Internacional

Índia planeja primeiro cargueiro pela Rota Marítima do Norte em 2027

A Índia pretende realizar, em 2027, a primeira operação de um navio cargueiro pela Rota Marítima do Norte (NSR), corredor que percorre a costa ártica da Rússia. A iniciativa faz parte da estratégia de Nova Déli para diversificar suas opções de transporte, reduzir distâncias comerciais e diminuir a exposição ao Canal de Suez.

A informação foi divulgada nesta quinta-feira (13) pela RT, com base em declarações de S. Venkatesapathy, secretário adjunto do Ministério da Marinha Mercante da Índia, durante o Fórum das Regiões Árticas, em Arkhangelsk, na Rússia.

Índia mira novas rotas comerciais pelo Ártico

Segundo Venkatesapathy, a expectativa é que o primeiro navio-piloto indiano percorra a Rota Marítima do Norte em 2027. O projeto ocorre em meio ao avanço das relações comerciais entre Índia e Rússia, que estabeleceram a meta de alcançar US$ 100 bilhões em comércio bilateral até 2030.

O petróleo russo já representa mais da metade das importações indianas, aumentando a relevância de alternativas logísticas que possam tornar o transporte de mercadorias mais eficiente e seguro.

Com aproximadamente 5.600 quilômetros, a Rota Marítima do Norte acompanha o litoral ártico russo e é considerada o trajeto marítimo mais curto entre o Leste Asiático e a Europa.

A operação, porém, depende das condições do gelo marinho e de infraestrutura especializada, incluindo navios quebra-gelos, o que limita a navegação a determinados períodos do ano.

Corredor Chennai-Vladivostok registra alta de 70%

O interesse da Índia pelo Ártico também está relacionado ao desempenho de outras rotas entre os dois países.

De acordo com Venkatesapathy, o corredor Chennai-Vladivostok, também chamado de Corredor Marítimo Oriental, apresentou crescimento de 70% na movimentação de cargas. Para o governo indiano, o resultado demonstra potencial para ampliar a utilização de outros corredores logísticos entre Índia, Rússia e Europa.

“Estamos vendo enormes possibilidades” tanto para o corredor marítimo oriental quanto para a Rota Marítima do Norte, afirmou o representante. Ele também informou que dois memorandos de entendimento foram assinados no ano passado com o objetivo de desenvolver essas conexões.

Rússia aponta aumento do interesse internacional

O presidente russo, Vladimir Putin, afirmou na quarta-feira (12) que a Índia vem demonstrando interesse ativo na Rota Marítima do Norte. Segundo ele, Moscou percebe uma procura crescente de diferentes países pelo corredor, incluindo Índia e China.

Para Nova Déli, uma das principais vantagens está na possibilidade de reduzir em até 40% a distância de determinados trajetos e economizar aproximadamente duas semanas de viagem até alguns portos europeus, em comparação com a rota tradicional pelo Canal de Suez.

O cenário ganha relevância diante dos riscos à navegação comercial associados ao conflito no Oriente Médio, que aumentaram a preocupação com a utilização da rota pelo Egito.

Índia também avalia corredor transártico

Além da NSR, Venkatesapathy destacou o interesse indiano no Corredor de Transporte Transártico, uma alternativa multimodal que combina diferentes meios de transporte.

A avaliação de Nova Déli considera fatores como menor distância, segurança logística e potencial de viabilidade comercial. A estratégia amplia o leque de opções para o transporte de mercadorias entre a Ásia, a Rússia e os mercados europeus.

Rússia amplia infraestrutura da Rota Marítima do Norte

Moscou vem investindo na infraestrutura necessária para aumentar o tráfego comercial pelo Ártico. Em 2023, a Rússia assinou um acordo com a empresa de Dubai DP World para desenvolver o transporte de contêineres pela região ártica.

A Rosatom, conglomerado estatal russo responsável pela coordenação da rota e pela operação de uma frota de quebra-gelos nucleares, ocupa posição central na expansão do corredor.

A movimentação de cargas também vem crescendo com a participação de empresas chinesas. No ano passado, foram realizadas 23 viagens de contêineres pela rota, enquanto cerca de 30 estão previstas para este ano.

Nos últimos dois anos, o volume total de cargas transportadas pela Rota Marítima do Norte ultrapassou 37 milhões de toneladas.

China amplia operações e Coreia do Sul acompanha desenvolvimento

Durante o Fórum das Regiões Árticas, Azamat Khochuev, diretor do Departamento para o Desenvolvimento da Rota Marítima do Norte e do Ártico da Rosatom, afirmou à RT que o transporte de cargas entre Rússia e China pelo corredor já superou cinco milhões de toneladas neste ano.

A chinesa Sea Legend Shipping também deve iniciar, em agosto, seu primeiro serviço regular de transporte para a Europa pela rota. Segundo Sergey Likhachev, CEO da Rosatom, a operação utilizará sete navios entre agosto e outubro.

A Coreia do Sul, por sua vez, considera o desenvolvimento do transporte de cargas pela Rota Marítima do Norte uma prioridade estratégica nacional, reforçando a crescente importância comercial do corredor ártico.

