Agronegócio

França perde autossuficiência na carne suína e aumenta dependência das importações

A França deixou de ser autossuficiente na produção de carne suína pela primeira vez desde o início dos anos 2000. Dados atualizados da FranceAgriMer mostram que o índice de cobertura da demanda interna caiu para 98,6% no primeiro semestre, abaixo dos 100% registrados em 2024 e distante dos picos de 108% em 2011 e 107% em 2020.

O recuo confirma uma tendência estrutural de perda de competitividade. O cálculo de “consumo aparente” evidencia que a indústria local não consegue acompanhar o ritmo do mercado doméstico. Paralelamente, o país enfrenta um êxodo acelerado de produtores: entre 2014 e 2024, cerca de 3% dos suinocultores abandonaram a atividade todos os anos — mais do que o dobro da taxa média da agricultura francesa. Hoje, restam aproximadamente 5.700 criadores, e o rebanho nacional encolheu de 14 milhões de cabeças, em 2010, para 11,7 milhões em 2024.

Cresce a dependência de fornecedores externos

Com a produção incapaz de atender o consumo interno, a França ampliou as importações de carne suína. Em 2024, foram compradas 337 mil toneladas, alta de quase 7% em relação ao ano anterior. A Espanha, maior produtora da União Europeia, reforçou sua posição como principal fornecedora, enviando cerca de 220 mil toneladas ao mercado francês. O país também importou 240 mil toneladas de produtos processados e charcutaria.

Setor aponta entraves regulatórios

Representantes da cadeia produtiva afirmam que a estagnação resulta de um ambiente regulatório desfavorável. A Inaporc, entidade do setor, sustenta que normas excessivas impedem investimentos essenciais para a modernização das granjas. Segundo a organização, é urgente reduzir as barreiras burocráticas para garantir a soberania alimentar, evitar o declínio produtivo e assegurar a renovação geracional da atividade.

FONTE: Agrimídia
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Agrimídia

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Comércio Exterior

O comércio exterior mostra sinais de melhora, mas persistem desafios operacionais

O comércio exterior argentino atravessa um processo de transformação acelerada sob a gestão de Javier Milei. Com um enfoque centrado na desregulamentação, o governo impulsionou medidas destinadas a simplificar trâmites, ordenar o sistema de pagamentos e melhorar a transparência da operação. No entanto, persistem inconsistências normativas, gargalos técnicos e restrições operacionais que continuam afetando tanto importadores quanto exportadores.

Para analisar esse cenário, serindustria.com.ar conversou com Julieta Serena, sócia-gerente do Grupo Serena, secretária da Câmara de Comércio Exterior de Córdoba (CaCEC) e integrante da Comissão Operativa da Federação de Câmaras de Comércio Exterior da República Argentina (FECACERA), que oferece uma visão integral sobre os avanços e as pendências.

A advogada e despachante aduaneira considerou que a decisão mais relevante do governo em matéria de comércio exterior foi a eliminação das licenças automáticas e não automáticas. Nesse sentido, qualificou a medida como “muito favorável sobretudo para a previsibilidade das operações”, já que esses mecanismos haviam se tornado ao longo dos anos “um obstáculo” que afetava seriamente a concretização das importações.

“Havia certos produtos sensíveis, como têxteis ou brinquedos, em que realmente não havia certeza de conseguir concretizar a operação. Era preciso judicializar, e a judicialização também havia se tornado bastante difícil”, explicou. Ela acrescentou que, mesmo quando eram obtidas medidas cautelares contra o Estado, surgiam novos obstáculos, como a impossibilidade de registrar declarações. A eliminação desse esquema devolveu previsibilidade e reduziu custos.

Um sistema de pagamentos mais previsível
Outro ponto positivo destacado é a maior clareza no acesso ao mercado de câmbio. Serena reconheceu que ainda não existe a disponibilidade ideal para o importador. De toda forma, valoriza que “foi possível regularizar a maioria das dívidas comerciais e, além disso, ter certeza de quando seria possível pagar e que os prazos seriam cumpridos”.

