Portos

Legislação portuária e futuro do Porto de Itajaí serão tema de workshop promovido pela OAB

Autoridades, especialistas e representantes do setor estarão reunidos nesta sexta-feira (17), para discutir os desafios regulatórios e os caminhos para fortalecer um dos principais portos do país. O workshop “A Legislação Portuária e o Futuro do Porto de Itajaí – Expectativas x Realidade”, está marcado para às 13h30 às 17h30, no Salão Nobre da Subseção da OAB de Itajaí.

Promovido pela Comissão de Direito Marítimo, Portuário e Aduaneiro da OAB Subseção Itajaí, o encontro propõe uma discussão sobre o atual cenário jurídico e institucional do setor portuário, reunindo representantes do governo federal, órgãos reguladores, Poder Judiciário e lideranças da comunidade portuária.

O evento surge em um momento estratégico para o Porto de Itajaí, que busca ampliar sua competitividade diante das transformações que vêm ocorrendo na logística nacional e no comércio exterior.

Debate sobre os desafios da legislação portuária

A legislação que rege o sistema portuário brasileiro tem impacto direto na gestão dos portos organizados, na segurança jurídica para investidores, na atração de novos negócios e na eficiência das operações logísticas.

Durante o workshop, especialistas irão discutir como o marco regulatório pode contribuir para impulsionar o desenvolvimento do Porto de Itajaí, além de analisar os desafios relacionados à governança, aos modelos de gestão, à infraestrutura e às perspectivas de crescimento do complexo portuário.

A proposta é promover um debate técnico entre diferentes segmentos envolvidos na atividade portuária, aproximando o meio jurídico das demandas operacionais e econômicas do setor.

Autoridades confirmadas

Entre os participantes confirmados estão importantes nomes da área portuária e da administração pública:

  • Alex Sandro de Ávila, secretário nacional de Portos do Ministério de Portos e Aeroportos (MPor); 
  • Almirante Wilson Pereira de Lima Filho, diretor da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (ANTAQ); 
  • Flávio Martins e Rocha, auditor-chefe adjunto; 
  • Rafael Vano Canela, diretor de Operações do Porto de Itajaí; 
  • Mário Povia, presidente do Instituto Brasileiro de Infraestrutura (IBI); 
  • Marcelo Werner Salles, presidente do Conselho Santa Catarina Export; 
  • Desembargador Celso de Oliveira, do Tribunal Regional. 

A expectativa é que o encontro proporcione uma visão ampla sobre os desafios regulatórios e as oportunidades para fortalecer o papel do Porto de Itajaí como um dos principais ativos logísticos de Santa Catarina e do Brasil.

Espaço para diálogo entre direito, logística e comércio exterior

Além de profissionais do Direito, o workshop é voltado para operadores portuários, despachantes aduaneiros, agentes marítimos, empresários, gestores públicos, profissionais de logística, comércio exterior e estudantes.

A iniciativa busca estimular o diálogo entre o ambiente jurídico e o setor produtivo, contribuindo para a construção de soluções que favoreçam a modernização da infraestrutura portuária, a segurança regulatória e o desenvolvimento econômico regional.

Para participar é preciso fazer inscrição pelo link https://www.even3.com.br/workshop-a-legislacao-portuaria-e-o-futuro-do-porto-de-itajai-expectativas-x-realidade–756013/ 

Serviço

Workshop: A Legislação Portuária e o Futuro do Porto de Itajaí – Expectativas x Realidade

Data: 17 de julho de 2026

Horário: 13h30 às 17h30

Local: Salão Nobre da OAB Subseção Itajaí – Rua Vereador José Carlos Mendonça, nº 100, Itajaí (SC)

Inscrições:

  • Advogados: R$ 100 
  • Estudantes: R$ 50
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Comércio Exterior, Logística

Wolff Cargo fortalece parcerias na China em meio à alta dos fretes

O aumento dos fretes marítimos e as constantes mudanças na cadeia global de suprimentos têm levado empresas de comércio exterior a buscar estratégias para garantir maior competitividade e previsibilidade nas operações. Nesse cenário, o relacionamento internacional tornou-se um diferencial para agentes de carga que precisam negociar espaço, identificar alternativas logísticas e oferecer soluções mais eficientes aos clientes.

Com esse foco, o CEO da Wolff Cargo, Jackson Wolff, esteve na China durante o mês de junho para uma série de encontros com parceiros estratégicos. A missão teve como objetivo ampliar a rede de relacionamento da empresa, fortalecer alianças comerciais e abrir novas oportunidades para operações de importação entre o mercado asiático e o Brasil.

Missão voltada ao fortalecimento das operações

Durante a agenda, Jackson Wolff participou de reuniões com empresas parceiras, acompanhou as tendências do setor logístico e discutiu possibilidades de cooperação para ampliar a capacidade de atendimento da Wolff Cargo nas rotas entre China e Brasil.

Segundo a empresa, o contato direto com os agentes internacionais permite desenvolver soluções mais competitivas, melhorar as condições de negociação e oferecer maior segurança às operações em um mercado marcado por constantes oscilações.

Relacionamento que gera resultados

Mais do que intermediar embarques, o agente de carga desempenha um papel estratégico na cadeia logística. Sua atuação envolve planejamento operacional, negociação com armadores, coordenação entre fornecedores internacionais e busca por alternativas capazes de reduzir impactos de custos e atrasos.

