Importação

Preço do leite recua no Brasil com aumento da oferta e importações elevadas

O mercado do leite brasileiro enfrenta um cenário de pressão no fim de outubro de 2026. O aumento da produção nacional, a entrada de lácteos importados e a demanda interna ainda limitada têm enfraquecido as negociações entre indústrias e pressionado os preços de derivados, acendendo um alerta para os produtores rurais.

Levantamentos do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq-USP) e do MilkPoint Mercado indicam que o movimento de baixa já aparece com maior intensidade nas negociações de leite cru e nos preços praticados no atacado. A preocupação do setor é que essa tendência chegue aos valores pagos aos pecuaristas nos próximos meses.

Embora o mercado apresente sinais de enfraquecimento, o último indicador consolidado de remuneração ao produtor ainda refletia relativa estabilidade. Em agosto, o preço líquido do leite captado, na Média Brasil do Cepea, ficou em R$ 2,8869 por litro, ante R$ 2,8761 em julho. Em junho, a média havia sido de R$ 2,7464 por litro.

Leite spot registra queda em todos os estados pesquisados

Na segunda quinzena de outubro, o preço do leite spot, referente às negociações de leite cru entre empresas do setor, recuou em todos os estados acompanhados pelo MilkPoint Mercado.

A cotação média caiu R$ 0,059 por litro em relação à quinzena anterior, chegando a R$ 2,586. Em Minas Gerais, a redução foi mais acentuada, de R$ 0,120, com o preço passando a R$ 2,589 por litro. Em Goiás, a média ficou em R$ 2,490, após recuo de R$ 0,040.

Apesar de a intensidade das quedas ter diminuído em comparação com a primeira metade do mês, o movimento continua indicando perda de sustentação do mercado.

A diferença entre os indicadores ajuda a explicar por que a pressão ainda não aparece integralmente na remuneração dos produtores. Enquanto o Cepea acompanha os valores recebidos pelo leite captado, as negociações no mercado spot refletem transações entre agentes da cadeia e podem antecipar mudanças nas condições comerciais.

Por isso, a evolução das cotações em outubro é acompanhada com atenção pelos pecuaristas, que temem novos ajustes negativos nos pagamentos realizados pelos laticínios.

Aumento da captação amplia a oferta de leite no país

A recuperação da produção brasileira está entre os principais fatores que explicam a pressão sobre os preços. O Índice de Captação de Leite (ICAP-L), calculado pelo Cepea, avançou 2,38% em julho, na comparação mensal, e registrou novo crescimento de 3,86% em agosto, frente ao mês anterior.

O movimento está relacionado à sazonalidade da produção, com destaque para a recuperação da oferta na região Sul. A chegada das chuvas em outras áreas produtoras também pode favorecer o desenvolvimento das pastagens e ampliar a disponibilidade de matéria-prima, dependendo das condições climáticas e do manejo das propriedades.

Com mais leite disponível, a indústria precisa ampliar o processamento e encontrar mercado para os produtos fabricados. O desafio é que a demanda doméstica não tem acompanhado o crescimento da oferta no mesmo ritmo.

Segundo o MilkPoint Mercado, o varejo mantém uma postura cautelosa, priorizando reposições pontuais e buscando condições comerciais mais favoráveis nas negociações com os laticínios.

Esse desequilíbrio entre produção e consumo limita a capacidade de recuperação dos preços e aumenta a pressão sobre os diferentes segmentos da cadeia láctea.

Leite UHT, muçarela e leite em pó também sofrem pressão

A desvalorização não se restringe ao leite cru. Os dados do Cepea mostram que os principais derivados comercializados no atacado paulista também registraram recuos.

Em setembro, na comparação com agosto, o leite UHT teve queda real de 4,76%, com preço próximo de R$ 4,69 por litro. A muçarela recuou 2,77%, para cerca de R$ 34,91 por quilo, enquanto o leite em pó fracionado caiu 4,38%, chegando a R$ 29,63 por quilo.

Na primeira quinzena de outubro, o movimento de baixa continuou. Até o dia 15, o leite UHT acumulava redução de 2,32%, com média de R$ 4,54 por litro. A muçarela registrava queda de 2,05%, com cotação de R$ 34,97 por quilo, conforme o levantamento do Cepea.

O MilkPoint Mercado também identificou enfraquecimento no preço da muçarela, que passou de R$ 31,60 para R$ 31,30 por quilo na referência acompanhada pela instituição.

Os resultados, porém, variam conforme o produto e a metodologia utilizada em cada pesquisa. No levantamento mais recente do MilkPoint Mercado, o leite em pó integral permaneceu estável em R$ 24,00 por quilo, enquanto o desnatado caiu para R$ 23,30. Já o leite em pó fracionado apresentou valorização, alcançando R$ 30,00 por quilo.

Os dados mostram que a tendência predominante é de enfraquecimento, mas não há queda uniforme em todas as categorias de lácteos.

Importações de lácteos reforçam a concorrência no mercado brasileiro

Além do aumento da produção nacional, o volume de importações de leite e derivados continua contribuindo para ampliar a oferta no país.

De acordo com dados do Cepea baseados nas informações da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), o Brasil importou o equivalente a 249,6 milhões de litros de leite em setembro. O volume representa alta de 8,38% em relação a agosto e crescimento de 25,99% na comparação com setembro de 2025.

O leite em pó respondeu por aproximadamente 69,8% do total importado, enquanto os queijos representaram 29,6%.

A entrada desses produtos amplia as opções de abastecimento para o mercado interno e intensifica a concorrência enfrentada pela indústria brasileira. O efeito sobre os preços, entretanto, deve ser analisado em conjunto com a evolução da captação nacional, o consumo e a capacidade de escoamento dos derivados.

Assim, embora as importações contribuam para o cenário de maior disponibilidade, elas não explicam isoladamente o enfraquecimento das cotações.

Custos de produção sobem e preocupam os pecuaristas

A pressão sobre os preços ocorre em um momento de elevação das despesas da atividade leiteira. Segundo o Cepea, o Custo Operacional Efetivo (COE) da pecuária de leite aumentou 0,63% em agosto e avançou mais 0,46% em setembro.