A especialista lembrou que, antes do esquema atual, o último controle da SIMI era decisivo para determinar o prazo de pagamento e que, mesmo quando se estabeleciam 180 dias, “chegava o dia e não era possível processar o pagamento”. O resultado era um sobrecusto que atingia com força as PMEs, obrigadas a se financiar com brokers diante da falta de linhas bancárias. “Isso melhorou sem dúvida”, afirma.

Ela também considerou positiva a incorporação do mecanismo incluído no DNU 70/2023, que permite liberar mercadorias denunciadas garantindo posteriormente os valores que a Aduana considerar pertinentes. “Antes, a mercadoria ficava retida e podia demorar meses, gerando custos altíssimos de depósito e falta de insumos”, destacou.

Também ressaltou a habilitação para que exportadores compartilhem plantas mediante contrato e o desenvolvimento do monitoramento remoto de exportações, ainda em fase piloto. Para regiões afastadas dos grandes polos aduaneiros, afirmou que representa uma ferramenta valiosa. “Facilita o tempo da operação e evita deslocamentos longos”, apontou.

Regulamentos técnicos: uma reforma necessária, mas mal desenhada
Um dos pontos mais críticos levantados por Serena é a nova regulamentação dos regulamentos técnicos de segurança elétrica, brinquedos, aço e outros produtos. Ela reconheceu que o critério geral é positivo, mas questionou sua implementação. “Foi regulamentado com uma técnica legislativa ruim. Há pouca clareza sobre os produtos abrangidos e ampliaram o escopo para mercadorias que não deveriam estar sujeitas”, afirmou.

Nesse sentido, alertou que o espírito desses regulamentos é proteger o consumidor, mas a norma acabou incluindo insumos industriais ou produtos destinados a processos produtivos. A eliminação da exceção de uso idôneo, somada à confusa aceitação de certificações internacionais, aprofundou a complexidade.

A isso se somam inconsistências evidentes. “Ampliou-se a possibilidade de trazer uma máquina de lavar por courier desde o Chile sem qualquer controle, mas uma lavadora industrial para uma fábrica fica sujeita a múltiplas exigências. São incoerências”, afirmou.

Apesar da simplificação administrativa, Serena destacou que várias restrições ainda geram incerteza operacional. Os bancos privados continuam atuando com critérios próprios e muitas vezes não enviam consultas ou pedidos de prorrogação ao Banco Central, o que afeta regularizações, cumprimentos de divisas ou pagamentos antecipados.

“Como sujeito administrativo, você não tem acesso direto ao Banco Central. Sempre depende do banco, e às vezes o banco não tem interesse em encaminhar o caso”, explicou. Essa intermediação, garantiu, pode resultar em descumprimentos formais que bloqueiam devoluções de IVA e penalizam o exportador.

Duplo controle, custos ocultos e assimetrias
Serena mencionou as distorções que afetam as províncias fora da região do AMBA. Observou que coexistem dois regimes de trânsito: um para fronteiras terrestres sob o Acordo de Transporte Internacional e outro para cargas que entram por portos. O segundo implica o uso obrigatório de um lacre eletrônico cujo custo pode chegar a US$ 800 em algumas regiões, especialmente no sul.

Apesar do monitoramento digital, muitas cargas são igualmente submetidas a verificações em Buenos Aires por diferenças mínimas de peso ou imagem. “Qualquer mercadoria que permanece em um terminal gera um sobrecusto altíssimo”, reclamou, acrescentando que isso impacta diretamente a competitividade.

Ela também apontou diferenças inexplicáveis nos prazos de permanência em depósitos fiscais, que são de 90 dias para cargas terrestres e de 30 para aéreas ou marítimas. “Não há justificativa alguma para essa distorção”.

Embora reconheça avanços na Ventanilla Única de Comércio Exterior (VUCE), Serena afirmou que a Aduana continua trabalhando majoritariamente em papel. “Os despachos de importação ainda são transportados fisicamente em pastas; os expedientes continuam sendo discutidos em papel”. A implementação de inteligência artificial, embora mencionada na agenda oficial, “ainda está muito longe”.

