Portos

Cade aprova operação e abre caminho para Maersk e MSC no leilão do Tecon Santos 10

A Superintendência-Geral do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) aprovou, sem restrições, a mudança societária envolvendo o Brasil Terminal Portuário (BTP), no Porto de Santos (SP). A decisão reduz uma possível barreira concorrencial para a participação de Maersk e MSC no futuro leilão do Tecon Santos 10.

A análise do órgão concluiu que a operação não tem potencial para provocar mudanças relevantes nas condições de competição do mercado de terminais de contêineres no complexo portuário paulista.

O processo envolve a compra, pela APM Terminals, braço portuário da Maersk, dos 50% da BTP que pertencem à TiL (Terminal Investment Limited), empresa ligada ao grupo MSC.

Maersk poderá assumir controle integral da BTP

Com a conclusão da operação, a Maersk passará a controlar integralmente a BTP. Atualmente, as duas companhias dividem igualmente a participação no terminal.

A mudança societária está relacionada às regras previstas para o leilão do Tecon Santos 10. A diretriz do governo permite que empresas que já operam terminais no Porto de Santos participem da etapa inicial do certame, desde que se comprometam a vender ativos que já possuem no complexo caso sejam vencedoras.

O desinvestimento deverá ser concluído e aprovado antes da assinatura do contrato referente ao novo terminal.

Segundo a análise do Cade, a transferência da participação da MSC para a Maersk dará à companhia dinamarquesa o controle total da BTP e, consequentemente, maior autonomia para conduzir eventual processo de venda do ativo.

Aprovação do Cade não garante participação no leilão

Apesar de abrir espaço para a participação das duas empresas, a decisão do Cade não representa uma autorização definitiva para que Maersk e MSC disputem o Tecon Santos 10.

O próprio órgão ressaltou que sua análise ficou restrita aos efeitos concorrenciais da operação societária. Eventuais exigências estabelecidas no edital do leilão ainda deverão ser cumpridas.

Além disso, a operação depende de aprovação da Antaq (Agência Nacional de Transportes Aquaviários), conforme as regras aplicáveis ao setor portuário.

Cade vê baixo impacto na concorrência

Na avaliação da Superintendência-Geral, a transação representa essencialmente a substituição de um controle compartilhado por um controle único. Por isso, não haveria criação de novas relações concorrenciais relevantes no Porto de Santos.

O entendimento considera também que a APM Terminals já possui 50% da BTP e, portanto, já mantém relação concorrencial com o terminal.

Com base nesse cenário, o Cade concluiu que a operação não apresenta capacidade de modificar de maneira significativa as condições de competição no mercado.

O órgão também enfatizou que a decisão não antecipa qualquer resultado do leilão do Tecon Santos 10, cujo formato ainda passa por discussões entre os órgãos responsáveis.

ICTSI questionou operação no Cade

A decisão ocorreu depois que a ICTSI, operadora de terminais com presença em Suape (PE) e no Rio de Janeiro (RJ), solicitou participação no processo como terceira interessada.

A companhia, que também demonstra interesse em disputar o novo terminal, argumentou que a operação poderia fortalecer posições dominantes e ampliar os riscos de tratamento discriminatório contra armadores e operadores independentes.

O Cade, entretanto, rejeitou o pedido. Para a autarquia, a empresa não comprovou possuir interesse jurídico suficiente no processo nem apresentou elementos capazes de sustentar os possíveis impactos concorrenciais alegados.

Órgão não identificou novos riscos concorrenciais

Durante a análise, a Superintendência-Geral também citou uma avaliação anterior sobre o mercado de terminais de contêineres. Na ocasião, mais de 40 agentes foram consultados, e nenhum deles apontou atuação relevante da ICTSI no Complexo Portuário de Santos.

Para o Cade, os argumentos apresentados pela empresa não acrescentaram informações novas que indicassem possíveis problemas concorrenciais relacionados à mudança de controle da BTP.

A decisão, portanto, mantém a operação societária autorizada sob a ótica concorrencial, enquanto as demais condições para o futuro leilão do Tecon Santos 10 continuam dependendo das regras definidas pelos órgãos responsáveis.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reuters

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Portos

Especialistas questionam risco de concentração no Porto de Santos com novo terminal de contêineres

Especialistas em setor portuário e defesa da concorrência contestam a avaliação de que a vitória de uma empresa já instalada no Porto de Santos no leilão do Tecon Santos 10 necessariamente provocaria concentração excessiva de mercado.

