Exportação

Mel gaúcho mira mercado europeu e aposta em acordo Mercosul–União Europeia

A apicultura gaúcha, uma das mais relevantes do Brasil ao lado da produção paranaense, acompanha com expectativa a possibilidade de ampliar sua presença no mercado da União Europeia. O interesse cresce após a assinatura do acordo comercial entre o bloco europeu e o Mercosul, que pode abrir novas oportunidades para o mel brasileiro em um cenário de mudanças no comércio internacional.

Exportações concentradas e impacto do mercado norte-americano

Atualmente, cerca de 60% da produção nacional de mel, estimada em aproximadamente 60 mil toneladas ao ano, é destinada à exportação. Os Estados Unidos seguem como principal destino, respondendo por 75% a 80% dos embarques. No entanto, a sobretaxa de 50% imposta ao mel brasileiro desde agosto do ano passado deve pressionar os resultados ao longo deste ano.

O mercado europeu absorve em torno de 15% das exportações, com destaque para a Alemanha e, fora da União Europeia, a Inglaterra. A expectativa do setor é que esse percentual cresça caso as exigências técnicas e sanitárias sejam atendidas.

Exigências sanitárias e resíduos no centro das negociações

Segundo Aroni Sattler, professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs) e integrante da Comissão Técnica Científica da Federação Apícola do RS (Fargs), o principal desafio para acessar o mercado europeu está no controle de resíduos químicos.

De forma geral, defensivos utilizados nas lavouras não afetam diretamente as abelhas, mas podem deixar traços no mel. Esses níveis, embora aceitos pela legislação brasileira, nem sempre atendem aos padrões mais rigorosos da União Europeia, o que exige ajustes e maior controle de qualidade por parte dos produtores.

Barreiras comerciais e pressão de produtores europeus

Além dos critérios técnicos, o setor enfrenta entraves de natureza mercadológica. Conforme Sattler, quando o mel brasileiro ganha espaço na Europa e passa a competir com a produção local, surgem pressões por regras mais restritivas, muitas vezes justificadas por questões sanitárias.

Esse movimento, segundo ele, funciona como uma forma de barganha comercial, comum em mercados agrícolas altamente competitivos. Protestos recentes de agricultores franceses contra o acordo Mercosul–União Europeia ilustram esse tipo de reação à entrada de produtos mais competitivos.

Oportunidade aberta pela guerra no Leste Europeu

Um fator que pode favorecer o mel brasileiro é a redução da oferta da Ucrânia, tradicional fornecedora do mercado europeu, em razão do conflito com a Rússia. Esse espaço pode ser ocupado por países do Mercosul, desde que cumpram as exigências técnicas e consigam lidar com a resistência de produtores locais.

Produção, mercado interno e novos canais de consumo

Além da adaptação às normas europeias e da expectativa de revisão das tarifas norte-americanas, o setor aposta no aumento da produtividade apícola, com mais quilos de mel por colmeia ao ano. Isso permitiria atender tanto o mercado externo quanto o consumo interno, que absorve cerca de 40% da produção nacional.

Uma das apostas é a inclusão do mel na merenda escolar, o que ampliaria significativamente a demanda e daria maior estabilidade ao setor.

Apicultura presente em quase todo o Rio Grande do Sul

A atividade está distribuída por praticamente todos os municípios gaúchos, envolvendo desde agricultores familiares, para quem o mel representa renda complementar, até apicultores profissionais, com duas mil a três mil colmeias voltadas à exportação. Cada grupo responde por cerca de 50% da produção estadual, que em anos regulares varia entre 8 mil e 9 mil toneladas.

Após perdas provocadas pelo clima no ano passado, a expectativa para 2026 é de recuperação, impulsionada por boas condições na primavera e pela safra do mel de soja, especialmente nas regiões da Campanha, Missões e Planalto, além de perspectivas positivas nos Campos de Cima da Serra e na Metade Sul.

FONTE: Correio do Povo
TEXTO: Redação
IMAGEM: Alberto Marsaro Júnioir / Embrapa Trigo / Divulgação / CP

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Agronegócio

Brasil amplia exportações de carne bovina com abertura dos mercados do Vietnã e da Arábia Saudita

O Brasil deu mais um passo para ampliar a presença de seus produtos agropecuários no mercado internacional. O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e o Ministério das Relações Exteriores (MRE) informaram a conclusão das negociações sanitárias que viabilizam a abertura de mercados no Vietnã e na Arábia Saudita para produtos bovinos brasileiros.