A especialista explicou que a exportação nunca teve a mesma complexidade operacional que a importação. No entanto, identificou uma área crítica: o regime de envios com deficiência. A falta de agilidade faz com que os exportadores evitem utilizá-lo e recorram a operações a título não oneroso, o que depois os expõe a sanções bancárias e bloqueios de IVA.

Ainda assim, reconheceu melhorias recentes, como a aceleração do Certificado de Tipificação de Insumo Produto (CTIT) para importações temporárias, que passou de demorar um ano para ser resolvido em um mês. “É muito favorável e estão trabalhando para reduzir ainda mais os prazos”.

Para Serena, o setor privado deve assumir um papel mais ativo na identificação de problemas e na proposição de soluções, especialmente em um país onde “a realidade de cada ponto operacional é diferente”.

O comércio exterior ainda enfrenta entraves, custos ocultos, assimetrias regionais e uma estrutura administrativa que não acompanha a velocidade dos negócios globais. No entanto, ela afirma que os avanços recentes não são menores e que o desafio agora é aprofundar a simplificação sem gerar contradições.

FONTE: Ser Industria
IMAGEM: Reprodução/Ser Industria

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Indústria

Produção de aço no Brasil recua 2,7% em outubro, mas avança sobre setembro

A produção de aço no Brasil caiu 2,7% em outubro na comparação com o mesmo mês do ano passado, segundo dados divulgados nesta quarta-feira (19) pela Aço Brasil, entidade que representa as usinas siderúrgicas. Apesar da retração anual, houve recuperação frente a setembro, com alta de 6,1%, alcançando aproximadamente 3 milhões de toneladas.

As vendas internas apresentaram desempenho fraco, com recuo de 6,5% e total de 1,81 milhão de toneladas. O resultado foi pressionado pela queda de 7,3% nos laminados planos — amplamente utilizados pela indústria automotiva — e de 5,5% nos aços longos, essenciais para a construção civil.

Acumulado do ano tem queda moderada

Entre janeiro e outubro, a produção somou 28 milhões de toneladas, queda de 1,8% em relação ao mesmo período do ano anterior. No mesmo intervalo, as vendas internas recuaram 0,3%, atingindo 17,86 milhões de toneladas.

Com o mercado doméstico desaquecido, parte da sustentação da produção veio do avanço de 28% nas exportações em outubro, que somaram 907 mil toneladas. O destaque foi o aumento expressivo nas vendas externas de produtos semiacabados, que cresceram 29% e chegaram a 669,5 mil toneladas.

No acumulado de 2025, mesmo com os impactos das tarifas de importação impostas pelos Estados Unidos, as exportações aumentaram 4,6%, totalizando 8,74 milhões de toneladas.

Importações desabam e expectativa de medidas antidumping cresce

As importações de aço recuaram de forma significativa em outubro, com queda de 21,4% na comparação anual, para 473,4 mil toneladas. O resultado reduziu o avanço acumulado no ano para 6,1%, em meio à expectativa de que o governo federal anuncie medidas antidumping entre o fim de novembro e o início de 2026.

Segundo Carlos Loureiro, presidente da Inda, importadores têm reduzido novas compras e acelerado a nacionalização de cargas que já estão em portos brasileiros para evitar possíveis sobretaxas. Ele também afirmou que as usinas decidiram postergar os reajustes de preços de dezembro para janeiro, buscando estimular as vendas em um período tradicionalmente mais fraco e ainda impactado pelo volume elevado de importações.

Dados da Aço Brasil mostram que as importações de aços planos e longos caíram 4,3% e 12,2%, respectivamente, em outubro. Já a entrada de aços especiais mais que dobrou, saltando de 34,5 mil para 77,4 mil toneladas.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/MSN

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Comércio Exterior

Déficit comercial dos EUA recua em agosto após atraso na divulgação por causa do shutdown

O déficit comercial dos Estados Unidos apresentou uma redução acima do esperado em agosto, segundo dados oficiais divulgados nesta quarta-feira (19). As informações chegaram com atraso devido ao prolongado shutdown que paralisou parte do governo federal por 43 dias e suspendeu a publicação de diversos indicadores econômicos.

