Transporte

Transporte hidroviário: o que faz um rio ser uma boa rota para cargas

Um rio pode oferecer condições naturais para a navegação, mas isso não significa que esteja automaticamente preparado para funcionar como uma rota regular de transporte de cargas. Para transformar um curso d’água em uma hidrovia, é necessário analisar uma série de características e garantir que as embarcações possam operar com segurança e previsibilidade.

Entre os principais aspectos avaliados estão a profundidade e largura do canal, velocidade da correnteza, características do leito, presença de pedras e outros obstáculos, além das variações provocadas pelos períodos de cheia e estiagem.

Rio e hidrovia não são a mesma coisa

Enquanto o rio é um curso natural de água, a hidrovia corresponde ao trecho que apresenta condições adequadas e, quando necessário, recebe intervenções e infraestrutura para permitir a navegação regular de embarcações.

Essa diferença é importante principalmente para o transporte de grandes volumes de mercadorias. No Brasil, as vias interiores movimentaram 145 milhões de toneladas de cargas em 2025, reforçando a importância do modal hidroviário para a logística nacional.

As condições de navegação, porém, podem variar durante o ano. Em períodos de seca, a redução do nível da água pode limitar o tamanho ou a capacidade das embarcações. Já a movimentação natural do rio pode provocar o acúmulo de lama, areia e outros materiais no fundo, diminuindo a profundidade do canal.

Dragagem ajuda a manter a profundidade

Para garantir a navegabilidade, diferentes intervenções podem ser necessárias. Uma das mais importantes é a dragagem, processo utilizado para retirar sedimentos acumulados no fundo do rio e manter a profundidade necessária para a passagem das embarcações.

Em determinados pontos, também pode ser realizado o derrocamento, que consiste na remoção de pedras e formações rochosas que representam obstáculos à navegação.

Essas ações permitem que o canal permaneça dentro dos parâmetros necessários para a operação de diferentes tipos de embarcações e cargas.

Sinalização orienta a navegação

Outro elemento essencial para uma hidrovia é o sistema de sinalização. Boias, balizas, faróis e faroletes ajudam a indicar o caminho e alertar sobre áreas que exigem maior atenção.

O balizamento estabelece os limites do canal navegável e auxilia os comandantes durante a operação, especialmente em curvas, passagens estreitas e regiões com obstáculos.

Além da via navegável, a infraestrutura logística também é fundamental. Terminais e instalações portuárias permitem o embarque e desembarque de mercadorias, além da transferência das cargas para caminhões, trens ou outros meios de transporte.

Tecnologia aumenta a segurança e a eficiência

O uso de tecnologia também contribui para o funcionamento das hidrovias. O monitoramento das condições de navegação permite acompanhar alterações no nível dos rios, identificar pontos críticos e antecipar a necessidade de intervenções.

Com informações atualizadas sobre a via navegável, operadores e autoridades conseguem planejar melhor as rotas, adequar as operações às condições do rio e reduzir riscos e imprevistos.

Assim, para que um rio se torne uma rota eficiente para o transporte de cargas, não basta ter água em quantidade suficiente. Navegabilidade depende da combinação entre condições naturais, manutenção, sinalização, infraestrutura e monitoramento constante.

Fonte: Ministério de Portos e Aeroportos.

Texto: Redação

Imagem: Divulgação/Alesp

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Transporte

ANTAQ e ABANI firmam acordo de cooperação para fortalecer a navegação interior

A Agência Nacional de Transportes Aquaviários (ANTAQ) e a Associação Brasileira para o Desenvolvimento da Navegação Interior (ABANI) formalizaram, na quarta-feira (9), um Protocolo de Intenções voltado à cooperação institucional em assuntos relacionados à navegação interior brasileira.

A assinatura ocorreu na sede da ANTAQ, em Brasília (DF), e estabelece uma estrutura de colaboração entre as entidades para ampliar o intercâmbio de informações e conhecimentos técnicos sobre o setor.

Acordo prevê troca de dados e estudos sobre navegação

O documento estabelece mecanismos para o compartilhamento de informações, dados, estudos e conhecimentos técnicos de interesse comum.

Entre as iniciativas previstas estão a realização de reuniões técnicas. Nesses encontros, a ANTAQ poderá fornecer dados e informações públicas relacionados à navegação interior, enquanto a ABANI deverá contribuir com estudos, análises e avaliações técnicas sobre o segmento.

A proposta é facilitar a circulação de conhecimento entre as instituições e contribuir para o desenvolvimento de discussões relacionadas ao transporte aquaviário no país.

Parceria mantém autonomia das instituições

O Protocolo de Intenções também prevê regras destinadas a assegurar a independência e a imparcialidade institucional das duas entidades.

O acordo não envolve repasse de recursos financeiros nem transferência ou doação de bens entre as partes. A vigência inicial será de um ano, a partir da data de assinatura, com possibilidade de prorrogação por meio de termo aditivo.

Cooperação foi construída ao longo dos anos

A formalização do acordo é resultado de uma série de reuniões realizadas entre a ANTAQ e a ABANI ao longo dos últimos anos. Os encontros trataram de diferentes questões relacionadas à navegação interior no Brasil e abriram espaço para a discussão de uma agenda conjunta.

A partir desse diálogo, as instituições avaliaram a possibilidade de organizar uma agenda de trabalho com prioridades e temas de interesse comum, sempre respeitando as atribuições e competências de cada uma.