Um dos principais pontos de atenção é a alimentação do rebanho. Em setembro, o grupo de concentrados registrou alta de 0,84%, refletindo o encarecimento de ingredientes utilizados na formulação das rações.

Entre os insumos que apresentaram valorização estão o milho, a soja em grão e o farelo de soja, componentes importantes da dieta dos animais em sistemas que utilizam suplementação concentrada.

A combinação de custos de produção em alta e preços do leite sob pressão pode reduzir as margens dos produtores, especialmente se a desvalorização do mercado spot chegar aos pagamentos pelo leite captado.

Relação de troca entre leite e milho piora em agosto

Outro indicador acompanhado pelo setor é a relação de troca entre leite e milho, que mostra quantos litros da matéria-prima são necessários para comprar uma saca de 60 quilos do cereal.

De acordo com o boletim de outubro do Cepea, foram necessários 23,19 litros de leite para adquirir uma saca de milho em agosto, ante 22,54 litros em julho.

Na prática, o resultado indica que o produtor precisou entregar mais leite para comprar a mesma quantidade de milho, evidenciando uma piora mensal no poder de compra.

Apesar disso, a relação ainda se encontrava em patamar mais favorável do que a média dos últimos 12 meses, estimada em aproximadamente 28 litros por saca.

O impacto sobre a rentabilidade varia de propriedade para propriedade. Fatores como produtividade do rebanho, eficiência alimentar, participação dos concentrados nos custos e condições de compra dos insumos influenciam o resultado econômico de cada sistema produtivo.

Por isso, os indicadores disponíveis apontam riscos para as margens, mas não permitem concluir que todos os produtores estejam enfrentando perdas generalizadas de rentabilidade.

Mercado internacional apresenta movimento diferente

Enquanto os preços brasileiros enfrentam dificuldades, o mercado internacional registrou valorização em um dos principais eventos de negociação de lácteos.

No 414º leilão da Global Dairy Trade (GDT), o índice geral avançou 2,5%, alcançando preço médio de US$ 4.021 por tonelada, segundo o MilkPoint Mercado.

O leite em pó integral subiu 4,4%, para US$ 3.760 por tonelada. Já o leite em pó desnatado registrou alta de 3,4%, com preço médio de US$ 3.975 por tonelada.

A valorização internacional contrasta com a pressão observada no mercado doméstico, mas não garante uma recuperação imediata dos preços no Brasil.

A transmissão dessas altas depende de fatores como a taxa de câmbio, os custos de importação, a competitividade dos produtos estrangeiros, a oferta nacional e o comportamento do consumo interno.

Dessa forma, o mercado brasileiro pode continuar pressionado mesmo diante de uma reação positiva nas cotações internacionais.

Clima pode influenciar os preços do leite até 2027

As condições meteorológicas também entram nas projeções para os próximos meses. Em seu boletim de outubro, o Cepea destaca que possíveis efeitos do fenômeno El Niño sobre o clima podem limitar a expansão da produção de leite mais adiante.

Caso as condições climáticas restrinjam o crescimento da oferta, o movimento poderá contribuir para reduzir a pressão sobre os preços. Essa possibilidade, contudo, ainda depende da evolução do clima e de seus efeitos efetivos sobre as regiões produtoras.

No curto prazo, a expectativa continua condicionada à combinação entre captação crescente, importações elevadas e dificuldades de comercialização de alguns derivados.

A demanda doméstica será outro fator decisivo para o equilíbrio do mercado. Uma melhora nas vendas de leite UHT, queijos e leite em pó poderá ajudar a indústria a escoar os estoques e diminuir a pressão nas negociações.

O que os produtores de leite devem acompanhar nos próximos meses?

A evolução dos preços pagos ao produtor será um dos principais indicadores para avaliar o alcance da desvalorização observada em outubro.

Também merecem atenção o ritmo de captação nacional, os volumes importados, o desempenho das vendas de derivados e a trajetória dos custos de alimentação do rebanho.

Se a oferta continuar crescendo acima da capacidade de absorção do mercado, as cotações poderão permanecer pressionadas. Por outro lado, uma recuperação do consumo, mudanças nas condições climáticas ou redução da disponibilidade de leite podem contribuir para melhorar o equilíbrio entre oferta e demanda.

Para os pecuaristas, o desafio será acompanhar esses movimentos e avaliar seus efeitos sobre os custos e as receitas de cada propriedade, especialmente diante da possibilidade de novos ajustes nos preços pagos pela indústria.

O comportamento desses indicadores ao longo dos próximos meses será determinante para definir se o setor seguirá enfrentando perda de sustentação ou encontrará condições para uma recuperação até o início de 2027.

FONTE: Notícias Agrícolas
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Notícias Agrícolas

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Portos

Portos do Nordeste: municípios movimentam US$ 9,6 bilhões no comércio exterior até setembro de 2026

Os municípios vinculados aos complexos portuários de Itaqui (MA), Pecém (CE) e Suape (PE) registraram cerca de US$ 9,6 bilhões em operações de comércio exterior entre janeiro e setembro de 2026. Os dados da plataforma Data Nordeste, da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene), revelam diferenças no desempenho das exportações e importações dos territórios associados aos três polos logísticos.

O levantamento aponta que, apesar do volume expressivo de negócios internacionais, os municípios apresentam resultados distintos na balança comercial, influenciados pela composição dos produtos comercializados e pela origem e destino das mercadorias.

São Luís lidera as exportações entre os municípios analisados

São Luís, no Maranhão, alcançou o maior valor de exportações no período, superando US$ 1,3 bilhão. Na segunda posição ficou São Gonçalo do Amarante, no Ceará, onde está instalado o Complexo Industrial e Portuário do Pecém, com US$ 941,9 milhões em vendas ao mercado internacional.

Já Ipojuca e Cabo de Santo Agostinho, em Pernambuco, municípios ligados ao Complexo Industrial Portuário de Suape, registraram juntos US$ 434,6 milhões em exportações.

O desempenho das vendas externas, entretanto, não se repete quando são consideradas as importações. São Gonçalo do Amarante foi o único dos três polos com superávit comercial, enquanto São Luís e os municípios pernambucanos apresentaram resultados negativos.

