Portos

Ferroanel de São Paulo pode ampliar acesso ferroviário ao Porto de Santos

O Ferroanel de São Paulo, considerado uma das principais obras de infraestrutura ferroviária do país, voltou ao centro das discussões após o início de novos estudos técnicos. O empreendimento é apontado como estratégico para ampliar a capacidade de acesso ao Porto de Santos, principal complexo portuário brasileiro, além de melhorar a circulação de cargas na Região Metropolitana de São Paulo.

O projeto prevê a construção de um contorno ferroviário com cerca de 53 quilômetros entre Itaquaquecetuba e o bairro de Perus, na capital paulista. A proposta é separar o tráfego de trens de carga e de passageiros, reduzindo gargalos operacionais e aumentando a eficiência logística.

Ministério dos Transportes inicia nova etapa de avaliação

O avanço mais recente ocorreu com a assinatura de um memorando de entendimento entre o Ministério dos Transportes e a MRS Logística, destinado à elaboração de estudos sobre a viabilidade do empreendimento.

Os levantamentos deverão analisar aspectos como o traçado da ferrovia, capacidade operacional, impactos ambientais e urbanos, situação fundiária, cronograma de implantação e estimativas iniciais de custos e benefícios.

Até o momento, não existe um cronograma definido para a execução das obras, já que o projeto ainda depende da conclusão dessas avaliações técnicas.

Ferroanel poderá integrar a concessão da Malha Oeste

A proposta em análise prevê que o Ferroanel seja incorporado ao futuro processo de concessão da Malha Oeste, cuja licitação ainda não possui data marcada.

Com aproximadamente 1.625 quilômetros de extensão, a ferrovia conecta Mairinque (SP) a Corumbá (MS), na fronteira com a Bolívia, formando um importante corredor para o transporte de cargas do Centro-Oeste brasileiro.

A malha ferroviária também se integra à Malha Paulista, responsável pela ligação com o Porto de Santos, permitindo o escoamento de grãos, minérios e outros produtos destinados ao mercado externo.

Enquanto a nova concessão não é concluída, o Governo Federal assinou recentemente o quinto termo aditivo contratual para garantir a continuidade da operação da ferrovia.

Estudos definirão custos, modelo e viabilidade do projeto

Segundo o Ministério dos Transportes, ainda não há definição sobre o modelo de implantação, a fonte de financiamento nem o valor necessário para executar a obra.

A previsão é que os estudos sejam desenvolvidos em até dois anos após a assinatura do contrato de concessão da Malha Oeste. Somente após essa etapa será possível definir se o investimento será efetivamente incorporado ao contrato.

A pasta ressalta que a implantação do Ferroanel dependerá das condições estabelecidas na futura concessão e da preservação do equilíbrio econômico-financeiro do contrato.

Projeto possui histórico de estudos ambientais

Embora o empreendimento ainda não tenha saído do papel, parte dos estudos ambientais já foi realizada.

Em 2015, a então Empresa de Planejamento e Logística (EPL), atualmente Infra S.A., ficou responsável pela elaboração do Estudo de Impacto Ambiental (EIA), do Relatório de Impacto Ambiental (Rima), além da condução do processo de licenciamento junto à Cetesb e dos estudos de engenharia.

De acordo com a empresa, toda essa documentação foi concluída e encaminhada ao então Ministério da Infraestrutura no primeiro semestre de 2019.

Construção dependerá de decisão do Governo Federal

A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) esclarece que a futura concessionária da Malha Oeste só ficará responsável pela implantação do Ferroanel caso o Governo Federal decida incluir oficialmente o projeto na concessão.

Nesse cenário, caberá à empresa elaborar o projeto básico da ferrovia, que será submetido à análise do Poder Concedente e de uma verificação técnica independente antes da autorização para execução.

Obras ainda não são obrigatórias

A ANTT destaca que a construção do Ferroanel de São Paulo não será uma obrigação automática da futura concessionária.

Inicialmente, o compromisso previsto é apenas a realização dos estudos técnicos em até 24 meses. A execução das obras dependerá de decisão do Governo Federal e somente poderá ocorrer após o terceiro ano da concessão, desde que todas as exigências técnicas, contratuais e financeiras sejam atendidas.

FONTE: A Tribuna
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Datamar News

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Transporte

CNT apresenta agenda para impulsionar hidrovias e ampliar uso do transporte hidroviário no Brasil

Mesmo dispondo de uma das maiores malhas hidrográficas do mundo, o Brasil ainda explora apenas uma fração do potencial das hidrovias para o transporte de cargas e passageiros. Com o objetivo de mudar esse cenário, a Confederação Nacional do Transporte (CNT) apresentou uma agenda estratégica que reúne propostas para fortalecer a governança do setor, aperfeiçoar a regulação e ampliar os investimentos em infraestrutura hidroviária.

O levantamento, intitulado Propostas para o Desenvolvimento da Navegação Interior Brasileira, foi desenvolvido pela consultoria Pezco em parceria com o Ministério de Portos e Aeroportos (MPor) e o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). O estudo traz um diagnóstico da estrutura institucional da navegação interior e estabelece recomendações de curto, médio e longo prazos, com planejamento até 2046.

