Informação

Fábio Mello Fontes: prático há 57 anos, ele transforma trajetória no mar em livro

Aos 87 anos e com 57 anos de atuação na praticagem, Fábio Mello Fontes continua olhando para o mar com o mesmo entusiasmo de quando era criança. Presidente da Praticagem de São Paulo, ele começou a definir sua vocação ainda aos 9 anos, quando observava os navios que passavam pelo canal do Porto de Santos.

A paixão pelo ambiente marítimo o levou à Marinha Mercante e, posteriormente, à praticagem, profissão que iniciou em 1969. Agora, parte dessa trajetória de quase seis décadas chega às páginas do livro Fábio Mello Fontes, uma lenda dos Mares, que será lançado amanhã, às 17 horas, na Pinacoteca Benedicto Calixto, em Santos.

A obra tem autoria de Ivani Cardoso e Maria Fernanda Rodrigues, com coordenação editorial de José Rodrigues, e reúne relatos sobre a vida pessoal, familiar e profissional do prático.

15 horas de estudos por dia para entrar na praticagem

A preparação para ingressar na profissão exigiu uma rotina intensa de estudos. Fontes conta que começou a se preparar para o processo seletivo em 10 de abril de 1968, quando já era casado e tinha três filhos pequenos.

A dedicação chegou a 15 horas diárias de estudos. O esforço resultou na entrada para a Praticagem de São Paulo em janeiro de 1969.

Para Fontes, a carreira e a família sempre caminharam juntas. Ao longo de mais de cinco décadas como prático, ele acumulou aproximadamente 30 mil manobras de navios.

Uma carreira marcada pela paixão pelo mar

Durante sua trajetória, Fontes acompanhou profundas transformações no Porto de Santos. Viu as embarcações aumentarem de tamanho e novas tecnologias modificarem a rotina da atividade.

Apesar das mudanças, a disposição para embarcar permaneceu a mesma. Para ele, a praticagem é mais do que uma profissão: é uma vocação.

A experiência anterior na Marinha Mercante também foi ampla. Fontes desempenhou diferentes funções a bordo e chegou a exercer interinamente o comando de uma embarcação da Petrobras.

A rotina de permanecer meses longe da família, porém, pesou na decisão de seguir outro caminho. Na praticagem, encontrou uma forma de continuar trabalhando no mar sem precisar passar longos períodos embarcado.

Livro resgata histórias da praticagem em Santos e São Sebastião

Além dos depoimentos do próprio Fontes, a biografia reúne entrevistas com familiares, amigos e colegas de profissão.

A publicação também recupera episódios relacionados à história da praticagem e mostra parte da evolução da atividade nos portos de Santos e São Sebastião.

Entre as lembranças consideradas mais marcantes pelo prático está o embarque no porta-aviões São Paulo, da Marinha do Brasil, que chegou a Santos em 28 de abril de 2001 levando o então presidente da República, Fernando Henrique Cardoso.

Na ocasião, Fontes passou cerca de 20 minutos conversando com o presidente na ponte de comando. Meses depois, recebeu uma fotografia autografada daquele encontro.

Aos 87 anos, Fontes diz que ainda não pensa em parar

Viúvo desde 2023, o prático também vive uma nova fase na vida pessoal. Ele reencontrou, graças à internet, uma mulher que havia conhecido 42 anos atrás e com quem havia perdido contato. Ela também é viúva.

Atualmente, os dois mantêm um relacionamento à distância, alternando períodos de visitas e encontros. Fontes resume o momento com bom humor e diz estar vivendo uma espécie de “lua de mel”.

Ele também se define como um “idoso fora da curva” e afirma que a idade não determina sua disposição.

O próximo desafio é continuar a bordo

A relação de Fontes com o mar permanece tão forte que ele já tem um objetivo para os próximos anos: completar 88 anos a bordo de um navio, em 10 de maio de 2027.

