Internacional, Mercado Internacional

BRICS: um novo capítulo para o Brasil e o mundo

Por Michelle Fernandes, especialista em comércio exterior, CEO da Get Global Trading, professora e mediadora da CAAEB.

Em julho de 2025, o Brasil será palco de um encontro estratégico para as economias emergentes. O Rio de Janeiro sediará a 16ª Cúpula dos BRICS, agora com novos países membros, já apelidado de BRICS+ e reforçando o protagonismo do grupo no cenário global.

Desde que conheci o acrônimo BRICS em 2005, por meio do economista Jim O’Neill, acompanho a transformação da sigla em uma aliança real. O que era apenas previsão se consolidou. Agora, com a entrada de Egito, Irã, Etiópia, Emirados Árabes Unidos e Arábia Saudita, os BRICS se expandem e se fortalecem, representando quase metade da população mundial e ganhando ainda mais peso no comércio, na energia e na geopolítica.

Essa expansão amplia a pluralidade econômica e cultural do grupo e aponta para um novo equilíbrio global. Os BRICS evoluem como alternativa às instituições ocidentais tradicionais, buscando maior autonomia, inclusão e cooperação entre países em desenvolvimento.

Para o Brasil, sediar essa cúpula reforça sua posição estratégica. Somos um país que constrói pontes, promove o diálogo e mantém relações diplomáticas sólidas. Nossa economia tem avançado, especialmente no agronegócio, na infraestrutura e na exportação de produtos com valor agregado.

O evento no Rio será uma oportunidade para discutir temas-chave, como o uso de moedas alternativas ao dólar, financiamento de projetos sustentáveis, inovação e segurança alimentar.

Estamos em um momento crucial para reposicionar o Brasil no centro das decisões internacionais. A recente reforma tributária é um passo importante, mas ainda precisamos enfrentar desafios internos, como o Custo Brasil e a qualificação da mão de obra. Com uma visão estratégica e integrada, podemos transformar nosso potencial em influência real.

O Brasil segue no radar global e os BRICS, com novos integrantes e novas agendas, são parte fundamental desse caminho.

Fonte: Última Hora

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Internacional, Mercado Internacional

Xi Jinping favorece Trump contra Lula ao não vir ao BRICS

O presidente chinês, Xi Jinping, estaria ou não cometendo erro estratégico ao não comparecer à reunião dos BRICS, na próxima semana, presidida pelo presidente Lula?

Também, será sentida a ausência do presidente da Rússia, Vladimir Putin, mas esta tem justificativa compreensível, porque ele poderia ser preso por ordem do Tribunal Penal Internacional, sob acusação de sequestros de crianças ucranianas, na guerra na Ucrânia.

Igualmente, não comparecerá o presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, provavelmente, solidário com a decisão dos seus dois maiores aliados na agressão dos Estados Unidos contra seu país, para evitar a derrota de Israel para os iranianos.

Sem esses três importantes integrantes do BRICS, formado por 11 países( Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul, Arábia Saudita, Egito, Emirados Árabes Unidos, Etiópia, Irã e Indonésia), a reunião mais importante do bloco, em 2025, esvazia-se, politicamente.

TRUMP SE FORTALECE

A consequência óbvia desse esvaziamento político, que enfraquece Lula, é o fortalecimento do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que considera o BRICS principal perigo à desestabilização do dólar nas relações de trocas internacionais.

Justificativas para as importantes ausências de Xi Jinping: conflito de agendas.

Trata-se de algo questionável, porque não haveria, por suposto, fato internacional mais relevante do que a reunião dos BRICS, considerado força internacional emergente que supera em poder econômico efetivo o G7, graças ao peso da China como nova potência mundial que ameaça a hegemonia americana.

Fonte: MSN

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Negócios

Google fecha acordo para comprar energia de fusão da Commonwealth, derivada do MIT

O Google, da Alphabet, disse nesta segunda-feira que fechou um acordo para comprar energia de um projeto na Virgínia, nos Estados Unidos, alimentado por fusão, a reação que alimenta o Sol e as estrelas, mas que ainda não é comercial na Terra.

