Portos

PF investiga suspeita de fraude em licitação do Porto de Itajaí; caso foi revelado por reportagem do UOL

Uma reportagem publicada pelo UOL, assinada pela colunista Natália Portinari, trouxe à tona novas suspeitas envolvendo a licitação realizada em 2023 para o arrendamento transitório do Porto de Itajaí (SC). As informações revelam que a Polícia Federal abriu um inquérito para apurar possíveis irregularidades no processo conduzido pela Antaq (Agência Nacional de Transportes Aquaviários), após encaminhamento do Tribunal de Contas da União (TCU) ao Ministério Público Federal (MPF).

Segundo a reportagem, o TCU identificou uma série de inconsistências no certame — entre elas, mudanças nas regras durante a fase de seleção, falta de critérios objetivos no edital e indícios de que a empresa vencedora não detinha capacidade técnica para assumir a operação do terminal.

Empresa sem experiência venceu após reverter desclassificação

De acordo com as informações divulgadas pelo UOL, a empresa Mada Araújo, que posteriormente se tornou Mada Araújo Asset e Port Management, nunca havia administrado um terminal portuário. Inicialmente, ela foi desclassificada pela comissão de licitação por não comprovar capacidade de movimentar 44 mil TEUs por mês.

A desclassificação, porém, foi revertida pela diretoria colegiada da Antaq, que considerou que o edital não estabelecia critérios que justificassem a exclusão da empresa — decisão que contrariou a análise técnica da comissão.

Como a primeira colocada também foi desclassificada e não conseguiu reverter a decisão, a Mada Araújo acabou declarada vencedora, recebendo o contrato de arrendamento transitório por 24 meses.

Venda à JBS e lucro milionário levantam novas suspeitas

A auditoria do TCU citada pelo UOL destaca que a empresa apresentou sucessivas mudanças societárias antes e depois do processo seletivo. Criada em 2010 como uma consultoria, com capital de apenas R$ 10 mil, a empresa alterou sua razão social, aumentou seu capital para R$ 800 mil e passou a declarar novas atividades meses antes do certame — nenhuma delas relacionada ao setor portuário.

O site institucional também só foi criado em 2023.

Mesmo sem conseguir iniciar as operações em junho de 2024, como previsto contratualmente, a empresa foi vendida à Seara Alimentos, do Grupo JBS, após a Antaq autorizar a transferência de 70% do controle societário. O ex-proprietário, Marco Antônio de Araújo, teria lucrado R$ 60 milhões com a negociação.

Após a compra, a empresa passou a se chamar JBS Terminais, atual administradora do porto.

TCU aponta prejuízos à economia local

O TCU concluiu que o atraso na execução do contrato e a incapacidade operacional da empresa causaram prejuízos “não mensuráveis” ao porto e à comunidade local. O documento aponta ainda indícios de que a empresa buscou apenas se apropriar da valorização do contrato, caracterizando possível vantagem econômica indevida.

O tribunal lembrou, conforme destacado pela reportagem do UOL, que frustrar o caráter competitivo de uma licitação para obter vantagem pode configurar crime.

O caso foi encaminhado ao MPF, que solicitou a abertura de inquérito na Polícia Federal para aprofundar as investigações.

Governo e Antaq se manifestam

O Ministério dos Portos e Aeroportos informou ao UOL que a licitação para o arrendamento definitivo do Porto de Itajaí está prevista para 2026. Segundo a pasta, a prorrogação do contrato transitório permanece válida até o novo leilão, com prazo máximo de dois anos.

NOTA OFICIAL – PORTO DE ITAJAÍ 

Diante das informações divulgadas pela imprensa nacional sobre a investigação relacionada ao processo licitatório conduzido pela Antaq em 2023 para o arrendamento provisório do Porto de Itajaí, a Superintendência divulgou uma nota que diz que o inquérito apura um procedimento realizado antes da federalização e sem qualquer participação da atual gestão. “A Antaq, por ser uma agência reguladora independente, conduz seus editais e critérios técnicos de forma autônoma, não cabendo ao Porto interferir nessas definições.”

