Agronegócio

Fertilizantes: guerra no Oriente Médio e crise no agro reduzem demanda para a safra 2026/27

A combinação entre os impactos da guerra no Oriente Médio e as dificuldades enfrentadas pelo agronegócio brasileiro começa a refletir diretamente no mercado de fertilizantes. A indústria estima uma queda de pelo menos 10% nas entregas de insumos destinadas à safra 2026/27, cenário influenciado pelo aumento dos custos, incertezas logísticas e menor capacidade de investimento dos produtores rurais.

Além da alta nos preços provocada pelo conflito, fatores como o endividamento dos agricultores, o crédito rural mais caro e a redução da rentabilidade das principais culturas têm levado muitos produtores a adiar a compra de adubos.

Compras seguem abaixo do ritmo registrado no ano passado

O atraso nas negociações já é percebido nas principais culturas do país. Para a próxima safra de soja, cujo plantio começa em setembro em algumas regiões, cerca de 80% da demanda por fertilizantes foi negociada até o momento. No mesmo período do ciclo anterior, esse percentual era de 85%.

No caso do milho segunda safra, o ritmo também desacelerou. As compras alcançam aproximadamente 30%, abaixo dos 35% registrados no mesmo período do ano passado.

Apesar do cenário desafiador, representantes do setor observam uma recuperação nas negociações nas últimas semanas, impulsionada pela valorização da soja, que melhorou a relação de troca entre o grão e os fertilizantes. Esse movimento trouxe maior dinamismo ao mercado, embora as incertezas permaneçam.

Mercado deve recuar após ano recorde

Depois de atingir um recorde de 49 milhões de toneladas de fertilizantes entregues em 2025, o setor projeta retração em 2026. As estimativas variam entre uma redução de 5 milhões e 10 milhões de toneladas, com maior impacto sobre os produtos à base de nitrogênio e fósforo.

Parte dessa retração está ligada ao aumento dos custos dos insumos. Segundo executivos da indústria, atualmente o produtor precisa desembolsar o equivalente a duas ou até quatro sacas de soja a mais para adquirir fertilizantes, em comparação com o mesmo período do ano anterior.

Guerra eleva preços das matérias-primas

Desde o início do conflito no Oriente Médio, os preços dos fertilizantes vêm sendo pressionados pelas incertezas envolvendo as principais rotas marítimas da região.

Os produtos fosfatados e nitrogenados sofreram sucessivos reajustes, impulsionados principalmente pela forte valorização do enxofre, matéria-prima essencial para a fabricação de fertilizantes e também utilizada pela indústria de baterias.

Levantamento da consultoria StoneX aponta que o preço da tonelada de enxofre mais do que dobrou ao longo do ano. O MAP (fosfato monoamônico) também registrou alta expressiva, enquanto a ureia acumula semanas consecutivas de valorização.

O aumento no custo do enxofre levou empresas do setor a rever temporariamente parte das operações industriais no Brasil, sem previsão para normalização, já que a retomada depende da estabilização do mercado internacional da matéria-prima.

Indústria enfrenta concorrência por insumos

Além da oferta limitada, fabricantes de fertilizantes enfrentam uma nova disputa pelo enxofre com a indústria global de baterias, segmento que tem ampliado a demanda pelo produto e consegue absorver preços mais elevados.

Essa concorrência aumenta a pressão sobre os custos de produção e amplia os desafios para manter a competitividade do mercado de fertilizantes.

Estoques permanecem menores, mas abastecimento segue controlado

Os estoques de fertilizantes no Brasil estão cerca de 14% abaixo do nível registrado no mesmo período de 2025. Apesar da redução, representantes do setor avaliam que o volume disponível ainda é suficiente para atender entre dois meses e meio e três meses de consumo, patamar considerado adequado diante da expectativa de retração da demanda.

Logística preocupa importadores

Além da escalada dos preços, o conflito internacional também afeta a logística de abastecimento. O ciclo entre a importação das matérias-primas e a entrega dos fertilizantes ao mercado brasileiro pode levar aproximadamente três meses, incluindo embarque, transporte marítimo, desembaraço aduaneiro e distribuição.

Empresas recomendam que os produtores antecipem o planejamento das compras para evitar possíveis atrasos decorrentes de gargalos logísticos e congestionamentos portuários.

Mesmo com parte da matéria-prima vindo de regiões próximas ao conflito, grandes fabricantes afirmam que têm buscado diversificar fornecedores em países como Canadá, Estados Unidos, China, Marrocos, Egito e Catar para reduzir riscos no abastecimento.

Importações atrasadas acendem alerta

A consultoria StoneX também observa atraso nas importações brasileiras de fertilizantes, o que pode exigir aceleração das compras nos próximos meses para recompor os estoques antes do início da safra.

Outro fator de preocupação é a possibilidade de interrupções em importantes corredores marítimos, como a região do Estreito de Bab el-Mandeb, rota estratégica para exportações de países produtores de fertilizantes, incluindo a Arábia Saudita.