O Google assinou o que chamou de primeiro contrato corporativo direto de compra de energia (PPA) da tecnologia com a Commonwealth Fusion Systems (CFS), empresa derivada do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), fundada em 2018.

O acordo prevê a compra de 200 megawatts (MW) de energia do projeto ARC da CFS, que terá capacidade total de 400 MW. A empresa está desenvolvendo o projeto na Virgínia, onde fica o maior polo de data centers do mundo. Os detalhes financeiros do acordo não foram divulgados.

Físicos de laboratórios nacionais e empresas têm trabalhado por décadas tentando usar lasers ou, no caso da CFS, grandes ímãs para viabilizar reações de fusão, nas quais átomos leves se fundem, liberando grandes quantidades de energia.

Em 2022, o Laboratório Nacional Lawrence Livermore, na Califórnia, obteve um breve ganho líquido de energia em um experimento de fusão usando lasers.

Mas a obtenção do chamado “equilíbrio de engenharia”, em que mais energia é gerada pela reação do que a energia total que é consumida em uma usina de fusão para dar início a uma reação, tem sido difícil. E para que uma usina gere energia a partir da fusão, as reações devem ser constantes, não raras.

“Sim, há alguns desafios sérios de física e engenharia que ainda temos que superar para torná-la comercialmente viável e escalável”, disse Michael Terrell, chefe de energia avançada do Google, a repórteres em uma entrevista coletiva. “Mas é algo em que queremos investir agora para concretizar esse futuro.”

À medida que a inteligência artificial e os data centers aumentam a demanda energética no mundo, o interesse na fusão cresce. Diferente da fissão nuclear, que divide átomos e gera grandes quantidades de resíduos radioativos, a fusão não produz esse tipo de resíduo e, se bem-sucedida, pode ajudar a combater as mudanças climáticas.

A CFS pretende gerar energia a partir do projeto ARC no início da década de 2030, mas ainda precisa superar alguns obstáculos científicos.

O Google também anunciou nesta segunda que está aumentando seu investimento na CFS, sem revelar o montante. O Google foi um dos investidores que aplicaram um total de US$1,8 bilhão na empresa em 2021.

Fonte: Terra

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Comércio, Negócios

Brasil e Chile celebram acordo para facilitar comércio no setor de cosméticos

Iniciativa engloba ainda produtos de higiene pessoal e perfumaria e estabelece precedente para futuras negociações regulatórias

Brasil e Chile deram mais um passo no fortalecimento da parceria comercial. Foi assinado em Montevidéu, no Uruguai, a incorporação da Iniciativa Facilitadora de Comércio (IFC) no setor de produtos cosméticos ao Acordo de Livre Comércio Brasil-Chile. É um marco do Acordo de Complementação Econômica nº 35 (ACE 35) entre o Mercosul e o Chile.

A iniciativa representa um marco na convergência regulatória entre os dois países, promovendo maior integração econômica e abertura comercial no setor de higiene pessoal, perfumaria e cosméticos.

“A medida tem potencial para tornar o comércio bilateral mais dinâmico, previsível e transparente, promovendo o crescimento dos setores envolvidos e garantindo benefícios diretos aos consumidores dos dois países”, avalia a secretária de Comércio Exterior, Tatiana Prazeres. 

O acordo promove redução de custos e prazos para a disponibilização de produtos, e estimula a produtividade e a inovação no setor, o que deve resultar em ampliação do volume de exportações de cosméticos do Brasil para o Chile, hoje em cerca de US$ 90 milhões por ano.

A negociação desse instrumento foi coordenada pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex/MDIC) em parceria com o Ministério das Relações Exteriores (MRE) e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), e contou com a participação do setor privado, por meio da Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos (ABIHPEC).

Objetivos

Simplificar regulamentações e evitar barreiras técnicas desnecessárias ao comércio no setor de cosméticos bem como assegurar padrões de qualidade e segurança dos produtos estão entre os principais objetivos da efetivação do acordo. Além disso, poderá também promover a ampliação do acesso recíproco entre os dois mercados e fortalecer a competitividade da indústria nacional.

