Negócios

Brasil Soberano 3: BNDES abre pedidos de empréstimos para empresas

Empresas brasileiras afetadas pelo tarifaço dos Estados Unidos ou pelos impactos econômicos da guerra no Oriente Médio já podem solicitar financiamento por meio da terceira fase do Plano Brasil Soberano. O programa prevê R$ 22,6 bilhões em crédito para negócios enquadrados nas regras estabelecidas pelo governo.

O BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) abriu nesta quinta-feira (17) o protocolo para que as empresas interessadas façam a habilitação aos financiamentos.

Além dos negócios diretamente atingidos pelas medidas comerciais norte-americanas e pelo conflito no Oriente Médio, o programa contempla empresas de setores estratégicos, incluindo segmentos como fertilizantes e minerais críticos.

Brasil Soberano 3 reúne recursos do Tesouro e do BNDES

O pacote de crédito é composto por R$ 13,5 bilhões do Tesouro Nacional e outros R$ 9,1 bilhões em recursos do BNDES, instituição vinculada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.

A nova etapa amplia o alcance das medidas de apoio financeiro criadas pelo governo para empresas que enfrentam dificuldades relacionadas ao cenário comercial e geopolítico internacional.

Quem pode ter acesso ao crédito?

A terceira fase do Plano Brasil Soberano estabelece três grupos de empresas que podem ser contemplados, de acordo com portaria do governo:

  • Grupo 1: empresas exportadoras de bens e seus fornecedores prejudicados pelo aumento das tarifas impostas pelos Estados Unidos.
  • Grupo 2: empresas de setores industriais relevantes para o comércio exterior ou considerados estratégicos para a transição para uma economia de baixo carbono.
  • Grupo 3: exportadoras de bens e seus fornecedores que comercializam com países do Golfo Pérsico.

No terceiro grupo estão incluídos negócios que exportam para Arábia Saudita, Bahrein, Catar, Emirados Árabes Unidos, Irã, Iraque, Kuwait e Omã.

Entre os segmentos contemplados no segundo grupo estão as indústrias têxtil, química, farmacêutica e automotiva, além dos setores de minerais críticos e de máquinas e equipamentos.

Programa Brasil Soberano está em sua terceira fase

O Plano Brasil Soberano foi criado em meados de 2025 como uma iniciativa de apoio às empresas brasileiras depois que os Estados Unidos elevaram as tarifas sobre produtos nacionais.

Uma segunda etapa foi lançada em março de 2026 e passou a incluir empresas afetadas pelos efeitos econômicos da guerra no Oriente Médio.

Agora, a terceira fase amplia novamente o público que pode buscar os financiamentos oferecidos pelo programa.

Quais são as condições para conseguir o financiamento?

As empresas enquadradas nos grupos relacionados ao tarifaço norte-americano ou ao conflito no Oriente Médio precisam atender a determinados critérios de elegibilidade.

Entre as exigências está a comprovação de que pelo menos 1% do faturamento da empresa tenha origem em operações comerciais com os países envolvidos nas medidas ou no conflito, conforme o enquadramento.

Os empresários podem consultar previamente se a empresa atende aos requisitos por meio do sistema disponibilizado pelo programa.

Para que o dinheiro pode ser usado?

Os recursos do crédito do Brasil Soberano podem ser destinados a diferentes finalidades empresariais, entre elas:

  • Capital de giro;
  • Compra de máquinas e equipamentos;
  • Projetos de investimento.

As taxas de juros variam entre 4,3% e 17,5% ao ano. O custo do financiamento depende de fatores como o porte da empresa e a finalidade para a qual o dinheiro será utilizado.

As empresas interessadas também podem consultar no BNDES as regras completas e os procedimentos necessários para solicitar a habilitação ao programa.

FONTE: Agência Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: REUTERS/Jorge Silva

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Informação

CNI defende novo modelo de financiamento para ampliar investimentos em infraestrutura no Brasil

O Brasil precisa mais que dobrar os investimentos em infraestrutura para reduzir o déficit histórico do setor e se aproximar dos níveis observados internacionalmente. A conclusão consta do estudo Financiamento dos Investimentos em Infraestrutura no Brasil, elaborado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI).

