Comércio Exterior, Logística

Reativam ligação ferroviária com o Brasil

A recuperação da ligação ferroviária entre Argentina e Brasil entra em uma nova etapa, com o avanço das obras na Linha Urquiza.

Esse projeto, liderado pela Trenes Argentinos Cargas (TAC), tem como objetivo consolidar um corredor estratégico para o comércio internacional do Mercosul, com ênfase na melhoria da eficiência logística entre os dois países.

O plano prevê a melhoria de 210 quilômetros de trilhos distribuídos em três trechos principais: Basavilbaso–Concordia (Entre Ríos), Virasoro–Posadas (Corrientes–Misiones) e Paso de los Libres–Ponte Internacional (Corrientes), sendo este último essencial para restabelecer a conexão com a cidade brasileira de Uruguaiana. Trata-se de um investimento total de mais de 44 milhões de dólares, financiado em parte pelo Fundo para a Convergência Estrutural do Mercosul (FOCEM) e por aportes da empresa estatal argentina.

O impacto regional do projeto é significativo. O traçado da Linha Urquiza atravessa províncias-chave do litoral argentino, facilitando o escoamento de produtos agroindustriais, florestais e manufaturados para o Brasil, Uruguai e Paraguai. Além disso, ao reativar os pontos de fronteira ferroviários, reduz-se a pressão sobre os corredores rodoviários e avança-se em direção a modos de transporte mais sustentáveis e competitivos.

O trecho Paso de los Libres–Uruguaiana representa uma oportunidade concreta para retomar o fluxo ferroviário binacional. Essa reativação permitirá não apenas o transporte de cargas industriais e agrícolas, mas também uma maior integração das cadeias logísticas entre os dois países, em um contexto onde a diversificação do transporte é crucial.

A aposta no trem como ferramenta de conexão com o Brasil responde a uma visão estratégica: reduzir custos, melhorar os tempos de trânsito e aumentar a previsibilidade do comércio exterior. O desafio será manter o ritmo de execução das obras e garantir seu impacto real na cadeia logística regional.

Fonte: Todo Logística News

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Logística

Apesar de problemas pontuais, SC tem a segunda melhor logística do Brasil

Apesar de apresentar deficiências pontuais, Santa Catarina ocupa a segunda colocação no ranking de competitividade logística dos estados brasileiros, atrás apenas de São Paulo. O dado é do Centro de Liderança Pública (CLP), e reflete o desempenho logístico do estado mesmo diante de desafios significativos — especialmente na malha rodoviária.

“Embora Santa Catarina possua restrições em todos os modais, considerando que o modal rodoviário é responsável por aproximadamente 70% da nossa matriz de transporte, a situação precária das rodovias, tanto federais quanto estaduais, é hoje o maior entrave. Ainda assim, temos a segunda melhor logística do país”, destaca Egídio Martorano, presidente da Câmara para Assuntos de Transporte e Logística da Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (Fiesc).

Segundo Martorano, é urgente investir na conclusão de obras em andamento, bem como na restauração e manutenção preventiva de grande parte da malha existente. “A preservação do patrimônio rodoviário exige ações de curto, médio e longo prazo.”

Outro ponto crítico é o acesso terrestre aos portos, que ainda enfrenta gargalos importantes. “Também precisamos ampliar e diversificar a matriz de transporte, com investimentos consistentes na malha ferroviária. E é estratégico adequar nossos portos para receber navios de maior porte, que exigem calado mais profundo. A dragagem na Baía da Babitonga (em Itapoá e São Francisco do Sul), viabilizada por meio de uma Parceria Público-Privada (PPP) do Governo do Estado, é um bom exemplo.”

Martorano cita ainda outros desafios, como a ampliação do canal de acesso e da bacia de evolução do rio Itajaí-Açu, que atende os portos de Itajaí e Navegantes, além de ajustes necessários no molhe do porto de Imbituba.

No modal aéreo, ele defende a implementação de uma política estadual de transporte de passageiros e cargas, especialmente para a aviação regional. “O Plano Aeroviário Estadual, recentemente atualizado pelo Governo Jorginho Mello, pode ser uma referência técnica importante para o setor”, pontua.

Para o especialista, o principal gargalo logístico do estado é a falta de investimentos sustentáveis e de um planejamento integrado e de longo prazo. “O Governo do Estado já iniciou esse processo com a contratação do Plano Estadual de Transporte e Logística (PELT), uma iniciativa essencial para consolidar uma visão estratégica.”