Entre os compromissos assumidos entre os dois países estão a definição de produtos cosméticos, a não exigência de Certificado de Livre Venda, a redução de exigências sanitárias prévias, a harmonização de rotulagem e de boas práticas de fabricação, e o fortalecimento da vigilância de mercado.

Impactos esperados

Além do impacto econômico, a estimativa é que a iniciativa resulte em maior segurança jurídica nas relações comerciais bilaterais, gerando maior previsibilidade e fluidez nas operações de exportação e importação. Outro aspecto é a questão socioambiental, envolvendo redução de riscos sanitários e maior proteção da saúde pública; transparência regulatória e informação de qualidade ao consumidor e, ainda, estímulo à sustentabilidade ambiental e à qualidade dos produtos.

A IFC para o setor de cosméticos estabelece um precedente para futuras negociações regulatórias para outras áreas junto ao governo chileno e outros países da América Latina. Esse avanço representa a consolidação de um modelo eficaz de cooperação regulatória regional com foco em integração produtiva, desenvolvimento industrial e fortalecimento do comércio bilateral e da região.

Fonte: Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços

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Negócios

Engie anuncia mudanças na estrutura organizacional

Alterações reforçam alinhamento ao modelo operacional global do Grupo Engie

A Engie Brasil Energia, que tem sede em Florianópolis, anunciou uma reestruturação em sua composição diretiva. O objetivo é reforçar o alinhamento de sua estrutura organizacional ao modelo operacional global do Grupo Engie e fortalecer o foco estratégico em suas linhas de negócio. As mudanças entram em vigor em 1º de julho.

Entre as principais alterações, destacam-se:

  • Guilherme Ferrari, atual Diretor de Novos Negócios, assume a posição de Diretor de Energias Renováveis e Armazenamento, responsável pelo desenvolvimento, implantação, operação e manutenção dos ativos de geração renovável e sistemas de armazenamento; 
  • Gustavo Labanca, executivo de carreira do Grupo ENGIE, foi nomeado Diretor de Transmissão de Energia, respondendo pelo desenvolvimento, implantação, operação e manutenção dos ativos de transmissão de energia da Companhia; 
  • Sophie Quarré de Verneuil passa a ocupar a posição de Diretora de Recursos Humanos; 
  • Felipe Batista passa a ocupar a posição de Diretor Jurídico e de Ética;
  • Pierre Leblanc foi designado para a posição de Diretor Financeiro e de Relações com Investidores; 
  • As diretorias de Gestão e Comercialização de Energia e de Regulação, Estratégia e Comunicação seguem sob liderança de Marcos Keller Amboni Gabriel Mann dos Santos, respectivamente, conforme comunicado ao mercado em 7 de maio de 2025.
     

Como parte da nova estrutura, as atuais diretorias de Operação e de Implantação deixam de ser estatutárias e passam a se reportar à Diretoria de Energias Renováveis e Armazenamento. José Luis Laydner Paulo Henrique Müller permanecem em suas funções, com escopos ajustados.

A Companhia também comunica a renúncia de Luciana Moura Nabarrete Eduardo Takamori Guiyotoku aos seus cargos atuais de Diretora de Pessoas, Processos e Sustentabilidade e Diretor Financeiro e de Relação com Investidores, respectivamente. Ambos assumirão novos desafios em empresas controladas do Grupo Engie: Luciana como Diretora-Presidente da ESOM, responsável pelos serviços de operação e manutenção dos ativos de transporte de gás da Engie no Brasil, e Takamori como Diretor Financeiro e de Relações com Investidores da Engie Energia Peru.

“Estamos dando mais um passo importante na evolução da Engie Brasil Energia, reforçando nosso compromisso com a excelência operacional e a sustentabilidade. Essa nova estrutura nos permitirá atuar com ainda mais agilidade e foco nas nossas áreas estratégicas, alinhados à visão global do Grupo Engie”, ressalta o diretor-presidente da Engie Brasil Energia, Eduardo Sattamini.