O levantamento faz um diagnóstico das principais fontes de recursos utilizadas no país e mostra como elas evoluíram nos últimos anos. Diante desse cenário, a entidade defende a criação de um novo regime de financiamento capaz de sustentar investimentos de longo prazo e acelerar a modernização da infraestrutura brasileira.

Brasil precisa elevar investimentos para 4,65% do PIB

Em 2024, o país destinou R$ 266,8 bilhões à infraestrutura, equivalente a 2,27% do Produto Interno Bruto (PIB). Para eliminar o déficit acumulado no setor, o estudo estima que seria necessário elevar esse volume para 4,65% do PIB, ou aproximadamente R$ 550 bilhões por ano.

De acordo com a CNI, esse nível de investimento precisaria ser mantido por pelo menos duas décadas para que o Brasil consiga superar o chamado hiato histórico de infraestrutura.

A maior parcela dos recursos já vem do setor privado. Dos investimentos realizados em 2024, R$ 188,1 bilhões, ou 70,5% do total, tiveram origem em empresas e investidores privados.

Os investimentos públicos, por sua vez, somaram R$ 78,6 bilhões, com destaque para a participação de governos estaduais e municipais.

Diversificação das fontes é considerada essencial

O estudo ressalta que nenhuma fonte de recursos, isoladamente, teria capacidade de atender à necessidade de investimentos do país. Para alcançar o patamar considerado necessário, seria preciso combinar diferentes mecanismos de financiamento, aumentar a participação privada e melhorar as condições econômicas e institucionais para projetos de longo prazo.

O presidente da CNI, Ricardo Alban, considera que um novo modelo de financiamento pode ajudar a ampliar os investimentos e, consequentemente, fortalecer a competitividade da indústria brasileira.

Entre as condições apontadas por Alban estão responsabilidade fiscal, instituições sólidas e segurança jurídica, além de um ambiente regulatório mais previsível.

Segundo o presidente da entidade, a modernização da infraestrutura exige continuidade e planejamento de longo prazo. Na avaliação apresentada, políticas permanentes de Estado seriam necessárias para gerar ganhos duradouros de produtividade e competitividade.

Alban também destacou a importância de reformas institucionais para aumentar a atração de investimentos estrangeiros. Entre as medidas citadas estão o aprimoramento do ambiente regulatório, o fortalecimento da segurança jurídica e a aproximação das práticas brasileiras dos padrões internacionais.

O que prevê o novo regime de financiamento

De acordo com a CNI, o modelo defendido pela entidade deveria se apoiar em diferentes pilares.

Entre eles estão:

  • Estabilidade macroeconômica e fiscal, para diminuir incertezas e reduzir o custo de capital;
  • fortalecimento do mercado de capitais, com maior participação de investidores institucionais e instrumentos de longo prazo;
  • expansão do crédito privado e do project finance;
  • estruturas capazes de distribuir riscos de maneira mais eficiente;
  • aumento da quantidade de projetos bem estruturados e preparados para concessões e parcerias;
  • reforço da segurança jurídica e da previsibilidade regulatória;
  • preservação da autonomia técnica das agências reguladoras.

Para a CNI, esses fatores precisam funcionar de maneira coordenada para permitir a mobilização de recursos na escala necessária.

BNDES e bancos públicos continuam relevantes

O estudo também destaca o papel do BNDES e de outras instituições públicas de desenvolvimento. A proposta não é retirar esses agentes do financiamento da infraestrutura, mas adaptar sua atuação a um modelo que permita ampliar a participação de recursos privados.

Nesse formato, os bancos públicos poderiam atuar na redução de riscos, na estruturação de projetos e na criação de condições para atrair capital privado de longo prazo.

A preparação de uma carteira maior de projetos também é apontada como necessária para melhorar o planejamento de concessões e parcerias, com participação de instituições como BNDES e Caixa.

