Comércio Exterior

China pode ampliar exportações de frango e disputar mercado com o Brasil, diz Rabobank

A China deve ampliar as exportações de carne de frango nos próximos anos e poderá se tornar uma concorrente mais forte do Brasil no mercado internacional da proteína. A avaliação é de Chenjun Pan, especialista em carnes do Rabobank, que vê possibilidade de maior disputa entre os dois países em mercados como Oriente Médio, Ásia e África ao longo da próxima década.

A mudança ocorre em um cenário no qual a China, atualmente o principal destino da carne de frango brasileira, passou a ser exportadora líquida da proteína em 2025. O movimento está relacionado principalmente ao aumento da oferta de cortes menos consumidos pelos chineses, como o peito de frango.

China começa a ganhar espaço nas exportações de frango

Segundo Pan, ainda não há uma concorrência direta em grande escala com o Brasil, mas o cenário pode mudar nos próximos anos.

A especialista considera que as exportações chinesas de carne de frango in natura apresentam potencial de crescimento, especialmente porque o país passou a vender maiores volumes de cortes como peito de frango no mercado externo.

A China já exportava produtos avícolas há anos, mas historicamente sua presença internacional estava mais concentrada em carne de frango processada. O avanço recente dos embarques de produtos in natura representa uma mudança importante na estratégia do setor.

Brasil ainda lidera mercado global

A China é atualmente o segundo maior produtor mundial de carne de frango, atrás apenas dos Estados Unidos. Mesmo com o crescimento recente, sua participação nas exportações ainda está muito abaixo da brasileira.

Em 2025, a China exportou pouco mais de 1 milhão de toneladas de carne de frango, segundo relatório anual da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA).

No mesmo ano, o Brasil manteve a liderança mundial e atingiu o recorde de 5,3 milhões de toneladas exportadas.

A diferença mostra a distância que ainda separa os dois países, embora o avanço da produção chinesa possa alterar a dinâmica do comércio internacional nos próximos anos.

Hábitos de consumo geram excedentes exportáveis

Um dos fatores que ajudam a explicar o crescimento das exportações chinesas é o perfil de consumo doméstico.

Segundo Pan, os consumidores chineses demonstram maior preferência por asas e pés de frango, enquanto o peito tem menor procura no mercado interno. Com o aumento da produção, esse desequilíbrio gera excedentes de determinados cortes que podem ser direcionados para outros países.

A produção chinesa vem crescendo em ritmo próximo de 10%, enquanto a demanda doméstica avança mais lentamente.

Entre os destinos das exportações chinesas estão Rússia, Hong Kong, Coreia do Norte e países do Oriente Médio.

União Europeia, Japão e Coreia do Sul seguem fora da disputa

Apesar da expansão, a China ainda encontra restrições importantes em alguns dos principais mercados consumidores de frango.

A União Europeia, o Japão e a Coreia do Sul não aceitam carne proveniente de aves vacinadas contra a gripe aviária. A China utiliza a vacinação como parte de sua estratégia para reduzir os impactos da doença, o que limita o acesso de seus produtos a esses mercados.

Por isso, a competição com o Brasil tende a ser mais relevante em regiões que aceitam a carne chinesa, como partes da Ásia, África e Oriente Médio.

Produção chinesa cresce mais de 9% no primeiro semestre

A expansão da oferta continua acelerada. No primeiro semestre de 2026, a produção chinesa de carne de frango aumentou mais de 9% na comparação anual, depois de crescer cerca de 7% em 2025.

Para Pan, o ritmo de expansão da produção supera o crescimento da demanda doméstica.

Esse cenário aumenta a disponibilidade de proteína para o mercado externo e reforça a possibilidade de crescimento das exportações chinesas.

Estratégia busca reduzir dependência da carne suína

O aumento da produção de frango também está relacionado à política chinesa de diversificação das fontes de proteína animal.

O governo busca reduzir a dependência da carne suína, que ocupa posição central na alimentação do país e tem a China como maior mercado consumidor mundial.

Durante a crise provocada pela peste suína africana, entre 2019 e 2021, a redução da oferta de carne suína provocou forte alta nos preços. A valorização da proteína também beneficiou o mercado de frango e estimulou novos investimentos na avicultura chinesa.

Com a expansão da produção, a participação do frango no mercado chinês de carnes chegou a aproximadamente 28%.

Frango também é estratégico para reduzir uso de ração

Outro fator considerado pelo governo chinês é a eficiência da produção de frango em relação à suinocultura.

A criação de aves demanda menos milho e farelo de soja para produzir uma determinada quantidade de proteína. A característica ganha importância diante do esforço de Pequim para diminuir a dependência das importações de grãos destinados à alimentação animal.

Na avaliação do Rabobank, uma eventual migração do consumo para proteínas que utilizam menos ração, combinada à expectativa de redução da produção de carne suína, pode limitar o crescimento futuro da demanda chinesa por soja.

Carne bovina pode ganhar espaço no mercado chinês

Enquanto o mercado de frango enfrenta forte expansão da oferta, a carne bovina apresenta perspectivas diferentes.