Fonte: FIESC

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Industria, Negócios

Com 100% dos votos, Seleme é eleito presidente da FIESC

Eleição realizada nesta sexta-feira, dia 27, confirmou unidade do setor industrial catarinense; posse será dia 22 de agosto

O industrial Gilberto Seleme será o próximo presidente da Federação das Indústrias de Santa Catarina (FIESC). Na eleição, realizada nesta sexta-feira, dia 27, a chapa única, liderada pelo empresário, foi eleita com aprovação de 100% dos sindicatos de indústria que votaram. O 1º vice-presidente será o industrial André Odebrecht. A mesa diretora da entidade será composta ainda pelos empresários: Edvaldo Ângelo (diretor 1° secretário), Nivaldo Pinheiro (diretor 2° secretário), Marco Aurélio Alberton (diretor 1° tesoureiro) e Evair Oenning (diretor 2° tesoureiro). A posse da nova diretoria será no dia 22 de agosto, em Florianópolis.

“Tivemos chapa única, construída por consenso de todos os sindicatos filiados à FIESC. Isso mostra uma entidade unida e focada num só objetivo, que é o desenvolvimento de Santa Catarina, porque onde tem indústria tem desenvolvimento”, afirmou Seleme, após a divulgação do resultado.

Aguiar também celebrou a coesão do setor. “O resultado da eleição mostra a nossa indústria unida e reconhece o trabalho da gestão que se encerra em agosto, da qual Gilberto fez parte como 1° vice-presidente”, disse. “Ficamos muito satisfeitos com o apoio dos sindicatos. Com uma indústria unida, Santa Catarina vai avançar cada vez mais”, afirmou o presidente da FIESC, Mario Cezar de Aguiar.

Durante o dia, os representantes dos sindicatos industriais também elegeram a nova diretoria do Centro das Indústrias de SC (CIESC).

Confira a diretoria do CIESC eleita.

Perfil: engenheiro civil, formado na PUC do Paraná e bacharel em Administração pela UnC-Caçador, Gilberto Seleme é empresário dos setores de madeira, couro, construção civil e do agronegócio. É o atual 1º vice-presidente da FIESC e tem destacada atuação na área social, empresarial e educacional. Também é diretor e delegado da Confederação Nacional da Indústria (CNI), membro do Conselho Estratégico da FIESC; integrante da diretoria da Associação Empresarial de Caçador (ACIC); membro do Sindicato da Indústria da Madeira de Caçador, do qual foi fundador e primeiro presidente; além de integrar o Conselho Consultivo do Hospital Maicé, de Caçador.

Ao longo de sua trajetória, também foi membro da diretoria da Associação de Serviços Sociais Voluntários de Caçador (Bombeiros Voluntários); vice-presidente para a região Centro-Norte da FIESC; integrante da diretoria da UnC-Caçador; e presidente da Fundação Universidade Alto Vale do Rio do Peixe – FUNIARP, além de presidir seu conselho consultivo e ser membro do conselho curador da instituição.

Fonte: FIESC

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Inovação, Tecnologia

Com foco em IA, SC avalia instalação de data center de empresa chinesa

Governo de Santa Catarina avançou neste sábado, dia 21, nas negociações com a PowerChina, uma das maiores empresas globais de infraestrutura, energia e tecnologia.

A reunião teve como foco principal a possibilidade de instalação de um grande data center no estado, projeto que pode posicionar Santa Catarina na vanguarda da transformação digital e do avanço da Inteligência Artificial (IA) no Brasil.

Uma das cidades discutidas foi Lages. Isso porque o clima ameno favorece esse tipo de equipamento que necessita de resfriamento. 

“O mundo está vivendo uma revolução digital com a Inteligência Artificial, e Santa Catarina não vai ficar para trás. Queremos trazer para o Estado investimentos que nos coloquem como referência em tecnologia e inovação no Brasil”, afirmou o governador Jorginho Mello.