FONTE: Brasil 247
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/RT

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Portos

Trabalhadores dos portos: conheça as profissões que fazem a operação portuária acontecer

Por trás da movimentação de navios e mercadorias, existe uma complexa estrutura formada por profissionais de diferentes áreas. Os trabalhadores portuários são responsáveis por atividades que vão desde a chegada e atracação das embarcações até a movimentação, conferência e segurança das cargas.

A rotina também envolve setores administrativos, fiscalização, manutenção e suporte às operações. Cada função exige conhecimentos específicos e integração entre as equipes para garantir que o transporte marítimo ocorra de maneira segura e eficiente.

Trabalho muda conforme o tipo de porto

Existem diferenças entre os Portos Organizados, de caráter público, e os Terminais de Uso Privado (TUPs), administrados pela iniciativa privada. Questões como contratação, organização e gestão da mão de obra variam de acordo com o modelo de operação.

Nos Portos Organizados, as atividades dos trabalhadores portuários são regulamentadas pela Lei nº 12.815/2013, conhecida como Lei de Modernização dos Portos. Nos TUPs, a organização do trabalho possui maior liberdade de definição pela iniciativa privada.

Independentemente do modelo, as características das cargas e dos terminais demandam treinamento especializado, qualificação técnica e coordenação entre os profissionais envolvidos.

Quais são as principais profissões nos portos?

A evolução tecnológica e a modernização da operação portuária aumentaram a necessidade de trabalhadores preparados para lidar com equipamentos, sistemas e procedimentos cada vez mais sofisticados.

Entre as principais funções estão:

Trabalhador da capatazia

É responsável pela movimentação de mercadorias dentro das instalações portuárias. Entre as atividades estão recebimento, conferência, transporte interno, manipulação, organização e entrega de cargas.

Também pode participar do carregamento e descarregamento de embarcações quando essas operações são realizadas com equipamentos portuários.

Trabalhador da estiva

O profissional da estiva trabalha diretamente com as cargas nos conveses e porões das embarcações. Suas atribuições incluem operações de carregamento e descarga, transbordo e organização das mercadorias.

A função também envolve a peação, que consiste em fixar e amarrar as cargas para impedir deslocamentos durante o transporte, e a despeação, etapa de retirada dos dispositivos de travamento após a viagem.

Conferente de carga

O conferente verifica as características e a quantidade das mercadorias movimentadas. O trabalho inclui contagem de volumes, registro de informações, análise das condições da carga, acompanhamento da pesagem e conferência do manifesto.

É uma atividade importante para o controle de cargas durante as operações de embarque e desembarque.

Consertador de carga

Esse profissional atua na recuperação e preparação das embalagens utilizadas no transporte de mercadorias.

Entre as tarefas estão reparos, reembalagem, marcação, etiquetagem e abertura de volumes para inspeção, além da recomposição das embalagens após a vistoria.

Vigilante de embarcações

A vigilância de embarcações envolve o controle e a fiscalização do acesso de pessoas aos navios atracados ou fundeados.

O trabalho também abrange o acompanhamento da movimentação de mercadorias em áreas como portalós, rampas, porões, conveses e plataformas.

Trabalhador de bloco

Os chamados trabalhadores de bloco atuam na limpeza e conservação de embarcações mercantes e de seus tanques.

As atividades podem incluir remoção de ferrugem, pintura, pequenos reparos e outros serviços necessários à manutenção das embarcações.

Profissionais da administração portuária

A operação de um porto também depende de profissionais que trabalham nos setores administrativos e de gestão.

Essa estrutura reúne áreas como contabilidade, jurídico, setor comercial e gestão das operações portuárias, entre outras funções essenciais ao funcionamento das instalações.

Qualificação é cada vez mais importante

A modernização dos portos trouxe novos equipamentos, processos e tecnologias para o setor. Com isso, a qualificação profissional passou a ter papel ainda mais relevante para garantir produtividade e segurança nas operações.

Além do conhecimento técnico específico de cada função, os trabalhadores precisam seguir procedimentos relacionados à segurança portuária, logística, fiscalização e controle.

Fórum debate condições de trabalho nos portos

A organização do trabalho nos Portos Organizados também é acompanhada institucionalmente. No Ministério de Portos e Aeroportos (MPor), o Fórum Permanente dos Trabalhadores Portuários reúne representantes dos trabalhadores, autoridades portuárias, entidades patronais e profissionais, além de órgãos públicos ligados ao setor.

Criado por meio das Portarias nº 479, de 31 de outubro de 2023, e nº 562, de 18 de dezembro de 2023, o fórum discute temas como políticas públicas, segurança, formação profissional e condições de trabalho nos portos brasileiros.

Dessa forma, a atividade portuária vai muito além de navios e máquinas: é sustentada por uma cadeia de profissionais especializados que trabalham de forma integrada para manter o fluxo de cargas funcionando.

FONTE: Ministério de Portos e Aeroportos
TEXTO: Redação
IMAGEM: Vosmar Rosa/MPor

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Especialista

O Clima Contra a Logística Global: Por que o Seguro Internacional deixará de ser custo e virou estratégia de sobrevivência

A passagem do Tufão Dolphin pela costa leste da China — provocando o fechamento temporário e a desaceleração de mega-hubs portuários como Ningbo-Zhoushan e Xangai, é um lembrete severo sobre a vulnerabilidade das cadeias globais de suprimentos.