A proximidade com parceiros no exterior torna esse trabalho ainda mais eficiente. Como principal origem das importações brasileiras, a China concentra alguns dos maiores operadores logísticos do mundo e acompanha de perto as transformações do transporte marítimo internacional.

Para a Wolff Cargo, investir no fortalecimento dessas relações faz parte de uma estratégia de longo prazo. A presença da empresa no mercado chinês amplia as oportunidades de negócios, fortalece a rede global de parceiros e contribui para oferecer soluções cada vez mais competitivas aos clientes brasileiros, mesmo diante dos desafios que seguem impactando o comércio internacional.

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Portos

Portos do Paraná registram recorde histórico de movimentação no primeiro semestre de 2026

Os Portos do Paraná alcançaram um marco inédito no primeiro semestre de 2026. Entre janeiro e junho, os terminais de Paranaguá e Antonina movimentaram 34,44 milhões de toneladas de cargas, o maior volume já registrado para o período. O resultado representa um crescimento de 0,6% em comparação com os seis primeiros meses de 2025, de acordo com dados divulgados pela administração portuária.

Soja impulsiona crescimento das exportações

A soja foi o principal destaque entre os produtos exportados e teve papel decisivo no desempenho dos portos paranaenses. No acumulado do semestre, foram embarcadas 9,47 milhões de toneladas do grão, um avanço de 21% em relação às 7,86 milhões de toneladas registradas no mesmo intervalo do ano passado.

Outro segmento que apresentou expansão foi o de cargas conteinerizadas, que totalizou 8,7 milhões de toneladas, alta de 8,9% na comparação anual. No primeiro semestre de 2025, esse volume havia sido de 8 milhões de toneladas.

Exportações avançam e importações recuam

As exportações pelos portos do estado somaram 22,30 milhões de toneladas entre janeiro e junho, crescimento de 4,9% frente às 21,27 milhões de toneladas registradas no mesmo período de 2025.

Já as importações alcançaram 12,1 milhões de toneladas, resultado inferior às 12,9 milhões de toneladas movimentadas no primeiro semestre do ano anterior.

Farelo de soja mantém relevância na pauta exportadora

O farelo de soja permaneceu como o segundo principal granel sólido exportado pelos portos paranaenses. Foram embarcadas 3,39 milhões de toneladas, volume praticamente estável em relação às 3,42 milhões de toneladas registradas no mesmo período de 2025.

Considerando conjuntamente as exportações de soja e farelo de soja, o volume chegou a 12,86 milhões de toneladas, correspondendo a 57,6% de tudo o que foi exportado pelos terminais. Com esse desempenho, o Porto de Paranaguá mantém a segunda colocação nacional nas exportações desses produtos.

Movimentação de veículos dispara no semestre

Outro destaque foi o crescimento da movimentação de veículos, que avançou 66% em relação ao primeiro semestre de 2025. Ao todo, passaram pelos portos 84,8 mil unidades, frente às 51,1 mil registradas no mesmo período do ano anterior.

O resultado já representa aproximadamente 80% de toda a movimentação de veículos registrada ao longo de 2025, indicando um ritmo acelerado de crescimento.

Fertilizantes lideram entre as importações

Entre os produtos importados, os fertilizantes permaneceram na liderança. No primeiro semestre de 2026, os portos paranaenses receberam 4,73 milhões de toneladas do insumo, reforçando sua importância para o abastecimento do agronegócio brasileiro.

FONTE: A Tribuna
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Datamar News

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Transporte

Inadimplência no transporte rodoviário atinge maior patamar em 15 anos, alerta executivo da Rands

A inadimplência no transporte rodoviário de cargas alcançou o maior nível dos últimos 15 anos e acendeu um sinal de alerta para o setor. Atualmente, o índice de atraso no pagamento de operações de crédito para pessoas jurídicas gira em torno de 4,5%, percentual mais de quatro vezes superior ao registrado em períodos de maior estabilidade, quando ficava próximo de 1%.

A avaliação é de Luis Felipe Szmidtke, diretor executivo da Rands, empresa de soluções financeiras da Randoncorp. Segundo ele, o cenário é resultado da combinação de juros elevados, aumento dos custos operacionais, redução das margens de lucro e falhas na gestão financeira de parte das transportadoras.

Gestão financeira é apontada como fator decisivo

Na visão do executivo, os desafios enfrentados pelas empresas não estão relacionados apenas ao ambiente econômico. Ele destaca que muitos transportadores ainda priorizam o crescimento do faturamento, deixando em segundo plano indicadores considerados essenciais para a sustentabilidade do negócio.

Entre eles estão a geração de caixa, o controle de despesas e a eficiência operacional.

Szmidtke afirma que, nas análises de crédito, a capacidade de uma empresa gerar caixa pesa mais do que o volume de faturamento apresentado, já que esse indicador demonstra a real condição de honrar compromissos financeiros.

Profissionalização das empresas é desafio para acesso ao crédito

Outro ponto destacado pelo executivo é a necessidade de modernizar a gestão das transportadoras.

Segundo ele, muitas empresas expandiram suas operações ao longo dos anos, mas mantiveram processos administrativos semelhantes aos adotados quando possuíam uma estrutura muito menor.