A nota diz ainda que é importante destacar que o Porto de Itajaí enfrentou 14 meses de paralisação decorrentes de indefinições contratuais e modelos de arrendamento anteriores, período que causou prejuízos à economia local, aos trabalhadores e à cadeia logística. Hoje, com a reorganização administrativa e a retomada plena das operações, o Porto voltou a registrar resultados expressivos — apenas no último mês, foram movimentadas 500 mil toneladas. 

A Superintendência reforçou que apoia integralmente todas as investigações conduzidas pelo TCU, MPF e Polícia Federal, defendendo que todo o processo de 2023 seja esclarecido com rigor, devido ao impacto que gerou ao município e ao setor portuário.

O Reconecta News tentou contato com a assessoria de imprensa da JBS em Itajaí, mas ainda não teve resposta. 

Fontes das informações

• Reportagem de Natália Portinari, publicada no UOL em 06/12/2025

• Auditoria e acórdão do Tribunal de Contas da União (TCU)

• Informações do Ministério Público Federal (MPF) mencionadas pelo UOL

• Dados oficiais da Antaq citados na matéria original

• Declarações do Ministério dos Portos e Aeroportos, conforme publicado pelo UOL

Texto: Redação 
Imagem: Reprodução Internet / ND Online

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Logística

Fundo da Marinha Mercante pode financiar ferrovias estratégicas para ampliar eficiência portuária

O Ministério de Portos e Aeroportos (MPor) avançou, nesta terça-feira (2), na discussão sobre a utilização do Fundo da Marinha Mercante (FMM) para apoiar projetos ferroviários ligados à operação portuária. A proposta foi debatida em reunião com autoridades do setor, e o ministro Silvio Costa Filho reforçou que a integração entre ferrovias e portos é essencial para elevar a competitividade logística do Brasil.

Durante o encontro, o MPor apresentou as diretrizes de um programa desenvolvido em parceria com o Ministério dos Transportes e representantes do setor produtivo. A iniciativa avalia o potencial do FMM — hoje voltado à navegação e à infraestrutura portuária — para financiar trechos ferroviários que conectem diretamente portos ou corredores logísticos estratégicos. Com cerca de R$ 24 bilhões disponíveis, o fundo tem condições de apoiar obras que reduzam custos logísticos e ampliem a eficiência operacional.

Programa nacional de crédito deve ser anunciado em janeiro
Segundo Silvio Costa Filho, o governo trabalha para lançar, ainda em janeiro, um programa nacional de crédito voltado ao financiamento de ferrovias estratégicas voltadas à operação portuária. “Estamos estruturando um grande programa de fortalecimento do financiamento ferroviário com apoio do Fundo da Marinha Mercante. Quando a ferrovia chega ao porto, ganhamos capacidade, reduzimos custos e fortalecemos todo o setor portuário”, afirmou o ministro.

Conexão entre modais é decisiva para competitividade
O secretário nacional de Ferrovias, Leonardo Ribeiro, destacou que a ligação entre ferrovia e porto é crucial para o sucesso da Política Nacional de Ferrovias e para a nova carteira de leilões. Ele lembrou que o modal ferroviário responde por grande parcela das exportações brasileiras — cerca de 95% do minério de ferro e 40% dos granéis agrícolas enviados aos portos passam pelos trilhos.

A reunião também tratou da criação de um mapa integrado que organize ferrovias existentes, obras em andamento e expansões futuras em relação aos portos, permitindo uma priorização técnica mais precisa dos investimentos. Outro ponto discutido foi o aumento da participação de bancos privados no financiamento, com objetivo de ampliar o crédito disponível e acelerar a execução dos projetos.

Ampliação do FMM exigirá análise técnica e deliberação
O MPor ressaltou que o FMM já financia projetos de infraestrutura portuária e aquaviária, e que qualquer ampliação para incluir obras ferroviárias dependerá de avaliação técnica, aprovação do Conselho Diretor do Fundo da Marinha Mercante e decisão do Governo Federal.

Participaram da agenda representantes da Associação Nacional dos Transportadores Ferroviários (ANTF), da MoveInfra, da Associação Brasileira dos Terminais Portuários (ABTP) e da Associação de Terminais Portuários Privados (ATP), que contribuíram com análises e perspectivas do setor.