Segundo comunicado conjunto, as autoridades sanitárias do Vietnã autorizaram a importação de gordura bovina brasileira, medida que amplia o portfólio de produtos exportados e cria novas oportunidades para a cadeia da pecuária nacional.

Vietnã amplia compras do agronegócio brasileiro

Com uma população estimada em cerca de 100 milhões de habitantes, o Vietnã se consolida como um dos principais parceiros comerciais do agronegócio brasileiro. Somente em 2025, o país asiático importou mais de US$ 3,5 bilhões em produtos agropecuários do Brasil.

Entre os itens mais comercializados estão milho, produtos do complexo soja, além de fibras e produtos têxteis, reforçando a importância estratégica do mercado vietnamita para o setor.

Arábia Saudita autoriza importação de heparina bovina

Já na Arábia Saudita, houve a liberação para a exportação de heparina bovina, substância anticoagulante amplamente utilizada em procedimentos e tratamentos médicos. O aval das autoridades sanitárias sauditas representa um avanço relevante para a indústria brasileira de insumos de origem animal.

O país do Oriente Médio, que possui aproximadamente 34 milhões de habitantes, importou mais de US$ 2,8 bilhões em produtos agropecuários brasileiros no último ano. Entre os principais destaques estão o milho, os produtos do complexo carnes e do complexo sucroalcooleiro.

Expansão de mercados e diversificação das exportações

A abertura desses novos mercados reforça a estratégia brasileira de diversificação das exportações agropecuárias e amplia a competitividade dos produtos de origem bovina no cenário global, fortalecendo a imagem sanitária do Brasil junto a importantes parceiros comerciais.

FONTE: Canal Rural Mato Grosso
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Canal Rural Mato Grosso

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Agronegócio

Agronegócio brasileiro registra recorde histórico de exportações em 2025 e alcança superávit de US$ 149 bilhões

O agronegócio brasileiro encerrou 2025 com o maior resultado já registrado em vendas externas. As exportações do agro somaram US$ 169,2 bilhões, alta de 3% na comparação com 2024, quando o setor havia exportado US$ 164,3 bilhões. O desempenho garantiu ao segmento participação de 48,5% das exportações totais do Brasil no ano.

O avanço foi sustentado principalmente pelo aumento de 3,6% no volume exportado, movimento que compensou a leve retração de 0,6% nos preços médios internacionais.

Estratégia de diversificação impulsiona desempenho do agro

Segundo o ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, o resultado recorde reflete a atuação coordenada do governo federal, envolvendo o Mapa, o Itamaraty, o MDIC e a ApexBrasil, com foco na diversificação de produtos e mercados. O ministro também destacou a capacidade produtiva do campo brasileiro, que conseguiu abastecer o mercado interno e exportar excedentes, contribuindo para o controle de preços, geração de empregos e crescimento econômico, com base em uma agropecuária cada vez mais tecnológica e sustentável.

Importações crescem, mas superávit segue elevado

As importações agropecuárias totalizaram US$ 20,2 bilhões em 2025, crescimento de 4,4% frente ao ano anterior. Com isso, a corrente de comércio do agronegócio alcançou US$ 189,4 bilhões. O saldo da balança comercial do agro fechou o ano com superávit expressivo de US$ 149,07 bilhões.

Dezembro tem melhor resultado da série histórica

Somente em dezembro, as exportações do agronegócio chegaram a US$ 14 bilhões, o maior valor já registrado para o mês, com crescimento de 19,8% em relação a dezembro de 2024. As importações somaram US$ 1,62 bilhão, resultando em superávit mensal de US$ 12,38 bilhões.

Abertura de mercados fortalece presença internacional

Em 2025, o Brasil alcançou a marca de 525 novos mercados abertos desde 2023. De acordo com o secretário de Comércio e Relações Internacionais, Luís Rua, essas aberturas já geraram cerca de US$ 4 bilhões em receitas cambiais adicionais, sem considerar ampliações de acesso já existentes. A diversificação de destinos permitiu ao setor enfrentar desafios do cenário global, como barreiras tarifárias, casos de influenza aviária e queda de preços de algumas commodities.

Safra recorde garante excedentes exportáveis

A safra de grãos 2024/2025 atingiu 352,2 milhões de toneladas, crescimento de 17% sobre o ciclo anterior. Na pecuária, a produção de carnes bovina, suína e de frango também alcançou níveis históricos, assegurando excedentes para exportação sem comprometer o abastecimento interno.