A apresentação ocorreu durante o workshop Governança e Regulação da Navegação Interior, realizado pela CNT, em Brasília. O material deverá servir como base para a elaboração de políticas públicas voltadas à ampliação da participação do modal hidroviário na matriz de transportes do país.

Potencial das hidrovias ainda é pouco aproveitado

O debate acontece em um momento considerado decisivo para a logística nacional. Atualmente, mais de 60% das cargas brasileiras são transportadas por rodovias, enquanto o transporte hidroviário permanece subutilizado, apesar de oferecer custos operacionais menores para grandes volumes e longas distâncias.

Dados do Ministério de Portos e Aeroportos mostram que o Brasil possui aproximadamente 63 mil quilômetros de rios com potencial para navegação. No entanto, apenas cerca de 20 mil quilômetros são explorados de forma econômica e regular.

Além da redução dos custos logísticos, especialistas destacam que as hidrovias proporcionam menor consumo de combustível por tonelada transportada e reduzem as emissões de gases de efeito estufa, tornando o modal um importante aliado das estratégias de descarbonização do setor logístico.

Estudo aponta entraves para expansão da navegação interior

Entre os principais desafios identificados pelo estudo estão a fragmentação da governança, a insegurança regulatória, a falta de planejamento integrado da infraestrutura e a baixa prioridade dada ao transporte hidroviário nas políticas públicas.

O levantamento também cita dificuldades relacionadas à escassez de mão de obra especializada, limitações no acesso ao financiamento e problemas envolvendo a segurança patrimonial.

No segmento de transporte de passageiros, o diagnóstico revela ainda altos índices de informalidade, deficiência na infraestrutura de terminais e atracadouros, escassez de dados estatísticos e obstáculos para obtenção de crédito destinado à renovação das embarcações.

CNT defende matriz logística mais equilibrada

Durante a abertura do evento, o diretor de Relações Institucionais da CNT, Valter Souza, ressaltou que o fortalecimento das hidrovias é fundamental para diversificar a matriz de transportes brasileira.

Segundo ele, o país não pode continuar dependente do transporte rodoviário, responsável por movimentar cerca de dois terços das cargas e atender mais de 90% dos passageiros. O executivo também afirmou que a logística precisa ser tratada como uma política de Estado, com planejamento de longo prazo e continuidade das ações, independentemente das mudanças de governo.

FONTE: Transporte Moderno
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Transporte Moderno

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Transporte

Caminhoneiros pressionam Senado por votação da MP do Frete

Caminhoneiros autônomos iniciaram uma mobilização nacional nos principais portos brasileiros a partir da madrugada desta segunda-feira (13). O movimento tem como principal objetivo pressionar o Senado Federal a votar a MP do Frete (Medida Provisória nº 1.343/2026), que perde a validade na próxima quinta-feira (16).

A paralisação foi convocada por lideranças da categoria e deve permanecer até que haja uma definição sobre a tramitação da proposta no Congresso. Segundo os organizadores, a intenção é garantir a aprovação do texto antes do fim de sua vigência.

O presidente da Associação Brasileira dos Condutores de Veículos Automotores (Abrava), Wallace Landim, conhecido como Chorão, afirmou que a categoria aguarda há semanas que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, inclua a medida provisória na pauta de votação. De acordo com o dirigente, a mobilização representa um alerta ao Congresso para evitar que a MP caduque sem apreciação pelos senadores. A expectativa é que o tema seja analisado ainda nesta semana.

O que prevê a MP do Frete

A proposta, aprovada pela Câmara dos Deputados em junho, altera regras do transporte rodoviário de cargas e amplia mecanismos de fiscalização do piso mínimo do frete.

Entre as principais medidas previstas estão:

  • obrigatoriedade do CIOT (Código Identificador da Operação de Transporte) em todas as operações de transporte;
  • bloqueio automático da emissão do código quando o valor informado estiver abaixo da tabela da ANTT;
  • atualização dos critérios para cálculo do frete mínimo;
  • criação de um piso salarial de R$ 5 mil para motoristas contratados pelo regime CLT que atuam em viagens de longa distância;
  • exigência de pagamento de, no mínimo, 70% do valor do frete antes do início da viagem para transportadores autônomos;
  • novas regras para pagamento integral do frete em até 30 dias.

O texto também prevê medidas voltadas à modernização da frota e ao incentivo à criação de pontos de parada seguros para caminhoneiros.

A medida provisória endurece a fiscalização sobre o cumprimento da tabela do frete. Em casos de reincidência, as penalidades podem variar entre R$ 100 mil e R$ 1 milhão, além da possibilidade de suspensão ou até perda do Registro Nacional de Transportadores Rodoviários de Cargas (RNTRC), conforme a quantidade de infrações acumuladas.