FONTE: Ministério de Portos e Aeroportos
TEXTO: Redação
IMAGEM: Márcio Ferreira/MT

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Portos

Setor de navegação recebe diagnóstico inédito sobre seguros em Terminais Portuários Autorizados

O Ministério de Portos e Aeroportos (MPor) lançou, nesta terça-feira (2), o primeiro diagnóstico nacional sobre seguros em Terminais Portuários Autorizados. O estudo consolida, pela primeira vez, um conjunto amplo de dados estratégicos, análises e percepções que oferecem um panorama técnico até então inexistente para os Terminais de Uso Privado (TUPs). A iniciativa foi desenvolvida em parceria com a Associação de Terminais Portuários Privados (ATP).

Avanço na gestão de riscos e previsibilidade do setor
O levantamento representa um passo significativo na agenda de gestão de riscos, previsibilidade regulatória e fortalecimento da segurança jurídica no setor portuário. O material identifica desafios, práticas e lacunas ligadas aos seguros obrigatórios, incluindo aspectos regulatórios, operacionais e climáticos.
Para o ministro Silvio Costa Filho, o diagnóstico reúne informações essenciais que aumentam a previsibilidade e fortalecem o ambiente de negócios. O secretário-executivo Tomé Franca destacou que a base consolidada de dados facilita decisões estratégicas, melhora o diálogo com operadores e reforça a necessidade de regras modernas, especialmente diante do avanço das mudanças climáticas.
A diretora de Assuntos Econômicos do MPor, Helena Venceslau, reforçou que o material contribui para políticas públicas baseadas em evidências, sobretudo em temas sensíveis como riscos associados e seguros obrigatórios.

Riscos climáticos e oportunidades de aprimoramento
O diagnóstico também chama atenção para o aumento da frequência e da intensidade dos riscos climáticos, apontando a necessidade de aprimorar mecanismos de proteção, governança e eficiência regulatória. Ao organizar informações antes dispersas, o estudo amplia a capacidade de planejamento do setor e fortalece a atuação conjunta entre governo, mercado segurador e operadores portuários.

Transparência e modernização do ambiente portuário
A iniciativa reforça o compromisso com um ambiente portuário mais moderno, seguro e alinhado a boas práticas internacionais. Com mais transparência e subsídios técnicos, o diagnóstico deverá embasar futuras evoluções regulatórias e apoiar o desenvolvimento sustentável da navegação e dos terminais autorizados.

FONTE: Ministério de Portos e Aeroportos
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Ministério de Portos e Aeroportos

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Portos

Secretário Nacional de Portos debate transformações no mundo do trabalho em congresso da magistratura

O secretário Nacional de Portos, Alex Ávila, participou entre 27 e 29 de novembro do IV Congresso Nacional e II Internacional da Magistratura do Trabalho, realizado em Foz do Iguaçu (PR). O evento, promovido pela Associação Brasileira dos Magistrados do Trabalho (ABMT) em parceria com a Academia Brasileira de Formação e Pesquisa (ABFP), reuniu especialistas para discutir transformações no mundo do trabalho e os desafios jurídicos e institucionais do setor.

Debate sobre o marco regulatório portuário
Além de integrar as discussões gerais, Ávila presidiu o painel “Trabalho Portuário: desafios e perspectivas”, que debateu aspectos trabalhistas relacionados à revisão do marco regulatório do setor portuário, atualmente analisado na Câmara dos Deputados por meio do PL 733. O encontro contou com a participação de Jacqueline Wendpap (Ceportos), Arthur Gersioni (Eldorado), José Adilson (FNE) e Sérgio Aquino (Fenop), que trouxeram contribuições sobre as mudanças esperadas para o setor.

Para o secretário, o Congresso funcionou como um espaço privilegiado de diálogo e construção coletiva. Ele destacou que o ambiente favoreceu a troca de experiências e permitiu apresentar a visão da Secretaria Nacional de Portos sobre temas estratégicos para o setor.

Reconhecimento ao trabalho institucional
Ávila ressaltou que o Ministério e a Secretaria receberam amplo reconhecimento pelos avanços na condução do debate trabalhista do novo marco regulatório. Segundo ele, o diálogo entre empresários e trabalhadores, que resultou em acordo sobre o capítulo trabalhista do PL, reforça o papel da pasta como agente de harmonização e pacificação dentro do setor portuário.