Pan considera que o consumo chinês de carne bovina ainda tem espaço para crescer no futuro. Atualmente, porém, o mercado enfrenta restrições relacionadas à oferta e às condições de importação.

Entre os fatores que afetam o Brasil estão as tarifas de importação extracota aplicadas à carne bovina brasileira e de outros países.

Brasil pode encontrar novas oportunidades após 2028

Segundo a especialista, as tarifas mais elevadas devem permanecer até 2028. Depois desse período, o cenário poderá oferecer novas oportunidades aos exportadores brasileiros.

A perspectiva está relacionada também à mudança no perfil do consumidor chinês, que tende a buscar produtos com maior processamento e valor agregado.

Nesse contexto, embora a China possa aumentar sua presença como exportadora de frango, o mercado chinês continuará sendo estratégico para o agronegócio brasileiro, especialmente se o Brasil conseguir avançar na oferta de proteínas e produtos de maior valor agregado.

FONTE: Folha de São Paulo
TEXTO: Redação
IMAGEM: Keiny Andrade/Folhapress

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Comércio Exterior

China muda hábitos alimentares e abre oportunidades para a indústria de alimentos de SC

As mudanças nos hábitos alimentares da China e a estratégia do país para aumentar a produção doméstica de alimentos devem entrar no radar da indústria catarinense. Estudo do Observatório FIESC mostra que fatores como urbanização, industrialização e crescimento da renda estão alterando o perfil de consumo chinês, com possíveis reflexos sobre as exportações de Santa Catarina para a China.

A análise foi apresentada nesta terça-feira (25), durante reunião do Conselho de Alimentos e Bebidas da FIESC.

Mudanças no consumo chinês exigem atenção de SC

Para Rosimeri Francener, presidente do Conselho de Alimentos e Bebidas da FIESC, acompanhar a transformação do mercado chinês é essencial para antecipar movimentos capazes de afetar a economia catarinense.

Segundo ela, a indústria atravessa uma transformação significativa nos padrões globais de produção e consumo e precisa se preparar para continuar competitiva diante dessas mudanças.

A pesquisadora Tamires Costa, do Observatório FIESC, explica que a China vem adotando medidas para ampliar a produção nacional de alimentos e incorporar mais tecnologia à indústria do setor.

Entre os objetivos estabelecidos nos planos quinquenais está o aumento da produção de grãos, que deverá passar de 650 milhões para 725 milhões de toneladas até 2030.

Autossuficiência chinesa pode pressionar exportações

Embora tenha uma produção agrícola de grande escala, a China ainda depende do mercado externo em determinadas cadeias, como a soja. Em segmentos importantes para Santa Catarina, porém, o nível de produção doméstica é elevado.

No caso do frango, a autossuficiência chinesa chega a 98%. Para a carne suína, o índice é de 97%. Os dois produtos estão entre os principais itens da pauta exportadora catarinense destinada ao mercado chinês.

Os dados do Observatório FIESC mostram uma diferença importante no desempenho das exportações. Enquanto as vendas brasileiras dos produtos analisados cresceram 47% na série histórica considerada, as exportações catarinenses registraram queda de 34%.

Carne suína mostra impacto da recuperação chinesa

A trajetória da carne suína catarinense ajuda a explicar os efeitos da mudança no mercado chinês.

Durante o período mais crítico da peste suína africana, a autossuficiência da China caiu de 97% para 89% em 2020. A redução da produção doméstica abriu espaço para fornecedores estrangeiros e impulsionou as vendas de Santa Catarina.

Em 2021, o Estado chegou a exportar US$ 758 milhões em carne suína para a China. Com a recuperação da produção chinesa nos anos seguintes, porém, Santa Catarina perdeu aproximadamente US$ 490 milhões em exportações entre 2021 e 2024.

O cenário demonstra como a dependência de poucos produtos e de um único grande mercado pode aumentar a exposição da indústria às mudanças na oferta e na demanda internacional.

Diversificação pode ampliar espaço para SC na China

O estudo do Observatório FIESC aponta que Santa Catarina possui alternativas para diversificar as exportações de alimentos destinadas ao mercado chinês.

Entre os produtos catarinenses que já são produzidos e exportados e apresentam potencial de crescimento estão:

  • Pescados e crustáceos;
  • Preparações alimentícias;
  • Miudezas comestíveis;
  • Farinha de carne;
  • Produtos para alimentação animal;
  • Leite em pó.

A estratégia pode incluir ainda o avanço de produtos com maior valor agregado. A mudança no perfil de consumo dos chineses cria espaço para alimentos processados, segmento no qual a indústria catarinense possui capacidade de transformar matérias-primas em produtos de maior valor.

Condição sanitária é diferencial competitivo

Além da capacidade industrial, Santa Catarina conta com um diferencial importante para ampliar sua presença no mercado asiático: a condição sanitária do Estado.

De acordo com Tamires Costa, esse fator pode contribuir para aumentar a competitividade dos produtos catarinenses e facilitar a conquista de novos espaços no mercado chinês de alimentos.

A expansão, entretanto, depende de uma estratégia que acompanhe de perto as políticas de autossuficiência alimentar da China e as mudanças no comportamento dos consumidores.