Principais destinos das exportações agropecuárias

A China manteve a liderança como maior compradora do agro brasileiro, com US$ 55,3 bilhões em aquisições, equivalente a 32,7% do total exportado e crescimento de 11%. A União Europeia aparece em seguida, com US$ 25,2 bilhões (+8,6%), enquanto os Estados Unidos somaram US$ 11,4 bilhões, registrando queda de 5,6%.

Outros mercados ampliaram significativamente suas compras, como Paquistão, Argentina, Filipinas, Bangladesh, Reino Unido e México.

Soja, carnes e café lideram a pauta exportadora

A soja em grãos seguiu como principal produto exportado, com US$ 43,5 bilhões em receitas e volume recorde de 108,2 milhões de toneladas. A carne bovina também bateu recorde, alcançando US$ 17,9 bilhões, com crescimento de quase 40% em valor e abertura de 11 novos mercados.

A carne suína registrou aumento de 19,6% em valor e colocou o Brasil, pela primeira vez, como terceiro maior exportador mundial. Já a carne de frango teve leve avanço no volume exportado, mesmo após um ano marcado por restrições sanitárias.

O café brasileiro apresentou forte valorização, com crescimento de 30,3% em valor, totalizando US$ 16 bilhões, impulsionado por preços internacionais elevados. Também se destacaram as exportações de frutas, pescados e produtos não tradicionais.

Produtos não tradicionais ganham espaço e batem recordes

Itens fora do grupo principal de commodities tiveram crescimento expressivo em 2025. Entre os destaques estão gergelim, miudezas bovinas, DDG de milho, feijões, pimenta, amendoim, óleo de amendoim, melões frescos e castanha de caju, muitos deles com recordes históricos de valor e volume exportado.

Iniciativas ampliam acesso do produtor ao mercado externo

Ferramentas como AgroInsight, Passaporte Agro e Caravanas do Agro Exportador fortaleceram o apoio ao exportador brasileiro. Lançado em janeiro de 2025, o AgroInsight já mapeou mais de 800 oportunidades de negócios em 38 países, contribuindo para ampliar a presença do agronegócio brasileiro no comércio internacional.

FONTE: Ministério da Agricultura e Pecuária
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Ministério da Agricultura e Pecuária

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Exportação

Exportação de carne suína: Brasil ultrapassa o Canadá e vira o 3º maior exportador do mundo

O Brasil alcançou um novo patamar na exportação de carne suína e passou a ocupar a terceira posição no ranking mundial do setor. Dados divulgados nesta quarta-feira (7) pela Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) mostram que o país embarcou 1,510 milhão de toneladas em 2025, volume recorde que representa crescimento de 11,6% em relação ao ano anterior.

Com esse desempenho, a suinocultura brasileira superou o Canadá e, pela primeira vez, conquistou o posto de terceiro maior exportador global da proteína.

Dezembro impulsiona recorde anual de embarques

O resultado expressivo foi puxado principalmente pelo desempenho do último mês do ano. Em dezembro, as exportações de carne suína brasileira avançaram 25,8%, com embarques de 137,8 mil toneladas, consolidando o ritmo acelerado do setor em 2025.

A receita acompanhou o crescimento do volume exportado. No acumulado do ano, o faturamento somou US$ 3,619 bilhões, alta de 19,3%, indicando não apenas maior quantidade vendida, mas também melhor remuneração no mercado internacional.

Preço médio sobe e reflete valorização do produto brasileiro

A diferença entre o crescimento da receita e o aumento do volume exportado evidencia uma valorização do preço médio da tonelada de carne suína. Enquanto os embarques cresceram 11,6%, o faturamento avançou quase o dobro desse percentual.

Segundo a ABPA, esse movimento está diretamente ligado à credibilidade sanitária do Brasil, que se manteve fora das grandes crises de Peste Suína Africana (PSA) registradas em países da Europa e da Ásia. O cenário reforçou a imagem do país como fornecedor confiável, com regularidade e segurança alimentar.

Filipinas assumem liderança entre os destinos

Um dos pontos mais relevantes do balanço de 2025 foi a mudança no perfil dos principais compradores. As Filipinas passaram a ser o maior destino da carne suína brasileira, com importações de 392,9 mil toneladas, crescimento expressivo de 54,5%.

Com isso, o país asiático superou a China, que reduziu suas compras em 33,9%, totalizando 159,2 mil toneladas no período.

Diversificação de mercados fortalece o setor

Para o presidente da ABPA, Ricardo Santin, o novo cenário confirma o sucesso da estratégia de diversificação de mercados. Segundo ele, o Brasil reduziu a dependência do mercado chinês e ampliou presença em destinos considerados estratégicos.