Setor produtivo manifesta preocupação

Enquanto representantes dos caminhoneiros defendem que a proposta garante maior segurança econômica aos transportadores, entidades ligadas ao agronegócio, à indústria e à logística afirmam que algumas mudanças podem elevar os custos operacionais e aumentar a insegurança jurídica para embarcadores e contratantes.

Com o prazo final de vigência da medida provisória se aproximando, a votação no Senado passa a ser decisiva para definir o futuro das novas regras do frete rodoviário.

Fonte: Com informações do Poder360.

Texto: Redação

Imagem: Ilustrativa / Internet

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Portos

Obras do molhe de proteção de Suape atingem 42% e reforçam segurança do porto externo

As obras de requalificação do molhe de proteção do Complexo Industrial Portuário de Suape chegaram a 42% de execução, conforme atualização divulgada pela administração do porto. Iniciada em outubro de 2024, a quarta e última etapa da intervenção segue dentro do cronograma estabelecido.

A modernização da estrutura tem como objetivo ampliar a proteção do porto externo e aumentar a segurança das operações realizadas nos Píeres de Granéis Líquidos (PGLs), responsáveis pela movimentação de petróleo, combustíveis, derivados e outros granéis líquidos.

Intervenção fortalece infraestrutura portuária

De acordo com o diretor-presidente do Complexo de Suape, Armando Monteiro Bisneto, o molhe desempenha papel estratégico para o funcionamento do porto.

Segundo ele, a recuperação da estrutura melhora as condições de segurança da navegação, protege as operações marítimas e preserva uma infraestrutura essencial para a atividade portuária.

Investimento de R$ 123 milhões contempla 1,8 quilômetro da estrutura

A obra abrange 1,8 quilômetro do molhe de abrigo. Para recompor a estrutura, estão sendo utilizadas rochas com peso entre 300 quilos e 12 toneladas, posicionadas com o auxílio de equipamentos de grande porte e seguindo critérios de engenharia marítima capazes de resistir à ação das ondas, correntes e marés.

O investimento total é de R$ 123 milhões, sendo R$ 73 milhões provenientes do Governo de Pernambuco e R$ 50 milhões do governo federal.

Segundo a diretora de Engenharia e Obras de Suape, Renata Loyo, esse tipo de intervenção exige planejamento constante devido às condições do ambiente marítimo. Ela destaca que o acompanhamento operacional contínuo, a precisão na execução e o trabalho de equipes especializadas permitiram manter o cronograma mesmo durante o período de chuvas.

Movimentação de cargas reforça importância de Suape

A recuperação do molhe de proteção faz parte do conjunto de investimentos em infraestrutura portuária em andamento no Complexo de Suape.

Entre janeiro e maio de 2026, o porto movimentou 11,27 milhões de toneladas de cargas, sendo 7,45 milhões de toneladas de granéis líquidos. No mesmo intervalo, foram contabilizadas 693 atracações de embarcações, evidenciando a relevância do terminal para a logística nacional.

Conclusão está prevista para 2028

A expectativa é que a requalificação seja concluída em agosto de 2028. Com a entrega da obra, o Complexo de Suape deverá ampliar a vida útil do molhe de proteção, garantindo melhores condições operacionais para o porto externo e assegurando a continuidade das operações nos Píeres de Granéis Líquidos, responsáveis por grande parte da movimentação de cargas líquidas do complexo.

FONTE: Portal Portuario
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Portal Portuario

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Informação

Leilões de terminais da Ferrovia Norte-Sul devem ocorrer em setembro, prevê Infra S.A.

A Infra S.A. prevê realizar, em setembro deste ano, os leilões de novos terminais da Ferrovia Norte-Sul, reforçando o plano do governo federal para ampliar a participação da iniciativa privada na infraestrutura ferroviária. A informação foi confirmada pelo diretor de Empreendimentos da estatal, André Ludolfo.

Os projetos em fase de preparação contemplam dois terminais logísticos de granéis agrícolas, localizados nos municípios de Porto Nacional e Palmeirante, no Tocantins. Além deles, também estão em consulta pública outros três terminais destinados à movimentação de granéis líquidos, instalados no complexo ferroviário do Pátio de Integração Multimodal de Porto Nacional.

Esses empreendimentos atendem ao transporte e armazenamento de diesel, biodiesel, gasolina e etanol, abastecendo o mercado regional.

Consultas públicas seguem abertas para contribuições

Os interessados ainda podem enviar sugestões para aperfeiçoar os documentos que irão nortear as futuras concessões. O prazo para contribuições termina em 17 de julho para os terminais de granéis agrícolas e em 24 de julho para os terminais de granéis líquidos.

Podem participar da consulta investidores, operadores logísticos, usuários do sistema ferroviário e demais representantes do setor, com propostas para aprimorar as minutas dos editais e dos contratos.

Projetos fortalecem corredor de escoamento da produção agrícola

Segundo a Infra S.A., os ativos possuem papel estratégico no transporte da produção agrícola do Centro-Oeste e da região do Matopiba, que reúne o Tocantins e áreas do Maranhão, Piauí e Bahia.

A iniciativa integra a estratégia do governo para ampliar a capacidade logística dos principais corredores ferroviários utilizados no escoamento de grãos e outros produtos do agronegócio.

