Internacional

Irã ataca aeroporto de Dubai e ameaça bancos no Oriente Médio

O Irã intensificou nesta quarta-feira (11) sua ofensiva no Golfo Pérsico, atacando navios comerciais e atingindo o Aeroporto Internacional de Dubai, um dos mais movimentados do mundo em voos internacionais e sede da companhia aérea Emirates. Dois drones iranianos acertaram áreas próximas ao terminal, deixando quatro pessoas feridas, mas sem interromper as operações de voo, conforme o Escritório de Mídia de Dubai.

Ameaça a instituições financeiras

O comando militar conjunto do Irã anunciou a intenção de atacar bancos e instituições financeiras na região, colocando em risco especialmente Dubai, que concentra diversas instituições financeiras internacionais, além de Arábia Saudita e Bahrein.

Incidentes com navios comerciais e drones

Mais cedo, um projétil atingiu um navio porta-contêineres na costa de Omã, no Estreito de Ormuz, provocando um incêndio e forçando a maioria da tripulação a abandonar a embarcação, informou o Exército britânico. O Kuwait derrubou oito drones iranianos, enquanto a Arábia Saudita interceptou cinco drones que avançavam para o campo petrolífero de Shaybah.

Com essas ações, o Irã afetou o tráfego de carga pelo estreito, por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial. O país também mira campos petrolíferos e refinarias em nações árabes do Golfo, buscando gerar impactos econômicos globais e pressionar Estados Unidos e Israel a suspender ataques a Teerã.

Reações internacionais

O Conselho de Segurança da ONU deve votar ainda nesta quarta uma resolução proposta pelo Conselho de Cooperação do Golfo, exigindo que o Irã cesse ataques contra países vizinhos.

Israel, por sua vez, renovou ataques a Teerã após múltiplos bombardeios na terça-feira (10), considerados pelos moradores como alguns dos mais intensos do conflito até agora. Explosões também foram registradas em Beirute e no sul do Líbano, em ataques a alvos ligados ao grupo militante Hezbollah, apoiado pelo Irã.

FONTE: Infomoney
TEXTO: Redação
IMAGEM: REUTERS/Stringer

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Transporte

MSC interrompe transporte marítimo para o Oriente Médio e afeta exportações brasileiras de carne

A MSC (Mediterranean Shipping Company), considerada a maior empresa de transporte marítimo de contêineres do mundo, comunicou clientes brasileiros que cargas destinadas ao Oriente Médio terão a viagem interrompida. A medida foi tomada em meio ao agravamento do conflito no Oriente Médio, que tem elevado o risco de navegação em rotas estratégicas do comércio internacional.

Empresas exportadoras de carne do Brasil receberam a notificação, incluindo companhias ligadas à Abiec (Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes). No aviso, a companhia informa que declarou “End of Voyage”, ou seja, fim de viagem, para contêineres com destino a portos do Golfo Árabe.

Cargas serão descarregadas em portos alternativos

Segundo o comunicado enviado pela empresa de logística marítima, os contêineres que já estão em trânsito serão retirados dos navios e descarregados no porto seguro mais próximo da rota atual. Após o desembarque, as mercadorias ficarão disponíveis para retirada pelos proprietários da carga.

Além da interrupção da rota, a MSC informou que aplicará uma sobretaxa de US$ 800 por contêiner — cerca de R$ 4,2 mil na cotação atual. Os exportadores também deverão arcar com custos adicionais relacionados à descarga, manuseio e armazenagem das mercadorias.

No comunicado, a empresa justificou a decisão com base no cenário geopolítico da região.

“Diante do atual cenário no Oriente Médio e dos recentes acontecimentos que tornaram o ambiente ainda mais sensível, a MSC lamenta informar que se vê obrigada a declarar fim de viagem”, informou a companhia aos clientes.

Setor de carnes relata surpresa com a decisão

A decisão pegou exportadores brasileiros de surpresa. Um empresário do setor de carne bovina, que preferiu não se identificar, afirmou que nunca havia recebido um aviso semelhante de uma empresa de navegação.

De acordo com ele, dois contêineres da companhia serão deixados em um porto ainda não informado. Caso a empresa queira retirar a carga, terá de assumir os custos logísticos adicionais.