Para os especialistas, a análise precisa considerar a área de influência do porto, conhecida como hinterlândia, e a concorrência exercida por outros complexos portuários que também recebem cargas destinadas às mesmas regiões.

Hinterlândia amplia visão sobre concorrência

O engenheiro Luis Claudio Montenegro, sócio-diretor da Neowise Consultoria, afirma que existe um erro nas avaliações que tratam o Porto de Santos como um mercado isolado.

No setor portuário, hinterlândia é a área geográfica de origem ou destino das cargas movimentadas por determinado porto. No caso de Santos, essa região inclui São Paulo, Minas Gerais, o Centro-Oeste e parte das regiões Sul, Norte e Nordeste.

Segundo Montenegro, os três atuais terminais de contêineres de Santos respondem por 61,7% das cargas provenientes ou destinadas a essa área de influência.

Isso significa que aproximadamente 40% das cargas da hinterlândia são atendidas por portos concorrentes, principalmente nos estados do Rio de Janeiro, Espírito Santo, Paraná e Santa Catarina.

Na avaliação do consultor, desconsiderar esses concorrentes superdimensiona a participação dos terminais santistas no mercado.

“Ao tratar Santos como mercado fechado, a análise [sobre concentração] atribui aos terminais santistas cerca de 40 pontos percentuais de participação de mercado que eles não detêm”, afirma Montenegro.

Participação de mercado seria menor

A inclusão dos portos concorrentes também altera os cálculos de participação das empresas.

De acordo com Montenegro, um terminal que movimenta 45% das cargas dentro do Porto de Santos teria uma participação efetiva de aproximadamente 28% quando são consideradas as cargas de toda a hinterlândia e os demais portos que disputam esse mercado.

Com essa metodologia, o consultor considera “irrelevante” o nível de concentração que resultaria de uma eventual vitória da MSC ou da Maersk no leilão do Tecon Santos 10, desde que ocorra o desinvestimento na BTP.

MSC e Maersk são sócias, em partes iguais, da Brasil Terminal Portuário (BTP), um dos terminais existentes no Porto de Santos. As duas companhias demonstram interesse na disputa pelo novo superterminal.

As empresas assumiram perante o Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) o compromisso de vender sua participação na BTP uma à outra caso uma delas seja vencedora do leilão. O processo ainda está sob análise do órgão antitruste.

Desinvestimento pode reduzir riscos concorrenciais

O advogado Luiz Hoffmann, diretor jurídico do Ciesp e ex-conselheiro do Cade, também considera equivocada a interpretação de que a entrada de um operador já estabelecido necessariamente provocaria um problema concorrencial.

Para ele, existem alternativas para preservar a concorrência no mercado portuário sem impedir previamente a participação de empresas que já atuam em Santos.

Hoffmann cita o desinvestimento de ativos como uma medida capaz de reduzir eventuais riscos. Segundo o advogado, essa solução já foi considerada suficiente por diferentes áreas técnicas que analisaram o tema.

O especialista também argumenta que a integração entre armadores e terminais portuários não deve ser tratada automaticamente como uma ameaça à competição.

Integração entre armadores e terminais é comum

De acordo com Hoffmann, o modelo de empresas de navegação que também possuem ou controlam terminais é adotado em grandes portos internacionais. Além disso, operações desse tipo já foram avaliadas pelas autoridades brasileiras de defesa da concorrência.

Como exemplo, ele cita a aquisição da Santos Brasil, responsável por um dos três terminais de contêineres em operação no Porto de Santos, pela companhia marítima francesa CMA CGM, em 2024.

A CMA CGM é atualmente uma das maiores empresas de transporte marítimo de contêineres do mundo. Para Hoffmann, a análise dessa operação reforça o argumento de que a integração entre navegação e infraestrutura portuária não deve ser considerada, por si só, motivo para impedir a participação de armadores no novo terminal.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reuters

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Portos

TCU analisa contrato bilionário do Porto de Santos e pode suspender projeto da BTP

Um contrato de R$ 2,54 bilhões envolvendo a Brasil Terminal Portuário (BTP), empresa que opera um terminal de contêineres no Porto de Santos, está sob análise do Tribunal de Contas da União (TCU). Entre as possibilidades avaliadas pelos ministros está a adoção de uma medida cautelar para interromper o projeto até que os investimentos previstos sejam submetidos a uma auditoria independente.