Espaço de discussões e fomento

Nesse cenário, a feira Logistique 2025, que será realizado em agosto no Expocentro BC, em Balneário Camboriú, surge como espaço relevante de debate e articulação. “A Logistique é um fórum importante para discutir os gargalos da infraestrutura logística catarinense e fomentar investimentos que agreguem competitividade à indústria e fortaleçam a imagem do estado nos cenários nacional e internacional”, afirma o diretor-geral do evento.

Além da feira, o evento — considerado um dos mais expressivos do setor no Brasil — conta com o Logistique Summit , um congresso técnico que promove discussões qualificadas sobre o futuro da logística em Santa Catarina. “Grandes nomes da economia, logística, comércio exterior e navegação farão parte dos painéis e debates do Summit”, informa a diretora executiva do evento, Karine Marmitt.

Egídio Martorano, da Fiesc, destaca ainda o papel estratégico da Logistique como ponto de encontro entre profissionais do setor público e privado. “Eventos como este são fundamentais para debater desafios, compartilhar soluções e se atualizar quanto às tendências, inovações tecnológicas e novidades do setor. A Logistique se consolida como referência, reforçando a vocação de Santa Catarina como um hub logístico essencial para o Sul do Brasil e para o país como um todo.”

Fonte: Informativo dos Portos

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Logística, Portos

Porto de SC tem aval para implantar terceira faixa no acesso de caminhões

Obras têm custo estimado em R$ 12 milhões

A ampliação do acesso ao Porto de São Francisco do Sul teve nova etapa preparatória nesta semana, com a publicação da autorização do DNIT para o terminal utilizar a faixa de domínio de trecho da BR-280. O projeto prevê terceira faixa em segmento de mil metros, nas proximidades do porto, junto à rodovia federal. A próxima etapa será a busca de autorização do Ministério dos Portos, para uso dos recursos nas obras. O custo é estimado em R$ 12,4 milhões.

A terceira faixa é a forma encontrada para desafogar o trânsito de caminhões no segmento da BR-280 a partir do cruzamento com a SC-415. O local é tema de inquérito civil aberto pelo Ministério Público de Santa Catarina para apurar os engarrafamentos. A ferrovia de acesso ao porto também cruza a região. O projeto da terceira faixa, em ponto que não faz parte da duplicação da BR-280, foi contratado pelo Sindicato dos Operadores Portuários de São Francisco do Sul (Sinposf).

A duplicação da BR-280 está parada no lote de São Francisco do Sul, com segmento em Araquari. A paralisação ocorreu no final de 2022, para revisão do projeto. O DNIT pretende retomar as obras em dois trechos até o final do ano. O restante do lote, inclusive a ponte no canal do Linguado, só voltará após a elaboração de novo projeto, ainda a ser contratado.

Fonte: NSC

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Portos

Porto de Itajaí está incluído na Rota Bioceânica

O superintendente do Porto de Itajaí, João Paulo Tavares Bastos, cumpre agenda em Brasília nesta quarta-feira, 11, para tratar da inclusão do terminal na Rota Bioceânica de Capricórnio, novo corredor logístico que ligará a China ao Mercosul e à Europa, passando por países da América do Sul.

“Participei de uma reunião com a equipe técnica do Ministério do Planejamento, na qual foi confirmada a entrada de Itajaí na rota, considerada estratégica para o comércio exterior brasileiro. Isso significa mais faturamento, arrecadação e empregos para Itajaí ”, afirmou o superintendente.

Confira a seguir um histórico da movimentação de cargas no Porto de Itajaí. O gráfico foi elaborado a partir de dados do DataLiner:

Movimentação de cargas no Porto de Itajaí | Jan 2022 – Abr 2025 | TEUs

A rota, que deve estar concluída até 2026 e ter início das operações previsto para 2027, tem como principais benefícios a redução de até 40% nos custos logísticos e a diminuição de cerca de duas semanas no tempo de transporte marítimo. A medida também deve ampliar a competitividade dos produtos do Sul e Centro-Oeste do Brasil e facilitar o comércio com países da Ásia, Europa e do próprio Mercosul.