De acordo com o relatório, o saldo comercial negativo caiu para US$ 59,6 bilhões, resultado atribuído principalmente à forte contração nas importações. A expectativa dos analistas era de uma retração menos acentuada.

Importações recuam mais de 5%

As importações tiveram queda de 5,1%, somando US$ 340,4 bilhões. O recuo foi influenciado por uma diminuição expressiva de US$ 18,6 bilhões nas compras de bens, movimento que pressionou para baixo o déficit geral.

Por outro lado, as exportações avançaram 0,1%, alcançando US$ 280,8 bilhões, impulsionadas principalmente pelo setor de serviços. Ainda assim, o envio de bens ao exterior também registrou queda no período.

Impacto das tarifas na dinâmica do comércio

Os fluxos comerciais norte-americanos seguem influenciados pela política tarifária do governo Donald Trump, marcada por aumentos sucessivos de impostos sobre produtos importados. A estratégia levou empresas a anteciparem compras antes dos novos reajustes, distorcendo o ritmo normal das trocas comerciais ao longo do ano.

Desde janeiro, Washington adotou tarifas consideradas “recíprocas”, atingindo diversos parceiros econômicos. A escalada tarifária com a China, segunda maior economia do mundo, intensificou-se ao longo de abril, quando algumas taxas chegaram a níveis de três dígitos, dificultando ainda mais as relações comerciais entre as duas potências.

FONTE: Estado de Minas
TEXTO: Redação
IMAGEM: Jornal de Brasília

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Comércio Exterior

Brasil alcança corrente de comércio de US$ 12,5 bi na segunda semana de novembro

Comércio exterior mantém ritmo estável em novembro
O Brasil registrou uma corrente de comércio de US$ 12,5 bilhões na segunda semana de novembro de 2025. Segundo dados da Secex/MDIC, o período fechou com superávit de US$ 0,5 bilhão, resultado de exportações que somaram US$ 6,5 bilhões e importações de US$ 6 bilhões.

Desempenho do mês
No acumulado de novembro, as exportações alcançam US$ 14,3 bilhões, enquanto as importações totalizam US$ 12 bilhões. Com isso, o saldo comercial permanece positivo em US$ 2,3 bilhões, e a corrente de comércio chega a US$ 26,4 bilhões.

Resultados no ano
Entre janeiro e 17 de novembro de 2025, o país já exportou US$ 304,049 bilhões e importou US$ 249,373 bilhões. O superávit acumulado é de US$ 54,677 bilhões, com corrente de comércio de US$ 553,422 bilhões, reforçando o desempenho robusto do comércio exterior brasileiro ao longo do ano.

Médias diárias mostram variações importantes
As exportações médias diárias até a segunda semana de novembro ficaram em US$ 1,432 bilhão, uma leve queda de 2,3% frente ao mesmo mês de 2024. Já as importações médias diárias cresceram 8,3%, passando de US$ 1,1 bilhão para US$ 1,2 bilhão.
A corrente de comércio diária atingiu US$ 2.635,47 milhões, alta de 2,3% na comparação anual.

Setores exportadores: agro puxa alta, indústria extrativa recua
No recorte por setor, considerando as médias diárias até a segunda semana de novembro de 2025, o desempenho das exportações mostra:

  • Agropecuária: crescimento de 34,3% (+US$ 80,96 milhões)
  • Indústria Extrativa: queda de 27,4% (–US$ 109,46 milhões)
  • Indústria de Transformação: leve recuo de 0,5% (–US$ 4,13 milhões)

Setores importadores também avançam
Nas importações, a comparação anual revela:

  • Agropecuária: avanço de 0,4% (+US$ 0,09 milhão)
  • Indústria Extrativa: aumento de 6,9% (+US$ 4,28 milhões)
  • Indústria de Transformação: crescimento de 8,7% (+US$ 88,27 milhões)

FONTE: MDIC
TEXTO: Redação
IMAGEM: Pixabay

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Indústria

A invasão do aço chinês por meio das autopeças preocupa indústria brasileira

A presença da China na cadeia automotiva brasileira já não se limita aos carros elétricos. A importação crescente de carrocerias e autopeças tem provocado impactos indiretos na indústria do aço, ampliando o volume de metal chinês que chega ao país por meio de produtos industrializados. Dados da consultoria CRU mostram que, entre janeiro e setembro, as chamadas exportações indiretas de aço da China aumentaram 43% na América Latina em comparação com 2023. Quase um quarto desse total está relacionado ao setor automotivo, hoje um dos principais vetores de expansão chinesa fora da Ásia.