Para Szmidtke, investir apenas na renovação da frota já não é suficiente. A profissionalização da gestão tornou-se um fator indispensável para garantir competitividade e ampliar o acesso ao crédito para transportadoras.

Na avaliação dele, empresas que continuam administrando seus negócios com modelos antigos tendem a enfrentar mais dificuldades para obter financiamentos nos próximos anos.

Instituições financeiras adotam critérios mais rigorosos

O aumento da inadimplência também levou as instituições financeiras a endurecerem os processos de concessão de crédito.

Segundo a Rands, as análises envolvem a avaliação das demonstrações financeiras, da documentação da empresa, dos contratos em vigor, da capacidade de geração de receita e do fluxo de caixa. Em financiamentos de maior valor, também podem ser realizadas visitas técnicas às transportadoras.

A maior seletividade ficou evidente durante o programa Move Brasil, criado pelo governo federal para incentivar a renovação da frota por meio de linhas de financiamento com juros reduzidos.

Mesmo com condições mais favoráveis, um número significativo de pedidos foi recusado por falta de capacidade financeira das empresas para assumir novas dívidas.

Crédito barato não elimina necessidade de planejamento

De acordo com Szmidtke, muitos empresários buscaram recursos apenas porque as taxas eram mais atrativas, sem avaliar se o financiamento fazia sentido para a realidade financeira da empresa.

Para ele, o acesso ao crédito deve estar alinhado à estratégia de crescimento e à estrutura de capital do negócio, evitando o aumento desnecessário do endividamento.

O executivo compara essa decisão ao uso de um medicamento: embora seja importante ter crédito disponível, ele só deve ser utilizado quando houver necessidade e condições adequadas para o pagamento.

Planejamento financeiro é diferencial em períodos de juros altos

Na avaliação da Rands, empresas que mantêm um planejamento financeiro consistente conseguem enfrentar com mais segurança os períodos de juros elevados e de maior restrição ao crédito.

Já transportadoras que não acompanham indicadores como fluxo de caixa, rentabilidade e controle de custos tendem a ampliar seu nível de endividamento e enfrentar mais dificuldades para acessar financiamentos em um mercado cada vez mais seletivo.

FONTE: Transporte Moderno
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Transporte Moderno

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Logística

Cabotagem ganha força como alternativa para reduzir emissões na logística brasileira

A busca por operações mais sustentáveis está mudando a forma como as empresas movimentam mercadorias no Brasil. Em um cenário em que aproximadamente 63% do transporte de cargas ainda ocorre pelas rodovias, o modal escolhido para a logística deixou de ser apenas uma decisão de custo e prazo. Hoje, ele também influencia metas de descarbonização, inventários de carbono e estratégias de ESG.

Nesse contexto, a cabotagem surge como uma alternativa capaz de reduzir significativamente as emissões de gases de efeito estufa, principalmente em viagens de longa distância.

Estudo aponta redução superior a 70% nas emissões

Levantamento realizado pela empresa de navegação costeira Norcoast indica que suas operações evitaram a emissão de cerca de 317,8 mil toneladas de dióxido de carbono equivalente (CO₂e) ao longo de 2025, quando comparadas a um cenário em que toda a carga tivesse sido transportada exclusivamente por caminhões.

O estudo avaliou 49.611 operações de frete, responsáveis pela movimentação de aproximadamente 957 mil toneladas de cargas durante o período.

Segundo os dados, a operação intermodal, que combina transporte marítimo e trechos rodoviários para coleta e entrega, gerou 123,2 mil toneladas de CO₂e. Já uma operação totalmente rodoviária alcançaria 441 mil toneladas de CO₂e, representando uma redução de 72,1% nas emissões.

A intensidade de carbono também foi menor na cabotagem: 128,7 quilos de CO₂e por tonelada transportada, contra 460,7 quilos no transporte exclusivamente rodoviário.

De acordo com Fabiano Lorenzi, CEO da Norcoast, a cabotagem não substitui o caminhão, mas reduz a necessidade de percorrer grandes distâncias pelas estradas, diminuindo a intensidade de carbono da cadeia logística.

Matriz logística brasileira segue concentrada nas rodovias

Apesar do avanço da cabotagem, a logística nacional ainda depende majoritariamente do transporte rodoviário.

Dados do Instituto de Logística e Supply Chain (ILOS) mostram que 63,4% das cargas brasileiras são transportadas por caminhões. As ferrovias respondem por 18%, o transporte aquaviário representa 14,6%, os dutos concentram 4,1% e o modal aéreo participa com apenas 0,1%.

Na avaliação da Norcoast, essa predominância ocorre não apenas pela preferência histórica pelo caminhão, mas também pela oferta limitada de alternativas eficientes para grandes distâncias.

Rodovias concentram a maior parte das emissões do setor

A concentração da matriz logística também se reflete na emissão de gases de efeito estufa.

Segundo o Inventário CNT 2025, o setor de transportes brasileiro lançou cerca de 190 milhões de toneladas de CO₂ equivalente em 2023. Desse total, 92,9% vieram do transporte rodoviário.

Os caminhões representam aproximadamente 34% dessas emissões, enquanto os automóveis flex respondem por cerca de 30%.