Participação privada cresce no financiamento

O levantamento da CNI analisou dados de 2010 a 2024 e reuniu informações sobre diferentes fontes de financiamento da infraestrutura brasileira.

Entre elas estão o Orçamento Geral da União (OGU), o FI-FGTS, BNDES, bancos públicos e comerciais, instituições multilaterais, recursos próprios das empresas, Fundos de Investimentos em Participações (FIPs) e debêntures.

A análise contempla ainda os setores de transportes, energia, telecomunicações e saneamento básico, permitindo observar a composição dos recursos públicos e privados destinados a cada área.

Os números mostram uma mudança significativa na estrutura de financiamento. Em valores de 2024, a média anual das fontes privadas passou de R$ 88,6 bilhões entre 2010 e 2014 para R$ 184,5 bilhões em 2024.

No mesmo intervalo, os recursos públicos recuaram de R$ 208,5 bilhões para R$ 107 bilhões. Já as instituições multilaterais responderam por R$ 8,4 bilhões em 2024.

Fontes privadas já representam mais de 60%

Para Alex Carvalho, presidente do Conselho Temático de Infraestrutura da CNI (Coinfra/CNI) e da Federação das Indústrias do Estado do Pará (Fiepa), os dados demonstram uma transformação na maneira como a infraestrutura brasileira é financiada.

Segundo ele, a participação das fontes privadas passou de 29,3% no período entre 2010 e 2014 para 61,5% em 2024.

O desafio, de acordo com Carvalho, é ampliar essa capacidade de mobilização e diversificar os instrumentos disponíveis para acompanhar a necessidade de investimentos do país.

Experiências internacionais mostram caminhos

O estudo também avaliou modelos adotados em países como Reino Unido, Chile, Austrália, México, Espanha, Índia e França.

Embora as estruturas de financiamento sejam diferentes entre essas economias, a análise identifica alguns elementos recorrentes nos países com maior capacidade de mobilizar recursos para infraestrutura.

Entre eles estão estabilidade econômica, instituições confiáveis, previsibilidade regulatória, mercado de capitais desenvolvido, instrumentos financeiros de longo prazo e capacidade técnica para estruturar projetos.

A experiência internacional analisada pela CNI também indica que os recursos públicos permanecem importantes. A diferença está na forma de utilização: eles podem ser empregados estrategicamente para reduzir riscos, viabilizar projetos e atrair investidores privados, em vez de simplesmente substituir o capital de mercado.

Para Alex Carvalho, essa lógica pode servir de referência para o Brasil. Na avaliação do presidente do Coinfra, o investimento público continuará necessário, mas deve ampliar sua capacidade de alavancar recursos privados e contribuir para elevar o volume total destinado à infraestrutura.

FONTE: Portal da Indústria
TEXTO: Redação
IMAGEM: Iano Andrade / CNI

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Aeroportos

Debêntures de infraestrutura: como funciona o incentivo que financia projetos em portos e aeroportos

Grandes obras em portos, aeroportos, hidrovias e outras áreas estratégicas da logística exigem investimentos elevados. Para ampliar o acesso ao financiamento desses empreendimentos, empresas responsáveis por projetos considerados prioritários podem recorrer às debêntures de infraestrutura, mecanismo criado para facilitar a captação de recursos no mercado financeiro.

Instituído pela Lei nº 14.801/2024, o instrumento oferece incentivos tributários às empresas emissoras, tornando o financiamento mais acessível e favorecendo a execução de obras voltadas à expansão e modernização da infraestrutura nacional.

Como funcionam as debêntures de infraestrutura

As debêntures de infraestrutura são títulos de dívida emitidos por empresas para levantar recursos junto a investidores. O principal diferencial está nos benefícios fiscais previstos na legislação, que reduzem os custos da operação para os emissores.

Podem solicitar o enquadramento no programa sociedades de propósito específico, concessionárias, permissionárias, autorizatárias e arrendatárias responsáveis pela implantação de projetos prioritários ligados aos setores de portos, hidrovias, aeroportos e instalações de apoio.