FONTE: Globo Rural
TEXTO: Redação
IMAGEM: Pixabay

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Portos

Portos do Paraná registram recorde histórico de movimentação no primeiro semestre de 2026

Os Portos do Paraná alcançaram um marco inédito no primeiro semestre de 2026. Entre janeiro e junho, os terminais de Paranaguá e Antonina movimentaram 34,44 milhões de toneladas de cargas, o maior volume já registrado para o período. O resultado representa um crescimento de 0,6% em comparação com os seis primeiros meses de 2025, de acordo com dados divulgados pela administração portuária.

Soja impulsiona crescimento das exportações

A soja foi o principal destaque entre os produtos exportados e teve papel decisivo no desempenho dos portos paranaenses. No acumulado do semestre, foram embarcadas 9,47 milhões de toneladas do grão, um avanço de 21% em relação às 7,86 milhões de toneladas registradas no mesmo intervalo do ano passado.

Outro segmento que apresentou expansão foi o de cargas conteinerizadas, que totalizou 8,7 milhões de toneladas, alta de 8,9% na comparação anual. No primeiro semestre de 2025, esse volume havia sido de 8 milhões de toneladas.

Exportações avançam e importações recuam

As exportações pelos portos do estado somaram 22,30 milhões de toneladas entre janeiro e junho, crescimento de 4,9% frente às 21,27 milhões de toneladas registradas no mesmo período de 2025.

Já as importações alcançaram 12,1 milhões de toneladas, resultado inferior às 12,9 milhões de toneladas movimentadas no primeiro semestre do ano anterior.

Farelo de soja mantém relevância na pauta exportadora

O farelo de soja permaneceu como o segundo principal granel sólido exportado pelos portos paranaenses. Foram embarcadas 3,39 milhões de toneladas, volume praticamente estável em relação às 3,42 milhões de toneladas registradas no mesmo período de 2025.

Considerando conjuntamente as exportações de soja e farelo de soja, o volume chegou a 12,86 milhões de toneladas, correspondendo a 57,6% de tudo o que foi exportado pelos terminais. Com esse desempenho, o Porto de Paranaguá mantém a segunda colocação nacional nas exportações desses produtos.

Movimentação de veículos dispara no semestre

Outro destaque foi o crescimento da movimentação de veículos, que avançou 66% em relação ao primeiro semestre de 2025. Ao todo, passaram pelos portos 84,8 mil unidades, frente às 51,1 mil registradas no mesmo período do ano anterior.

O resultado já representa aproximadamente 80% de toda a movimentação de veículos registrada ao longo de 2025, indicando um ritmo acelerado de crescimento.

Fertilizantes lideram entre as importações

Entre os produtos importados, os fertilizantes permaneceram na liderança. No primeiro semestre de 2026, os portos paranaenses receberam 4,73 milhões de toneladas do insumo, reforçando sua importância para o abastecimento do agronegócio brasileiro.

FONTE: A Tribuna
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Datamar News

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Agricultura

Brasil e Nigéria ampliam diálogo para fortalecer parceria no mercado de fertilizantes

O Brasil e a Nigéria avançaram nas discussões para ampliar a cooperação no setor de fertilizantes, com foco no fortalecimento do abastecimento da agricultura brasileira. Durante missão oficial ao país africano, o ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, reuniu-se na segunda-feira (13) com representantes da Indorama, um dos maiores grupos globais da indústria de fertilizantes.

Além do fornecimento de fertilizantes nitrogenados, o governo brasileiro demonstrou interesse em ampliar a parceria para a aquisição de fósforo, insumo considerado estratégico para o agronegócio.

Nigéria ganha importância como fornecedora de fertilizantes

A Indorama opera na Nigéria um dos maiores complexos industriais de produção de ureia da África, com capacidade instalada de aproximadamente 2,8 milhões de toneladas por ano.

A empresa desempenha papel relevante no mercado internacional de fertilizantes e já integra a cadeia de fornecimento que atende o Brasil, um dos maiores consumidores mundiais desses insumos.

Durante o encontro, André de Paula ressaltou que a Nigéria ocupa posição estratégica na segurança do abastecimento brasileiro.

Segundo o ministro, o objetivo é consolidar uma relação comercial estável, previsível e capaz de atender às necessidades do agronegócio brasileiro, reduzindo riscos para a produção agrícola.

Memorando de entendimento está em negociação

O governo brasileiro também confirmou que mantém tratativas com as autoridades nigerianas para a assinatura de um memorando de entendimento nas áreas de agricultura e fertilizantes.

A proposta busca criar um ambiente institucional que incentive o comércio bilateral, reduza incertezas para investidores e estimule contratos de longo prazo entre empresas dos dois países.

A expectativa é que o acordo fortaleça a cooperação técnica e comercial no setor agrícola.

Indorama destaca investimentos no agronegócio da Nigéria

Durante a reunião, representantes da Indorama apresentaram os principais projetos desenvolvidos no país africano para impulsionar a produção agropecuária.