Um dos ganhos mais significativos para o Porto de Itajaí é a expectativa de crescimento nas exportações sul-americanas com destino à Europa, especialmente diante da possível celebração de um acordo de livre comércio com a União Europeia. Com isso, Itajaí desponta como um dos terminais com maior potencial para atender esse novo fluxo de comércio internacional.

Além das tratativas técnicas, João Paulo Bastos articulou com o Ministério do Planejamento a realização de um evento em Santa Catarina para apresentar à sociedade os impactos e o potencial da Rota Bioceânica, reforçando o protagonismo logístico do estado no novo cenário do comércio exterior.

Fonte: Porto de Itajaí

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Comércio Exterior, Investimento, Logística, Portos

Beto Martins visita Itajaí e apresenta panorama da infraestrutura logística de SC 

O secretário de Estado de Portos, Aeroportos e Ferrovias de Santa Catarina, Beto Martins, esteve na sede da Associação Empresarial de Itajaí (ACII) na última segunda-feira (09) para dialogar com empresários e lideranças locais sobre os principais desafios logísticos do Estado e os planos em andamento para ampliar sua competitividade no cenário nacional e internacional. 

Com uma agenda voltada ao desenvolvimento da infraestrutura, Martins destacou que Santa Catarina está em um momento decisivo. “Os desafios são muitos, mas o mais interessante disso é que agora estamos discutindo esses temas urgência que merecem”, afirmou. 

Portos, aeroportos, ferrovias e rodovias em foco 

Durante o encontro, o secretário fez um panorama das ações que o governo estadual vem conduzindo para modernizar e ampliar a infraestrutura dos modais de transporte, com destaque para iniciativas inéditas, como parcerias público-privadas e investimentos em projetos executivos. 

Entre os temas abordados, Martins ressaltou o esforço conjunto para garantir que os portos catarinenses possam receber navios de maior porte, ampliando a capacidade de movimentação de cargas. Hoje nenhum dos portos do estado tem capacidade para receber navios de contêineres com mais de 360 metros de comprimento, o que compromete a competividade com outros destinos do Brasil. “Isso é gravíssimo. Coloca Santa Catarina caindo da série A para a série B. Então estávamos prestes a cair para a Série B, porque os nosso portos não estão dotados dessa tecnologia e nada estava sendo feito para resolver isso. Já resolvemos Baía da Babitonga, com um acordo inédito, um case único no Brasil, onde o recurso vai ser privado. O próprio Porto de Itapoá vai colocar o recurso e nós vamos devolver esse valor em tarifas com um prazo alongado de mais de 15 anos. Isso é inédito no Brasil”, explicou, referindo-se à obra de dragagem na Baía da Babitonga.  

Sobre o Complexo Portuário de Itajaí, Martins foi enfático em dizer que o Estado está “torcendo para que a bacia de evolução de Itajaí, que também tem este problema possa ser resolvido no tempo e na urgência que o Governo Federal tem anunciado. O complexo Portuário de Itajaí é determinante para o resultado sócio-econômico e para a receita tributária do Estado”.  

Segundo informações divulgadas pela superintendência do Porto de Itajaí, em abril, foi assinada a portaria que cria uma comissão para acompanhar os estudos técnicos e a execução da remoção do casco do Pallas, um navio afundado próximo ao molhe norte há 130 anos. Os destroços da embarcação impedem as obras de ampliação do canal.  A remoção do casco submerso é considerada fundamental para a expansão da capacidade operacional do tanto em Itajaí, quanto em Navegantes. O planejamento prevê, além da retirada do navio, o alargamento do canal e a construção de uma nova bacia de evolução. (Fonte: Porto de Itajaí) 

Com a ampliação da capacidade dos portos outro desafio vem à tona: a estrutura das rodovias para escoamento das cargas. O secretário alertou que esse é um gargalo que ainda limita o desenvolvimento econômico do Estado. “Santa Catarina só não está mais desenvolvida porque enfrenta um colapso rodoviário sério, principalmente nas federais”, disse. Uma das soluções mais próximas é a construção de uma nova rodovia Florianópolis e Joinville, direcionada para veículos leves, o que pode desafogar momentaneamente a BR 101. A intenção é executar o projeto por meio da parceria público-privada. “A Via Mar não é um sonho, isso está em execução. Os projetos executivos devem ficar prontos até o final do primeiro semestre do ano que vem. O custo da obra deve chegar a 7 bilhões de reais”, explica. Já em relação à malha ferroviária, o Estado começou a se preparar com projetos executivos, prevendo uma reestruturação nacional futura.  