Intercâmbio considera diferentes regiões do Brasil

A cooperação deverá levar em conta as particularidades da navegação fluvial nas diferentes regiões brasileiras. O objetivo é estruturar o intercâmbio de informações e conhecimento técnico sem interferir nas competências legais da ANTAQ.

A iniciativa busca, assim, criar um canal institucional permanente para a troca de dados e análises que possam contribuir para o debate e o aprimoramento do setor de navegação interior brasileira.

FONTE: ANTAQ
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/ANTAQ

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Transporte

PNL 2050: veja os principais caminhos prioritários para a navegação brasileira

O Plano Nacional de Logística 2050 (PNL 2050) estabelece diretrizes para o desenvolvimento da infraestrutura de transportes do Brasil nas próximas décadas. No setor aquaviário, o planejamento considera não apenas as hidrovias, mas toda a estrutura necessária para conectar áreas produtoras, terminais, portos, ferrovias e rodovias aos destinos das cargas e dos passageiros.

Entre os caminhos classificados diretamente como eixos aquaviários prioritários, estão as hidrovias do Tocantins, Paraguai e Parnaíba, além da rota de cabotagem entre a Região Sul e Manaus.

A lista, porém, não representa todas as vias navegáveis consideradas estratégicas pelo planejamento. Os rios Amazonas, Madeira e Tapajós, por exemplo, aparecem em corredores intermodais, que combinam a navegação com outros modais de transporte.

Hidrovias também fazem parte dos corredores intermodais

O Rio Tapajós e o Rio Amazonas estão inseridos em corredores que conectam ferrovias e rodovias ao transporte hidroviário no Arco Norte. Já o Rio Madeira integra o eixo de Integração Amazônica.

Com isso, a navegação brasileira está presente tanto nos quatro eixos classificados especificamente como aquaviários quanto em parte dos sete corredores intermodais considerados no planejamento.

A definição dessas rotas como prioritárias indica que elas terão papel relevante nas próximas fases do planejamento nacional. Estudos de viabilidade, custos, benefícios e impactos deverão orientar a seleção dos projetos e definir possíveis investimentos, prazos e modelos de execução.

Além dos corredores priorizados, outros 11 eixos permanecem registrados em um banco de alternativas que poderá ser utilizado em estudos futuros.

Hidrovia do Tocantins terá conexão entre Goiás e Pará

A Hidrovia do Tocantins está planejada em dois principais trechos. O primeiro vai de Uruaçu, em Goiás, até Marabá, no Pará. O segundo liga Marabá a Belém e inclui a região do Pedral do Lourenço.

A estrutura necessária para o transporte, no entanto, vai além do leito navegável. A movimentação eficiente de cargas depende de pontos para embarque, desembarque e integração com outros modais.

Por isso, o PNL 2050 prevê o aumento da capacidade do Complexo Portuário de Belém/Vila do Conde e aponta a implantação de terminais em Aguiarnópolis, Miracema do Tocantins e Peixe, no Tocantins; Imperatriz, no Maranhão; e Marabá, no Pará.

Hidrovia do Paraguai concentra investimentos no Tramo Sul

Na Hidrovia do Paraguai, as ações previstas no planejamento estão concentradas no Tramo Sul, em Mato Grosso do Sul, região que já possui transporte comercial de cargas.

Entre as medidas apontadas estão melhorias na infraestrutura de navegação e o aumento da capacidade dos complexos portuários de Corumbá e Porto Murtinho.

A intenção é melhorar as condições de transporte e ampliar a integração entre a hidrovia e os terminais existentes na região.

A classificação como eixo prioritário, contudo, não significa que as obras estejam automaticamente autorizadas ou que os investimentos já estejam garantidos. As propostas ainda dependem do aprofundamento dos estudos previstos no planejamento.

Hidrovia do Parnaíba terá administração do Piauí

No Piauí, o planejamento prevê a consolidação da Hidrovia do Parnaíba e a implantação de terminais em Guadalupe, Teresina e Luís Correia.

A infraestrutura foi delegada pela União ao Governo do Piauí, que passou a administrar a hidrovia e a conduzir a estruturação das intervenções previstas.

A proposta busca aproximar as regiões produtoras do interior do estado do litoral, além de integrar o transporte hidroviário aos terminais e aos demais modais.

Os futuros terminais poderão atender diferentes tipos de cargas, incluindo produtos agrícolas e minerais, combustíveis, contêineres e carga geral.

Antes da definição dos projetos, ainda serão necessários estudos técnicos, ambientais e de viabilidade, que deverão indicar quais intervenções serão realizadas, os investimentos necessários e os respectivos cronogramas.

Cabotagem conecta a Região Sul a Manaus

O quarto eixo diretamente classificado como aquaviário é a rota de cabotagem entre a Região Sul e Manaus.

A cabotagem consiste no transporte de cargas entre portos de um mesmo país, principalmente pela costa. Dependendo da rota, o percurso também pode incluir trechos fluviais.

Nesse caso, não se trata de uma única hidrovia. O corredor atravessa diferentes regiões brasileiras e utiliza uma rede de portos e terminais ao longo do trajeto.

A operação combina o deslocamento marítimo entre o Sul e o Norte com o trecho fluvial necessário para alcançar Manaus. Durante o percurso, as cargas podem passar por diferentes instalações portuárias.