Entre as iniciativas estão programas de modernização da agricultura, projetos de melhoramento genético com tecnologia brasileira, ações voltadas à rastreabilidade animal e programas de capacitação destinados aos produtores rurais.

A empresa também manifestou interesse em ampliar a cooperação com instituições e companhias brasileiras para acelerar o desenvolvimento do agronegócio nigeriano e fortalecer a troca de conhecimento entre os dois países.

Cooperação pode ampliar segurança no abastecimento agrícola

O fortalecimento das relações entre Brasil e Nigéria ocorre em um momento de crescente preocupação global com a segurança no fornecimento de fertilizantes, considerados essenciais para a produtividade agrícola.

A ampliação da parceria pode contribuir para diversificar fornecedores, reduzir vulnerabilidades da cadeia de suprimentos e garantir maior estabilidade ao setor agropecuário brasileiro.

FONTE: Globo Rural
TEXTO: Redação
IMAGEM: Indorama/Divulgação

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Agronegócio

Governo prioriza desembarque de fertilizantes nos portos para garantir abastecimento do agronegócio

O governo federal anunciou, na quinta-feira (9), uma série de medidas para dar prioridade ao desembarque de fertilizantes nos portos brasileiros. A iniciativa ocorre em meio aos desafios enfrentados pela cadeia logística internacional, agravados pelo conflito no Oriente Médio, que tem afetado o abastecimento de insumos agrícolas fundamentais para a produção nacional.

Estratégia foi debatida entre ministérios

A decisão foi discutida em reunião entre os ministérios da Agricultura e Pecuária e de Portos e Aeroportos. Durante o encontro, representantes das duas pastas avaliaram alternativas para agilizar a atracação e o descarregamento de embarcações que transportam fertilizantes minerais, com foco na eficiência da logística portuária.

De acordo com o Ministério da Agricultura e Pecuária, a medida contempla produtos como fertilizantes nitrogenados, fertilizantes fosfatados e cloreto de potássio, considerados essenciais para o setor agropecuário.

Brasil depende das importações de fertilizantes

As discussões também levaram em conta a elevada dependência brasileira do mercado externo. Atualmente, cerca de 93% dos fertilizantes importados consumidos no país têm origem no exterior, tornando o abastecimento mais vulnerável a crises internacionais e gargalos logísticos.

Segundo o ministério, a solicitação para priorizar essas cargas já foi encaminhada oficialmente pelo Mapa. A expectativa é que as autoridades portuárias e os portos organizados recebam orientações para dar preferência à atracação de navios que transportam fertilizantes.

Priorização não altera fiscalização

O governo ressaltou que a prioridade no desembarque terá caráter exclusivamente administrativo. Dessa forma, não haverá qualquer flexibilização dos procedimentos de fiscalização sanitária, fitossanitária, aduaneira ou dos controles de qualidade aplicados às cargas.

FONTE: Globo Rural
TEXTO: Redação
IMAGEM: Claudio Neves/Portos do Paraná

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Agricultura

Brasil intensifica negociações para garantir fertilizantes e proteger a safra 2026/2027

O governo federal iniciou uma força-tarefa para assegurar o fornecimento de fertilizantes destinados à safra 2026/2027. Coordenada pela Casa Civil, a iniciativa envolve um comitê de crise e negociações diplomáticas com Rússia, China e Marrocos, principais fornecedores do insumo ao mercado brasileiro.

O objetivo é garantir o abastecimento de matérias-primas utilizadas na produção de fertilizantes fosfatados, mesmo que as aquisições ocorram pelos preços praticados no mercado internacional.

Dependência de importações preocupa o governo

A mobilização ocorre em meio ao cenário de instabilidade no mercado global e à elevada dependência brasileira de fornecedores externos.

Em 2025, o país consumiu 49,1 milhões de toneladas de fertilizantes, das quais 45,5 milhões foram importadas. As compras no exterior movimentaram US$ 14,5 bilhões e responderam por cerca de 92% da demanda nacional. No ano anterior, essa participação chegou a 97%.

Outro fator de preocupação é o ritmo das aquisições para a próxima temporada agrícola. Segundo estimativas da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), apenas entre 40% e 45% dos fertilizantes necessários para a safra 2026/2027 foram negociados até o momento.

Escassez de insumos pressiona a cadeia produtiva

Representantes da indústria alertaram o governo sobre a redução da oferta de fertilizantes fosfatados e de matérias-primas essenciais, como enxofre e ácido sulfúrico.

O Brasil depende quase totalmente da importação de enxofre, e as dificuldades de abastecimento já provocaram redução e até interrupção de atividades em unidades responsáveis pelo processamento desses insumos.

Nas tratativas internacionais, o governo avalia a capacidade de fornecimento dos países parceiros e estuda a assinatura de memorandos de entendimento para garantir suprimento em situações emergenciais.

Rússia, China e Marrocos estão no centro das negociações

Cada um dos principais parceiros comerciais apresenta características distintas para atender à demanda brasileira.