No setor aeroportuário, Santa Catarina registra crescimento expressivo no número de passageiros internacionais, que chega a 700% em três anos. Um dos fatores são os incentivos para as empresas de aviação, a exemplo da TAP, empresa portuguesa que recentemente lançou voos diretos entre Florianópolis e Portugal. “Santa Catarina tinha 160 mil passageiros internacionais em seus aeroportos em 2022. Dois anos depois, em 2024, nós já pulamos para 900 mil. Esse ano só nos primeiros quatro meses já passamos de 600 mil passageiros e vamos passar de um milhão e 200 no final de 2025, o que é um número que nenhum outro estado chegou perto”, ressalta Martins.  

Reforma tributária e riscos para a competitividade 

Em sua participação na plenária da Associação Comercial de Itajaí (ACII) o tema da Reforma Tributária foi perguntado pelo público. Beto Martins fez críticas à proposta que está em discussão no Congresso Nacional. Para ele, a medida representa um risco direto à competitividade do Estado, especialmente nos setores logístico e de comércio exterior. “Santa Catarina sempre usou os incentivos fiscais como ferramenta de atração. Com o fim dessa possibilidade, o Estado pode perder seu diferencial”, alertou. 

Apesar dos desafios, o secretário afirmou confiar na capacidade de reinvenção de Santa Catarina. “Somos resilientes e pensamos fora da caixa. E é isso que vamos precisar fazer de novo.” 

Plano Estadual de Logística e Transportes 

Durante o encontro desta segunda-feira (09), também foi apresentado o Plano Estadual de Logística e Transportes (PELT-SC), uma iniciativa estratégica voltada à modernização da infraestrutura de transportes em Santa Catarina. O plano tem como objetivo diagnosticar gargalos logísticos, propor investimentos prioritários e otimizar a integração entre os modais, com foco na redução de custos e no aumento da competitividade do Estado. 

Atualmente em fase de elaboração, o PELT-SC está sendo desenvolvido pelo Governo do Estado em parceria com a consultoria técnica da INFRA S.A. O contrato, firmado entre maio e setembro de 2024, prevê a conclusão dos estudos em até 18 meses. 

TEXTO E FOTOS: DAIANA BROCARDO 

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Logística

O transporte fluvial como eixo logístico estratégico

O presidente Yamandú Orsi destacou o potencial do transporte fluvial como eixo logístico estratégico, durante a apresentação do rebocador TFF Anglo em Fray Bentos.

O Uruguai vê no transporte fluvial uma oportunidade chave para diversificar sua matriz logística e reduzir os custos operacionais. Foi o que afirmou o presidente Orsi, que ressaltou que esse modo de transporte ainda tem um grande potencial a ser desenvolvido e concretizado.

A apresentação do rebocador TFF Anglo, da empresa Transportes Fluviales Fray Bentos, foi o cenário desses anúncios. A nova embarcação permitirá impulsionar barcaças carregadas com pasta de celulose no trecho Fray Bentos–Nueva Palmira, integrando rios e portos com eficiência.

Integração modal como desafio

Para Orsi, não se trata apenas de vontade política, mas de identificar os pontos-chave que permitam articular os diferentes modos de transporte. “É preciso encontrar a articulação com o transporte ferroviário, o rodoviário, o fluvial e os portos de águas profundas”, destacou o presidente.

Ele também fez um apelo para melhorar a organização institucional, promovendo espaços de coordenação entre os organismos públicos e privados ligados ao setor.

Compromissos do governo para potencializar o setor

A ministra dos Transportes e Obras Públicas, Lucía Etcheverry, reafirmou o compromisso do governo com uma logística sustentável. Ela destacou que a incorporação de tecnologia no transporte fluvial permitirá ampliar a capacidade e reduzir as emissões ambientais.

Entre os compromissos mencionados estão:

  • Reforçar a Direção Geral de Transporte Fluvial e Marítimo.
  • Incorporar tecnologias para ampliar sua operatividade.
  • Valorizar o Instituto Nacional de Logística (INALOG) como ator chave do ecossistema.

Com isso, o Uruguai dá um passo importante para consolidar uma rede logística mais eficiente, multimodal e ambientalmente responsável.