Expectativa é gerar mais de R$ 760 milhões em receitas

A estimativa da estatal aponta que os contratos dos terminais de granéis líquidos poderão gerar aproximadamente R$ 674 milhões em receitas ao longo da vigência das concessões. Já os terminais destinados aos granéis agrícolas têm previsão de arrecadar cerca de R$ 92 milhões durante o período contratual.

Embora as estruturas já estejam em operação, os contratos atuais estão próximos do encerramento, o que motivou a abertura de um novo processo licitatório.

De acordo com André Ludolfo, a atualização dos contratos permitirá modernizar o modelo de concessão, incorporar melhores práticas de gestão, ampliar a segurança jurídica para operadores e investidores e aperfeiçoar o sistema de remuneração da Infra S.A.

O diretor também destacou que, caso haja mudança na empresa responsável pela operação dos terminais, será adotado um período de transição para garantir a continuidade dos serviços sem impactos às atividades.

Infra S.A. prepara oferta permanente de novas áreas

Além das licitações em andamento, a estatal pretende ampliar seu portfólio de projetos com a criação de uma oferta pública permanente de áreas voltadas à implantação de novos terminais greenfield, complementando os ativos já existentes, conhecidos como brownfield.

Com esse modelo, empresas interessadas poderão acessar continuamente áreas disponíveis para novos investimentos, sem depender da publicação de editais específicos para cada projeto.

Planejamento segue mesmo com cenário eleitoral

A Infra S.A. informou que mantém o cronograma de projetos definido pelo Ministério dos Transportes e que o calendário eleitoral não altera, neste momento, o andamento das iniciativas.

Entre os empreendimentos previstos estão a estruturação dos terminais ferroviários no Tocantins, o desenvolvimento da Ferrovia de Integração Centro-Oeste (FICO), da Ferrovia de Integração Oeste-Leste (FIOL) e os estudos para o futuro leilão da Ferrovia Açailândia-Barcarena.

Segundo André Ludolfo, a estatal continuará executando os projetos previstos enquanto não houver mudanças nas diretrizes do governo federal. Caso novas orientações sejam estabelecidas futuramente, a empresa afirma que adequará sua atuação às prioridades definidas.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: DIDA SAMPAIO/ESTADÃO CONTEÚDO/AE

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Informação

Ferrovia Norte-Sul terá leilões de terminais em setembro, prevê Infra S.A.

A Infra S.A. estima realizar em setembro os leilões de cinco terminais logísticos localizados na Ferrovia Norte-Sul, em Tocantins. A informação foi confirmada pelo diretor de Empreendimentos da estatal, André Ludolfo, que destacou o avanço do processo de concessão voltado à ampliação da participação da iniciativa privada na infraestrutura ferroviária brasileira.

Os projetos fazem parte da estratégia do governo federal para fortalecer os corredores logísticos utilizados no transporte da produção agrícola, especialmente nas regiões Centro-Oeste e Matopiba.

Consulta pública segue aberta para contribuições

Antes da publicação dos editais, a estatal mantém abertas as consultas públicas dos empreendimentos. Estão em análise dois terminais destinados ao armazenamento e movimentação de granéis agrícolas, localizados nos municípios de Porto Nacional e Palmeirante, ambos em Tocantins.

Também integram o pacote três terminais voltados ao transporte de granéis líquidos, instalados no complexo ferroviário do Pátio de Integração Multimodal de Porto Nacional. As estruturas atendem à movimentação de combustíveis como diesel, biodiesel, gasolina e etanol.

As sugestões de investidores, operadores logísticos, usuários da ferrovia e demais interessados poderão ser enviadas até 17 de julho para os terminais agrícolas e até 24 de julho para os empreendimentos destinados aos granéis líquidos.

Terminais são considerados estratégicos para o agronegócio

Os ativos estão inseridos em uma das principais rotas de escoamento da produção agrícola brasileira. A Ferrovia Norte-Sul conecta importantes polos produtores do Centro-Oeste e da região do Matopiba, formada por Tocantins e áreas do Maranhão, Piauí e Bahia.

Segundo as estimativas da Infra S.A., os contratos dos terminais de granéis líquidos poderão gerar aproximadamente R$ 674 milhões em receitas durante o período de concessão. Já os terminais agrícolas têm potencial estimado em cerca de R$ 92 milhões ao longo da vigência contratual.

Novas concessões vão modernizar contratos

Embora os cinco terminais já estejam em operação, os contratos atuais estão próximos do encerramento, o que motivou a realização de novas licitações.

De acordo com André Ludolfo, a atualização dos contratos permitirá incorporar modelos mais modernos de gestão, ampliar a segurança jurídica para investidores e operadores e aperfeiçoar os mecanismos de remuneração da estatal.

O diretor ressaltou ainda que a continuidade das operações está garantida durante o processo de transição. Caso um novo operador assuma algum dos ativos, será estabelecido um período de adaptação para evitar interrupções na movimentação de cargas.