Temas estratégicos para portos e logística
O Congresso também promoveu discussões alinhadas à agenda de logística e infraestrutura do país, incluindo temas como sustentabilidade e transição energética, impactos das tecnologias emergentes nas relações trabalhistas, modernização da regulação para portos públicos, a atuação das autoridades portuárias e o avanço do ESG no setor portuário. Esses assuntos são considerados centrais para melhorar a competitividade, a eficiência e o desenvolvimento econômico regional.

FONTE: Ministério de Portos e Aeroportos
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Ministério de Portos e Aeroportos

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Investimento

China intensifica investimentos no Brasil e expande portos, energia, transporte e agronegócio

A China amplia sua atuação no Brasil com uma onda de investimentos bilionários em portos, ferrovias, energia e exportações agrícolas. Estatais e grandes conglomerados chineses assumem operações relevantes, compram participações estratégicas e fortalecem sua presença em ativos essenciais para o escoamento de grãos, petróleo e para o transporte de passageiros.

Esse avanço permite que grupos chineses controlem partes importantes da cadeia de exportação agrícola, ao mesmo tempo em que participam de projetos de mobilidade urbana e de geração e transmissão de energia. O movimento ajuda a redesenhar a infraestrutura brasileira e consolida o país asiático como um dos principais parceiros econômicos do Brasil.

COFCO amplia domínio na exportação agrícola
Na exportação de commodities, o avanço mais evidente vem da COFCO, gigante estatal chinesa que atua como uma das maiores tradings de grãos do país. A empresa compra soja, milho e açúcar, opera terminais portuários e possui estruturas logísticas que conectam o campo ao embarque internacional.

Em Santos, a companhia já operava dois terminais e utilizava instalações de terceiros. Em março, iniciou a operação parcial do novo terminal TEC (STS11), que será concluído no próximo ano. Com ele, a capacidade da empresa no porto passa de 4 milhões para 14 milhões de toneladas anuais, tornando o local seu maior terminal fora da China.
A mudança reduz custos logísticos e reforça o peso dos investimentos chineses no agronegócio brasileiro.

CM Ports avança em portos estratégicos
No setor de contêineres, a presença chinesa também se destaca. Cerca de 11% dos contêineres movimentados no Brasil passam pelo TCP, em Paranaguá (PR), terminal controlado desde 2018 pela estatal CM Ports, uma das maiores operadoras globais do segmento.

Em novembro, a empresa fechou um acordo com o governo brasileiro para expandir ainda mais o terminal. O pacote de investimentos deve elevar a capacidade operacional e fortalecer a influência chinesa na logística de comércio exterior.

A ofensiva vai além dos contêineres. No Porto do Açu (RJ), responsável por aproximadamente 30% das exportações de petróleo do país, a CM Ports assinou em fevereiro de 2025 um acordo para adquirir 70% do terminal de petróleo – negócio ainda sujeito à aprovação regulatória. Se concluído, ampliará o domínio chinês na logística do setor petrolífero brasileiro.

CRRC se firma no transporte de passageiros
Os investimentos chineses também chegam ao transporte sobre trilhos. A concessão do trem intercidades entre São Paulo e Campinas, leiloada em 2024, foi vencida por um consórcio formado pela brasileira Grupo Comporte (60%) e pela estatal chinesa CRRC (40%). O projeto prevê cerca de R$ 14 bilhões em investimentos.

A CRRC será responsável pela implantação do sistema e pela fabricação dos trens. Além disso, venceu em 2025 a licitação para fornecer 44 novos trens ao Metrô de São Paulo, em um contrato de R$ 3,1 bilhões, com montagem prevista em Araraquara.

Essas iniciativas mostram como o Brasil incorpora a expertise da China em grandes projetos ferroviários e metroviários.

Energia e petróleo reforçam a rede integrada chinesa
No setor de energia, as estatais chinesas ocupam posições centrais. A State Grid controla a CPFL, que atua na distribuição elétrica, enquanto a CTG (China Three Gorges) participa da geração de energia no país. Ambas utilizam tecnologias e componentes produzidos pela própria indústria chinesa, criando um ciclo integrado de produção e operação.

No petróleo, petroleiras como CNPC e Sinopec operam em campos brasileiros, contribuindo para o fluxo que chega ao Porto do Açu – justamente o terminal que a CM Ports busca controlar.