Benefícios para empresas e investidores

A legislação permite que as empresas deduzam integralmente as despesas com juros na apuração do lucro líquido. Além disso, é possível excluir 30% desses valores da base de cálculo do Lucro Real e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), reduzindo a carga tributária da operação.

Os incentivos também alcançam quem investe nesses títulos. Pessoas físicas têm acesso a alíquotas reduzidas de Imposto de Renda, que variam entre 22,5% e 15%, conforme o prazo da aplicação. Já investidores institucionais, como fundos de pensão, contam com isenção do tributo sobre os rendimentos, o que amplia o interesse pelo instrumento e fortalece a captação de recursos.

Enquadramento é obrigatório para obter os incentivos

Antes da emissão das debêntures com benefícios fiscais, os projetos precisam ser analisados pelo Ministério de Portos e Aeroportos (MPor). O órgão verifica se o empreendimento atende aos critérios estabelecidos na Lei nº 14.801 e se os investimentos previstos fazem parte dos contratos de concessão ou arrendamento.

Segundo a diretora de Assuntos Econômicos da Secretaria-Executiva do MPor, Helena Venceslau, essa etapa assegura que os incentivos sejam concedidos apenas aos projetos que cumprem todos os requisitos legais e estejam devidamente previstos no planejamento de investimentos.

Como solicitar o benefício

Empresas interessadas em utilizar as debêntures de infraestrutura devem consultar os critérios definidos pelo Ministério de Portos e Aeroportos. No portal oficial do órgão estão disponíveis as orientações, a documentação exigida e o passo a passo para solicitar o enquadramento do projeto.

FONTE: Ministério de Portos e Aeroportos
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/MPor

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Informação

BNDES libera R$ 8 bilhões para fortalecer a aviação civil brasileira

O Ministério de Portos e Aeroportos (MPor) e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) oficializaram, na quinta-feira (30), a liberação de R$ 8 bilhões em crédito para empresas que atuam na aviação civil no Brasil. A assinatura ocorreu no Rio de Janeiro e tem como objetivo reforçar a capacidade operacional das companhias aéreas, ampliar a conectividade e assegurar a continuidade dos serviços prestados aos passageiros.

Os recursos são provenientes do Fundo Nacional de Aviação Civil (FNAC), administrado pelo MPor, e serão destinados às companhias Azul, Abaeté, Gol e Latam, cujos pedidos de financiamento foram aprovados pelo Comitê Gestor do FNAC (CGFNAC).

Linha emergencial busca dar fôlego financeiro às companhias

Durante a cerimônia, o ministro de Portos e Aeroportos, Tomé Franca, destacou a importância do transporte aéreo para a integração nacional e afirmou que a medida contribuirá para fortalecer um setor considerado estratégico para o país.

Segundo ele, o crédito permitirá que as empresas ampliem sua capacidade de operação, garantindo a manutenção das rotas e a oferta de serviços à população.

O presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, ressaltou que a iniciativa chega em um momento de desafios para o setor. De acordo com ele, além dos impactos enfrentados durante a pandemia, as companhias aéreas convivem atualmente com o aumento dos custos do combustível de aviação, influenciado pelo cenário geopolítico internacional.

Mercadante afirmou que o financiamento também tem como objetivo preservar empregos, evitar a redução da malha aérea e assegurar a continuidade das operações em diversas regiões do país.

Condições do financiamento emergencial

A linha de crédito foi criada pela Resolução CMN nº 5.297/2026 e utiliza recursos do FNAC para financiar capital de giro das empresas aéreas.

Entre as principais condições estão:

  • Prazo de pagamento de até 60 meses;
  • Carência de até 12 meses;
  • Taxa de juros de 4% ao ano.

Nova linha oferece R$ 5,56 bilhões para investimentos de longo prazo

Além do crédito emergencial, o Comitê Gestor do FNAC aprovou o acesso à linha estruturante prevista na Resolução CMN nº 5.260/2025, que disponibiliza R$ 5,56 bilhões para projetos de modernização e expansão da aviação civil.

