diversificada, sustentável e capaz de gerar benefícios para os dois lados.

Adghoghi apontou cinco frentes consideradas prioritárias para modernizar a parceria. A primeira é ampliar a conexão logística entre as duas regiões, inclusive por meio de rotas marítimas diretas.

Segundo o embaixador, essas rotas poderiam servir como plataformas para o processamento de exportações destinadas aos mercados árabes, além de facilitar o transporte de mercadorias com destino à Europa e à Ásia.

Acordos para estimular investimentos

Outra frente destacada pelo Marrocos é o aprimoramento do ambiente jurídico para investimentos. A proposta envolve acordos capazes de estimular o fluxo de capitais e mecanismos destinados a evitar a dupla tributação.

Como referência, o diplomata mencionou o acordo mantido entre Marrocos e Mercosul. Ele também defendeu a criação de instrumentos para aumentar a proteção e a resiliência das cadeias de suprimentos.

Digitalização pode ampliar comércio bilateral

A transformação digital das operações de importação e exportação também foi apontada como prioridade. Nesse sentido, Adghoghi citou o PIX e os serviços digitais oferecidos pelo governo brasileiro como exemplos de soluções que podem servir de inspiração para a modernização das relações comerciais.

“Nossa esperança é que ele [o esforço de repensar a parceria bilateral] resulte em iniciativas e projetos concretos que reflitam nossa ambição comum e inaugurem novos horizontes que valorizem todas as contribuições e capacidades que possuímos”, afirmou.

Ciência e qualificação profissional

O embaixador também ressaltou a importância de ampliar a cooperação científica e a formação de talentos. Entre os desafios está a preparação de profissionais para lidar com os efeitos da inteligência artificial sobre os negócios e para ajudar a criar condições mais favoráveis à atração de investimentos.

O Fórum Econômico Brasil-Países Árabes conta com patrocínio de FAMBRAS Halal, International Halal Academy, Vale, DP World, CDIAL Halal, First Abu Dhabi Bank, MBRF, Qatar Airways e MZAH Investment.

FONTE: Notícias Agrícolas
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Notícias Agrícolas

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Exportadores agrícolas

Exportações agrícolas da América Latina ganham novo mapa comercial com China e Estados Unidos

As exportações agrícolas da América Latina estão passando por uma transformação que redefine os principais fluxos do comércio internacional de alimentos e commodities. A expansão da influência de China e Estados Unidos vem alterando os destinos da produção regional e, consequentemente, a configuração das cadeias globais de alimentos.

Segundo a Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal), a mudança vai além da simples escolha de novos compradores. O movimento afeta produtores, tradings, indústrias de processamento, empresas de logística e investidores que atuam no agronegócio internacional.

Nesse novo cenário, identificar os principais destinos da produção latino-americana é fundamental para compreender as tendências de longo prazo do comércio agrícola e os possíveis caminhos de expansão para os países da região.

China amplia influência sobre as commodities sul-americanas

Na última década, a China consolidou sua posição como um dos principais destinos das exportações agrícolas e de commodities da América do Sul.

A demanda chinesa por soja, carne bovina, celulose, minerais e outros produtos estratégicos fortaleceu os vínculos comerciais com países como Brasil, Chile e Peru. O crescimento desses fluxos transformou o mercado asiático em um componente cada vez mais importante para o agronegócio sul-americano.

O Brasil, em particular, ampliou sua integração com o mercado chinês, enquanto Chile e Peru também aprofundaram a relação comercial com o país asiático.

Estados Unidos mantêm força no México e na América Central

Enquanto a China ganha espaço na América do Sul, os Estados Unidos continuam exercendo forte influência sobre o comércio de México, Colômbia, Equador e diversos países da América Central.

O México permanece especialmente integrado à economia norte-americana, beneficiado por cadeias produtivas, estruturas logísticas e acordos comerciais construídos ao longo de décadas.

Essa divisão dos fluxos comerciais cria dois grandes eixos de integração: a América do Sul cada vez mais conectada à Ásia, especialmente à China, e o México e a América Central fortemente vinculados ao mercado dos Estados Unidos.

América Latina diversifica seus mercados

Apesar da influência das duas maiores economias, a região não está concentrada em um único destino. A diversificação das exportações vem ganhando importância como estratégia para reduzir riscos e ampliar a capacidade de reação diante de crises externas.