O caso foi encaminhado ao departamento jurídico da empresa exportadora. Mesmo assim, a avaliação interna é de que há poucas alternativas diante das cláusulas contratuais comuns no transporte marítimo internacional.

Conflito no Oriente Médio começa a afetar logística global

A interrupção das rotas ocorre em meio à escalada das tensões envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, situação que aumenta o risco para navios em corredores estratégicos do comércio global e já pressiona o frete marítimo internacional.

O presidente da Abiec, Roberto Perosa, afirma que o setor já percebe sinais de impacto na logística das exportações brasileiras.

Segundo ele, há relatos de navios interrompendo rotas, cargas sendo redirecionadas para outros portos e dificuldades operacionais em regiões estratégicas como o Canal de Suez, um dos principais corredores do comércio mundial.

Perosa ressalta que os efeitos ainda não são generalizados, mas geram preocupação no setor.

“O Oriente Médio funciona como um grande hub logístico para a carne bovina brasileira. Por isso, qualquer instabilidade na região pode afetar significativamente nossas exportações”, afirmou.

Exportações podem ter bilhões em risco

De acordo com dados da Abiec, as exportações brasileiras de carne bovina para o Oriente Médio movimentaram cerca de US$ 2 bilhões em 2025 — aproximadamente R$ 10,6 bilhões.

No entanto, considerando cargas que apenas transitam pela região antes de seguir para outros destinos, o volume potencialmente impactado pode chegar perto de US$ 6 bilhões, o equivalente a cerca de R$ 31,7 bilhões.

A reportagem procurou a MSC para comentar a situação, mas a empresa não respondeu até a publicação.

FONTE: SBT News
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/MSC

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Internacional

MSC declara fim de viagem para cargas destinadas ao Golfo Árabe devido à situação no Oriente Médio

A MSC anunciou que, diante da instabilidade atual no Oriente Médio, será necessário declarar Fim de Viagem para todas as cargas sob sua responsabilidade, tanto em portos quanto em alto-mar, com destino a portos no Golfo Árabe.

Medida também afeta contêineres vazios

A determinação inclui todos os contêineres vazios que já foram liberados para carregamento e tinham como destino a região.

Redirecionamento e custos adicionais

As cargas em trânsito serão desviadas para o próximo porto seguro disponível. Nesse local, a mercadoria será descarregada e ficará à disposição dos clientes para retirada ou entrega local.

Um sobretaxa obrigatória de US$ 800 por contêiner será aplicada a todas as remessas afetadas, para cobrir custos do desvio. Além disso, todas as despesas relacionadas ao descarregamento — incluindo manuseio, armazenamento e taxas adicionais — serão de responsabilidade exclusiva do cliente, conforme os termos do MSC Sea Waybill / Bill of Lading, especialmente a Cláusula 13 sobre circunstâncias especiais.

Alternativas de transporte

Caso o cliente deseje enviar a carga para outro destino, será necessário reservar uma nova viagem através dos canais oficiais da MSC.

Contato e orientações

A empresa solicita que os clientes entrem em contato com o escritório local da MSC para obter detalhes sobre o porto de destino designado e confirmar as instruções de retirada local da carga.

A MSC reforça que a decisão foi tomada em função de circunstâncias excepcionais fora de seu controle e agradece a compreensão e cooperação de seus clientes neste período.

Para mais informações ou suporte, os clientes podem contatar qualquer representante da MSC na sua rede global de mais de 675 escritórios.

FONTE: MSC
TEXTO: Redação
IMAGEM: O Globo

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Exportação

Exportadores brasileiros de frango buscam alternativas para África e Ásia devido à guerra no Irã

O conflito no Irã e o fechamento do Estreito de Ormuz têm levado exportadores brasileiros de carne de frango a buscar rotas alternativas, desviando cargas inicialmente destinadas ao Oriente Médio para países da África e Ásia, afirmou Ricardo Santin, presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), em entrevista à Globo News.

Bloqueio de rotas e portos de transbordo

Com o estreito inacessível, navios que já haviam partido aguardam em portos de transbordo ou de segurança até que a situação se normalize. Segundo Santin, algumas empresas estão redirecionando embarques para o Mar Mediterrâneo ou para o Mar Vermelho, mesmo com o Canal de Suez parcialmente fechado.