Os recursos poderão financiar iniciativas voltadas ao fortalecimento da infraestrutura e da sustentabilidade do setor.

Recursos poderão financiar SAF, aeronaves e infraestrutura

A nova linha permitirá investimentos em diferentes áreas da cadeia aérea, incluindo:

  • Aquisição de Combustível Sustentável de Aviação (SAF) produzido no Brasil;
  • Serviços de manutenção de aeronaves e motores;
  • Pagamentos antecipados para compra de aeronaves;
  • Aquisição de novos aviões;
  • Investimentos em infraestrutura logística e equipamentos de apoio às operações aeroportuárias.

As taxas de juros variam conforme a finalidade do financiamento. Projetos voltados ao SAF e à infraestrutura logística terão juros de 6,5% ao ano. Para manutenção de aeronaves e motores, a taxa será de 7% ao ano, enquanto operações destinadas à compra de aeronaves contarão com juros de 7,5% ao ano.

Medidas buscam ampliar a competitividade do setor aéreo

Com a soma das linhas emergencial e estruturante, o governo pretende ampliar a capacidade de investimento das empresas, incentivar a modernização da frota, fortalecer a infraestrutura da aviação civil e garantir maior estabilidade operacional para o transporte aéreo brasileiro.

FONTE: Ministério de Portos e Aeroportos
TEXTO: Redação
IMAGEM: Vosmar Rosa/MPor

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Transporte

Inadimplência no transporte rodoviário atinge maior patamar em 15 anos, alerta executivo da Rands

A inadimplência no transporte rodoviário de cargas alcançou o maior nível dos últimos 15 anos e acendeu um sinal de alerta para o setor. Atualmente, o índice de atraso no pagamento de operações de crédito para pessoas jurídicas gira em torno de 4,5%, percentual mais de quatro vezes superior ao registrado em períodos de maior estabilidade, quando ficava próximo de 1%.

A avaliação é de Luis Felipe Szmidtke, diretor executivo da Rands, empresa de soluções financeiras da Randoncorp. Segundo ele, o cenário é resultado da combinação de juros elevados, aumento dos custos operacionais, redução das margens de lucro e falhas na gestão financeira de parte das transportadoras.

Gestão financeira é apontada como fator decisivo

Na visão do executivo, os desafios enfrentados pelas empresas não estão relacionados apenas ao ambiente econômico. Ele destaca que muitos transportadores ainda priorizam o crescimento do faturamento, deixando em segundo plano indicadores considerados essenciais para a sustentabilidade do negócio.

Entre eles estão a geração de caixa, o controle de despesas e a eficiência operacional.

Szmidtke afirma que, nas análises de crédito, a capacidade de uma empresa gerar caixa pesa mais do que o volume de faturamento apresentado, já que esse indicador demonstra a real condição de honrar compromissos financeiros.

Profissionalização das empresas é desafio para acesso ao crédito

Outro ponto destacado pelo executivo é a necessidade de modernizar a gestão das transportadoras.

Segundo ele, muitas empresas expandiram suas operações ao longo dos anos, mas mantiveram processos administrativos semelhantes aos adotados quando possuíam uma estrutura muito menor.

Para Szmidtke, investir apenas na renovação da frota já não é suficiente. A profissionalização da gestão tornou-se um fator indispensável para garantir competitividade e ampliar o acesso ao crédito para transportadoras.

Na avaliação dele, empresas que continuam administrando seus negócios com modelos antigos tendem a enfrentar mais dificuldades para obter financiamentos nos próximos anos.

Instituições financeiras adotam critérios mais rigorosos

O aumento da inadimplência também levou as instituições financeiras a endurecerem os processos de concessão de crédito.

Segundo a Rands, as análises envolvem a avaliação das demonstrações financeiras, da documentação da empresa, dos contratos em vigor, da capacidade de geração de receita e do fluxo de caixa. Em financiamentos de maior valor, também podem ser realizadas visitas técnicas às transportadoras.