Entre os destaques estão o Japão, com aumento de 22,4% nas importações, e o Chile, que registrou crescimento de 4,9%. A ampliação do leque de compradores contribui para maior estabilidade e previsibilidade ao setor exportador.

FONTE: Agrimídia
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Agrimídia

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Exportação

Santa Catarina alcança recorde histórico na exportação de carnes em 2025

Santa Catarina registrou um novo marco na exportação de carnes e consolidou sua posição de destaque no mercado internacional de proteínas animais. Ao longo de 2025, o estado comercializou mais de 2 milhões de toneladas de carnes para o exterior, alcançando crescimento de 2,8% em volume e 8,4% em valor na comparação com 2024. A receita total ultrapassou US$ 4,5 bilhões.

Os dados são do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), sistematizados pelo Epagri/Cepa. Com esse desempenho, Santa Catarina respondeu por 19,5% das exportações brasileiras de carnes, mantendo-se como o segundo maior estado exportador do país.

Produção de excelência impulsiona resultados

O governador Jorginho Mello atribuiu o desempenho à qualidade da produção e à atuação integrada da cadeia produtiva. Segundo ele, a combinação entre sanidade animal, profissionalismo dos produtores e políticas públicas voltadas à abertura de mercados internacionais tem sido decisiva para os resultados alcançados.

Exportações crescem no mercado internacional

Somente no mês de dezembro, os embarques catarinenses somaram 193 mil toneladas, com faturamento de US$ 428,6 milhões. Em relação a novembro de 2025, o crescimento foi de 23,5% em volume e 21,6% em valor. Na comparação com dezembro de 2024, os avanços chegaram a 14,1% em quantidade e 17% em receita.

Para o secretário de Estado da Agricultura e Pecuária, Carlos Chiodini, os números refletem a competitividade do agro catarinense. Ele destacou que o reconhecimento internacional do status sanitário permite que Santa Catarina exporte proteínas animais para mais de 150 países.

Carne de frango lidera exportações

No acumulado de 2025, o estado exportou 1,20 milhão de toneladas de carne de frango, com receita de US$ 2,45 bilhões. O resultado representa aumento de 3% em volume e 6,9% em valor frente ao ano anterior. Trata-se do maior faturamento da série histórica, iniciada em 1997, e do terceiro melhor desempenho em quantidade.

De acordo com o analista da Epagri/Cepa, Alexandre Giehl, a Arábia Saudita foi o principal destino da carne de frango catarinense, concentrando 11,9% da receita, seguida pelos Países Baixos (11,6%) e pelo Japão (10,4%). No cenário nacional, Santa Catarina respondeu por 25,6% da receita e 23,3% do volume exportado pelo Brasil, mantendo-se como o segundo maior exportador do produto.

Carne suína mantém liderança nacional

As exportações de carne suína também atingiram patamar recorde em 2025. O estado embarcou 748,8 mil toneladas, com faturamento de US$ 1,85 bilhão, registrando crescimento de 4,1% em volume e 9,4% em valor na comparação com 2024. Esse é o melhor resultado anual da série histórica, consolidando Santa Catarina como maior produtor e exportador de carne suína do Brasil.

O estado respondeu por 50,9% do volume e 51,8% da receita das exportações brasileiras do produto. Os principais destinos foram Japão (21% da receita), Filipinas (19,2%) e China (15,6%). Também chamou atenção a expansão das vendas para o México, que alcançou a quarta posição no ranking estadual, com alta de 78,7% em volume e 82,8% em receita.

Avanço nas exportações de carne de peru

Santa Catarina também apresentou crescimento expressivo nas exportações de carne de peru, com aumento de 6,9% em quantidade e avanço de 60,3% em receita. O estado foi responsável por 44,8% do volume e 48% do faturamento brasileiro com esse produto, reforçando sua liderança nacional no segmento.

FONTE: Guararema News
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Secom

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Exportação

Venezuela em crise política pode impactar exportações de arroz gaúcho.

A atual instabilidade política na Venezuela acende um sinal de alerta para o agronegócio do Rio Grande do Sul, especialmente para a cadeia produtiva do arroz, produto no qual o Estado lidera a produção nacional. O país vizinho figura entre os principais destinos do cereal brasileiro, tornando qualquer turbulência institucional um fator de risco para o escoamento da safra.