Indústria catarinense precisa reduzir concentração

Para o setor produtivo de Santa Catarina, o principal desafio é diminuir a dependência de um grupo restrito de produtos e ampliar a variedade de itens exportados.

Isso envolve diversificar a pauta, investir em produtos de maior valor agregado e prospectar novos destinos internacionais. A estratégia pode reduzir a vulnerabilidade da indústria catarinense às oscilações de demanda provocadas pelas mudanças no mercado chinês.

FONTE: FIESC
TEXTO: Redação
IMAGEM: Magnific

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Investimento

Investimentos estrangeiros na China crescem com expansão do mercado e avanços na inovação

A ampliação do mercado consumidor, o avanço tecnológico e a busca por maior estabilidade em um cenário internacional desafiador têm levado empresas multinacionais a aumentar seus investimentos na China.

Um dos exemplos é o complexo integrado da BASF em Donghai, na cidade de Zhanjiang, na província de Guangdong. O empreendimento da gigante química alemã entrou em operação plena em março, após sete anos de construção, e representa o maior investimento individual da companhia no mundo.

Com aproximadamente quatro quilômetros quadrados de área e aporte de cerca de 8,7 bilhões de euros (US$ 9,89 bilhões), a unidade reúne mais de 30 linhas de produção voltadas ao setor químico.

China ganha espaço como polo de inovação industrial

Segundo Markus Kamieth, CEO da BASF, o projeto em Zhanjiang representa uma nova fase para a indústria química, baseada em eficiência, digitalização e sustentabilidade.

A companhia avalia que a China terá papel central no crescimento global do setor. A expectativa é que o país responda por cerca de 75% da expansão da indústria química mundial até 2035.

O movimento da BASF acompanha uma tendência mais ampla entre empresas estrangeiras na China, que buscam aproveitar o tamanho do mercado local, a força das cadeias de suprimentos e o ambiente voltado à inovação.

Número de empresas estrangeiras aumenta no país

Dados do Ministério do Comércio da China mostram que quase 4.800 empresas financiadas por capital estrangeiro realizaram novos investimentos no país no primeiro semestre de 2026.

No mesmo período, o número de novas empresas com participação estrangeira cresceu 5,3% na comparação anual. O investimento estrangeiro direto (IED) utilizado efetivamente alcançou 402,14 bilhões de yuans, equivalente a US$ 59,22 bilhões.

Os números indicam uma manutenção do interesse internacional pelo mercado chinês, mesmo diante de incertezas econômicas globais e mudanças no cenário geopolítico.

Pesquisas apontam confiança de multinacionais no mercado chinês

A percepção positiva sobre a China também aparece em levantamentos empresariais.

Uma pesquisa do Conselho Empresarial EUA-China revelou que 92% das empresas consultadas registraram lucro no país em 2025.

Outro levantamento realizado pela Câmara de Comércio da União Europeia na China apontou que 75% dos entrevistados consideram suas operações chinesas mais produtivas do que atividades realizadas em outras regiões do mundo.

Os resultados reforçam a avaliação de que a China continua sendo um mercado estratégico para companhias internacionais.

Mercado financeiro chinês atrai novos investidores

A abertura financeira do país também tem ampliado oportunidades para investidores estrangeiros.

Em junho, o Ministério da Fazenda do Brasil apresentou uma carta de intenção à Associação Nacional de Investidores Institucionais do Mercado Financeiro da China, iniciando o processo para uma possível emissão de títulos soberanos brasileiros em yuan, conhecidos como Panda Bonds.

Segundo dados do Banco Popular da China, as emissões de Panda Bonds nos primeiros cinco meses de 2026 alcançaram 136,5 bilhões de yuans, volume 1,9 vez superior ao registrado no mesmo período do ano anterior.

No primeiro trimestre de 2026, o valor acumulado das operações chegou a 167,5 bilhões de yuans, crescimento anual de 93%.

Capital estrangeiro migra para setores de alta tecnologia

A composição dos investimentos internacionais na China também passa por mudanças. O país tem atraído cada vez mais recursos para áreas ligadas à inovação, tecnologia e manufatura avançada.

No primeiro semestre de 2026, os investimentos estrangeiros em serviços de alta tecnologia e manufatura de alta tecnologia cresceram 61% em relação ao ano anterior. Esses setores passaram a representar 36% do total recebido, 11 pontos percentuais acima do registrado no mesmo período anterior.

Segundo Zhao Yuchao, porta-voz da Administração Estatal de Divisas da China, o perfil do investimento estrangeiro vem evoluindo.

De acordo com ele, as empresas internacionais estão deixando de buscar apenas vantagens relacionadas a custos e escala de produção e passando a participar de forma mais intensa do desenvolvimento de produtos e tecnologias criados no país.

China aposta em abertura e modernização para atrair empresas globais

A modernização industrial, o avanço tecnológico e a ampliação da abertura institucional são apontados como fatores que fortalecem o ambiente de negócios chinês.

Com uma economia cada vez mais orientada pela inovação, a China busca oferecer condições mais previsíveis para que investidores estrangeiros desenvolvam projetos de longo prazo e participem de novas oportunidades nos setores estratégicos.