A maior seletividade ficou evidente durante o programa Move Brasil, criado pelo governo federal para incentivar a renovação da frota por meio de linhas de financiamento com juros reduzidos.

Mesmo com condições mais favoráveis, um número significativo de pedidos foi recusado por falta de capacidade financeira das empresas para assumir novas dívidas.

Crédito barato não elimina necessidade de planejamento

De acordo com Szmidtke, muitos empresários buscaram recursos apenas porque as taxas eram mais atrativas, sem avaliar se o financiamento fazia sentido para a realidade financeira da empresa.

Para ele, o acesso ao crédito deve estar alinhado à estratégia de crescimento e à estrutura de capital do negócio, evitando o aumento desnecessário do endividamento.

O executivo compara essa decisão ao uso de um medicamento: embora seja importante ter crédito disponível, ele só deve ser utilizado quando houver necessidade e condições adequadas para o pagamento.

Planejamento financeiro é diferencial em períodos de juros altos

Na avaliação da Rands, empresas que mantêm um planejamento financeiro consistente conseguem enfrentar com mais segurança os períodos de juros elevados e de maior restrição ao crédito.

Já transportadoras que não acompanham indicadores como fluxo de caixa, rentabilidade e controle de custos tendem a ampliar seu nível de endividamento e enfrentar mais dificuldades para acessar financiamentos em um mercado cada vez mais seletivo.

FONTE: Transporte Moderno
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Transporte Moderno

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Logística

Fundo da Marinha Mercante pode financiar ferrovias estratégicas para ampliar eficiência portuária

O Ministério de Portos e Aeroportos (MPor) avançou, nesta terça-feira (2), na discussão sobre a utilização do Fundo da Marinha Mercante (FMM) para apoiar projetos ferroviários ligados à operação portuária. A proposta foi debatida em reunião com autoridades do setor, e o ministro Silvio Costa Filho reforçou que a integração entre ferrovias e portos é essencial para elevar a competitividade logística do Brasil.

Durante o encontro, o MPor apresentou as diretrizes de um programa desenvolvido em parceria com o Ministério dos Transportes e representantes do setor produtivo. A iniciativa avalia o potencial do FMM — hoje voltado à navegação e à infraestrutura portuária — para financiar trechos ferroviários que conectem diretamente portos ou corredores logísticos estratégicos. Com cerca de R$ 24 bilhões disponíveis, o fundo tem condições de apoiar obras que reduzam custos logísticos e ampliem a eficiência operacional.

Programa nacional de crédito deve ser anunciado em janeiro
Segundo Silvio Costa Filho, o governo trabalha para lançar, ainda em janeiro, um programa nacional de crédito voltado ao financiamento de ferrovias estratégicas voltadas à operação portuária. “Estamos estruturando um grande programa de fortalecimento do financiamento ferroviário com apoio do Fundo da Marinha Mercante. Quando a ferrovia chega ao porto, ganhamos capacidade, reduzimos custos e fortalecemos todo o setor portuário”, afirmou o ministro.

Conexão entre modais é decisiva para competitividade
O secretário nacional de Ferrovias, Leonardo Ribeiro, destacou que a ligação entre ferrovia e porto é crucial para o sucesso da Política Nacional de Ferrovias e para a nova carteira de leilões. Ele lembrou que o modal ferroviário responde por grande parcela das exportações brasileiras — cerca de 95% do minério de ferro e 40% dos granéis agrícolas enviados aos portos passam pelos trilhos.

A reunião também tratou da criação de um mapa integrado que organize ferrovias existentes, obras em andamento e expansões futuras em relação aos portos, permitindo uma priorização técnica mais precisa dos investimentos. Outro ponto discutido foi o aumento da participação de bancos privados no financiamento, com objetivo de ampliar o crédito disponível e acelerar a execução dos projetos.