Venezuela é mercado estratégico para o arroz brasileiro

Dados da Câmara de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio indicam que, entre janeiro e novembro do último ano, a Venezuela ocupou a segunda posição entre os maiores compradores de arroz do Brasil. A maior parte desse volume teve origem no Rio Grande do Sul, principal polo produtor do grão no país.

Segundo Renan Hein dos Santos, assessor de Relações Internacionais da Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul), o mercado venezuelano exerce papel relevante no equilíbrio do setor.
“Trata-se de um cliente fundamental para o arroz gaúcho, sobretudo diante da necessidade de escoamento da produção em função dos preços internos. O cenário venezuelano merece acompanhamento atento”, avalia.

Safra maior pressiona preços internos

Com uma safra 22% superior em 2025, o Brasil enfrentou um cenário de queda expressiva nos preços do arroz. Nesse contexto, as exportações passaram a ser consideradas decisivas para evitar excesso de oferta no mercado doméstico e garantir sustentação aos produtores.

Nos últimos cinco anos, mesmo com oscilações no ranking, a Venezuela manteve-se de forma consistente entre os quatro maiores importadores de arroz brasileiro, reforçando sua importância estratégica para o setor.

Evolução das exportações de arroz para a Venezuela

Brasil – janeiro a novembro (em mil toneladas)

  • 2021: 98,9
  • 2022: 190,97
  • 2023: 208,74
  • 2024: 106,19
  • 2025: 165,72

Rio Grande do Sul – janeiro a novembro (em mil toneladas)

  • 2021: 75,25
  • 2022: 180,22
  • 2023: 180,57
  • 2024: 106,19
  • 2025: 165,72

Os números evidenciam a dependência do mercado externo, especialmente da Venezuela, para a sustentabilidade econômica do arroz produzido no RS, em um momento de elevada oferta e margens pressionadas.

Fonte: Câmara de Comércio Exterior e Farsul
Texto: Redação

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Exportação

Tarifa de importação de carne bovina pela China: impactos e desafios para o Brasil

A decisão da China de impor uma tarifa adicional de 55% sobre a importação de carne bovina acima de determinados volumes deve trazer efeitos relevantes para o mercado brasileiro a partir de 2026. O país asiático estabeleceu cotas anuais livres da sobretaxa, o que limita o crescimento das exportações brasileiras e pode pressionar preços e estratégias comerciais no médio prazo.

Cotas de exportação e limites impostos pela China

De acordo com as regras anunciadas, o Brasil poderá exportar para a China, sem a tarifa adicional, 1,106 milhão de toneladas de carne bovina em 2026. Esse volume sobe levemente para 1,128 milhão em 2027 e 1,154 milhão em 2028, números bem abaixo do desempenho recente do país.

Em 2025, até novembro, o Brasil já havia exportado 1,49 milhão de toneladas para o mercado chinês. Em dezembro de 2024, os embarques somaram 113,94 mil toneladas, e a expectativa é que o total de 2025 fique entre 1,65 e 1,75 milhão de toneladas, cerca de 50% acima da cota prevista para 2026.

Quando a tarifa deve começar a pesar

A média mensal de exportações brasileiras para a China em 2025 foi de 138,26 mil toneladas até novembro. Mantido esse ritmo, a cota anual deve ser atingida entre agosto e setembro de 2026, momento em que a tarifa adicional começaria a ser aplicada.

Esse cenário tende a ser ainda mais sensível porque a demanda chinesa por carne bovina costuma ser maior no segundo semestre do ano. Até lá, há espaço para negociações diplomáticas e comerciais entre os governos.

Espaço para negociação e comparação com outros países

Outros exportadores, como a Argentina, receberam cotas superiores ao volume que vinham exportando, enquanto o Brasil ficou abaixo de seu histórico recente. Isso indica margem para revisão das condições impostas e reforça o papel da negociação bilateral.

Impacto financeiro da tarifa

Caso a tarifa seja aplicada sobre cerca de 600 mil toneladas, o impacto financeiro pode chegar a aproximadamente US$ 2,9 bilhões, considerando o preço médio de US$ 4,78 por quilo registrado em 2025. No entanto, esse efeito só deve ser sentido de forma mais clara a partir da segunda metade de 2026.

China segue como principal destino da carne bovina brasileira

Mesmo com a nova política, a China segue como o maior comprador da carne bovina brasileira. Em 2025, até novembro, o país respondeu por 53,8% das exportações totais. Apesar do volume recorde, essa participação é menor do que a observada em 2022 e 2023, indicando crescimento mais acelerado das vendas para outros mercados.