FONTE: Xinhua
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Infomoney

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Exportação

China amplia mercado para polpas e frutas congeladas brasileiras com nova autorização de exportação

A China abriu um novo caminho para ampliar as importações de produtos brasileiros ao liberar os procedimentos necessários para a exportação de polpas e frutas congeladas produzidas no Brasil. Com a medida, empresas do setor já podem iniciar o processo de habilitação para comercializar esses alimentos no mercado chinês.

De acordo com o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), a Administração-Geral das Alfândegas da China (GACC) passou a disponibilizar em seu sistema o modelo oficial do certificado sanitário que acompanhará as exportações brasileiras. A inclusão do documento representa um passo essencial para que os embarques sejam autorizados.

Cadastro no sistema chinês é obrigatório para exportadores

Com a publicação do certificado, os estabelecimentos interessados já podem solicitar o registro no China Import Food Enterprise Registration (Cifer), plataforma obrigatória para empresas que desejam acessar o mercado chinês.

O cadastro deve ser realizado diretamente pelo exportador, que é responsável por apresentar toda a documentação exigida pelas autoridades da China. Após a análise e aprovação do pedido, a empresa recebe um número de registro, requisito indispensável para embarcar os produtos ao país asiático.

Produtos autorizados incluem açaí, manga e maracujá

A autorização contempla polpas e frutas congeladas obtidas de espécies já reconhecidas pelas autoridades chinesas como alimentos aptos para consumo humano.

Entre as frutas liberadas estão:

  • Açaí
  • Manga
  • Goiaba
  • Abacaxi
  • Maracujá

Outras espécies já aprovadas pela legislação chinesa também poderão ser exportadas. Já as frutas que ainda não possuem esse reconhecimento continuam sujeitas aos procedimentos específicos previstos para novos alimentos.

Certificado sanitário será exigido nos embarques

Além do registro no sistema Cifer, todas as exportações deverão ser acompanhadas pelo certificado sanitário oficial acordado entre Brasil e China.

O Ministério da Agricultura orienta que os exportadores consultem previamente todas as exigências sanitárias, técnicas e aduaneiras definidas pelas autoridades chinesas antes de iniciar o processo de habilitação.

Depois da aprovação do cadastro pela GACC e da emissão do certificado sanitário pela autoridade brasileira competente, as empresas estarão aptas a realizar as exportações conforme as normas vigentes entre os dois países.

FONTE: Correio do Povo
TEXTO: Redação
IMAGEM: Gabriel Pitome / CeasaRS / Especial / CP

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Exportação

Exportações de carne bovina para a China podem cair R$ 4,5 bilhões com limite de importação

A indústria brasileira de carne bovina projeta uma forte retração nas exportações para a China em 2026 após a adoção de um novo limite de importações pelo governo chinês. A estimativa da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) é que os embarques somem cerca de 900 mil toneladas, volume significativamente inferior ao recorde de 1,648 milhão de toneladas registrado em 2025.

Segundo a entidade, a redução poderá provocar uma perda de aproximadamente R$ 4,5 bilhões em receitas para os frigoríficos brasileiros, levando empresas a reduzir produção e cortar custos.

Cota chinesa limita embarques de carne brasileira

A queda nas exportações está relacionada à nova medida de salvaguarda adotada pela China, que estabeleceu um teto de 1,1 milhão de toneladas para as importações de carne bovina brasileira em 2026.

Entretanto, cargas embarcadas em 2025 e desembaraçadas nos portos chineses neste ano também passaram a ser contabilizadas dentro dessa cota. Até junho, cerca de 794,6 mil toneladas já haviam chegado ao país asiático, reduzindo significativamente o espaço disponível para novos embarques.

Com isso, a Abiec calcula que o Brasil deixará de exportar cerca de 748 mil toneladas ao mercado chinês neste ano.

Frigoríficos suspendem embarques e ajustam produção

Diante do esgotamento da cota, diversos frigoríficos brasileiros interromperam, desde julho, a produção de determinados cortes destinados à China e suspenderam novos embarques para o país.

Embora o governo chinês ainda não tenha divulgado oficialmente os números da cota utilizada, o setor trabalha com a expectativa de retomar a produção voltada ao mercado chinês no último trimestre de 2026.

Como o transporte marítimo leva aproximadamente 40 dias, os embarques realizados a partir de novembro deverão chegar à China apenas em 2027, sendo contabilizados na cota do próximo ano e evitando tarifas adicionais.

Receita pode encolher mesmo com novos mercados

O presidente da Abiec, Roberto Perosa, reconhece que o setor busca ampliar as vendas para outros destinos, mas admite que esses mercados dificilmente compensarão a perda do principal comprador da carne bovina brasileira.

A associação projeta que as exportações totais de carne bovina encerrem 2026 com queda de aproximadamente 10% em relação ao ano anterior, quando o Brasil embarcou cerca de 3,5 milhões de toneladas.

Setor enfrenta demissões e redução das operações

Os impactos já começam a ser sentidos pelos frigoríficos. Segundo a Abiec, empresas responsáveis por cerca de 98% das exportações brasileiras de carne bovina adotaram medidas para reduzir custos.