Para Lorenzi, a crescente preocupação das empresas com a pegada de carbono faz com que a análise das emissões passe a influenciar diretamente a escolha do modal logístico, juntamente com fatores como custo e prazo.

Brasil reúne condições favoráveis para ampliar a cabotagem

A extensa faixa litorânea, a concentração populacional próxima à costa e os corredores logísticos que ligam polos produtores aos principais centros consumidores colocam o Brasil em posição estratégica para ampliar o uso da cabotagem.

A própria Norcoast nasceu com esse objetivo. Criada pela brasileira Norsul em parceria com a alemã Hapag-Lloyd, a empresa iniciou suas operações em fevereiro de 2024 apostando no crescimento do transporte de contêineres pela costa brasileira e na migração de cargas hoje transportadas por rodovias.

Dados da Associação Brasileira dos Armadores de Cabotagem (ABAC) mostram que o segmento movimentou 1,9 milhão de TEUs em 2025, crescimento de 24% em relação ao ano anterior. Desse volume, 876 mil TEUs corresponderam ao transporte doméstico, que avançou 15% no período.

Maior capacidade dos navios reduz intensidade das emissões

Segundo Bruno Alonso, especialista em emissões da Norcoast e responsável pelo estudo, a principal vantagem ambiental da cabotagem está na elevada capacidade de transporte dos navios.

Enquanto uma embarcação da empresa pode transportar até 3,5 mil TEUs em uma única viagem, um caminhão normalmente leva apenas um contêiner padrão, podendo chegar a dois em configurações específicas e respeitando os limites de peso das rodovias.

Mesmo utilizando combustíveis fósseis, o transporte marítimo consegue distribuir as emissões por uma quantidade muito maior de carga, reduzindo a intensidade de carbono por tonelada transportada.

Além disso, a empresa afirma adotar medidas como controle de velocidade das embarcações, otimização dos motores e utilização de combustível marítimo com baixo teor de enxofre (LSFO). Também acompanha o desenvolvimento de soluções como biocombustíveis e hidrogênio verde, embora reconheça que essas tecnologias ainda enfrentam desafios técnicos e elevados custos para adoção em larga escala.

Agenda climática aumenta importância da logística sustentável

Especialistas avaliam que a escolha do modal logístico ganhou relevância também por causa das exigências relacionadas ao Escopo 3 do GHG Protocol, que contabiliza as emissões indiretas da cadeia de suprimentos.

Ao mesmo tempo, o transporte marítimo mundial enfrenta novas metas ambientais. A Organização Marítima Internacional (IMO) definiu objetivos progressivos para reduzir as emissões do setor, com cortes previstos até 2030 e 2040, além da meta de alcançar emissões líquidas zero por volta de 2050.

Entre os mecanismos já implementados está o Carbon Intensity Indicator (CII), indicador que mede anualmente a eficiência de carbono das embarcações. Segundo a Norcoast, sua frota já é monitorada com base nesse sistema.

Cabotagem ainda representa pequena parcela do transporte de cargas

Apesar do crescimento recente, a cabotagem ainda responde por cerca de 11% da matriz logística brasileira. O segmento de transporte de contêineres representa aproximadamente 1% de toda a movimentação de cargas no país.

Para a Norcoast, o avanço do modal não depende da substituição dos caminhões, mas da ampliação da integração entre diferentes meios de transporte. A proposta é utilizar o modal marítimo nos longos percursos e manter o transporte rodoviário nas etapas de coleta e distribuição, tornando a logística nacional mais eficiente e com menor emissão de carbono.

FONTE: Valor Econômico
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Valor

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Logística

Cabotagem ganha força como alternativa para reduzir emissões na logística brasileira

A busca por operações mais sustentáveis está transformando a forma como as empresas transportam mercadorias pelo Brasil. Em um cenário em que o transporte rodoviário ainda responde pela maior parte da movimentação de cargas no país, cresce o interesse por alternativas capazes de reduzir as emissões de gases de efeito estufa, como a cabotagem.

Hoje, cerca de 63% das cargas brasileiras são transportadas por rodovias, modalidade que também concentra a maior parcela das emissões do setor. Com isso, a escolha do modal logístico passou a fazer parte das estratégias corporativas voltadas à descarbonização, influenciando inventários de carbono e metas ambientais.

Cabotagem evitou mais de 317 mil toneladas de CO₂ em 2025

Levantamento realizado pela empresa de navegação costeira Norcoast mostra o potencial ambiental da cabotagem. Segundo o estudo, as operações da companhia impediram a emissão de aproximadamente 317,8 mil toneladas de dióxido de carbono equivalente (CO₂e) em 2025, na comparação com um cenário em que todas as cargas fossem transportadas exclusivamente por caminhões.

Durante o período, foram realizados 49.611 fretes, responsáveis pela movimentação de cerca de 957 mil toneladas de cargas.

A análise aponta que a operação intermodal da empresa — que combina transporte marítimo com trechos rodoviários de coleta e entrega — emitiu 123,2 mil toneladas de CO₂e. Caso todo o percurso tivesse sido feito apenas por rodovias, o volume chegaria a 441 mil toneladas, uma diferença de 72,1%.

Outro indicador reforça a vantagem ambiental: a intensidade de carbono foi de 128,7 quilos de CO₂e por tonelada transportada, enquanto no transporte exclusivamente rodoviário esse índice alcançaria 460,7 quilos.