Demanda chinesa continua elevada

A demanda chinesa por carne bovina segue estruturalmente forte. O país importa cerca de 4 milhões de toneladas em equivalente carcaça, enquanto sua produção cresce apenas cerca de 2,1% ao ano. Entre 2020 e 2026, a produção deve avançar 12,5%, enquanto o consumo deve crescer 19%, ampliando a dependência de importações.

Efeitos no mercado global e oportunidades para o Brasil

A imposição da tarifa pode elevar a inflação de alimentos na China, o que aumenta a probabilidade de ajustes futuros na política comercial. Experiências anteriores mostram que barreiras tarifárias tendem a redistribuir fluxos: quando os Estados Unidos taxaram produtos brasileiros, outros mercados, como o México, ampliaram suas compras.

Nesse contexto, a diversificação de destinos torna-se estratégica. Países como Estados Unidos, Rússia, Indonésia e membros da União Europeia já ampliam sua participação nas compras de carne bovina brasileira.

Perspectivas para o preço do boi gordo

No curto prazo, a medida tende a gerar incerteza e pressão sobre o preço do boi gordo. Contudo, no médio e longo prazo, a redução da oferta de animais para abate e a expectativa de demanda global mais firme devem sustentar a valorização da arroba.

A decisão chinesa pode, paradoxalmente, acelerar a diversificação de mercados e reduzir a dependência brasileira de um único comprador, fortalecendo o poder de negociação do país no comércio internacional de carne bovina.

FONTE: Farm News
TEXTO: Redação
IMAGEM: Farm News

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Economia

Economia do ano: Portugal se destaca e abre caminho para reposicionar o Brasil na geopolítica global

Portugal é eleito a economia do ano e ganha protagonismo internacional
Portugal foi apontado como a economia do ano entre os países desenvolvidos, segundo avaliação internacional, e passa a ocupar um novo patamar no cenário global. O reconhecimento vai além dos números e sinaliza uma mudança estrutural na forma como o país se posiciona diante das transformações económicas e geopolíticas do século XXI.

Mais do que um desempenho positivo interno, o destaque português projeta impactos diretos para a economia global, para a Europa e, especialmente, para o Brasil, que surge como parceiro estratégico nesse novo tabuleiro internacional.

Reconhecimento internacional ultrapassa indicadores económicos
A escolha de Portugal não se baseia apenas em crescimento do PIB ou equilíbrio fiscal. A análise valoriza a capacidade do país de manter estabilidade institucional, previsibilidade política e articulação diplomática em um mundo marcado por conflitos e fragmentação.

Com isso, Portugal deixa de ser apenas um exemplo doméstico de gestão econômica e passa a ser visto como um ator capaz de construir consensos e influenciar agendas globais.

Portugal redefine seu papel no cenário internacional
O país compreendeu que o Atlântico voltou a ter centralidade estratégica. A combinação entre crescimento económico, estabilidade política e diplomacia ativa coloca Portugal em uma posição rara: a de mediador confiável em um ambiente internacional cada vez mais polarizado.

Sem adotar posturas confrontacionais, Portugal fortalece pontes, amplia diálogos e ganha espaço em um contexto de desgaste das grandes potências tradicionais.

Brasil surge como parceiro estratégico nesse novo ciclo
O reposicionamento português ganha força quando conectado ao Brasil. O país sul-americano reúne peso populacional, relevância económica e protagonismo em temas como meio ambiente, energia e segurança alimentar.

De forma isolada, ambos têm alcance limitado. Juntos, ampliam influência, capacidade de negociação e presença nos principais fóruns globais. A convergência luso-brasileira passa a ser um vetor estratégico no novo equilíbrio internacional.

Aliança luso-brasileira fortalece o mercado global
Portugal e Brasil deixam de ocupar posições periféricas e passam a atuar como eixos de uma nova lógica internacional baseada em redes, não em blocos fechados.

Enquanto grandes potências enfrentam desgaste político e desconfiança externa, o espaço lusófono oferece algo raro: legitimidade cultural, capacidade de diálogo e articulação entre continentes.

Salário mínimo e sinalização geopolítica
O anúncio do aumento do salário mínimo português para 1.600 euros ultrapassa o debate interno. A medida envia um sinal claro ao mercado global, à Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) e ao Brasil sobre o modelo de desenvolvimento que o país pretende seguir.

Ao valorizar o trabalho, Portugal fortalece a coesão social e reforça sua credibilidade internacional como economia estável e confiável.