Pecém registra saldo comercial positivo

São Gonçalo do Amarante encerrou os nove primeiros meses de 2026 com saldo positivo de aproximadamente US$ 449,1 milhões na balança comercial. As importações municipais somaram US$ 492,8 milhões, enquanto as exportações alcançaram US$ 941,9 milhões.

O resultado diferencia o município dos outros territórios incluídos no levantamento e demonstra uma relação favorável entre as vendas e as compras internacionais no período.

Em São Luís, por outro lado, as importações chegaram a US$ 3,4 bilhões, resultando em um déficit comercial de US$ 2,1 bilhões. Nos municípios de Ipojuca e Cabo de Santo Agostinho, as compras externas totalizaram US$ 3 bilhões, com saldo negativo conjunto de US$ 2,6 bilhões.

Mineração, metalurgia e agronegócio se destacam nas exportações

A pauta de produtos exportados também evidencia diferenças e semelhanças entre os municípios. Em São Luís e São Gonçalo do Amarante, os principais itens comercializados incluem alumínio, soja, minérios, ligas de aço e produtos semimanufaturados.

No Maranhão, Canadá, China e Estados Unidos estão entre os principais destinos das mercadorias. No Ceará, os Estados Unidos e o México figuram entre os compradores de destaque.

A composição das vendas externas aponta a importância das cadeias produtivas de mineração, metalurgia e agropecuária, além da participação de bens industrializados e semimanufaturados no comércio internacional desses territórios.

Suape tem destaque nos segmentos mineral e químico

Nos municípios pernambucanos de Ipojuca e Cabo de Santo Agostinho, os grupos de produtos exportados incluem mercadorias dos setores mineral e de plásticos.

Nas importações, os Estados Unidos e os Países Baixos aparecem entre os principais países de origem dos produtos. Entre os itens adquiridos no exterior, destacam-se mercadorias dos segmentos mineral e químico.

A diferença entre os valores das exportações e importações resultou em um déficit de US$ 2,6 bilhões para o conjunto dos dois municípios entre janeiro e setembro de 2026.

Importações de São Luís superam as vendas ao exterior

Em São Luís, o volume de compras internacionais ultrapassou significativamente o valor das exportações. Os Estados Unidos e a Rússia estão entre os principais fornecedores estrangeiros, enquanto produtos minerais e da indústria química figuram entre os itens mais relevantes da pauta de importações.

Com US$ 3,4 bilhões em importações e exportações superiores a US$ 1,3 bilhão, o município maranhense acumulou saldo comercial negativo de US$ 2,1 bilhões no período analisado.

Os números reforçam a importância de observar não apenas o volume de vendas externas, mas também o comportamento das importações para compreender o desempenho do comércio internacional em cada território.

Data Nordeste reúne informações sobre o comércio exterior

Os dados do levantamento estão disponíveis no Data Nordeste, plataforma da Sudene que reúne indicadores de exportações e importações dos estados e municípios abrangidos pela área de atuação da instituição.

Os painéis permitem consultar valores comercializados, principais produtos, países de destino das exportações, origens das importações e saldos da balança comercial. As informações são provenientes do ComexStat, sistema da Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Secex/MDIC).

A base municipal mais recente utilizada na análise contempla o período de janeiro a setembro de 2026.

Dados municipais não representam necessariamente a movimentação dos portos

A interpretação dos resultados exige uma ressalva metodológica: as estatísticas municipais de comércio exterior são organizadas de acordo com o domicílio fiscal das empresas exportadoras e importadoras.

Na prática, isso significa que o município informado na base de dados não corresponde obrigatoriamente ao local de produção da mercadoria ou ao porto utilizado para o embarque. Uma operação pode ser contabilizada em uma cidade onde está registrada a empresa responsável pela transação, mesmo que a carga tenha sido produzida ou embarcada em outro local.

Essa distinção é especialmente importante para São Luís, São Gonçalo do Amarante, Ipojuca e Cabo de Santo Agostinho, devido à associação desses municípios a importantes complexos portuários nordestinos.

Portanto, os valores apresentados representam as estatísticas municipais de comércio exterior, e não necessariamente o volume físico de cargas movimentadas nos portos de Itaqui, Pecém e Suape.

FONTE: MA Hoje
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/MA Hoje

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Tecnologia

OMC eleva previsão do comércio global em 2026 impulsionado por investimentos em inteligência artificial

A Organização Mundial do Comércio (OMC) revisou para cima sua projeção de crescimento do comércio mundial de mercadorias em 2026. Mesmo diante dos impactos do conflito no Oriente Médio, a entidade avalia que o avanço dos investimentos em inteligência artificial (IA) e a adaptação das cadeias de suprimentos ajudaram a sustentar as trocas comerciais no primeiro semestre do ano.

Em relatório de perspectivas e estatísticas divulgado nesta quinta-feira (8), a organização elevou a estimativa de expansão do comércio de mercadorias de 1,9%, prevista em março, para 3,9% em 2026. Para 2027, a expectativa é de crescimento de 4,1%.

Segundo a OMC, a demanda por equipamentos e componentes ligados à IA compensou parte dos efeitos negativos provocados pelas perturbações nos mercados de energia, fertilizantes e transporte internacional.

Apesar do cenário mais favorável para os bens, a entidade ressalta que os resultados variam entre regiões e setores. O comércio de serviços, especialmente nas áreas de transporte e viagens, enfrenta perspectivas menos positivas devido aos efeitos do conflito.

Investimentos em IA impulsionam o comércio mundial

A expansão da infraestrutura tecnológica tornou-se um dos principais motores do comércio internacional em 2026. Produtos necessários para o desenvolvimento da inteligência artificial, como semicondutores e servidores, registraram forte crescimento da demanda.

De acordo com a OMC, o comércio desses produtos aumentou 67% na comparação anual durante o primeiro semestre, respondendo por 47% da expansão global do comércio de mercadorias no período.

A organização espera que esse movimento continue até 2027. Os gastos mundiais com infraestrutura de IA devem crescer pelo menos 30% em 2026, enquanto as projeções de mercado indicam uma alta de 10% a 20% nos investimentos de capital relacionados à tecnologia no ano seguinte.

Esse avanço reforça a importância dos componentes eletrônicos e dos equipamentos de processamento de dados para o desempenho das exportações globais.