Ampliação do FMM exigirá análise técnica e deliberação
O MPor ressaltou que o FMM já financia projetos de infraestrutura portuária e aquaviária, e que qualquer ampliação para incluir obras ferroviárias dependerá de avaliação técnica, aprovação do Conselho Diretor do Fundo da Marinha Mercante e decisão do Governo Federal.

Participaram da agenda representantes da Associação Nacional dos Transportadores Ferroviários (ANTF), da MoveInfra, da Associação Brasileira dos Terminais Portuários (ABTP) e da Associação de Terminais Portuários Privados (ATP), que contribuíram com análises e perspectivas do setor.

FONTE: Ministério de Portos e Aeroportos
TEXTO: Redação
IMAGEM: Márcio Ferreira/MT

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Agronegócio

SC avalia programa para fortalecer cooperativas e agroindústrias

A Assembleia Legislativa de Santa Catarina passou a analisar, no dia 27, o Projeto Coopera Agro SC, proposta enviada pelo governo estadual para ampliar o acesso ao crédito e fortalecer cooperativas e agroindústrias. O programa cria até dez linhas de financiamento que totalizam R$ 1 bilhão, com condições especiais para agricultores integrados a cooperativas e agroindústrias.

Setor vê avanço histórico no acesso ao crédito

Para o Sindicarne, a iniciativa atende demandas antigas ao oferecer mecanismos reais de financiamento.
Segundo o diretor executivo Jorge Luiz de Lima, o programa chega em um momento crucial para estimular investimentos, ampliar a competitividade e dar segurança ao planejamento do setor. Ele destaca que o alto custo do crédito rural sempre foi um entrave ao desenvolvimento e que políticas que reduzam essas barreiras são essenciais para o crescimento sustentável.

Como o financiamento será estruturado

A operação financeira será viabilizada em parceria com o BRDE, por meio da emissão de Letras Financeiras de longo prazo. Do total previsto, R$ 200 milhões virão do Governo do Estado e R$ 800 milhões do setor privado.
Um dos diferenciais apontados pelo setor é a possibilidade de cooperativas e agroindústrias utilizarem créditos acumulados de ICMS para abater até 50% do investimento. Para Lima, essa inovação torna os projetos mais viáveis e coloca Santa Catarina em posição equivalente à de outros estados que já adotam modelos semelhantes.

Impacto econômico e geração de empregos

O Coopera Agro SC prevê taxas de juros próximas de 9% ao ano, prazo de pagamento de dez anos e carência de dois anos. Estimativas do governo indicam potencial de gerar R$ 26 bilhões em impacto econômico e criar 40 mil empregos diretos e indiretos.
Para Lima, esses números reforçam a importância estratégica do agronegócio catarinense e evidenciam a necessidade de políticas que valorizem pequenos e médios produtores, essenciais à estrutura cooperativista do estado.

Próximos passos na Alesc

A proposta será analisada inicialmente pela Comissão de Justiça da Assembleia Legislativa e, em seguida, seguirá para a Comissão de Finanças.

FONTE: FIESC
TEXTO: Redação
IMAGEM: Aurora Coop/Divulgação

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Negócios

BID Invest amplia acesso ao crédito para microempreendedores no Brasil com parceria com a Omni

O BID Invest firmou uma nova parceria com a Omni S.A., instituição especializada em financiamento para veículos e microempresas, com o objetivo de ampliar o acesso ao crédito para microempreendedores no Brasil. A operação inclui a subscrição de R$ 200 milhões (cerca de US$ 40 milhões) em Letras Financeiras emitidas pela empresa, permitindo fortalecer a oferta de empréstimos para a compra de caminhões e motocicletas — essenciais para trabalhadores autônomos, micro e pequenas empresas e populações de baixa renda.

Segundo o BID Invest, a iniciativa contribui para impulsionar pequenos negócios, apoiar profissionais independentes e facilitar a aquisição de veículos utilizados para geração de renda.