A presença dessa ligação entre as prioridades do PNL 2050 reforça a importância da cabotagem para integrar diferentes regiões brasileiras e movimentar cargas em longas distâncias.

Próximos passos do planejamento logístico

Os quatro corredores — Tocantins, Paraguai, Parnaíba e a rota de cabotagem Sul-Manaus — formam a categoria de eixos aquaviários do cenário-meta considerado pelo estudo.

Isso não retira a importância de outros corredores de navegação. Rios como Amazonas, Madeira e Tapajós continuam incluídos nas prioridades nacionais por meio dos eixos intermodais.

A próxima etapa envolve a realização de análises sobre viabilidade, custos, benefícios e impactos. A partir desses estudos, será possível definir quais projetos têm condições de avançar, os valores necessários, as alternativas de financiamento e os prazos para eventual execução.

Assim, o PNL 2050 funciona como uma referência de longo prazo para orientar a expansão e a integração da infraestrutura logística brasileira, incluindo o papel estratégico do transporte aquaviário na movimentação de cargas pelo país.

FONTE: Ministério de Portos e Aeroportos
TEXTO: Redação
IMAGEM: Divulgação

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Aeroportos, Portos

Nova política de biometria reforça segurança em portos, aeroportos e hidrovias

O Ministério de Portos e Aeroportos (MPor) instituiu na segunda-feira (31) a Política Nacional Setorial de Identificação Biométrica, iniciativa que pretende modernizar os mecanismos de controle de acesso e ampliar a segurança nos transportes brasileiros.

A nova política estabelece diretrizes para o uso de tecnologias como reconhecimento facial e identificação digital em aeroportos, portos, instalações portuárias e hidrovias. A proposta é padronizar procedimentos e tornar mais eficiente a identificação de passageiros, tripulantes, trabalhadores e demais usuários dos sistemas de transporte.

Biometria deve agilizar embarques e acessos

Com a adoção da identificação biométrica, procedimentos que atualmente dependem de conferências manuais poderão ser realizados de forma automatizada e muito mais rápida.

A expectativa do governo é reduzir o tempo gasto em processos de embarque, acesso e fiscalização, além de aumentar a precisão das verificações. Em determinadas operações, procedimentos que podem levar horas poderão ser concluídos em poucos segundos.

Para o ministro de Portos e Aeroportos, Tomé Franca, a iniciativa coloca o cidadão no centro da modernização dos serviços.

Segundo o ministro, a biometria deve elevar os níveis de segurança, diminuir a burocracia e melhorar a experiência dos usuários. Ele também destacou o potencial da medida para aproximar o Brasil de padrões internacionais, reduzir custos de fiscalização, aperfeiçoar o controle de fronteiras e fortalecer a imagem do país como destino para negócios, turismo e grandes eventos.

Sistemas serão integrados a bases públicas

A política prevê a substituição progressiva da identificação manual por sistemas automatizados, capazes de realizar consultas e verificações a partir da integração com bases públicas.

Entre as instituições que poderão fornecer informações estão a Polícia Federal, Receita Federal, Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e a Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran).

O tratamento dos dados deverá seguir as determinações da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). A política também prevê acompanhamento contínuo por parte do encarregado de proteção de dados e observância das orientações da Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD).

Governo não ficará restrito a uma tecnologia

Outro ponto estabelecido pela política é a chamada neutralidade tecnológica. Na prática, o governo não determinará a utilização de uma tecnologia ou fornecedor específico.

Em vez disso, serão definidos requisitos relacionados a desempenho, segurança e interoperabilidade. Diferentes soluções poderão ser utilizadas desde que atendam aos critérios estabelecidos pelos órgãos responsáveis pela regulamentação.

A política também prevê medidas de acessibilidade e inclusão. Usuários que não tenham condições de utilizar sistemas biométricos deverão contar com alternativas de identificação, garantindo atendimento adequado e sem discriminação.

Implantação será feita por etapas

A implementação da nova política ocorrerá gradualmente. Uma primeira prova de conceito (POC) já foi realizada no Porto de Santos, com testes voltados à integração dos sistemas e ao desempenho das tecnologias em um ambiente de intensa movimentação.

A próxima etapa está sendo conduzida pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) em parceria com o Aeroporto Internacional de Viracopos, em Campinas.

Para acompanhar a implantação, o MPor criará o Comitê Técnico Interinstitucional de Identificação Biométrica. O grupo reunirá representantes do ministério, da Anac, da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), da Polícia Federal e de entidades do setor produtivo.

Entre as atribuições do comitê estarão o acompanhamento da execução da política, a proposição de melhorias e a elaboração de um plano específico para cada modal. O documento deverá ser publicado em até 90 dias após a publicação da portaria e incluirá o cronograma das ações.

Como funcionará a identificação biométrica

Nos portos e aeroportos, os equipamentos de reconhecimento facial serão conectados aos sistemas das empresas responsáveis pela operação. A partir dessa integração, será possível verificar em tempo real se uma pessoa possui autorização para acessar determinada área ou utilizar um serviço.

O mecanismo poderá ser empregado na identificação de passageiros, tripulantes, trabalhadores, prestadores de serviços e profissionais credenciados, sempre de acordo com as regras específicas de cada modalidade de transporte.

A política também pode servir de base para uma expansão do uso da biometria em outras atividades. Entre as possibilidades estão o acesso a benefícios sociais, serviços de saúde, operações financeiras e entrada em grandes eventos.