A América do Sul mantém a aproximação com os mercados asiáticos, enquanto México e América Central preservam uma forte conexão com os Estados Unidos. No Caribe, a pauta comercial apresenta maior dispersão, com produtos destinados aos Estados Unidos, à União Europeia, a outros países latino-americanos e a diferentes mercados internacionais.

Além disso, o comércio intrarregional também ganha relevância, especialmente entre economias como Brasil, Argentina e Uruguai.

Novo mapa comercial impulsiona investimentos

A reorganização dos fluxos de produtos agrícolas também está provocando mudanças na infraestrutura da região.

O crescimento das exportações estimula investimentos em portos, ferrovias, rodovias, corredores logísticos, armazéns e estruturas de processamento. O objetivo é acompanhar o aumento da demanda e tornar as cadeias de abastecimento mais eficientes.

Para tradings, empresas do agronegócio, companhias de navegação e investidores institucionais, essa transformação pode abrir espaço para novos negócios e para a construção de cadeias de suprimentos mais resistentes a interrupções.

A criação de rotas alternativas também ganha importância em um ambiente internacional marcado por tensões geopolíticas e mudanças nas relações comerciais.

Principais destinos das exportações agrícolas

PaísPrincipal destino
BrasilChina
ChileChina
PeruChina
MéxicoEstados Unidos
ColômbiaEstados Unidos
ArgentinaAmérica Latina e Caribe

A distribuição dos principais mercados evidencia a existência de diferentes padrões de integração comercial dentro da própria América Latina.

Disputa entre China e EUA afeta o agronegócio

A crescente competição estratégica entre China e Estados Unidos também repercute diretamente no comércio agrícola latino-americano.

Pequim amplia sua participação como grande compradora de commodities agrícolas e recursos naturais, enquanto Washington preserva sua importância para países fortemente integrados à economia norte-americana.

Essa disputa não se limita a tarifas e barreiras comerciais. Ela também influencia decisões de investimento, infraestrutura, logística e estratégias de abastecimento.

Para os produtores latino-americanos, a existência de diferentes compradores pode representar uma vantagem ao permitir maior diversificação de mercados. Ao mesmo tempo, a dependência de grandes parceiros comerciais mantém a região exposta a mudanças na política econômica e nas relações internacionais.

Soja, carne, frutas e café estão no centro da disputa

As decisões de compra da China têm impacto direto sobre os mercados internacionais de soja, carne bovina, celulose e outras commodities produzidas na América Latina.

Nos Estados Unidos, por outro lado, a demanda dos consumidores sustenta importantes fluxos de produtos latino-americanos, incluindo frutas, hortaliças, alimentos processados e café.

Essa complementaridade ajuda a explicar por que os dois mercados permanecem fundamentais para o comércio exterior da região, ainda que exerçam influência de maneiras diferentes sobre cada país.

Segurança alimentar ganha importância

O novo desenho das cadeias globais de alimentos ocorre em um momento de maior preocupação com segurança alimentar, logística e estabilidade do abastecimento.

Nesse contexto, a capacidade de diversificar compradores, ampliar infraestrutura e estabelecer novas parcerias comerciais pode se tornar um diferencial competitivo para os países latino-americanos.

Para produtores, exportadores, multinacionais e investidores, acompanhar a evolução desse mapa comercial será cada vez mais importante. As decisões tomadas hoje sobre mercados, logística e investimentos podem determinar a posição da América Latina no comércio agrícola mundial nos próximos anos.

FONTE: AgroLatam
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Datamar News

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Informação

Preços dos alimentos podem voltar a subir no mundo, alerta FAO

O mundo pode enfrentar uma nova onda de inflação dos alimentos nos próximos meses, impulsionada por uma combinação de fatores como guerras, aumento dos custos de produção e eventos climáticos extremos. O alerta foi feito pelo economista-chefe da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), Máximo Torero.

Segundo ele, os efeitos da guerra no Irã e na Ucrânia, somados aos impactos do fenômeno El Niño, podem reduzir a oferta agrícola e elevar os custos de produção, pressionando os preços pagos pelos consumidores.

A alta dos alimentos foi um dos principais fatores da inflação global em 2022. Neste ano, porém, os preços vinham apresentando maior estabilidade em diversas regiões, cenário que pode mudar diante do aumento das despesas com energia, fertilizantes e transporte.