Rotas alternativas para o Oriente Médio

Para alcançar países como a Arábia Saudita, o setor considera contornar a África pelo Cabo da Boa Esperança e seguir até portos de Omã, ou atravessar o Estreito de Bab al-Mandab, entre o Iêmen e a costa africana. O desvio aumentaria o tempo de trânsito em 10 a 15 dias, mas sem comprometer a qualidade das cargas, de acordo com o executivo.

“Algumas companhias que antes não faziam esse trajeto agora afirmam que é possível e seguro”, disse Santin. Ele destacou que múltiplas opções estão sendo avaliadas para manter o fornecimento de carne brasileira ao Oriente Médio, apesar do conflito.

Dependência do Oriente Médio da carne brasileira

Atualmente, cerca de 350 contêineres de carne de frango saem do Brasil diariamente para o Oriente Médio, região que representa 30% das exportações totais da proteína. A dependência é alta: 57% da carne importada pela Arábia Saudita vem do Brasil, enquanto nos Emirados Árabes Unidos esse percentual chega a 74% e na Jordânia a aproximadamente 90%.

Santin ressaltou que outros grandes exportadores, como Estados Unidos e Europa, também estão impactados pelo conflito, aumentando a importância do Brasil como fornecedor confiável.

Acompanhamento do governo brasileiro

O presidente da ABPA relatou que manteve conversas com o ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, e com secretários da pasta, incluindo Luis Rua e Carlos Goulart, para garantir a validade documental das cargas redirecionadas. Segundo ele, o governo se comprometeu a apoiar os exportadores nessa logística emergencial.

Impactos no setor

Para os produtores brasileiros, o conflito não deve afetar imediatamente a produção. No entanto, caso a situação se prolongue por dois a três meses, podem surgir desafios logísticos e de planejamento para garantir o abastecimento do mercado internacional.

FONTE: Globo Rural
TEXTO: Redação
IMAGEM: Canva/Creative Commons

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Internacional

China pede fim imediato das operações militares no Irã e reforça defesa da paz no Oriente Médio

A China solicitou nesta quarta-feira a interrupção imediata das operações militares no Irã, reforçando a necessidade de conter a escalada de tensões na região e retomar o diálogo diplomático para preservar a paz e a estabilidade no Oriente Médio.

Posicionamento oficial de Pequim

Lou Qinjian, porta-voz da quarta sessão da 14ª Assembleia Popular Nacional, afirmou em coletiva de imprensa que a China seguirá atuando como um país responsável, acompanhando de perto os desdobramentos no Irã e defendendo a retomada de negociações pacíficas.

Segundo Lou, a soberania, segurança e integridade territorial do Irã devem ser respeitadas, e qualquer ação militar unilateral compromete a estabilidade regional.

Princípios internacionais destacados

O porta-voz chinês reforçou que o respeito mútuo e a igualdade entre países, grandes ou pequenos, são fundamentais para o progresso histórico e estão previstos na Carta da ONU.

“Nenhum país tem o direito de dominar assuntos internacionais, determinar o destino de outras nações ou monopolizar vantagens de desenvolvimento”, disse Lou. “Muito menos impor suas vontades ao mundo.”

Diplomacia como caminho para estabilidade

A declaração reflete a postura contínua da China de buscar soluções diplomáticas e enfatiza seu papel na promoção de um Oriente Médio mais estável, evitando confrontos militares e incentivando negociações multilaterais.

FONTE: Xinhua
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/BBC

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Aeroportos

Fechamento de aeroportos no Oriente Médio provoca cancelamento de mais de 3,4 mil voos

O fechamento de aeroportos no Oriente Médio após a escalada militar envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã desencadeou uma das maiores crises recentes na aviação internacional. Mais de 3,4 mil voos foram cancelados nos últimos dias, afetando conexões entre Europa, Ásia e África.

As informações foram divulgadas pela CNN, que aponta o bloqueio de terminais estratégicos e a restrição de amplas áreas do espaço aéreo da região.

Aeroportos estratégicos suspendem operações

Entre os principais terminais afetados estão:

  • Aeroporto Internacional de Dubai
  • Aeroporto Internacional de Abu Dhabi
  • Aeroporto Internacional de Hamad

Considerados hubs fundamentais do tráfego aéreo internacional, esses aeroportos concentram voos de conexão entre continentes. Ao menos seis grandes terminais da região foram totalmente fechados, enquanto outros operam sob restrições severas.