Economia, inovação e investimento caminham juntos
Países que investem em bem-estar social tendem a atrair mais capital, tecnologia e inovação. Portugal aposta nesse caminho para consolidar sua posição como polo económico avançado.

Nesse processo, o Brasil surge novamente como parceiro natural, unido por laços históricos, culturais e interesses estratégicos comuns.

A nova geopolítica exige redes, não blocos rígidos
O cenário global aponta para um modelo baseado em conexões flexíveis. Enquanto a Europa enfrenta dilemas internos, os Estados Unidos recuam em algumas frentes e a China encontra resistências, abre-se espaço para novos articuladores globais.

Portugal e Brasil oferecem pontes culturais, rotas comerciais, cooperação energética e diplomacia ambiental, atributos cada vez mais valorizados.

Riscos e oportunidades do alinhamento luso-brasileiro
Apesar do potencial, o alinhamento entre os dois países não é automático. O Brasil ainda convive com ciclos de instabilidade política que dificultam estratégias de longo prazo. Portugal, por sua vez, corre o risco de subestimar o momento histórico de cooperação ampliada.

A convergência exige visão estratégica e ação coordenada.

O futuro do Atlântico lusófono em jogo
A escolha de Portugal como economia do ano funciona como um chamado geopolítico. O país consolida seu protagonismo ao lado do Brasil, enquanto o Brasil amplia sua influência ao atuar em parceria.

A língua portuguesa pode se transformar em um novo corredor económico, tecnológico e ambiental — ou permanecer apenas como herança histórica. A decisão, agora, é política e estratégica.

FONTE: Click Petróleo e Gás
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/CPG

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Agronegócio

Carne premium brasileira ganha espaço no mercado global e fortalece exportações

Maior produtor mundial de carne bovina, o Brasil também vem consolidando sua presença no mercado de carnes premium, impulsionado pela valorização da qualidade, da genética e da padronização produtiva. Em 2025, o segmento operou em um cenário favorável, inclusive no mercado externo, o que sustentou o crescimento das exportações. Para 2026, o principal desafio será manter a oferta de animais diante do aumento recente do abate de fêmeas.

Ainda assim, as perspectivas seguem positivas. A redução do rebanho nos Estados Unidos — outro grande fornecedor global de carne de alta qualidade — abre espaço para que o produto brasileiro avance em mercados estratégicos.

Demanda internacional impulsiona carne premium brasileira

De acordo com Maychel Borges, gerente do programa Certified Angus Beef no Brasil, a escassez global de carne de qualidade favorece diretamente o país. “Os consumidores de carne premium ficaram desabastecidos, e o Brasil é o único país capaz de atender essa demanda com volume e qualidade”, afirma.

Em 2025, cerca de 550 mil animais passaram pelo programa, um crescimento entre 18% e 20% em relação a 2024. Aproximadamente 70% eram fêmeas. Entre os principais destinos estão China, México, Chile, Arábia Saudita, Líbano e Israel. A expectativa é de fortalecimento desse movimento em 2026, já que a recomposição do rebanho norte-americano deve ocorrer apenas a partir de 2027.

Oferta de gado é o principal desafio para 2026

A meta do programa Certified Angus Beef é, no mínimo, repetir o volume de abates de 2025. O maior obstáculo, porém, é a disponibilidade de animais. A queda na venda de sêmen e a redução dos investimentos em tecnologia, motivadas pela pressão sobre o preço da arroba, resultaram em maior envio de fêmeas ao abate.

“Projetamos uma oferta mais restrita de animais em 2026, o que limita um pouco nossas metas”, explica Borges.

Hereford cresce e amplia presença internacional

O Programa Carne Certificada Hereford também registrou avanços. Segundo Felipe Azambuja, gerente do programa, o crescimento está ligado ao trabalho contínuo de comunicação com o consumidor.

O ágio da carne certificada sobre a convencional varia entre 10% e 50%, dependendo do corte. “O consumidor sabe que não terá surpresas: encontra marmoreio, suculência e maciez garantidas pelo processo de certificação”, afirma. Para os pecuaristas, os bônus podem chegar a 10%.

As exportações da carne Hereford atingiram 263 toneladas, alta de 54% em relação ao ano anterior, com destinos como Maldivas, Portugal, México e Itália. Segundo Azambuja, tarifas impostas pelos Estados Unidos a outros países favoreceram o produto brasileiro. “Alguns mercados reduziram compras dos EUA e buscaram alternativas”, explica. Novas aberturas de mercado são esperadas para 2026.