Infra S.A. prepara oferta permanente de novas áreas

Além das concessões já previstas, a estatal trabalha na criação de uma oferta pública permanente de áreas destinadas à implantação de novos terminais ferroviários do tipo greenfield, ampliando o portfólio atualmente composto por ativos já existentes, conhecidos como brownfield.

A proposta permitirá que empresas interessadas avaliem oportunidades de investimento de forma contínua, sem depender da abertura de editais específicos para cada área disponível.

Planejamento segue independentemente do calendário eleitoral

A Infra S.A. afirma que o cronograma de projetos permanece inalterado e segue as diretrizes estabelecidas pelo Ministério dos Transportes.

Entre as prioridades estão a estruturação dos novos terminais em Tocantins, o desenvolvimento da FICO (Ferrovia de Integração Centro-Oeste), da FIOL (Ferrovia de Integração Oeste-Leste) e os estudos para a futura concessão da Ferrovia Açailândia-Barcarena.

Segundo a estatal, eventuais mudanças de governo poderão resultar em novas orientações estratégicas, mas, até o momento, a expectativa é manter o andamento normal dos projetos já previstos na carteira.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: DIDA SAMPAIO/ESTADÃO CONTEÚDO/AE

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Transporte

Transporte marítimo de contêineres terá 48 viagens canceladas nas principais rotas globais

O mercado de transporte marítimo de contêineres seguirá enfrentando restrições de capacidade no início do terceiro trimestre, apesar da redução gradual no número de cancelamentos de viagens. A avaliação é da consultoria Drewry, que aponta um cenário de recuperação operacional das companhias de navegação, mas ainda insuficiente para atender à forte demanda da alta temporada.

Entre as semanas 28 e 32 — período de 6 de julho a 9 de agosto — estão previstos 48 cancelamentos de itinerários nas principais rotas comerciais entre Oriente e Ocidente.

Maioria das viagens será mantida

Segundo o levantamento, os cancelamentos representam cerca de 7% das viagens programadas para o período, enquanto 93% dos serviços previstos deverão operar normalmente.

Mesmo com a retomada gradual da capacidade pelas empresas de navegação, a Drewry destaca que a demanda sazonal continua superior à oferta disponível, mantendo o mercado de frete marítimo pressionado no início do terceiro trimestre.

Rota transpacífica concentra maior número de cancelamentos

A maior parte das suspensões de viagens deverá ocorrer na rota transpacífica com destino ao leste, responsável por 52% dos cancelamentos previstos nas próximas cinco semanas.

Na sequência aparece o corredor entre Ásia, Norte da Europa e Mediterrâneo, que concentra 29% das viagens canceladas. Já a rota transatlântica deverá responder por 19% das suspensões, sendo a menos impactada entre os principais mercados globais.

A distribuição demonstra que os maiores desafios continuam concentrados nas rotas de maior movimentação de contêineres e comércio internacional.

Capacidade operacional apresenta sinais de recuperação

De acordo com a Drewry, as companhias marítimas continuam ampliando a oferta de espaço nos navios, o que contribui para reduzir gradualmente os cancelamentos registrados nos últimos meses.

Ainda assim, a consultoria ressalta que o aumento da capacidade não acompanha o ritmo da demanda da alta temporada, mantendo pressão sobre os serviços de transporte marítimo.

Outro destaque do relatório é o desempenho da Gemini Cooperation, apontada como a aliança que apresenta o maior índice de confiabilidade no cumprimento dos cronogramas entre os principais grupos de navegação, mesmo diante das interrupções operacionais observadas no mercado.

Mercado acompanha situação no Estreito de Ormuz

A consultoria também informou que segue monitorando os desdobramentos no Estreito de Ormuz, uma das principais rotas estratégicas para o comércio marítimo mundial.

Ao mesmo tempo, já são observados sinais de melhora na disponibilidade de capacidade de contêineres na Ásia, indicando um possível reequilíbrio entre oferta e demanda.

Na avaliação da Drewry, caso essa tendência se confirme, os armadores poderão reduzir a prioridade dada às reservas antecipadas com tarifas spot elevadas e direcionar as negociações para fretes marítimos mais competitivos, além de oferecer maior previsibilidade e disponibilidade de espaço aos embarcadores.

FONTE: Modais em Foco
TEXTO: Redação
IMAGEM: Mundo Marítimo

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Transporte

RNTRC impulsiona formalização do transporte rodoviário de cargas no Brasil

A revalidação do Registro Nacional de Transportadores Rodoviários de Cargas (RNTRC), conduzida pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), provocou uma transformação no setor de transporte rodoviário de cargas. Apesar das críticas registradas durante sua implantação, especialmente em relação ao risco de suspensão de cadastros e aos impactos operacionais, a medida acelerou a formalização das empresas e reforçou a cultura de conformidade regulatória.

Dados do Anuário TRC 2025 apontam que a regularização dos registros das transportadoras cresceu 128% após o processo de revalidação, refletindo o fortalecimento da fiscalização digital e das exigências de mercado.