Fonte: Todo Logistica News

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Investimento, Logística

Brasil redescobre seus rios e investe em hidrovias para logística eficiente

Enquanto isso, o transporte ferroviário enfrenta entraves que reforçam o papel estratégico das hidrovias. A operação da ferrovia Malha Oeste, para ligar Corumbá a Mairinque, em São Paulo, demandaria investimentos de 18 bilhões de reais, mas a concessionária Rumo já avisou que o baixo potencial de cargas em determinados trechos inviabiliza o projeto. É uma má notícia.

Investimentos privados podem, finalmente, destravar o modal, um dos transportes mais baratos e menos
poluentes — e ainda subutilizado no país.

O Brasil está redescobrindo seus rios. Com a iminente concessão de 600 quilômetros da Hidrovia do Paraguai, em Mato Grosso do Sul, o país dará um passo importante para destravar um dos modais de transporte mais eficientes e sustentáveis — e ainda subutilizado. O leilão, previsto para dezembro, marcará a estreia das concessões hidroviárias brasileiras e pode ser o impulso necessário para transformar a logística nacional. Hoje, enquanto 65% das cargas circulam por rodovias, apenas 5% seguem pelos rios, apesar de o país contar com 60.000 quilômetros de vias navegáveis, dos quais só um terço é realmente aproveitado.

Esse desequilíbrio poderá ser enfrentado a partir de iniciativas como a concessão do trecho entre Corumbá e Porto Murtinho. A extensão que será licitada — o Rio Paraguai entre a cidade de Corumbá e a foz do Rio Apa, em Porto Murtinho, mais o leito do Canal do Tamego — já é navegável. Em 2023, passaram pela hidrovia 8 milhões de toneladas de cargas. A partir de 2030, a movimentação poderá chegar a 30 milhões de toneladas com os investimentos do consórcio que assumir a concessão. Nos primeiros cinco anos, estão previstos 74 milhões de reais em investimentos na hidrovia, incluindo a construção de galpão industrial e a aquisição de draga, além de serviços de dragagem, balizamento, sinalização, gestão de tráfego e monitoramento hidrológico.

Para tornar viável esse avanço, a proposta de concessão passou por uma avaliação aberta. AAgência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) submeteu o modelo econômico a contribuições em duas audiências públicas, em fevereiro e abril. Nos próximos meses, o Ministério de Portos e Aeroportos deve encaminhar o edital para análise do Tribunal de Contas da União. Esse processo servirá de base para outras concessões hidroviárias planejadas, como as dos rios Madeira, Tocantins e Tapajós, da Barra Norte (Amazonas) e da Lagoa Mirim (Rio Grande do Sul). Relator do processo e diretor da Antaq, Alber Vasconcelos diz que o grande ganho da concessão é a navegabilidade previsível. “A concessionária fará medições em tempo real do fluxo da água, e o usuário da hidrovia vai saber se poderá carregar uma barcaça com parte ou 100% da sua capacidade”, afirma Vasconcelos.

Enquanto isso, o transporte ferroviário enfrenta entraves que reforçam o papel estratégico das hidrovias. A operação da ferrovia Malha Oeste, para ligar Corumbá a Mairinque, em São Paulo, demandaria investimentos de 18 bilhões de reais, mas a concessionária Rumo já avisou que o baixo potencial de cargas em determinados trechos inviabiliza o projeto. É uma má notícia. Os trilhos seriam uma opção econômica ao transporte rodoviário do minério de ferro e do manganês extraídos da fronteira com a Bolívia. Cada vagão de trem tira três caminhões da estrada, segundo comparação da Antaq. Nesse cenário, a Hidrovia do Paraguai surge como alternativa viável, com um comboio típico carregando 48.000 toneladas — o equivalente a 430 vagões ou 1.200 caminhões.

Além dos benefícios logísticos, o modal hidroviário apresenta vantagens ambientais e econômicas. O estudo “Aspectos gerais da navegação interior no Brasil”, da Confederação Nacional do Transporte, mostra que o modal hidroviário emite 80% menos gás carbônico que o rodoviário e 14% menos que o ferroviário. Além disso, em média, o custo do frete hidroviário é 60% menor que o rodoviário e 30% inferior ao ferroviário. Ainda assim, especialistas defendem que a hidrovia deve ser vista como um elemento complementar, e não substituto, aos grandes eixos rodoferroviários de carga, como ressalta o consultor Frederico Bussinger, sócio da Pezco Economics.