Entre as ações estão:

  • redução do ritmo de abate;
  • suspensão temporária de trabalhadores;
  • demissões;
  • diminuição da jornada de trabalho;
  • paralisação de linhas de produção voltadas ao mercado chinês.

A entidade afirma que parte das empresas opera atualmente com margens negativas e que esse cenário pode acelerar o processo de consolidação da indústria, favorecendo aquisições de frigoríficos menores por grupos de maior porte.

Mercado europeu também preocupa exportadores

Além das restrições impostas pela China, o setor acompanha com preocupação a possibilidade de interrupção das exportações de carne bovina para a União Europeia a partir de setembro.

Segundo a Abiec, o Brasil ainda precisa apresentar documentação técnica que comprove que os animais destinados ao bloco europeu são criados sem o uso de antimicrobianos, exigência das autoridades sanitárias europeias.

A eventual suspensão representaria uma nova perda para os exportadores, já que o mercado europeu compra cortes de maior valor agregado e contribui para fortalecer a reputação internacional da carne brasileira.

Oferta menor pode elevar preços no Brasil

Entre janeiro e junho de 2026, o Brasil exportou 1,7 milhão de toneladas de carne bovina, alta de 15,5% sobre o mesmo período do ano anterior. A receita alcançou US$ 9,8 bilhões, avanço de 36,2%, enquanto o preço médio da tonelada subiu quase 18%, chegando a US$ 5.700.

Apesar da expectativa de uma redução inicial nos preços internos devido ao menor ritmo das exportações, a Abiec avalia que a diminuição da produção poderá limitar a oferta de carne no mercado doméstico nos próximos meses.

Com menos animais destinados ao abate e custos de produção ainda elevados, a tendência é que os preços ao consumidor voltem a subir no médio prazo.

FONTE: Globo Rural
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Globo Rural

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Economia

Economia da China cresce 4,7% no primeiro semestre e reforça metas do 15º Plano Quinquenal

A economia da China iniciou o 15º Plano Quinquenal (2026-2030) mantendo um ritmo de crescimento considerado resiliente, mesmo diante das incertezas da economia global. Dados oficiais divulgados nesta quarta-feira mostram que o Produto Interno Bruto (PIB) chinês avançou 4,7% no primeiro semestre de 2026, resultado alinhado à meta anual estabelecida pelo governo.

O desempenho ocorre em um cenário de tensões geopolíticas, desaceleração econômica internacional e desafios no comércio global.

PIB mantém trajetória dentro da meta do governo

Segundo o Departamento Nacional de Estatísticas (DNE), o PIB da China cresceu 4,3% no segundo trimestre, após registrar expansão de 5% nos três primeiros meses do ano.

As autoridades afirmam que a economia segue operando dentro de uma faixa considerada adequada para cumprir a meta de crescimento entre 4,5% e 5% em 2026, com expectativa de buscar resultados ainda melhores ao longo do ano.

De acordo com o vice-diretor do DNE, Mao Shengyong, a desaceleração observada no segundo trimestre está relacionada principalmente a fatores externos e de curto prazo, sem comprometer a trajetória de desenvolvimento baseada em inovação e maior qualidade produtiva.

Indicadores mostram mercado de trabalho estável

Além do crescimento do PIB, outros indicadores econômicos apontam estabilidade.

A taxa de desemprego urbano ficou em 5% em junho, abaixo dos 5,1% registrados em maio. Já a renda disponível per capita cresceu 5,2% na comparação anual durante o primeiro semestre.

No mesmo período, a produção industrial avançou 5,4%, enquanto as vendas no varejo aumentaram 2,7%, refletindo a recuperação gradual do consumo interno.

Economia resiste a cenário internacional desafiador

O governo chinês avalia que a economia conseguiu enfrentar os impactos das tensões comerciais e da desaceleração global graças à oferta estável de energia, inflação controlada e bom desempenho do comércio exterior.

Mesmo com a revisão para baixo da previsão de crescimento da economia mundial pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), a instituição elevou sua estimativa para o crescimento da China em 2026.

Especialistas avaliam que a estabilidade da economia chinesa tem contribuído para reduzir os impactos sobre as cadeias globais de suprimentos e oferecer maior previsibilidade em um ambiente internacional marcado por incertezas.

Manufatura avançada e economia digital ganham espaço

A expansão da manufatura avançada, da economia digital e dos serviços modernos continua sendo um dos principais motores da atividade econômica.

Segundo o DNE, esses setores responderam por mais de 40% do crescimento econômico registrado no primeiro semestre.

Outro indicador destacado foi a redução de 1,9% no consumo de energia por unidade de PIB, resultado associado aos investimentos em eficiência energética e inovação tecnológica.

China amplia liderança em inovação industrial

O avanço tecnológico também ficou evidente no setor industrial. Das 16 novas “fábricas farol” reconhecidas recentemente pelo Fórum Econômico Mundial por adotarem tecnologias avançadas de produção, mais da metade está localizada na China.

As unidades atuam em segmentos como construção naval, logística inteligente e manufatura de alta tecnologia, reforçando a estratégia do país de ampliar sua competitividade industrial.

Consumo interno será prioridade nos próximos anos

Como parte do 15º Plano Quinquenal, o governo chinês pretende fortalecer ainda mais o mercado doméstico.