A trajetória do prático é marcada por décadas de experiência em navegação, manobras portuárias e praticagem, mas também por uma disposição constante para seguir adiante.

A história de Fábio Mello Fontes mostra que conduzir navios e conduzir a própria vida podem exigir qualidades semelhantes: saber ajustar o rumo, lidar com mudanças, enfrentar condições adversas e continuar navegando mesmo quando os ventos mudam.

FONTE: A Tribuna
TEXTO: Redação
IMAGEM: Alexsander Ferraz/AT

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Informação

Museu do Porto de Santos completa 37 anos com programação gratuita em setembro

O Museu do Porto de Santos completa 37 anos na terça-feira, 1º de setembro, em um momento de forte crescimento no número de visitantes. No primeiro semestre de 2026, o espaço recebeu 12.904 pessoas, volume 163% maior que os aproximadamente 5 mil visitantes registrados no mesmo período do ano passado.

Para celebrar o aniversário, o museu preparou uma programação especial e gratuita durante todo o mês de setembro.

Confira a programação de aniversário

Entre as principais atividades previstas estão:

  • 1º de setembro: celebração cultural com apresentação musical a partir das 16h;
  • 17 de setembro: recepção do projeto Leia Santos, iniciativa da Prefeitura de Santos;
  • De 21 a 25 de setembro: realização do Museu + Acessível, voltado a grupos de pessoas com deficiência.

A programação de acessibilidade também marcará o início das visitas autoguiadas, com recursos de áudio e texto, além do atendimento em Libras.

Museu amplia ações para atrair visitantes

O crescimento do público acompanha a expansão das atividades promovidas pelo Museu do Porto de Santos. Entre as iniciativas estão eventos durante períodos de férias e em datas comemorativas, incluindo passeios de catamarã pelo Porto de Santos.

O espaço reúne cerca de 2 mil itens em seu acervo, entre documentos históricos, fotografias, instrumentos náuticos, ferramentas e outras peças consideradas raras.

A coleção permite ao público conhecer diferentes períodos e aspectos relacionados à trajetória do Porto de Santos, aproximando os visitantes da história da principal estrutura portuária do país.

Presença nas redes sociais também cresce

A maior procura pelo museu também está relacionada ao trabalho de divulgação e à aproximação com moradores da Baixada Santista.

No Instagram, o número de seguidores cresceu 360% e ultrapassou a marca de 5 mil. Já no Tripadvisor, plataforma voltada ao turismo, o Museu do Porto passou da 29ª para a segunda posição entre as atrações mais bem avaliadas de Santos.

Visitas agendadas somam mais de 4,5 mil

Dos 12.904 visitantes registrados no primeiro semestre, 4.572 participaram de visitas agendadas. O levantamento considera exclusivamente grupos que fizeram reserva antecipada, incluindo escolas e outras instituições.

As visitas previamente programadas contam com acompanhamento guiado pelo Museu do Porto e, de acordo com a disponibilidade, podem incluir acesso a outros espaços culturais.

A atividade é gratuita e pode ser realizada por pessoas de todas as idades.

Como visitar o Museu do Porto de Santos

Pessoas que desejam fazer uma visita espontânea em grupos de até 10 integrantes não precisam realizar agendamento.

Para grupos maiores, é necessário preencher o formulário específico e encaminhá-lo ao e-mail museudoporto@portodesantos.gov.br.

Serviço

Museu do Porto de Santos
📍 Avenida Conselheiro Rodrigues Alves, s/nº, esquina com a Rua Conselheiro João Alfredo, Macuco, Santos (SP)
🕘 Segunda a sábado, das 9h às 17h
🎟️ Entrada gratuita

FONTE: A Tribuna
TEXTO: Redação
IMAGEM: Alexsander Ferraz/AT

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Portos

Porto e indústria discutem novos investimentos e competitividade em Santos

A integração entre porto e indústria estará no centro das discussões do Summit Porto-Indústria 2026, que acontece na próxima terça-feira (1º), no auditório do Grupo Tribuna, em Santos. O evento pretende reunir representantes dos setores para discutir os principais desafios logísticos e caminhos para ampliar investimentos e fortalecer a economia brasileira.