No domingo (1º), novos ataques ampliaram a instabilidade. O aeroporto de Dubai — apontado como o mais movimentado do mundo em passageiros internacionais — e o principal terminal do Kuwait foram atingidos em meio à troca de ofensivas.

Espaço aéreo bloqueado em vários países

Além do fechamento físico dos aeroportos, diversos países anunciaram a suspensão total ou parcial de seus espaços aéreos, interrompendo rotas comerciais em um dos corredores mais estratégicos do planeta.

Irã, Iraque, Israel, Síria, Kuwait, Catar e Emirados Árabes Unidos adotaram medidas emergenciais, impactando diretamente o fluxo global de aeronaves.

A decisão gerou um efeito dominó na malha aérea internacional, obrigando companhias a cancelar voos ou redesenhar trajetos para evitar a zona de conflito.

Impacto imediato nas companhias aéreas

Com aeroportos fechados e o espaço aéreo restrito, empresas como Emirates, Etihad Airways, Air France, British Airways e Lufthansa confirmaram cancelamentos.

Os bloqueios elevaram custos operacionais, aumentaram o tempo de viagem e provocaram desorganização em cadeias logísticas internacionais.

Especialistas apontam que a interrupção já é considerada a mais significativa desde a pandemia de Covid-19, evidenciando a importância estratégica dos aeroportos do Oriente Médio para a aviação global.

FONTE: Brasil 247
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reuters/Mohammad Ponir Hossain

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Internacional

China e Rússia condenam ataques ao Irã e morte de Ali Khamenei

A ofensiva militar conduzida por Estados Unidos e Israel contra o Irã provocou reação imediata de China e Rússia. Neste domingo (1º), os dois países criticaram duramente a operação que resultou na morte do líder iraniano, Ali Khamenei, classificando a ação como violação do direito internacional e da soberania iraniana.

As manifestações reforçam o aumento da tensão diplomática em meio à escalada do conflito no Oriente Médio.

China fala em violação da soberania e pede cessar-fogo

Em comunicado oficial, o Ministério das Relações Exteriores da China afirmou que os ataques representam “grave violação da soberania e da segurança” do Irã. Segundo o governo chinês, a ofensiva também fere princípios estabelecidos pela Carta das Nações Unidas e pelas normas que regem as relações internacionais.

O chanceler chinês, Wang Yi, reiterou que a posição de Pequim se sustenta em três pilares:

  • Cessar-fogo imediato
  • Retomada das negociações diplomáticas entre Washington e Teerã
  • Rejeição a ações unilaterais por parte da comunidade internacional

De acordo com Wang Yi, os bombardeios ocorreram enquanto ainda havia tentativas de diálogo entre Estados Unidos e Irã, o que, na avaliação chinesa, amplia o risco de instabilidade regional e compromete os esforços diplomáticos em andamento.

Rússia chama ação de “assassinato cínico”

A reação também partiu de Moscou. O presidente da Rússia, Vladimir Putin, enviou mensagem ao presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, classificando a morte de Khamenei como um “assassinato cínico” que desrespeita princípios morais e jurídicos internacionais.

Em nota divulgada pelo Kremlin, Putin manifestou condolências pela morte do líder iraniano e de integrantes de sua família que também teriam sido vítimas dos ataques. O chefe do Kremlin afirmou ainda que Khamenei será lembrado na Rússia como um estadista que colaborou para o fortalecimento das relações bilaterais entre Moscou e Teerã.

Escalada amplia tensão no Oriente Médio

As críticas de China e Rússia evidenciam o impacto geopolítico da operação militar e reforçam a divisão entre potências globais diante da crise no Oriente Médio. O cenário aumenta a pressão por soluções diplomáticas e amplia o debate sobre os limites das intervenções militares sob a ótica do direito internacional.