Quando os maiores portos do planeta entram em efeito dominó, o impacto no Brasil é imediato e doloroso:

No lado da Exportação: Navios carregados com commodities brasileiras (como soja, minério de ferro e proteína animal) enfrentam longas filas de espera (anchorage time), gerando custos altíssimos de demurrage e atrasando a liquidação dos contratos.

No lado da Importação: O cancelamento de escalas (blank sailings) e o atraso no envio de insumos industriais, eletrônicos e peças de reposição afetam diretamente as linhas de produção no Brasil, gerando desabastecimento e encarecendo os fretes marítimos spot.

No pátio e no mar: O acúmulo de contêineres e o manuseio sob condições adversas aumentam drasticamente os riscos de avarias físicas, tombamentos e umidade.


A Batalha Invisível: Por que o Seguro de Transporte Internacional é indispensável?

Muitos operadores logísticos e empresários assumem que a responsabilidade por imprevistos é integralmente do armador ou do transportador. Trata-se de um mito perigoso. A responsabilidade das companhias marítimas é limitada por convenções internacionais e contratos de frete, raramente cobrindo o valor real da mercadoria ou os prejuízos decorrentes de fenômenos naturais.

Um seguro de transporte internacional bem estruturado vai muito além de proteger contra “perda total”. Ele blinda a saúde financeira da empresa em três frentes críticas:

1. Avaria Grossa (General Average): O risco que pouca gente calcula

Em situações extremas de tempestade ou encalhe, se o comandante precisar sacrificar parte do navio ou lançar cargas ao mar para salvar a embarcação e o restante da mercadoria, a lei marítima internacional exige que todos os donos de carga a bordo dividam proporcionalmente os prejuízos.

  • Mercadorias Sem seguro: Sua carga pode nem ter sido danificada, mas ficará retida no porto até que você deposite uma garantia bancária (que pode chegar a dezenas ou centenas de milhares de dólares) para cobrir a sua quota-parte do prejuízo geral.
  • Com seguro: A seguradora assume a garantia e cuida da liberação da carga, sem desorganizar o seu caixa.

2. Coberturas Amplas (Cláusula All Risks / ICC “A”)

Eventos climáticos não geram apenas perdas totais. Ventos fortes e mar agitado causam quedas de contêineres, entrada de água do mar, tombamentos no convés e avarias por deslocamento de carga no interior do cofre. A apólice adequada garante indenização tanto para danos parciais quanto para perdas totais decorrentes do mau tempo ou manuseio emergencial nos pátios.

3. Garantia de Fluxo de Caixa e Previsibilidade

Uma operação sem seguro troca uma despesa previsível e irrisória (o prêmio do seguro) por um risco financeiro catastrófico imprevisível. Em momentos de crise nas rotas asiáticas, ter a indenização garantida permite recompor o estoque ou reimportar insumos sem comprometer a continuidade do negócio.

Checklist Prático: Como blindar sua operação hoje

Para garantir que a sua cobertura seja efetiva quando o imprevisto acontecer:

  1. Revise os Incoterms® da negociação: Tenha clareza de quem é a responsabilidade pela contratação do seguro no contrato (ex: FOB x CIF ou CIP x FCA).
  2. Exija Cobertura “All Risks” (ICC – Institute Cargo Clauses “A”): Garanta a maior amplitude possível contra avarias, e confirme se a cláusula de Avaria Grossa está devidamente coberta.
  3. Monitore o Lead Time e Gerencie Riscos: Acompanhe os avisos das armadoras e mantenha margens de segurança no planejamento de estoque durante a temporada de tufões e furacões na Ásia e Américas.
  4. Alinhe os Vistoriadores: Tenha certeza de que seu corretor/seguradora conta com rede de regulação de avarias nos portos de origem e destino.

Não temos controle sobre a força dos tufões ou a saturação dos portos mundiais, mas temos controle absoluto sobre a gestão do nosso risco. Proteger o capital investido na carga é o único caminho para manter a competitividade e a sustentabilidade no Comércio Exterior.

Sua operação no trecho Ásia-Brasil já está preparada para os impactos operacionais dos próximos meses?

Renata Palmeira é CEO do RêConecta News, executiva comercial e especialista em Logística, Comércio Exterior e Gestão de Pessoas. Com mais de 25 anos de experiência nos setores de vendas e logística, atua na gestão comercial, desenvolvimento de equipes e soluções logísticas integradas. Fundadora do portal RêConecta News, trabalha para ampliar a visibilidade e o posicionamento estratégico de empresas e profissionais de Comex e Logística, além de atuar como palestrante nas áreas de vendas, marketing e logística.

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Tecnologia

Eclusas: tecnologia garante a navegação em rios com desníveis no Brasil

As eclusas são estruturas essenciais para manter a navegação em rios que apresentam diferentes níveis de altura. Conhecidas como uma espécie de “elevador aquático”, elas permitem que embarcações e comboios de carga atravessem desníveis de maneira segura, inclusive em trechos afetados por barragens ou por obstáculos naturais.