A programação terá como foco a relação entre infraestrutura portuária, indústria e desenvolvimento econômico, além dos obstáculos que ainda limitam a competitividade do país.

Portos-indústria podem ampliar desenvolvimento econômico

O primeiro painel está marcado para as 14h20 e terá como tema “Portos-Indústria e as Lições Globais de Desenvolvimento”. Entre os participantes estará Alexandre Billot, gerente-geral da Portocel, empresa que mantém um terminal especializado na movimentação de celulose em Aracruz (ES) e também atua na operação logística do Terminal 32 (T32), no Porto de Santos.

Para Billot, discutir o conceito de porto-indústria significa ampliar a visão tradicional sobre essas estruturas. Embora os portos continuem exercendo papel fundamental no transporte, armazenamento e conexão de cargas, eles também podem funcionar como plataformas de integração produtiva, energética, tecnológica e territorial.

O executivo avalia que o Brasil reúne condições favoráveis para avançar nesse modelo, como forte vocação exportadora, disponibilidade de recursos naturais, cadeias produtivas consolidadas e localização estratégica. O desafio, segundo ele, é transformar a infraestrutura logística em instrumento de agregação de valor, desenvolvimento regional e adensamento industrial.

Integração entre infraestrutura e indústria é apontada como diferencial

Na avaliação de Billot, a experiência dos portos-indústria mostra três pontos fundamentais para aumentar a eficiência.

O primeiro está relacionado à proximidade entre porto, indústria, armazenagem, energia e serviços. A integração desses elementos pode reduzir prazos, perdas, riscos operacionais, capital imobilizado e custos de coordenação.

O segundo aprendizado envolve a necessidade de planejamento e segurança para os investimentos. Além de infraestrutura física, o modelo exige estabilidade regulatória, governança, licenciamento previsível e articulação entre os setores público e privado.

A terceira lição é que o porto-indústria moderno vai além da construção de grandes estruturas. O conceito envolve tecnologia, sustentabilidade, inteligência logística e uso eficiente do território, além de capacidade institucional para coordenar diferentes áreas.

Nesse contexto, a vantagem competitiva não depende apenas do tamanho de um porto, mas da capacidade de integrar toda a cadeia produtiva.

Neoindustrialização aumenta demanda por logística eficiente

O segundo painel será realizado às 16h20, com o tema “Gargalos Logísticos, Competitividade e a Neoindustrialização”. A discussão contará com Bruno Stupello, diretor de Operações de Terminais Portuários da Santos Brasil.

Para o executivo, o avanço da neoindustrialização está diretamente ligado à necessidade de uma logística mais eficiente e sofisticada. Uma infraestrutura capaz de reduzir custos e melhorar o acesso aos mercados pode aumentar a competitividade das empresas e, consequentemente, estimular novos investimentos.

Stupello ressalta que a infraestrutura também pode atuar como indutora do desenvolvimento econômico. Na decisão sobre onde instalar novos empreendimentos, as empresas avaliam fatores como a qualidade dos portos, ferrovias, rodovias e conexões com os mercados consumidores.

Brasil ainda tem espaço para ganhos logísticos

Na avaliação do diretor, não é possível construir uma indústria competitiva sem uma estrutura logística eficiente. O processo de neoindustrialização exige mais tecnologia, produtividade, investimentos e integração às cadeias globais, fatores que dependem de uma infraestrutura capaz de acompanhar essa evolução.

O Brasil apresentou avanços nos últimos anos, inclusive no setor portuário. Ainda assim, existe espaço significativo para melhorar a competitividade, principalmente com a execução mais rápida e previsível de projetos de infraestrutura.

A expectativa é que o debate em Santos contribua para aproximar setor portuário, indústria e investidores, fortalecendo estratégias capazes de transformar infraestrutura em um vetor de crescimento econômico e atração de novos negócios.