FONTE: Veja
TEXTO: Redação
IMAGEM: Greg Baker/AFP

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Internacional

Ataque ao Irã expõe disputa geopolítica entre EUA, China e Israel, avaliam especialistas

A nova ofensiva de Estados Unidos e Israel contra o Irã reacendeu o debate internacional sobre as reais motivações do conflito. Para analistas de relações internacionais, a ação militar não se limita à alegada contenção do programa nuclear iraniano, mas integra uma estratégia mais ampla de reorganização do equilíbrio de poder no Oriente Médio e de enfrentamento indireto à China.

Especialistas ouvidos pela Agência Brasil apontam que o discurso de “ataque preventivo” não se sustenta diante dos avanços diplomáticos recentes. Na véspera da ofensiva, o chanceler de Omã, Badr bin Hamad Albusaidi, que media as negociações, afirmou que o Irã aceitara não manter estoques de urânio enriquecido — material essencial para a produção de armas nucleares.

A declaração indicava proximidade de um acordo inédito. Ainda assim, os bombardeios foram executados.

Troca de regime e hegemonia regional

Para a professora Rashmi Singh, da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, a movimentação militar sugere uma tentativa de enfraquecer o governo iraniano em um momento considerado estratégico. Segundo ela, Washington e Tel Aviv avaliam que Teerã atravessa fragilidades internas e regionais, o que abriria espaço para pressionar por mudanças políticas no país. A especialista também relaciona o contexto às eleições gerais previstas em Israel, destacando o impacto do conflito na política doméstica do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu.

Conflito pode atingir interesses chineses

O professor Robson Valdez, do Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa, observa que a explicação baseada apenas na “contenção nuclear” é insuficiente. Na avaliação dele, o embate afeta diretamente os interesses da China, principal compradora do petróleo iraniano, cujo escoamento depende do estratégico Estreito de Ormuz. Um eventual agravamento do conflito poderia comprometer cadeias energéticas e pressionar o comércio global.

Além disso, o Irã ocupa posição central nos projetos de infraestrutura e integração econômica liderados por Pequim na Eurásia. Enfraquecer Teerã, portanto, teria reflexos diretos sobre a presença chinesa na região.

Disputa por influência no Oriente Médio

O cientista político Ali Ramos argumenta que a iniciativa busca garantir a supremacia estratégica de Israel diante do arsenal iraniano, que inclui mísseis balísticos e drones.

Já o professor Mohammed Nadir, da Universidade Federal do ABC, considera que o objetivo central é impedir o surgimento de uma potência regional capaz de rivalizar com Israel. Para ele, o conflito também atende à lógica de assegurar a primazia israelense no Oriente Médio com respaldo norte-americano.

A lembrança da invasão do Iraque em 2003, justificada à época pela existência de armas de destruição em massa nunca comprovadas, reaparece como paralelo histórico nas análises.

Imperialismo e redesenho geopolítico

O professor Roberto Goulart Menezes, da Universidade de Brasília, sustenta que a tensão entre Washington e Teerã remonta à Revolução Islâmica de 1979 e que o programa nuclear iraniano tem sido utilizado, ao longo das décadas, como argumento político. Ele lembra que o Irã é signatário do Tratado de Não Proliferação Nuclear (TNP) e está sujeito a inspeções da Agência Internacional de Energia Atômica. Ainda assim, permanece sob sanções econômicas severas.

Para parte dos especialistas, o episódio deve ser interpretado dentro da rivalidade estratégica entre Estados Unidos e China, que extrapola tarifas comerciais e alcança rotas energéticas, infraestrutura e influência diplomática na Eurásia.

Contexto recente das negociações

As hostilidades atuais ocorrem após a saída unilateral dos Estados Unidos, ainda no primeiro mandato de Donald Trump, do acordo nuclear firmado em 2015 durante o governo de Barack Obama.

Desde então, Washington passou a exigir não apenas restrições ao programa nuclear iraniano, mas também o desmonte de mísseis de longo alcance e o fim do apoio a grupos como Hamas e Hezbollah.

Na mais recente rodada de negociações, mediada por Omã, a proposta iraniana de zerar o estoque de urânio enriquecido era considerada um avanço significativo. Mesmo assim, o ataque foi realizado.

O conflito marca mais um capítulo na longa disputa geopolítica que envolve segurança nuclear, petróleo, rotas comerciais e hegemonia regional no Oriente Médio.

Fonte: Agência Brasil

TEXTO: Conteúdo produzido com suporte de IA, sob curadoria editorial da equipe ReConecta News.