Essa interligação de empresas evidencia um sistema integrado de investimentos, do qual a China se beneficia ao operar múltiplas etapas da cadeia energética e logística.

Um novo cenário para a infraestrutura brasileira
Especialistas apontam que a China consolidou sua economia com investimentos robustos em portos, ferrovias e metrôs, desenvolvendo empresas com grande capacidade técnica e acesso a financiamento. A expansão para países com déficit de infraestrutura, como o Brasil, segue essa estratégia.

O resultado é um conjunto diversificado de investimentos que vão de portos de grãos e contêineres a terminais de petróleo, linhas de trem e redes elétricas. Em muitos casos, diferentes empresas chinesas alimentam umas às outras, ampliando a atuação do próprio Estado chinês em território brasileiro.

O impacto desse movimento envolve ganhos de infraestrutura, mas também desafios regulatórios e questões sobre dependência externa – elementos que influenciarão o futuro do desenvolvimento nacional.

FONTE: Click Petróleo e Gás
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Click Petróleo e Gás

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Logística

Investimento bilionário impulsiona novo complexo logístico em Santa Catarina

O setor portuário de Santa Catarina mantém ritmo acelerado e reforça o papel do estado como um dos principais hubs logísticos do Brasil. No primeiro semestre deste ano, os portos catarinenses movimentaram mais de 32,2 milhões de toneladas de cargas — alta de 5,23% em comparação ao mesmo período de 2024. O desempenho supera amplamente o crescimento nacional, que ficou em apenas 1,02%, e coloca Santa Catarina na dianteira entre os estados do Sul, conforme dados da Secretaria de Portos, Aeroportos e Ferrovias, com base na Antaq.

No segmento de contêineres, o avanço foi ainda mais expressivo: 12,4%, somando 1,34 milhão de TEUs, equivalente a 19,2% da movimentação nacional. A Portonave, em Navegantes, responde por parcela significativa desse resultado, ao atingir 4,8 milhões de toneladas no semestre e seguir como o terceiro maior terminal de contêineres do país, atrás apenas de Santos e Paranaguá. A empresa confirmou um plano de R$ 1 bilhão em investimentos até 2026, com foco na expansão da capacidade operacional e na adaptação para receber navios de até 400 metros, reforçando o litoral catarinense como um dos corredores logísticos mais estratégicos da América do Sul.

Novo complexo logístico marca fase de transformação em Navegantes

O crescimento dos portos impulsiona diretamente o mercado de galpões industriais e parques logísticos, que vive um dos períodos mais aquecidos da história em Santa Catarina. A taxa de vacância está próxima de 3%, enquanto o valor do metro quadrado acumulou valorização superior a 300% na última década, segundo consultorias especializadas.

Entre os projetos que simbolizam essa nova etapa está o Ciway 470, um complexo logístico de padrão internacional em construção em Navegantes. Desenvolvido pela Ciway, do Grupo Saes, o empreendimento Triple A reúne certificação ambiental LEED e tecnologia IoT para gestão operacional. Com mais de 200 mil m² de área construída em um terreno de 250 mil m², o Ciway 470 é hoje a maior estrutura logística do Sul do Brasil. São 94 módulos flexíveis, variando de 1,8 mil a 6 mil m², destinados a operações de comércio exterior, e-commerce e transporte de cargas. O complexo está posicionado entre os portos de Navegantes e Itajaí, com acesso direto às BRs 101 e 470.

Estrutura sustentável e ambiente corporativo completo

O projeto prioriza práticas de logística verde, como reaproveitamento de água da chuva, iluminação em LED, ventilação natural e sistemas inteligentes de eficiência energética. A infraestrutura corporativa inclui centro administrativo, área gastronômica, lounge de convivência, quadra poliesportiva, ambulatório e um HUB corporativo de 5 mil m², com restaurantes, salas comerciais, heliponto e auditório.

Para Lucas Saes, diretor administrativo do Grupo Saes, o momento exige uma nova postura do setor:
“O avanço do setor portuário catarinense tem reorganizado toda a cadeia logística. Os novos complexos precisam oferecer infraestrutura integrada, reduzir custos e atender padrões ambientais internacionais.”