Comércio de mercadorias supera expectativas no primeiro semestre

O volume mundial de mercadorias comercializadas cresceu 3,5% nos primeiros seis meses de 2026, resultado superior ao esperado pela organização.

O desempenho foi favorecido pela capacidade de adaptação das cadeias de suprimentos, que buscaram fornecedores alternativos e redirecionaram cargas diante das dificuldades logísticas provocadas pelo conflito no Oriente Médio.

A OMC informou que as exportações de petróleo bruto da região recuaram cerca de 24% no primeiro semestre, enquanto os embarques de gás natural liquefeito (GNL) diminuíram 47%.

A ampliação das vendas por outros fornecedores ajudou a limitar o impacto sobre o mercado mundial. Com isso, as exportações globais caíram aproximadamente 6% no caso do petróleo bruto e apenas 1% no GNL.

O mercado de fertilizantes também demonstrou capacidade de adaptação. As importações globais de fertilizantes nitrogenados ficaram 2,8% abaixo das médias recentes, enquanto as compras de fertilizantes fosfatados registraram aumento de 2,2%, impulsionadas pela entrada de fornecedores alternativos.

Nos transportes, a utilização de portos e corredores logísticos diferentes ajudou a manter o fluxo de mercadorias. O movimento mundial de contêineres acumulou crescimento de 3,9% até julho.

Conflito no Oriente Médio mantém riscos para o comércio global

Apesar da revisão positiva das projeções, a OMC alerta que os efeitos da guerra continuam pressionando os custos e criando obstáculos para o comércio internacional.

Os principais riscos envolvem a elevação dos preços da energia, as interrupções nas rotas marítimas e aéreas e as dificuldades no abastecimento de produtos estratégicos.

A diretora-geral da organização, Ngozi Okonjo-Iweala, afirmou que os resultados demonstram a capacidade de adaptação do comércio mundial diante de choques externos.

Segundo ela, a integração econômica e um sistema comercial baseado em regras ajudam a manter o fornecimento de produtos essenciais para empresas e consumidores.

A dirigente também destacou que os benefícios dessa adaptação não são distribuídos de maneira uniforme. Para ela, é importante garantir que economias de diferentes portes tenham acesso às oportunidades criadas por tecnologias como a inteligência artificial.

Ásia deve liderar crescimento das exportações em 2026

As projeções regionais da OMC apontam diferenças expressivas no desempenho do comércio internacional. A Ásia deve apresentar o maior crescimento das exportações de mercadorias em 2026, enquanto o Oriente Médio enfrenta a perspectiva de forte retração.

Confira as estimativas de crescimento das exportações por região:

  • Ásia: 9,9%.
  • América do Norte: 5,7%.
  • África: 5,6%.
  • América do Sul: 3,4%.
  • Europa: -0,1%.
  • Comunidade de Estados Independentes (CEI): -3,9%.
  • Oriente Médio: -17,2%.

A projeção negativa para o Oriente Médio reflete os impactos do conflito e as interrupções nos fluxos comerciais. Na Europa, a expectativa é de estabilidade, com pequena retração das exportações.

Importações também devem crescer de forma desigual

No lado das importações, a Ásia, a África e a CEI devem registrar os avanços mais expressivos em 2026.

As estimativas da OMC são de crescimento de 9,5% para a Ásia, 8,9% para a África e 8,8% para a Comunidade de Estados Independentes.

Na América do Norte, a expansão projetada é de 1,4%, enquanto a Europa deve avançar 0,5%. Já o Oriente Médio poderá registrar queda de 15,4% nas importações.

Os números indicam que os efeitos dos conflitos e das mudanças nas cadeias de abastecimento variam conforme a região e sua exposição às rotas comerciais e aos mercados de energia.

Comércio internacional de serviços perde força em 2026

Ao contrário do comércio de mercadorias, o segmento de serviços teve suas perspectivas reduzidas pela OMC. A organização passou a estimar crescimento de 3,3% no comércio mundial de serviços comerciais em 2026, ante os 4,8% previstos em março.

Para 2027, a expectativa é de recuperação, com expansão de 6,4%.

A revisão está relacionada principalmente aos impactos do conflito no Oriente Médio sobre os serviços de transporte e viagens internacionais. O aumento dos custos de energia, as alterações nas rotas aéreas e marítimas e a redução da demanda por deslocamentos devem limitar o desempenho desses segmentos.

Por outro lado, os serviços prestados digitalmente e outras atividades comerciais demonstram maior resistência às perturbações e devem continuar contribuindo para o crescimento do setor.

Projeções indicam resiliência, mas cenário segue incerto

A revisão das estimativas da OMC mostra que o comércio global conseguiu absorver parte dos impactos do conflito no Oriente Médio, apoiado pelo avanço tecnológico e pela reorganização das cadeias de suprimentos.

O crescimento dos investimentos em inteligência artificial deve continuar sustentando a demanda por mercadorias até 2027. Ainda assim, os riscos relacionados à energia, à logística e às diferenças regionais permanecem no radar da organização.

Enquanto o comércio de bens apresenta perspectivas mais favoráveis, os serviços devem enfrentar um ritmo de expansão mais moderado em 2026, antes da recuperação projetada para o ano seguinte.

FONTE: Infomoney
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Infomoney

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Portos

TCP bate recorde histórico e movimenta 152 mil TEUs em setembro

O Terminal de Contêineres de Paranaguá (TCP) alcançou um novo recorde de movimentação em setembro. A empresa operou 152.347 contêineres de 20 pés, medida conhecida como TEU, no período. O resultado é o maior já registrado pelo terminal em um único mês e representa uma alta de 2,5% sobre o recorde anterior, de 148.690 TEUs, registrado em outubro de 2025.

O desempenho também reforçou o crescimento das operações portuárias em Paranaguá ao longo de 2026, impulsionado pelo aumento da demanda e pela capacidade operacional do terminal.

TCP registra dois recordes diários em setembro

Além da marca mensal, o terminal paranaense atingiu dois recordes em operações realizadas em dias específicos.

Em 17 de setembro, a movimentação ferroviária registrou o maior volume diário da história, com 488 transações de contêineres. Quatro dias depois, em 21 de setembro, a movimentação geral chegou a 10.640 TEUs em apenas 24 horas, estabelecendo outro recorde.