Regularização avança com integração dos sistemas

O número de Empresas de Transporte Rodoviário de Cargas (ETCs) com registros ativos, pendentes ou suspensos passou de 123.003 para 280.036 até dezembro de 2025.

Segundo especialistas, esse crescimento acompanha a integração das plataformas eletrônicas utilizadas para monitorar a atividade, tornando cada vez mais difícil a atuação de empresas com pendências cadastrais ou fora da regulamentação.

Durante o período mais crítico da revalidação, no início de 2024, mais de 240 mil transportadoras ainda não haviam atualizado seus registros junto ao RNTRC. Considerando empresas, cooperativas e transportadores autônomos, o total de cadastros pendentes ultrapassava 700 mil operadores.

Para o advogado Cristiano José Baratto, especialista em Direito aplicado ao transporte e à logística, a regularização deixou de ser apenas uma obrigação legal para se tornar um diferencial competitivo.

“Esse porcentual não representa simplesmente um aumento no número de empresas, mas um esforço expressivo de regularização. As transportadoras perceberam que manter o cadastro em conformidade deixou de ser apenas uma obrigação legal para se tornar um requisito essencial para operar em um mercado cada vez mais fiscalizado, digitalizado e exigente.”

Irregularidade gera prejuízos além das multas

Atualmente, manter o cadastro irregular no RNTRC pode comprometer muito mais do que o cumprimento da legislação.

Empresas com registros suspensos, pendentes ou cancelados encontram dificuldades para contratar com grandes embarcadores, obter homologação de clientes, contratar seguros, acessar linhas de crédito e atender exigências de auditoria e compliance.

As penalidades financeiras também ficaram mais rigorosas. O transporte remunerado de cargas com o cadastro irregular pode resultar em multa de R$ 3 mil por ocorrência. A mesma penalidade é aplicada aos contratantes que utilizarem transportadores sem situação regular.

Já a ausência de atualização cadastral pode gerar multa de R$ 750, enquanto a apresentação de informações falsas pode levar ao cancelamento do registro e impedir a emissão de um novo RNTRC por dois anos.

Além das sanções previstas, especialistas alertam que o impacto financeiro da irregularidade costuma ser ainda maior, principalmente em contratos com grandes indústrias, varejistas e operadores logísticos que exigem documentação regulatória completa.

Fiscalização digital muda a forma de controlar o setor

Criado inicialmente como um cadastro regulatório, o RNTRC passou a desempenhar papel estratégico na fiscalização do transporte rodoviário de cargas.

Hoje, o sistema está integrado a diversas bases eletrônicas, como o Código Identificador da Operação de Transporte (CIOT), o Manifesto Eletrônico de Documentos Fiscais (MDF-e), os sistemas de pagamento eletrônico de frete, o vale-pedágio obrigatório e os mecanismos de controle para transporte de produtos perigosos.

Com essa integração, o monitoramento deixou de depender exclusivamente de fiscalizações presenciais em rodovias e postos de pesagem, passando a ocorrer também por meio do cruzamento automático de dados.

Em 2026, por exemplo, a verificação eletrônica das apólices do seguro RC-V resultou em aumento expressivo das contratações após a vinculação da regularidade do cadastro à comprovação da cobertura obrigatória.

Segundo Baratto, a conformidade passou a fazer parte da estratégia operacional das empresas.

“Hoje, o desafio não é apenas transportar cargas com eficiência, mas demonstrar conformidade ao longo de toda a operação. As empresas precisam investir não somente em frota e produtividade, mas também em processos internos, organização documental e governança.”

Formalização cresce, mas informalidade ainda preocupa

O Anuário TRC 2025 também registrou a emissão de 124 mil novos registros no RNTRC, o maior volume da série histórica e cerca de 50% superior ao observado em 2015.

Embora não exista um indicador oficial que mensure a informalidade no setor, especialistas avaliam que a integração entre RNTRC, CIOT, MDF-e e sistemas de seguros tende a reduzir gradativamente o espaço para operações irregulares.

A avaliação é que a revalidação do cadastro acelerou um movimento que já vinha sendo observado no mercado: a profissionalização do transporte rodoviário de cargas, impulsionada pelo avanço da fiscalização digital, pelas exigências de embarcadores e pelo aumento da governança nas empresas.

Com esse cenário, manter a regularidade cadastral deixou de ser apenas uma obrigação administrativa e passou a representar um requisito estratégico para garantir competitividade e acesso aos principais contratos do setor.

FONTE: Transporte Moderno
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Transporte Moderno

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Transporte

Carga aérea cresce impulsionada pela inteligência artificial e demanda por chips

A carga aérea internacional atravessa uma nova fase de expansão, agora liderada pela crescente demanda por chips, semicondutores e equipamentos destinados à infraestrutura de inteligência artificial (IA). Em junho, o setor registrou alta de 7% na movimentação global em relação ao mesmo período do ano anterior, segundo levantamento da consultoria Xeneta.

O avanço representa uma mudança no perfil das mercadorias transportadas por via aérea. Após um período em que o e-commerce foi o principal responsável pelo crescimento do segmento, os componentes tecnológicos de alto valor agregado passaram a ocupar posição de destaque na demanda por espaço nas aeronaves.