FONTE: A Tribuna
TEXTO: Redação
IMAGEM: Alexsander Ferraz/AT

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Portos

Porto de Santos fecha após ondas de 3 metros durante alerta de ressaca

O Porto de Santos teve as operações de navegação interrompidas por quase quatro horas devido à forte agitação marítima registrada na Baixada Santista. O episódio ocorreu durante um alerta de ressaca marítima emitido pela Defesa Civil de São Paulo para o litoral paulista.

As ondas ultrapassaram 3 metros de altura, levando à suspensão temporária do tráfego de embarcações entre a noite de segunda-feira (24) e a madrugada de terça-feira (25).

Segundo a Defesa Civil Estadual, as condições do mar devem continuar desfavoráveis para a navegação e outras atividades marítimas até quarta-feira (26).

Porto de Santos tem tráfego de navios suspenso

A Capitania dos Portos determinou a interrupção do tráfego de navios no Porto de Santos às 23h15 de segunda-feira. A navegação foi liberada novamente às 3h10 de terça-feira, depois de uma melhora nas condições do mar.

Durante o período de paralisação, quatro manobras de saída e duas operações de entrada de embarcações deixaram de ser confirmadas, conforme informações da Praticagem de São Paulo.

O Porto de Santos é considerado o maior complexo portuário da América do Sul e concentra movimentações importantes para o comércio exterior brasileiro.

Santos entra em estado de atenção

Diante da previsão de maré elevada, a Prefeitura de Santos colocou a cidade em estado de atenção. O município pode registrar pontos de alagamento e inundação, principalmente nas áreas internas do estuário.

A combinação entre a ressaca e a elevação da maré aumenta o risco de impactos em regiões próximas ao litoral e ao sistema estuarino.

Defesa Civil orienta população durante ressaca

A recomendação das autoridades é que moradores e turistas redobrem os cuidados enquanto persistirem as condições adversas no litoral de São Paulo.

Entre as principais orientações estão:

  • Evitar entrar no mar durante o período de ressaca;
  • Não permanecer próximo a costões, pedras e áreas expostas à força das ondas;
  • Quem estiver navegando deve aumentar a atenção e seguir as determinações das autoridades marítimas.

A Defesa Civil reforça que a população deve acompanhar os alertas oficiais e evitar atividades em áreas de risco até a melhora das condições do mar.

FONTE: G1
TEXTO: Redação
IMAGEM: Alexsander Ferraz/A Tribuna Jornal

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Portos

APS registra lucro de R$ 521 milhões no acumulado de 2026 e amplia resultado no Porto de Santos

A Autoridade Portuária de Santos (APS) encerrou julho de 2026 com lucro líquido acumulado de R$ 521 milhões, avanço de 150% na comparação com o mesmo período do ano passado. Somente no mês, o resultado positivo chegou a R$ 91,8 milhões.

Receita cresce com desempenho do Porto de Santos

O desempenho financeiro da companhia foi impulsionado pelo aumento das operações no Porto de Santos, principal complexo portuário do país. A receita bruta avançou 3% em relação a 2025, alcançando R$ 1,15 bilhão.

Outro destaque foi a margem EBITDA, que apresentou alta de 34,9 pontos percentuais e chegou a 59,8% no período.

Redução de despesas contribui para o resultado

Além do crescimento das atividades portuárias e do consequente aumento das receitas, a melhora do resultado financeiro da APS também foi favorecida pela redução das despesas administrativas e gerais.

Esses gastos recuaram 5% no acumulado do ano, contribuindo para a expansão do lucro da companhia.

Base de comparação foi afetada em 2025

A comparação com o resultado de 2025 também considera um efeito financeiro relevante registrado naquele período. Na ocasião, o desempenho da companhia foi pressionado pelo aumento do endividamento decorrente da assinatura do Termo de Composição e Ajuste da Dívida com o Instituto de Seguridade Social (Portus).