Para Rafael Stein Santos, superintendente institucional e jurídico da TCP, os números refletem a combinação entre infraestrutura, tecnologia e desempenho das equipes.

“O resultado de setembro demonstra a capacidade e a eficiência do Terminal para atender ao crescimento da demanda do mercado. Essa conquista reflete a dedicação de cada colaborador, aliada à infraestrutura e à tecnologia de ponta da operação, e representa um passo importante em direção à projeção de movimentação anual da companhia.”

Movimentação de contêineres cresce 4% no ano

De janeiro a setembro, a TCP movimentou 1,279 milhão de TEUs, volume 4% superior ao registrado no mesmo período de 2025, quando foram operados 1,228 milhão de TEUs.

Nas operações terrestres, o fluxo de veículos pelo gate rodoviário aumentou 3%, alcançando 489 mil transações.

O transporte sobre trilhos também apresentou crescimento. A ferrovia que atende o terminal e conecta Paranaguá a cidades como Ortigueira, Cambé e Cascavel registrou 1.010 encostes de trens no período, alta de 3%.

Já o volume de cargas cheias transportadas por ferrovia teve expansão mais expressiva, de 25%. Foram 1,210 milhão de toneladas movimentadas em 2026, contra 964 mil toneladas no ano anterior.

A TCP também mantém a posição de maior concentradora de serviços marítimos semanais regulares do Brasil, com 22 linhas marítimas em sua programação. Até setembro, 760 navios haviam atracado no terminal.

Exportações de cargas cheias chegam a 6,3 milhões de toneladas

Entre janeiro e setembro, as exportações de cargas cheias pelo terminal somaram 6,363 milhões de toneladas, crescimento de 6% na comparação com as 6,023 milhões de toneladas registradas em 2025.

O segmento de carnes e congelados foi o principal destaque. O setor movimentou 2,973 milhões de toneladas, alta de 8% em relação ao ano anterior. O volume corresponde a 47% de todas as cargas exportadas pelo terminal no período.

Segundo Fabio Mattos, gerente comercial da TCP, a estrutura destinada ao armazenamento de produtos refrigerados tem sido aproveitada pelos exportadores.

“Os exportadores estão aproveitando ao máximo a infraestrutura para armazenagem de carnes e congelados do Terminal, que, em 2026, registrou um forte avanço nas exportações de carne de frango e suína, ao passo que a carne bovina se manteve estável para o período.”

TCP amplia capacidade para contêineres refrigerados

A movimentação de contêineres refrigerados cresceu 6% em 2026, chegando a 112.315 unidades até setembro.

O Terminal de Contêineres de Paranaguá possui atualmente o maior pátio do Brasil destinado à armazenagem desse tipo de carga, com capacidade para 5.280 contêineres conectados à rede elétrica.

As obras de expansão já estão em andamento e devem elevar a capacidade para 6 mil tomadas até o fim de 2027.

Além das carnes e produtos congelados, outros segmentos relevantes apresentaram crescimento nas exportações. O setor de madeira e produtos florestais avançou 6%, com 1,064 milhão de toneladas embarcadas.

Na sequência, o segmento de papel e celulose registrou alta de 10%, totalizando 824 mil toneladas exportadas.

Importações avançam 5% até setembro

As importações também apresentaram desempenho positivo. A movimentação de cargas importadas pela TCP cresceu 5% e atingiu 2,440 milhões de toneladas nos nove primeiros meses do ano.

O setor automotivo foi responsável pelo desembarque de 454 mil toneladas, volume 7% superior ao registrado no mesmo intervalo de 2025.

Outro destaque foi o segmento de bens de consumo, que cresceu 17%. A movimentação passou de 144 mil toneladas para 168 mil toneladas no período.

De acordo com Fabio Mattos, a expansão do setor automotivo está relacionada à chegada de veículos elétricos, autopeças e componentes destinados principalmente ao abastecimento da indústria da Região Metropolitana de Curitiba.

No caso dos bens de consumo, o crescimento é associado à estrutura de armazenagem da TCP. O terminal possui um armazém alfandegado com mais de 9 mil metros quadrados, além de serviços voltados às necessidades dos importadores.

FONTE: Portal Portuário
TEXTO: Redação
IMAGEM: TCP

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Economia

Déficit comercial dos EUA sobe 13,7% em agosto e chega a US$ 105,6 bilhões

O déficit comercial dos Estados Unidos avançou acima das expectativas em agosto, pressionado pelo aumento das importações de bens. O resultado reflete a força da demanda interna e indica que o comércio exterior pode voltar a exercer impacto negativo sobre o crescimento da economia americana no terceiro trimestre.

O saldo negativo aumentou 13,7% em agosto, alcançando US$ 105,6 bilhões, segundo dados divulgados pelo Escritório de Análise Econômica do Departamento de Comércio e pelo Census Bureau. Analistas consultados pela Reuters projetavam um déficit de US$ 102 bilhões.

Importações aumentam com demanda doméstica forte

O resultado de agosto já era parcialmente esperado após dados divulgados na semana anterior apontarem crescimento do déficit de bens, também provocado pelo avanço das importações.

A demanda doméstica dos EUA ganhou força no segundo trimestre e cresceu no ritmo mais rápido em mais de três anos e meio. O movimento foi sustentado principalmente pelos gastos dos consumidores e pelos investimentos das empresas em equipamentos, com destaque para aqueles relacionados à inteligência artificial (IA).

Indicadores mais recentes sugerem que esse ritmo de consumo continuou no terceiro trimestre. Em agosto, houve sinais de fortes gastos dos consumidores, além de aumento nas encomendas e nos embarques de bens de capital não relacionados à defesa, excluindo aeronaves.

Importações avançam apesar das tarifas de Trump

Para atender ao mercado interno, as empresas americanas continuam recorrendo às importações, mesmo diante da política tarifária adotada pelo presidente Donald Trump.

As tarifas foram implementadas pelo governo com o objetivo declarado de reduzir o déficit comercial dos Estados Unidos. Ainda assim, as compras externas registraram crescimento em agosto.