A Rússia segue com capacidade de produção, apesar dos impactos causados pela guerra sobre parte de suas instalações industriais.

O Marrocos também dispõe de potencial para ampliar o fornecimento, mas um projeto para formação de estoque estratégico em território brasileiro ainda depende da emissão de licença ambiental.

Já a China mantém negociações com o Brasil envolvendo questões tarifárias e é apontada por especialistas como a alternativa mais promissora para ampliar o abastecimento no curto prazo.

Segundo Bruno Fonseca, do Rabobank, a expectativa de um El Niño mais intenso tende a elevar a demanda por fertilizantes, enquanto as restrições financeiras enfrentadas pelos produtores podem limitar novas compras.

Produção nacional não acompanha crescimento da demanda

De acordo com a CNA, a vulnerabilidade brasileira decorre da diferença entre o avanço do consumo e a estagnação da produção doméstica.

Entre 2015 e 2025, as entregas de fertilizantes cresceram 63%, enquanto as importações avançaram 130%. No mesmo período, a produção nacional permaneceu praticamente estável, variando entre 7,2 milhões e 9,1 milhões de toneladas.

Em 2025, China, Rússia, Canadá, Marrocos e Egito responderam, juntos, por 69% das importações brasileiras de fertilizantes.

A dependência varia conforme o nutriente:

  • Potássio: 98%;
  • Nitrogênio: 93%;
  • Fósforo: 57%.

Entre eles, o potássio é considerado o principal ponto de vulnerabilidade por reunir elevada dependência externa e grande participação no consumo agrícola.

Crise do enxofre afeta produção brasileira

Mesmo dispondo de reservas de rocha fosfática em Minas Gerais e Goiás e da entrada em operação, em 2024, do Complexo Mineroindustrial de Serra do Salitre, da EuroChem, com capacidade para produzir 1 milhão de toneladas anuais de fertilizantes fosfatados, o setor enfrentou novos obstáculos em 2026.

A Mosaic encerrou definitivamente as operações em Araxá e Patrocínio e suspendeu temporariamente as atividades nas unidades de Tapira e Catalão em razão da crise global no mercado de enxofre, cujo preço acumulou alta superior a 1.100%.

Segundo a CNA, esse aumento foi provocado pelo desequilíbrio entre oferta e demanda, gargalos logísticos, redução da produção em países fornecedores e pela maior procura do insumo pelas indústrias de baterias para veículos elétricos e pelo setor industrial asiático.

Entidade defende medidas para reduzir dependência externa

Para diminuir a vulnerabilidade do país, a CNA propõe um conjunto de ações voltadas ao fortalecimento da produção nacional.

Entre as principais medidas estão a aprovação do projeto de lei Profert, o fortalecimento do Confert com a meta de atender 50% da demanda nacional até 2030, a criação de linhas de financiamento para armazenagem de fertilizantes, o incentivo ao uso de bioinsumos e a ampliação das pesquisas sobre fixação biológica de nitrogênio.

Na avaliação da entidade, ampliar a segurança no abastecimento de fertilizantes é uma estratégia essencial para preservar a competitividade do agronegócio brasileiro e garantir a segurança alimentar nos próximos anos.

FONTE: Valor Econômico
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Datamar News

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Agronegócio

Compra de fertilizantes atrasa e preocupa setor agrícola para a safra 2026/27

A indefinição sobre possíveis medidas do governo para aliviar o endividamento dos produtores rurais tem levado muitos agricultores a adiar a compra de fertilizantes para a safra 2026/27. O movimento já afeta revendas e fabricantes de insumos e amplia as preocupações com o planejamento da próxima temporada agrícola.

Além das incertezas sobre a renegociação de dívidas, fatores como juros elevados, aumento da inadimplência no campo, encarecimento dos insumos e riscos climáticos associados ao El Niño elevam o nível de atenção tanto do mercado quanto do governo federal.

Compras seguem abaixo da média histórica

Levantamento da Agrinvest mostra que, até a primeira quinzena de junho, os produtores de soja haviam adquirido cerca de 68% do volume de fertilizantes previsto para a próxima safra. Mesmo considerando uma redução estimada de aproximadamente 10% na demanda para o ciclo 2026/27, o percentual permanece abaixo da média dos últimos cinco anos, que é de 75% para esse período.

No caso do milho, cuja semeadura ocorre após a soja, o atraso é ainda maior, chegando a 13 pontos percentuais em relação ao ritmo histórico.

Dados do índice de vendas de fertilizantes da Veeries, que acompanha culturas como soja, milho, algodão, cana-de-açúcar, trigo e café, apontam que apenas 50% do volume esperado havia sido comercializado até meados de junho. Nos últimos três anos, a média para essa época era de 60%.

Alta dos preços e renegociação de dívidas travam mercado

Segundo especialistas, a principal razão para o adiamento das compras é a valorização dos fertilizantes no mercado internacional.

Além disso, a expectativa em torno da votação de propostas de renegociação das dívidas rurais no Congresso tem levado muitos produtores a postergar decisões de compra, aguardando um possível alívio financeiro.