Vantagens competitivas ampliam desequilíbrio

Executivos das principais montadoras instaladas na região afirmam que a concorrência com o país asiático deixou de ser apenas comercial. A combinação de crédito subsidiado, excesso de capacidade e forte apoio estatal dá às empresas chinesas vantagens difíceis de igualar.
“O crédito na China custa 4% ao ano; aqui, chega a 15%. Isso explica tudo”, afirmou Martin Galdeano, CEO da Ford na América do Sul, durante o congresso anual da Alacero.

Esse cenário tende a repetir o movimento já visto na siderurgia: produtos chineses mais baratos substituindo a produção local em diversos elos da cadeia, do aço às carrocerias. As montadoras estimam que 10% do mercado brasileiro já é abastecido por veículos vindos da China. Para Alexander Seitz, chairman da Volkswagen na América do Sul, esse número pode chegar a 25% nos próximos anos caso nada mude.

Cadeia produtiva perde espaço

O avanço chinês fica evidente em casos como o da nova fábrica da BYD em Camaçari (BA), instalada no antigo complexo da Ford. Segundo Jorge Oliveira, CEO da ArcelorMittal Brasil e presidente da Alacero, a construção foi inteiramente realizada com aço importado da China, sem uso de material brasileiro. Para ele, o episódio simboliza a perda de valor agregado na indústria nacional ao longo da cadeia automotiva.

Aço indireto ganha protagonismo

De acordo com o consultor John Lichtenstein, da World Steel Dynamics, a China intensificou a exportação de aço indireto — embutido em automóveis, autopeças e equipamentos. No setor automotivo, essa fatia passou de 9% para 19% em dez anos e pode chegar a 25% em breve.
Na América Latina, o fenômeno é ainda mais forte: quase metade do aço indireto importado já tem origem chinesa. Sem o México, onde as regras de origem são mais rígidas, a participação sobe para 65%.

Esse movimento, afirma Lichtenstein, ajuda a explicar por que a pressão sobre a indústria regional cresce mesmo com tarifas e barreiras comerciais. “A China não exporta apenas aço, mas valor agregado. Cada carro produzido lá traz toneladas de aço subsidiado, distorcendo o comércio global.”

Tarifa não basta para frear avanço chinês

Para Jorge Guajardo, ex-embaixador do México na China, o país transformou o excedente de capacidade industrial em estratégia de política externa. “A China vende abaixo do custo até eliminar concorrentes. Depois, o mercado se torna dependente”, afirmou.
Mesmo tarifas de 25% no Brasil ou 50% em outros países não impedem a entrada do aço chinês, que chega “disfarçado” em carros, peças e equipamentos. “É a segunda fase da mesma história”, resumiu.

A nova etapa da desindustrialização

O avanço sobre a cadeia automotiva marca, segundo especialistas, o início de uma desindustrialização 2.0. Se a primeira onda ocorreu com a entrada massiva de aço barato, a nova fase chega sobre quatro rodas. Sem resposta coordenada, a região corre o risco de repetir o ciclo de exportar minério e importar produtos acabados, abrindo mão de complexidade produtiva.

Para Bruce Mac Master, presidente da ANDI, a América Latina continua “apenas reagindo”, sem uma política industrial sólida capaz de proteger suas cadeias estratégicas. Entre as propostas discutidas, estão mecanismos regionais de defesa comercial, maior agilidade em processos antidumping e regras de origem mais rigorosas para conter a triangulação de peças asiáticas. “Não há política industrial possível sem coordenação política”, afirmou.