As importações totais aumentaram 4,3%, para US$ 420,8 bilhões. Considerando apenas os bens, a alta foi de 5,3%, alcançando US$ 342,2 bilhões.

As exportações também cresceram, mas em ritmo inferior. As vendas externas avançaram 1,4%, para US$ 315,2 bilhões, enquanto as exportações de bens subiram 2,2%, chegando a US$ 205,7 bilhões.

Comércio exterior pode reduzir crescimento do PIB

O desempenho do setor externo continua sendo um obstáculo para a expansão da economia americana. O comércio exterior retirou força do Produto Interno Bruto (PIB) dos EUA durante três trimestres consecutivos.

Para o período de julho a setembro, economistas estimam que o comércio possa reduzir o crescimento do PIB em até 2,5 pontos percentuais.

Apesar desse impacto, as projeções para a economia americana permanecem relativamente positivas. A maior parte das estimativas aponta para um crescimento anualizado superior a 3% no terceiro trimestre.

A expectativa é que a força dos gastos dos consumidores ajude a compensar parte do efeito negativo provocado pelo aumento das importações.

No segundo trimestre, a economia dos Estados Unidos cresceu a uma taxa anualizada de 2,2%.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/CNN

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Comércio Exterior

Balança comercial: governo reduz previsão de superávit do Brasil em 2026 para US$ 84,4 bilhões

O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) revisou para baixo a estimativa para o desempenho da balança comercial brasileira em 2026. A projeção atual aponta para um superávit de US$ 84,4 bilhões, o equivalente a cerca de R$ 420,3 bilhões.

Em julho, a expectativa do governo era de um saldo positivo de US$ 90 bilhões. Mesmo com a redução, o resultado projetado ainda representa uma alta de aproximadamente 24% em relação ao superávit registrado em 2025, de US$ 68,1 bilhões.

Queda do petróleo reduz projeção para o comércio exterior

A revisão está relacionada principalmente ao comportamento dos preços do petróleo. O barril chegou a disparar para US$ 138 em abril, após a entrada dos Estados Unidos em conflito com o Irã, mas perdeu valor posteriormente.

A oscilação da commodity afeta tanto as exportações quanto as importações brasileiras. O país está entre os grandes vendedores de petróleo bruto, mas também depende da compra de derivados no mercado internacional.

Com isso, a estimativa para as exportações brasileiras em 2026 caiu de US$ 394,4 bilhões para US$ 382,5 bilhões. Apesar do corte, o valor projetado ainda representa crescimento de 9,8% sobre o resultado de 2025.

Para as importações, a previsão passou de US$ 304,4 bilhões para US$ 298,1 bilhões, alta de 6,4% em relação ao ano anterior.

Na comparação entre as duas revisões, a expectativa de vendas externas perdeu US$ 11,9 bilhões, enquanto a previsão para as compras externas foi reduzida em US$ 6,3 bilhões. A diferença explica a redução da estimativa para o saldo comercial.

Governo já revisou previsão duas vezes em 2026

Esta é a segunda alteração feita pelo Mdic na estimativa para o ano. A projeção inicial apontava para um superávit de US$ 72,1 bilhões, número que subiu para US$ 90 bilhões em julho.

Para alcançar o novo resultado de US$ 84,4 bilhões, o Brasil precisará registrar um saldo positivo próximo de US$ 22 bilhões entre outubro e dezembro, segundo cálculos baseados nos dados divulgados pelo ministério.

O montante é praticamente igual ao registrado no último trimestre de 2025, quando o superávit comercial chegou a US$ 21,8 bilhões.

Superávit de setembro cresce 146,4%

O desempenho mais recente da balança comercial também contribuiu para o cenário positivo. Em setembro, o Brasil registrou superávit de US$ 7,74 bilhões, avanço de 146,4% sobre os US$ 3,14 bilhões contabilizados no mesmo mês de 2025.

Foi o melhor resultado mensal desde junho, quando o saldo positivo alcançou US$ 9 bilhões.

As exportações brasileiras somaram US$ 34,42 bilhões em setembro, crescimento de 12,9% na comparação anual. Já as importações recuaram 2,4%, para US$ 26,68 bilhões.

Com isso, a corrente de comércio — resultado da soma das exportações e importações — alcançou US$ 61,1 bilhões, alta de 5,6%.

Petróleo impulsiona exportações

O avanço das vendas externas em setembro ocorreu principalmente devido à valorização dos produtos exportados. Em média, os preços aumentaram 9,9%, enquanto o volume embarcado cresceu 2,3%.

O mês teve 21 dias úteis, um a menos que setembro de 2025. Considerando a média diária, as exportações apresentaram crescimento de 18,3%.

O petróleo bruto foi um dos principais responsáveis pelo desempenho das vendas externas.

Europa amplia compras de produtos brasileiros

Entre os principais destinos das exportações, a Europa registrou o maior crescimento. As vendas brasileiras para o continente avançaram 51,9% em setembro, chegando a US$ 8,3 bilhões.

As exportações de petróleo bruto para a região tiveram alta ainda mais expressiva, de 143,8%.

Para os Estados Unidos, as vendas cresceram 31,9% no mês, alcançando US$ 3,5 bilhões. Apesar do avanço registrado em setembro, o acumulado do ano ainda apresenta queda de 6,5% nas exportações brasileiras para o mercado americano.

Já as vendas para a China recuaram 7,6% em setembro, para US$ 7,9 bilhões. Na Argentina, a retração foi de 25,2%.

FONTE: O Globo
TEXTO: Redação
IMAGEM: Dado Galdieri/Bloomberg

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Comércio Exterior

Balança comercial brasileira tem superávit de US$ 7,7 bilhões em setembro

A balança comercial brasileira encerrou setembro com superávit de US$ 7,7 bilhões, resultado de US$ 34,4 bilhões em exportações e US$ 26,7 bilhões em importações. O saldo representa uma alta de 146,4% em relação ao mesmo mês de 2025, quando o resultado positivo foi de US$ 3,1 bilhões. Os dados foram divulgados pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) nesta terça-feira (6).

No acumulado de janeiro a setembro de 2026, o Brasil registra superávit comercial de US$ 62,3 bilhões. Na comparação com agosto, o saldo de setembro apresentou crescimento de aproximadamente 5,5%.