Controlada pelos grupos Maersk e MSC, a BTP tornou-se alvo de questionamentos relacionados aos valores apresentados para as obras e equipamentos previstos no contrato de arrendamento.

A discussão faz parte de uma sequência de medidas do TCU envolvendo projetos da Autoridade Portuária de Santos (APS). No último dia 5, o tribunal também interrompeu outra iniciativa ligada ao porto: o aprofundamento do canal de acesso, que permitiria a operação de grandes navios porta-contêineres com maior capacidade de carga.

TCU questiona valores apresentados no contrato da BTP

Nos bastidores do tribunal, há integrantes que classificam como grave a possibilidade de sobrepreço no contrato do Porto de Santos. Um ministro ouvido sob reserva pela revista VEJA chegou a mencionar a suspeita de uma “fraude grotesca”.

O principal ponto de atenção está no orçamento apresentado pela empresa arrendatária. Segundo a análise em andamento, determinados valores estariam acima das referências de mercado e teriam sido posteriormente validados pela Antaq (Agência Nacional de Transportes Aquaviários), responsável pela regulação do setor portuário.

O caso envolve o chamado EVTEA (Estudo de Viabilidade Técnica, Econômica e Ambiental), documento utilizado para avaliar a viabilidade de grandes projetos de infraestrutura.

Além de estimar os custos e benefícios de um empreendimento, o estudo serve como uma ferramenta para que o poder público negocie contrapartidas e investimentos com empresas privadas.

Sobrepreço pode afetar avaliação de investimentos

A preocupação do TCU é que um EVTEA com valores superestimados possa alterar artificialmente os indicadores financeiros do projeto.

Na avaliação do tribunal, uma estimativa elevada para determinados investimentos pode modificar o fluxo de caixa previsto para a empresa e, consequentemente, reduzir a margem de negociação do governo para exigir melhorias ou novos investimentos em infraestrutura.

No caso da BTP, a própria Antaq já havia apontado sinais de preços elevados em diferentes itens do projeto. Entre eles estão guindastes para movimentação de contêineres, equipamentos destinados ao carregamento e descarregamento de caminhões, obras de ampliação do pátio e iniciativas de eletrificação de equipamentos.

Apesar dos alertas, a agência reguladora teria comparado os valores apresentados pela concessionária principalmente com informações fornecidas pela própria empresa, sem realizar uma checagem independente de todos os preços.

A auditoria do TCU questiona justamente esse procedimento e aponta que a Antaq não teria realizado uma verificação independente dos valores declarados pela arrendatária.

Investimentos podem ser reavaliados

Uma das hipóteses examinadas pelo Tribunal de Contas da União é a de que a projeção de despesas com bens de capital e custos de manutenção possa ter sido superestimada de maneira deliberada.

Nesse cenário, um orçamento artificialmente elevado poderia tornar os indicadores de viabilidade do projeto menos favoráveis. Isso, por consequência, poderia reduzir o espaço para discutir novas outorgas, contrapartidas à União e investimentos adicionais em infraestrutura.

Entre as possíveis melhorias afetadas por esse tipo de negociação estão obras de acesso rodoviário e a ampliação de áreas de cais público.

A BTP e a Antaq, porém, negam a existência de irregularidades no processo.

Antaq pode ter de refazer análise do projeto

Diante dos questionamentos, a agência reguladora poderá ser obrigada a revisar o projeto executivo em um prazo de até 120 dias e fazer uma nova avaliação dos custos apresentados pela empresa.

O caso também chegou ao Ministério Público junto ao TCU. O subprocurador Lucas Furtado solicitou a adoção de uma medida cautelar para suspender o andamento do projeto até que seja concluída uma auditoria independente sobre os investimentos previstos.

A eventual decisão do TCU poderá determinar novos cálculos e verificações antes que o contrato bilionário avance, colocando sob escrutínio os valores e as condições do projeto de expansão do terminal da BTP no Porto de Santos.