Representantes do setor observam que o cenário também é agravado pelos impactos dos conflitos no Irã e na Ucrânia, que elevaram os custos globais dos insumos, além da combinação de juros altos e menor rentabilidade das atividades agrícolas.

Revendas e indústria já sentem os impactos

O atraso nas negociações preocupa fabricantes e distribuidores de insumos, que alertam para o risco de parte dos fertilizantes não chegar às propriedades dentro do calendário ideal de plantio da safra de verão.

A situação já afeta outros segmentos ligados ao agronegócio. A indústria de máquinas agrícolas, por exemplo, registrou queda de 18% nas vendas entre janeiro e abril, enquanto fabricantes projetam encerrar 2026 com faturamento cerca de 8% inferior ao do ano passado.

Empresas do setor afirmam que não há retração estrutural da demanda, mas sim um adiamento das negociações provocado pelas incertezas financeiras enfrentadas pelos produtores.

Safra pode ser menor em meio a restrições de crédito

Com menor utilização de fertilizantes, dificuldade de acesso ao crédito rural e previsão de impactos climáticos relacionados ao El Niño, cresce a expectativa de redução no potencial produtivo da próxima safra de grãos.

O cenário também passou a ser acompanhado pelo Ministério da Agricultura, que criou um grupo de trabalho para avaliar possíveis efeitos das condições climáticas sobre a produção agrícola. Entre as principais preocupações estão a limitação de recursos para o seguro rural e a ausência de mecanismos que facilitem a concessão de novos financiamentos aos produtores.

Nos bastidores do mercado financeiro, agricultores já sinalizam a intenção de reduzir áreas cultivadas e concentrar investimentos em propriedades consideradas mais rentáveis e com menor risco operacional.

Setor aguarda definição sobre apoio aos produtores

Executivos do mercado afirmam que a demora na definição das medidas de apoio financeiro vem prolongando a paralisação das negociações, especialmente entre distribuidores de fertilizantes.

Na avaliação do setor, a retomada das compras dependerá tanto do avanço das discussões sobre o endividamento rural quanto da evolução dos preços dos insumos e das perspectivas para a próxima safra.

FONTE: Valor International
TEXTO: Redação
IMAGEM: Dado Galdieri/Bloomberg

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Agricultura

Fertilizantes no Brasil: dependência externa desafia agronegócio e coloca Petrobras diante de novo dilema

O Brasil, uma das maiores potências do agronegócio mundial, ainda enfrenta um desafio estratégico: a forte dependência de fertilizantes importados. No caso da ureia, principal fonte de nitrogênio utilizada nas lavouras, cerca de 80% do consumo nacional é abastecido por fornecedores internacionais, especialmente da Rússia, China e Oriente Médio.

As recentes crises geopolíticas, como a guerra na Ucrânia, além da volatilidade dos preços e dos custos logísticos, evidenciaram a vulnerabilidade da cadeia de suprimentos. Nesse contexto, a decisão da Petrobras de retomar as obras da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados III (UFN-III), em Três Lagoas (MS), reacendeu o debate sobre a produção nacional e o futuro dos fertilizantes no país.

Retomada da UFN-III busca reduzir dependência de importações

Paralisada desde 2014, a UFN-III deverá receber investimentos superiores a R$ 5 bilhões, com apoio do Novo PAC. A expectativa da Petrobras é concluir a planta entre o fim de 2028 e o início de 2029.

Quando entrar em operação, a unidade terá capacidade para produzir 3.600 toneladas diárias de ureia e 2.200 toneladas de amônia, volume suficiente para atender aproximadamente 15% da demanda nacional de ureia.

Para o governo, o projeto representa um avanço na estratégia de fortalecimento da segurança alimentar e da soberania na produção de insumos agrícolas. Já para o setor produtivo, a retomada pode ampliar a oferta nacional, mas ainda há dúvidas sobre sua competitividade.

Preço do gás natural é principal obstáculo

Especialistas avaliam que o maior desafio da produção nacional não está na capacidade industrial, mas no custo da matéria-prima.

Segundo Marcelo Soto, head de Operações e Inteligência de Suprimentos da SCA, o gás natural responde por 60% a 80% do custo de fabricação da ureia. Enquanto grandes exportadores, como Rússia, Irã e Catar, trabalham com preços próximos de US$ 3 por milhão de BTUs, no Brasil esse valor pode chegar a US$ 15, comprometendo a competitividade da indústria nacional.

Mesmo com a localização estratégica da planta, próxima ao Gasbol, ainda não há garantia de que o custo do gás permitirá competir com os fertilizantes importados sem subsídios ou mudanças estruturais no mercado energético.

Agronegócio prioriza custo e flexibilidade

Além da concorrência com a ureia importada, a produção nacional também disputa espaço com outras fontes de nitrogênio, como o sulfato de amônio, amplamente importado da China, e o nitrato de amônio, fornecido principalmente pela Rússia.