Nova estrutura reforça segurança cibernética

Durante o lançamento da política, o ministro Tomé Franca também assinou uma portaria que cria a Equipe de Prevenção, Tratamento e Resposta a Incidentes Cibernéticos do MPor (ETIR-MPOR).

A equipe terá atuação permanente e trabalhará em conjunto com o Ministério dos Transportes e os órgãos centrais de segurança cibernética do Governo Federal.

A função da estrutura será coordenar ações de proteção digital, identificar e reduzir vulnerabilidades e atuar na resposta a incidentes tecnológicos. A medida busca garantir maior continuidade e segurança dos serviços públicos essenciais administrados pelas duas pastas.

FONTE: Ministério de Portos e Aeroportos
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/MPor

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Infraestrutura

Concessão de infraestrutura: entenda como funciona e o que muda para o país

A concessão de infraestrutura é uma modalidade de parceria entre o poder público e a iniciativa privada utilizada para ampliar investimentos, melhorar a operação e aumentar a eficiência de serviços e estruturas públicas. Pelo modelo, uma empresa assume, por determinado período, a responsabilidade pela operação, manutenção e realização de investimentos previstos em contrato.

Apesar da transferência da operação, a infraestrutura continua pertencendo ao poder público. Ao término da concessão, o ativo e as melhorias incorporadas durante a vigência do contrato permanecem públicos.

O modelo é utilizado em diferentes segmentos do setor de transportes e, no âmbito do Ministério de Portos e Aeroportos (MPor), está presente em projetos relacionados a aeroportos, portos e hidrovias.

Concessão não é venda de patrimônio público

Uma das principais dúvidas em relação às concessões é se o governo está vendendo estruturas como portos, aeroportos ou hidrovias. Não é isso que acontece.

Na concessão, a propriedade do ativo permanece pública. O que é transferido temporariamente é a responsabilidade pela operação, manutenção e realização dos investimentos estabelecidos no contrato.

A empresa concessionária precisa cumprir uma série de obrigações, que podem envolver obras, metas de desempenho, padrões de qualidade e investimentos. O poder público, por sua vez, permanece responsável pelo planejamento, regulamentação e fiscalização.

Como uma concessão é estruturada?

Antes de uma infraestrutura ser levada à concessão, são realizados estudos técnicos, econômicos e ambientais. A análise busca verificar a viabilidade do projeto e identificar as necessidades de investimentos e de operação.

Com base nesses estudos, são estabelecidas as condições do contrato, incluindo as responsabilidades da concessionária, os investimentos obrigatórios, os indicadores de desempenho e as metas que deverão ser cumpridas durante o período da concessão.

Depois da assinatura do contrato, a empresa vencedora assume a operação da infraestrutura e passa a responder pelas obrigações estabelecidas.

O que muda nos aeroportos, portos e hidrovias?

As responsabilidades da concessionária variam de acordo com o tipo de infraestrutura.

Nos aeroportos, a empresa pode assumir a administração dos terminais, manutenção de pistas e equipamentos, execução de obras e cumprimento de indicadores relacionados à qualidade e ao desempenho dos serviços.

Nos portos, a concessão pode envolver a operação da infraestrutura, expansão da capacidade de movimentação de cargas e modernização de equipamentos e instalações.

Nas hidrovias, entre as obrigações previstas podem estar serviços de dragagem, manutenção da via navegável, sinalização náutica e acompanhamento das condições de navegação.

A dragagem consiste na retirada de areia, lama e outros materiais acumulados no fundo de rios ou canais, permitindo melhores condições para a navegação.

Quais são os benefícios esperados para o país?

Um dos principais objetivos das concessões é ampliar a capacidade da infraestrutura brasileira e direcionar recursos privados para investimentos em ativos que continuam públicos.

Nos aeroportos, os investimentos podem resultar na ampliação de terminais e pátios, além da modernização de sistemas e estruturas de apoio. A expectativa é reduzir gargalos, acompanhar o crescimento da demanda e melhorar a experiência dos passageiros, com ganhos em conforto, segurança e conectividade.

No setor portuário, a expansão da capacidade de movimentação e a modernização das instalações podem aumentar a eficiência das operações, melhorar a segurança e contribuir para a redução de custos logísticos. Esses fatores também podem fortalecer a competitividade brasileira no comércio internacional.

Já nas hidrovias, investimentos em dragagem, manutenção, sinalização e monitoramento podem proporcionar maior regularidade e segurança à navegação, reduzir interrupções e tornar o transporte hidroviário mais eficiente.

Estado continua responsável pela fiscalização

A concessão não representa a saída do Estado da infraestrutura. O poder público continua exercendo funções de planejamento, regulação e fiscalização. O contrato determina as atividades que devem ser realizadas pela concessionária, os investimentos obrigatórios e os resultados que precisam ser alcançados. Cabe ao Estado acompanhar o cumprimento dessas exigências e fiscalizar a qualidade do serviço oferecido à população.

Dessa forma, o modelo busca combinar a capacidade de investimento e operação da iniciativa privada com a atuação do poder público na definição das regras e no controle da prestação do serviço.

Concessões fazem parte da história da infraestrutura brasileira

A participação privada na infraestrutura de transportes do Brasil não é recente. No setor portuário, o Porto de Santos foi pioneiro. Ainda no século 19, o governo brasileiro abriu uma concorrência para a exploração do porto por 90 anos. O contrato foi assinado em 1890 e, dois anos depois, foram inaugurados os primeiros 260 metros de cais.