Nesta semana, o país lançou seu primeiro plano quinquenal voltado exclusivamente para estimular o consumo, com medidas destinadas a ampliar a demanda interna, melhorar a renda da população e incentivar novos padrões de consumo.

Segundo o governo, a estratégia também prevê a modernização da estrutura industrial, o fortalecimento das chamadas novas forças produtivas de qualidade e o avanço de políticas voltadas ao desenvolvimento baseado em inovação.

Economistas acreditam que os efeitos dessas medidas deverão ganhar força ao longo do segundo semestre, impulsionando o consumo e contribuindo para que a economia chinesa permaneça dentro da meta de crescimento estabelecida para 2026.

Tags: economia da China, PIB da China, crescimento econômico, Plano Quinquenal, economia chinesa, inovação, manufatura avançada, consumo interno, FMI, mercado chinês

FONTE: Xinhua
TEXTO: Redação
IMAGEM: Xie Shangguo/Xinhua

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Economia

Economia da China mantém crescimento e amplia oportunidades para comércio e investimentos globais

A economia da China encerrou o primeiro semestre de 2026 com crescimento considerado estável pelas autoridades do país, reforçando seu papel como uma das principais locomotivas da economia mundial. O desempenho também fortalece o conceito de “Oportunidade China 2.0”, estratégia que aposta em inovação, abertura comercial e expansão do mercado interno para atrair investimentos e impulsionar o desenvolvimento global.

PIB chinês cresce 4,7% no primeiro semestre

A segunda maior economia do planeta registrou crescimento de 4,7% nos seis primeiros meses do ano. O resultado está dentro da meta estabelecida pelo governo chinês para o primeiro ano do 15º Plano Quinquenal (2026-2030), que prevê expansão entre 4,5% e 5%, com expectativa de desempenho ainda mais robusto ao longo do período.

Segundo o governo, o resultado foi sustentado pelo fortalecimento da atividade econômica mesmo em um cenário internacional marcado por conflitos geopolíticos e incertezas no comércio global.

Comércio exterior e inovação impulsionam a economia

Entre os fatores que sustentaram o crescimento estão o avanço do comércio exterior, que apresentou expansão de dois dígitos no semestre, e a boa safra de grãos de verão, considerada importante para garantir a segurança alimentar do país.

Na área de energia, a China também ampliou sua capacidade de enfrentar oscilações no mercado internacional. Atualmente, as fontes de energia não fósseis representam cerca de 62% da capacidade instalada, fortalecendo a segurança energética e acelerando a transição para uma economia de baixo carbono.

Outro destaque é o investimento contínuo em tecnologia, pesquisa e inovação, fatores apontados pelo Banco Mundial como essenciais para aumentar a resiliência da economia chinesa diante das interrupções nas cadeias globais de suprimentos.

Novos setores lideram a expansão econômica

A transformação da estrutura econômica também ganhou força em 2026. Segmentos ligados à manufatura avançada, economia digital e serviços modernos responderam por mais de 40% do crescimento econômico no primeiro semestre, refletindo a estratégia chinesa de ampliar atividades com maior valor agregado.

Para as autoridades, esse movimento evidencia a transição da economia para um modelo baseado em inovação, produtividade e desenvolvimento tecnológico.

China amplia abertura comercial

Mesmo diante do aumento do protecionismo e das disputas comerciais em diferentes regiões do mundo, a China manteve a política de abertura econômica.

Um dos exemplos foi a ampliação, em maio deste ano, da tarifa zero para produtos provenientes de todos os países africanos que mantêm relações diplomáticas com Pequim.

Nos primeiros seis meses de 2026, o crescimento das importações superou o das exportações em 8,7 pontos percentuais, indicando uma expansão da demanda interna e maior abertura ao comércio internacional.

“Oportunidade China 2.0” atrai empresas estrangeiras

O fortalecimento da economia chinesa tem impulsionado o conceito de “Oportunidade China 2.0”, expressão utilizada para definir uma nova fase de integração econômica baseada em inovação tecnológica, cooperação internacional e ampliação do mercado consumidor.

Os números reforçam essa tendência. Entre janeiro e maio, foram abertas 25.297 novas empresas com capital estrangeiro na China, crescimento de 5,3% em relação ao mesmo período do ano anterior. Além disso, aproximadamente 4 mil empresas internacionais ampliaram seus investimentos no país.

No setor de veículos de nova energia, grandes montadoras globais também vêm fortalecendo parcerias com empresas chinesas para desenvolver novas tecnologias e ampliar sua competitividade.

Mercado consumidor segue como aposta para o crescimento

O governo chinês também pretende ampliar o consumo doméstico. Um plano recentemente divulgado prevê elevar as vendas do varejo para cerca de 60 trilhões de yuans (aproximadamente US$ 8,84 trilhões) até 2030.

A estratégia faz parte dos esforços para integrar inovação tecnológica, desenvolvimento industrial e expansão da demanda interna, consolidando a China como um dos maiores mercados consumidores do mundo.

Segundo o governo, o país seguirá defendendo uma economia global mais aberta, fortalecendo as cadeias internacionais de produção e promovendo a cooperação econômica baseada em inovação e benefícios compartilhados.