Na prática, o produtor rural escolhe o fertilizante com base no menor custo disponível, independentemente da origem do produto.

Outro fator apontado por especialistas é a falta de regularidade histórica da produção nacional. Segundo Marcelo Soto, a Petrobras costuma operar de forma pontual, dificultando contratos de fornecimento de longo prazo e obrigando distribuidores e agricultores a manterem a dependência do mercado internacional.

Amônia verde entra no debate sobre o futuro dos fertilizantes

Embora a retomada da UFN-III seja considerada positiva sob o ponto de vista da segurança de abastecimento, o projeto também desperta questionamentos sobre sua atualização tecnológica.

A unidade foi concebida há cerca de 15 anos com base em processos convencionais de produção de amônia e ureia a partir do gás natural. Entretanto, diversos países já investem em tecnologias de baixo carbono, como a amônia verde, produzida por meio do hidrogênio verde.

Especialistas ouvidos pelo setor avaliam que adaptar a planta para esse novo modelo poderia aumentar sua competitividade no longo prazo, embora os custos atuais da tecnologia ainda sejam elevados.

Transição energética depende da redução dos custos

O presidente do Conselho de Administração da Associação Brasileira da Indústria do Hidrogênio Verde (ABIHV), Luiz Viga, afirma que a produção de fertilizantes verdes representa uma alternativa estratégica para o Brasil.

Segundo ele, ao utilizar água e eletricidade renovável em vez de gás natural, o país pode aproveitar sua abundância de recursos energéticos para construir uma indústria mais competitiva no futuro.

No entanto, Viga alerta que o principal desafio não está na tecnologia, mas no custo da energia elétrica. Encargos setoriais e outros componentes tarifários ainda dificultam a viabilidade econômica dos projetos de hidrogênio verde.

Apesar disso, ele destaca que os custos internacionais vêm caindo rapidamente. Em mercados como China e Índia, projetos de amônia verde já apresentam valores significativamente inferiores aos registrados há poucos anos.

Brasil busca fortalecer produção nacional de fertilizantes

Programas federais de incentivo, como o Profert, também fazem parte da estratégia para ampliar a produção nacional e reduzir a dependência das importações.

A expectativa do setor é que os primeiros investimentos em fertilizantes produzidos com hidrogênio verde avancem até 2028, com unidades entrando em operação a partir de 2030. Para especialistas, a consolidação dessa tecnologia poderá transformar gradualmente o mercado brasileiro ao longo da próxima década.

Enquanto isso, a retomada da UFN-III representa um passo importante para ampliar a oferta nacional, mas especialistas ressaltam que sua efetividade dependerá de fatores como competitividade, custo do gás natural e evolução das tecnologias sustentáveis.

FONTE: NeoFeed
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/NeoFeed

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Portos

Porto de Santos registra recorde na movimentação de contêineres e supera 2,4 milhões de TEUs em 2026

O Porto de Santos voltou a registrar desempenho histórico na movimentação de contêineres. Apenas no mês de maio, o terminal ultrapassou a marca de 500 mil TEUs (unidade equivalente a um contêiner de 20 pés), enquanto o acumulado do ano já supera 2,4 milhões de TEUs, consolidando um novo recorde para o complexo portuário.

Segundo o presidente da Autoridade Portuária de Santos (APS), Anderson Pomini, os números demonstram a capacidade operacional do porto para absorver o crescimento da demanda, ao mesmo tempo em que avançam os preparativos para o leilão do Tecon 10, projeto considerado estratégico para ampliar a infraestrutura logística nacional.

Movimentação de cargas também bate recorde

Além do desempenho dos contêineres, o movimento geral de cargas também alcançou o maior patamar da história nos cinco primeiros meses do ano.

Entre janeiro e maio, passaram pelo porto 75,65 milhões de toneladas, volume 4,7% superior ao registrado no mesmo período de 2025 e 3,9% acima do recorde anterior, alcançado em 2024.

Os principais destaques continuam sendo o complexo soja, que engloba grãos e farelo e movimentou mais de 25,7 milhões de toneladas, com crescimento de 5,5%, além do açúcar, cuja movimentação avançou 10,2%, aproximando-se de sete milhões de toneladas no período.

Embarques e desembarques mantêm ritmo positivo

No acumulado do ano, os embarques totalizaram 55,95 milhões de toneladas, crescimento de 4,3% em relação ao mesmo período do ano anterior.

Já os desembarques apresentaram expansão ainda maior, de 5,7%, atingindo 19,70 milhões de toneladas, reforçando a importância do Porto de Santos como principal porta de entrada e saída de mercadorias do país.

Maio registra leve retração devido ao desempenho da celulose

Apesar dos recordes acumulados, o resultado específico de maio apresentou pequena redução frente ao mesmo mês de 2025.

Foram movimentadas 16,37 milhões de toneladas, retração de 1,7%, influenciada principalmente pela queda nas operações de celulose. O segmento havia registrado um desempenho excepcional em maio do ano passado, tornando a base de comparação mais elevada.