Custos devem pressionar preços a partir do fim do ano

Na avaliação de Torero, os preços das commodities agrícolas devem começar a avançar de forma mais consistente no fim deste ano, com impactos ainda maiores em 2027.

“A expectativa é que os preços das commodities comecem a subir mais agora e que os alimentos passem a ficar mais caros no fim do ano e, principalmente, no próximo ano”, afirmou.

O economista explica que existe uma defasagem entre o aumento dos custos das matérias-primas e a chegada desses impactos ao consumidor final. Esse processo costuma levar entre três e seis meses.

Energia e fertilizantes ameaçam produção agrícola

Embora produtos como trigo, milho e arroz tenham registrado altas recentes, as cotações ainda refletem principalmente boas colheitas realizadas anteriormente. O cenário para as próximas safras, no entanto, apresenta maiores riscos.

Segundo a FAO, o aumento do preço do petróleo afeta diretamente diversas etapas da cadeia agrícola, incluindo bombeamento de água, processamento, embalagens e transporte. Já o gás natural é essencial para a fabricação de fertilizantes, insumo fundamental para a produtividade no campo.

A instabilidade no mercado energético também é agravada pelos danos causados à infraestrutura de petróleo e gás da Rússia, reduzindo a oferta de combustíveis como diesel e gás natural utilizados na produção de alimentos.

Agricultores enfrentam margens menores

Como os preços das commodities agrícolas são definidos em escala global, o aumento dos custos impacta produtores em diferentes regiões do planeta. Mesmo países com maior capacidade financeira, como Estados Unidos, Europa e Brasil, sentem os efeitos da pressão sobre as margens agrícolas.

Nos Estados Unidos, por exemplo, uma entidade representativa do setor estima que produtores de nove grandes culturas poderiam registrar perdas de até US$ 32 bilhões em 2027 sem apoio governamental.

A redução das margens já influencia decisões de plantio. Produtores norte-americanos passaram a considerar mudanças de culturas, incluindo maior produção de soja, que exige menor quantidade de fertilizantes em comparação com outras lavouras.

Produção agrícola global sofre impactos climáticos

A instabilidade também já afeta importantes exportadores agrícolas. A Austrália, um dos maiores fornecedores mundiais de grãos, prevê redução na produção de culturas de inverno, influenciada pelo aumento dos custos de combustível e fertilizantes, além da incerteza sobre a disponibilidade de insumos.

Outro fator de preocupação é o fortalecimento do El Niño, fenômeno climático que altera padrões de chuva e pode comprometer colheitas em diferentes regiões.

Na Índia, por exemplo, o atraso das monções e a previsão de chuvas abaixo da média podem prejudicar a produção de arroz, com possíveis reflexos nos preços internacionais da commodity.

Risco de aumento da insegurança alimentar

A FAO também alerta que eventos climáticos severos podem ampliar a insegurança alimentar global. Estimativas da organização indicam que milhões de pessoas podem enfrentar dificuldades de acesso a alimentos caso a combinação de conflitos, custos elevados e perdas agrícolas se intensifique.

FONTE: Reuters
TEXTO: Redação
IMAGEM: REUTERS/Vyacheslav Madiyevskyy 

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Agronegócio

China muda estratégia para o agro e pode impactar o futuro do agronegócio brasileiro

A China iniciou uma nova fase de desenvolvimento para o setor agropecuário, adotando uma estratégia semelhante à que impulsionou sua expansão industrial nas últimas décadas. O foco agora está em pesquisa, tecnologia, biotecnologia e investimentos direcionados para fortalecer a produção agrícola e reduzir a dependência externa.

A avaliação é da especialista em China Larissa Wachholz, referência brasileira em relações sino-brasileiras, investimentos, infraestrutura, agronegócio e políticas públicas. Ela participou de um encontro com produtores rurais, empresários e representantes do setor de sementes que integram uma missão técnica ao país asiático. A agenda coincide com a implementação do 15º Plano Quinquenal, que transforma a agricultura e a inovação genética em prioridades estratégicas do governo chinês.

Segurança alimentar ganha papel estratégico em Pequim

Segundo Larissa, a segurança alimentar deixou de ser apenas uma política agrícola e passou a integrar diretamente a estratégia nacional de estabilidade econômica e social da China.