FONTE: InvestNews
TEXTO: Redação
IMAGEM: João Brito

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Internacional

Estados Unidos e Argentina anunciaram o acordo comercial e de investimento: os detalhes

Os presidentes dos Estados Unidos, Donald Trump, e da Argentina, Javier Milei, anunciaram a criação de um Marco para um Acordo sobre Comércio e Investimento Recíprocos, com o objetivo de fortalecer a relação econômica bilateral, estimular a abertura de mercados e promover a cooperação em áreas estratégicas.

O acordo busca estabelecer condições claras, estáveis e baseadas em regras para o comércio e os investimentos entre os dois países, apoiando-se nas reformas que a Argentina já colocou em prática para modernizar sua economia. A iniciativa inclui benefícios tarifários, abertura de mercados agrícolas e industriais, padrões regulatórios comuns, proteção da propriedade intelectual e cooperação em áreas como trabalho, meio ambiente e comércio digital.

Entre os principais pontos, destaca-se que a Argentina oferecerá acesso preferencial a produtos dos EUA, como medicamentos, máquinas, tecnologias da informação e produtos agrícolas. Por sua vez, os Estados Unidos eliminarão tarifas para certos recursos naturais argentinos e para medicamentos não patenteados, e levarão em conta o impacto do acordo ao aplicar medidas comerciais relacionadas à segurança nacional.

No setor agrícola, ambos os países se comprometeram a melhorar as condições de acesso aos mercados de carne bovina e de aves, além de facilitar o comércio de produtos como miudezas, carne suína e laticínios. Também foi acordado não restringir o uso de determinados termos relacionados a carne e produtos lácteos.

Eliminação de barreiras

O documento destaca que a Argentina eliminará barreiras não tarifárias, como licenças de importação e formalidades consulares, e se comprometeu a desmantelar gradualmente o imposto estatístico sobre produtos dos EUA. Além disso, passará a se alinhar a padrões internacionais em vários setores e reconhecerá certificações de órgãos norte-americanos como a FDA.

Em relação à propriedade intelectual, a Argentina avançará no combate à falsificação e à pirataria e trabalhará para alinhar sua legislação a padrões internacionais, atendendo observações feitas no Relatório Especial 301 do governo dos EUA.

O acordo também inclui compromissos para proibir a importação de bens produzidos com trabalho forçado, combater o desmatamento ilegal, promover o uso eficiente de recursos e aplicar normas internacionais sobre subsídios à pesca.

Os dois países concordaram em cooperar em segurança econômica para enfrentar práticas comerciais distorcivas de terceiros países, alinhar políticas de controle de exportações, investimentos e evasão tarifária, e fortalecer o comércio de minerais críticos. Além disso, a Argentina revisará o papel de suas empresas estatais e os subsídios industriais.

No que diz respeito ao comércio digital, será criado um marco legal que facilite a transferência transfronteiriça de dados pessoais com os EUA, evitando discriminações contra serviços digitais norte-americanos e reconhecendo a validade de assinaturas eletrônicas emitidas sob a legislação dos EUA.

Estados Unidos e Argentina trabalharão para concluir o texto final do acordo e cumprir os procedimentos internos necessários para sua entrada em vigor. Também se comprometeram a supervisionar sua implementação por meio do marco do Acordo TIFA e do Fórum de Inovação e Criatividade para o Desenvolvimento Econômico.

FONTE: Comercio y Justicia
IMAGEM: Reprodução/Comercio y Justicia

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Comércio Internacional

Feira Internacional de Importações da China bate recorde com US$ 83,49 bilhões em negócios

A Feira Internacional de Importações da China (CIIE) alcançou um novo marco histórico em sua oitava edição, ao registrar US$ 83,49 bilhões em acordos comerciais previstos, um crescimento de 4,4% em relação ao ano anterior. O resultado confirma o evento como uma das maiores plataformas de promoção do comércio internacional no mundo.

CIIE reforça papel da China no comércio global

Realizada em Xangai, entre 5 e 10 de novembro de 2025, a CIIE reuniu milhares de empresas e visitantes de mais de 150 países e regiões, consolidando-se como um espaço estratégico para impulsionar o intercâmbio econômico e promover cooperação internacional. Segundo os organizadores, o aumento no volume de negócios reflete tanto a força da economia chinesa quanto o comprometimento do país com a abertura de mercado e a globalização econômica.