Durante o encontro, a empresa apresentou sua estrutura internacional e destacou sua experiência em projetos de grande escala, com um portfólio global que ultrapassa 200 bilhões de dólares em contratos. Só no Brasil, a empresa já tem um projeto em andamento avaliado em 3,2 bilhões de dólares.

Além do Centro de Supercomputação, o diálogo incluiu a discussão sobre a ZPE de Imbituba, um modelo que permite benefícios fiscais e logísticos para empresas interessadas em investir no estado.

A reunião também abriu espaço para futuros investimentos em projetos de infraestrutura logística, como ferrovias, com destaque para iniciativas que melhorem o escoamento da produção catarinense.

A agenda integra a missão internacional do governo estadual, que nesta semana cumpre compromissos estratégicos na China para atrair investimentos e gerar oportunidades de emprego e desenvolvimento para os catarinenses.

Fonte: Economia SC

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Comércio, Comércio Exterior, Mercado Internacional

China acelera corrida bilionária por minerais estratégicos no Brasil

A riqueza mineral do Brasil sempre foi alvo da cobiça de nações estrangeiras. O ouro extraído do território brasileiro, por exemplo, ajudou a financiar a Revolução Industrial na Inglaterra, no século XVIII.

Portugal enviava o metal precioso de sua maior colônia para cobrir o déficit comercial ocasionado pelo Tratado de Methuen — que obrigava o país ibérico a importar tecidos dos britânicos em troca de uma redução nas tarifas sobre seus vinhos. Trezentos anos depois, a grande interessada no nosso subsolo é a China, cuja presença na mineração por aqui vem se expandindo consideravelmente.

Em 2023, por exemplo, a BYD, montadora de carros elétricos, adquiriu direitos de exploração de lítio — um metal leve essencial para a fabricação de baterias — no Vale do Jequitinhonha (MG). No ano seguinte, a estatal China Nonferrous Trade (CNT) comprou a operação da Mina de Pitinga, que explora estanho na Amazônia, por cerca de 2 bilhões de reais. Não demorou muito para o conglomerado inglês Anglo American acertar a venda de sua exploração de níquel no Brasil para a chinesa MMG por quase 3 bilhões de reais. A voracidade da China em relação às reservas de minerais estratégicos— aliás, como tem demonstrado em várias partes do mundo — instiga o eterno debate que opõe a indústria nacional ao capital estrangeiro. Se o setor empresarial e as autoridades conseguirem enxergar além dessa dicotomia e souberem construir uma regulação forte, o interesse dos chineses pode ser uma oportunidade para o Brasil.

O domínio da China em mercados de minerais não pode ser subestimado. O país asiático detém mais de 90% da produção refinada de três materiais considerados críticos para tecnologias de transição energética: manganês, grafite e polissilício. O mesmo se aplica às terras raras, um conjunto de dezessete elementos químicos também essenciais para o desenvolvimento tecnológico. O laço econômico entre as minerações de China e Brasil já era estreito antes dos investimentos recentes, uma vez que os asiáticos são de longe os principais compradores das riquezas do subsolo brasileiro. Mais de 280 milhões de toneladas de minerais foram despachadas do Brasil rumo ao país do Oriente em 2024 — um volume quase catorze vezes maior que o encomendado por qualquer outra nação. Os chineses, no entanto, não querem mais apenas ser compradores de minério do Brasil, mas desbravadores de reservas que vão definir as potências do século XXI. “A China se planeja para os próximos 100 anos, diferentemente de nós, que só pensamos no mês seguinte”, diz o consultor Welber Barral, ex-secretário de Comércio Exterior do Brasil.

O carrinho de compras chinês cheio de reservas de minerais estratégicos brasileiros reacende a discussão sobre como lidar com a internacionalização do setor. Frequentemente, empresas estrangeiras que extraem matérias-primas brasileiras fazem apenas isso, extração, enviando os insumos para seus países de origem, onde são processados e ganham valor agregado. Incentivar a verticalização da produção mínero-metalúrgica — garantindo que diversas etapas da cadeia ocorram no Brasil — é um desejo antigo do setor industrial.