Além de assegurar a continuidade das viagens, esse sistema contribui para a eficiência do transporte hidroviário e para o funcionamento da logística por vias fluviais.

Como funciona uma eclusa?

O funcionamento de uma eclusa de navegação ocorre por meio de uma câmara equipada com comportas. Primeiro, a embarcação entra nesse compartimento e as portas são fechadas. Em seguida, o nível da água é alterado de forma controlada até atingir a altura do trecho seguinte do rio.

Quando os níveis são igualados, a comporta do outro lado é aberta e a embarcação pode prosseguir. No trajeto contrário, a operação acontece de forma inversa: o nível da água é reduzido para permitir que o barco passe do trecho mais alto, chamado de montante, para o mais baixo, conhecido como jusante.

Onde existem eclusas no Brasil?

Atualmente, há eclusas em operação nos estados do Rio Grande do Sul, Bahia, São Paulo, Pará e Mato Grosso do Sul. Essas estruturas são fundamentais para preservar a navegabilidade de importantes hidrovias brasileiras.

Por isso, ações de manutenção e modernização são realizadas pelo Ministério de Portos e Aeroportos em parceria com o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit).

As intervenções buscam elevar a confiabilidade das operações e melhorar as condições para o transporte de cargas e passageiros pelos rios do país.

Importância para o transporte hidroviário

Mais do que permitir que embarcações superem desníveis, as eclusas contribuem para a segurança da navegação e beneficiam comunidades que dependem dos rios para deslocamento e atividades econômicas.

A estrutura também tem impacto direto na logística brasileira, ao possibilitar que grandes volumes de mercadorias sejam transportados de maneira contínua pelas hidrovias.

Vantagens das hidrovias para o transporte de cargas

O transporte por rios é considerado um dos modais mais eficientes para a movimentação de grandes volumes. Em comparação com o transporte rodoviário, a navegação hidroviária pode transportar mais mercadorias com menor consumo de combustível por tonelada movimentada.

A redução do consumo também está associada a menores emissões de poluentes, além de contribuir para a diminuição dos custos logísticos e para o aumento da competitividade da infraestrutura de transportes brasileira.

FONTE: Ministério de Portos e Aeroportos
TEXTO: Redação
IMAGEM: DNIT

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Portos

Porto de Itajaí antecipa draga para reforçar dragagem do canal diante dos efeitos do El Niño

A Superintendência do Porto de Itajaí decidiu antecipar a mobilização de uma draga de sucção do tipo hopper para reforçar a manutenção do canal de acesso ao Complexo Portuário de Itajaí. O equipamento deve chegar entre quarta (12) e quinta-feira (13) e integra uma estratégia preventiva diante das condições climáticas associadas ao El Niño e do aumento da descarga do Rio Itajaí-Açu.

A nova campanha de dragagem estava inicialmente programada para ocorrer em setembro, mas foi antecipada pela autoridade portuária. A medida busca preservar a navegabilidade do canal, aumentar a segurança das operações e oferecer maior previsibilidade aos armadores, terminais e demais empresas que integram o trade portuário.

Autoridade Marítima aumentou folga adicional de segurança

Na terça-feira (11) a Autoridade Marítima também ampliou a margem de segurança abaixo da quilha dos navios que operam no Complexo Portuário de Itajaí e Navegantes. A folga adicional passou de 0,3 metro para 0,8 metro, após levantamentos batimétricos identificarem redução de 1,4 metro na profundidade em parte da Bacia de Evolução nº 1, que passou de 13,6 para 12,2 metros. Na prática, o aumento da distância de segurança entre a quilha e o fundo do canal reduz o calado operacional disponível para as embarcações e pode limitar o volume de carga transportado pelos navios. A medida é preventiva e temporária e permanecerá em vigor enquanto as condições batimétricas permanecerem alteradas.

Porto de Itajaí diz que canal está com 14 metros

A última campanha realizada com uma draga hopper ocorreu no início de junho. Desde então, os trabalhos de manutenção vêm sendo conduzidos também pela draga Njord, que executa dragagem por aspersão ao longo do canal do Rio Itajaí-Açu.

Nesta terça-feira (11), técnicos da Superintendência do Porto de Itajaí acompanharam presencialmente as operações. Durante a inspeção, foi constatado que o canal permanece navegável, com profundidade de até 14 metros.

A chegada da nova draga deverá ampliar a capacidade de remoção e controle dos sedimentos acumulados no fundo do rio. O equipamento opera por meio da sucção do material, reforçando as ações já realizadas pela Njord.

O Porto de Itajaí monitora os impactos do El Niño sobre as condições do canal desde 10 de junho de 2026. Entre os efeitos identificados está a presença de lama fluida e o aumento da sedimentação.

Nas últimas semanas, o volume de chuvas também contribuiu para elevar o nível e a vazão do Rio Itajaí-Açu. Esse cenário aumenta o transporte de sedimentos em direção ao canal de acesso ao complexo portuário e exige acompanhamento contínuo das condições de navegabilidade.