Semicondutores lideram expansão da carga aérea

O crescimento acelerado da indústria de semicondutores é apontado pela Xeneta como o principal fator por trás da força do mercado de carga aérea em 2026.

De acordo com a consultoria, as vendas globais de chips avançaram 106% em abril na comparação anual, o maior crescimento já registrado pela World Semiconductor Trade Statistics desde o início da série histórica, em 1986.

Esse cenário fortaleceu a rota transpacífica como o principal corredor mundial de transporte aéreo de cargas, mesmo diante da desaceleração do comércio entre China e Estados Unidos provocada pelas tarifas comerciais.

Embora os embarques ligados à inteligência artificial representem menos de 10% do volume total transportado, eles concentram grande parte da expansão registrada pelo setor neste ano.

Economias asiáticas refletem boom da IA

O aumento da demanda por tecnologia já impacta diretamente os principais produtores de chips.

Em Taiwan, maior fabricante mundial de semicondutores avançados, a economia cresceu 15% no primeiro trimestre de 2026, o melhor resultado em quase cinco décadas, impulsionado pelas exportações voltadas ao mercado de IA.

Na Coreia do Sul, as duas maiores fabricantes de semicondutores passaram a representar mais da metade do valor de mercado da bolsa de Seul após registrarem forte valorização ao longo do ano.

Fretes seguem elevados, mas ritmo desacelera

As tarifas spot globais — utilizadas em contratos de curta duração — atingiram média de US$ 3,40 por quilo em junho, resultado 38% superior ao registrado no mesmo mês de 2025.

Apesar da alta, os preços começaram a mostrar sinais de estabilização. Em maio, o crescimento havia alcançado 41%, indicando que a pressão sobre os fretes internacionais começa a perder intensidade.

Entre os fatores que contribuíram para esse movimento estão a redução das tensões no Oriente Médio, a retomada da capacidade operacional nos principais hubs do Golfo e a queda no preço do combustível de aviação.

E-commerce perde protagonismo no transporte aéreo

Enquanto a inteligência artificial fortalece sua participação no mercado, o comércio eletrônico passa a perder espaço como principal impulsionador da carga aérea.

Segundo a Xeneta, as exportações chinesas de produtos de baixo valor e mercadorias ligadas ao e-commerce recuaram 7% em maio, marcando o sexto mês consecutivo de queda.

A mudança representa uma inversão em relação ao período pós-pandemia, quando as plataformas de vendas online sustentaram boa parte da ocupação das aeronaves cargueiras e contribuíram para manter os fretes em níveis elevados entre 2023 e 2025.

Mercado aposta em contratos mais curtos

Outra tendência observada em 2026 é a preferência por contratos de menor duração.

No segundo trimestre, 58% dos novos acordos firmados no transporte aéreo internacional tiveram validade inferior a três meses. Um ano antes, esse percentual era de apenas 22%.

Além disso, o mercado spot já responde por aproximadamente 49% de toda a carga tarifável transportada globalmente.

O comportamento reflete a dificuldade de empresas e operadores logísticos em prever o mercado diante das incertezas provocadas por fatores geopolíticos, mudanças tarifárias e oscilações na demanda por tecnologia.

Rotas ligadas à IA mantêm preços elevados

Mesmo com sinais de acomodação no mercado, as rotas diretamente relacionadas à cadeia da inteligência artificial continuam registrando tarifas elevadas.

No fim de junho, os fretes entre o Nordeste Asiático e a América do Norte estavam 41% acima dos níveis registrados no fim de fevereiro. Já os embarques do Sudeste Asiático para o mercado norte-americano acumulavam aumento de 42% no mesmo período.

Em contrapartida, o aumento da oferta de voos de passageiros durante o verão no Hemisfério Norte ampliou a capacidade disponível nos porões das aeronaves e reduziu cerca de 25% as tarifas entre Europa e América do Norte em comparação com o inverno boreal.

Demanda cresce acima da capacidade disponível

Enquanto a demanda mundial por carga aérea avançou 7% em junho, a capacidade global aumentou apenas 3%, impulsionada principalmente pela retomada de voos anteriormente suspensos durante a crise no Oriente Médio.

Com isso, o fator de ocupação das aeronaves subiu três pontos percentuais, alcançando 62%.

No acumulado do primeiro semestre, a demanda global registra crescimento de 4%, desempenho superior às expectativas do mercado no início de 2026, quando predominava a previsão de desaceleração econômica e menor dinamismo do comércio internacional.

Agora, a principal expectativa do setor é entender por quanto tempo a expansão impulsionada pela inteligência artificial, pelos semicondutores e pela crescente demanda tecnológica continuará sustentando o mercado mundial de carga aérea.