Copa do Mundo e consumo de carne premium

Outro fator que pode estimular a demanda em 2026 é a Copa do Mundo, marcada para ocorrer entre junho e julho. A expectativa é de aumento no consumo de carnes nobres, especialmente para churrascos. “A tendência é de maior consumo de carne premium, especialmente se o Brasil avançar na competição”, destaca Azambuja.

Genética e qualidade transformam cortes bovinos

A evolução genética e o manejo mais eficiente transformaram o perfil da carne bovina brasileira. Hoje, cortes do dianteiro, antes destinados a cozidos, passaram a ganhar espaço nas grelhas.

István Wessel, da Carnes Wessel, lembra que, nos anos 1970, o churrasco se limitava a poucos cortes tradicionais. “Hoje, cortes do dianteiro se tornaram protagonistas graças à melhoria genética, ao abate mais jovem e à alimentação balanceada”, afirma.

Entre os destaques estão flat iron, denver steak e short ribs, que passaram a oferecer maciez e sabor comparáveis aos cortes nobres tradicionais. Em dezembro, as vendas da empresa cresceram cerca de 10% em relação ao mesmo mês de 2024.

O chef parrillero Chico Mancuso, do restaurante Rincon Escondido, confirma a mudança: “A evolução genética trouxe sabor e qualidade a cortes antes subvalorizados”. Já Henrique Freitas, consultor das casas Corrientes 348 e Assador, destaca que o consumidor aprendeu a reconhecer qualidade ao longo dos últimos 15 anos. “Quem experimenta carne premium dificilmente volta atrás”, afirma.

FONTE: Valor International
TEXTO: Redação
IMAGEM: Gabriel Reis/Valor

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Comércio Internacional

Argentina e Estados Unidos anunciam acordo-quadro para ampliar comércio e investimentos

A Argentina e os Estados Unidos anunciaram, em 13 de novembro de 2025, um acordo-quadro de comércio e investimentos, formalizado por meio de uma declaração conjunta. O entendimento estabelece as bases para a negociação de um acordo definitivo mais amplo, com foco na ampliação do acesso a mercados, redução de barreiras comerciais e maior segurança jurídica para investidores.

Acordo ainda é preliminar

Por se tratar de um acordo-quadro, o texto final e sua implementação ainda dependem de negociações futuras. Mesmo assim, o documento divulgado pelos dois países antecipa os principais pontos que devem integrar o acordo definitivo entre Argentina e EUA.

Acesso preferencial ao mercado americano

Entre os destaques está a previsão de acesso preferencial a produtos dos Estados Unidos, incluindo produtos farmacêuticos, químicos, máquinas, bens de tecnologia da informação e comunicação (TIC), dispositivos médicos, veículos automotores e produtos agrícolas.

Além disso, os EUA sinalizaram a eliminação de tarifas sobre determinados recursos naturais e sobre insumos não patenteados utilizados na indústria farmacêutica.

Redução de barreiras e estímulo ao comércio bilateral

O acordo também prevê a remoção de barreiras não tarifárias e da chamada taxa estatística aplicada a produtos americanos. Outro ponto relevante é a melhoria das condições para o comércio bilateral de carnes, com destaque para carne bovina, aves e carne suína.

Propriedade intelectual e combate à ilegalidade

No campo regulatório, a Argentina se compromete a promover reformas no regime de Propriedade Intelectual, além de adotar medidas mais rigorosas contra falsificação e pirataria, alinhando-se a padrões internacionais.

Compromissos assumidos pela Argentina

De acordo com a declaração conjunta, a Argentina também assumirá compromissos específicos, entre eles:

  • Proibição da importação de produtos fabricados com trabalho forçado
  • Adoção de políticas para combater o desmatamento ilegal e incentivar a sustentabilidade
  • Enfrentamento de práticas potencialmente distorcivas de empresas estatais e de subsídios industriais
  • Facilitação do comércio digital com os Estados Unidos

Cooperação contra distorções de mercado

Outro eixo do acordo-quadro envolve a cooperação bilateral para combater práticas que distorcem o mercado, reforçando a transparência e a previsibilidade nas relações econômicas entre os dois países.

Impactos estratégicos e oportunidades

Nesse contexto, o acordo entre Argentina e Estados Unidos representa um passo estratégico rumo a uma relação bilateral mais profunda. A iniciativa abre espaço para maior integração econômica, com impactos diretos para empresas, exportadores e investidores interessados nos dois mercados.

FONTE: Marval O’Farrel Mairal
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Marval

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