FONTE: Veja
TEXTO: Redação
IMAGEM: Nelson Almeida/AFP

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Portos

Tecon Santos 10: APM Terminals e TiL articulam estratégia para disputar concessão no Porto de Santos

A APM Terminals e a Terminal Investment Limited (TiL) estão adotando uma estratégia para viabilizar a participação, de forma independente, na futura licitação do Tecon Santos 10, novo terminal de contêineres previsto para o Porto de Santos.

As duas empresas, controladas respectivamente pelos grupos Maersk e MSC, dividem atualmente o controle da Brasil Terminal Portuário (BTP), com 50% de participação para cada uma. Essa estrutura societária pode representar um obstáculo regulatório na disputa pelo novo terminal, já que ambas já possuem presença relevante no complexo portuário santista.

Plano prevê reorganização da estrutura da BTP

Para contornar esse cenário, as companhias apresentaram pedidos ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) visando acelerar uma eventual alteração no controle societário da BTP.

A proposta prevê que, caso uma das empresas seja vencedora da licitação do Tecon Santos 10, a outra adquira integralmente sua participação na BTP, encerrando a sociedade existente entre os dois grupos no Porto de Santos.

Segundo informações divulgadas pelo Be News, a medida permitiria eliminar o vínculo societário entre concorrentes diretos e abrir caminho para que ambas possam participar do processo licitatório em igualdade de condições.

Cade poderá analisar operação em rito simplificado

Nos pedidos encaminhados ao Cade, APM Terminals e TiL defendem que uma eventual transferência de participação seja analisada por um procedimento mais ágil, argumentando que a operação envolveria apenas a reorganização do controle entre os atuais sócios da BTP, sem a entrada de novos investidores.

Caso a proposta seja aceita, as duas operadoras poderão permanecer aptas a disputar a concessão do novo terminal de contêineres.

Modelo da concessão levanta debate sobre concorrência

A estrutura definida para a licitação do Tecon Santos 10 vem sendo alvo de discussões relacionadas à concentração do mercado de movimentação de contêineres no Porto de Santos.

Como alternativa para preservar a competitividade, a Casa Civil estabeleceu que empresas já operantes no porto poderão participar da disputa, desde que assumam previamente o compromisso de alienar participações em outros terminais da região caso sejam declaradas vencedoras.

Antaq questiona eficácia da venda posterior de ativos

Apesar dessa solução, a Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) manifestou preocupação sobre a efetividade da medida.

Na avaliação da agência, permitir que grandes operadores disputem o certame condicionando a preservação da concorrência a uma venda futura de ativos pode não ser suficiente para evitar riscos de concentração no setor. O entendimento é de que mecanismos preventivos podem oferecer maior segurança para manter um ambiente competitivo na operação de terminais de contêineres.

A definição do modelo regulatório e concorrencial do Tecon Santos 10 segue como um dos principais temas em discussão antes da publicação definitiva do edital de concessão.

FONTE: Portal Portuario
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Portal Portuario

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Transporte

Mercado de afretamento de navios segue aquecido com demanda elevada e oferta restrita

O mercado de afretamento de navios porta-contêineres continua registrando desempenho positivo, sustentado pela forte procura por embarcações em praticamente todas as faixas de capacidade. A avaliação consta na mais recente análise da consultoria Alphaliner, especializada no setor de transporte marítimo.

Escassez de embarcações limita novos contratos

Apesar da demanda aquecida, a baixa disponibilidade de navios segue sendo um dos principais obstáculos para a ampliação das negociações. A restrição é mais evidente entre embarcações com capacidade superior a 3.000 TEUs, reduzindo o número de novos contratos fechados.

Nas últimas semanas, o cenário também foi influenciado por uma desaceleração temporária das atividades comerciais devido à realização da feira Posidonia, em Atenas, considerada um dos eventos mais relevantes da indústria marítima global.

Segmento de menor porte concentra negociações

Com a oferta limitada de grandes embarcações, os contratos têm se concentrado principalmente nos navios com capacidade inferior a 2.000 TEUs, onde há maior disponibilidade no mercado.

Ao mesmo tempo, os contratos de longo prazo continuam escassos. O movimento reflete uma postura mais cautelosa das empresas de navegação diante das incertezas que ainda cercam o setor de transporte marítimo internacional.