Casos concretos reforçam essa perspectiva de sustentabilidade e eficiência. A operadora de serviços portuários e de logística Wilson Sons estima uma redução de 55% nas emissões com a operação do terminal hidroviário do Polo Petroquímico de Triunfo, no Rio Grande do Sul, em comparação com o transporte rodoviário. O terminal Santa Clara está em um canal que acessa o Lago Guaíba e a Lagoa dos Patos em direção ao porto de Rio Grande. “Com o modal hidroviário, desenvolvemos projetos logísticos mais competitivos do ponto de vista de custos, que oferecem menor risco de acidentes e de avarias para as cargas dos clientes, além de contribuir para a diminuição da emissão de gases causadores do efeito estufa”, diz Paulo Bertinetti, diretor-presidente do Tecon Rio Grande, operado pela Wilson Sons.

Mesmo em situações climáticas extremas, a hidrovia demonstrou resiliência. Um levantamento feito por
empresas da região detectou a necessidade de dragar apenas quatro pontos da Hidrovia do Paraguai durante a maior seca da região, no ano passado. “Então, mesmo no pior momento climático, não se enfrentariam grandes problemas de navegação”, afirma Adalberto Tokarski, presidente da Agência de Desenvolvimento Sustentável das Hidrovias e dos Corredores de Exportação (Adecon). “Mas o Estado não consegue suprir essa infraestrutura e oferecer segurança para uma navegação fluida o ano inteiro.” A dragagem é bancada pelo Departamento Nacional de Infraestrutura e Transportes (DNIT), com recursos limitados, e condicionada ao prazo de licitações públicas, nem sempre tão ágeis quanto às movimentações de mercado.

O setor privado, por sua vez, tem dado sinais claros de confiança no potencial das hidrovias. Impulsionada pela aquisição por parte do grupo J&F, em 2022, a mineradora LHG Mining investiu na ampliação da produção de minérios de ferro e manganês em Corumbá e Ladário, em Mato Grosso do Sul, passando de 2 milhões para 12 milhões de toneladas anuais. “Esse crescimento só foi possível porque contamos com o escoamento de 80% da produção pela Hidrovia do Paraguai, fundamental para a logística de exportação com custos e emissões muito inferiores a qualquer outro modal”, diz Darlan Carvalho, diretor de logística da LHG.

Outro exemplo relevante na mesma região é a operação da Hidrovias do Brasil. Em 2023, a empresa
transportou 4 milhões de toneladas de minério de ferro, grãos e fertilizantes. Mesmo com a seca histórica do rio, que impede as embarcações de trafegar com carga total, o desempenho foi compensado com ajuda da frota de empurradores da Hidrovias do Brasil, aptos a navegar com calado de 6,5 pés (cerca de 2 metros), amenizando o impacto causado pela seca. A Hidrovias do Brasil também opera com transporte hidroviário no Pará. Em abril, a Ultrapar – maior acionista da empresa – injetou aproximadamente 1,2 bilhões de reais em outubro do ano passado.

Para entender o potencial do transporte hidroviário brasileiro, basta observar as referências globais. O Rio
Mississippi, onde circulam 669 milhões de toneladas de carga por ano nos Estados Unidos, é usado como
referência do potencial hidroviário. São 6.900 quilômetros de hidrovias de uso comercial, das quais se retiram cerca de 80 milhões de metros cúbicos de sedimentos ao ano por meio de dragagem. Em comparação, o desafio brasileiro é irrisório. O volume no Rio Paraguai chega a cerca de 400.000 metros cúbicos, mero 0,5% da dragagem feita pelo Corpo de Engenheiros do Exército dos Estados Unidos, que administra o sistema americano.

A Europa e a China também servem como modelos de eficiência e integração. Na Europa, a infraestrutura
hidroviária é reconhecida pela grandiosidade das obras de engenharia, como eclusas e elevadores de navios, e pela integração com outros meios de transporte. O custo do modal hidroviário europeu é, em média, 80% inferior ao do rodoviário, segundo relatório elaborado pelo Instituto de Engenharia. A única estrutura semelhante em águas brasileiras é a eclusa de Tucuruí, localizada no Rio Tocantins, no Pará, conforme afirma Moacir de Freitas Júnior, professor do Centro Paula Souza de São Paulo, que estuda a infraestrutura hidroviária da Europa. Assim mesmo, a eclusa permanece sem uso desde a sua inauguração, em 2010. Outro exemplo vem da China, onde metade da produção é escoada por hidrovias, complementa o relatório do instituto. Para um país de dimensões continentais como o Brasil, que pretende ser recordista na produção de commodities, o caminho para aumentar a eficiência passa necessariamente pelas águas.