Ambiente tributário competitivo atrai novos investimentos

Além da localização estratégica e da infraestrutura avançada, Santa Catarina se destaca pelo ambiente tributário favorável. O estado opera com alíquotas reduzidas de ICMS, enquanto municípios como Navegantes praticam ISS de 2%, uma das menores taxas do país. Esses fatores têm atraído indústrias, operadores logísticos e centros de distribuição para o litoral norte.

“Quando falamos de infraestrutura logística, eficiência também está ligada à qualidade de vida das pessoas que fazem tudo acontecer”, completa Saes.

FONTE: ND+
TEXTO: Redação
IMAGEM: Grupo Saes/Divulgação/ND Mais

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Portos

Movimentação nos portos do Paraná cresce e soma 61,2 milhões de toneladas até outubro

Os portos paranaenses registraram 61.213.363 toneladas movimentadas entre janeiro e outubro, impulsionados principalmente pela soja (13.015.446 t), pelo farelo de soja (5.517.043 t) e pelo açúcar a granel (4.660.606 t).

O diretor-presidente da Portos do Paraná, Luiz Fernando Garcia, afirma que o desempenho indica novo recorde. Segundo ele, o volume já representa 91,75% do total de 2024. A expectativa é fechar 2025 com mais de 70 milhões de toneladas movimentadas.

Milho puxa o avanço de outubro

O grande destaque do mês foi o milho, que atingiu 3.547.433 toneladas exportadas — salto de 275% em comparação a outubro de 2024 (945.174 t). Para o diretor de Operações Portuárias, Gabriel Vieira, o resultado reflete a forte produção estadual e a eficiência dos corredores de exportação, que operam sem filas ao longo do ano.

No total, foram movimentadas 5.867.284 toneladas em outubro, equivalentes a US$ 4,2 bilhões em valor FOB. A maior parte correspondeu às exportações, que somaram 3.552.621 toneladas. A soja em grão também teve alta relevante, alcançando 815.327 toneladas no mês.

Contêineres mantêm ritmo de expansão

A operação de contêineres registrou crescimento de 24% nos embarques, com mais de 890 mil toneladas enviadas por Paranaguá. No acumulado do ano, o volume ultrapassou 7,9 milhões de toneladas, variação positiva de 4%. As carnes de aves congeladas concentraram 25,8% das exportações nesse modal, totalizando 2.270.587 toneladas — posição que mantém Paranaguá como o maior corredor global de carne de frango.

O Porto segue líder nacional na exportação de óleo de soja, responsável por 63% dos embarques do produto no país até outubro, superando 860 mil toneladas destinadas ao mercado internacional. Nos granéis líquidos, foram 8.025.092 toneladas movimentadas no ano, crescimento superior a 3% sobre 2024.

Fertilizantes seguem como principais importações

Nos desembarques, os fertilizantes continuam liderando, com 916.109 toneladas recebidas em outubro — volume 18% inferior ao do mesmo mês de 2024. Ainda assim, no acumulado, o Paraná mantém a liderança nacional, com alta de 6% no ano.

O estado responde por pouco mais de 25% de toda a importação brasileira de fertilizantes. A meta, segundo Vieira, é se aproximar das 12 milhões de toneladas em 2025, comprovando a robustez da infraestrutura portuária.

Atracações e fluxo terrestre superam números de 2024

O número de atracações já ultrapassa todo o resultado do ano passado: foram 2.341 navios contra 2.298 em 2024. No pátio de triagem, o fluxo de caminhões cresceu 22%, com 444.177 veículos carregados com granéis sólidos, como soja e farelo.

O transporte ferroviário também avançou: a circulação de vagões aumentou 17% nos últimos 30 dias analisados, e o volume de cargas transportadas cresceu 33% em comparação com outubro de 2024. No acumulado do ano, há leve redução de 1% no número de vagões e queda de 0,4% nas cargas recebidas por ferrovia.

FONTE: Portos do Paraná
TEXTO: Redação
IMAGEM: Claudio Neves/Portos do Paraná

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Sustentabilidade

Governo lança programa de descarbonização para preparar portos e navegação à taxação global de emissões

O Governo Federal instituiu um conjunto de medidas inéditas para descarbonização dos portos e da navegação, antecipando-se à futura taxação global de emissões prevista para entrar em vigor nos próximos anos. As ações integram os Programas Nacionais de Descarbonização de Portos e da Navegação, anunciados pelo Ministério de Portos e Aeroportos (MPor) durante a COP30, em Belém.