Taxas de afretamento permanecem em patamares elevados

Segundo a Alphaliner, as taxas de afretamento seguem em níveis considerados saudáveis e relativamente estáveis na maior parte dos segmentos.

Em alguns casos, navios com características diferenciadas ou posicionados em regiões estratégicas conseguiram obter valores acima da média do mercado, estabelecendo novos referenciais para determinadas categorias de embarcações.

Falta de navios reduz movimentação entre os VLCS

No segmento dos navios VLCS (Very Large Container Ships), com capacidades entre 7.500 e 13.000 TEUs, não houve registro de novos contratos nas últimas duas semanas.

De acordo com a consultoria, a ausência de negociações não está relacionada à falta de interesse por parte dos operadores, mas sim à escassez de embarcações disponíveis para entrega imediata.

GSL encomenda dez novos porta-contêineres de médio porte

Entre os navios do segmento LCS (5.300 a 7.499 TEUs), também não foram identificadas novas operações de afretamento. No entanto, o mercado foi movimentado pela informação de que a armadora Global Ship Lease (GSL) encomendou a construção de dez novos navios porta-contêineres.

As embarcações deverão ser entregues entre 2028 e 2030 e, segundo estimativas da Alphaliner, serão construídas na China, com capacidade superior a 6.000 TEUs e estrutura voltada para o transporte de cargas refrigeradas.

Ainda de acordo com a consultoria, os navios já teriam contratos de afretamento assegurados por aproximadamente sete anos, possivelmente junto à MSC.

Mercado Panamax registra apenas uma nova contratação

A atividade também permaneceu limitada entre os navios Panamax clássicos, com capacidade entre 4.000 e 5.299 TEUs.

Nas duas últimas semanas, foi registrado apenas um novo contrato envolvendo um navio recém-construído de 4.600 TEUs. A embarcação teria sido contratada para uma operação de curto prazo, com remuneração na faixa inferior de US$ 60 mil por dia.

Perspectiva é de continuidade da oferta limitada

Para os próximos meses, a expectativa da Alphaliner é de que a disponibilidade reduzida de navios continue restringindo o volume de novas contratações.

Mesmo com a demanda por capacidade de transporte marítimo permanecendo forte, a limitação da oferta deverá seguir como fator determinante para o comportamento do mercado de afretamento.

FONTE: Mundo Marítimo
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Modais em Foco

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Internacional

China multa MSC, CMA CGM e Hapag-Lloyd por irregularidades em fretes marítimos

O governo da China aplicou multas contra nove companhias internacionais de transporte marítimo de contêineres e sete operadores domésticos do tipo NVOCC (Non-Vessel Operating Common Carrier) por supostas violações relacionadas às tarifas de frete. A medida foi anunciada pelo Ministério dos Transportes chinês, que também emitiu um alerta para que as empresas reforcem seus sistemas de controle e conformidade.

Gigantes do transporte marítimo estão entre as empresas penalizadas

Entre as companhias atingidas pela ação estão líderes globais do setor, como MSC Mediterranean Shipping Company, CMA CGM Group, Hapag-Lloyd, Ocean Network Express e Evergreen Marine.

Outras transportadoras de menor porte também aparecem na lista de autuadas, incluindo Wan Hai Lines, SM Line, Emirates Shipping e TS Lines.

Fiscalizações ocorreram em importantes portos chineses

Segundo o ministério, as inspeções foram realizadas nos portos de Guangzhou, Qingdao e Ningbo entre agosto e novembro de 2025.

As autoridades concentraram a fiscalização no cumprimento das regras de registro das tarifas de frete marítimo. De acordo com o governo chinês, as empresas apresentaram irregularidades como ausência de registro obrigatório das tarifas ou divergências entre os valores declarados e os efetivamente praticados.

Além das multas administrativas, o Ministério informou ter realizado reuniões formais consideradas “sérias” com as companhias envolvidas.

Governo chinês promete reforçar controle sobre tarifas de frete

O Ministério dos Transportes afirmou que as empresas deverão aprimorar seus sistemas de declaração de fretes, ampliar os mecanismos de responsabilização interna e cumprir rigorosamente as exigências regulatórias.