O desempenho das exportações foi positivo nos três principais setores da economia. A agropecuária registrou crescimento de US$ 320 milhões, equivalente a 4,8%. Na indústria de transformação, o avanço foi de US$ 890 milhões, ou 5,3%.

Já a indústria extrativa apresentou o maior crescimento, com aumento de US$ 2,69 bilhões, uma alta de 39,8% na comparação com setembro do ano anterior.

Na agropecuária, entre os produtos que contribuíram para o resultado estão a soja, cujas exportações cresceram 11,9%, e o café não torrado, com avanço de 8,7%.

Na indústria de transformação, os destaques foram os óleos combustíveis de petróleo, que tiveram alta de 39,1%, e os farelos de soja e outros alimentos destinados à alimentação animal, com crescimento de 47,7%.

Considerando os nove primeiros meses de 2026, todos os grandes setores apresentaram aumento no valor exportado em relação ao mesmo período do ano passado. A agropecuária cresceu 8,9%, a indústria extrativa avançou 21,2% e a indústria de transformação teve alta de 6,3%.

Do lado das importações, os resultados foram diferentes entre os segmentos da economia. A indústria de transformação registrou queda de 3,2%, enquanto as compras externas da agropecuária cresceram 9,3% e as da indústria extrativa aumentaram 7,4%.

Apesar dos avanços registrados em dois setores, o resultado geral das importações foi influenciado principalmente pela forte redução nas compras de determinados produtos.

Entre os principais recuos estão as aquisições de plataformas, embarcações e estruturas flutuantes, que caíram 98%, e de motores e máquinas não elétricos, com redução de 79,1%.

No acumulado de janeiro a setembro, as importações da agropecuária recuaram 10,1%, enquanto as compras da indústria extrativa diminuíram 3,9%. Em sentido contrário, a indústria de transformação apresentou crescimento de 5,8%.

Com o resultado de setembro, a balança comercial do Brasil mantém trajetória positiva em 2026. O desempenho é sustentado pelo crescimento das exportações em diferentes setores, especialmente pela expansão da indústria extrativa e pelo avanço de produtos relevantes da pauta exportadora brasileira.

Fonte: Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), com informações da CNN Brasil.

Texto: Redação

Imagem: Porto de Itajaí

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Comércio Internacional

EUA proíbem importação de álcool, laticínios e motociclos do Canadá

Os Estados Unidos passaram a bloquear, nesta terça-feira, a entrada de determinados produtos provenientes do Canadá, incluindo bebidas alcoólicas, produtos lácteos, melaço e alguns tipos de motociclos. A decisão representa uma nova etapa na disputa comercial entre EUA e Canadá.

A medida foi anunciada em 8 de setembro pelo presidente norte-americano, Donald Trump, e começou a valer à 0h01 em Washington (5h01 em Lisboa). Com a mudança, tarifas de 50% aplicadas desde agosto a parte dessas mercadorias foram substituídas por uma proibição total de importação.

Quais produtos canadenses estão proibidos

Os três decretos presidenciais abrangem diferentes categorias de produtos fabricados no Canadá. Entre eles estão cerveja, vinho, whisky, vodka e rum, além de determinados derivados de leite, principalmente soro de leite e concentrados de proteínas.

A lista também inclui melaço, cerveja sem álcool e determinados motociclos fabricados no Canadá.

No setor de veículos, a restrição atinge motociclos e ciclomotores equipados com motores de combustão com cilindrada superior a 800 centímetros cúbicos.

Fabricante canadense está entre os afetados

Uma das empresas atingidas é a canadense BRP, que fabrica no Quebec os veículos de três rodas Can-Am Spyder e Canyon destinados ao mercado norte-americano.

A decisão de Washington ocorre em meio ao aumento das medidas comerciais adotadas pelos dois países. Segundo o governo norte-americano, as novas restrições são uma resposta a práticas consideradas discriminatórias por parte do Canadá e às medidas de retaliação implementadas por Ottawa após as tarifas impostas pelos Estados Unidos.

EUA justificam novas restrições comerciais

O representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, afirmou que as proibições estão relacionadas ao tratamento dado pelo Canadá às exportações norte-americanas de bebidas alcoólicas, produtos lácteos e veículos.

Embora analistas avaliem que os efeitos sobre a economia canadense como um todo tendem a ser limitados, empresas que dependem diretamente das exportações para o mercado norte-americano podem enfrentar impactos mais relevantes.

Exportações de bebidas alcoólicas são as mais expressivas

No ano passado, o Canadá vendeu aproximadamente 1,2 bilhão de dólares canadenses, equivalentes a cerca de 770 milhões de euros, em bebidas alcoólicas para os Estados Unidos.

Já as exportações dos produtos lácteos incluídos na proibição e dos motociclos representaram valores consideravelmente menores.

FONTE: SIC Notícias
TEXTO: Redação
IMAGEM: Callaghan O’Hare / Reuters

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Comércio Exterior

Balança comercial registra superávit de US$ 2,399 bilhões na quarta semana de setembro

A balança comercial brasileira registrou superávit de US$ 2,399 bilhões na quarta semana de setembro. O resultado foi obtido a partir de exportações de US$ 8,809 bilhões e importações de US$ 6,41 bilhões, segundo dados divulgados na segunda-feira (28) pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex), do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).

Com o desempenho da quarta semana, setembro acumula até agora um saldo positivo de US$ 6,452 bilhões. No período, as exportações somaram US$ 30,488 bilhões, enquanto as importações chegaram a US$ 24,036 bilhões.

Exportações crescem 22,2% em setembro

Na comparação com o mesmo período de setembro de 2025, as exportações brasileiras apresentaram alta de 22,2% até a quarta semana deste mês.

O resultado positivo foi influenciado pelo avanço das vendas externas nos três principais segmentos analisados pela Secex.

A Indústria Extrativa teve o maior crescimento percentual, com alta de 52,2%, alcançando US$ 8,41 bilhões em exportações. A Indústria de Transformação registrou aumento de 13,8%, para US$ 15,62 bilhões.

Já a Agropecuária apresentou crescimento de 12,8%, com exportações de US$ 6,17 bilhões no período.

Importações também avançam

As importações brasileiras cresceram 7,4% na comparação com o mesmo intervalo de 2025.