Com a combinação de maior movimentação no Porto de Santos, crescimento da receita e controle de despesas, a APS iniciou o terceiro trimestre de 2026 com forte evolução em seus indicadores financeiros.

FONTE: Porto de Santos
TEXTO: Redação
IMAGEM: Porto de Santos

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Transporte

Autoridade Portuária de Santos abre licitação para transporte marítimo de passageiros

A Autoridade Portuária de Santos (APS) publicou o edital da licitação eletrônica nº 40/2026 para contratar uma empresa especializada na prestação de transporte marítimo de passageiros. O aviso foi divulgado no Diário Oficial e faz parte das ações voltadas à manutenção dos serviços operacionais da autoridade portuária.

O contrato terá duração de 30 meses e contempla o transporte de funcionários em rotas estratégicas que atendem áreas do complexo portuário.

Linhas fixas atenderão três trajetos operacionais

Conforme o edital, a empresa vencedora será responsável pela operação de linhas exclusivas de transporte entre os seguintes trechos:

  • Santos – Guarujá (TEV/Santos Brasil);
  • Santos – Ilha Barnabé;
  • Bertioga – Vila de Itatinga.

O serviço busca garantir o deslocamento dos colaboradores que atuam em diferentes áreas ligadas às operações do Porto de Santos.

Licitação inclui embarcações para fiscalizações e vistorias

Além das rotas regulares, o contrato também prevê a disponibilização de embarcações sob demanda para atender atividades técnicas realizadas pela APS.

Entre os serviços previstos estão fiscalizações ambientais, auditorias, vistorias e visitas técnicas ao longo do estuário e do canal de navegação. Para essas operações poderão ser utilizados diferentes tipos de embarcação, como lanchas rápidas, embarcações de pequeno porte e catamarãs, conforme a necessidade de cada missão.

Como participar da licitação

Segundo a Autoridade Portuária de Santos, o edital de licitação já está disponível na área de licitações da instituição. As empresas interessadas deverão estar previamente cadastradas no sistema Licitações-e, administrado pelo Banco do Brasil, para participar do processo eletrônico.

FONTE: Portal Portuario
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Portal Portuario

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Portos

Portos brasileiros podem atingir limite de contêineres até 2030, aponta estudo

Um estudo da consultoria Macroinfra revela que os principais portos brasileiros já operam próximos do limite de capacidade e podem enfrentar esgotamento na movimentação de contêineres antes de 2030. A análise, baseada em dados da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) entre 2015 e 2025, indica um cenário de saturação em terminais estratégicos como Santos (SP), Paranaguá (PR), Itajaí/Navegantes (SC) e Itapoá (SC).

Caso projetos de ampliação e novos terminais não avancem, o limite operacional pode ser atingido em até quatro anos, pressionando ainda mais a infraestrutura logística do país.

Operação no limite eleva custos e riscos

De acordo com a consultoria, a operação próxima ou acima da capacidade prática gera impactos diretos na cadeia logística, como aumento de custos, atrasos nas operações e perda de confiabilidade. Esse cenário também amplia o risco de paralisações.

O sócio-diretor da Macroinfra, Olivier Girard, destaca que a sobrecarga se intensificou a partir de 2020, quando os principais terminais passaram a operar de forma contínua no limite.

O Porto de Santos, maior complexo portuário da América Latina, registrou crescimento significativo na taxa de ocupação, saindo de 55,9% em 2015 para 79,7% no último ano. Apesar do avanço na produtividade — de 72 para 86 TEUs por hora —, o ganho não acompanha a demanda crescente.

Em Paranaguá, o terminal TCP atingiu níveis críticos, com ocupação de 86% em 2025. Embora tenha apresentado evolução operacional ao longo dos anos, houve recuo recente na produtividade.

Já o Porto Itapoá, em Santa Catarina, também apresenta sinais de sobrecarga, com taxa de utilização chegando a 88,7%. Ainda assim, o terminal mantém crescimento consistente na produtividade.