As autoridades chinesas classificaram a ação como um “alerta” ao setor e indicaram que novas inspeções serão intensificadas nos próximos meses. O objetivo é ampliar o monitoramento sobre o cumprimento das normas relacionadas aos fretes marítimos, transporte internacional de contêineres e registro de tarifas portuárias.

Pressão sobre armadores já havia ocorrido em março

A nova rodada de penalidades acontece meses após o governo chinês convocar executivos da Maersk e da MSC Mediterranean Shipping Company para reuniões em março deste ano.

Na ocasião, o movimento foi interpretado como uma reação de Pequim após acordos envolvendo operações portuárias no Canal do Panamá. Segundo informações divulgadas pelo jornal Financial Times, autoridades chinesas teriam solicitado discretamente que as companhias abandonassem operações de terminais anteriormente controladas pela CK Hutchison e assumidas pelo governo panamenho.

A CK Hutchison também informou que pretende recorrer à arbitragem contra a APM Terminals, subsidiária ligada à Maersk.

FONTE: Maritime Executive
TEXTO: Redação
IMAGEM: Qingdao

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Portos

Leilão do Tecon Santos 10 terá outorga bilionária e regras mais flexíveis para armadores

A Casa Civil encaminhou novas diretrizes para o leilão do Tecon Santos 10, futuro superterminal de contêineres do Porto de Santos (SP), considerado um dos maiores projetos de infraestrutura portuária do país.

Em nota técnica elaborada pelo Programa de Parcerias de Investimentos (PPI), o governo orienta o Ministério de Portos e Aeroportos a flexibilizar as regras de participação no certame e elevar o valor mínimo de outorga de R$ 500 milhões para R$ 1,044 bilhão.

O documento também libera a participação de armadores internacionais no processo de concessão, tema que vinha gerando forte debate entre empresas do setor e órgãos reguladores.

Armadores poderão disputar o terminal

A nova modelagem abre espaço para grupos de navegação marítima, como MSC, Maersk e Cosco, participarem da disputa pelo superterminal de Santos.

A medida altera o entendimento anterior que buscava restringir a presença de armadores para evitar a chamada verticalização das operações — situação em que uma mesma empresa controla tanto o transporte marítimo quanto a operação portuária.

Segundo a nota técnica do PPI, não foram identificados impedimentos concorrenciais ou regulatórios suficientes para barrar a entrada dessas companhias no leilão.

O texto afirma ainda que limitar a participação dos armadores poderia gerar ineficiências produtivas, econômicas e sociais para o setor portuário.

Operadoras atuais também poderão entrar na disputa

Outra mudança relevante envolve as empresas que já atuam no Porto de Santos. Pela nova orientação, operadoras atuais poderão participar diretamente do leilão do Tecon Santos 10.

No entanto, caso vençam a disputa, precisarão formalizar a venda definitiva de suas participações em outros terminais de contêineres localizados no porto antes da assinatura do novo contrato.

A proposta busca reduzir riscos concorrenciais e evitar concentração excessiva no mercado portuário.

Segundo o documento, caso a venda dos ativos não seja concluída, o governo poderá convocar o segundo colocado do leilão sem prejuízos ao processo.

Projeto prevê mais de R$ 6 bilhões em investimentos

O Tecon Santos 10 é tratado como estratégico para ampliar a capacidade logística do maior porto da América Latina.

O terminal deve receber investimentos superiores a R$ 6 bilhões e tem potencial para aumentar em cerca de 50% a movimentação de contêineres no Porto de Santos, que atualmente opera próximo do limite de capacidade.

A expectativa do governo é que o novo terminal ajude a reduzir custos logísticos e aumente a eficiência das operações portuárias brasileiras.

Cronograma do leilão sofreu atrasos

Inicialmente previsto para ocorrer no fim de 2025, o leilão acabou sendo adiado em meio às divergências entre empresas interessadas e discussões sobre o modelo regulatório.

Agora, o cenário mais otimista aponta para a realização do certame no segundo semestre de 2026, embora ainda exista a possibilidade de o processo ficar para 2027.

Empresas como ICTSI e JBS defendiam um modelo mais restritivo, com etapas separadas para entrada de novos operadores e atuais participantes do mercado.

Governo defende maior concorrência no certame

Na nota técnica, o PPI afirma que o governo federal não pretende favorecer novos participantes em detrimento das empresas já estabelecidas no setor.