Integração entre modais reduz impacto ambiental

De acordo com Fabiano Lorenzi, CEO da Norcoast, a proposta não é substituir os caminhões, mas reduzir sua utilização em trajetos de longa distância.

Segundo o executivo, o transporte rodoviário continua indispensável nas etapas de coleta e distribuição, porém a integração com a cabotagem contribui para diminuir significativamente a intensidade de carbono das operações logísticas.

Rodovias ainda dominam a matriz logística brasileira

Dados do Instituto de Logística e Supply Chain (ILOS) mostram que o Brasil mantém forte dependência das rodovias. Os caminhões respondem por 63,4% da movimentação de cargas, enquanto as ferrovias representam 18%. O transporte aquaviário participa com 14,6%, seguido pelos dutos, com 4,1%, e pelo modal aéreo, com apenas 0,1%.

Na avaliação da empresa, essa concentração está relacionada não apenas à preferência histórica pelo transporte rodoviário, mas também à oferta limitada de alternativas para percursos de longa distância.

Transporte rodoviário concentra emissões do setor

A predominância dos caminhões também se reflete na emissão de gases de efeito estufa.

Segundo o Inventário CNT 2025, o setor de transportes lançou 190 milhões de toneladas de CO₂ equivalente em 2023. Desse total, 92,9% tiveram origem no transporte rodoviário. Os caminhões foram responsáveis por cerca de 34% das emissões, enquanto os automóveis flex responderam por aproximadamente 30%.

Para Lorenzi, medir a pegada de carbono das cadeias logísticas tornou-se uma necessidade crescente. Com informações detalhadas por rota e operação, as empresas conseguem considerar critérios ambientais ao lado de fatores como custo e prazo na definição do modal.

Crescimento da cabotagem acompanha demanda por logística sustentável

A Norcoast foi criada em 2024 por meio de uma parceria entre a brasileira Norsul e a alemã Hapag-Lloyd, com foco na expansão do transporte de contêineres pela costa brasileira.

Segundo a Associação Brasileira dos Armadores de Cabotagem (ABAC), o segmento movimentou 1,9 milhão de TEUs em 2025, crescimento de 24% em relação ao ano anterior. As cargas domésticas representaram 876 mil TEUs, o equivalente a 45% do total, registrando alta de 15%.

Com quatro embarcações em operação e aproximadamente 600 clientes, a empresa acredita haver espaço para ampliar sua participação em um mercado estimado em cerca de quatro mil embarcadores.

Escala do transporte marítimo favorece menor emissão de carbono

Bruno Alonso, especialista em emissões da Norcoast, explica que a principal vantagem ambiental do transporte marítimo está na capacidade de transportar grandes volumes em uma única viagem.

Enquanto um navio da companhia pode levar até 3,5 mil TEUs, um caminhão convencional normalmente transporta apenas um contêiner padrão, chegando a dois TEUs em modelos de maior porte, dependendo do peso permitido.

Essa característica permite diluir as emissões por carga transportada, tornando a cabotagem menos intensiva em carbono, embora ainda utilize combustíveis fósseis.

Além da escala, a empresa adota medidas para aumentar a eficiência energética, como controle da velocidade das embarcações, otimização dos motores e utilização de combustível marítimo de baixo teor de enxofre (LSFO). Também acompanha o desenvolvimento de alternativas como biocombustíveis e hidrogênio verde, considerados promissores para o futuro do setor.

Agenda climática amplia importância da logística

Especialistas apontam que a escolha do modal logístico passou a influenciar diretamente as estratégias de sustentabilidade das empresas, especialmente diante da crescente exigência de investidores e órgãos reguladores para contabilização das emissões indiretas, conhecidas como Escopo 3, conforme o GHG Protocol.

No cenário internacional, a Organização Marítima Internacional (IMO) estabeleceu metas para reduzir progressivamente as emissões do transporte marítimo até 2050, além de incentivar o uso de combustíveis de baixa emissão e criar mecanismos para avaliação da eficiência ambiental das embarcações.

Entre eles está o Carbon Intensity Indicator (CII), indicador adotado desde 2023 para medir o desempenho de carbono dos navios.

Desafio é ampliar participação da cabotagem

Apesar do avanço, a cabotagem ainda representa uma fatia reduzida da matriz logística nacional, com cerca de 11% do transporte de cargas. No segmento de contêineres, a participação é de aproximadamente 1%.

Para o setor, o caminho está na ampliação da integração entre os diferentes modais. A combinação entre transporte marítimo e rodoviário pode contribuir para uma logística mais eficiente, competitiva e alinhada às metas de redução das emissões de carbono.

FONTE: Valor Econômico
TEXTO: Redação
IMAGEM: Norcoast

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Logística

Seca na Amazônia leva empresas a anteciparem cargas e reforçarem a logística na Região Norte

A possibilidade de uma nova seca na Amazônia já está alterando o planejamento logístico de empresas que dependem do transporte pelos rios para abastecer a Região Norte. Depois das estiagens históricas registradas em 2023 e 2024, operadores passaram a tratar a redução do nível dos rios como um fator permanente na estratégia operacional.

A resposta do setor inclui a antecipação de embarques, ampliação dos estoques e adoção de planos de contingência antes mesmo do período mais crítico da vazante, tradicionalmente entre setembro e novembro.