TEU (Twenty-foot Equivalent Unit) é a unidade padrão utilizada para medir a capacidade de contêineres no transporte marítimo.

Migração de cargas e novos polos logísticos

Com a saturação dos principais corredores, a logística marítima brasileira tem passado por uma redistribuição geográfica. Portos considerados secundários vêm ganhando espaço, como o do Rio de Janeiro, que praticamente dobrou sua participação no fluxo nacional de contêineres entre 2015 e 2025.

Outros terminais, como Salvador, Pecém (CE) e Suape (PE), também ampliaram sua relevância ao absorver parte da demanda deslocada.

O avanço do comércio exterior e da cabotagem contribui para o cenário de pressão. Nos últimos dez anos, as exportações e importações marítimas cresceram cerca de 60%, enquanto a navegação de cabotagem avançou 111%.

Apesar disso, a expansão da capacidade portuária não acompanha o ritmo da demanda. Mesmo com projetos em andamento, como o terminal STS10 em Santos e novas estruturas em Suape, o setor pode enfrentar um colapso operacional a partir de 2030.

A projeção indica que, em quatro anos, a demanda deve alcançar 20,4 milhões de TEUs, consumindo quase toda a capacidade estimada de 23 milhões. O cenário reforça a necessidade urgente de novos investimentos e planejamento estratégico para sustentar o crescimento econômico.

Fonte: CNN

Texto: Redação

Imagem: Reprodução CNN

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Portos

Prejuízo com Exportação de Café Atinge R$ 8,7 Milhões por Falhas nos Portos Brasileiros

A precariedade nos portos brasileiros segue impactando diretamente o setor cafeeiro. Um levantamento recente do Cecafé aponta que, apenas em outubro de 2025, exportadores associados acumularam R$ 8,719 milhões em prejuízos por custos extras de armazenagem, pré-stacking e detentions.
O valor é resultado da impossibilidade de embarcar 2.065 contêineres, equivalentes a 681.590 sacas de 60 kg de café.

Segundo o estudo, o não embarque desse volume impediu a entrada de US$ 278,08 milhões (cerca de R$ 1,497 bilhão) em receitas cambiais naquele mês, considerando o preço médio FOB de US$ 407,99 por saca e a cotação média do dólar a R$ 5,3849.

Setor alerta para situação crítica nos portos

Para o diretor técnico do Cecafé, Eduardo Heron, o cenário nos principais portos, sobretudo em Santos, já é crítico e tende a piorar. Ele ressalta que o atraso na oferta de pátio e berço do Tecon Santos 10 tem ampliado os gargalos operacionais.

Heron reconhece que iniciativas como o aprofundamento do calado para 16 metros, a nova via de descida da Anchieta e a segunda alça de acesso ao porto santista são investimentos relevantes para o comércio exterior, mas lembra que “levarão pelo menos cinco anos para serem concluídos”.

Atrasos generalizados nas principais rotas

O impacto logístico é evidente: em outubro de 2025, 52% dos navios registraram atraso ou tiveram escalas alteradas nos principais portos do país, segundo o Boletim DTZ, elaborado pela startup ElloX Digital em parceria com o Cecafé.

No Porto de Santos, responsável por 79% dos embarques de café entre janeiro e outubro, o índice foi ainda maior: 73% das embarcações sofreram atrasos — 148 de um total de 203 navios. O tempo máximo de espera chegou a 61 dias.

No período, apenas 3% dos embarques tiveram mais de quatro dias de gate aberto. Outros 48% ficaram entre três e quatro dias, enquanto 49% registraram menos de dois dias.

Rio de Janeiro também enfrenta gargalos

Segundo maior exportador de café do Brasil, o complexo portuário do Rio de Janeiro respondeu por 17,4% das remessas no ano e registrou 30% de atrasos em outubro.
Entre os 113 navios programados, 34 tiveram alterações de escala, com intervalo máximo de 77 dias entre o primeiro e o último deadline.