O entendimento da Casa Civil é de que uma concorrência mais ampla pode aumentar as chances de selecionar operadores mais eficientes e competitivos para administrar o terminal.

O documento destaca ainda que o aumento da disputa tende a beneficiar a cadeia logística nacional, reduzindo custos e ampliando a capacidade operacional do comércio exterior brasileiro.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Jorge Silva/Reuters

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Transporte

MSC alcança 1.000 navios e consolida liderança no transporte marítimo global

A gigante do transporte marítimo Mediterranean Shipping Company (MSC) atingiu um marco histórico ao se tornar a primeira empresa do mundo a operar uma frota de 1.000 navios porta-contêineres. A informação foi divulgada pela consultoria asiática Linerlytica, especializada no setor.

Entrega de novo navio garante recorde

O feito foi possível após a entrega do navio MSC Migsan, com capacidade para 11.480 TEUs, construído pelo estaleiro Zhoushan Changhong Shipyard. A incorporação da embarcação elevou a frota da companhia ao patamar inédito de quatro dígitos na indústria de contêineres.

Expansão acelerada e liderança global

Empresa privada e maior armadora de contêineres do planeta, a MSC ultrapassou a dinamarquesa Maersk há cerca de cinco anos, consolidando sua posição no topo do ranking mundial. Atualmente, sua frota é cerca de 57% maior que a da principal concorrente.

Com capacidade total de aproximadamente 7,3 milhões de TEUs, a companhia alcança um volume equivalente à soma das frotas de outras grandes operadoras globais, como Hapag-Lloyd, Ocean Network Express, Evergreen Marine e HMM.

Crescimento impulsionado pelo mercado

Segundo especialistas, o avanço da empresa coincide com o período de maior valorização já registrado no mercado de transporte de contêineres, especialmente a partir de 2020. O diferencial da MSC está no fato de ter ampliado sua presença global majoritariamente por meio de crescimento orgânico, sem depender de grandes aquisições.

Sucessão familiar e legado

A companhia também anunciou recentemente mudanças em sua estrutura de comando. O fundador Gianluigi Aponte, de 85 anos, transferiu o controle do grupo para seus filhos, Diego Aponte e Alexa Aponte.

“Essa transição reflete não apenas o comprometimento e as conquistas deles, mas também a continuidade da tradição marítima da nossa família”, afirmou o empresário.

Natural de Nápoles, Aponte fundou a MSC em 1970 e transformou a companhia em um dos maiores conglomerados do setor, com forte atuação também no mercado de cruzeiros.

Fortuna e relevância global

A família Aponte figura entre as mais ricas do mundo, aparecendo regularmente na lista de bilionários da Forbes e sendo frequentemente apontada como a mais rica da Suíça.

FONTE: Splash 247
TEXTO: Redação
IMAGEM:  Zhoushan Changhong International Shipyard

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Transporte

MSC interrompe transporte marítimo para o Oriente Médio e afeta exportações brasileiras de carne

A MSC (Mediterranean Shipping Company), considerada a maior empresa de transporte marítimo de contêineres do mundo, comunicou clientes brasileiros que cargas destinadas ao Oriente Médio terão a viagem interrompida. A medida foi tomada em meio ao agravamento do conflito no Oriente Médio, que tem elevado o risco de navegação em rotas estratégicas do comércio internacional.

Empresas exportadoras de carne do Brasil receberam a notificação, incluindo companhias ligadas à Abiec (Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes). No aviso, a companhia informa que declarou “End of Voyage”, ou seja, fim de viagem, para contêineres com destino a portos do Golfo Árabe.

Cargas serão descarregadas em portos alternativos

Segundo o comunicado enviado pela empresa de logística marítima, os contêineres que já estão em trânsito serão retirados dos navios e descarregados no porto seguro mais próximo da rota atual. Após o desembarque, as mercadorias ficarão disponíveis para retirada pelos proprietários da carga.

Além da interrupção da rota, a MSC informou que aplicará uma sobretaxa de US$ 800 por contêiner — cerca de R$ 4,2 mil na cotação atual. Os exportadores também deverão arcar com custos adicionais relacionados à descarga, manuseio e armazenagem das mercadorias.