Estado de emergência reforça preocupação com o cenário climático

O movimento ganhou intensidade após o Governo do Amazonas decretar estado de emergência climática e ambiental de forma preventiva. A medida considera as projeções relacionadas ao fenômeno El Niño, que indicam redução das chuvas, diminuição do volume dos rios e maior risco de queimadas entre o segundo semestre de 2026 e o início de 2027.

Para empresas que atuam na logística na Amazônia, o cenário representa uma mudança definitiva na forma de planejar as operações.

Segundo Dagoberto Madono, diretor de Novos Negócios da Combitrans, a estiagem deixou de ser um acontecimento isolado e passou a fazer parte da rotina logística da região. De acordo com o executivo, a frequência das secas mudou significativamente nos últimos anos, exigindo estratégias permanentes para reduzir impactos sobre a cadeia de abastecimento.

Histórico recente aumenta percepção de risco

Os episódios mais recentes reforçam a necessidade desse novo planejamento. Em 2024, diversos rios da bacia amazônica atingiram níveis mínimos históricos, enquanto cerca de 69% dos municípios da região enfrentaram algum grau de estiagem. Além disso, áreas antes pouco afetadas passaram a registrar seca severa.

Diante desse contexto, a expectativa é de crescimento na movimentação de cargas durante o período de menor navegabilidade. A Combitrans estima aumento próximo de 20% entre setembro e novembro, impulsionado tanto pela antecipação dos embarques quanto pela migração de cargas que normalmente utilizam a cabotagem.

Especializada em transporte fluvial e logística integrada para a Região Norte, a empresa atende o abastecimento regional e a produção da Zona Franca de Manaus. A operação conta com terminais próprios em Manaus e Belém, além de balsas do modelo SW (Swimming Warehouse), que funcionam como armazéns flutuantes para ampliar a capacidade de transporte e otimizar custos.

Impactos atingem toda a cadeia produtiva

Os efeitos da estiagem vão muito além da navegação. A Zona Franca de Manaus depende do transporte pelos rios tanto para receber insumos industriais quanto para distribuir produtos como eletroeletrônicos, motocicletas, alimentos, bebidas e medicamentos.

Quando o nível dos rios diminui, aumentam os custos logísticos e os prazos de entrega, obrigando parte das empresas a recorrer a modais mais caros, como o transporte rodoviário e o aéreo. Além disso, serviços de cabotagem também enfrentam limitações em trechos onde a redução do calado compromete a navegação.

Nesse cenário, produtos considerados essenciais recebem prioridade nos planos de contingência, incluindo alimentos, bebidas, medicamentos, itens de higiene e produtos farmacêuticos, com o objetivo de evitar desabastecimento.

Empresas ampliam estoques e antecipam embarques

A principal estratégia adotada pelas companhias é enviar mercadorias antes da chegada da estiagem. Segundo a Combitrans, já houve aumento na procura por operações antecipadas e pela expansão dos estoques regionais.

Outra medida que vem ganhando espaço é a utilização de centros de armazenagem próximos aos mercados consumidores. Esses espaços funcionam como hubs logísticos capazes de manter o abastecimento mesmo quando a capacidade do transporte fluvial é reduzida.

De acordo com a empresa, a movimentação de clientes interessados em adiantar volumes e utilizar estruturas avançadas de armazenagem cresceu de forma significativa nos últimos meses.

Operadora prevê crescimento de 20% durante a seca

A expectativa da Combitrans é registrar expansão de aproximadamente 20% na demanda durante o período de estiagem. Para atender esse aumento, a empresa reforçou sua estrutura operacional.

Duas novas balsas, com capacidade individual para transportar 3,5 mil toneladas, devem entrar em operação ainda neste mês. O investimento foi definido no início do ano, quando surgiram os primeiros indicativos de uma possível nova seca severa na região.

Investimentos fortalecem hubs logísticos na Amazônia

Além da ampliação da frota, a companhia vem expandindo sua capacidade de armazenagem. Atualmente, mantém cerca de 15 mil metros quadrados de área em Belém e outros 20 mil metros quadrados em Manaus, permitindo maior proximidade entre os estoques e os mercados consumidores.

Em 2025, a empresa também adquiriu uma segunda área portuária em Belém, com aproximadamente 95 mil metros quadrados. O local deverá receber, nos próximos anos, um novo complexo logístico equipado com estruturas frigorificadas para ampliar a movimentação de cargas refrigeradas.

Gestão do risco climático passa a integrar a estratégia do setor

Para especialistas do segmento, a principal transformação é a mudança de mentalidade. Se antes as grandes secas eram tratadas como eventos excepcionais, agora o setor incorpora o risco climático ao planejamento permanente, em modelo semelhante ao adotado em cadeias logísticas globais sujeitas a furacões, conflitos geopolíticos e congestionamentos portuários.

Nesse contexto, fatores como capacidade de armazenagem, integração entre modais e previsibilidade operacional passam a ter papel tão importante quanto a própria infraestrutura de transporte. A expectativa é que essa estratégia se fortaleça com a continuidade dos incentivos à Zona Franca de Manaus após a reforma tributária e com a perspectiva de expansão da atividade industrial na região.