Na aviação, o programa federal de concessões aeroportuárias teve início em 2011, com o leilão do Aeroporto Internacional de São Gonçalo do Amarante, no Rio Grande do Norte. Desde então, diferentes rodadas foram realizadas e os contratos e regras passaram por aprimoramentos com base na experiência acumulada.

O setor hidroviário, por sua vez, está diante de um novo momento. O Brasil se prepara para sua primeira concessão de uma hidrovia, com o projeto da Hidrovia do Rio Paraguai.

A proposta prevê uma concessão de 15 anos, com possibilidade de prorrogação, e inclui serviços como dragagem, sinalização e monitoramento da via navegável.

Na prática, a concessão estabelece uma divisão de responsabilidades: a iniciativa privada assume a operação e parte dos investimentos, enquanto o Estado continua proprietário do ativo, define regras e fiscaliza o cumprimento do contrato.

A expectativa é que esse modelo contribua para ampliar a capacidade, a eficiência e a qualidade da infraestrutura brasileira, mantendo os ativos como patrimônio público

Fonte: Ministério de Portos e Aeroportos (MPor).

Texto: Redação

Imagem: Vosmar Rosa/MPor

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Informação

MPor lança Política Nacional de Identificação Biométrica para aeroportos, portos e hidrovias

O Ministério de Portos e Aeroportos (MPor) lança nesta segunda-feira (31) a Política Nacional Setorial de Identificação Biométrica, que estabelece diretrizes para o uso de tecnologias de identificação em aeroportos, portos, instalações portuárias e hidrovias.

A iniciativa busca ampliar a segurança no transporte de passageiros, agilizar procedimentos de embarque e melhorar a experiência de quem utiliza esses sistemas, tanto em viagens nacionais quanto internacionais.

Política prevê identificação biométrica integrada

Entre as principais diretrizes estão a padronização dos processos de identificação e autenticação biométrica, além da integração dos sistemas de informação utilizados pelos diferentes setores.

A proposta também prevê a adoção de tecnologias capazes de tornar a jornada dos passageiros mais simples, reduzindo etapas e a necessidade de contato físico durante os procedimentos de viagem.

Com a integração das soluções, a expectativa é aumentar a eficiência operacional dos terminais e, ao mesmo tempo, oferecer uma experiência mais rápida e fluida aos usuários.

Medida também alcança terminais de passageiros

Nos segmentos portuário e hidroviário, a política será direcionada aos terminais que realizam movimentação de passageiros.

A regulamentação também abre a possibilidade de criação de critérios específicos de identificação para diferentes públicos que precisam acessar áreas controladas. Entre eles estão trabalhadores, prestadores de serviços, autoridades públicas e visitantes.

O objetivo é permitir que o controle de acesso seja realizado de maneira segura e padronizada, de acordo com as características de cada instalação.

Comitê vai coordenar implementação da política

A implementação e o acompanhamento da nova política ficarão sob responsabilidade do Comitê Técnico Interinstitucional de Identificação Biométrica.

O grupo reúne representantes do MPor, da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) e de entidades que representam os setores aéreo, portuário e aquaviário.

A atuação conjunta deverá orientar a aplicação das diretrizes e acompanhar a evolução das soluções de tecnologia biométrica nos diferentes modais de transporte.

FONTE: Ministério de Portos e Aeroportos
TEXTO: Redação
IMAGEM: MPor

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Internacional

Missão à China e Singapura amplia interesse asiático em projetos de infraestrutura do Brasil

A missão internacional do ministro de Portos e Aeroportos, Tomé Franca, terminou nesta sexta-feira (28), em Singapura, com avaliação positiva sobre o interesse de empresas e investidores asiáticos na infraestrutura brasileira.

Iniciada na China, a agenda passou por Pequim e Xangai antes de chegar a Singapura. Durante a viagem, o ministro apresentou a carteira de projetos do Ministério de Portos e Aeroportos (MPor) e discutiu possibilidades de investimentos nos setores portuário, aeroportuário e hidroviário, incluindo empreendimentos previstos para 2026 e 2027.

Ambiente brasileiro atrai investidores asiáticos

Na avaliação de Tomé Franca, o interesse demonstrado pelas empresas está relacionado à segurança institucional e regulatória oferecida pelo Brasil, além da qualidade dos projetos apresentados pelo governo.

Segundo o ministro, a estruturação de empreendimentos capazes de atender às necessidades de infraestrutura do País é um dos fatores que contribuem para tornar o mercado brasileiro mais atrativo aos investidores internacionais.

Franca também destacou que a expansão dos investimentos precisa estar apoiada em um planejamento de longo prazo. Nesse contexto, o Plano Nacional de Logística (PNL) 2050 estabelece diretrizes para o desenvolvimento da infraestrutura de transportes nas próximas décadas.

A proposta é utilizar o planejamento para orientar projetos e promover maior integração entre os diferentes modais de transporte, aumentando a eficiência da logística nacional.

Empresas chinesas avaliam projetos brasileiros

Durante a passagem pela China, representantes do governo brasileiro participaram de reuniões com grandes empresas e instituições financeiras asiáticas.