Entre os setores, a Agropecuária registrou alta de 15,7%, totalizando US$ 45 milhões em compras externas. A Indústria Extrativa teve crescimento de 16,5%, alcançando US$ 1,07 bilhão.

A Indústria de Transformação, por sua vez, apresentou aumento de 6,8% nas importações, que chegaram a US$ 22,37 bilhões.

Saldo comercial permanece positivo

O desempenho das exportações e importações mantém a balança comercial do Brasil no campo positivo em setembro. O superávit acumulado até a quarta semana representa a diferença entre os US$ 30,488 bilhões exportados e os US$ 24,036 bilhões importados pelo país.

Os números divulgados pela Secex consideram o desempenho comercial brasileiro até a quarta semana de setembro.

Outros dados de Comércio Exterior podem ser consultados no COMEXSTAT.

Acesse AQUI o release semanal.

FONTE: MDIC
TEXTO: Redação
IMAGEM: Magnific

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Comércio Exterior

Acordo Mercosul-EFTA entra em vigor e amplia oportunidades para exportadores brasileiros

O Acordo de Livre Comércio entre o Mercosul e a Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA) começa a ser aplicado pelo Brasil a partir de outubro. A medida foi oficializada após a publicação, no Diário Oficial da União (DOU), do decreto que internaliza o acordo no país.

A aplicação das preferências comerciais terá início em 1º de outubro para Brasil e Islândia. Já a relação entre Brasil e Noruega passa a contar com as condições previstas no acordo em 1º de novembro. Para Suíça e Liechtenstein, a aplicação das tarifas preferenciais ainda depende da conclusão dos procedimentos internos de cada país.

Formada por Suíça, Noruega, Islândia e Liechtenstein, a EFTA reúne um mercado de aproximadamente 15 milhões de consumidores e um Produto Interno Bruto (PIB) estimado em US$ 1,4 trilhão.

O que muda com o Acordo Mercosul-EFTA

Assinado em setembro de 2025, o acordo faz parte da estratégia brasileira de ampliar e diversificar seus parceiros comerciais.

Entre as principais mudanças estão novas condições de acesso para produtos brasileiros aos mercados da EFTA, com redução ou eliminação de tarifas, cotas e outros mecanismos de tratamento preferencial.

Para produtos industriais e pesqueiros, os países da EFTA preveem a eliminação imediata das tarifas de importação com a entrada em vigor do acordo. Já os produtos agropecuários terão diferentes modalidades de abertura, de acordo com o produto e o mercado.

O tratado também estabelece regras em áreas como:

  • regras de origem;
  • facilitação de comércio;
  • comércio de serviços;
  • investimentos;
  • compras governamentais;
  • propriedade intelectual;
  • desenvolvimento sustentável.

A implementação do acordo ocorre de forma bilateral, conforme cada país conclui seus respectivos processos de internalização.

MDIC cria painel para identificar oportunidades

Para facilitar o acesso das empresas às novas condições comerciais, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) disponibilizou um Painel de Dados do Acordo Mercosul-EFTA.

A ferramenta reúne informações sobre o comércio brasileiro com os quatro integrantes da EFTA e permite consultar os impactos previstos com a implementação do acordo.

Os dados podem ser analisados de forma geral ou segmentados por produto, país e unidade da Federação, incluindo informações sobre tarifas atuais e as condições previstas no acordo.

O recurso também permite identificar a distribuição regional das exportações e importações brasileiras e pode auxiliar empresas na busca por novos mercados.

Suíça e Noruega concentram comércio com o Brasil

A Suíça e a Noruega são atualmente os principais parceiros comerciais brasileiros dentro da EFTA. Juntos, os dois países representam 94% das exportações brasileiras destinadas ao bloco e 99% das importações brasileiras provenientes da EFTA.

Entre os estados brasileiros, Pará e Minas Gerais aparecem com destaque nas exportações, enquanto São Paulo lidera as importações.

O painel disponibilizado pelo MDIC cruza os dados de comércio exterior com as informações tarifárias do novo acordo, permitindo identificar produtos que poderão ter melhores condições de acesso aos mercados europeus.

O setor agropecuário está entre os segmentos que podem encontrar novas oportunidades com a redução das barreiras comerciais.

Atualmente, determinados produtos brasileiros enfrentam tarifas elevadas nos mercados da EFTA. Com o acordo, alguns deles terão redução ou eliminação de tarifas, além de possibilidade de acesso por meio de cotas ou regimes agrícolas específicos.

Um dos exemplos apresentados pelo MDIC é o café torrado. Atualmente, o produto está sujeito a tarifas de 10% na Islândia e de 7% na Suíça e em Liechtenstein. Com o acordo, estão previstas reduções tarifárias imediatas para grande parte dos códigos NCM relacionados ao produto.

Outro ponto previsto no acordo envolve a proteção de 63 indicações geográficas brasileiras na Suíça e em Liechtenstein.

A lista contempla produtos de diferentes regiões e setores, incluindo cafés, vinhos, queijos, cachaça, artesanato, pedras, calçados e produtos têxteis.

A proteção das indicações geográficas amplia a segurança para produtos brasileiros que utilizam denominações reconhecidas e vinculadas à sua origem.

MDIC disponibiliza materiais para empresas

Além do painel de dados, o MDIC disponibilizou materiais de apoio para auxiliar empresas e profissionais de comércio exterior na compreensão das novas regras.

Entre os conteúdos estão manuais sobre desgravação tarifária, regras de origem e indicações geográficas.

Os documentos têm como objetivo facilitar a preparação de exportadores e importadores para utilizar as preferências comerciais previstas no acordo.

O Acordo Mercosul-EFTA foi negociado ao longo de 14 rodadas e assinado em 16 de setembro de 2025. Sua implementação ocorre gradualmente, de acordo com a conclusão dos procedimentos internos de cada país participante.

O Painel de Dados do Acordo Mercosul-EFTA permite consultar tarifas, fluxos comerciais e oportunidades por produto e mercado. O MDIC também disponibiliza manuais específicos sobre as regras do tratado e uma página com informações gerais sobre o acordo.

Fonte: Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC)

Texto: Redação

Imagem: Ilustrativa

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