No comunicado, a empresa justificou a decisão com base no cenário geopolítico da região.

“Diante do atual cenário no Oriente Médio e dos recentes acontecimentos que tornaram o ambiente ainda mais sensível, a MSC lamenta informar que se vê obrigada a declarar fim de viagem”, informou a companhia aos clientes.

Setor de carnes relata surpresa com a decisão

A decisão pegou exportadores brasileiros de surpresa. Um empresário do setor de carne bovina, que preferiu não se identificar, afirmou que nunca havia recebido um aviso semelhante de uma empresa de navegação.

De acordo com ele, dois contêineres da companhia serão deixados em um porto ainda não informado. Caso a empresa queira retirar a carga, terá de assumir os custos logísticos adicionais.

O caso foi encaminhado ao departamento jurídico da empresa exportadora. Mesmo assim, a avaliação interna é de que há poucas alternativas diante das cláusulas contratuais comuns no transporte marítimo internacional.

Conflito no Oriente Médio começa a afetar logística global

A interrupção das rotas ocorre em meio à escalada das tensões envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, situação que aumenta o risco para navios em corredores estratégicos do comércio global e já pressiona o frete marítimo internacional.

O presidente da Abiec, Roberto Perosa, afirma que o setor já percebe sinais de impacto na logística das exportações brasileiras.

Segundo ele, há relatos de navios interrompendo rotas, cargas sendo redirecionadas para outros portos e dificuldades operacionais em regiões estratégicas como o Canal de Suez, um dos principais corredores do comércio mundial.

Perosa ressalta que os efeitos ainda não são generalizados, mas geram preocupação no setor.

“O Oriente Médio funciona como um grande hub logístico para a carne bovina brasileira. Por isso, qualquer instabilidade na região pode afetar significativamente nossas exportações”, afirmou.

Exportações podem ter bilhões em risco

De acordo com dados da Abiec, as exportações brasileiras de carne bovina para o Oriente Médio movimentaram cerca de US$ 2 bilhões em 2025 — aproximadamente R$ 10,6 bilhões.

No entanto, considerando cargas que apenas transitam pela região antes de seguir para outros destinos, o volume potencialmente impactado pode chegar perto de US$ 6 bilhões, o equivalente a cerca de R$ 31,7 bilhões.

A reportagem procurou a MSC para comentar a situação, mas a empresa não respondeu até a publicação.

FONTE: SBT News
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/MSC

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Internacional

MSC declara fim de viagem para cargas destinadas ao Golfo Árabe devido à situação no Oriente Médio

A MSC anunciou que, diante da instabilidade atual no Oriente Médio, será necessário declarar Fim de Viagem para todas as cargas sob sua responsabilidade, tanto em portos quanto em alto-mar, com destino a portos no Golfo Árabe.

Medida também afeta contêineres vazios

A determinação inclui todos os contêineres vazios que já foram liberados para carregamento e tinham como destino a região.

Redirecionamento e custos adicionais

As cargas em trânsito serão desviadas para o próximo porto seguro disponível. Nesse local, a mercadoria será descarregada e ficará à disposição dos clientes para retirada ou entrega local.

Um sobretaxa obrigatória de US$ 800 por contêiner será aplicada a todas as remessas afetadas, para cobrir custos do desvio. Além disso, todas as despesas relacionadas ao descarregamento — incluindo manuseio, armazenamento e taxas adicionais — serão de responsabilidade exclusiva do cliente, conforme os termos do MSC Sea Waybill / Bill of Lading, especialmente a Cláusula 13 sobre circunstâncias especiais.

Alternativas de transporte

Caso o cliente deseje enviar a carga para outro destino, será necessário reservar uma nova viagem através dos canais oficiais da MSC.

Contato e orientações

A empresa solicita que os clientes entrem em contato com o escritório local da MSC para obter detalhes sobre o porto de destino designado e confirmar as instruções de retirada local da carga.

A MSC reforça que a decisão foi tomada em função de circunstâncias excepcionais fora de seu controle e agradece a compreensão e cooperação de seus clientes neste período.

Para mais informações ou suporte, os clientes podem contatar qualquer representante da MSC na sua rede global de mais de 675 escritórios.

FONTE: MSC
TEXTO: Redação
IMAGEM: O Globo

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