A iniciativa alinha o país às discussões em andamento na Organização Marítima Internacional (IMO), que estuda a aplicação de taxas variando entre US$ 100 e US$ 380 por tonelada de CO₂ emitida. A previsão é que o mecanismo seja implementado em 2027, em sintonia com o compromisso global de emissões próximas ao zero até 2050.

Portos mais modernos e energia limpa nas operações

De acordo com o ministro Silvio Costa Filho, as novas diretrizes impulsionam a transição energética e modernizam toda a cadeia logística. O programa estimula desde a eletrificação de estruturas portuárias até o uso de combustíveis sustentáveis nas embarcações.

Um dos eixos centrais é a eletrificação dos portos, permitindo que navios atracados utilizem energia limpa e reduzam o consumo de combustíveis fósseis. A estratégia é considerada essencial para cortar emissões diretas. Durante a COP30, por exemplo, o uso de Gás Natural Liquefeito (GNL) no abastecimento das embarcações-hotel reduziu entre 20% e 30% das emissões quando comparado ao diesel, apesar de ainda ser um combustível fóssil.

Incentivo à sustentabilidade e boas práticas ESG

Em 2025, o MPor também lançou o Pacto pela Sustentabilidade, criado para reconhecer empresas que adotam boas práticas socioambientais e de governança. As participantes poderão receber selos ambientais, reforçando o compromisso voluntário com a agenda ESG e com a descarbonização do setor portuário e da navegação.

Navegação fluvial e cabotagem ganham protagonismo

Além das ações em infraestrutura, o governo intensifica a promoção da navegação fluvial, modal que emite cerca de cinco vezes menos que o transporte rodoviário. A Secretaria Nacional de Hidrovias e Navegação (SNHN) conduz as primeiras concessões de hidrovias do país, aumentando a previsibilidade e a segurança jurídica para o transporte de cargas.

A SNHN também atualizou a política de estímulo à navegação de cabotagem — a BR do Mar. A partir de agora, empresas que ampliarem sua frota com novos navios deverão priorizar embarcações com menor nível de emissão, fortalecendo o papel da cabotagem na transição para uma matriz de transportes mais equilibrada e sustentável.

Redução de prazos e mais eficiência

Outro destaque é o Programa Porto Sem Papel, que reduziu de 20 para 4 dias o tempo médio de permanência dos navios nos portos ao eliminar etapas duplicadas e integrar informações de diferentes órgãos. A redução do tempo de operação diminui o consumo de combustível e contribui diretamente para as metas de descarbonização.

FONTE: Ministério de Portos e Aeroportos
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Ministério de Portos e Aeroportos

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Portos

China ganha espaço em licitações portuárias no Canal do Panamá apesar de pressão dos EUA

Companhias da China poderão participar do processo de licitação para a construção de dois novos portos no Canal do Panamá, afirmou o administrador da via interoceânica, Ricaurte Vásquez. A decisão ocorre mesmo diante das recentes pressões dos Estados Unidos, que ameaçam retomar influência sobre a rota estratégica.

A declaração contrasta com as afirmações do presidente norte-americano, Donald Trump, que insiste que o canal estaria sob controle de Pequim devido à operação das instalações de Balboa (Pacífico) e Cristóbal (Atlântico) pela empresa hong-konguesa Hutchison Holdings.

Disputa geopolítica aumenta atenção sobre novas licitações

Em meio ao cenário de tensão, a Hutchison concordou em vender ambas as terminales a um grupo liderado pela norte-americana BlackRock — movimento que gerou desconfiança em Pequim. Agora, empresas chinesas demonstram interesse direto nas novas obras portuárias, classificadas como estratégicas para o futuro da logística regional.

“Temos que estar abertos à participação de todas as partes interessadas”, declarou Vásquez a jornalistas. Questionado sobre a possibilidade de um agravamento das tensões caso as obras sejam concedidas a companhias chinesas, respondeu: “Primeiro precisamos ver como chegamos ao rio; depois decidimos como atravessá-lo”, numa metáfora sobre o andamento do processo.