Segundo fontes do mercado, a ideia de exigir que mineradoras de capital estrangeiro tenham um sócio brasileiro para zelar pelos interesses nacionais foi aventada pelo Ministério de Minas e Energia (MME) em conversas com empresários durante viagem recente do chefe da pasta, Alexandre Silveira, à China. O MME, no entanto, afirma que não estuda esse tipo de medida.

“Não há qualquer iniciativa para cercear a atividade mineral de companhias que atuam de forma legal no Brasil”, respondeu o ministério, em nota a VEJA. O advogado João Raso, que atua na divisão de mineração do escritório BMA, lembra que o protecionismo mineral é comum em países africanos: “Muitos deles exigem que mineradoras estrangeiras contratem uma quantidade mínima de mão de obra local e tenham diversas licenças”. Para garantir a melhor forma de exploração no Brasil — e gerar renda de fato —, o caminho deveria ser outro.

O Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram) tem uma posição clara. Por mais que haja um alto grau de interesse chinês por minerais críticos no Brasil, esse apetite pode ser desfeito por proteções excessivas à exploração. A solução para gerar valor agregado no país seria melhorar a competitividade. “Precisamos melhorar nossa infraestrutura, a segurança jurídica e a tributária”, diz Julio Nery, diretor de assuntos minerários do Ibram. Bento Albuquerque, ex-ministro de Minas e Energia, concorda: “O incentivo à verticalização do setor não pode ser via restrições exageradas, senão ninguém vai querer vir para o Brasil.”

Um projeto de lei na Câmara dos Deputados (PL 2780/24) contempla as reivindicações de Nery ao propor uma Política Nacional de Minerais Críticos e prever linhas de crédito para pesquisas no segmento. “A China lidera em terras raras, mas o Brasil pode ser o segundo país mais importante nessa área, se quisermos”, diz o deputado Zé Silva (Solidariedade-MG), autor do texto, que aguarda parecer na Comissão de Desenvolvimento Econômico. Entre todos os setores da economia, o de mineração é um dos mais intensivos em capital. Minas custam caro e exigem investimentos de longo prazo — o início das operações costuma levar mais de uma década. Calibrar a regulamentação em resposta à demanda chinesa não é tarefa fácil, mas promete ganhos notáveis ao Brasil.

Fonte: Veja

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Internacional, Negócios

Relação entre Brasil e Canadá: oportunidades de negócio e crescimento

relação entre Brasil e Canadá é um exemplo de cooperação bem-sucedida que beneficia empresas de ambas as nacionalidades. Essa parceria estratégica, que ultrapassa as fronteiras geográficas e culturais, se mostra cada vez mais promissora para empresas que buscam expandir suas operações, o que é possível por meio de intercâmbio comercial e investimentos mútuos.

Neste artigo, vamos explorar a história dessa relação e o atual cenário comercial, que constitui um ambiente de negócios seguro nos dois países. 

História da relação entre Brasil e Canadá

A conexão entre Brasil e Canadá é marcada por uma estreita parceria que tem se consolidado ao longo dos anos com base em valores compartilhados e interesses comuns, criando um ecossistema propício ao desenvolvimento econômico e à inovação. 

A prova está em diversos acordos bilaterais firmados, abrangendo áreas como comércio, tecnologia e educação, buscando extrair o máximo potencial dos recursos e competências únicas de cada país.

Um marco importante foi a assinatura do Acordo de Cooperação em Ciência, Tecnologia e Inovação, em 2008, que impulsionou projetos conjuntos em energias renováveis, agricultura sustentável, mineração e Tecnologia da Informação (TI). 

Outros acordos, como o de Acordo de Cooperação Acadêmica e o  Acordo em Assuntos Relativos à Defesa, comprovam a confiança mútua, reduzindo riscos e ampliando a segurança para negócios bilaterais.

Principais pautas comerciais entre Brasil e Canadá

A relação comercial entre Brasil e Canadá é pautada por uma diversidade de setores que se complementam e criam sinergias.  