FONTE: Xinhua
TEXTO: Redação
IMAGEM: Xinhua/Wang Xiang

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Comércio Exterior

China reconhece Brasil livre de febre aftosa e suspende restrições comerciais à carne

A China oficializou o reconhecimento de que o Brasil está livre de febre aftosa, suspendendo as restrições sanitárias que ainda atingiam parte do território nacional. O anúncio foi feito pela agência alfandegária chinesa na terça-feira (2), em comunicado oficial.

Com a decisão, todo o território brasileiro passa a ser considerado livre da doença, o que abre caminho para a ampliação das exportações de carne bovina e outros produtos de origem animal.

China é principal destino da carne brasileira

O Brasil, líder global na exportação de carne bovina e de frango, direcionou mais da metade de suas vendas externas de carne bovina para o mercado chinês no ano passado.

A China, maior importadora mundial de carne bovina, já comprou quase US$ 3 bilhões em carne brasileira apenas no primeiro trimestre deste ano, segundo dados comerciais.

Governo vê avanço em exportações de carne bovina e suína

Em nota conjunta, o Ministério da Agricultura e Pecuária e o Ministério das Relações Exteriores destacaram que a decisão deve ampliar as oportunidades de venda para o mercado asiático.

Segundo o governo, a medida pode beneficiar não apenas a carne bovina, mas também a carne suína, incluindo miúdos e cortes com osso.

As autoridades brasileiras afirmaram ainda que o reconhecimento é resultado de mais de duas décadas de negociações entre os dois países.

Negociações diplomáticas e diálogo estratégico

O anúncio ocorre após a visita do ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, a Pequim, em um encontro que a China classificou como “diálogo estratégico” bilateral.

No mês anterior, o Brasil havia solicitado maior abertura para ampliar o envio de carne bovina ao país asiático. Durante missão em Pequim no fim de maio, o ministro da Agricultura, André de Paula, também defendeu a redistribuição de cotas de exportação não utilizadas por outros países. A proposta, no entanto, foi rejeitada, segundo informações divulgadas pela Reuters.

China adotou medidas após surtos recentes de febre aftosa

No campo sanitário, a China enfrentou um surto de febre aftosa no final de março, com registros em 219 bovinos distribuídos em dois rebanhos nas regiões de Gansu e Xinjiang, totalizando 6.229 animais.

Após os casos, o governo chinês reforçou o controle nas fronteiras, acelerou a aprovação de vacinas e implementou ações de abate sanitário e desinfecção para conter a disseminação da doença.

FONTE: G1
TEXTO: Redação
IMAGEM: João Barreto

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Agronegócio

China ameaça exportações do agro brasileiro com plano para reduzir importações até 2030

A nova política da China para ampliar a autossuficiência alimentar acendeu um sinal de alerta no agronegócio brasileiro. O país asiático pretende diminuir gradualmente a dependência de produtos importados, medida que pode afetar diretamente cadeias estratégicas como soja brasileira, carne bovina e fertilizantes.

As diretrizes fazem parte do 15º Plano Quinquenal chinês, previsto para o período entre 2026 e 2030, e podem impactar exportações que movimentam entre US$ 50 bilhões e US$ 60 bilhões por ano para o Brasil.

Plano chinês prioriza produção interna e segurança alimentar

A estratégia de Pequim vai além de questões comerciais. O governo chinês busca fortalecer a produção doméstica, ampliar investimentos em tecnologia agrícola e diversificar fornecedores internacionais.

Entre as prioridades estão iniciativas voltadas para proteínas alternativas, agricultura de precisão, modernização da pecuária, desenvolvimento de sementes e aumento da produtividade rural. O objetivo é reduzir a vulnerabilidade externa em setores considerados estratégicos para a segurança alimentar do país.

Especialistas avaliam que a mudança representa uma transformação estrutural no comércio global de alimentos, especialmente em mercados onde o Brasil possui forte participação.

Soja brasileira pode perder espaço no mercado chinês

A soja aparece como um dos setores mais expostos às mudanças. Atualmente, a China concentra grande parte das compras do grão exportado pelo Brasil.

Estimativas da consultoria Systemiq indicam que as importações chinesas de soja podem cair até 25% até 2030, o equivalente a cerca de 23,5 milhões de toneladas.

O cenário ganhou ainda mais atenção após relatos de retenção e devolução de aproximadamente 20 navios brasileiros carregados com soja em portos chineses. As cargas apresentariam problemas fitossanitários relacionados a impurezas, pragas e sementes consideradas inadequadas pelas autoridades locais.

O episódio aumentou a pressão sobre exportadores e reforçou a necessidade de ajustes nos protocolos sanitários entre os dois países.

Estados Unidos e Argentina ampliam concorrência

Outro fator que amplia a preocupação do setor é a retomada da aproximação comercial entre China e Estados Unidos. Acordos recentes voltaram a colocar a soja americana no centro das negociações internacionais.

Com isso, o Brasil pode enfrentar maior concorrência também de países como Argentina, que buscam ampliar participação nas vendas ao mercado asiático.