Inovação e tecnologia são destaques da feira

Os setores de alta tecnologia, inteligência artificial e equipamentos industriais de ponta atraíram grande atenção do público e dos investidores. A área dedicada à inovação tecnológica foi uma das mais movimentadas, reunindo empresas chinesas e estrangeiras interessadas em parcerias estratégicas e novas oportunidades de negócios.

Desde sua criação, em 2018, a CIIE é vista como uma das principais iniciativas do governo chinês para ampliar o acesso do mercado interno a produtos e serviços internacionais, funcionando como uma ponte entre economias e fortalecendo as cadeias globais de valor.

Comércio, sustentabilidade e integração global

Autoridades destacaram que a China continuará promovendo um ambiente de negócios aberto e previsível, estimulando parcerias sustentáveis e a integração econômica global. A feira também reforçou o papel do país como motor do crescimento mundial, especialmente em um momento de busca por equilíbrio nas cadeias produtivas internacionais.

A crescente presença de empresas estrangeiras na feira demonstra a confiança do setor privado na estabilidade da economia chinesa e nas perspectivas de expansão do consumo interno. Os acordos firmados durante a edição de 2025 devem impulsionar investimentos em tecnologia, saúde, alimentos e energia limpa, consolidando a CIIE como um dos principais motores do comércio internacional contemporâneo.

FONTE: Brasil 247
TEXTO: Redação
IMAGEM: Global Times

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Eventos

Tarifaço e barreiras comerciais: especialistas discutem riscos e caminhos para o Brasil em evento online

Especialistas em comércio exterior, economia e relações institucionais estarão reunidos no dia 18 de novembro para analisar o avanço do protecionismo global e debater alternativas para fortalecer a presença do Brasil nas cadeias internacionais de valor.

O Fórum Comércio Exterior – Desafios e Oportunidades, promovido pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), será realizado em formato online, com transmissão ao vivo pelo canal CNC Play no YouTube, das 10h às 11h30. O encontro foi organizado em um momento decisivo: o aumento das barreiras comerciais ao redor do mundo e as novas sobretaxas anunciadas pelos Estados Unidos reacenderam o alerta sobre a competitividade do Brasil no mercado internacional.

Tarifaço dos EUA reacende alerta

O recente movimento de aumento tarifário pelos Estados Unidos — que pode chegar a até 50% sobre produtos brasileiros — já preocupa o setor exportador. Segmentos como o químico, metalúrgico e de transformação relatam perda de competitividade e redução das margens.

José Carlos Raposo Barbosa, presidente da Federação Nacional dos Despachantes Aduaneiros (Feaduaneiros), representará no Fórum a Câmara Brasileira do Comércio Exterior (CBCEX) da CNC. Ele destaca que o momento exige alinhamento institucional e estratégia. “O comércio exterior brasileiro precisa de previsibilidade e de uma estratégia nacional sólida. As empresas estão preparadas para competir, mas precisam de um ambiente que ofereça segurança jurídica e apoio governamental para enfrentar as barreiras externas”, afirma Raposo.

Brasil ainda enfrenta barreiras internas

Além das pressões externas, o país convive com entraves domésticos que dificultam a inserção de empresas nas cadeias globais. Estudos apontam que o Brasil é um dos países com maior número de barreiras não tarifárias, como exigências técnicas e licenças específicas, além da morosidade nos processos aduaneiros.

O economista Fabio Bentes, gerente-executivo de Análise e Desenvolvimento Econômico da CNC, reforça que o cenário internacional passa por transformações profundas. “A tendência mundial é de reindustrialização e regionalização de cadeias. Se o Brasil não reagir com acordos comerciais e políticas de incentivo, pode ver sua participação no comércio global cair ainda mais”, alerta Bentes.

Agenda de soluções no formato digital

O evento tem como objetivo propor caminhos práticos para que o setor privado e o poder público trabalhem de forma integrada na construção de uma política comercial mais competitiva.