As principais exportações do Brasil para o Canadá são de produtos agrícolas (como café, açúcar, soja e carne bovina), minérios (ferro, nióbio e ouro) e manufatura (como aeronaves e autopeças).

Por sua vez, as principais exportações do Canadá para o Brasil são fertilizantes (principalmente potássio), tecnologia (principalmente equipamentos médicos e softwares) e energia limpa (soluções para hidrelétricas e energia eólica).  

Em linhas gerais, dentre as pautas comerciais mais relevantes entre os dois países, podemos destacar:

  • Inovação: o intercâmbio entre empresas brasileiras e canadenses fomenta a integração de soluções tecnológicas inovadoras. Startups e grandes empresas se beneficiam desse ambiente colaborativo para desenvolver produtos e serviços que atendam a mercados internacionais.
  • Recursos naturais: a cooperação bilateral engloba investimentos em energias renováveis e na modernização dos processos de extração e manuseio dos recursos naturais. Essa pauta comercial impulsiona a economia de ambos os países e estimula a adoção de práticas sustentáveis.
  • Educação: o intercâmbio educacional e o setor de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) impulsionam parcerias para promover inovações tecnológicas e científicas, o que atrai investimentos de empresas e talentos internacionais. As universidades canadenses, por exemplo, atraem milhares de estudantes brasileiros anualmente, enquanto as empresas de TI brasileiras encontram no Canadá um mercado propício à inovação.

Essas pautas evidenciam que o Brasil e o Canadá têm grande potencial para expandir não somente os negócios, mas também para a transferência de conhecimento.

Crescimento da balança comercial

Um dos indicadores mais positivos dessa parceria internacional é o expressivo crescimento da balança comercial entre os dois países. Nos últimos anos, exportações e importações entre Brasil e Canadá aumentaram de forma consistente, comprovando a força do comércio bilateral.

O Canadá, com sua estabilidade econômica, oferece um ambiente favorável para empresas brasileiras que buscam internacionalização. É um país conectado aos principais mercados do mundo, com crescimento de 1,3% em 2024 e tem previsão de estabilidade até 2026. Soma-se a tudo isso sua inflação controlada de 1,8% em 2024, abaixo dos 2,4% registrados dos Estados Unidos. 

Em 2024, as exportações brasileiras para o Canadá atingiram o recorde de US$ 6,31 bilhões, um crescimento de 9,4% em relação aos US$ 5,77 bilhões de 2023. Esse desempenho resultou em um saldo positivo de US$ 3,53 bilhões na balança comercial com o Canadá: um crescimento de 47,4% em relação ao ano anterior.

Por sua vez, o Brasil, com seu mercado interno aquecido e recursos naturais abundantes, também  atrai companhias canadenses em busca de crescimento. A prova disso é que a CPP Investments, por exemplo, já investe mais de US$ 25 bilhões na América Latina, sendo que quase metade desse montante está no Brasil. Já a Caisse de dépôt et placement du Québec (CDPQ) planeja investir entre US$ 2,94 bilhões a US$ 3,67 bilhões no país até 2027. 

Impactos positivos na bilateralidade dos negócios

Empresas que decidem ingressar nos mercados brasileiro ou canadense se beneficiam de:

  • Segurança jurídica: a clareza na legislação aumenta a confiança dos empresários, protegendo seus direitos e investimentos, reduzindo o risco de disputas legais e arbitrariedades e incentivando-os a expandir seus negócios.
  • Cooperação: o desenvolvimento de projetos conjuntos é impulsionado pela cooperação entre governos e empresas dos dois países. Alguns exemplos de ações conjuntas são: financiamento de projetos de Pesquisa e Desenvolvimento, regulamentação do comércio e rodadas de negócios. 
  • Conhecimento: a interação entre empresas brasileiras e canadenses promove o compartilhamento de tecnologias, práticas de gestão e inovações que podem ser adaptadas a diferentes contextos. Essa troca de conhecimento fortalece a competitividade e o desenvolvimento de novos produtos e serviços.