(*) Leandro Steiw é Jornalista

Por Leandro Steiw.

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Portos

Porto Itapoá movimentou 10 milhões de TEUs desde 2011

O Porto Itapoá (SC) movimentou 10 milhões de TEUs movimentados desde o início de suas operações em 2011. Em 2014, atingiu 1 milhão de TEUs acumulados; em 2016, 2 milhões; e em 2017, ultrapassou 3 milhões. Em 2023, o terminal movimentou 1 milhão de TEUs em um único ano.

Entre 2015 e 2025, o perfil das operações mudou: as exportações representavam 64% da movimentação e passaram a 41%, enquanto as importações aumentaram de 36% para 59%. As cadeias de importação mais movimentadas em 2015 eram “Automóveis e seus componentes” e “Eletrônicos”; em 2025, são “Plásticos e suas obras” e “Maquinário e Siderurgia”. Os principais países de origem das importações permanecem China, EUA e Alemanha.

Nas exportações, em 2015, destacavam-se “Carnes congeladas e refrigeradas” e “Maquinário geral e seus componentes”; em 2025, lideram “Produtos Florestais” e “Alimentos e Bebidas”. Os principais destinos das exportações em 2015 eram EUA, Venezuela e China; em 2025, são EUA, China e Itália.

No primeiro trimestre de 2025, o Porto Itapoá foi o segundo maior movimentador de contêineres do Brasil, com mais de 202 mil unidades registradas, atrás apenas do complexo de Santos. O aumento da movimentação foi de 37% em relação ao mesmo período de 2024, superando a média nacional de crescimento, que foi de 10%.

Fonte: Portos e navios

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Comércio Exterior, Evento, Logística, Negócios, Networking

BWin Tech dobra de tamanho e fortalece presença no setor com participação marcante na Intermodal 2025 

A corretora de seguros BWin Tech deixou sua marca na Intermodal South America 2025 ao participar, pelo segundo ano consecutivo, do maior evento das Américas nos setores de logística, transporte de cargas, intralogística e comércio exterior, em abril. Em um cenário que reuniu os principais players do mercado, a empresa destacou seu crescimento acelerado, inovação em serviços e uma abordagem estratégica que vem transformando a forma como o seguro é percebido no setor logístico.  “Falar da BWin é lembrar que, nos últimos dois anos, estivemos nesta feira maravilhosa. A Intermodal se tornou parte da nossa história”, destaca Carla Kuhn, Partner & Business Development Director da BWin Tech.  

A BWin integrou o espaço RêConecta, no estande G100, um hub de conexões estratégicas que reuniu mais de 10 empresas de diferentes segmentos do setor. Com estrutura moderna, ativações de marca e ambiente de networking, o espaço foi palco de negócios, trocas de conhecimento e aproximação com tomadores de decisão de todo o Brasil. 

Segundo Carla, o principal objetivo foi aumentar sua visibilidade no mercado, receber clientes para apresentar a evolução da marca e gerar novas oportunidades de negócios. E o resultado superou expectativas. “Fechamos dois contratos com clientes que já estavam em negociação e abrimos novas oportunidades que seguimos nutrindo no CRM. A feira foi um divisor de águas para nós.” 

Seguro como ferramenta estratégica na logística 

Durante o evento, a BWin apresentou soluções inovadoras em seguros para logística e comércio exterior, destacando sua atuação baseada em conhecimento técnico e foco em mitigação de riscos com mais eficiência e rentabilidade. A proposta da empresa é ir além da proteção, oferecendo segurança como alavanca estratégica para as operações logísticas. “Queremos mostrar formas diferentes de ver o seguro: como oportunidade de negócio, diferencial competitivo e impulsionador de resultados,” explica Carla.  

A receptividade do público foi positiva, com destaque para a presença de influenciadores e decisores de empresas em busca de novas soluções. A visibilidade alcançada na feira também refletiu diretamente nas redes sociais e na percepção de marca da BWin, reforçando sua imagem de empresa em expansão. “Acreditamos que muitos negócios são impulsionados pela imagem. Estamos dobrando de tamanho a cada ano e a Intermodal tem papel central nesse crescimento.” 