A preocupação se intensificou diante da necessidade de garantir o abastecimento de uma população de aproximadamente 1,4 bilhão de habitantes. Para o governo chinês, eventuais falhas no fornecimento de alimentos podem provocar impactos sociais e econômicos relevantes.

Esse cenário foi reforçado por uma sequência de crises. Entre 2017 e 2018, a peste suína africana reduziu drasticamente o rebanho de suínos do país. Em seguida vieram a pandemia de Covid-19 e o aumento das tensões comerciais com os Estados Unidos, evidenciando fragilidades na cadeia de suprimentos e acelerando os investimentos para ampliar a produção interna.

Envelhecimento da população pressiona produtividade

Outro fator que influencia a nova política agrícola é a mudança demográfica. O rápido envelhecimento da população chinesa, consequência da antiga política do filho único, aumenta a necessidade de ganhos de produtividade no campo.

Com menos pessoas em idade ativa nas próximas décadas, o governo aposta em automação, inovação e tecnologias capazes de elevar a eficiência da produção agrícola.

Além disso, Pequim busca diminuir sua dependência tecnológica em setores considerados estratégicos, incluindo o agronegócio.

Sementes e biotecnologia tornam-se prioridade nacional

Entre as principais mudanças está o fortalecimento da indústria de sementes. O governo atualizou a legislação, ampliou os investimentos em pesquisa, flexibilizou normas para organismos geneticamente modificados (OGMs) e direcionou recursos para empresas e centros de desenvolvimento.

Na visão da especialista, as sementes passaram a ocupar um papel semelhante ao dos chips na indústria tecnológica, tornando-se um dos ativos mais estratégicos para garantir produtividade e autonomia agrícola.

Planejamento de longo prazo acelera mudanças

O modelo chinês segue baseado em planejamento estatal de longo prazo. A cada cinco anos, o governo define metas econômicas, científicas e tecnológicas que orientam investimentos públicos, financiamento e políticas industriais.

Esse mecanismo ajuda a explicar a rapidez com que o país reorganiza setores considerados estratégicos.

A recuperação da suinocultura após a peste suína africana é apontada como exemplo. Mesmo diante do ceticismo internacional, a China reorganizou sua cadeia produtiva, investiu em digitalização, tecnologia e conseguiu acelerar a recomposição do rebanho dentro das metas estabelecidas.

China continuará importando alimentos, mas quer reduzir dependências

Apesar do fortalecimento da produção doméstica, a estratégia chinesa não significa o fim das importações de alimentos.

Segundo Larissa, o objetivo do governo é reduzir o crescimento da dependência externa, especialmente em produtos considerados estratégicos, e não interromper as compras internacionais.

A urbanização acelerada transformou os hábitos alimentares da população. Atualmente, cerca de 65% dos chineses vivem nas cidades, o que elevou significativamente o consumo de carnes, frutas e alimentos de maior valor agregado.

Esse movimento impulsionou o crescimento do agronegócio brasileiro, principalmente por meio das exportações de soja, utilizada na produção de ração animal.

Soja continua estratégica, mas demanda pode crescer em ritmo menor

Mesmo permanecendo como o maior comprador mundial de soja, a China intensifica investimentos em genética, melhoramento de sementes e aumento da produtividade para reduzir a necessidade de ampliar continuamente as importações.

Essa estratégia ajuda a explicar a projeção do Ministério da Agricultura da China, que estima importações de 95,5 milhões de toneladas de soja na safra 2026/27, volume inferior ao registrado no ciclo anterior em razão da redução do plantel de matrizes suínas.

Para especialistas, o desafio para o Brasil não está na manutenção das exportações atuais, mas em compreender que a expansão da demanda chinesa tende a ocorrer em ritmo mais moderado.

Mudanças também criam oportunidades para o Brasil

As transformações na política agrícola chinesa podem abrir novas oportunidades para empresas brasileiras.

A transição energética conduzida pelo país asiático deve ampliar a demanda por matérias-primas destinadas à produção de combustíveis sustentáveis para aviação e navegação, além de favorecer mercados ligados ao etanol de milho, produtos de base biológica e novas soluções tecnológicas para o campo.

Nesse cenário, especialistas avaliam que o Brasil poderá fortalecer sua parceria com a China não apenas como fornecedor de commodities, mas também por meio da cooperação em inovação, tecnologia e competitividade no setor agropecuário.

FONTE: Forbes
TEXTO: Redação
IMAGEM: Getty Images

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