Por que o Brasil e o Canadá são países ideais para as empresas

Para as empresas de todos os portes, o potencial da relação Brasil-Canadá é imenso. 

Mais do que ganhos comerciais diretos, essa conexão impacta diretamente nas estratégias empresariais e no compromisso com a inovação e a sustentabilidade.

Por isso, é fundamental que as empresas acompanhem as mudanças e tendências do mercado internacional, além de contar com parceiros e consultorias especializadas para orientar o processo de internacionalização.

Fonte: CCBC

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Internacional, Negócios

Missão à Ásia garante avanços nas negociações para a carne catarinense e exportação de grãos

O Estado de Santa Catarina deu um passo importante na consolidação de sua posição de destaque no agronegócio mundial ao encerrar a Missão Oficial à Ásia, liderada pelo governador Jorginho Mello. Com agendas estratégicas ligadas ao agronegócio no Japão e na China, a comitiva catarinense, que contou com a presença do secretário de Estado da Agricultura e Pecuária (SAR), Carlos Chiodini, da presidente da Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina (Cidasc), Celles Regina de Matos, apresentou os diferenciais de defesa sanitária animal, vegetal e do sistema produtivo que fazem do Estado uma referência nacional e internacional em sanidade.

A missão à Ásia reforça o posicionamento de Santa Catarina como parceiro estratégico em cadeias globais de valor, levando ao mundo produtos agropecuários de excelência, com rastreabilidade, qualidade e respeito aos mais exigentes protocolos internacionais. “Levamos aos mercados asiáticos a mensagem de que Santa Catarina está comprometida com a segurança dos alimentos, inovação e responsabilidade na defesa sanitária. Esses diferenciais nos garantem acesso aos mercados de mais de 150 destinos internacionais e representam cerca de 65% de todo o comércio exterior catarinense”, afirma o secretário.

Governo do Estado reforça pedido ao Japão para abertura de mercado de carne bovina 

No Japão, o Estado pleiteou a abertura do mercado japonês para a carne bovina catarinense, destacando os altos padrões de controles sanitários e o compromisso com a qualidade. Também foram reforçados os laços históricos com a Província de Aomori, que há mais de quatro décadas mantém uma cooperação ativa com Santa Catarina, especialmente no cultivo da maçã. No Japão, também foi assinada carta de intenções para ampliar exportação de grãos e desenvolver infraestrutura logística. 

Na China, além de visitas técnicas e trocas de experiências sobre logística e inovação, a delegação catarinense reforçou o pedido de retomada das exportações de carne de frango do Estado, após a suspensão temporária devido o foco de Influenza Aviária de Alta Patogenicidade (IAAP), em granja comercial, no Rio Grande do Sul – atualmente declarado erradicado. Nesse sentido, também foi realizada visita estratégica no escritório da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA). 

“A missão fez escalas em dois mercados decisivos para o agro, apresentando o conceito da defesa sanitária praticado por Santa Catarina nos dias atuais: científica, tecnológica, assertiva e disciplinada. Com isso, novos mercados se abrem e acordos bilaterais podem ser flexibilizados, devido à segurança técnica, o que nos deixa sempre na linha de preferência nas mesas de negócios”, avalia a presidente da Cidasc, Celles Regina de Matos.

Diferenciais 

Desde 2007, Santa Catarina é reconhecida pela Organização Mundial de Saúde Animal (Omsa) como Zona Livre de Febre Aftosa sem Vacinação, sendo o 1º Estado a conquistar esse reconhecimento no Brasil. Em 2015, alcançou mais um marco: o reconhecimento como Zona Livre de Peste Suína Clássica (PSC). O Estado catarinense tem a menor prevalência de Brucelose e Tuberculose bovina, no Brasil, e o único com identificação individual (rastreabilidade) de todos os bovinos e bubalinos, além de ser livre de Influenza Aviária de Alta Patogenicidade (IAAP) na produção comercial avícola.

Fonte: Agência de Notícias SECOM

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