FONTE: Transporte Moderno
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Transporte Moderno

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Logística

Índia instala 2 mil blocos de concreto para proteger porto de águas profundas e ampliar rotas marítimas

A Índia avança na construção de uma das maiores obras de engenharia costeira da atualidade ao instalar cerca de 2 mil gigantescas peças de concreto no Mar Arábico. O objetivo é reforçar o quebra-mar do Porto Internacional de Vizhinjam, no estado de Kerala, estrutura de 3,1 quilômetros projetada para proteger o terminal e garantir operações seguras para navios de grande porte.

A intervenção faz parte da estratégia do país para fortalecer sua infraestrutura portuária e ampliar sua participação nas principais rotas marítimas internacionais.

Quebra-mar recebe tecnologia para dissipar a força das ondas

A proteção do quebra-mar utiliza aproximadamente 2 mil unidades do modelo ACCROPODE II, blocos pré-moldados de concreto com cinco metros cúbicos cada, desenvolvidos especialmente para obras marítimas de grande porte.

Segundo a Concrete Layer Innovations, essas estruturas funcionam como uma armadura artificial capaz de absorver e dispersar a energia das ondas antes que elas atinjam a barreira principal, reduzindo o desgaste da infraestrutura e aumentando sua resistência.

O revestimento cria uma camada robusta ao longo da parte externa do quebra-mar, protegendo uma das áreas mais expostas do litoral de Kerala.

Engenharia exige precisão na instalação das peças

Ao contrário de blocos convencionais lançados de forma aleatória, as unidades ACCROPODE II possuem um formato projetado para se encaixar entre si, formando uma estrutura estável e eficiente contra o impacto constante do mar.

Cada peça ocupa uma posição previamente calculada no talude do quebra-mar, permitindo que o conjunto distribua melhor a força das ondas e aumente a durabilidade da obra.

A fabricação dos blocos começou em 2017, enquanto a instalação teve início em 2022, evidenciando a complexidade logística envolvida na execução do projeto.

Porto de Vizhinjam mira navios cada vez maiores

Localizado na costa do Mar Arábico, o Porto de Vizhinjam foi planejado para operar como um terminal de águas profundas, capaz de receber embarcações de grande porte utilizadas no comércio internacional.

O quebra-mar desempenha papel essencial nesse projeto ao criar uma área protegida para atracação, reduzir a agitação marítima e oferecer condições mais seguras para as operações portuárias.

Com a expansão do transporte marítimo e o crescimento dos navios de grande capacidade, estruturas desse tipo tornaram-se fundamentais para garantir eficiência logística.

Infraestrutura fortalece posição da Índia nas rotas globais

A localização estratégica de Vizhinjam coloca o porto próximo a importantes corredores do comércio marítimo internacional, tornando o empreendimento uma peça relevante para a logística do país.

Além de ampliar a capacidade operacional, a obra busca aumentar a competitividade da Índia no mercado global de movimentação de cargas e operações de transbordo.

Especialistas destacam que portos de águas profundas exigem soluções cada vez mais sofisticadas para enfrentar condições oceânicas extremas e garantir estabilidade durante todo o ano.

Engenharia costeira acompanha evolução do transporte marítimo

Projetos modernos de proteção costeira vêm substituindo grandes volumes de rochas por estruturas pré-moldadas desenvolvidas especificamente para dissipar a energia das ondas.

No caso de Vizhinjam, o formato dos blocos permite reduzir a pressão exercida sobre o quebra-mar, aumentando a vida útil da estrutura e oferecendo maior segurança às embarcações.

A obra simboliza uma tendência observada em diversos países: adaptar a infraestrutura portuária ao crescimento do comércio internacional e à chegada de navios cada vez maiores.

Com o quebra-mar de 3,1 quilômetros protegido por milhares de blocos de concreto, a Índia cria uma nova barreira artificial entre o oceano e o terminal portuário, reforçando sua capacidade logística e ampliando sua presença nas principais rotas marítimas do mundo.

FONTE: Click Petróleo e Gás
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/CPG

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Transporte

Transporte de cargas no Brasil ainda depende das rodovias e reforça necessidade de diversificação logística

O transporte rodoviário de cargas continua sendo o principal modal logístico do Brasil, mas a forte concentração nas rodovias evidencia um dos maiores desafios para a competitividade da economia nacional. Dados do novo Panorama do Transporte Rodoviário de Cargas mostram que os caminhões respondem por 68,5% da movimentação de cargas medida em tonelada-quilômetro.

Quando o critério é o valor financeiro das mercadorias transportadas, essa participação sobe para 84,3%, demonstrando a elevada dependência do país de um único sistema de transporte.

Malha rodoviária enfrenta problemas de conservação

Apesar de possuir mais de 2,8 milhões de quilômetros de rodovias, o Brasil ainda apresenta uma infraestrutura desigual. Apenas cerca de 31 mil quilômetros estão sob concessão da iniciativa privada, justamente onde se concentram as estradas com melhores condições de tráfego, como ocorre em São Paulo.

Grande parte da malha pública enfrenta problemas de manutenção, conservação e investimentos insuficientes. O resultado aparece no aumento dos custos logísticos, no maior desgaste da frota, no consumo elevado de combustível, na ocorrência de acidentes e na perda de competitividade para diversos setores da economia.