Reuniões com consórcios começam na próxima semana

As reuniões com grupos interessados começam na próxima segunda-feira e integram o processo de concessão dos futuros portos de Corozal, no Pacífico, e Telfers, no Atlântico. Entre os participantes estão as hong-konguesas Cosco Shipping Ports e OOCL, além de empresas de outros países.

O Canal do Panamá planeja investir US$ 8,5 bilhões na próxima década para ampliar sua infraestrutura. Além dos novos portos, o plano inclui a construção de um gasoduto e de um novo reservatório. A expectativa é adjudicar os projetos em 2026 e iniciar operações em 2029.

Interesse global reforça importância estratégica do canal

Também manifestaram interesse empresas como PSA International (Singapura), Evergreen (Taiwan), Hapag-Lloyd (Alemanha), Maersk (Dinamarca) e CMA Terminals–CMA (França). Os principais portos panamenhos, todos próximos ao canal, são hoje administrados por concessionárias dos Estados Unidos, Taiwan, Hong Kong e Singapura.

Com 80 quilômetros de extensão, o Canal do Panamá responde por 5% do comércio marítimo mundial e tem como principais usuários justamente EUA e China. Washington transferiu oficialmente o controle da rota ao Panamá em 1977, concluindo o processo em 31 de dezembro de 1999, após quase um século de administração.

FONTE: Portal Portuario
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Portal Portuario

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Portos

Porto Itapoá recebe certificação ABR-Log e avança na rastreabilidade do algodão brasileiro

O Porto Itapoá conquistou a certificação ABR-Log, concedida pela Abrapa (Associação Brasileira dos Produtores de Algodão). Com o reconhecimento, o terminal passa a integrar oficialmente a cadeia nacional de rastreabilidade do algodão, tornando-se um dos primeiros portos do País a aderir ao protocolo de boas práticas.

A certificação confirma que o porto cumpre rígidos requisitos de infraestrutura, segurança, responsabilidade socioambiental e excelência na movimentação e unitização de fardos.

Segundo Felipe Fioravanti Kaufmann, diretor Comercial e de Experiência do Cliente do Porto Itapoá, o selo reforça um compromisso estratégico. “O ABR-Log é uma das principais referências do setor. Integrar essa cadeia fortalece nosso compromisso com a sustentabilidade, a segurança operacional e o bem-estar dos nossos colaboradores”, afirma.

ABR-Log amplia rastreabilidade ao setor logístico

Criado pela Abrapa, o ABR-Log (Algodão Brasileiro Responsável – Logística) amplia ao segmento logístico os mesmos princípios da certificação ABR, já consolidada entre produtores rurais. O objetivo é garantir que toda a jornada do algodão — da colheita à exportação — siga padrões de ética, transparência e responsabilidade ambiental.

O sistema funciona de forma integrada: cada fardo recebe um QR Code, permitindo identificar origem, data de colheita, fazenda e unidade de beneficiamento. Com a participação dos portos, a rastreabilidade passa a incluir também as etapas de transporte e embarque internacional.

Itapoá cresce e se firma entre os principais portos exportadores

Embora o Porto de Santos continue liderando as exportações brasileiras de algodão, o Porto Itapoá alcançou o segundo lugar no ranking nacional no último ano. Até setembro, o terminal já havia movimentado cerca de 3.000 TEUs, volume seis vezes maior que o registrado no mesmo período de 2024.

Os principais destinos são países do Extremo Oriente, como China, Indonésia e Vietnã, além do Oriente Médio e do subcontinente indiano, com destaque para Paquistão, Turquia e Bangladesh.

Eficiência logística aliada à responsabilidade socioambiental

Com a nova certificação, o terminal consolida sua imagem como um dos portos mais modernos e sustentáveis do Brasil. Kaufmann destaca que o reconhecimento fortalece a criação de rotas definitivas para cargas como o algodão.

“Essa conquista posiciona o Porto Itapoá como um ambiente seguro, socialmente responsável e comprometido com a qualidade em toda a cadeia logística”, afirma o executivo.

O selo reforça a integração do porto com o agronegócio, amplia sua atuação em mercados internacionais e fortalece práticas alinhadas aos padrões mais avançados de responsabilidade socioambiental.

FONTE: Porto Itapoá
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Datamar News

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