RêConecta: um elo entre negócios e propósito 

A presença da BWin no evento foi viabilizada pela parceria com o RêConecta News, um portal digital que conecta, informa e fortalece o ecossistema do comércio exterior e da logística. Mais do que notícias, o RêConecta promove eventos, networking e ações de valorização profissional, como o projeto Divas do Comex & Log. 

O espaço coletivo do RêConecta se consolidou como um ponto de referência dentro da Intermodal, reforçando a força da inteligência colaborativa e do trabalho em rede. Para a BWin, a parceria representa alinhamento de valores e visão de futuro. “Somos incansáveis e imparáveis quando tratamos nosso negócio com integridade e respeito. A Intermodal nos dá isso: visibilidade, conexões e propósito. Estamos aqui para mudar vidas,” ressalta Carla.  

Próximos passos: expansão e impacto 

Após a participação na Intermodal 2025, a BWin foca na aceleração dos contatos comerciais, expansão da equipe de vendas e na estruturação de novas filiais, em Curitiba e Espírito Santo. O compromisso é seguir gerando oportunidades, fortalecendo o mercado e promovendo transformação através do seu modelo de negócios. “Geramos melhorias para nossos clientes e potencializamos empresas. Nossa cultura se expande no atendimento. Podemos mudar o mundo com resultados e bons exemplos,” finaliza Carla Kuhn, Partner & Business Development Director da BWin Tech.  

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Logística, Portos

Porto de Santos terá tráfego monitorado por torre com radar marítimo; sistema começa a operar em dezembro

Trata-se do Sistema de Gerenciamento e Informações do Tráfego de Embarcações (VTMIS); licitação deve ser aberta neste mês

O monitoramento em tempo real do trânsito de embarcações no Porto de Santos será intensificado a partir de dezembro, quando o Sistema de Gerenciamento e Informações do Tráfego de Embarcações (VTMIS, na sigla em inglês) iniciará as operações. A licitação deve ser aberta neste mês e o investimento previsto é de R$ 100 milhões.

A autorização que faltava para dar início às instalações dos equipamentos na Ilha da Moela, em Guarujá, foi obtida nesta terça-feira (3), em acordo entre a Autoridade Portuária de Santos (APS) e a Marinha. O termo de cooperação técnica foi assinado entre o presidente da APS, Anderson Pomini, o comandante do 8º Distrito Naval, vice almirante Marco Antônio Ismael Trovão de Oliveira, e o capitão dos Portos de São Paulo, Marcus André de Souza e Silva.

“Conseguimos as autorizações dessas torres para quatro locais. A licitação do sistema será feita este mês e o início da implementação do sistema será em dezembro”, diz Pomini, acrescentando que o sistema será integralmente implantado e custeado pela APS.

“Esse sistema é tão complexo e importante para a navegação brasileira que exige a integração de todas as autoridades”, afirma Pomini, explicando que será montada uma sala na sede administrativa do Porto que contará com profissionais da Praticagem, Receita Federal, Polícia Federal e Marinha

“O VTMIS busca eficiência para as manobras de entradas e saídas dos navios, mas é um sistema que conta com quatro torres permitindo que as instituições compartilhem 100% das informações geradas e monitoradas diuturnamente pelo sistema”, ressalta o presidente da APS.

Já o capitão dos Portos lembra que o sistema vai permitir o acompanhamento, monitoramento e vetoramento (orientação) em tempo real de todas as embarcações que estão entrando e saindo do Porto de Santos, “contribuindo ainda mais para a segurança da navegação sob a ótica da Autoridade Marítima que é a Marinha”.

A Ilha da Moela, sob administração da Marinha, fica próxima à área de fundeio de navios. Dotada de um farol do século 19, é ponto de referência aos navegantes na região. O acordo permite à administração portuária realizar obras de infraestrutura e instalar equipamentos e sensores do VTMIS na Ilha.

Na ilha
A Ilha da Moela receberá uma torre do VTMIS, com radar marítimo, equipamentos meteorológicos e câmeras eletro-ópticas. Os investimentos atenderam todas as exigências previstas pelos órgãos de controle. Essa estação-radar do VTMIS e os demais equipamentos serão alimentados por energia solar fotovoltaica.

Fonte: A Tribuna

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