Segundo o superintendente do Porto de Itajaí, Artur Antunes Pereira, a antecipação da campanha representa uma ação preventiva para evitar impactos sobre as operações. “Hoje nossa equipe acompanhou o trabalho da dragagem por aspersão ao longo do canal e verificou que o canal permanece navegável, com profundidade de até 14 metros.”

De acordo com o superintendente, a decisão de antecipar a mobilização, que normalmente ocorreria apenas em setembro, busca garantir segurança à navegação e maior previsibilidade para o mercado.

Monitoramento do canal continua

A Superintendência do Porto de Itajaí informou que seguirá acompanhando permanentemente as condições do canal. As ações são realizadas em conjunto com a Van Oord e poderão ser ajustadas conforme a evolução das condições climáticas e da sedimentação.

Após a atuação da draga hopper, novos levantamentos deverão ser realizados para avaliar as condições do canal e orientar as próximas medidas de manutenção.

A estratégia adotada pela autoridade portuária tem como foco manter a segurança da navegação, assegurar a continuidade das operações e reduzir possíveis impactos das condições climáticas sobre o Complexo Portuário de Itajaí.

Fonte: Superintendência do Porto de Itajaí

Texto: Redação

Imagem: Divulgação Porto de Itajaí

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Logística

Taxação da China sobre carne brasileira preocupa logística mais que tarifa dos EUA, diz CNT

A nova taxação chinesa sobre a carne brasileira pode representar um impacto maior para a logística nacional do que as tarifas anunciadas pelos Estados Unidos, na avaliação do presidente da Confederação Nacional do Transporte (CNT), Vander Costa.

Em entrevista ao Conexão Infra, o dirigente afirmou que a cobrança adicional de 55% aplicada pela China atinge diretamente um dos principais fluxos de exportação do Brasil. Já o mercado norte-americano, embora relevante para produtos brasileiros de maior valor agregado, possui participação menor no volume total das exportações do país.

China tem peso maior na exportação brasileira

Para Vander Costa, a diferença está principalmente na importância de cada mercado para o comércio exterior brasileiro.

A China é um dos principais destinos das exportações nacionais, especialmente de commodities e produtos do agronegócio. Por isso, mudanças nas compras chinesas podem provocar reflexos mais amplos sobre transporte, logística e movimentação de cargas.

Os primeiros efeitos da redução das compras de carne bovina brasileira já começaram a aparecer nos dados de comércio exterior. Informações da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) apontaram desaceleração nos embarques do produto.

Na avaliação do presidente da CNT, os Estados Unidos têm uma característica diferente. Embora o Brasil venda ao país produtos industrializados de maior valor agregado, o volume dessas exportações é relativamente menor.

Tarifa dos EUA tem impacto mais limitado, diz CNT

Vander Costa considera que a menor participação dos Estados Unidos na pauta exportadora brasileira ajuda a reduzir os efeitos imediatos das novas tarifas sobre a cadeia logística.

Segundo ele, o Brasil consegue absorver parte do impacto porque o volume comercializado com o mercado norte-americano é menor, mesmo que os produtos exportados tenham maior valor agregado.

O presidente da CNT também avaliou como adequada, no curto prazo, a estratégia do governo brasileiro de manter as negociações com os Estados Unidos. Para ele, tanto o poder público quanto o setor empresarial devem buscar alternativas para reduzir os efeitos das medidas comerciais.

Costa também levantou a possibilidade de que o aumento das tarifas esteja relacionado a objetivos da política interna dos Estados Unidos, incluindo a busca por maior arrecadação.

Diversificação de mercados é apontada como alternativa

Diante do cenário de maior tensão comercial, a diversificação dos mercados de exportação aparece como uma das principais estratégias defendidas pelo presidente da CNT.

A avaliação é de que o Brasil deve ampliar sua presença comercial na Ásia e na Europa, reduzindo a dependência de determinados destinos.

Costa também citou a importância do acordo Mercosul-União Europeia para ampliar as oportunidades de exportação e facilitar o acesso de produtos brasileiros ao mercado europeu.

A busca por novos parceiros comerciais pode ajudar empresas brasileiras a encontrar destinos alternativos caso barreiras tarifárias reduzam a demanda em mercados tradicionais.

Política comercial dos EUA pode favorecer China

Na avaliação de Vander Costa, a política comercial adotada pelo governo de Donald Trump pode produzir um efeito contrário ao objetivo de reduzir a influência chinesa no comércio global.

Segundo o presidente da CNT, a imposição de novas barreiras comerciais pelos Estados Unidos pode abrir espaço para que a China amplie sua influência econômica e comercial em diferentes regiões do mundo.

O dirigente também afirmou que o setor produtivo brasileiro já vinha se preparando para a possibilidade de novas tarifas sobre produtos exportados aos Estados Unidos.

A antecipação das empresas, segundo ele, ajudou a reduzir os efeitos das sobretaxas e permitiu que parte do setor se adaptasse previamente ao novo cenário do comércio internacional.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/CNN

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Evento

Workshop em Brasília debate futuro da carga aérea e das remessas expressas no Brasil

O Ministério de Portos e Aeroportos (MPor), em parceria com a Associação Brasileira das Empresas de Transporte Internacional Expresso de Cargas (Abraec), promove na próxima quinta-feira (13), em Brasília, um workshop dedicado ao futuro da carga aérea e das remessas expressas internacionais no Brasil.