Expansão do agronegócio amplia desafios logísticos

O crescimento da produção agrícola brasileira também evidencia as limitações da infraestrutura de transporte.

Enquanto o agronegócio amplia sua presença em novas regiões produtoras, especialmente nas áreas de expansão da fronteira agrícola, as obras de logística não acompanham esse ritmo. Em muitos casos, o escoamento das safras depende de rodovias em condições precárias, que se tornam ainda mais problemáticas durante os períodos de chuva.

Esse cenário dificulta o transporte da produção até portos, centros de distribuição e mercados consumidores, elevando custos e reduzindo a eficiência da cadeia logística.

Hidrovias e cabotagem aparecem como alternativas estratégicas

Especialistas apontam que o país possui potencial para reduzir sua dependência das rodovias por meio da ampliação de outros modais de transporte.

As hidrovias, favorecidas pela extensa rede de rios navegáveis, representam uma alternativa com menor custo operacional e menor impacto ambiental quando comparadas ao transporte rodoviário.

Outra opção é a cabotagem, modalidade que utiliza a navegação entre portos do próprio país. Embora tenha desempenhado papel importante na integração econômica brasileira ao longo da história, esse sistema permanece subaproveitado, em parte devido à redução da participação da marinha mercante nacional.

Integração entre modais é apontada como prioridade

Mais do que ampliar investimentos em um único tipo de infraestrutura, especialistas defendem a construção de uma estratégia nacional capaz de integrar rodovias, ferrovias, hidrovias, cabotagem e portos.

A ausência de um planejamento de longo prazo é apontada como um dos principais obstáculos para o desenvolvimento da logística brasileira. Ao longo das últimas décadas, decisões pontuais substituíram uma política integrada voltada ao crescimento econômico, à ocupação equilibrada do território e à preservação ambiental.

Planejamento é visto como caminho para aumentar a competitividade

Com dimensões continentais e forte vocação produtiva, o Brasil depende de uma matriz logística mais diversificada para reduzir custos e aumentar sua competitividade.

A integração entre diferentes modais permitiria aproveitar as vantagens de cada sistema de transporte, tornando o escoamento da produção mais eficiente e fortalecendo a conexão entre todas as regiões do país.

Além da ampliação da infraestrutura, especialistas defendem que o planejamento estratégico seja tratado como política de Estado, capaz de promover desenvolvimento sustentável, melhorar a logística nacional e impulsionar o crescimento econômico.

FONTE: Diálogos do Sul
TEXTO: Redação
IMAGEM: Wikipédia

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Internacional

Emirados Árabes estudam novo porto para reduzir dependência do Estreito de Hormuz

Os Emirados Árabes Unidos avaliam a construção de um novo porto na costa leste do país como estratégia para reduzir a dependência do Estreito de Hormuz, uma das rotas marítimas mais importantes do comércio internacional. A informação foi divulgada pelo jornal Financial Times nesta segunda-feira (13).

O projeto é conduzido pela DP World, gigante da logística portuária que também administra um terminal de contêineres no Porto de Santos, no Brasil.

Projeto prevê porto em Fujairah e novo terminal de contêineres

Segundo a publicação, a empresa negocia com autoridades locais a implantação de um porto multipropósito em Fujairah, localizado às margens do Golfo de Omã, além da construção de um novo terminal de contêineres no porto já existente no emirado.

Caso seja concretizado, o empreendimento permitirá que cargas entrem e saiam dos Emirados Árabes sem a necessidade de atravessar o Estreito de Hormuz, reduzindo a exposição a possíveis interrupções na navegação da região.

Conflito no Oriente Médio acelerou os estudos

A iniciativa ganhou impulso após a escalada do conflito envolvendo o Irã, que afetou o fluxo marítimo na área.

De acordo com fontes ouvidas pelo Financial Times, a movimentação no porto de Jebel Ali, principal hub logístico da DP World, sofreu uma queda entre 90% e 95% durante o período em que o Estreito de Hormuz permaneceu fechado em resposta aos ataques realizados pelos Estados Unidos e por Israel.

O episódio reforçou a necessidade de diversificar as rotas logísticas e ampliar a capacidade operacional fora da área considerada estratégica.

Investimento pode alcançar centenas de milhões de dólares

Ainda segundo o jornal, o investimento inicial previsto para o projeto soma centenas de milhões de dólares, embora o modelo de financiamento continue em fase de definição.

Um executivo da companhia afirmou que, uma vez aprovado, o novo porto poderá ser concluído em aproximadamente um ano e meio.

DP World mantém Jebel Ali como principal centro logístico

Em comunicado enviado ao Financial Times, a DP World não confirmou oficialmente os detalhes do projeto, mas reconheceu que desenvolve iniciativas para diversificar suas operações e reduzir impactos causados por eventuais interrupções logísticas.

A empresa também destacou que o porto de Jebel Ali continuará sendo seu principal centro de operações e que a nova estrutura não substituirá sua importância na rede global de transporte.

Além das operações nos Emirados Árabes, a DP World administra um dos maiores terminais de contêineres do Porto de Santos, desempenhando papel relevante na conexão das exportações e importações brasileiras com mercados internacionais por meio de soluções de logística multimodal.

FONTE: Money Times
TEXTO: Redação
IMAGEM: REUTERS/Stringer

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