Apesar de a demanda chinesa seguir elevada no curto prazo, analistas avaliam que o país trabalha com uma estratégia de longo prazo para reduzir a dependência de fornecedores externos.

Carne bovina brasileira entra em zona de atenção

A carne bovina brasileira também passou a enfrentar maior pressão no mercado chinês. O governo da China implementou uma salvaguarda com tarifa adicional de 55% para volumes que ultrapassem cotas anuais de importação.

Para 2026, o limite estabelecido para o Brasil ficou em torno de 1,1 milhão de toneladas — abaixo do volume exportado no ano anterior.

A medida busca proteger a produção pecuária chinesa diante do excesso de oferta interna e da pressão sobre os preços locais. Com isso, frigoríficos brasileiros terão de disputar espaço em um mercado mais restrito ou buscar novos destinos para parte da produção.

Diversificação de mercados vira prioridade para o agro

Diante do novo cenário, especialistas defendem que o Brasil acelere a diversificação das exportações e amplie investimentos em produtos de maior valor agregado.

Acordos comerciais envolvendo Mercosul, União Europeia, EFTA e Singapura são apontados como alternativas para reduzir a dependência do mercado chinês e abrir novas oportunidades para o setor agroindustrial brasileiro.

Além disso, o país também enfrenta desafios ligados aos fertilizantes, já que parte significativa dos insumos agrícolas utilizados no campo brasileiro depende de importações chinesas e de mercados afetados por tensões geopolíticas.

O movimento reforça a necessidade de fortalecer a produção nacional de insumos e ampliar a competitividade do agro brasileiro em um ambiente global cada vez mais disputado.

FONTE: Click Petróleo e Gás
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/CPG

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Exportação

Exportação de carne bovina para China pode seguir com cortes específicos mesmo após nova tarifa

A nova tarifa aplicada pela China sobre a carne bovina brasileira fora da cota de importação elevou o custo total para cerca de 67%, cenário considerado inviável para grande parte das negociações entre exportadores e compradores chineses.

Mesmo assim, frigoríficos brasileiros ainda enxergam oportunidades pontuais para exportação de determinados cortes com alta demanda no mercado asiático. A expectativa do setor é que ajustes de preços entre Brasil e China possam abrir espaço para operações rentáveis nos próximos meses.

Cortes dianteiros e peças específicas seguem no radar

Entre os produtos que ainda podem encontrar mercado na China estão cortes como músculo dianteiro e traseiro, bananinha, costela e lagarto. Segundo representantes da indústria, a elevada produção de carne bovina no Brasil pode gerar excesso de oferta no mercado interno, especialmente desses cortes menos valorizados pelo consumidor brasileiro.

O CEO da Frigol, Luciano Pascon, avalia que uma possível redução nos preços no Brasil, combinada com aumento de preços no mercado chinês, pode tornar algumas exportações economicamente viáveis mesmo com a incidência da nova taxa.

De acordo com ele, a China continua sendo praticamente o único mercado capaz de absorver grandes volumes desses produtos.

Mercado aguarda ajustes após fim da cota

Até o momento, não houve fechamento de contratos considerando a sobretaxa. Exportadores e importadores ainda evitam assumir os custos adicionais sem maior clareza sobre o comportamento dos preços.

O gerente de exportação da Masterboi, Flávio Silva, afirma que o setor acompanha atentamente a reação do consumidor chinês após o encerramento da cota brasileira.

Segundo ele, mesmo com a nova tributação, alguns cortes podem continuar competitivos devido ao prêmio pago pela China em comparação com outros mercados internacionais.

Parcerias estratégicas ganham força no mercado chinês

Além da venda tradicional de carne in natura, frigoríficos brasileiros também apostam em estratégias de maior valor agregado para manter espaço no mercado chinês.

A Naturafrig, por exemplo, firmou parceria com uma empresa chinesa especializada em processamento e porcionamento de carne bovina. O modelo permite que os produtos cheguem aos supermercados já embalados e identificados com a marca da companhia brasileira.

Para o diretor-executivo da Naturafrig, Fabrizzio Capuci, esse tipo de parceria representa uma evolução da presença da carne brasileira na China e pode ampliar a rentabilidade das exportações.

Ele destaca ainda que o mercado chinês possui diferentes perfis regionais de consumo, criando oportunidades para atuação em nichos específicos.

Setor aposta em diversificação de mercados

Na avaliação do CEO da Estrela Alimentos, Pedro Bordon, a imposição de limites e tarifas deve levar os frigoríficos brasileiros a adotarem estratégias comerciais mais segmentadas.

Segundo ele, o segundo semestre tende a exigir maior planejamento na destinação dos cortes bovinos, com diversificação de mercados compradores conforme o perfil de consumo de cada país.

Apesar das incertezas envolvendo a China, o cenário internacional segue favorável para o Brasil. O mercado global projeta déficit de aproximadamente 1,5 milhão de toneladas de carne bovina em 2026, impulsionado pela menor oferta nos Estados Unidos e na Austrália.

Com isso, exportadores brasileiros podem encontrar novas oportunidades para ampliar as vendas a outros países importadores.

FONTE: Globo Rural
TEXTO: Redação
IMAGEM: Pexels

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