Entre os grupos que estiveram na agenda estão a CSCEC, CCCC, China Merchants Port Holdings, COFCO, Hutchison Ports, Shanghai Dredging Company e COSCO Shipping. O ministro também se reuniu com representantes do Novo Banco de Desenvolvimento (NDB), instituição financeira ligada ao Brics.

A carteira apresentada pelo MPor reúne projetos de concessões portuárias e hidroviárias, além de iniciativas destinadas à expansão da infraestrutura aeroportuária.

No setor hidroviário, estão previstos seis projetos envolvendo as hidrovias dos rios Madeira, Tapajós, Tocantins e Paraguai, além da Hidrovia Verde e do sistema Lagoa Mirim.

A lista também contempla concessões dos canais de acesso aos portos de Rio Grande, Santos e Itajaí.

PSA International mantém presença no Brasil

Em Singapura, Tomé Franca se reuniu com executivos da PSA International, uma das maiores operadoras portuárias e empresas de logística do mundo.

A companhia movimentou mais de 105 milhões de TEUs em 2025 e possui operações no Brasil por meio da Exologística Brasil, em Itajaí, Santa Catarina.

O encontro serviu para ampliar o diálogo com uma empresa que já atua no País e discutir novas possibilidades relacionadas ao desenvolvimento da logística portuária.

Porto de Tuas mostra operação portuária automatizada

Ainda em Singapura, o ministro visitou o Porto de Tuas, administrado pela PSA International. Durante a visita técnica, conheceu uma operação portuária com alto nível de automação.

O projeto tem conclusão prevista para 2040 e deverá alcançar capacidade de movimentação de até 65 milhões de TEUs por ano.

A estrutura incorpora tecnologias de automação, digitalização e sustentabilidade. O terminal também está sendo preparado para receber os maiores navios porta-contêineres do mundo e enfrentar impactos relacionados à elevação do nível do mar.

Entre as soluções previstas está o reaproveitamento de materiais provenientes de atividades de dragagem e escavação.

Brasil e Singapura firmam acordo para corredor verde e digital

A agenda em Singapura também resultou na assinatura de um Memorando de Entendimento entre o MPor, a Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) e o Ministério dos Transportes de Singapura.

O acordo estabelece uma estrutura de cooperação para a criação de um Corredor Verde e Digital de Navegação entre os dois países.

A iniciativa prevê ações voltadas à descarbonização e digitalização do transporte marítimo, incluindo estudos sobre combustíveis com baixa ou nenhuma emissão de gases de efeito estufa.

Também estão previstas atividades de pesquisa e desenvolvimento, avaliação de instrumentos financeiros e intercâmbio de informações entre as instituições envolvidas.

Governo avalia missão como positiva

No balanço da viagem, Tomé Franca afirmou que a missão permitiu estreitar o relacionamento com empresas asiáticas que já possuem negócios no Brasil e, ao mesmo tempo, apresentar a novos investidores as oportunidades disponíveis na carteira do MPor.

A avaliação do ministro é de que a agenda abriu espaço para novas parcerias e reforçou o potencial brasileiro para atrair capital estrangeiro destinado à modernização da infraestrutura de transportes.

Para o governo, a aproximação com investidores asiáticos pode contribuir para ampliar a capacidade logística do Brasil e acelerar projetos considerados estratégicos para os próximos anos.

FONTE: Ministério de Portos e Aeroportos
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/MPor

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Transporte

Integração logística conecta produção brasileira aos mercados nacional e internacional

Da propriedade rural às áreas industriais e, posteriormente, aos terminais portuários, diferentes modais de transporte atuam de forma integrada para movimentar cargas e conectar o Brasil ao mercado externo.

Antes de chegar ao destino final, uma mercadoria brasileira pode percorrer milhares de quilômetros e utilizar diferentes meios de transporte. Soja, minério, carnes, máquinas e produtos industrializados dependem de uma cadeia logística capaz de conectar áreas produtoras, centros de distribuição e mercados consumidores.

O transporte rodoviário costuma assumir os primeiros ou últimos trechos da operação. Pela flexibilidade, os caminhões conseguem acessar propriedades rurais, indústrias e armazéns, fazendo a ligação com terminais ferroviários, hidroviários e portuários.

A partir desses pontos, a carga pode ser transferida para ferrovias ou hidrovias, conforme as características da operação e da região.

O modal ferroviário se destaca principalmente no deslocamento de grandes volumes por longas distâncias. Para produtos como grãos e minérios, as ferrovias podem estabelecer conexões estratégicas entre regiões produtoras e portos, contribuindo para reduzir a dependência do transporte rodoviário em determinados trajetos.

O transporte hidroviário também tem papel relevante na logística brasileira. O país possui aproximadamente 42 mil quilômetros de rede hidroviária, sendo cerca de 20 mil quilômetros considerados navegáveis.

Em regiões com infraestrutura adequada, as hidrovias permitem movimentar grandes volumes de cargas por longas distâncias e funcionam como uma alternativa importante para conectar áreas do interior a outros pontos da cadeia logística.

Portos concentram diferentes etapas da cadeia

Os portos são pontos estratégicos dessa integração. É nesses complexos que cargas provenientes de rodovias, ferrovias e hidrovias podem ser recebidas, armazenadas, movimentadas e posteriormente embarcadas em navios.