Além de Raposo e Bentes, participarão:

  • Otávio Leite, consultor da Fecomércio-RJ e ex-deputado federal
  • Felipe Miranda, coordenador legislativo da Diretoria de Relações Institucionais da CNC

As discussões incluirão estratégias de diplomacia comercial, redução de custos logísticos, acordos regionais e mecanismos para ampliar a participação de pequenas e médias empresas no comércio exterior.

Felipe Miranda destaca a importância da aproximação entre o Congresso Nacional e as entidades empresariais. “O Brasil precisa atualizar sua política comercial com base em dados e previsões globais. O papel da CNC é justamente articular essa ponte entre o Legislativo e o setor produtivo”, afirma.

Liderança institucional

A abertura contará com a participação de José Roberto Tadros, presidente da CNC, além de:

  • Luiz Carlos Bohn (Fecomércio-RS)
  • Sergio Henrique Moreira de Sousa (AGR)
  • Andrea de Marins Esteves (ACBCS)

A iniciativa reforça o protagonismo da CNC na articulação de pautas estratégicas do comércio e serviços, com atuação em fóruns nacionais e internacionais.

Serviço – Evento Online

Fórum Comércio Exterior – Desafios e Oportunidades
📅 18 de novembro de 2025
🕙 10h às 11h30 (horário de Brasília)
💻 Transmissão ao vivo no YouTube – canal CNC Play
👥 Palestrantes: José Carlos Raposo, Otávio Leite, Fabio Bentes e Felipe Miranda


Inscrições gratuitas no link abaixo:
https://www.sympla.com.br/evento-online/forum-comercio-exterior-desafios-e-oportunidades/3149329?referrer=cnc.agidesk.com&referrer=cnc.agidesk.com&referrer=www.google.com&referrer=www.google.com

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Comércio Exterior

Brasil registra superávit comercial de US$ 7 bilhões em outubro, impulsionado pelo agronegócio e mineração

A balança comercial brasileira encerrou outubro de 2025 com superávit de US$ 7 bilhões, de acordo com dados divulgados nesta quinta-feira (6) pela Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic). O resultado representa um avanço de 70,2% em relação ao mesmo mês do ano passado, quando o saldo positivo foi de US$ 4,1 bilhões.

O desempenho foi sustentado por exportações de US$ 32 bilhões e importações de US$ 25 bilhões, totalizando uma corrente de comércio de US$ 57 bilhões — crescimento de 4,5% em comparação com outubro de 2024.

Agropecuária e indústria extrativa puxam exportações

As exportações brasileiras tiveram alta de 9,1% no mês, impulsionadas principalmente pelos setores agropecuário e extrativo mineral. Entre os destaques, as vendas de carne bovina subiram 40,9%, enquanto as exportações de soja cresceram 42,7%. Já o minério de ferro registrou aumento de 30% em relação ao mesmo período do ano anterior.

Esses segmentos seguem como pilares do comércio exterior do país, sustentando o crescimento das exportações do agronegócio e da mineração, que continuam sendo os principais motores do superávit brasileiro.

Queda nas importações e destaque negativo para petróleo

Do lado das importações, houve uma leve queda de 0,8% em relação a outubro de 2024. Os principais recuos foram observados nas compras de petróleo, com redução de 28,2%, e de acessórios de veículos, que caíram 14,7%.

A diminuição nas importações contribuiu para ampliar o saldo positivo da balança comercial, compensando parcialmente o aumento dos custos de alguns produtos industrializados no mercado internacional.

Superávit acumulado no ano

Entre janeiro e outubro de 2025, o Brasil acumulou exportações de US$ 289,7 bilhões, uma leve alta de 1,9% na comparação com o mesmo período de 2024. As importações, por sua vez, cresceram 7,1%, somando US$ 237 bilhões.

Com isso, o superávit comercial acumulado no ano registrou queda de 16,6% em relação aos dez primeiros meses do ano passado, refletindo o aumento das compras externas e a desaceleração em alguns setores exportadores.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Chuttersnap/ Unsplash

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