FONTE: Transporte Moderno
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Transporte Moderno

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Portos

Leilão do Tecon Santos 10 acumula oito adiamentos e amplia pressão sobre o Porto de Santos

O Tecon Santos 10, projeto considerado estratégico para ampliar a capacidade do Porto de Santos, continua sem previsão concreta de leilão. Desde que foi incluído na carteira de investimentos do governo federal, o empreendimento já teve o cronograma alterado oito vezes e poderá registrar um nono adiamento caso o certame não seja realizado até o fim de 2026.

Inicialmente, a licitação estava prevista para o primeiro trimestre de 2022, mas sucessivas mudanças no calendário impediram o avanço do projeto. Após passar pelo Programa de Parcerias de Investimentos (PPI), o cronograma foi transferido para o final de 2022, depois para 2023 e, posteriormente, acabou suspenso com a mudança de governo.

Mudanças de governo e impasses adiaram o projeto

Entre 2023 e outubro de 2024, o megaterminal deixou de integrar as prioridades do governo federal e permaneceu sem evolução.

A proposta voltou à pauta após pressão de representantes do setor portuário, que defendiam a ampliação da infraestrutura de contêineres no maior porto da América Latina. A expectativa passou a ser de leilão no primeiro semestre de 2025, mas discussões sobre o modelo de concorrência, audiências públicas e a análise do processo pelo Tribunal de Contas da União (TCU) provocaram novos atrasos.

Posteriormente, solicitações da Casa Civil para mudanças nas diretrizes da licitação fizeram o cronograma ser novamente alterado. Apesar das dificuldades, o governo ainda trabalha com a previsão de realizar o leilão até dezembro deste ano.

Setor portuário cobra definição para ampliar capacidade logística

Os constantes adiamentos geram preocupação entre operadores e entidades do setor, que alertam para os impactos da falta de investimentos na movimentação de contêineres.

O Brasil não realiza leilões de novos terminais especializados nesse segmento desde 2016. No Porto de Santos, o último arrendamento de um terminal de contêineres ocorreu em 2013, área atualmente operada pela BTP. No mesmo período, a DP World iniciou operações no porto como terminal privado, sem passar por processo licitatório.

Especialistas afirmam que a infraestrutura atual já opera próxima do limite, situação que tem provocado desvio de cargas para outros portos brasileiros e reduzido a eficiência logística.

Exportadores apontam prejuízos causados pela falta de infraestrutura

Segundo representantes do setor exportador, a limitação operacional do Porto de Santos já afeta diretamente diversos segmentos da economia.

O diretor técnico do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), Eduardo Heron, afirma que o porto não consegue acompanhar o crescimento da produção agrícola nacional.

De acordo com o executivo, somente em 2025 o setor cafeeiro acumulou prejuízo logístico estimado em R$ 66 milhões devido à insuficiência de espaço para embarques. Atualmente, entre 75% e 80% das exportações brasileiras de café utilizam o terminal paulista.

Mesmo após uma safra recorde registrada em 2024, Santos respondeu por apenas 65% das exportações nacionais de café, o menor índice dos últimos anos.

Heron também destaca que, entre 2016 e 2025, as exportações de produtos agropecuários cresceram mais de 70%, enquanto a expansão da infraestrutura portuária não acompanhou esse ritmo.

Projeto passou por diversas reformulações

O empreendimento começou a ser estruturado em 2019 com o nome de STS10, integrando o plano de desenvolvimento da autoridade portuária.

Nos anos seguintes, o projeto alternou momentos em que seria licitado separadamente e períodos em que faria parte do processo de privatização do Porto de Santos, iniciativa que também sofreu sucessivos adiamentos e acabou sendo abandonada.

Durante esse período, um dos principais debates envolveu as regras de concorrência para evitar concentração de mercado entre grandes operadores de contêineres.

Novo modelo busca ampliar a concorrência

Com a retomada do projeto em 2024, o terminal passou a ser denominado Tecon Santos 10, numa tentativa de marcar uma nova fase da iniciativa.

A Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) elaborou um modelo de licitação em duas etapas. Na primeira fase, somente empresas que ainda não operam terminais de contêineres em Santos poderiam disputar o empreendimento. Apenas na ausência de interessados seria aberta uma segunda etapa para os operadores já instalados.

O TCU autorizou o prosseguimento do processo, mas recomendou ampliar as restrições também aos armadores na fase inicial da disputa.

Posteriormente, a Casa Civil solicitou novos ajustes no modelo após questionamentos apresentados por empresas de navegação chinesas, provocando mais um adiamento do cronograma.

Prazo para o leilão ainda gera dúvidas

Apesar da previsão oficial de realizar o certame até o fim de 2026, integrantes do setor avaliam que o calendário poderá sofrer novo atraso.

Entre os fatores que alimentam essa possibilidade está a necessidade de eventual reanálise do processo pelo TCU, já que as alterações promovidas no modelo de arrendamento podem ser consideradas mudanças relevantes.

Além disso, a Antaq encaminhou recentemente um ofício ao Ministério de Portos e Aeroportos e à Casa Civil solicitando esclarecimentos sobre as novas diretrizes da licitação, reforçando a percepção de que ainda existem pontos pendentes antes da publicação definitiva do edital.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Divulgação/Porto de Santos

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