Em relação ao prazo de gate aberto, 22% dos procedimentos superaram quatro dias; 48% ficaram entre três e quatro dias; e 30% ocorreram em menos de dois dias.

FONTE: Forbes
TEXTO: Redação
IMAGEM: Paulo Fridman Corbis/Getty Images

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Portos

Invest Retroporto destaca importância das atividades retroportuárias e debate desafios ambientais e urbanos

O Invest Retroporto, realizado na sede da Associação Comercial de Santos (SP), reforçou o papel central das atividades retroportuárias, especialmente Redex, Depots e Terminais Alfandegados, para garantir valor agregado e segurança às operações portuárias. Especialistas defenderam que os benefícios do Reporto sejam ampliados para esses segmentos, ampliando a competitividade logística.

Planejamento urbano e ambiental como base para novos negócios
Sob o subtítulo Planejamento Urbano e Ambiental para Novos Negócios, o encontro destacou que a expansão econômica em áreas próximas aos portos depende diretamente das legislações de uso e ocupação do solo e dos licenciamentos ambientais. O avanço de novos empreendimentos traz aumento de arrecadação, fortalecimento do setor de serviços e geração de empregos mais bem remunerados, desde que acompanhado de planejamento integrado entre cidade e porto.

Desafios ambientais e insegurança jurídica
Mesmo com planejamento conjunto, participantes alertaram que questões ambientais precisam ser tratadas com racionalidade, evitando extremismos. Os complexos portuários estão inseridos em áreas de alta sensibilidade ecológica, o que torna frequentes os questionamentos do Ministério Público, mesmo quando há compensações ambientais robustas. Essa dinâmica, segundo os palestrantes, alimenta a instabilidade jurídica e amplia a burocracia, dificultando o desenvolvimento sustentável.

Zoneamento e legislações em debate
A revisão do Zoneamento Ecológico-Econômico (ZEE) do Estado de São Paulo foi citada com preocupação, pois pode restringir a expansão de atividades ligadas aos portos de Santos e São Sebastião, únicos portos marítimos paulistas. Outras normas, como a Lei da Mata Atlântica, o Código Florestal, o Zoneamento Costeiro e áreas de proteção como o PESM, também influenciam diretamente a expansão econômica. Embora essenciais para a preservação ambiental, alguns especialistas apontaram que compensações acabam sendo aplicadas em áreas pouco visíveis à população, prejudicando empreendimentos formais e incentivando ocupações irregulares. Um dos palestrantes citou ainda dado do Banco Mundial de que a pobreza é a maior fonte de poluição mundial.

Expansão portuária e necessidade de alinhamento institucional
O evento reforçou que a ampliação de áreas portuárias e retroportuárias, a implantação de porto-indústria e os investimentos em acessos terrestres e aquaviários são decisivos para o desenvolvimento sustentado. Embora haja estudos para criação de um órgão ambiental metropolitano, especialistas ponderam que os conflitos permanecerão enquanto leis e normas não forem harmonizadas para reduzir externalidades negativas.

Unidade para promover desenvolvimento sustentável
Para avançar, palestrantes defenderam a união entre governos, iniciativa privada e sociedade civil, acima de interesses setoriais e ideológicos. A convergência dessas forças seria essencial para equilibrar proteção ambiental e crescimento econômico, garantindo resultados estratégicos para o país.

FONTE: Jornal Portuário
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Jornal Portuário

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Portos

Leilões portuários do MPor avançam lentamente e projetos relevantes ficam para 2026

O Ministério de Portos e Aeroportos (MPor) previa realizar 21 leilões portuários ao longo de 2025, com investimentos estimados em R$ 8,5 bilhões. Porém, apenas oito certames foram concluídos até agora, e não há novas datas definidas para as próximas rodadas. Projetos estratégicos, antes planejados para este ano, devem ser adiados para 2026.