O evento, chamado Agenda ConectAR: Workshop Remessas Expressas, reunirá representantes do governo, órgãos reguladores, entidades internacionais e empresas do setor para discutir os principais desafios e oportunidades para o transporte aéreo de cargas no país.

Evento reúne governo e empresas do setor aéreo

O workshop será realizado no auditório do Ministério de Portos e Aeroportos, na Esplanada dos Ministérios. A participação é gratuita e requer inscrição prévia.

O encontro também terá transmissão ao vivo pelo canal do MPor no YouTube, permitindo o acompanhamento remoto das discussões.

A abertura institucional terá a participação do ministro de Portos e Aeroportos, Tomé Franca; do secretário Nacional de Aviação Civil, Daniel Ramos Longo; e do secretário de Competitividade e Política Regulatória do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Pedro Ivo Sebba Ramalho.

Remessas expressas ganham espaço na agenda econômica

A programação foi organizada para discutir o papel das remessas expressas internacionais na economia brasileira e sua relação com o desenvolvimento do comércio exterior.

Entre os assuntos previstos estão competitividade, infraestrutura aeroportuária, modernização regulatória e transformação digital. A agenda também inclui debates sobre integração entre órgãos públicos, segurança, reforma tributária e o uso de inteligência artificial na logística.

Outro foco será a evolução do setor nos próximos anos, com discussões sobre as perspectivas para a carga aérea brasileira até 2030.

Empresas e entidades internacionais participam

A programação contará com especialistas e representantes de empresas e organizações ligadas ao transporte aéreo, à logística e ao comércio internacional.

Entre os participantes confirmados estão representantes da Global Express Association (GEA), Cargo Airline Association (CAA), GRU Airport, FedEx, LATAM Cargo, DHL Express e International Air Transport Association (IATA).

Também participam a Brazil Specialty Coffee Association (BSCA) e a Alibaba/Cainiao, ampliando o debate para diferentes segmentos que dependem da logística aérea e das operações internacionais.

Agenda ConectAR busca modernizar a aviação civil

O Workshop Remessas Expressas faz parte das ações da Agenda ConectAR, iniciativa coordenada pelo Ministério de Portos e Aeroportos para aumentar a competitividade da aviação civil brasileira.

O programa está estruturado em três frentes principais: ampliação da concorrência, redução do Custo Brasil e fortalecimento da estabilidade regulatória e da segurança jurídica.

A proposta reúne medidas para modernizar o ambiente de negócios, melhorar a eficiência da cadeia logística e estimular a atração de investimentos para o setor aéreo.

Debate mira mais eficiência e conectividade

A discussão sobre as remessas expressas integra uma estratégia mais ampla de fortalecimento da infraestrutura logística brasileira.

A expectativa é que o encontro contribua para identificar soluções capazes de ampliar a conectividade do país, facilitar o comércio exterior, aumentar a eficiência das operações de carga aérea e criar condições mais favoráveis para o desenvolvimento econômico.

FONTE: Ministério de Portos e Aeroportos
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/MPor

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Logística

CNI critica nova lei do frete e alerta para aumento dos custos logísticos da indústria

A sanção da nova legislação que altera a Política Nacional de Pisos Mínimos do Transporte Rodoviário de Cargas (PNPM-TRC) deve ampliar a pressão sobre os custos logísticos da indústria brasileira, na avaliação da Confederação Nacional da Indústria (CNI).

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou, na última quarta-feira (5), a Lei nº 15.485/2026, que modifica as regras dos pisos mínimos de frete rodoviário. Para a CNI, as mudanças mantêm problemas estruturais do modelo e podem elevar artificialmente os custos de transporte, reduzir a competitividade das empresas e aumentar a insegurança jurídica.

A entidade também alerta que parte desse impacto poderá ser repassada aos preços dos produtos, com possíveis efeitos sobre o consumidor e a inflação.

CNI pretende ampliar atuação no Judiciário

A preocupação da indústria ganhou força após a edição da Medida Provisória nº 1.343/2026, publicada em março. A MP surgiu em um período de instabilidade marcado pela oscilação dos preços dos combustíveis e pelo risco de paralisações de caminhoneiros.

Durante a tramitação no Congresso, porém, o texto recebeu alterações que, segundo a CNI, ampliaram seu alcance para além do objetivo inicialmente previsto.

Diante da nova legislação, a confederação pretende intensificar sua atuação judicial. A entidade deverá acrescentar as mudanças aprovadas pelo Congresso e sancionadas pelo governo à ADI nº 5.964, ação em que questiona a constitucionalidade da política de tabelamento do frete.

Frete já representa custo maior para as empresas

Os argumentos da CNI são respaldados por uma pesquisa realizada com o setor industrial. A Sondagem Especial da CNI sobre os pisos mínimos do transporte rodoviário de cargas ouviu 1.571 empresas de diferentes segmentos no primeiro semestre deste ano.

Segundo o levantamento, a política de pisos mínimos elevava, em média, 16,4% os custos de frete da indústria.

A pesquisa também mostrou que 94% das empresas que contratam transporte rodoviário identificavam impactos negativos provocados pela política.