Esse cenário impactou diretamente o volume de carga solta, contribuindo para a redução de 4,1% nos embarques do mês, que passaram de 12,79 milhões para 12,26 milhões de toneladas.

Também houve recuo nas exportações de açúcar (-13,9%) e leve diminuição na movimentação do complexo soja (-0,6%).

Importação de fertilizantes impulsiona desembarques

Enquanto os embarques perderam ritmo em maio, os desembarques mantiveram trajetória de crescimento.

O porto recebeu 4,11 milhões de toneladas, resultado 6,2% superior ao registrado no mesmo mês do ano passado.

O principal destaque foi a movimentação de fertilizantes, que alcançou 2,94 milhões de toneladas, alta de 19,4% na comparação anual. O desempenho acompanha o aumento da demanda por insumos destinados ao agronegócio brasileiro.

Porto reforça protagonismo na logística nacional

Os resultados consolidam o Porto de Santos como o maior complexo portuário da América Latina e um dos principais eixos da logística brasileira. O crescimento da movimentação de contêineres, grãos, açúcar e fertilizantes evidencia o fortalecimento das exportações e da infraestrutura portuária, além de reforçar a importância dos investimentos previstos para ampliar a capacidade operacional nos próximos anos.

FONTE: Modais em Foco
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Modais em Foco

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Informação

Desvio de fertilizantes: operação desmonta esquema de adulteração de cargas no Paraná

Uma operação da Polícia Civil do Paraná (PCPR) resultou na prisão em flagrante de sete suspeitos envolvidos em um esquema de desvio e adulteração de fertilizantes em Ponta Grossa, nos Campos Gerais. A ação, realizada na noite de quarta-feira (10), também levou à apreensão de veículos, equipamentos, dinheiro, celulares e toneladas de materiais utilizados nas fraudes.

A investigação apura irregularidades em cargas que saíam do Porto de Paranaguá com destino a diferentes estados brasileiros e eram desviadas durante o transporte.

Investigação identificou padrão nas ocorrências

De acordo com a Polícia Civil, pelo menos três empresas relataram prejuízos causados por cargas adulteradas. As semelhanças entre os casos, principalmente em relação aos desvios de rota e à substituição parcial dos produtos transportados, permitiram que os investigadores chegassem ao barracão utilizado pelos suspeitos.

Em uma das ocorrências, uma carga de 40 toneladas de cloreto de potássio, avaliada em cerca de R$ 110 mil, teve aproximadamente 80% do conteúdo substituído por um material semelhante a cálcio. Em outro episódio, uma carga avaliada em mais de R$ 143 mil chegou ao destinatário em Goiás diferente daquela originalmente embarcada no litoral paranaense.

Já um terceiro caso apontou que um caminhão desviou do trajeto previsto por cerca de quatro horas antes de entregar fertilizante adulterado ao comprador final.

Flagrante revelou operação em andamento

Ao localizar o imóvel investigado, os policiais encontraram intensa movimentação de trabalhadores, caminhões e máquinas. No momento da abordagem, uma carga de fertilizantes estava sendo descarregada e manipulada.

Durante a conferência documental, a equipe constatou que o produto havia saído de Paranaguá com destino a Telêmaco Borba, sem qualquer justificativa para a parada em Ponta Grossa.

Segundo a polícia, o motorista da carga admitiu que receberia R$ 8 mil para desviar o caminhão até o barracão. O objetivo seria misturar o fertilizante original com outras substâncias antes da entrega ao cliente.

Diante das evidências, sete pessoas foram presas pelos crimes de furto qualificado, adulteração de substância e adulteração de produto destinado ao consumo.

Máquinas, caminhões e materiais foram apreendidos

Durante a operação, os agentes recolheram diversos itens que podem comprovar o funcionamento do esquema.

Entre os materiais apreendidos estão:

  • Um caminhão-trator;
  • Um semirreboque;
  • Uma pá carregadeira;
  • Três empilhadeiras;
  • Telefones celulares dos investigados;
  • R$ 2.382 em espécie;
  • Cheques;
  • 30 bags contendo material semelhante a cálcio;
  • Lacres de fertilizantes;
  • Notas fiscais relacionadas às cargas.

Todo o material foi encaminhado para análise pericial e deverá integrar o inquérito policial.

Estrutura irregular agravou suspeitas

Além das evidências de adulteração, os investigadores encontraram condições inadequadas de armazenamento no barracão utilizado pelo grupo.

Segundo a polícia, o local apresentava áreas alagadas, acúmulo de água parada, resíduos espalhados pelo piso e descarte irregular de materiais. Também foram constatadas falhas de higiene e ausência de controles sanitários e ambientais exigidos para esse tipo de atividade.

Os agentes encontraram ainda produtos granulados armazenados diretamente no chão, sem isolamento ou proteção adequada, aumentando os indícios de contaminação e adulteração dos fertilizantes.