Investimentos já contratados ultrapassam R$ 2,6 bilhões
Os leilões concluídos — que envolvem terminais em Paranaguá (PR), Rio de Janeiro (RJ), Santana (AP) e Maceió (AL) — somam R$ 2,65 bilhões em investimentos previstos. O pacote inclui ainda a primeira concessão de um canal de acesso, no Porto de Paranaguá. Esses projetos se juntam aos oito leilões de 2024, que agregam mais R$ 3,7 bilhões, puxados pelo grande terminal de minério no Porto de Itaguaí (RJ).

Túnel Santos–Guarujá e outras obras estruturantes
Entre os projetos de maior visibilidade está o túnel Santos–Guarujá, estimado em R$ 6 bilhões e leiloado em setembro após uma década de estudos. A parceria entre o governo federal e o Estado de São Paulo permitiu que o certame ocorresse dentro do prazo.

Complexidade e mudanças internas atrasam cronogramas
Segundo o MPor, fatores como análises do TCU e da ANTAQ, além da saída de técnicos experientes da pasta, têm dificultado o avanço dos projetos. A concentração de decisões dentro do próprio ministério também é apontada por fontes do setor como um dos motivos para a lentidão.

O Porto de Paranaguá é citado como exceção: por contar com autonomia para conduzir estudos e leilões, conseguiu avançar com os principais projetos previstos.

MPor atribui atrasos à alta complexidade dos processos
Em nota, o ministério reforçou que os leilões exigem etapas “técnicas, jurídicas e de governança”, o que pode alterar prazos. O órgão informou que os certames realizados já somam R$ 10,2 bilhões em investimentos atualizados.

Projeção de R$ 6 bilhões em leilões ainda pendentes
Projetos importantes seguem à espera de aval para ir ao mercado, incluindo os terminais STS33 (Santos–SP), MUC04 (Fortaleza–CE) e VDC29 (Vila do Conde–PA). Juntos, eles representam mais de R$ 6 bilhões em investimentos.

O destaque é o Tecon 10, que seria o maior terminal de contêineres da América Latina. Inicialmente previsto com investimentos de R$ 3,5 bilhões — hoje atualizados para cerca de R$ 5 bilhões — o projeto enfrenta forte disputa e risco de judicialização.

TCU adia análise do Tecon 10 e cenário fica incerto
A proposta de leilão chegou ao TCU na semana passada, mas um pedido de vista empurrou a discussão para a última sessão do ano, em 8 de dezembro. A tendência, segundo os votos iniciais, é que a corte aprove um modelo mais restritivo, que impede a participação de empresas ligadas a armadores na primeira fase do certame. Se esse formato prevalecer, membros do governo avaliam que o projeto pode ficar “nebuloso”.

O impasse afeta também o terminal SSB01, no Porto de São Sebastião (SP), que dependia do avanço do Tecon 10 para seguir adiante.

Planos para 2026 incluem 21 novos projetos
Com cancelamentos e adiamentos, o MPor estima que 2026 deverá reunir 21 projetos — 17 arrendamentos e quatro concessões — totalizando R$ 5,9 bilhões em investimentos.

Um exemplo recente de mudança é o cancelamento do leilão do STS08, em Santos. A decisão partiu do Palácio do Planalto, que optou por ampliar a área do STS08A, sob gestão da Petrobras, em vez de realizar o arrendamento.

Canais e hidrovias enfrentam obstáculos políticos e ambientais
Após a concessão do canal de Paranaguá, o governo espera avançar com projetos semelhantes em Itajaí (SC) e Santos (SP), que ainda dependem de análise e conclusão de estudos.

Já as hidrovias enfrentam desafios adicionais. A concessão do Rio Paraguai é a mais adiantada, mas passou por revisões relacionadas a questões ambientais e à gestão binacional com o Paraguai. No caso do Rio Madeira, resistências políticas das bancadas regionais têm travado o envio do projeto ao TCU.

FONTE: Agência Infra
TEXTO: Redação
IMAGEM: Divulgação/Porto de Paranaguá

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