Outro dado apontado pela sondagem é que aproximadamente 80% das empresas consultadas consideravam a metodologia utilizada pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) para calcular os pisos mínimos parcial ou totalmente distante da realidade operacional do setor.

Para a CNI, os resultados indicam a necessidade de revisão das regras e de uma metodologia que considere de forma mais adequada as condições efetivas do transporte de cargas no Brasil.

Pequenas empresas estão entre as mais afetadas

De acordo com a entidade, os efeitos da política são mais acentuados em empresas de pequeno porte, cadeias produtivas altamente dependentes do transporte rodoviário e setores que trabalham com produtos de menor valor agregado.

Também enfrentam maior impacto as operações realizadas em regiões onde os custos de logística já são elevados por fatores estruturais.

A combinação entre frete mais caro e menor flexibilidade para negociar preços pode, segundo a avaliação da indústria, pressionar as margens das empresas e elevar o chamado Custo Brasil.

Nova legislação mantém pontos criticados pela indústria

Durante a análise da medida provisória no Congresso, algumas alterações contribuíram para reduzir parcialmente os impactos previstos inicialmente.

Entre elas estão a retirada da possibilidade de desconsideração da personalidade jurídica e o estabelecimento de um teto de R$ 1 milhão para multas aplicadas em casos de reincidência no descumprimento dos pisos mínimos.

Apesar dessas mudanças, a CNI considera que a legislação sancionada preservou dispositivos que podem aumentar os custos e a complexidade das operações.

Entre os pontos citados estão o prazo máximo de 30 dias para pagamento do frete, a manutenção de sanções relacionadas a infrações cometidas antes da publicação da nova lei e a aplicação dos pisos mínimos a modalidades como o TAC-agregado e o TAC-independente.

Na avaliação da entidade, essas regras ampliam os efeitos econômicos e regulatórios da política sobre as empresas.

CNI pede regras baseadas em evidências

O diretor de Relações Institucionais da CNI, Roberto Muniz, defende que mudanças de grande impacto no setor de transporte sejam precedidas por análises de impacto regulatório, estudos técnicos e diálogo com o setor produtivo.

Para a entidade, é necessário conciliar a sustentabilidade econômica do transporte rodoviário com a competitividade da indústria brasileira, sem aumentar os custos que já pesam sobre a atividade produtiva.

Muniz afirma que transporte e logística estão entre os principais componentes do Custo Brasil e que restrições à negociação entre embarcadores e transportadores acabam afetando toda a cadeia produtiva.

Entidade quer revisão da política de frete

A CNI defende que o Supremo Tribunal Federal (STF) dê prioridade à análise da ADI nº 5.964, que questiona a constitucionalidade do tabelamento do frete.

Enquanto aguarda uma decisão definitiva da Corte, a entidade pretende continuar atuando nas áreas legislativa e regulatória para reduzir os impactos da política.

Entre as medidas defendidas estão a derrubada do veto ao dispositivo que previa anistia de sanções, além do aperfeiçoamento das normas e da metodologia utilizada no cálculo dos pisos mínimos de frete.

A CNI afirma que continuará discutindo o tema com representantes da indústria, outros setores produtivos e a ANTT, buscando um ambiente regulatório com maior segurança jurídica, previsibilidade e eficiência logística.

FONTE: Portal da Indústria
TEXTO: Redação
IMAGEM: Shutterstock

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Portos

FIESC defende concessão independente da dragagem do Complexo Portuário de Itajaí

A Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (FIESC) voltou a defender a publicação, com urgência, do edital para a concessão do canal de acesso aquaviário ao Complexo Portuário de Itajaí. A entidade quer que a gestão da dragagem e da manutenção do canal seja estruturada em um processo separado da operação do terminal terrestre.

A posição foi formalizada em ofício enviado nesta sexta-feira (7) ao ministro de Portos e Aeroportos, Tomé Franca, à Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) e à Companhia Docas do Estado da Bahia (Codeba).

Para a FIESC, a concessão independente do canal de acesso pode proporcionar maior eficiência e previsibilidade às operações de dragagem, além de aumentar a segurança para operadores, usuários e investidores.

FIESC aponta importância estratégica do canal

O Complexo Portuário de Itajaí tem papel relevante para a economia de Santa Catarina e para as cadeias produtivas brasileiras. Além do Porto de Itajaí, a estrutura reúne a Portonave e outros terminais privados importantes para setores como indústria e agronegócio.

Segundo o presidente da FIESC, Gilberto Seleme, a separação entre a administração do canal e a operação do terminal é necessária para garantir maior autonomia às atividades de dragagem e manutenção.

A entidade avalia que um modelo independente pode evitar que intervenções essenciais à navegação sejam afetadas por eventuais problemas contratuais ou operacionais relacionados ao terminal.

Dragagem precisa ter gestão contínua

Para a FIESC, a manutenção das condições adequadas de navegação deve permanecer como prioridade no complexo portuário. A entidade cita como exemplos o aprofundamento do canal de acesso e a ampliação da bacia de evolução, obras consideradas estruturantes para o funcionamento da atividade portuária.