Perícias e investigações seguem em andamento

Equipes da Polícia Científica recolheram amostras dos materiais encontrados no imóvel para identificar a composição dos produtos e dimensionar o alcance das fraudes.

Os sete suspeitos permanecem à disposição da Justiça, enquanto a Polícia Civil prossegue com as investigações para identificar outros envolvidos e apurar a possível participação de empresas e transportadores no esquema de fraude em fertilizantes.

FONTE: Gazeta do Paraná
TEXTO: Redação
IMAGEM: PCPR / Divulgação

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Transporte

Transporte marítimo de grãos e fertilizantes fortalece protagonismo do Brasil no comércio global

O Brasil vem consolidando sua posição como um dos principais atores do transporte marítimo de grãos e fertilizantes, impulsionado pelas transformações nas cadeias globais de comércio após o conflito entre Rússia e Ucrânia. A avaliação é da consultoria BRS Dry Bulk, que aponta o país como um dos maiores beneficiados pela reconfiguração das rotas internacionais de carga.

Segundo a análise, as alterações na competitividade dos exportadores tradicionais e o redirecionamento dos fluxos marítimos abriram espaço para o avanço brasileiro tanto nas exportações agrícolas quanto na recepção de insumos essenciais para o agronegócio.

Guerra no Leste Europeu altera dinâmica do mercado marítimo

Mais de quatro anos após o início da guerra, a Rússia continua exercendo influência significativa nos mercados globais de grãos e fertilizantes. Atualmente, o país responde por cerca de 7% das exportações mundiais de grãos e por aproximadamente 15% das vendas globais de fertilizantes.

Mesmo diante de sanções internacionais, custos operacionais mais elevados e riscos no Mar Negro, os embarques russos mantiveram desempenho robusto. Nos primeiros meses de 2026, as exportações de grãos da Rússia cresceram cerca de 48% em comparação ao mesmo período do ano anterior.

A consultoria destaca que restrições regulatórias adotadas pela União Europeia reduziram a competitividade dos produtos russos em viagens de longa distância. Como consequência, parte das cargas passou a se concentrar em rotas mais curtas no Mediterrâneo, ampliando oportunidades para outros exportadores em trajetos oceânicos de maior alcance.

Exportações de grãos impulsionam presença brasileira

Nesse cenário, o Brasil reforçou seu papel como fornecedor estratégico de alimentos para o mercado internacional. Em 2025, o país embarcou cerca de 155 milhões de toneladas de grãos, fortalecendo sua posição nas cadeias globais de abastecimento e ampliando a demanda por operações de transporte marítimo de longo curso.

Grande parte desse volume é escoada por corredores logísticos fundamentais, como os portos de Santos e Paranaguá, além dos terminais do Arco Norte, que vêm ganhando relevância no envio de soja e milho para mercados da Ásia e da Europa.

O crescimento das exportações também aumenta a necessidade de investimentos em infraestrutura portuária, armazenagem e acessos terrestres para atender à expansão do agronegócio.

Brasil lidera compras de fertilizantes russos

Além de se destacar nas exportações agrícolas, o Brasil permanece como o principal destino dos fertilizantes embarcados pela Rússia.

De acordo com a BRS Dry Bulk, as exportações marítimas russas de fertilizantes alcançaram cerca de 9 milhões de toneladas entre janeiro e abril de 2026. Desse total, aproximadamente 33% tiveram como destino o mercado brasileiro.

O volume supera o registrado por outros grandes importadores, como a Índia, com 14%, e os Estados Unidos, com 12%.

Os insumos chegam principalmente por portos especializados na movimentação de granéis destinados ao agronegócio, garantindo o abastecimento das principais regiões produtoras do país.

Crescimento dos fluxos exige modernização da infraestrutura

A consultoria observa que os fluxos comerciais direcionados à costa leste da América do Sul ganharam força ao longo de 2026, impulsionados pelo aumento das exportações de grãos e pela demanda constante por fertilizantes.

Essa movimentação contribui para sustentar os níveis de frete nos segmentos Handysize, Supramax e Ultramax, ao mesmo tempo em que exige maior eficiência operacional dos portos brasileiros.

O avanço das cargas representa uma oportunidade para ampliar a movimentação de granéis e fortalecer a competitividade logística do país. Por outro lado, também reforça a necessidade de investimentos em infraestrutura, planejamento operacional e modernização dos corredores de exportação.

Brasil ganha relevância estratégica no comércio marítimo internacional

A análise da BRS Dry Bulk indica que a Rússia continuará sendo um importante fornecedor global de grãos e fertilizantes, apesar das incertezas geopolíticas.

Nesse contexto, a América Latina tende a ampliar sua participação no mercado internacional, com o Brasil ocupando posição de destaque tanto como grande exportador agrícola quanto como principal comprador de fertilizantes russos.

Para o sistema portuário nacional, o cenário combina oportunidades de crescimento com desafios relacionados à expansão da capacidade logística, eficiência operacional e competitividade nas rotas marítimas globais.

FONTE: Portos e Navios
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Portos e Navios

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