IMAGEM: Reprodução Infomoney / WANA (Agência de Notícias da Ásia Ocidental) via REUTERS

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Negócios

Mercado halal intensifica disputa entre JBS e MBRF no Oriente Médio

A concorrência histórica entre JBS e MBRF, controladas pelas famílias Batista e Molina, ganhou um novo e estratégico palco: o mercado halal do Oriente Médio. A região, impulsionada pelo crescimento acelerado da população muçulmana, tornou-se uma das principais fronteiras globais de expansão para a indústria de carnes, atraindo investimentos crescentes das gigantes brasileiras do setor.

Consumo muçulmano impulsiona demanda por carnes halal

Embora JBS e Sadia atuem no Oriente Médio há décadas, o peso econômico da região mudou de patamar. A população muçulmana cresce em ritmo duas vezes superior à média global, o que tende a ampliar de forma consistente a demanda por alimentos halal, produzidos de acordo com as regras do Islã, do abate ao processamento.

O mercado global de alimentos halal já movimenta mais de US$ 2 trilhões por ano, com a proteína animal como principal segmento. Estimativas da Nielsen indicam que o consumo de carnes halal deve superar US$ 1,5 trilhão até 2027. Atualmente, mais de 1,9 bilhão de pessoas seguem a dieta islâmica tradicional.

Investimentos bilionários sinalizam mudança de estratégia

Dois movimentos recentes evidenciam a relevância crescente do Oriente Médio nas estratégias das companhias brasileiras. A MBRF prepara a abertura de capital da Sadia Halal, sua operação regional, prevista para 2027. Já a JBS vem investindo cerca de R$ 500 milhões em fábricas próprias e na expansão da marca Seara na Arábia Saudita e países vizinhos, com plano de dobrar a produção de frango no país até o fim deste ano.

Relatório do Bank of America aponta que o mercado formado por Oriente Médio e Norte da África (Mena) já importa volumes mensais de carne de frango semelhantes aos de toda a Ásia, excluindo o próprio Oriente Médio, somando cerca de 127 mil toneladas por mês.

Frango lidera consumo e comércio halal

Segundo o banco, a dimensão e o ritmo de crescimento do mercado Mena explicam o interesse crescente dos grandes produtores globais de proteína. A disputa se concentra principalmente em frango e alimentos processados, que dominam o consumo cotidiano e o comércio internacional halal, embora a carne bovina também faça parte da dieta local.

Arábia Saudita é o principal mercado da região

Dentro desse cenário, a Arábia Saudita desponta como o mercado mais estratégico. Com consumo elevado per capita, demografia favorável e uma política clara de segurança alimentar, o país se tornou prioridade para JBS e MBRF.

Durante a inauguração de uma nova área produtiva da JBS, o vice-ministro da Agricultura saudita, Suleiman Al-Khatib, afirmou que o consumo anual de frango no país varia entre 45 e 50 quilos por habitante, um dos mais altos do mundo. Segundo ele, investimentos estrangeiros são fundamentais para garantir o abastecimento futuro.

Documentos oficiais do governo saudita reforçam essa diretriz. A estratégia industrial do país classifica o setor de alimentos como prioritário e prevê a atração de US$ 20 bilhões em investimentos até 2035. O mercado doméstico de alimentos já supera US$ 50 bilhões por ano.

Estratégias distintas para ganhar espaço

Apesar do objetivo comum de ampliar presença no mercado halal, as estratégias das duas empresas partem de pontos diferentes. A JBS adotou uma postura mais agressiva a partir de 2021, quando anunciou um plano de investimentos de US$ 85 milhões na região. O grupo adquiriu fábricas em Dubai e Dammam e, posteriormente, iniciou a construção de uma planta em Jeddah, seu primeiro projeto greenfield no Oriente Médio.

Antes focada no fornecimento para o food service, a companhia passou a mirar diretamente o consumidor final, intensificando a divulgação da marca Seara, ampliando o portfólio com produtos adaptados ao paladar local e investindo em marketing e patrocínios culturais.