A partir dos terminais portuários, as mercadorias seguem por rotas marítimas para diferentes destinos internacionais. Ao mesmo tempo, os portos também recebem produtos importados que abastecem a indústria, o comércio e os consumidores brasileiros.

Por isso, o desempenho de um porto não depende apenas de sua estrutura interna. A qualidade das conexões terrestres e hidroviárias que levam as cargas até os terminais também influencia diretamente a eficiência logística.

Integração reduz gargalos e melhora os fluxos

Em uma cadeia logística extensa, problemas em um único trecho podem comprometer toda a operação. Já a integração entre os diferentes modais permite encontrar alternativas mais eficientes para o deslocamento das cargas.

A conexão entre rodovias, ferrovias, hidrovias e portos ganha ainda mais importância diante das dimensões continentais do Brasil. Uma rede de transporte mais integrada pode melhorar a organização dos fluxos, ampliar a capacidade de movimentação e fortalecer a competitividade da produção nacional nos mercados interno e internacional.

Fonte: Ministério de Portos e Aeroportos – Assessoria Especial de Comunicação Social.

Texto: Redação

Imagem: Divulgação / Divulgação/Instituto Brasil Logística

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Logística

Sudeste Export debate infraestrutura de transportes e desafios para a logística brasileira

Os caminhos para modernizar a infraestrutura de transportes e aumentar a eficiência da logística brasileira estão entre os principais temas do Sudeste Export, realizado em Vitória (ES) até esta sexta-feira (14). O evento reúne representantes do poder público, empresários e especialistas para discutir projetos, investimentos e alternativas capazes de melhorar a movimentação de cargas e passageiros no país.

Durante o fórum, o ministro de Portos e Aeroportos, Tomé Franca, destacou a necessidade de avançar em projetos estratégicos e defendeu uma condução transparente para novas iniciativas, especialmente no transporte hidroviário.

Novos projetos exigem diálogo

Na avaliação do ministro, a expansão da infraestrutura precisa considerar os diferentes grupos envolvidos nos projetos. Para ele, processos de concessão devem ser acompanhados por transparência, comunicação clara e diálogo com setores que possam ser impactados pelas obras.

Franca citou a importância de estabelecer conversas com ambientalistas, povos indígenas e comunidades afetadas, ao mesmo tempo em que projetos considerados fundamentais para a eficiência logística precisam avançar.

A combinação entre participação social e planejamento, segundo o ministro, pode criar condições para ampliar a infraestrutura sem deixar de lado as questões ambientais e sociais.

Acesso aos portos é um dos principais gargalos

Outro ponto destacado durante o Sudeste Export foi a necessidade de melhorar o acesso aos portos brasileiros.

Para Tomé Franca, a conexão entre diferentes meios de transporte é essencial para reduzir gargalos, melhorar o deslocamento de cargas e elevar a produtividade da cadeia logística.

“Um dos maiores gargalos do setor portuário sempre foi o acesso aos portos”, afirmou o ministro.

Nesse contexto, ele citou o Plano Nacional de Logística 2050, que estabelece atenção especial aos modais hidroviário e ferroviário.

A proposta é ampliar a participação desses meios de transporte e fortalecer a intermodalidade, conectando ferrovias, hidrovias, rodovias e portos de maneira mais eficiente.

Hidrovias e ferrovias ganham destaque

A ampliação do uso de ferrovias e hidrovias é apontada como estratégica para transformar a logística brasileira. O objetivo é criar uma rede de transporte mais conectada e capaz de atender às diferentes necessidades de movimentação de cargas.

Segundo Franca, o país precisa avançar em conectividade e integração entre os modais para alcançar um novo nível de eficiência logística.

Essa estratégia também está relacionada à busca por maior competitividade e à redução de gargalos que encarecem o transporte de mercadorias.

Fórum discute modernização da infraestrutura

Promovido pelo Brasil Export, o Sudeste Export integra o Fórum Nacional de Logística, Infraestrutura e Transportes. O encontro reúne diferentes setores para discutir desafios e oportunidades relacionados ao desenvolvimento da infraestrutura brasileira.

A programação aborda temas como a expansão e modernização de rodovias, ferrovias, portos, aeroportos e hidrovias, além dos sistemas responsáveis pela integração desses modais.

Outro foco dos debates é a necessidade de ampliar os investimentos em infraestrutura e estimular soluções inovadoras para o setor.

Desenvolvimento sustentável também está na pauta

Além da eficiência econômica, as discussões consideram a importância de conciliar novos investimentos com o desenvolvimento sustentável.

A avaliação é que uma infraestrutura de transportes mais moderna e integrada pode contribuir para aumentar a competitividade do Brasil, melhorar a circulação de pessoas e mercadorias e gerar impactos positivos sobre a qualidade de vida da população.

Nesse cenário, o desafio passa por combinar planejamento de longo prazo, investimentos, inovação e integração entre os diferentes meios de transporte.

FONTE: Ministério de Portos e Aeroportos
TEXTO: Redação
IMAGEM: Daniel Fehr/MPor

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Logística

Sistema Aquaviário Nacional: entenda como funcionam hidrovias, portos e navegação no Brasil

Com uma extensa costa e uma das maiores redes hidrográficas do planeta, o Brasil conta com uma ampla estrutura de transporte aquaviário para movimentar cargas e passageiros. Rios, mares, lagos e canais conectam diferentes regiões e ajudam a integrar o modal aquaviário a rodovias e ferrovias.