O presidente do Conselho para Assuntos de Transporte e Logística da FIESC, Maurício Battistella, destaca ainda a necessidade de considerar os efeitos de eventos climáticos extremos na região.

Nesse contexto, a avaliação da entidade é de que o canal do Rio Itajaí-Açu exige um sistema de dragagem permanente, previsível e adaptável, capaz de responder às mudanças nas condições de navegação e às necessidades do complexo.

FIESC pede agilidade na concessão

No documento encaminhado às autoridades, a FIESC também solicita maior celeridade no processo de concessão. A preocupação é evitar que atrasos afetem a navegação e a movimentação portuária da região.

A expectativa apresentada pela entidade é de que a Antaq analise o processo de concessão do canal de acesso ao Porto de Itajaí na próxima quinta-feira (13). Após essa etapa, a previsão é de publicação do edital do leilão.

A federação afirma que continuará disponível para contribuir com os órgãos públicos no aperfeiçoamento da infraestrutura portuária de Santa Catarina, buscando fortalecer a logística, o comércio exterior e o crescimento sustentável da indústria brasileira.

FONTE: FIESC
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Portonave

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Logística

Missão ao Paraguai busca ampliar logística e comércio exterior de Santa Catarina

A missão oficial de Santa Catarina ao Paraguai avançou em discussões para ampliar a integração logística e comercial entre os dois países. Liderada pelo Governo do Estado e pela Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (FIESC), a agenda tratou do uso da estrutura portuária catarinense nas operações de comércio exterior paraguaio e de alternativas para melhorar o transporte de insumos destinados à agroindústria de Santa Catarina.

A aproximação também abriu negociações para novas parcerias em logística, tecnologia, agricultura e infraestrutura, com potencial para fortalecer o intercâmbio comercial entre Santa Catarina e Paraguai.

Segundo o presidente da FIESC, Gilberto Seleme, a aproximação atende a interesses dos dois lados e pode ampliar as oportunidades de negócios entre os mercados.

Rota do Milho é prioridade para a agroindústria catarinense

Entre os principais assuntos discutidos durante a missão esteve a Rota do Milho, projeto voltado à garantia do abastecimento regular de grãos para o polo de produção de proteína animal localizado no Oeste de Santa Catarina.

O milho é o principal produto exportado pelo Paraguai para Santa Catarina. Em 2025, o grão representou 15,2% das vendas paraguaias ao estado, movimentando US$ 70,5 milhões.

Além de buscar maior segurança no fornecimento de milho, a comitiva discutiu a possibilidade de levar tecnologias catarinenses para a agricultura paraguaia. Também foram avaliadas oportunidades para implantação de Zonas de Processamento de Exportação (ZPEs) integradas aos portos de Santa Catarina.

Para Gilberto Seleme, os portos catarinenses podem oferecer uma alternativa competitiva ao Paraguai para operações de importação e exportação com mercados da Ásia e de outras regiões.

Comércio entre SC e Paraguai cresce acima da média nacional

A expansão das relações econômicas entre os dois mercados ocorre em um cenário de forte crescimento do comércio exterior entre Santa Catarina e Paraguai.

Dados do Observatório FIESC mostram que, de 2015 a 2025, as exportações catarinenses para o país vizinho cresceram 99,1%, chegando a US$ 445,1 milhões no último ano.

O avanço foi impulsionado principalmente pela venda de produtos com maior valor agregado, entre eles cerâmica não vitrificada, máquinas e equipamentos mecânicos e sistemas de refrigeração.

No sentido contrário, as importações de produtos paraguaios por Santa Catarina tiveram crescimento ainda mais expressivo. O aumento foi de 390,5% entre 2015 e 2025, alcançando US$ 464 milhões no ano passado.

O milho liderou as compras catarinenses, seguido por carne bovina, óleo de soja, tecidos e insumos metálicos, como chumbo e sucata de cobre. Os produtos atendem diferentes cadeias produtivas do estado, incluindo os setores agroindustrial, têxtil e metalmecânico.

Construção civil também entra na agenda

A missão também identificou oportunidades relacionadas ao setor da construção civil. Entre as propostas discutidas está a atração de investimentos paraguaios para o mercado imobiliário do litoral catarinense.

Outra frente envolve a ampliação das vendas de materiais de construção produzidos em Santa Catarina para o Paraguai.

A transferência de tecnologias e soluções desenvolvidas no estado para projetos de infraestrutura paraguaios também esteve entre os temas da agenda. O país vizinho atravessa um período de expansão das obras, o que pode abrir espaço para empresas catarinenses especializadas em produtos, serviços e soluções para o setor.

Santa Catarina e Paraguai terão novos encontros

Como resultado das negociações realizadas em Assunção, equipes técnicas do Governo de Santa Catarina e da FIESC deverão aprofundar, nos próximos meses, estudos sobre logística e regulamentação necessários para viabilizar as novas parcerias.

A aproximação terá continuidade em novembro, quando Santa Catarina deverá receber um encontro e seminário empresarial sobre as relações com o Paraguai.

A expectativa é que a nova agenda permita avançar em projetos voltados ao comércio exterior, ao abastecimento de insumos, à infraestrutura e à integração entre os setores produtivos dos dois mercados.

FONTE: FIESC
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/FIESC

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