Estrutura da operação

A captação totalizou R$ 500 milhões, divididos em duas séries. Investidores institucionais ficaram responsáveis pela Série 1, no valor de R$ 300 milhões, enquanto o BID Invest subscreveu integralmente os R$ 200 milhões da Série 2. Trata-se da primeira operação pública do BID Invest com Letras Financeiras — instrumentos de dívida de longo prazo utilizados por instituições financeiras brasileiras para reforçar suas fontes de recursos.

Por que o microcrédito enfrenta barreiras

No Brasil, microempreendedores ainda encontram dificuldades para acessar financiamento, seja pelo alto custo de transação bancária, seja pelo risco elevado associado aos seus perfis econômicos. A Omni, com seu modelo de agentes descentralizados e avaliação especializada, é vista como uma parceira estratégica para reduzir essas barreiras e ampliar o alcance do microcrédito no país.

Consultoria e fortalecimento das práticas ESG

Além do aporte financeiro, o BID Invest prestará consultoria para apoiar a criação de uma estrutura de títulos sustentáveis, além de desenvolver estudos para equilibrar a oferta de crédito entre diferentes grupos de clientes. O projeto também irá fortalecer as práticas ESG da Omni, preparando a instituição para futuras emissões de títulos temáticos.

A transação reforça o papel do BID Invest como agente catalisador de modelos financeiros mais resilientes, com impacto direto na saúde econômica de microempreendedores e na inclusão de comunidades vulneráveis.

FONTE: BID Invest
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/BID Invest

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Exportação

BNDES aprova R$ 1,7 bilhão para exportação de aviões da Embraer aos Estados Unidos

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) anunciou nesta sexta-feira (17) a aprovação de um financiamento de R$ 1,7 bilhão destinado à exportação de 13 aeronaves da Embraer para a companhia aérea norte-americana SkyWest Airlines. A operação será realizada por meio da linha Exim Pós-Embarque, mecanismo voltado ao incentivo de exportações brasileiras.

Exportação fortalece balança comercial brasileira

De acordo com o BNDES, os aviões — todos do modelo E-175 — serão entregues entre o quarto trimestre de 2025 e o fim de 2026. O pagamento será feito em dólares, o que garantirá a entrada de divisas e contribuirá para o fortalecimento da balança comercial do país.

O banco informou ainda que, apenas em 2025, já desembolsou R$ 3,4 bilhões para apoiar exportações da Embraer, incluindo recursos de operações aprovadas anteriormente.

SkyWest amplia frota e reforça parceria com a Embraer

Atualmente, a SkyWest Airlines é a maior operadora mundial do modelo E-175 e deve alcançar uma frota total de 279 aeronaves até o fim de 2026. O BNDES destacou que a operação reforça a importância de políticas de financiamento à indústria aeronáutica, uma prática comum entre países que disputam espaço em um setor considerado estratégico para o desenvolvimento econômico.

Mercadante destaca papel estratégico do BNDES

O presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, ressaltou que o apoio à Embraer demonstra o papel essencial do banco no fortalecimento da indústria nacional.

“O BNDES tem um papel fundamental na promoção da competitividade da indústria brasileira no mercado global. A Embraer é resultado direto dessa política, que permitiu à empresa conquistar presença relevante em diversos países, especialmente nos Estados Unidos”, afirmou.

Desde 1997, o BNDES já financiou US$ 26,7 bilhões em exportações de mais de 1.350 aeronaves da Embraer, consolidando-se como um dos principais instrumentos de apoio à expansão da fabricante no exterior.

Embraer celebra apoio e expansão internacional

O CEO da Embraer, Francisco Gomes Neto, reforçou a importância da parceria com o banco estatal para o crescimento global da companhia.

“O BNDES tem sido um parceiro fundamental no fortalecimento da Embraer no cenário internacional. Esse apoio é estratégico para ampliar nossa atuação em um mercado tão relevante quanto o dos Estados Unidos. Além disso, beneficia a aviação regional americana, segmento no qual nossas aeronaves têm forte presença e que é essencial para a conectividade do país”, declarou.

FONTE: Brasil 247
TEXTO: Redação
IMAGEM: REUTERS/Benoit Tessier

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