Esse conjunto de vias, instalações, equipamentos e operações forma o Sistema Aquaviário Nacional. Seu funcionamento envolve diferentes órgãos públicos, cada um com responsabilidades que vão do planejamento e formulação de políticas à execução de obras, regulação, fiscalização e segurança da navegação.

No Ministério de Portos e Aeroportos (MPor), as principais atribuições são divididas entre a Secretaria Nacional de Hidrovias e Navegação (SNHN) e a Secretaria Nacional de Portos (SNP). Também participam dessa estrutura o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), a Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) e a Marinha do Brasil.

Hidrovias e navegação interior

A Secretaria Nacional de Hidrovias e Navegação atua na elaboração de políticas públicas e no planejamento das vias navegáveis interiores, da navegação interior e da cabotagem.

Entre os objetivos estão melhorar as condições de navegação, reduzir custos de transporte, estimular a transição energética e ampliar a contribuição das hidrovias para o desenvolvimento regional.

Entre as principais ações estão:

  • Dragagem de hidrovias, inclusive para minimizar os impactos dos períodos de estiagem na Região Norte;
  • elaboração de planos anuais de dragagem;
  • construção e recuperação das Instalações Portuárias Públicas de Pequeno Porte (IP4s);
  • planejamento do transporte aquaviário de passageiros;
  • desenvolvimento e execução do Plano Setorial Hidroviário.

A secretaria também monitora as condições de navegação durante períodos de seca, acompanha o fluxo de recursos destinados às ações do setor e mantém articulação com órgãos federais, a Marinha e forças de segurança estaduais.

Portos organizados e infraestrutura portuária

A Secretaria Nacional de Portos tem como foco as políticas relacionadas aos portos organizados e às instalações portuárias marítimas, fluviais e lacustres.

A atuação inclui a formulação de diretrizes para o setor, o acompanhamento de programas e projetos de infraestrutura portuária, a elaboração de planos gerais de outorgas e a aprovação dos planos de desenvolvimento e zoneamento dos portos.

Outro objetivo é elevar a eficiência e a competitividade das operações portuárias. A secretaria também acompanha metas e indicadores de desempenho e participa da representação brasileira em organismos e convenções internacionais ligados à atividade portuária.

Quem executa as obras nas hidrovias?

As políticas e diretrizes precisam ser transformadas em infraestrutura. Essa função envolve o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit).

O órgão executa obras, serviços de dragagem e manutenção de hidrovias e eclusas. Também realiza intervenções destinadas a integrar o transporte aquaviário com outros modais, principalmente rodovias e ferrovias.

Essa integração é importante para ampliar a eficiência da logística, permitindo que uma mesma cadeia de transporte combine diferentes meios de deslocamento.

Antaq regula e fiscaliza o transporte aquaviário

A Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) é responsável pela regulação e fiscalização dos serviços de transporte aquaviário e da exploração da infraestrutura portuária.

A atuação da agência abrange portos, terminais públicos e instalações privadas. Além da fiscalização, a Antaq produz e divulga informações sobre o mercado, contribuindo para o acompanhamento do desempenho do setor e para o planejamento das atividades.

A regulação busca estabelecer condições para o funcionamento dos serviços e para a exploração da infraestrutura, dentro das regras aplicáveis ao setor aquaviário.

Marinha é responsável pela segurança da navegação

A Marinha do Brasil, por meio da Autoridade Marítima, exerce funções relacionadas à segurança da navegação e à proteção da vida humana nas águas.

Entre suas atribuições estão a sinalização náutica e o estabelecimento e a fiscalização de normas referentes ao tráfego e à segurança das embarcações.

Essa atuação complementa as funções de planejamento, infraestrutura e regulação desempenhadas pelos demais órgãos envolvidos no Sistema Aquaviário Nacional.

Como funciona a integração do sistema

O Sistema Aquaviário Nacional depende da atuação conjunta de diferentes instituições.

De forma resumida:

  • SNHN: formula políticas e planeja ações relacionadas às hidrovias, à navegação interior e à cabotagem;
  • SNP: conduz políticas e diretrizes para portos organizados e instalações portuárias;
  • Dnit: executa obras, dragagens e serviços de manutenção em hidrovias e eclusas;
  • Antaq: regula e fiscaliza os serviços de transporte aquaviário e a exploração da infraestrutura portuária;
  • Marinha do Brasil: atua na segurança da navegação, na sinalização náutica e na salvaguarda da vida humana nas águas.

Essa divisão permite organizar uma rede que vai da manutenção e sinalização de uma hidrovia ao funcionamento de grandes portos e terminais.

Importância para a logística brasileira

O fortalecimento da logística aquaviária pode ampliar o aproveitamento do potencial dos rios e da extensa costa brasileira. O transporte por vias navegáveis é especialmente relevante para a movimentação de grandes volumes de cargas e também para o deslocamento de passageiros em determinadas regiões.

Ao conectar hidrovias, portos, rodovias e ferrovias, o sistema contribui para uma logística mais integrada. O uso ampliado desse modal também pode ajudar a reduzir custos de transporte e melhorar a conexão entre diferentes regiões produtoras e mercados consumidores.

Com uma estrutura que reúne planejamento, infraestrutura, regulação e segurança, o Sistema Aquaviário Nacional desempenha papel estratégico na competitividade da economia brasileira.

FONTE: Ministério de Portos e Aeroportos
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/MPor

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