A fábrica de Jeddah, inaugurada em 2025, já opera próxima da capacidade máxima e foi projetada para dobrar de tamanho, atendendo não apenas o mercado saudita, mas também países do Golfo, como Emirados Árabes, Omã e Kuwait. Em janeiro, a JBS anunciou oficialmente a duplicação da capacidade produtiva da unidade.

JBS ainda constrói presença regional

Apesar dos investimentos, o Oriente Médio ainda representa uma fatia reduzida do faturamento global da JBS. Entre janeiro e setembro de 2025, a empresa registrou US$ 361 milhões em receitas nas chamadas “regiões menores”, que incluem Oriente Médio e África, o equivalente a apenas 0,6% das vendas totais no período.

Os números indicam que a companhia ainda está estruturando sua presença em um mercado considerado estratégico para o futuro.

Sadia tem relação histórica com o consumidor árabe

No caso da MBRF, a presença no Oriente Médio é marcada por décadas de relacionamento. A Sadia chegou à região nos anos 1970 e construiu uma conexão tão forte que, por muito tempo, foi percebida por parte dos consumidores como uma marca local.

Essa trajetória explica por que a operação halal se tornou a principal aposta internacional do grupo. Em 2025, a empresa estruturou a Sadia Halal, reunindo fábricas e centros de distribuição na Arábia Saudita, Emirados Árabes, Kuwait, Omã e Qatar. A nova companhia tem valor estimado em US$ 2 bilhões e planeja abrir capital na bolsa de Riade em 2027.

Joint venture reforça alinhamento com Visão 2030

A Sadia Halal será uma joint venture entre a MBRF e a Halal Products Development Company (HPDC), ligada ao fundo soberano saudita PIF, que poderá elevar sua participação para até 40%. A presença do PIF transforma a operação em um ativo estratégico para o governo saudita, alinhado à Visão 2030, plano que busca diversificar a economia e reduzir a dependência do petróleo.

Diferentemente da JBS, o Oriente Médio já tem peso relevante para a MBRF. As operações que darão origem à Sadia Halal geraram US$ 2,1 bilhões em receita líquida nos últimos 12 meses, o equivalente a 7,3% da receita consolidada do grupo.

FONTE: Invest News
TEXTO: Redação
IMAGEM: Ilustração João Brito

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Exportação

Exportações de carne bovina do Brasil em outubro superam total de 2024, aponta Secex

As exportações brasileiras de carne bovina seguem em alta em outubro de 2025. Até a quarta semana do mês, os embarques somaram 276,5 mil toneladas, ultrapassando o total registrado em outubro de 2024, que foi de 270,2 mil toneladas, de acordo com dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) divulgados nesta terça-feira (28).

O desempenho evidencia a forte demanda internacional e a competitividade da carne bovina brasileira no mercado externo.

Crescimento da média diária de exportações

A média diária de exportação atingiu 15,4 mil toneladas, um aumento de 25% em relação ao mesmo período do ano anterior, quando a média era de 12,2 mil toneladas por dia. Esse avanço reforça o bom momento do setor e a capacidade do Brasil de atender mercados globais em expansão.

Receita das exportações ultrapassa US$ 1,5 bilhão

O faturamento gerado pelos embarques de carne bovina até a quarta semana de outubro alcançou US$ 1,527 bilhão, valor superior ao registrado em outubro de 2024, que foi de US$ 1,259 bilhão.

Na média diária, a receita chegou a US$ 84,88 milhões, representando um crescimento de 48,2% em relação ao mesmo período do ano passado (US$ 57,26 milhões/dia).

Preços médios da carne bovina apresentam valorização

Além do aumento em volume e faturamento, os preços médios da carne bovina também registraram alta. Até a quarta semana de outubro, o valor médio por tonelada foi de US$ 5.525,8, um crescimento de 18,5% em comparação a outubro de 2024 (US$ 4.661,7/tonelada).

O aumento reflete a valorização da proteína brasileira no mercado internacional, impulsionada pela forte demanda de países como China e Oriente Médio, que estão entre os principais compradores.

Brasil se consolida como líder global em proteína animal

Os resultados parciais de outubro confirmam a tendência de forte desempenho das exportações de carne bovina em 2025, tanto em volume quanto em receita, consolidando o Brasil como um dos principais fornecedores globais de proteína animal.

FONTE: Portal do Agronegócio
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Portal do Agronegócio

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